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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

TESTEMUNHOS E MEMÓRIAS SOBRE O PORTO - XVIII

9.18 - Testemunho extraordinário de Olivier Merson II - 1857, Ruas do Porto, Cordoaria, Roda dos Expostos, Passeio  das Virtudes, Torre dos Clérigos,  Sé, Paço Episcopal, Muralha Fernandina.


Estereoscópio da Rua dos Clérigos - 1910 – foto de uma procissão de Aurélio Paz dos Reis


Calçada da Natividade, depois Calçada e Rua dos Clérigos



1905 - A Rua do Bonjardim ainda vinha até aqui.

…Entre as mais belas ruas do Porto, é necessário citar a Rua Nova de S. João, a de Santo António, a Calçada dos Clérigos e…


Saída do Santo Sudário da Igreja de S. Francisco - Gravura de James Holland – 1838


Rua Nova dos Ingleses - Foto do Barão de Forrester

…a Rua Nova dos Ingleses (actual Rua do Infante D. Henrique), fechada numa das extremidades por um rochedo abrupto, que sustenta como um diadema a Catedral e o Paço Episcopal…


Ruas dos Clérigos e de Santo António (31 de Janeiro)


Em 1910 a Praça dos Voluntários da Raínha era lindíssima!


Quando foi demolida a lindíssima Casa da Fábrica foi prometido guardar todas as pedras e reconstruí-la neste local, porém…nunca mais. 


Casa da Fábrica - Foto Beleza



Passeio das Virtudes

…A Calçada dos Clérigos e a Rua de Santo António partem da Praça D. Pedro, para subirem, em face uma da outra, duas colinas opostas. A Calçada dos Clérigos conduz à Praça da Cordoaria, onde é a Roda dos Expostos, e também ao Passeio das Virtudes, ao Hospital do Carmo, à Praça de Carlos Alberto, á Relação, a Cedofeita, a Santo Ovídio e ao grande quartel do Campo da Regeneração..


Esplêndida vista aérea da Torre dos Clérigos, Largo do Olival, Rua 31 de Janeiro, Igreja de Santo Ildefonso, Estação de S. Bento etc.


Torre dos Clérigos vista da zona da Rua de Santa Catarina – 1845 – “Serviu muito anos de ponto de esculca da chegada, à barra, dos navios correios que não entravam no Douro; e inspectação logo seguida da transmissão da notícia aos interessados no correio estrangeiro, para que apressassem o seu recebimento e aprontassem as respectivas respostas, dado ser de muito curta duração a estadia, na barra, dos navios carteiros. Mal descortinados ao longe, pela sentinela, logo se fazia o aviso à cidade pelo içamento de duas bandeiras laterais no alto da torre; isto no tempo enxuto, porque em tempo pluvioso as bandeiras eram substituídas por dois balões de lata, pintados com as mesmas cores das bandeiras”. In O Tripeiro. Estas bandeiras são visíveis nesta foto.

…Sobre o ponto culminante da calçada, junto do mercado, vê-se a Igreja de Nossa Senhora da Assunção, cuja torre, chamada Torre dos Clérigos, se balança nos ares servindo de baliza aos navios que de largo demandam o Porto…


Maravilhosa foto de Armando Tavares


Postal ilustrado de 1900


Milagre! Finalmente algo se está a fazer na Avenida da Ponte! Foto de Cláudia Silva - 2013

…O quarteirão da Catedral absorve a outra colina. Acha-se deste lado o Teatro de S. João, a Casa Pia, o Passeio das Fontaínhas, as ruínas do Seminário (hoje Colégio dos Órfãos) o Paço do Bispo, a Catedral e…


Foto de Eduardo Teixeira de Sousa


…um resto da antiga muralha da cidade. Guarnecida de 26 torres quadradas, e da altura de 10 metros, ela se estendia outrora pela circunferência de 30.000 pés...

quarta-feira, 7 de junho de 2017

REVOLTA CONTRA A COMPANHIA DOS VINHOS IV

8.1.9 - Terceira revolução – Revolta contra a Companhia dos Vinhos IV - Cordoaria,  Árvore da Forca, Enforcamentos na Cordoaria.


Princípios do séc. XX - à esquerda uma balança - os bancos são iguais a tantos de hoje.

“A Praça da Cordoaria tem uma história verdadeiramente trágica a enevoar-lhe o ambiente poético, pois foi aqui que, em seis forcas erguidas sob os frondosos álamos, pagaram com a vida os 18 indivíduos (13 homens e 5 mulheres) implicados no tumulto contra a criação, pelo Marquês de Pombal, da Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro. Foi em 14 de Outubro de 1757.”


O nosso amigo António Coutinho Coelho tem um interessantíssimo estudo em que se refere a este horroroso acontecimento, ligando à lenda da Árvore da Forca: 

A cidade do Porto já teve o seu Rossio. O antigo "Rocio da Cidade". Foi, depois, e sucessivamente, o Campo do Olival, a Cordoaria e é, agora, o Campo dos Mártires da Pátria. Mas, antes de tudo isso, foi o eirado de todos os júbilos, motins, folganças, glórias e desesperos. Foi lugar de feira popular que se realizava pelo S. Miguel nos finais do século XIX, muro de derrete das moças do Mercado do Anjo e da Feira do Pão. Ali, aclamou-se D. João I. Por lá passou o cortejo de D. Filipa de Lencastre, quando veio ao Porto para casar com o mestre de Avis. Nesse sítio, esteve o animatógrafo, quando deixou a rotunda da Boavista; desfilaram paradas militares, cortejos e bailaricos, festas da nobreza e festas do povo.
Na lendária "árvore da forca" nunca alguém foi pendurado.


Cordoaria na actualidade

Com o seu jardim descaracterizado, maltratado, vilipendiado, a Cordoaria, vamos continua a dizer assim, é, ainda, e sobretudo, uma página da história portuense. Porque a memória não se apaga.
O verdadeiro padrão dessa praça foi um "ulmus" famoso, uma curiosidade bairrista sem a expressão e o pitoresco de um monumento de verdade, mas ainda assim popular e venerando.
Essa árvore antiquíssima, plantada em 1612 e que só morreu (de pé) mais de trezentos anos depois; que resistiu a muitos temporais e saiu incólume de um incêndio; que deu sombra e pousio a várias gerações; sofreu uma calúnia grave acusaram-na de ter cedido um dos seus mais possantes ramos para nele serem enforcados ladrões, bandidos e arruaceiros. É falso. Na chamada "árvore da forca" nunca alguém foi pendurado.
O antigo "ulmus" numa imagem mais antiga, (que nos foi gentilmente enviada) ostentando ainda o seu majestoso ramo, que lhe deu a fama de ser a "árvore da forca".


Cordoaria no início do séc. XX

A primeira acusação diz que foi nessa árvore que o juiz José de Mascarenhas mandou enforcar os revoltosos que ousaram protestar contra uma medida do Marquês de Pombal que proibiu os taberneiros do Porto de venderem vinho a retalho. É falso. Os revoltosos morreram na Cordoaria, sim senhor, mas em seis forcas de madeira que, para esse efeito, foram propositadamente levantadas no Campo do Olival como então era conhecido aquele espaço que fica ao cimo da Rua dos Caldeireiros e entre as entradas das ruas de Trás e de S. Bento da Vitória. 
Em 1829, houve novos enforcamentos , desta vez políticos. Foi a morte de doze liberais que viriam a ser considerados como Mártires da Pátria - denominação que acabou por ser dada à antiga Cordoaria. Também estes foram enforcados, mas nos patíbulos que os seus carrascos levantaram na antiga Praça Nova, hoje Praça de Liberdade. 
O velho "ulmus" foi testemunha muda de alguns enforcamentos que se fizeram no antiga campo do Olival mas nunca participou em nenhum.


A "árvore da forca" nos seus tempos áureos – foto Alvão – o ramo que dava o nome a esta árvore foi arrancado numa noite de tempestade em 1963. Há na Cordoaria cuidado com todo o amor, os restos de um dos corpulentos negrilhos da antiga Alameda da Porta do Olival, plantado em 1612, por ordem de Filipe II, a única árvore que resistiu ao decorrer dos séculos e do Cerco do Porto. Durante o cerco muitas árvores foram abatidas pela necessidade de madeira.

Nem naqueles que ocorreram no dia 2 de Março de 1810, para castigar os cabeças dos tumultos que tiveram lugar no dia da entrada dos franceses na cidade. Dizem as crónicas da época que os acusados mataram várias pessoas, sob o falso pretexto de que eram jacobinas, isto é, amigos dos franceses. Os corpos dessas pessoas, entre as quais figurava o do fidalgo da Casa da Bandeirinha, João da Cunha Araújo Portocarrero, coronel do Exército Português, foram arrastados pelas ruas da cidade e, mais tarde, lançados às águas do Douro. Em 1831, houve novos enforcamentos.


Jardim da Cordoaria – foto Emílio Biel - 1885

Os protagonistas de triste cena foram meia dúzia de facínoras sobre cujas cabeças pendia a acusação de terem assassinado uma família em Coimbra. Morreram todos por enforcamento, na Cordoaria, mas em forcas que foram erguidas onde anos mais tarde se construiu o lago.


A árvore da forca, já sem o seu possante ramo lateral.
Morreu de pé e de velhice (em 1985) a árvore que foi injustamente chamada de forca
O antigo campo do Olival - Era muito mais vasto do que se pode imaginar o antigo Campo do Olival. Pode-se ficar com uma ideia da sua vastidão se dissermos que se estendia desde a Porta que havia na muralha fernandina, com aquela designação, junto à entrada da Rua de S. Bento da Vitória, pelos sítios que hoje conhecemos como a Praça de Parada Leitão, Rua do Carmo, Praça de Carlos Alberto, Largo do Moinho de Vento, Praça de Guilherme Gomes Fernandes, Rua de José Falcão, Rua da Conceição e Rua das Oliveiras, a única onde o topónimo se mantém. Em 1611, as oliveiras estavam velhas, raquíticas e sem préstimo. Por isso foram cortadas e substituídas por "ulmus campestris" ou olmos, transformando-se o vasto campo em Alameda.


Cordoaria - 1906

Esta plantação foi realizada à custa de um imposto denominado de "imposição do vinho". No ano seguinte, a Câmara colocou guardas a velar pela integridade das novas árvores. Pagava 15$000 reis por ano a cada um dos quatro homens que tinham a incumbência de guardar a recém-criada Alameda.


Cadeia da Relação. Frente a ela houve enforcamentos... mas nunca na árvore mencionada – Photo Guedes - 1900
Bibliografia:
- Árvores Monumentais de Portugal, Ernesto Goes
- Biblioteca Municipal do Porto
- C.M.P.
- Germano Silva
Imagem:
- Fotografia Alvão
- Phot.ª Guedes
- Emílio Biel”

quarta-feira, 31 de maio de 2017

REVOLTA CONTRA A COMPANHIA DOS VINHOS I

8.1.9 - Terceira revolução – Revolta contra a Companhia dos Vinhos - Cordoaria, Luis Beleza de Andrade, Sentença da Alçada da Revolta Contra a Companhia, Planta da delimitação da venda dos vinhos


Zona da Cordoaria (antigo Campo do Olival) – planta de Teodoro de Sousa Maldonado – desenho da época da Revolta da Companhia.



Pormenor do mapa de Balk (1813) onde se encontram as ruas do percurso dos revoltosos



Casa de Luis Beleza de Andrade - Rua do Loureiro, 168


Acto de posse de vereador de Luis Beleza de Andrade – contem a sua assinatura – blogue de ruisaguerra



Igreja da Ordem Terceira de S. Francisco


Ofícios portuenses - iluminura medieval



Sentença da alçada feita à Revolta chamada dos taberneiros – 10/12/1757


Texto de A. R. C.



Real Companhia Velha - armazéns


Real Companhia Velha – vinhos velhos

Um manuscrito do tempo destes acontecimentos, cujo autor é desconhecido e conservado na Faculdade de Letras de Coimbra, descreve as verdadeiras razões profundas desta revolta da forma seguinte:

In O Tripeiro, Série V, Ano V


Planta da delimitação da exclusividade da Companhia na venda de vinhos

O Prof. Francisco Ribeiro da Silva escreve na História do Porto o seguinte:


Revolta de 1757 - In ruisaeguerra.blogspot.pt – interessantíssima descrição, a ler:

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

PRAÇAS DA CORDOARIA E NOVA DAS HORTAS - I

2.5 - Praças da Cordoaria e Nova das Hortas


2.5.1 - Praça da Cordoaria - I

Este grande espaço foi, através dos séculos um lugar da maior importância para a cidade. Na descrição abaixo incluiremos trechos em Itálico do historiador Horácio Marçal, publicados em O Tripeiro Série VI, Ano II. 
“ Deu origem ao topónimo “Olival” o facto de, no local nas imediações, ter florescido durante larguíssimo período, um frondoso olivedo que, como é notório, deu também o nome à R. das Oliveiras e ao sítio onde permaneceu o Mercado do Anjo, que antes – mas muito antes – se chamou Lugar das Oliveiras. O Campo do Olival, inicialmente, pertencia à Igreja do Porto (Bispo e Cabido). Porém, em 25/6/1331 após amigável composição entre o Bispo D. Vasco Martins e o Concelho da Cidade, foi por este adquirido com o fim de o transformarem em rossio ou praça pública…Somente lhe era permitido construir prédios em volta do campo, desde que pagasse o devido imposto à Mitra. As casas , de facto, pouco a pouco e com autorização da Câmara foram-se construindo em torno do Olival. Com o decorrer moroso dos anos e contra o estipulado, até Igrejas e Capelas se ergueram, feiras e mercados se inauguraram e cordoeiros se consentiram.”


Zona da Judiaria do Olival – reprodução de carta de 1523 
Porta do Olival (52), Muralha Fernandina (37), Largo do Olival (53), Rua de Trás (51), Rua da Ferraria de Cima (Caldeireiros – 48)


“Meio século depois da Câmara ter tomado posse do Campo do Olival, ou seja no longínquo ano de 1386, veio para ele, transferida de Miragaia a Comuna dos Judeus, que se instalou do lado Sul, entre as Ruas das Taipa, Belomonte, Victória e Caldeireiros. A Judiaria do Olival, era fechada por duas portas de ferro maciço com vários motivos alegóricos. Passados poucos anos (1336 a 1376) foi o referido campo cortado em sentido Nascente-Poente pela muralha fernandina, que neste ponto ficou com uma porta – a Porta do Olival – e duas torres. Ficou assim, com a erecção da muralha, o aludido rossio ou praça pública fora do âmbito citadino e, portanto, talvez a monte durante muito tempo, visto que o território extramuros, por essa época, era considerado arrabaldino.”



Na cave do Café Porta do Olival, ao lado da Torre dos Clérigos, ainda se podem ver restos da Porta do Olival – esta abria para a Cordoaria e era a saída da cidade para Norte que, seguindo a Rua de Cedofeita, conduzia a Vila do Conde, Póvoa etc. - Foto de Carlos Silva no blog Porto Sentido.
“Dois séculos e meio depois, em 1611 mais um postigo se abriu na muralha, para dar acesso fácil ao edifício da Relação e Cadeia que então se andava a construir intramuros da cidade e de cuja obra se encarregou, por determinação de D. Filipe II, o corregedor Manuel de Sequeira Novais. Simultaneamente ordenou ainda D. Filipe II (alvará de 28/9/1611), com a superintendência do mesmo corregedor, que se transformasse o Campo do Olival numa formosa alameda por lhe parecer que a dita seria de muito ornato e comum benefício da cidade... Perante tão firme intimativa tratou logo o Corregedor Manuel de Sequeira Novais de dar andamento à plantação de árvores na vasta alameda, árvores essas que até ao seu perfeito crescimento, foram guardadas de dia e de noite por 4 homens… que recebiam, cada um, 8.000 reis por ano…”



Entre estes 16 prédios e a Cadeia da Relação passava a Muralha Fernandina. Decidido que foi alargar a Praça da Cordoaria, a muralha foi destruída e, com ela, os prédios que tapavam a Cadeia. Começaram a ser demolidos em 11/10/1853. Desta forma ficaram unidos os largos do Olival e da Cordoaria, e a cadeia desafogada.


“… Esta arborização constituída por ulmeiros ou negrilhos (umus campestres), conservou-se pelo decorrer de dois séculos. Durante o memorável cerco do Porto, porém, com a falta de combustíveis que se verificou, tiveram os olmos (assim como outras árvores) de ser sacrificados, o que não obstou, felizmente, a que tivesse ficado um para lembrança, e desde 15 de Fevereiro de 1938 declarado de interesse público. Esse robusto negrilho a que o povo sem justificação plausível pôs o nome de Árvore da Forca…”
O ramo que dava o nome a esta árvore foi arrancado pela tempestade de 1963.


“Vamos apenas informar quais as designações que, pelos anos fora, teve este pitoresco sítio. Foram as seguintes: Campo do Olival, desde os seus primórdios até ao ano de 1613. Após esta data até 1661, foi Alameda do Olival. Depois, desde que para ali foram os cordoeiros de Miragaia, passou a denominar-se Campo ou Praça da Cordoaria Nova. Mais tarde, subtraíram-lhe a sobreposição “Nova” e começou o local a ser conhecido apenas por Cordoaria. Em 1835, finalmente, fixou-se em Campo dos Mártires da Pátria, nome que, até ver subsiste. O jardim, propriamente, por resolução camarária de 7/10/1852, começou a chamar-se Passeio Público, topónimo que no ano de 1924 foi substituído por Jardim João Chagas e que prevalece oficialmente. No entanto, a despeito de todas essas andanças toponímicas, ainda hoje – para bem da história local – é simplesmente conhecido por Cordoaria.”
Esta praça chamou-se "Nova" porque, anteriormente, as cordas eram feitas no areínho de Miragaia  mas as dimensões eram muito maiores que lá, o que permitia fazer cordas muito mais compridas.   Referir-nos-emos pormenorizadamente à fábrica da Cordoaria mais adiante quando ARC a descrever.


Cadeia da Relação – foi desta cadeia que saíram os condenados a que abaixo nos referimos. Sobre este edifício referir-nos-emos em local próprio.



O célebre romance UM MOTIM HÁ CEM ANOS de Arnaldo Gama tem como tema principal a Revolta dos Taberneiros de Fevereiro de 1757, que trataremos em pormenor em local próprio.
“A Praça da Cordoaria tem uma história verdadeiramente trágica a enevoar-lhe o ambiente poético, pois foi aqui que, em seis forcas erguidas sob os frondosos álamos, pagaram com a vida os 18 indivíduos (13 homens e 5 mulheres) implicados no tumulto contra a criação, pelo Marquês de Pombal, da Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro. Foi em 14 de Outubro de 1757.”


Jardim da Cordoaria, desenhado por Emílio David – ao fundo à esquerda vê-se a Escola Médica e o Hospital de Santo António. Á direita ainda se vê o antigo colégio dos órfãos, fundado no séc. XVII pelo Padre Baltazar Guedes e a Capela de Nª. Senhora da Graça pegado à construção da Academia Real de Marinha e Comércio da Cidade do Porto, a que nos referiremos em pormenor, em local próprio. 
“Com a saída dos cordoeiros, novo arranjo se deu, passados uns anos, à Alameda da Cordoaria, feliz iniciativa do Visconde de Vilar d’Allen…que em 1866, propôs ao Município a transformação da Cordoaria num lindo jardim. Em 10/12/1866 reuniu a Edilidade para discutir a proposta apresentada, que se fazia acompanhar da respectiva planta traçada pelo arquitecto-paisagista alemão Emílio David (autor dos jardins do Palácio de Cristal), resolvendo, depois da aprovação unânime da vereação, autorizar o Visconde de Vilar d’Allen a dispor, para o efeito, da quantia de um conto de reis.


Eduardo Sequeira conta-nos, em 1895, que: “Tal foi o início do Jardim da Cordoaria tratado ao presente com todo o esmero e onde estão reunidas uma série de plantas notáveis, principalmente à volta do lago, que é opulentado com belos fetos arbóreos Alsophilas e Balantiums, e soberbas palmeiras, cocos etc…”




Foto inserida em O Tripeiro


Foto Alvão - Jardim da cordoaria – antiga árvore da forca (só de nome pois, ninguém lá morreu enforcado). Deram-lhe este nome pelo feitio do braço, este foi arrancado num temporal do Inverno de 1963. 
“…Há na Cordoaria cuidado com todo o amor, os restos de um dos corpulentos negrilhos da antiga Alameda da Porta do Olival, plantado em 1612, por ordem de Filipe II, a única árvore que resistiu ao decorrer dos séculos e do Cerco do Porto…”


Firmino Pereira diz que, ”em 1867 aberto o jardim que se destinava ao povo, logo dele se apossaram as elegantes do burgo, que o preferiram aos do Palácio, mais distantes e onde só se entrava, pagando. Aos Domingos e dias festivos e às quintas-feiras à noite, o alegre recinto era tomado de assalto pela burguesia tripeira, que se apossava da avenida fronteira ao coreto. Os arruamentos abertos em volta do lago ficavam à disposição das costureiras, das criadas de servir, dos oficiais de ofício, dos soldados da municipal. Eram territórios separados. E o que é deveras curioso é que, à entrada, cada um tomava o seu lugar, como no teatro…”



O floricultor João Moreira da Silva diz que "os plátanos que todos os tripeiros conhecem há muitíssimos anos na avenida do coreto do Jardim da Cordoaria e que, deformados pela moléstia que os atacou, se assemelham a verdadeiros monstros, devem ter setenta a oitenta anos” (actualmente 140 a 150 anos).


A Flora – de Teixeira Lopes – em homenagem ao jardineiro José Marques Loureiro – 1830-1898 – inaugurada em 20/8/1904



Torre dos Clérigos e Café Chaves, à esquerda



No início dos anos 90 do séc. XIX foi construído o chalet da Cordoaria; deu lugar, em 1917, ao Café Chaves que fechou na década de 40 do passado século.