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segunda-feira, 3 de abril de 2017

DOS PRIVILÉGIOS E ISENÇÕES QUE A ILUSTRAM, DAS ACÇÕES MEMORÁVEIS E GLORIOSOS TÍTULOS QUE A ENGRANDECEM - PRIVILÉGIOS SINGULARES - I

7.1.1 - Privilégios singulares - D. João II, D. João I, Expulsão de Ruy Pereira da cidade


D. João II e D. Leonor – gravura em madeira da Vita Christi (1495) – in História do Porto – direcção de Luis A. De Oliveira Ramos


D. João II


Dada a extensão desta provisão de D. João II de 1490 e confirmada por D. Filipe II em 1596, pareceu-nos de interesse resumir os privilégios à “mui nobre e leal cidade do Porto e cidadãos dela”:
-equiparação destes aos fidalgos no que respeita à justiça;
-poderem usar armas ofensivas e defensivas em qualquer terra do reino;
- gozarem de todas as graças, liberdades e privilégios dados aos de Lisboa;
-não serem “metidos a tormentos por nenhum malefício que tenham feitos”;
- não poderem ser constrangidos para servir em guerras nem idas por mar;
- “outrossim que não pousem com eles nem lhes tomem suas casa de moradas, adegas, nem cavalariças…contra suas vontades… hajam dentro e fora de suas casas todas as liberdades que antigamente haviam os infanções e ricos-homens”;
Impõe “pena de 6.000 soldos para nos” a quem desobedecer a esta ordem.


D. João I

Já, em 1424, D. João I tinha concedido ao Porto grandes privilégios pelos serviços que este lhe prestou durante a luta pelo trono; o Porto tinha apoiado o Mestre de Aviz nas suas pretensões ao trono, contra a facção de D. Beatriz, filha de D. Fernando e esposa do rei D. João I de Castela. O mais importante dos privilégios era que nenhum fidalgo pudesse ter casa ou permanecesse mais de 3 dias na cidade. 
"As principais razões desta exigência eram a “protecção dos bens e das mulheres, visto que eles, burgueses, por motivos profissionais, habitualmente andavam fora e longe. Por isso, também as aposentadorias de nobres e poderosos foram restringidas: só de 3 dias em qualquer ponto da cidade e nunca, excepto quando o rei estivesse no burgo, na Rua dos Mercadores, das Eiras e em casas de viúvas”.(História do Porto de Luis Oliveira Ramos).
Em 1474 o senhor de Refojos (Feira), Ruy Pereira, veio ao Porto tratar dos seus negócios e nela ficou mais de 3 dias. O povo, tendo-o anteriormente prevenido dos seus direitos, invadiu a casa onde ele se encontrava com tal fúria que o poderoso fidalgo teve de fugir pelas traseiras e atravessar rapidamente o Rio Douro, tendo o povo pegado fogo à referida casa. 





 Soberano com moradores – in História do Porto – direcção Luis Oliveira Ramos

Este incidente com Ruy Pereira não foi caso único. Outros fidalgos tiveram de se vergar ao estatuto da cidade de não lhes permitir estadia de mais de 3 dias. 
Uma tal D. Beatriz de Sousa (1479), moradora em Gaia, que pertencia ao Porto, “só foi embora à terceira intimação que, em suma, dizia isto: ou ela sai dentro de cinco dias ou a gente vai lá, com toda a gente da dicta cidade a vão lançar fora dhi”.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

OUTROS EDIFÍCIOS PÚBLICOS - VI

4 . 9 – Paço Episcopal - I


D. Nónego (1025 a 1049) mandou fazer, no local onde hoje está o Paço, o primitivo Paço Episcopal que não passaria de um pequeno mosteiro onde, até D. Hugo (1113-1136), o bispo viveu com os monges em comunidade de bens. Sofreu, através dos séculos, vários restauros e ampliações. 
D. Frei João Rafael de Mendonça (1771 – 1793) mandou construir o actual Paço, porém, tendo falecido, não o pôde ver inaugurado. Na verdade, tão grandiosa obra, só ficou completamente terminada em 1870.


Paço Episcopal – pormenor da gravura de Teodoro de Sousa Maldonado – 1789 - evidentemente ainda se trata do antigo Paço Episcopal.


Paço Episcopal – desenho de Joaquim Vilanova – 1833


Gravura de Mr. Vivian - 1839


Nesta foto o Paço Episcopal ainda está destruído na zona Poente, fruto dos ataques da artilharia miguelista durante o cerco do Porto, dado as tropas liberais terem colocado no pátio uma bateria. 
Do lado esquerdo da torre da Sé vê-se a antena do telégrafo que ligava o Palácio da Bolsa ao farol da Senhora da Luz.


Antes da invenção do telégrafo, a transmissão das informações era feita por bandeiras de 3 panos, cuja posição relativa indicava uma letra, e que estavam colocadas na Sé, na Porta do Olival (ou no Palácio de Cristal), no monte de Santa Catarina e no farol da Senhora da Luz, conforme se vê na foto. Habitualmente era informado o nome do navio avistado para que os respectivos agentes e comerciantes preparassem as mercadorias a exportar e estivessem aptos a receber as importações. 


O Bispo tinha casas que arrendava. Na Rua das Flores existe este baixo relevo que indicava que lhe pertencia.


D. Filipa de Lencastre entrou no Porto pela Porta do Olival e dirigiu-se ao Paço Episcopal, onde se instalou até ao seu casamento com D. João I, na Sé.


D. João I entrando no Porto para o casamento - Azulejos de Jorge Colaço, na Estação de S. Bento


Casamento de D. João I e D. Filipa de Lencastre (13601415) na Sé do Porto em 2 de Fevereiro de 1387

“Nascida Philippa of Lancaster, em Leicester, Inglaterra, em 1360, D. Filipa de Lencastre era filha primogénita do Duque John de Gaunt, 1º duque de Lencastre por via de sua esposa a duquesa Blanche de Lancaster. Era por via paterna, neta do Rei Eduardo III de Inglaterra e irmã do futuro rei inglês Henrique IV, sendo portanto uma princesa da Casa Real Plantageneta. A rosa vermelha era o emblema da Casa de Lencastre.
Educada na Corte de seu pai, junto com os seus irmãos e meios-irmãos legítimos e ilegítimos, depois da morte de sua mãe, quando tinha nove anos de idade, D. Filipa teve por madrasta a princesa Constança de Castela, e por ama, Katherine Swinford, a própria amante de seu pai, que a impôs à esposa e com quem viria a casar, depois do falecimento desta. 
Aos 18 anos, tinha recebido, juntamente com a sua irmã e a sua madrasta, a Ordem da Jarreteira. 
Loura, de olhos azuis, não herdou da mãe a sua famosa beleza, tinha antes as feições dos Plantagenetas: o nariz comprido e afiado, as maçãs do rosto salientes, os olhos pequenos, um pouco perdidos em arcadas fundas e a boca marcada. Extremamente devota, quase fanática, tivera, como todas as grandes senhoras da época, uma educação profundamente católica, norteando-se toda a vida por normas rígidas e inflexíveis.


Aos 26 anos de idade e passada já a idade casadoira para a época, casa, no âmbito da Aliança Luso-Inglesa contra o eixo Castela-França, com D. João I, rei de Portugal, de 30 anos, filho bastardo de D. Pedro I, que pretendia com esta união, não só ajuda militar contra o rei de Castela, como também o reconhecimento pelas outras monarquias europeias, do seu direito ao trono português.
Efectuado no Porto, a 2 de Fevereiro de 1387, o casamento é ilegítimo até à chegada, em 1391, da bula papal “Divina Disponente”, que dispensa o noivo dos seus votos eclesiásticos, o que não o impediu de ter dois filhos bastardos, de quem a rainha tomou conta.


Embora sendo um casamento de conveniência, como todos, na altura, e apesar dos seus feitios completamente diferentes, foi uma união harmoniosa de que resultaram 8 filhos, seis dos quais sobreviveram. Quando o último nasceu, a rainha tinha cerca de 42 anos!
Estes numerosos filhos, que se notabilizaram na História portuguesa do sec XV, são conhecidos pela Ínclita Geração, na célebre expressão de Luís de Camões, e na MENSAGEM, de Fernando Pessoa.
Com o rei muitas vezes ausente em operações militares, a Rainha, que sabia ler e escrever e tinha tido uma educação esmerada, além de ser muito inteligente e decidida, foi, sempre que necessário, a representante do poder real. Mesmo quando o rei estava na corte, D. Filipa era chamada para assistir ao Conselho, onde dava a sua opinião. Por várias vezes acompanhou o marido em expedições bélicas, como na tomada de Melgaço em 1388.
Foi para acudir ao marido, que se encontrava muito doente, no Curval, que D. Filipa, em adiantado estado de gravidez, se pôs ao caminho, de Coimbra, para o acompanhar na doença, perdendo assim o primeiro filho que esperava.



A ela se deve, a reconstrução, entre outros, do Palácio de Sintra, sendo a responsável pelas chaminés cónicas, que são um dos emblemas do Paço, assim como da belíssima varanda do Paço do castelo de Leiria.
Mas nunca se desligou do seu mundo inglês… Os seus tesoureiros, chanceleres confessores e a maior parte das suas damas de companhia eram inglesas. Mantinha correspondência com os monarcas ingleses, seu primo Ricardo II e seu irmão Henrique IV, que a informavam de tudo o que se passava em Inglaterra. Das damas portuguesas que faziam parte da sua casa, a mais chegada era D. Beatriz Gonçalves de Moura, viúva do senhor de Leomil, que foi encarregada, quando D. Filipa chegou a Portugal, de iniciar a rainha nos costumes da terra “cá doutra guisa escusada fora”. In blogue O baú da História



Cardeal D. Américo Ferreira dos Santos Silva (1830 - 1899)

O Legado Pastoral do Cardeal D. Americo, Bispo do Porto (1871-1899)
http://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/4727/1/2005_TEOLOGIA_Abreu_Adelio-dig.PDF


Funeral do Cardeal D. Américo dos Santos Silva – 24/1/1899 – foto cedida por um seu familiar.


Localização do Paço Episcopal anterior à demolição do casario em frente à Sé para a abertura do Terreiro Afonso Henriques - pormenor do mapa de Telles Ferreira de 1892.


Foto aérea