Eugénio dos Santos : Bento José – Memorialista da Congregação
do Oratório do Porto - U.P.
S. Filipe de Néri - o Santo da Alegria – 1515 – 1595
Como nasceu em Portugal a Congregação da Regra de S. Filipe de Néri:
No Porto, o Padre a Baltazar Guedes, fundador do Colégio dos Órfãos ergueu, em 1664, um altar em honra deste santo, tendo no ano seguinte criado a Confraria de S. Filipe de Néri, ligada ao seu colégio.
Tendo vindo para o Porto o Padre Manuel Rodrigues Leitão, da Congregação em Lisboa, acompanhado do Padre João Lobo, pretendia tomar conta do colégio, ao que não acedeu o Padre Baltazar Guedes, seu fundador e superior.
Assim, com o assentimento da C. M. do Porto, a congregação foi instalar-se na capela de Santo António da Porta de Carros, em 1680, tendo como seu superior o Padre João Lobo.
Diogo Barbosa Machado – 1682 - 1772
In:
Bibliotheca Lusitana historica, critica e cronologica na qual se comprehende a noticia dos Authores Portuguezes, e das Obras, que compuserão desde o tempo da promulgação da Ley da Graça até o tempo prezente : Offerecida à Augusta Magestade de D. João V nosso senhor / por Diogo Barbosa Machado. - Lisboa Occidental : António Isidoro da Fonseca, 1741-1759. Exemplar 1
In O Tripeiro, Volume 2 de 1909
Convento e Igreja de Santo António da Porta de Carros – Desenho de Joaquim Villanova – 1833 – a torre quadrada com terraço, que tinha 8 sinos, existiu até 1842. Os sinos foram comprados pela Igreja da Santíssima Trindade. Á direita vê-se uma cadeirinha do Porto.
Do blogue A Porta Nobre retiramos o texto abaixo:
"Tinha este convento a sua principal fachada voltada para a porta de Carros, ficando-lhe o frontispício do seu templo no centro, a qual toda descansava em um largo pátio ladrilhado e de figura quadrilonga, com uma escadaria de mais de dez degraus, que ocupava quase todo o lado fronteiro; à esquerda da porta da igreja e na parte do convento, que ficava até à esquina da Praça Nova [hoje Praça da Liberdade] estava praticada a portaria, sobre ela se via, em formas colossais, metido em um grande nicho a imagem do padroeiro, e logo acima estavam rasgadas duas janelas de sacada com suas varandas de ferro, servindo de remate a torre dos sinos: do outro lado da igreja havia um idêntico edifício, em tudo igual menos na torre que não tinha, e esteve sempre habitado por inquilinos que pagavam o aluguer ao convento, cuja parte habitada pelos frades era esta que ainda se estende pela parte do nascente da Praça de D. Pedro [novamente, a atual Praça de Liberdade], sendo apenas alterada pelos herdeiros de Manuel José de Sousa Guimarães, que comprou ao estado, em lhe rasgarem mais janelas de varanda no primeiro andar do que as que tinha antes, fazendo-lhe ao mesmo tempo, no pavimento térreo portais regulares, sendo antigamente baixos e que davam entrada às lojas soterradas, que os padres costumavam arrendar por bem acrescida quantia.
Tinha este convento uma escolhida livraria, e no seu interior, além da capela-mor, um pátio ou claustro, que no seu centro continha um chafariz com a estátua de S. Filipe deitando água. A sacristia era situada para o lado da praça de D. Pedro, recebia muita luz, possuía bem constituídos caixões cheios de ricos paramentos, e suas paredes eram adornadas com os retratos dos Propósitos da congregação; esta, com a torre foi demolida pelo comprador, e regularizado o risco, para comodidade dos moradores, destas casas, que edificou, mas não conseguiu a demolição sem ter uma forte questão judicial com a irmandade, que pretendia ambas estas peças do edifício por serem pertenças da Igreja que lhe tinha sido dada pela Soberana a Senhora D. Maria II."
In Henrique Duarte Sousa Reis, Apontamentos para a verdadeira história da cidade do Porto Vol. 4
A nova torre já está colocada á direita da Igreja e a entrada mostra o pátio a que se refere, acima, Sousa Reis. Só tem 6 degraus pelo que pode ter sido alterada.
Os prédios que rodeiam a igreja já não são do convento desde 1834 e foram completamente modificados. Â esquerda vê-se Câmara Municipal na Praça Nova. Ao longe as torres da Trindade e da Lapa.
Continuando o artigo de Carlos das Neves, este escreve que, ou porque a capela antiga era demasiado pequena ou porque entretanto foram recebidos legados importantes, em 1694 deram começo a uma nova e mais ampla igreja, sendo a primeira pedra lançada, com grande pompa, em 5 de Agosto. A capela antiga talvez tenha ficado como Capela-Mor, que foi reformada em 1823. As obras da igreja terão terminado em 1703.
Durante o cerco serviu de hospital de sangue, tendo sido muito roubada e mal tratada. Em 1836 voltou à posse da Confraria, que tratou de a restaurar. A sacristia e a torre não foram restituídas.
Desde os finais do séc. XVII até 1834, os frades Congregados davam aulas de Retórica, Filosofia e Teologia aos seus estudantes, a participantes de outros conventos do Porto e a leigos interessados em se cultivarem. Os professores ou eram da própria congregação ou convidados do Porto e de Coimbra. Escolhiam os melhores pelo que esta escola foi muito considerada durante mais de 100 anos.
Quando da extinção das ordens religiosas, em 1834, o convento foi vendido a Manuel José de Sousa Guimarães, bem como parte do chamado Monte dos Congregados, que D. João V havia oferecido aos monges. A Câmara reservou o restante para abertura das ruas da Alegria e da Duquesa de Bragança, hoje D. João IV. Os herdeiros daquele mandaram fazer grandes obras, com abertura de novas janelas e portas exteriores. Demoliram a sacristia, que ficava do lado da Praça das Hortas e a torre (1842). Desta forma poderiam alugar ou vender a diversas pessoas, o que ocasionou a abertura de estabelecimentos e casas de habitação. A Confraria de Santo António da Porta dos Carros, esteve extinta entre 1680 e 1708, ano em que foi reactivada, manteve na Igreja a sua sede até à saída dos monges em 1832. Em 1834 a Igreja foi-lhe devolvida pela Câmara, livre de encargos.
(Informações retiradas de O Tripeiro, serie V, nº. X de um artigo de Horácio Marçal- 1955)
Verificam-se ligeiras discrepâncias entre os textos de Carlos das Neves e o de Horácio Marçal, próprias do tempo em que foram escritas e a novos estudos realizados (1909 e 1955).