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sexta-feira, 17 de abril de 2015

OUTROS EDIFÍCIOS PÚBLICOS - VII

4 . 9 – Paço Episcopal - II



D. António Barroso nasceu a 5 de Novembro de 1854, em Remelhe, Barcelos, e faleceu a 31 de Agosto de 1918, no Porto. Em 23/5/1899, foi oficialmente nomeado bispo do Porto, como sucessor do cardeal D. Américo. Com a proclamação da República, em 1910, por efeito da Lei de separação do Estado e da Igreja de 1911, foi obrigado a abandonar o Paço, no Terreiro da Sé. Nesse ano, quando foi dada a conhecer a «Pastoral do Episcopado Português», em que se afirma desacordo com alguma Legislação do Governo, reaviva-se a luta anticlerical. Os governadores civis proíbem a leitura dessa pastoral, mas o Bispo do Porto ordena que seja lida nas missas. Por essa desobediência são presos dezenas de párocos, e ele próprio foi preso e levado, sob custódia, a Lisboa. Foi proibido de viver na Diocese do Porto pelo que foi forçado a residir no Colégio de Cernache do Bonjardim e depois em Remelhe, Barcelos, sua terra natal. Regressou ao Porto em 1914 por força da Lei nº. 114 que lhe concedeu a amnistia. Em 1917 voltou a ser exilado, por alguns meses. Regressado em 1918, faleceu em 31/8/1918 na Quinta de Sacais.

D. António Barroso - biografia por José Adílio Barbosa Macedo
http://www.remelhe.bcl.pt/docs/D%20Antonio%20Barroso_Biografia&Bibliografia.pdf


Nota de 10 Angolares com a efígie de D. António Barroso

“Por morte do Cardeal D. Américo Ferreira dos Santos Silva (21-1-1899), o Núncio Andrea Aiuti enviou ao Secretário de Estado do Vaticano informações sobre o que constava relativamente ao seu sucessor. A escolha de D. António Barroso ficou a dever-se muito à intervenção deste Núncio, que, por telegrama de 27 de Janeiro de 1899, comunicou ao referido Secretário de Estado que a nomeação: «[foi] acolhida com entusiástica satisfação pelo clero e pelo povo, bem como pela imprensa toda. Este Prelado terá uma entrada triunfal no Porto, quando para lá for. Tem justificada fama de ser homem apostólico, eclesiástico destemido e cheio de zelo e bispo que apoia e ajuda qualquer instituição. É inteligente, de boas maneiras e fala bem em público. 
O historiador Joaquim Veríssimo Serrão refere algumas situações de vexame por que passaram alguns bispos portugueses nos primeiros anos da República. Assim, D. Sebastião Leite de Vasconcelos, bispo de Beja, foi destituído das suas funções em 1911 e vítima de uma acusação infamante que o impediu de voltar à diocese. No ano seguinte, foi a vez de D. António Barbosa Leão  (futuro Bispo do Porto) ser expulso da sua diocese do Algarve, «vendo-se obrigado durante dois anos a viver de esmolas». 
Mais humilhante foi – no entender do ilustre professor – a situação de D. António Barroso, que foi alvo dos maiores vexames quando, em Abril de 1911, foi convocado por Afonso Costa. «Viu-se depois forçado a viver fora da sua diocese e sujeito a um processo por ter visitado, em 1913, a freguesia de Custóias, no concelho de Matosinhos». De facto, a “grave” acusação feita a D. António, em 12 de Junho de 1913, foi, a de se ter deslocado a Custóias, nos subúrbios de Matosinhos, diocese do Porto, infringindo o decreto de 7 de Março de 1911, para ser padrinho de baptismo, em representação do papa Pio X, de um filho do Dr. Sebastião dos Santos Pereira de Vasconcelos e Maria Joaquina Leão Pestana e Vasconcelos. D. António Barbosa Leão descreve assim a atitude do Bispo do Porto ao enfrentar a barra do tribunal: «chamado aos tribunais, não se perturbou: lançou sobre o peito o crucifixo, companheiro inseparável dos seus trabalhos apostólicos, e disse com toda a confiança: Vamos lá, Senhor. Convosco irei alegre para o cárcere ou para a morte». Em carta ao Encarregado de Negócios da Nunciatura, enviada na véspera do julgamento, escreve D. António Barroso: «absolvido ou condenado, ficará sempre o exemplo de que não deve haver medo dos tribunais quando se defende uma causa justa. Estou contente.» Informa ainda Veríssimo Serrão que «quando da sua morte, em 31 de Agosto de 1918, a imprensa cobriu de justos louvores a sua figura de homem e de missionário, a que muitos comentadores acrescentaram a virtude do martírio pelos agravos que recebera nos primeiros anos da República". In Boletim de D. António Barroso


Palacete da Quinta de Sacais

Em 24 de Março de 1914 uma comissão de senhoras gradas do Porto assinou um contracto de arrendamento do palacete e quinta de Sacais para a instalação do Paço Episcopal e residência de D. António Barroso, tomando o compromisso do pagamento da renda e outras despesas. Este palacete pertencia, ao tempo, aos irmãos António e Francisco Borges, fundadores do portuense Banco Borges & Irmão, nacionalizado em 1975 e comprado pelo BPI em 1989. D. António Barroso ocupou-o até à sua morte em 31 de Agosto de 1918.


“Como missionário e missiólogo, António Barroso situa-se entre os mais notáveis da história portuguesa, seja nas primeiras e determinantes aventuras do Congo (1880), seja como incansável Prelado de Moçambique, seja como resistente construtor da comunhão em Meliapor (Índia). Com toda esta experiência evangelizadora de autêntico herói da Pátria, que muito amava, é escolhido para Bispo do Porto (1899). A bondade fraternal e a firmeza militante da sua condução pastoral conquistaram os portuenses. Quando se vê na necessidade de enfrentar o prepotente Afonso Costa, como ditador e perseguidor da Igreja, mostra a nobreza de carácter e a dignidade ponderada. A corajosa frontalidade não se situa na recusa do novo regime republicano, aliás acolhido como legítima autoridade. A mover a reacção plena de dignidade do Bispo do Porto estão critérios de injustiça praticada para com a Igreja. Combate pela liberdade religiosa, com a grandeza de coração norteadora das suas atitudes solícitas pelo bem das comunidades...
Decorridos três anos de exílio, surgiu no Parlamento a proposta de levantar a proibição de D. António Barroso viver na sua diocese. Como deputado, o Dr. António Augusto Castro Meireles (futuro Bispo do Porto) recrimina a violência da condenação ao exílio de um herói da Pátria, apelando para o carácter ilimitado da pena, proibida pela Constituição em vigor. Seria outro padre parlamentar, Rodrigo Pontinha, a apresentar a proposta em 14 de Março de 1914. 


Assim, devido a diversas intervenções, pôde voltar ao Porto, ao cair da tarde do dia 3 de Abril de 1914. No dia seguinte realizou-se um Te Deum de acção de graças, na Catedral, engalanada pelo armador Alberto Pereira. Muitos choravam de alegria ao ouvir de novo a voz do Pastor a quem amavam. O bispo agradeceu a recepção tão afectuosa e defendeu a urgência de radicar em todos a harmonia e a paz. Manifestou reconhecimento pelas visitas a Remelhe, pela dedicação de todos no serviço obediente, durante a sua ausência.
Evitou, contudo, qualquer manifestação com esta entrada quase furtiva. Mas mal o povo conheceu este regresso ansiado fez romaria à volta do palacete de Sacais, preparado para residência episcopal. Os jornais do Porto, como A Ordem, que classificava a recepção como «espectáculo deslumbrante e verdadeiramente esmagador», e O Primeiro de Janeiro, noticiaram estes gestos festivos de todos os grupos sociais e organismos católicos, sublinhando o clima de festa e euforia. O Comércio do Porto, ao longo de vários dias, manteve a crónica das filas de gente que queria cumprimentar o seu bispo.
Perante tantas provas de dedicação e expressões extremamente afectuosas, D. António sentiu a necessidade de escrever ao Núncio, em 15 de Maio de 1914, para relatar a impressão que lhe causaram tantas provas de fidelidade dos diocesanos. Mas não interpreta a seu favor toda esta simpatia. E anota: «foi outro, porém, segundo penso, o calor que animou e deu vulto ao entusiasmo com que fui recebido [...] o calor da sua fé religiosa, que explode em assomos de vitalidade perante o despotismo que se pretende exercer na consciência católica».
Entre as muitas saudações pelo regresso pode assinalar-se a da revista Lusitânia, dirigida pelo Dr. Francisco de Sousa Gomes Vellozo, do Porto. A 1 de Junho de 1914 assim se expressava:
«Ei-lo que volta para alegria da caridade e bom ânimo dos soldados! Traz do exílio mais brancos os cabellos, e sente-se que não foi debalde que o látego violento da perseguição odiosíssima silvou no ar sobre a sua cabeça altiva de Bispo portuguez!
Há todavia na sua face o mesmo sorriso afável e bom que atrahe os corações e na luz dos seus olhos vibra ainda a scentelha fina do brilhantíssimo espírito que o tom firme da voz também revela...»
O venerando bispo, de 60 anos, estava muito envelhecido pela amargura do desterro. Mesmo assim não esmoreceu na sua actividade pastoral…
Em carta para Luís de Almeida Braga (13-4-1916) elogia a coragem da sua conferência pronunciada na Associação Católica do Porto, com alegria de ver um novo defender com assombro o que «muitos guardam recatadamente no seu foro íntimo, mas sem coragem de os exteriorizar». Por isso olha com esperança para o futuro apesar do quadro negro com que depara: «nem tudo são tristezas nesta babélica anarquia intelectual e moral que agita e desorienta os espíritos nas sociedades hodiernas e designadamente na portuguesa..
A 19 de Fevereiro de 1917, António Barroso redige o seu testamento. Aí testemunha com evidência a sua pobreza evangélica: «Nasci pobre, rico não vivi e pobre quero morrer, em obediência e acatamento às sábias leis da Santa Igreja católica. Por isso, e salva a liturgia, quero que o meu funeral seja o mais pobre possível.” In SNPCultura



Exéquias, na Sé, de D. António Barroso

Inventário do Paço Episcopal do Porto em 1911 - Manuel Joaquim Moreira da Rocha





O seu sucessor, D. António Barbosa Leão, apoiado por uma subscrição dos fieis da cidade, adquire, aos herdeiros dos Marqueses de Monfalim, a Casa da Torre da Marca para aí instalar a residência Episcopal. Assim, desde os finais de 1919 até 1964 esta foi ocupada por D. António Barbosa Leão, D. António Augusto de Castro Meireles, D. Agostinho de Jesus e Sousa e D. António Ferreira Gomes, e aqui funcionaram também os serviços da Cúria Episcopal.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

QUINTAS DO PORTO E ARREDORES - III

2.13.5 - Quinta da Torre da Marca ou da Boavista




Do site do Centro de Cultura Católica retirámos as seguintes passagens: 
“Chamou-se-lhe, em eras campónias que o tempo soterrou, Quinta da Boavista. Ainda o Porto se remetia à Sé e a S. Nicolau e à Vitória, situava-se aquela granja no então Couto e Honra de Cedofeita. É um rosário de gerações até hoje… Diz a lenda que um tal Pedrossen, negociante hamburguês terá vindo para o Porto no último quartel do séc. XVII e se estabeleceu na freguesia de S. Nicolau, e ali enriqueceu. É com este Pedrossen que Pinho Leal relaciona a lenda do negociante rico e orgulhoso, senhor da Torre do mesmo nome, que, ao ver os seus navios entrarem a barra carregados de mercadorias preciosas, desafiou o próprio Deus: Agora nem Deus seria capaz de me fazer pobre. Acto contínuo, uma tempestade destroçou todos os barcos e reduziu-o à miséria, obrigando-se, o pobre, a andar pelas ruas a pedir: dai esmola a Pedro Sem, que já teve e agora não tem… Como quer que seja, sabe-se que, por escritura lavrada no tabelião Pedro Fernandes do Porto, em 26 de Fevereiro de 1492, a Torre e os seus anexos, ali identificados como Quinta da Boa Vista, passou das mãos de um outro Pero do Sem, sobrinho do referido Martim do Sem, para os seus parentes colaterais João Sanchez, fidalgo castelhano, e sua mulher Isabel Brandoa, da Casa dos Condes da Feira. Esta é a razão por que a Torre aparece depois identificada como de Brandão ou dos Brandões".





"Terá sido um seu descendente, Luís Brandão de Mello Pereira de Lacerda, que construiu a casa junto à Torre, na segunda metade do século XVIII e ali terá nascido, em 1793, o seu filho José Maria Brandão de Mello que casou, em 1814, com D. Maria Emília Correia de Sá, filha do primeiro Marquês de Terena. A neta deste José Maria, D. Eugénia Maria Brandão de Mello, 3ª Marquesa e 4ª Condessa de Terena e 3ª viscondessa de S. Gil de Perre, casou em 29 de Julho de 1861, com o seu tio materno D. Filipe de Sousa Holstein, 1º Marquês de Monfalim e filho dos Duques de Palmela. Deste casamento não houve descendência, pelo que a Casa e a Torre foram deixadas a suas sobrinhas D. Mariana e D. Eugénia de Jesus de Sousa Holstein. Esta, nascida a 7 de Março de 1866, professou na Congregação das Irmãs de Santa Doroteia em 1897 e veio a falecer em 31 de Maio de 1937…” Em 1758 esta torre estaria completamente destruída interiormente, existindo apenas as paredes exteriores. Quando, em 1914, o Bispo do Porto, D. António Barroso regressou do exílio em Remelhe, Barcelos, instalou-se, por empréstimo, na Quinta de Sacais. O seu sucessor D. António Barbosa Leão, apoiado por uma subscrição dos fieis da cidade, adquire, aos herdeiros dos Marqueses de Monfalim, a Casa da Torre da Marca para aí instalar a residência Episcopal. Assim, desde os finais de 1919 até 1964 esta foi ocupada por D. António Barbosa Leão, D. António Augusto de Castro Meireles, D. Agostinho de Jesus e Sousa e D. António Ferreira Gomes, e aqui funcionaram também os serviços da Cúria Episcopal. Foi nos terrenos desta casa que, em 1934 quando se realizou a Exposição Colonial, se abriu a Rua de Júlio Dinis, no troço que liga a Praça da Galiza ao Palácio de Cristal. 
Em 1964 o Paço da Sé voltou à posse da Diocese. 


A torre do Palácio dos Monfalim e Terena, a que acima nos referimos, é habitualmente chamada de Torre da Marca. Na verdade trata-se de uma confusão com a Torre da Marca que existiu no terreno do Palácio de Cristal, perto de onde está a Capela de Carlos Alberto. Construída em 1542, serviu de marca para os navios que entravam no Douro. Bombardeada em 1832 pelos Miguelistas que se encontravam em Gaia, não mais foi reconstruída. Trataremos este assunto em lugar próprio.


2.13.6 - Quintas do Vilar e Vilar de Cima



"A Quinta do Vilar ou do Pacheco Pereira, que durante séculos esteve na posse desta família, constitui um importante espaço da memória da cidade, que hoje se conserva nas suas características oitocentistas integrado nos "caminhos do romântico". 
As mais antigas referências documentais conhecidas sobre a quinta do Vilar remontam ao século XVI, quando uma muito mais vasta propriedade, denominada Casal do Vilar, que integrava um grande senhorio pertencente à Colegiada de Cedofeita, começou a ser dividida (SERÉN, Maria do Carmo, DRP/IPPAR, Processo de Classificação, 2003). Esta desintegração do primeiro senhorio continuou na centúria seguinte, surgindo no século XVII várias quintas nesta zona, entre as quais a do Vilar. 
Os Pacheco Pereira possuíam um palacete na cidade do Porto, pelo que a casa da quinta era mais modesta, com os espaços internos a prolongar-se pelos externos, principalmente no jardim que, em socalcos descia até à casa Tait. De acordo com uma descrição de 1715, o imóvel teria sido edificado entre 1709 e 1715, desenvolvendo-se em quatro frentes, com dois pisos e entrada ao centro da fachada principal (COUTINHO, Maria Eugénia Sá, DRP/IPPAR, Processo de Classificação, 2003). Este eixo mantinha-se no interior da casa, com as escadas de acesso ao andar superior, onde se situavam a sala de visitas, os salões e o oratório sobre a entrada, reunindo-se os compartimentos térreos da mesma forma funcionalista, com a sala de jantar e a cozinha. 
No século XIX, João Pacheco Pereira cedeu terrenos para o Palácio de Cristal, do qual foi um dos promotores, perdendo muito dinheiro. O seu filho construiu dois bairros operários, o de Entre Quintas em 1880 e o de Vilar em 1890, acabando também por não rentabilizar o investimento. Apesar dos problemas financeiros a casa da quinta do Vilar foi objecto de várias alterações no decorrer do século XIX e, embora muitas deles não tenham sido concretizadas na totalidade, a verdade é que denunciam a preocupação dos proprietários em conservar e melhorar o imóvel. 
Em 1865 João Pacheco Pereira ergueu um corpo mais alto, a Nascente, uma espécie de torreão. Em 1889 tentou-se ampliar um piso, o que nunca veio a acontecer. Ao lado, e em frente do Bairro do Vilar, edificou-se em 1886 uma segunda habitação, que escondia o bairro. Assim, o imóvel não conheceu alterações significativas, conservando as suas características. 
Quanto à Quinta, esta segue a tipologia das quintas de recreio que reúnem simultaneamente uma função lúdica e outra de cultivo. A particularidade da Quinta do Vilar e da Quinta de Recreio Tait reside no facto de se inscreverem, hoje, na malha urbana do Porto, conservando ainda as suas estruturas, como o sistema hidráulico que não apenas serviu os espaços de produção mas também os jogos de água das fontes e canaletes que se encontram nos jardins, ou seja, nos espaços lúdicos que prolongam os espaços de habitar internos da casa (TABORDA, Cláudia, DRP/IPPAR, Processo de Classificação, 2003). (Rosário Carvalho)" – Site do Igespar


Casa da antiga Quinta do Vilar de Cima

A quinta da família do Barão de Vilar, Cristiano Nicolau Kopke (1763-1840), sofreu obras de melhoramento com a sua filha Dorothea Augusta Kopke,casada com Roberto van Zeller, tendo sido seu filho Cristiano van Zeller quem criou as armas (Kopke/van Zeller). Em 1984, os herdeiros da família Kopke van Zeller venderam a casa e parte da propriedade à congregação das Religiosas do Amor de Deus. Hoje encontra-se lá instalado o Colégio de Nossa Senhora de Lourdes, na Rua Raínha D. Estefânia.


Foto Voar Alto


Na Rua de Vilar, onde hoje está a Casa Diocesana, existiu o Palácio do Barão de Lordelo, José Fonseca e Gouveia (1792-1863). 
O edifício serviu de sede ao Mosteiro da Visitação de Santa Maria, criado no Porto em finais do século XIX, por iniciativa da Marquesa de Monfalim, que habitava o Palácio dos Terenas. 
Com a implantação da República, em 1910, e na sequência da lei da separação, as religiosas viram-se obrigadas a abandonar a casa. No mesmo local foi construído o Colégio das Salésias. Em 1922 foi comprado por D. António Barbosa Leão para ali instalar o Seminário de Nossa Senhora do Rosário. O edifício do seminário foi desenhado pelo célebre padre Himalaia, que se chamava Manuel António Gomes e tinha aquele apelido devido à sua altura. Foi uma notável figura com uma grande paixão pelas Ciências. A igreja do Seminário é da invocação do Sagrado Coração de Jesus.


Casa Diocesana de Vilar, no terreno do Seminário de Vilar. 

Construída nos terrenos do seminário de Vilar durante o mandato do Bispo do Porto D. Júlio Tavares Rebimbas, com a supervisão do cónego Dr. Virgílio Rezende, tornou-se no verdadeiro centro de actividades de todos os movimentos diocesanos e pólo de grande actividade cultural religiosa e profana no Porto. 

2.13.7 - Quinta de Sacais



A quinta de Sacais chamou-se “Quinta do Cativo” por haver pertencido ao Bispo do Porto D. Aires da Silva que em Alcacer-Kibir, tombou gloriosamente ao lado de D. Sebastião, mas que, durante largo tempo, se julgou estar cativo dos mouros. A partir do Século XVIII passou a chamar-se Quinta de Sacais. 
Uma curiosidade: em Setembro de 2011 estivemos na Junta de Freguesia do Bonfim e perto da casa de Sacais. Tanto num local como no outro ainda hoje o povo lhe chama Quinta do Cativo, embora este nome lhe venha do Século XVI.
Um simpático leitor enviou-nos um comentário que vimos acrescentar: "A Quinta de Sacais de Nicolau Francisco Guimarães, em 13.04.1837 estava na posse de D. Margarida Guimarães Ribeiro. No seu testamento estabelece como principal testamenteiro , seu filho José Maria Ribeiro Pereira. Este não cumpre a partilha devidamente e é contestado publicamente , no Periódico dos Pobres, por seu meio irmão Boaventura José Vaz Murta ( filho do 2º casamento de sua Mãe). Em 1848 José Maria é executado por processo litigioso com sua sobrinha de Braga e a Quinta de Sacais é arrematada por Manuel José de Sousa Araújo pelo valor de 10.951$ 000 ". 



ARC escreve que, pegado à quinta de Sacais, existia uma outra pertencente ao irmão de Nicolau, António José, "e que em tudo lhe é igual, ou seja em situação e grandeza". Na verdade a referida quinta era mais modesta e a casa menos rica. Trata-se da casa onde hoje se encontra o Museu Militar. Nesse tempo, a Capela era dedicada a Santa Quitéria.


Palacete da Quinta de Sacais 

Em 24 de Março de 1914 uma comissão de senhoras gradas do Porto assinou um contracto de arrendamento do palacete e quinta de Sacais para a instalação do Paço Episcopal e residência de D. António Barroso, tomando o compromisso do pagamento da renda e outras despesas. Este palacete pertencia, ao tempo, aos irmãos António e Francisco Borges, fundadores do portuense Banco Borges & Irmão, nacionalizado em 1975 e comprado pelo BPI em 1989. D. António Barroso ocupou-o até à sua morte em 31 de Agosto de 1918. Seu sucessor, D. António Barbosa Leão, aí residiu desde a sua entrada solene, em 8 de Setembro de 1919, até ao final desse ano quando o Paço Episcopal passou para a casa dos Terenas ou Monfalim, a erradamente chamada da Torre da Marca.


Em 5 de Março de 1914 D. Manuel II havia escrito a D. António Barroso oferecendo-lhe o Palácio dos Carrancas para sua residência. Este teve de declinar o convite (carta inédita ao tempo de O Tripeiro série VI, ano IV).


D. António Barroso nasceu a 5 de Novembro de 1854, em Remelhe, Barcelos, e faleceu a 31 de Agosto de 1918, no Porto. Depois de muitos anos de actividade missionária em Moçambique e na Índia, foi, em 1898, nomeado bispo do Porto, como sucessor do cardeal D. Américo. Com a proclamação da República, em 1910, por efeito da Lei de separação do Estado e da Igreja de 1911, foi obrigado a abandonar o seu Paço, no Terreiro da Sé. Nesse ano, quando foi dada a conhecer a «Pastoral do Episcopado Português», em que se afirma desacordo com alguma Legislação do Governo, reaviva-se a luta anticlerical. Os governadores civis proíbem a leitura dessa pastoral,mas o Bispo do Porto ordena que seja lida nas missas. Por essa desobediência são presos dezenas de párocos, e ele próprio foi preso e levado, sob custódia, a Lisboa. Foi proibido de viver na Diocese do Porto pelo que foi forçado a residir no Colégio de Cernache do Bonjardim e depois em Remelhe, Barcelos, sua terra natal. Regressou ao Porto em 1914 por força da Lei nº. 114 que lhe concedeu a amnistia. Em 1917 voltou a ser exilado, por alguns meses. Regressado em 1918, faleceu pouco tempo depois na Quinta de Sacais.

Avenida Camilo – Busto de Camilo Castelo Branco. 

Em 1914 os irmãos Borges cederam à C.M.P. 17.000 metros quadrados da sua Quinta de Sacais para a abertura desta avenida. Em 1915 a Câmara decidiu chamar de Camilo, não à Rua de Santa Catarina como estava previsto, mas a esta avenida. Este busto foi inaugurado em 16/3/1925, centenário de nascimento do grande escritor.


Escola Secundária Alexandre Herculano 

O historiador portuense Germano Silva escreve que “…estas difíceis condições, levaram a que o Dr. Ângelo de Sousa Vaz, deputado pelo Porto na legislatura das Constituintes de 1911, levasse a aprovar no Parlamento, em 1912, o projecto de lei que autorizava o empréstimo de 150.000$00 para a construção de um edifício próprio para o Liceu de Alexandre Herculano (Lei de 18 de Abril de 1912)… Em Julho de 1912 foi assinada a escritura de compra de 25.794 m2 de terreno, na Quinta de Sacais, pelo preço de 20.635$20 (a $70 cada metro quadrado).” 
O novo liceu abriu as portas no ano lectivo de 1921/22.