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domingo, 20 de março de 2016

MATOSINHOS, LEIXÕES, LEÇA DA PALMEIRA - VII

6.3.15 - Matosinhos, Leixões, Leça da Palmeira


“Pharolim” de Leixões em dia de festa


Praia de Matosinhos – 1913 – banheiro Alberto Pinguinhas



Leça da Palmeira em 1927. Retrato fiel da época: as pessoas, habitações, profissões, património, como se vestiam, como se divertiam... O rio Leça, as lavadeiras, as pontes, o comboio, as praias, a pesca da sardinha e as conserveiras. Construção do Molhe Norte, o Porto de Leixões...


1950

Tesouros da Matosinhos – Joel Cleto

Os primeiros surfistas - 1927 



Bombeiros Voluntários de Leça da Palmeira

Leça da Palmeira vista do ar


Esperando os barcos


Traineira Flamingo


Chegados da pesca



Leixões – praia da sardinha – 1910


1900


Leixões - arranjando as redes


A lota de Matosinhos - 1950


Separação e venda de peixe na praia

Leixões – Cinemateca Portuguesa – 1933 - Descrição: Faina do Porto de Leixões. Caranguejo, adubo da terra - Leça da Palmeira; o tratamento das redes. A faina da sardinha. O Farol da Boa Nova. 
Filme muito interessante. Vale a pena gastar 16 minutos a vê-lo


Leça da Palmeira 1900 - Oficialmente, forte de Nossa Senhora das Neves, começou a ser construído em 1638-39, visando a defesa da costa contra as ameaças de piratas e corsários. Após a Restauração, considerando a sua grande importância estratégica para a defesa da barra, as suas obras foram retomadas, destacando-se uma guarnição para a fortificação. Durante as Guerras Liberais, em 1832, o forte foi objecto de diversas melhorias. No séc. XX, as suas instalações foram entregues à Capitania do Porto de Leixões que nelas se instalou. Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1961 e em boas condições de conservação.

Mistérios de Leça da Palmeira


Marginal de Leça da Palmeira - 1950

Matosinhos – Horizontes da memória - video 


Praia de Leça da Palmeira - 1970 

Leça da Palmeira de outrora



Rua de Santa Catarina,467 – casa onde nasceu António Nobre. Viveu parte da sua juventude em Leça da Palmeira.


Casa, na Avenida Brasil, onde morreu António Nobre.



Monumento a António Nobre – Leça da Palmeira

“Na praia lá da Boa Nova, um dia,
Edifiquei (foi esse o grande mal)
Alto castelo, o que é a fantasia,
Todo de lápis-lazúli e coral!
Naquelas redondezas não havia
Quem se gabasse dum domínio igual:
Oh, castelo tão alto! Parecia
O território dum senhor feudal!
Um dia (não sei quando, nem sei donde)
Um vento seco de deserto e spleen
Deitou por terra, ao pó que tudo esconde,
O meu condado, o meu condado, sim!
Porque eu já fui um poderoso conde,
Naquela idade em que se é conde assim…”

Versos de António Nobre

António Nobre – biografia a poemas

Aspectos de Leça da Palmeira, Matosinhos e Leixões – 1927 – Muito interessante 

sábado, 2 de março de 2013

PRAÇAS DA CORDOARIA E NOVA DAS HORTAS - II

2.5.1 - Praça da Cordoaria - II



No local onde hoje se encontra o Palácio da Justiça, existiu a Capela do Senhor Jesus do Calvário Novo – Segundo Horácio Marçal “a ermida, edificada no séc. XVII conservava um largo alpendre ou galilé (como era uso quase corrente nas capelas rurais) para abrigar das intempéries os inumeráveis fiéis que a ela acorriam… Como  o prédio tivesse ficado novamente vazio foi aproveitado para nele se instalar a Casa ou Roda dos Expostos (portaria de 12/10/1838), que da Rua dos Caldeireiros, onde fora instituída em 1/10/1688 (a instâncias dos Padres Baltazar Guedes e Manuel Rodrigues Leitão) e aqui se conservou até aos primeiros anos do séc. XX".


Desenho de Joaquim Vilanova – 1833 

"Paredes meias (com a ermida) fundaram os frades Antoninos do Vale da Piedade um recolhimento – Hospício de Santo António da Cordoaria – onde anos depois se instalou a "Roda dos Expostos”. Os frades Antoninos vinham para aqui descansar e convalescer, pois o local do convento, perto do Douro, em Gaia, era muito insalubre.
Por decreto de 9 de Julho de 1833 foi criada a Real Biblioteca Pública Municipal do Porto que incluía os 36.000 volumes apreendidos ao bispo D. João de Magalhães e Avelar, os pertencentes aos conventos extintos e outros oferecidos por particulares. Totalizavam cerca de 80.000 volumes.


Dado tratar-se de um escasso e impróprio espaço a Câmara resolveu, com a autorização do bispo transferi-los para o Paço…


…e só em 11/4/1842 passou para o antigo Convento de Santo António da Cidade, no jardim de S. Lázaro. Desenho de Joaquim Vilanova - 1833


Mercado do Peixe – frontaria – à esquerda a antiga Biblioteca Municipal do Porto


“Junto ao Hospício dos Frades Antoninos erguiam-se os celeiros públicos da cidade. Em 1869 começou a construir-se a praça do peixe e fressuras, (no socalco inferior), que veio a ser inaugurada em 1/3/1874 e demolida passados 78 anos (1952)”.


No local do Mercado do Peixe foi construído o Palácio de Justiça, inaugurado em 20/10/1961. Projecto do Arq. Raul Rodrigues de Lima. Frente ao edifício está uma escultura da Justiça, obra do escultor Leopoldo de Almeida.


Rapto de Ganimedes – António Fernandes de Sá –Foi comprado pela C.M.P. em 24/12/1914 e colocado no Campo da República - foi "rerraptado" deste para a Cordoaria, em 2010.


António Nobre – busto de Tomás Costa – inaugurado em 26/3/1927


Estátua de Ramalho Ortigão – Leopoldo de Almeida – 1954 – foto Dias dos Reis

“Em 21 de Agosto de 1954 é inaugurado… o monumento em pedra, ao escritor portuense Ramalho Ortigão… está com a frente – infeliz ideia – voltada para a Cadeia Civil do Porto, o que nos faz crer, pelo recôndito do local, estar ali para assistir, impassível, ao desabamento do dito edifício da Cadeia, ou então, para assistir ao levantamento da demolida e artística Casa da Fábrica, a qual, segundo noticiaram os jornais da época, devia ser reconstruída no gaveto existente entre as Taipas e o Calvário”. In O Tripeiro série VI, Ano II. 
Pelo que lemos acima há que comentar: Actualmente a estátua está colocada junto à Praça Parada Leitão, tendo à sua frente a Igreja do Carmo. Além disso, este texto, levanta o véu sobre o local destinado à reconstrução da belíssima Casa da Fábrica, o que, infelizmente não aconteceu. Onde estarão as sua pedras?


Juan Muñoz – “13 a rir uns dos outros” - 2001 – 4 conjuntos com 13 personagens a rir, sentados em bancadas.


Em 12 de Setembro de 1895 a Companhia Carris de Ferro do Porto fez circular o primeiro carro eléctrico, que fazia a ligação entre a Cordoaria e Massarelos.


Universidade do Porto ainda não totalmente construída – á direita, a entrada do Mercado do Anjo.




“O edifício sede da Universidade do Porto, em pleno centro histórico da cidade, acolhe actualmente a Reitoria e dois museus: o Museu de História Natural e o Museu da Ciência, ambos instituídos em 1996. Construído e remodelado ao longo de mais de um século, nele esteve instalada a Academia Real de Marinha e Comércio (1803-1837) e a Academia Politécnica do Porto, que lhe sucedeu (1837-1911). O primeiro desenho arquitectónico da Academia Real de Marinha e Comércio da Cidade do Porto é da autoria do arquitecto e professor lisboeta José da Costa e Silva (1747-1819) e foi mais tarde revisto por Carlos Amarante (1748-1815), arquitecto autodidacta, engenheiro de pontes, desenhador, gráfico e ilustrador. Em 1911, com a criação da Universidade do Porto, a Academia Politécnica foi desmembrada e parcialmente integrada na Faculdade de Ciências. No edifício da actual Praça Gomes Teixeira, por essa altura designada Praça dos Voluntários da Rainha, instalaram-se a Reitoria, a Faculdade de Ciências com os seus museus e laboratórios, bem como uma Escola de Engenharia, anexa a essa Faculdade. Em 1976, a Reitoria viu-se obrigada a mudar de instalações, tendo ido ocupar o imóvel do antigo Centro de Instrução e Condução Auto do Porto, na Rua de D. Manuel II. O regresso ao edifício de origem deu-se apenas em 2006.” Contudo, as raízes da instituição remontam ao século XVIII e a uma combinação de experiências formativas que viria a projectar-se na futura Universidade, que foram a Aula de Náutica (1762) e a Aula de Debuxo e Desenho (1779).




Lado Norte – Praça dos Voluntários da Rainha


Lado Poente

O espaço pertencia ao Colégio dos Meninos Órfãos que aí se manteve até meados do século XIX. O edifício do Colégio era do tipo conventual, com quatro alas em torno de um claustro, ocupando a igreja (de Nossa Senhora da Graça) o lado Norte.


Lado Sul – após 1911






Na madrugada do dia 20 de Abril de 1974, pelas 4 horas, deflagrou um violento incêndio no edifício sede da Universidade do Porto, na Praça Gomes Teixeira. Ao que tudo indica, o sinistro começou na ala sul do Salão Nobre e ter-se-á propagado a partir do seu tecto, apenas revestido pelo telhado e pelo forro. As chamas avançaram em direcção ao restante telhado e forro, varrendo-os a Poente e Nascente. Deste lado, ficaram imediatamente destruídos os arquivos da Universidade e a Biblioteca da Faculdade de Economia. A primeira estrutura a ruir foi a clarabóia, que encimava a escadaria nobre. A ala norte do edifício, voltada para a Praça de Gomes Teixeira, foi a mais afectada pelo sinistro. O Salão Nobre ficou totalmente destruído, assim como a Sala do Conselho. Os estragos na escadaria ficaram a dever-se à derrocada do telhado. Os dois óleos sobre tela fixados nas paredes laterais do piso nobre, da autoria José Maria Veloso Salgado (1864-1945), foram, também, atingidos pelas chamas. As peças de mobiliário de todos estes espaços ficaram destruídas ou muito danificadas, quer pela acção das chamas, quer pela acção da água utilizada para as combater.

domingo, 18 de novembro de 2012

BAIRROS DA CIDADE - XIX

2.3.3 - Bairro da Santo Ildefonso - VI


Ficava na esquina da Rua de Santa Catarina com a Rua Formosa. Conheci bem esta firma, pois o proprietário era um bom amigo de meu pai.


Em 1 de Janeiro de 1868 rebentou no Porto a revolta chamada de A Janeirinha, que pretendia acabar com a Regeneração. Nesse dia nasceu o jornal A Revolta de Janeiro lançado por António Augusto Leal. Suspenso em 31 de Agosto, reabriu em 1 de Dezembro com o nome O Primeiro de Janeiro. Em 1870 dá-se o grande salto, passando a dispor de boas instalações na rua de Santa Catarina, em prédio pertencente a Inácio Pinto da Fonseca. Contou entre os seus colaboradores dos mais prestigiados intelectuais da época: Camilo Castelo Branco, Alberto Pimentel, Guilherme de Azevedo, Guerra Junqueiro, Latino Coelho, Ramalho Ortigão, Antero de Quental, Oliveira Martins, Eça de Queiroz, Gomes Leal ou António Nobre. Nos anos 50 do século passado, às terças-feiras, eu lia com o maior interesse os artigos “Falam Velhos Manuscritos” , do grande historiador do Porto Dr. Artur de Magalhães Basto. Foram decisivos para o meu interesse pela história e vida da minha cidade natal. Desde então, e muito bem acompanhado por minha mulher, nunca deixámos de ler e visitar a cidade, com interesse e entusiasmo. Só agora, maduros, nos dispusemos a dedicar uma boa parte do nosso tempo a divulgar o que aprendemos e continuamos a aprender.
Visitámos há bastantes anos as instalações de O Primeiro de Janeiro, em plena laboração, e recordamo-nos bem do grande interesse que nos suscitou, desde a redacção ás máquinas de impressão. Infelizmente não encontrámos uma fotografia do edifício deste jornal, mas a que apresentamos dá bem a ideia do que era.



Fábrica de Fiação e Tecidos da Areosa – Um dos principais sócios desta grande empresa foi Manuel Pinto de Azevedo, proprietário do jornal O Primeiro de Janeiro. Foi fundada em 1907 e por aquele comprada em 1920. Uma das maiores empresas do país. Tinha uma política social muito avançada no tempo, com creches, refeitórios e casas para trabalhadores necessitados, alugadas a preços simbólicos. Fotos da época.


Manuel Pinto de Azevedo também possuía a Empreza Fabril do Norte, na Senhora da Hora. Foi fundada em 1907 e deixou de laborar em 1994. Chegou a ter 3.000 trabalhadores. Era uma das melhores empresas de linhas de coser do país. Aqui nos seus tempos áureos.


O que resta da grande empresa... um símbolo.


Padaria Cunha – inaugurada em 31/3/1906 por meu avô Augusto Cunha – Situou-se pouco tempo do lado direito, tendo passado para o lado contrário entre as ruas Fernandes Tomás e da Firmeza. Á porta está o seu irmão, e também meu avô, Francisco Cunha.


Muitos anos mais tarde, talvez anos 50, já no nº. 491. Já tinha sido trespassada


Multidão esperando a passagem do cortejo do Carnaval de 1905


Carnaval do 1906 – esquina de Passos Manuel – no local da casa baixa virá a ser  construído o majestoso prédio dos Grandes Armazéns Nascimento, depois café Palladium.


Rua Santa Catarina - Capela das Almas dos princípios do séc. XVIII - Em 1662 havia em Fradelos uma quinta onde se encontrava uma capela da invocação de Stª. Catarina de Alexandria, ligada por um caminho à Porta de Cima de Vila da Muralha Fernandina.  Em 1748, num documento da Misericórdia este caminho já aparece identificado como Rua Nova de Santa Catarina, com o seu alinhamento corrigido em 1771. Por iniciativa de João de Almada e Melo, em 1784, a rua foi prolongada até à Alameda da Aguardente, hoje Praça do Marquês de Pombal. A este prolongamento se deu o nome de Rua Bela da Princesa.
 Sobre esta capela trataremos em lugar próprio.


Travessa das Almas – Rua Formosa, por trás da Capela das Almas. Liga a Rua Formosa à de Fernandes Tomás.



 

Estátua junto da Muralha Fernandina, onde esteve a Porta do Sol.
Arnaldo Gama, conhecido pelos seus excelentes romances históricos passados na cidade, nasceu e morreu na Rua da Santa Catarina, 208, em 1/8/1828 e 29/8/1869. Formou-se em direito, em Coimbra e foi jornalista em vários jornais do Porto. Mas foram os seus romances que o celebrizaram, pelo sua qualidade e fidelidade histórica.
Génio do Mal (em quatro volumes publicados entre 1856/1857),Um Motim há Cem Anos (1861), O Sargento-Mor de Vilar (1863), O Segredo do Abade (1864), A Última Dona de S. Nicolau (1864) e O Filho do Baldaia (1866) foram alguns do seus melhores romances. Em todos eles enquadra os factos passados em épocas diferentes, mas sempre com muita mestria. São livros a ler "apaixonadamente".




Assento de casamento de Camilo e Ana Plácido

Camilo Castelo Branco nasceu em Lisboa a 16 de Março de 1825. Foi um dos maiores romancistas portugueses e, depois de ter vivido e casado em Ribeira de Pena (Vila Real) com Joaquina Pereira de França de quem teve uma filha. Em 1848 veio viver para o Porto. Com uma vida muito agitada e desregrada, apaixonou-se por Ana Augusta Vieira Plácido, casada à força com um homem rico, mas muito mais velho e de quem não gostava. Os apaixonados foram presos na Cadeia da Relação por queixa do marido, onde Camilo escreveu o seu romance Amor de Perdição. Julgado no Tribunal da Picaria, teve no seu advogado Dr. Marcelino de Matos uma defesa notabilíssima. Por coincidência, durante o seu depoimento rebentou uma terrível trovoada e este afirmou: “É Deus falando contra a iniquidade deste processo e não levando a bem a monstruosidade desta prisão”. Constrangidos por este ambiente os jurados, por maioria, consideraram-nos inocentes. Assim, o juiz decretou a absolvição dos amantes.Viveram em comum, até 1888. Nesta altura Camilo, sem consultar Ana Plácido, decidiu casar-se para lhe dar mais respeitabilidade. Porém, recusa-se a casar publicamente numa igreja. Tudo tenta, então, para que lhe fosse permitido casar em sua casa, na Rua de Santa Catarina, 458. Convencida, embora a custo, Ana Plácido consente neste casamento. Tendo recebido autorização para se casarem neste local, pelos Bispos do Porto e de Braga, este realizou-se no dia 9 de Março de 1888, celebrado pelo famoso orador Cónego Alves Mendes. Foi um dos mais importantes e prolíficos romancistas portugueses, tendo escrito muitas dezenas de livros, tendo alguns ficado como marcos na História da Literatura. Escreveu na Cadeia da Relação o mais célebre: Amor de Perdição.


Casa de S. Miguel de Seide – Casa, pertencente a Ana Plácido onde Camilo, vítima de cegueira, se suicidou em 1 de Junho de 1890. Seus restos mortais encontram-se no Cemitério da Lapa, no jazigo do seu grande amigo Freitas Fortuna.

You tube – video sobre a sala onde Camilo se suicidou e seu funeral
http://www.youtube.com/watch?v=A5hNQsBpBvk


No nº. 467 nasceu o grande poeta António Nobre, em 16 de Agosto de 1867.


Faleceu em casa de seu irmão Prof. Augusto Nobre, na Avenida Brasil, em 18 de Março de 1900

1867 - 1900
  

António Nobre e as suas musas - Leça da Palmeira


Só - primeira edição - Paris, 1862



Castelo de Santa Catarina – Construída no limiar do século XX é um exemplo do revivalismo gótico. Hoje é um residencial com interiores e jardins lindíssimos.  

 
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