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domingo, 26 de março de 2017

COMPANHIA GERAL DA AGRICULTURA DAS VINHAS DO ALTO DOURO - IV

6.27.4 – Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro -


Nova norma de provas – D. João VI – Novembro de 1823



Decreto-Lei n.º 166/86 de 26 de Junho de 1986


Preços dos vinhos em 1898


Visconde de Vila Maior - 1836 
De 1789 a 1792 demoliu o Cachão da Valeira, a que já nos referimos no nosso lançamento Rio Douro II de 4/9/2015.
Mas não foi somente na área do vinho que a Companhia fui útil ao país. Fez grandes empréstimos ao governo para obras importantes.


Foi decisiva na reconstrução de Amarante, destruída aquando das Invasões Francesas.


Marginal em Massarelos - 1900



Cais do Ouro - 1904


Abriu a marginal do Douro entre o Porto e a Foz.


Aguardando, na Cantareira, a entrada no Porto


Foto de Rien Van Der Kaay

 Construiu o cais da Cantareira até ao Molhe de Felgueiras e destruiu vários rochedos que dificultavam a entrada dos barcos no Douro.


Academia Real de Marinha e Comércio – construída no local onde estava o Colégio dos Órfãos. A Igreja de Nª. Sª. da Graça ainda não tinha sido destruída.
Foi ainda devido à sua iniciativa que se fundou, em 1803, a Academia Real da Marinha e Comércio da Cidade do Porto.


Em 1831 construiu a Real Casa do Asilo dos Náufragos, na Foz por ordem de D. Miguel I.


In Portugal Antigo e Moderno de Pinho Leal


O Barão de Forrester descreve a seu tio o incêndio dos armazéns da Companhia, enquanto estava de guarda aos seus em Gaia. In O Tripeiro V Série, Ano II

Em 16/8/1833, durante o cerco do Porto, a Companhia viu arder cerca de 16.000 pipas, algumas com vinho antiquíssimo, cujo prejuízo foi de 2.002.378$000, uma avultadíssima verba.
Em 30/5/1834 saiu o decreto que abolia toda a legislação que lhe atribuía prerrogativas e atribuições, e a extinguia. 
Além de todos estes factos viu-se com dívidas ao estado e a particulares de vários milhares de contos de reis, que muito dificilmente poderia pagar.
Porém, não faliu, tal era a sua constituição e robusto o seu crédito.
Passou a utilizar o nome de Companhia dos Vinhos do Porto e resolveu continuar os seus negócios. Publicou os seus novos estatutos em 4/11/1834 e renovou-os em 7/4/1838. 
Conseguiu adiar e reestruturar algumas das suas maiores dívidas e receber do estado vários créditos.
Conseguiu, após muitas dificuldades, acabar por pagar a todos os seus credores. 

Há 250 anos Três homens do Porto e o Marquês – Germano Silva 

Interessante estudo sobre o Douro no séc. XVIII e da Companhia – Rui Sá Guerra 

continuação 


1900


Vinho pronto para embarque – 1910

Beira rio há muitos anos atrás

A Região Demarcada do Douro – site Histórias com história – muito bom

quinta-feira, 23 de março de 2017

COMPANHIA GERAL DA AGRICULTURA DAS VINHAS DO ALTO DOURO III

6.27.3 – Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro - Região Demaracada do Douro e suas alterações, Marcos Pombalinos, Instituto dos Vinhos do Porto e Douro, Tabernas do Porto



Mapa da região demarcada do Douro pelo Barão de Forrester - 1842

“As origens da região demarcada do Alto Douro remontam a 1756, ano em que o ministro de D. José I, Sebastião José de Carvalho e Melo (Marquês de Pombal) fundou a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro.
Com efeito, em 10 de Setembro de 1756, no âmbito da política pombalina de fomento económico e reorganização comercial do país, de inspiração mercantilista, assente na formação de várias companhias monopolistas e privilegiadas, foi criada a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, destinada a garantir e promover, de forma articulada, a produção e comercialização dos vinhos do Alto Douro, a travar a concorrência de outros vinhos portugueses de inferior qualidade, a limitar o predomínio e mesmo o controlo desta actividade económica pelos ingleses e, logicamente, a aumentar os rendimentos da Coroa provenientes do comércio dos vinhos do Alto Douro, que vieram a ser uma das maiores fontes de receita do Estado português.


Marco Pombalino de Barqueiros

De acordo com os estatutos da Companhia, deviam separar-se “inteira e absolutamente para o embarque da América e reinos estrangeiros os vinhos das costas do Alto Douro e do seu território de todos os outros vinhos, dos lugares que somente os produzem capazes de se beber na terra, para que desta sorte a inferioridade destes vinhos não arruíne a reputação que aqueles merecem pela sua bondade natural”. Daí a necessidade de se elaborar um mapa ou tombo geral das duas costas, setentrional e meridional do rio Douro, no qual se demarcou “todo aquele território que produz os verdadeiros vinhos de carregação, que são capazes de sair pela barra do mesmo rio”.
A demarcação consistiria em inventariar os terrenos produtores do “vinho de carregação”, estabelecendo a produção regular de cada um, de acordo com “uma estimação comum ou média, calculada pelas produções dos últimos cinco anos próximos pretéritos”, de modo a impedir-se a venda de mais vinho do que o estabelecido desta forma. Simultaneamente, proibia-se a entrada de vinho de fora da demarcação, o qual só poderia circular com guias passadas pelas autoridades municipais e fiscalizadas pelos funcionários da Companhia, de modo a evitar a sua venda como vinho de embarque, impedindo a lotação com outros. Ficava, assim, proibida a exportação para Inglaterra de vinhos de fora da demarcação, bem como da lotação destes com vinhos de ramo, só se permitindo a exportação de vinhos mais caros, que correspondessem aos vinhos de feitoria ou vinho fino.
A demarcação do Alto Douro, ainda em 1756, foi considerada prioritária pelo próprio Sebastião José de Carvalho e Melo que, por aviso de 6 de Setembro desse ano, determinava que marchassem “logo” para o Alto Douro, com tal missão, os deputados da Junta da Administração da Companhia, Manuel Rodrigues Braga e José Monteiro de Carvalho.
As dificuldades, contudo, porque passou a Companhia nos últimos meses do ano de 1756, devido às resistências e à hostilidade desenvolvidas por parte da burguesia portuense de negócios e dos negociantes ingleses radicados na cidade, apostados em boicotar a saída dos barcos fretados pela Companhia e carregados com vinhos, aguardentes e vinagres destinados ao Brasil, assim como o motim do Porto de Fevereiro de 1757 contra a recém-criada Instituição, impediram que qualquer diligência se desenvolvesse no sentido de se proceder à demarcação pombalina do Alto Douro.
Fica assim claro, desde já, que a intenção de se efectuar a demarcação do Alto Douro é de 1756, mas a sua concretização só vai iniciar-se em 1757.
Por aviso de 28 de Julho de 1757, Carvalho e Melo manda demarcar “as duas costas do rio Douro e os respectivos terrenos que produzem diferentes qualidades de vinhos”, de forma a terminarem as “desordens” provocadas pela “confusão” existente entre vinhos bons e maus, encarregando o sargento-mor de infantaria Francisco Xavier do Rego de levantar as “costas” do rio Douro e nomeando para dirigir tal operação o desembargador Inácio de Sousa Jácome Coutinho, procurador fiscal da Companhia, e os dois deputados provadores da Companhia, Manuel Rodrigues Braga e José Monteiro de Carvalho, e convidando ainda Diogo Archibold, de nação inglesa, para testemunhar a boa-fé com que se ia proceder na separação dos terrenos do vinho tinto para o comércio da Europa do Norte, dos terrenos de vinhos destinados ao Brasil e ao consumo interno. 


Ainda nesse ano, porém, esta primeira demarcação foi anulada, uma vez que, como refere a carta régia de 20 de Setembro de 1758, a comissão demarcante tinha ultrapassado as instruções régias que deviam orientar aquele trabalho. Em Outubro de 1758 dá-se início à nova demarcação do Alto Douro, com nova comissão formada pelos desembargadores Manuel Gonçalves de Miranda e Luís de Morais Seabra e Silva, pelos deputados e conselheiros da Companhia, Pedro Pedrossem da Silva, Manuel Rodrigues Braga, Gaspar Barbosa Carneiro e Brás de Abreu Guimarães, e por Francisco Xavier do Rego com seus ajudantes.
Em Novembro de 1758, a demarcação das duas costas do rio Douro, com a indicação dos terrenos que produziam diferentes qualidades de vinhos pagos a preços distintos, foi terminada.
Nos anos seguintes, atendidas pelo Governo e instruídas pela Companhia, surgiram inúmeras reclamações dos proprietários do Alto Douro que se sentiam lesados com a demarcação, o que deu origem à revisão de todo este processo, que se deu encerrado, com carácter definitivo, em Outubro de 1761.


Esta demarcação dos terrenos produtores de vinhos de embarque, por alvará de 16 de Janeiro de 1768, foi alargada aos terrenos produtores de vinhos de ramo, com o objectivo de se controlar a produção e evitar a sua introdução na área demarcada do vinho de embarque, passando assim a haver duas demarcações distintas, a de vinho de embarque e a de vinho de ramo.
A arbitrariedade da demarcação fez com que nos terrenos demarcados para vinho da feitoria ficassem incluídas vinhas que produziam “péssimos vinhos, por estarem situadas em terrenos avessos e em vales baixos”, como em Lobrigos e Santa Marta, e que vinhos muito superiores como em Guiães, Galafura e Gouvães fossem reduzidos a vinho de ramo. Esta “desigualdade irremediável” e a “cobiça de aumentar o cabedal” fizeram com que muitos lavradores, clandestinamente, introduzissem as uvas ou vinho de ramo no distrito da demarcação do vinho de feitoria, dando origem a fraudes que alimentaram durante dezenas de anos as devassas no Alto Douro.


O aumento da exportação do Vinho do Porto a partir de 1774, e sobretudo no ano de 1787, vai dar origem, por aviso de 6 de Março de 1788, a nova demarcação, conhecida por demarcação mariana ou subsidiária, a qual, basicamente, ficou concluída em 1791, apesar de até 1801 ainda se ter registado um alargamento da área demarcada.
As demarcações referidas, sobretudo as pombalinas, muito contestadas pelos lavradores não contemplados nas mesmas, nunca impediu que, avulsamente, por ordens régias fundamentadas nas consultas da Companhia, outras propriedades se fossem juntando às propriedades demarcadas, por vezes sem qualquer continuidade geográfica relativamente à área demarcada. E que vinhos de outras regiões fossem adquiridos pela Companhia ao preço dos vinhos de embarque, como os vinhos do próprio Carvalho e Melo, das suas propriedades em Oeiras, e de João de Almada, primo daquele ministro, das suas propriedades de Monção.
Por aviso de 10 de Dezembro de 1823, a Companhia procedeu ao apuramento das propriedades que, pela qualidade dos seus vinhos, mereciam ser incluídas ou excluídas no território da demarcação e, na sequência de outro aviso, de 2 de Agosto de 1824, a Junta remeteu ao Governo o plano de uma nova demarcação, mas não teve qualquer seguimento.


A região demarcada alargava-se por 67 freguesias das duas margens do rio Douro – predominantemente, da província de Trás-os-Montes –, passando, com a demarcação subsidiária, a incluir mais uma freguesia.
A região vinícola demarcada do Alto Douro conheceu sucessivos alargamentos no século XIX, de tal modo que em 1907 chegou até à fronteira com a Espanha. No ano seguinte, porém, deu-se uma redução da área produtora do Vinho do Porto, de tal modo que, na sequência do decreto de 10 de Dezembro de 1921, podemos afirmar que a região demarcada do Alto Douro passou a corresponder, praticamente, àquela que ainda hoje permanece.
Considerada por François Guichard “a primeira demarcação no mundo de uma zona de denominação de origem controlada no sentido contemporâneo do termo”, a demarcação pombalina, que nunca correspondeu a qualquer entidade administrativa, acabou por conceder à região do Alto Douro, como sublinhou Gaspar Martins Pereira, uma identidade própria que veio até aos nossos dias. In Espólio fotográfico Português, ciclo do vinho do Porto

Espólio fotográfico português – Ciclo do vinho do Porto – descrição e centenas de fotografias do Douro – Foto Beleza


Na segunda metade de Oitocentos, um conjunto de factores conjuga-se para marcar o ponto de viragem do Douro pombalino para o Douro contemporâneo, promovendo profundas mudanças na viticultura duriense. Depois das destruições provocadas nos anos cinquenta pelo oídio, é a filoxera que, a partir da década seguinte, reduz a mortórios grande parte do vinhedo da área demarcada. Em 1865, a instauração do regime de liberdade comercial constitui, de facto, ao nível regional, a abertura da linha de demarcação, permitindo a expansão rápida do vinhedo no Douro Superior, onde o ataque da filoxera foi mais tardio e menos violento.
Surgem novas práticas de preparação do terreno, alteram-se as práticas de plantação da vinha, seleccionam-se as melhores castas regionais para enxertia, difunde-se a utilização racional de adubos e fito - sanitários, aperfeiçoam-se os processos de vinificação...
No final do século, é bem visível o impacto da filoxera no reordenamento do espaço regional.
Aos poucos reorganizado e estendendo-se agora a uma área muito maior, o vinhedo duriense contará, a partir de finais dos anos oitenta, com um outro inimigo, bem mais destruidor que as doenças da videira - a crise comercial. Paralelamente, a fraude. As imitações de vinho do Porto tornam-se frequentes nos nossos principais mercados, onde se vendem os French Ports, os Hamburg Ports, os Tarragona Ports, por preços inferiores aos genuínos Port Wínes.
Crise comercial, crise da lavoura, o Douro era um retrato de miséria.
Ao iniciar o seu governo de ditadura, a 10 de Maio de 1907, João Franco assinava um decreto que vinha regulamentar a produção, venda, exportação e fiscalização do vinho do Porto, regressando aos princípios que nortearam, 150 anos antes, a política pombalina de defesa da marca. Foi novamente demarcada a região produtora, abarcando agora o Douro Superior. Restabelecia-se o exclusivo da barra do Douro e do porto de Leixões para a exportação dos vinhos do Porto, reservando-se a denominação de Porto para os vinhos generosos da região do Douro, com graduação alcoólica mínima de 16,5º. A protecção e fiscalização da marca ficavam a cargo da Comissão de Viticultura da Região do Douro.
Em contrapartida, o decreto de 27 de Junho, que veio regulamentar o comércio das aguardentes, proibia a destilação dos vinhos durienses, obrigando o Douro a receber de outras regiões vitícolas a aguardente para beneficiação dos seus vinhos, facto que motivou violenta contestação. O alargamento excessivo da área de demarcação suscitou também viva polémica. No ano seguinte, o governo do Almirante Ferreira do Amaral (decreto de 27 de Novembro) iria optar pela demarcação por freguesias, reduzindo a área produtora de vinho do Porto praticamente ao espaço da actual demarcação (dec. - Lei de 26 de junho de 1986), que corresponde à que foi estabelecido pelo decreto de 10 de Dezembro de 1921.
As exportações aumentaram a um ritmo nunca esperado, atingindo, em 1924/1925, mais de cem mil pipas, nível que só seria ultrapassado em finais da década de 1970.
Porém, a situação nas aldeias do Douro não parece ter sofrido melhorias significativas. A miséria e a fome agravavam-se com a subida dos impostos e dos preços dos produtos, no fim da Monarquia e durante a 1ª República. A agitação política e social do primeiro quartel do século XX marcou um dos períodos mais turbulentos da história do Douro. Manifestações, comícios, motins, incêndios de comboios com aguardente do Sul, assaltos a Câmaras e Repartições Públicas.
O novo regime nascido do levantamento militar de 28 de Maio de 1926 viria impor novas alterações na organização do comércio de vinho do Porto e da lavoura duriense, reforçando o intervencionismo estatal.


Rio Douro - gravura antiga

Logo em 1926, foi criado o Entreposto de Vila Nova de Gaia, que deveria funcionar como prolongamento da região produtora. Todas as empresas ligadas ao comércio do vinho passariam a ter aqui obrigatoriamente os seus armazéns de envelhecimento, acabando, na prática, com a comercialização directa, a partir do Douro.
Em 1932, o regime corporativo organizava os Grémios da Lavoura, com representação dos Sindicatos locais, constituídos pelos proprietários cabeças - de - casal. Por seu turno, os Grémios Concelhios passariam a associar-se na Federação Sindical dos Viticultores da Região do Douro - Casa do Douro, organismo encarregado de proteger e disciplinar a produção. Regulamentação posterior (decreto de 30 de Abril de 1940) atribui-lhe poderes para elaborar a actualização do cadastro, distribuir o benefício, fornecer aguardente aos produtores, fiscalizar o vinho na região demarcada e conceder as guias para os vinhos a serem transportados para o Entreposto de Gaia.
Em 1933, era organizado o Grémio dos Exportadores do Vinho do Porto, associação do sector comercial com as funções de zelar pela disciplina do comércio.
As actividades da Casa do Douro e do Grémio dos Exportadores passam a ser coordenadas pelo Instituto do Vinho do Porto, organismo criado nesse mesmo ano, com as funções de estudo e promoção da qualidade, fiscalização e propaganda do produto.
Foi actualizado o cadastro dos vinhedos. De acordo com a localização, as características do terreno, as castas e a idade da vinha, a Casa do Douro atribui anualmente a cada viticultor uma autorização para produzir uma quantidade de mosto determinada, a que corresponde uma certa qualidade (da letra A, o melhor, até à letra F) e um preço correspondente. É o sistema de benefício.
A partir dos anos 50, desenvolve-se o movimento cooperativo, que, nos inícios da década seguinte, abarcará cerca de 10% do número de produtores e da produção vinícola regional.
Após 1974, a organização corporativa é extinta, mas a Casa do Douro e o Instituto do Vinho do Porto mantêm as suas funções básicas de defesa da qualidade da marca. Por seu turno, o Grémio dos Exportadores deu lugar à Associação dos Exportadores do Vinho do Porto, que passou a designar-se, mais recentemente, Associação das Empresas de Vinho do Porto.
Entre as empresas exportadoras, tem-se verificado uma tendência para a concentração. Paralelamente, algumas dessas empresas têm realizado grandes investimentos na área da produção, adquirindo quintas e vinhedos, e fazendo novas plantações. Em movimento inverso, alguns produtores lançam-se, desde 1978, no circuito da comercialização directa, recuperando uma prática perdida em 1926. Em 1986, cria-se a Associação de Produtores Engarrafadores de Vinho do Porto, visando sobretudo a exportação directa, a partir das quintas do Douro, em nome dos respectivos produtores.


Em 1995, a região Demarcada do Douro viu alterado o seu quadro institucional. Passou a estar dotada de um organismo interprofissional, - a Comissão Interprofissional da Região Demarcada do Douro (CIRDD), no qual tinham assento, em situação de absoluta paridade, os representantes da lavoura e do comércio, com o objectivo comum de disciplinar e controlar a produção e comercialização dos vinhos da região com direito a denominação de origem. As alterações introduzidas respeitaram, contudo, as especificidades históricas, culturais e sociais da região, seguindo as linhas orientadoras da lei - quadro das regiões demarcados vitivinícolas. Duas secções especializadas compunham o Conselho Geral da CIRDD determinando as regras aplicáveis a cada uma das denominações: uma relativa à denominação de origem "Porto" e outra aos restantes vinhos de qualidade ("vqprd") da região.
Este modelo veio a sofrer nova alteração em 2003, com a substituição da CIRDD por um Conselho Interprofissional integrado no Instituto dos Vinhos do Douro e Porto. Autor: Gaspar Martins Pereira - In site ivdp.pt




Uma das consequências da instauração da Companhia foi a grande reforma no número e qualidade as tabernas. 
Segundo vários autores haveria entre 600 a 1000 o que tornava impossível a sua fiscalização pela edilidade e o povo era o mais prejudicado. Era habitual vender-se o pior vinho, misturado com várias mixórdias e água, pelo maior preço possível.
Assim a câmara decidiu reduzir o seu número para cerca de 100, espalhando-as pelo centro e arredores do Porto desse tempo.
Obviamente esta medida desagradou a muito boa gente, especialmente aos comerciantes e vendedores de vinho por grosso. Também os ingleses não se mostraram nada contentes. 
Veremos, mais adiante os tumultos, provocados pela instauração da Companhia, no Porto em Fevereiro de 1757.

Tascas do Porto

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

RIO DOURO - VI

6.1.6 - Da Régua até Alpendurada - Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro - Barcos Rabelos






Casa da Companhia - Rua das Flores - Porto

Antes da fundação da Companhia os vinhos do alto Douro eram vendidos aos ingleses por míseros 10$000 reis a pipa e a sua qualidade era muito fraca porque os produtores, para aumentar a quantidade e dar côr, misturavam-lhes vinhos verdes fracos, sem côr, da Anadia e outras regiões, e pretendiam suprir a falta de qualidade juntando-lhes bagas de sabugueiro, pimenta, açúcar e outros produtos. 
Na verdade em vez de os melhorar tornavam o vinho sem gosto, sem força e sem côr, uma péssima “zurrapa”. 
Desta forma os ingleses passaram a ter preferência de vinhos de outras origens estrangeiras.


In O Douro Illustrado – 1876




A Companhia das Vinhas do Alto Douro – antecedentes, acção e consequências de uma acção da Economia Política Pombalina 

História da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro


Barco de passagem - terá sido um Rabelo retirado depois de muito trabalho



Barco Rabelo – c. 1900

O Barco rabelo é uma embarcação portuguesa, típica do Rio Douro que tradicionalmente transportava as pipas de Vinho do Porto do Alto Douro, onde as vinhas se localizam, até Vila Nova de Gaia - Porto, onde o vinho era armazenado e, posteriormente, comercializado.
Sendo um barco de rio de montanha, o rabelo não tem quilha e é de fundo chato, com um comprimento entre os 19 e 23 metros e 4,5 metros de boca. A sua construção, de tábuas sobrepostas, tábua trincada, é nórdica, em comparação com a do Mediterrâneo.
Com uma vela quadrada, o rabelo era manejado normalmente por seis ou sete homens. Quanto aos mastros, os primeiros só usavam um, enquanto que os segundos usavam também um mastro à proa. Para governo, utiliza um remo longo à popa – a espadela. Quando necessário, os barcos eram puxados a partir de caminhos de sirga por homens ou por juntas de bois.





O barco rabelo passou a ter a sua identidade bem definida, a partir de 1792, quando a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, publicou os alvarás e mais documentos que se relacionavam com a notável instituição pombalina. Nessa publicação, conhecida vulgarmente por "Leis da Companhia", encontram-se preciosas informações referentes tanto ao barco como aos seus tripulantes, como ainda ao tráfego a que se destinavam.
No passado, grandes barris do vinho do porto viajavam nos rabelos pelo rio Douro. Com a conclusão, em 1887, da linha de caminho-de-ferro do Douro e o desenvolvimento das comunicações rodoviárias durante o século XX, o tráfego fluvial assegurado pelos barcos rabelos entrou em declínio. Em 1961, no início do programa de aproveitamento hidroeléctrico do Douro nacional, apenas restavam seis barcos rabelos em actividade permanente.

Construção de um barco Rabelo


Carregando pipas – foto Emílio Biel

Fotos antigas de Emílio Biel sobre o Douro 


Na Régua


Idem


A caminho de Gaia

História do barco Rabelo


Foto Alvão


Descendo o Rio Douro num rabelo – 1923 – filme a ver absolutamente 

Como se navegou no Douro durante centenas de anos – extraordinário vídeo 


Convento de Alpendurada 






Convento da Alpendurada

“Velino, Sacerdote e Abade assistente de Santa Sabina – teve três revelações e ouviu uma voz Divina que lhe ordenava edificar uma igreja neste lugar, que ignorava e onde apareciam luzes do Céu... 
E a fundou (uma ermida) no ano de Cristo de 1055, sagrando-a o 2º Bispo do Porto D. Sisnando, dando-lhe várias relíquias entre as quais, o dedo índex da mão esquerda do grande S. João Baptista, que foi venerado durante séculos ... 
Reinava então D. Fernando Magno, rei de Castela e Leão e vivia nestes lugares D. Moninho Viegas, tio avô de Egas Moniz e rico homem destas terras, que amava uma nobre e formosa donzela e quando estava prestes a casar com ela, esta foi pedida em casamento a seu pai por um poderoso cavaleiro Mouro, o qual perante a recusa do pai o matou, apunhalando-o diante da filha, que arrancando o punhal do peito do pai se matou junto com ele. 
Quando D. Moninho Viegas soube tão triste nova, jurou cruel vingança contra o mouro e a sua raça e foi com sua hoste, fazer guerra crua aos infiéis! 
Depois de derramar muito sangue deles ficou cativo, prometendo então, se saísse vivo, fundar um Convento junto da Ermida de arado. E conseguindo a liberdade cumpriu o voto. Não só ampliou o Convento como lhe deu o padroado de nove (9) igrejas e muitas rendas e uma imagem de S . João Baptista em prata e tudo mais que enriqueceu o Convento. 
No ano de 1123 D. Teresa, viúva do conde D. Henrique, deu couto aos frades de Alpendurada e em 1132 D. Afonso Henriques confirmou-o e ainda lhe deu o couto de Vila Meã e Escamarão. Isto e tudo mais conseguido pelo filho de Moninho Viegas, Serrazin Viegas, pelos serviços nas guerras, e no mais que legou à coroa pelo que recebeu mais privilégios, padroados e liberdades, que estes padroeiros e seus parentes gratuitamente doaram ao mosteiro.
Tem ainda este mosteiro, a honra dos Abades serem capelães de sua majestade, mercê com outros privilégios dado por reis e concedida pela primeira vez por El rei D. João I no ano de 1423. Esta mercê foi dada a Afonso Martins, D. Abade perpétuo deste Convento pela sua intervenção nas cortes de Coimbra, onde foi proclamado rei D. João I… 
Uma das preciosidades deste convento era a sua biblioteca, onde se guardavam, catalogavam e protegiam os documentos mais importantes do reino. É exemplo disso o pergaminho aqui guardado em que pela primeira vez se escreve o português arcaico, nunca usado até então em nenhum documento e em que os filhos e os seus pais Cortimero e a sua mulher Asirilli fizeram o compromisso de doação da igreja e seus ornatos aos beneditinos no ano de 874… 
O actual Convento de Alpendurada, reconstruído com as mesmas pedras seculares de antanho e com uma azulejaria dos séculos XVII e XVIII, com salões seculares e longos corredores onde se misturam beleza, austeridade e grandeza, e onde se sente o sussurro do passado, na espiritualidade que toca todo o Homem, aqui envolvendo-o no fascínio duma poesia diferente, mas possessiva. 
Os quartos , antigas celas todas com casa de banho, conservam os mesmos bancos de pedra junto da janela que olham a paisagem, onde os frades se sentavam a ler, rezar, estudar e reflectir. Se acaso fechar os olhos no grande silêncio das paredes conventuais, vai-lhe parecer ouvir as suas litanias e um diálogo de amor e prece com Deus . No Convento o mistério e a mística continuam a marcar presença, despertando o homem para a beleza e perfeição…
Há no Convento uma colecção de coches raros, bem recuperados que fazem lembrar as caçadas reais , nos passeios bucólicos e românticos , que serviram reis , fidalgos e clero”. In J. F. de Alpendurada.


Mapa do Rio Douro – desenho do Barão de Forrester

SEXTA CARTA 

Na nossa última carta dissemos que no Piar não existia indício algum de ter havido princípio de estrada em comunicação com a ponte que neste sítio se tentou fazer. Este facto é mais notável quando se vê no Elucidário de Viterbo que: 
“El-Rei D. Dinis no ano de 1301 fez romper novas estradas por cima da sua Ponte do Douro em direitura a Canaveses” 
Naquela época podia-se servir da palavra estrada, falando de qualquer caminho insignificante; porém, pelo que vimos nas nossas digressões de Penafiel até Mesão Frio por Canaveses e Marco, em alguns sítios é mesmo dificultoso passar um homem a cavalo. 
O Piar não é somente notável por ser um sítio de muita passagem no XIII século, mas por ser o sítio onde acabam os granitos e principiam os xistos, e o país vinhateiro do Alto Douro. 
O Douro faz bastantes voltas entre o Piar e a Régua – as suas margens são muito elevadas e cobertas de vinhas, entre as quais se notam alguns pomares e grande número de sabugueiros. 
O rio leva mui pouca água – não se vêm pedras algumas, ainda que enormes bancos de areia estão depositados sobre grandes açudes de pedra de lousa. 
Na margem direita notam-se os povos de Barqueiros, Mesão Frio, Cedadelhe, Oliveira, Fontelas, Caldas de Moledo, Salgueiral, Jugueiros, Régua e Peso. 
Na margem esquerda temos Portagens, Vilar, Barô, Valonguinho, Moledo, Penajóia, Corvaceira, Samodães, Cambres e Portelo meia légua distante de Lamego. 
Barqueiros é a primeira terra dos arrais e marinheiros – é abundante em vinhos e frutas mas a povoação é miserável e os habitantes pobríssimos. 
Mesão Frio é uma vila bastante grande, situada no cume da montanha, tendo excelentes casas e a sua rua principal a mais bem calçada possível, formando parte da nova e excelente estrada real de Amarante à Régua. Sendo esta vila a principal entre Canaveses, Amarante e Lamego, já em 1097 o Conde D. Henrique e a piíssima rainha Dª. Teresa compraram nas suas vizinhanças umas casas para albergaria dos pobres, enfermos e peregrinos, e vê-se no citado Elucidário que a mesma rainha Dª. Teresa: “coutara a Gonçalo de Eriz a Quinta de Oseloa, e que de mão comum estabeleceram uma Albergaria em Meigomfrio, junto da mesma quinta, de cujos rendimentos se satisfariam os encarregados da dita albergaria,” – da mesma forma que “esta santa rainha estabeleceu a barca de Por Deus, a albergaria no lugar de Moledo, a de Amarante e Canaveses.” 
A ideia vulgar por todos estes sítios, é que foi a rainha Santa Mafalda a fundadora destes pios estabelecimentos, porque lê-se nos documentos de Arouca, onde tanto a rainha D. Mafalda e a sua santa neta Mafalda ainda se veneram, que estas albergarias já eram velhas, quando a santa estava no princípio da vida. 
O lugar das Caldas defronte de Moledo deriva o seu nome das águas sulfúricas que ai nascem perto do Douro e até no próprio leito do rio. Há mui poucos anos que apenas existiam aqui umas casinhas muito ordinárias e poucas ou nehumas comodidades para os enfermos que frequentavam as águas, porém agora há uma boa hospedaria, bons quarteis para famílias, lojas de peso bem sortidas, e como a posição é bela, o ar saudável, e a estrada magnifica, a afluência de gente irá cada vez em progresso aumento. 
Cedadelhe, Oliveira e Fontelas, nada têm de extraordinário, sendo simplesmente povos pequenos cercados de vinhas, porém vale bem a pena que o viajante suba até aos cumes das serras de S. Silvestre e S. Gonçalo de Mourinho por ser da primeira onde ele poderá gozar belíssimas vistas das margens graníticas do rio, e da segunda de onde se pode descobrir todo o país vinhateiro de baixo Corgo. 
De S. Silvestre vê-se toda a natureza em toda a sua majestade: em quanto que de S. Gonçalo de Mourinho, não há um palmo de terra que não fosse levantada três vezes por ano pela enxada do cultivador. 
Salgueiral e Jugueiros estão situados num belíssimo vale onde em outro tempo não se cultivava senão trigo e frutas por ser a terra muito pesada demais para vinhas, mas depois da lei de 1843 cobriu-se de videiras. 
Régua, como as Caldas, vai cada vez em aumento, especialmente na margem do rio onde se têm construído muitos e belos armazéns para o depósito de vinho. A principal casa é a da Companhia da Agricultura das Vinhas do Alto Douro – na qual se fazem as reuniões das provas. Antigamente era muito curioso estar no Peso ou na Régua na época da feira, quando os lavradores vinham vender e os negociantes comprar os vinhos novos. Então como sempre acontece debaixo de monopólios, a companhia tinha grandes privilégios e entre eles o de comprar todo o vinho que quisesse, pelo preço da taxa por ela mesmo imposta – enquanto que o comércio em competência uns com os outros, muitas vezes tinham de pagar o dobro destes preços sendo o excesso da referida taxa chamado, maioria, pagável em dinheiro de metal sonante (com exclusão de papel moeda) à factura do escrito. 
Também as leis do marquês do Pombal estavam em pleno rigor – não podendo haver introdução de vinhos de fora da demarcação, nem tão pouco o sabugueiro podia existir no distrito nem o seu fruto ser usado, debaixo de grandes penas. Neste último ponto a companhia prestou muito serviço aos principais consumidores do vinho do Douro, e como tinha o poder de apartar arbitrariamente os vinhos que quisesse para embarque, limitava-se o comércio entre poucas mãos. Depois teve o subsidio dos 150 contos e a produção aumentou espantosamente para melhor poder suprir a compra das 20 mil pipas que ela era obrigada a fazer anualmente. Nestes últimos anos, ainda que a companhia não fosse abolida, a lei do subsidio forçosamente teria de o ser pela razão da escassez que ao principio resultou de estações desfavoráveis e agora ultimamente pelos efeitos da moléstia que tão terrivelmente flagela todos os países vinhateiros. 
A companhia deixou pois de ter privilégios e autoridade, porém no seu lugar se estabeleceu uma comissão com quase idênticos poderes da extinta Companhia para regulamento das provas e separação dos vinhos, facilitando porém o uso da baga na sua composição, em razão da continuada exigência de imensa cor, dos vinhos intitulados de primeira qualidade para o embarque. 
Como o meu fim, por ora, é só descrever as margens do Douro, reservar-me-ei para uma próxima ocasião para descrever o interessante país que se estende para o interior, e que é tão rico por natureza, mas cuja produção não é permitido desenvolver-se em razão das curtas e interessadas vistas das sucessivas administrações que Portugal tem tido e parece continuará a ter. 
Há muito boas casas tanto na Régua como no Peso, e entre elas há fortunas colossais. 
Todos os habitantes tem mais ou menos vinhas, e as pessoas principais são comissários de várias casas de comércio do Porto. 
Graças ao digno administrador do correio central do Porto, e do seu delegado no Peso da Régua, há correio todos os dias entre o Porto, Vila Real, Lamego e Régua. 
Na margem esquerda, desde Vilar até Cambres, apenas há o sítio de Barô digno de especial menção, em razão do seu antigo convento situado no alto da montanha de onde se descobrem vistas tão vastas como as de S. Silvestre e com a vantagem de ser num país cultivado e abundantíssimo em vinho e frutas. 
Acima da Régua, o rio Corgo e defronte o rio Barosa, formam os limites do pais vinhateiro conhecido pelo distintivo de Baixo Corgo, cujos vinhos são mais palhetes que os do distrito contíguo. 
As margens do Corgo não deixam de ser pitorescas, mas para vistas magnificas e sublimes, e que talvez seria difícil encontrar iguais em parte alguma do mundo, é forçoso que todo o viajante de bom gosto dê o seu passeio a cavalo pelos sítios da Valdigem, Sande e Serra de Balsemão até á antiga cidade de Lamego, voltando pela estrada real por Portelo, outra vez para o Douro. 
Quanto ao estado das vinhas entre Mesão Frio e Régua pode dizer-se que a moléstia tem estragado as uvas todas, enquanto que apesar das asserções feitas por pessoas interessadas, a moléstia não fez grandes estragos na zona de Penaguião e se não fossem os grandes e continuados calores destes últimos dias que secaram muitas uvas a novidade de 1854, apesar de escassíssima em alguns sítios, noutros teria produzido dobrada quantidade do vinho da colheita do ano passado conforme escrevi neste jornal na minha carta de Pinhão. 
Na estrada da foz do Barosa até à quinta de Val de Lage, propriedade do nobre visconde de Várzea, notei com muito interesse que em algumas vinhas deste fidalgo a moléstia tinha feito grandes estragos, porem que no meio delas havia uma única vinha em que as videiras não tinha sinal algum da moléstia, e as uvas eram abundantes, bem criadas e perfeitas. 
Tão extraordinária era esta vista que por três vezes tentei copia-la fotograficamente, porém, em razão do sol ardentíssimo todas as minhas tentativas foram malogradas. 
Na Régua ainda se registam todos os vinhos produzidos no distrito, concedendo guias para a sua condução para baixo – guias que têm de ser conferidas e rubricadas no cais do Bernardo, Perto do sítio do Piar. 
Sou de VV.
J.J. Forrester 
Publicada por Porta Nobre à(s) 5/25/2013 “.

Em tempo: A “moléstia que tão terrivelmente flagela todos os países vinhateiros” a que se refere o Barão de Forrester foi o ataque do oídio. 


“O oídio da videira causado por Erysiphe necator Schwein (syn. Uncinula necator) é a principal doença da vinha na Região Demarcada do Douro (RDD). Teve origem na costa Este dos EUA (1834) e em 1845 chegou a Inglaterra, invadindo o resto da Europa entre 1847 e 1851. Rapidamente se tornou a doença mais importante em todo o mundo. Em 1852, fortes ataques causaram uma perda de 50 a 70% da produção em França, ano em que se detetou também pela primeira vez em Portugal. Na RDD é a doença que se manifesta com maior agressividade, tornando-se exigente em termos de protecção e contribuindo de forma significativa para o consumo de fungicidas pela vinha. Até à década de 50, o enxofre era o único meio de luta. O aparecimento das primeiras moléculas de síntese, a partir de meados dos anos 80, permitiu a introdução de novas estratégias no combate ao oídio. Os seus prejuízos são importantes tanto ao nível da quantidade como da qualidade, uma vez que a sua presença interfere nas características organoléticas dos vinhos resultantes de uvas com ataques de oídio” Site da advid.pt.
Pelo que lemos estas cartas foram escritas em 1854, portanto em pleno ataque desta doença.