Mostrar mensagens com a etiqueta Museu Soares dos Reis. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Museu Soares dos Reis. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 14 de maio de 2015

OUTROS EDIFÍCIOS PÚBLICOS - XV

4 . 13 – Palácio dos Carrancas e Museu Soares dos Reis - III



Biografia de Soares dos Reis

Apresentamos algumas obras deste escultor:


O Desterrado, Soares dos Reis

“Em Roma começou a sua estátua O Desterrado que, depois de modelada, deixou em Roma, partindo para visitar outras terras italianas. Segundo o escultor Diogo de Macedo (1889-1959), esta sua saída de Roma deveu-se ao facto de que com a modelação do Desterrado Soares dos Reis “Tinha desabafado uma grande mágoa e precisou de ir respirar novos ares”. Estátua de grandeza natural, em mármore de Carrara de 1ª qualidade – foi a sua prova de aproveitamento do pensionato nesse país. É a sua obra mais conhecida mas também uma das que mais dissabores lhe trouxe.
Nos últimos meses de 1871 foi informado da suspensão das verbas que eram dadas aos pensionistas no estrangeiro e que estes deveriam regressar a Portugal até ao fim do mês de Outubro desse ano. Para tal era concedido, a cada um deles, a soma de sessenta mil reis para que pudessem fazer a viagem de regresso. Isto foi um grande problema para Soares dos Reis, que já tinha gasto tudo o que recebera na aquisição do mármore para a realização desta estátua e das obrigações que contraíra com a mesma. Além disso, também já tinha dado início ao desbaste da peça e não a conseguiria terminar em tempo útil para cumprir as novas directrizes. Perante isto escreveu à Academia de Belas Artes solicitando que o seu caso fosse apresentado ao Corpo Académico e ao Conde de Samodães, Francisco de Azeredo Teixeira de Aguilar (1828-1918), na esperança que estes pudessem interferir na decisão tomada pela Comissão Financial do Governo Português em Londres.
Entretanto foi vivendo conforme podia, com o pouco que lhe restava, até lhe aprovarem o prolongamento da estadia em Roma, recebendo novos subsídios para a conclusão da obra final como pensionista.
Com o prazo alargado, mas ainda assim impossível de satisfazer, não conseguiu terminar a obra em Roma enviando-a, ainda inacabada, para a Academia Portuense de Belas Artes[1]. Como auxílio para a finalizar tirou moldes, ao natural, do modelo vivo, deixando os gessos em Santo António dos Portugueses. Esta é a versão mais divulgada, aparecendo em quase todas as biografias do artista, no entanto, Mons. José de Castro, no artigo Soares dos Reis em Roma, com o qual participa na obra de homenagem Soares dos Reis: in Memoriam, conta uma versão um pouco diferente dos acontecimentos, dando a entender que o escultor teria conseguido terminar a obra ainda em Roma enviando-a, já concluída, para a A.P.B.A.
Em 1881 levou a obra à Exposição de Madrid onde ganhou a 1ª medalha e foi agraciado com o grau de cavaleiro da ordem de Carlos III. Foi nessa altura que, através de um jornal de Lisboa, foi lançada uma campanha, que negava a autoria d’ O Desterrado a Soares dos Reis. Provar que tudo de que o incriminavam não passavam de falsas acusações, foi algo que rapidamente conseguiu fazer através de documentação que pediu que lhe enviassem de Roma, mas nunca conseguiu esquecer ou perdoar esta infâmia perpetrada contra si”. Blogue cantos e Alcachofras

O desterrado - vídeo


D. Afonso Henriques – 1887

“Esta estátua colossal, representando o primeiro monarca português, destinada ao monumento que se ergueu em Guimarães viu ser escolhido para seu autor António Soares dos Reis. Actualmente é uma das mais representativas imagens identitárias dessa cidade.
A 2 de Setembro de 1885 foi lavrado o contrato segundo o qual o monumento a Afonso Henriques deveria ficar concluído no prazo de 2 anos. Nele colaboraram, sob a vigilância do Mestre, dois dos seus discípulos, Marques Guimarães e Serafim Neves, embora tenham realizado apenas algum do trabalho material. A criação do pedestal entregou-a Soares dos Reis ao hábil arquitecto, e seu amigo, José António Gaspar. O escultor queria um pedestal que não fosse demasiado elevado para que a figura do rei e os seus acessórios cheios de pormenores pudessem ser vistos e apreciados de perto, em todas as suas minudências.
As primeiras reacções a esta estátua de Afonso Henriques foram para apontar o defeito que viam ser o braço nu que, pelos modos, o rei não deveria ter usado! Na verdade, a primeira ideia de Soares dos Reis, ao modelar a estátua de Afonso Henriques, era apresenta-lo já numa idade avançada, gozando o merecido repouso que quer a longa idade quer o seu historial de vida lhe tinham legitimamente concedido. Mas entretanto acabou por substituir essa ideia inicial pela imagem do rei vencedor de Ourique,”robusto e esperançoso, pronto para a luta”. Para uma materialização exemplar desta nova ideia procurou soluções na obra La Chevalerie de Léon Gautier, livro profusamente ilustrado e documentado, que o seu amigo Diogo J. de Macedo Júnior encontrou numa antiga livraria, a Magalhães & Moniz, e cuja leitura lhe sugeriu. E foi após a análise a esta obra que o artista resolveu alterar a armadura que tinha começado a fazer, substituindo a cota de armas curta pelo lorigão de placas redondas até ao artelho. Mas a questão do braço também o preocupava já que com ele pretendia encarnar a força hercúlea e a virilidade máscula do famoso vencedor de Ourique, que com a sua gloriosa espada abriu fundo o cabouco em que seguramente firmou e cimentou os alicerces da nação portuguesa o que seria mais difícil de conseguir sem ser através de um braço nu. A solução a esse dilema encontrou-a na já referida obra de Léon Gautier, numa vinheta impressa com o elemento gráfico d’après la tapisserie de Bayeux (fin du XV.e siècle)! Era a resposta às suas necessidades, estava ali bem interpretado, em todos os seus detalhes, o rei invencível e grande conquistador.
O modelo em gesso ficou concluído em 1887, seguindo-se à sua fundição em bronze, a qual foi feita na fábrica “Aliança”, de Massarelos.
Actualmente a estátua já não se encontra na praça para a qual foi encomendada, tendo sido transferida para a entrada do recinto que dá acesso à Casa dos Duques e ao Castelo. Já não se encontra no pedestal original de autoria de Serafim Neves. In Blog Acantos e Alcachofras


“Este busto monumental de Camões foi criado para comemorações do centenário do poeta e foi esculpido em apenas 4 dias, com a colaboração de Marques de Guimarães, para o Ateneu Comercial do Porto”. In Blogue Acantos e Alcachofras


“Esta foi a primeira obra que Soares dos Reis executou em Portugal logo após ter regressado de Roma. A imagem, um Cristo Morto, feito em gesso e madeira, teve origem no pedido do Abade Santana e como destino o altar de S. Vicente, na Igreja de S. Cristóvão de Mafamude, Vila Nova de Gaia. O jovem artista não só acedeu ao pedido do abade, e de alguns dos seus conterrâneos, como fez também o donativo da imagem. Acontece que Soares dos Reis deu à imagem todas as características humanas, inclusive as partes genitais, o que ao ser verificado pelas devotas criou um grande alvoroço. Estas, para corrigir este excesso de realismo do escultor, acabaram por envolver a figura numa numerosa quantidade de toalhas e rendas, deixando a descoberto apenas as extremidades das pernas e parte do busto. In Blogue Acantos e Alcachofras


Viscondessa de Moser - Segundo Manuel M. Rodrigues, na obra do Dr. Alves Mendes, este era considerado como um dos bustos mais notáveis de Soares dos Reis devido à grande semelhança com a retratada mas também pela sua qualidade de execução. - 1884




Imagem de Nossa Senhora da Victória 


"A imagem da Senhora da Vitória que se encontra colocada num altar lateral não apresenta a cabeça original, moldada pelo mestre Soares dos Reis, que terá usado como modelo sua própria mãe. A humanidade da imagem desagradou à confraria encomendadora da obra, que a substituiu por uma obra menor, executada por um canteiro. No entanto, o trabalho primitivo foi salvo pela intervenção do Padre Agostinho Jardim e hoje pode ser vista mediante autorização”. Site da U. P.


Riqueza, Música, História e Trabalho – Soares dos Reis


O abandonado – Soares dos Reis - 1882


Filha dos Condes de Almedina – Soares dos Reis

“Estatueta em mármore de Carrara, concluída em 1882, representa a Filha dos Condes de Almedina, os quais eram os proprietários da obra. É a figura de uma criança com um rosto quase angelical, cuja delicada roupa está repleta dos mais requintados pormenores, com uma reprodução finamente trabalhada e minuciosa das rendas. O modelo da estatueta era propriedade do autor e estava exposto no C.A.P.. Esta peça, que também era conhecida por Primavera, é actualmente propriedade do MNSR, onde se encontra patente ao público”. In Blogue Acantos e Alcachofras


Flor Agreste – Soares dos Reis - Diogo José de Macedo Júnior fez a seguinte descrição sobre esta peça: O seu autor, que sabia escolher modelos, copiou efectivamente, sem preocupação de espécie alguma, a cabeça da linda e meiga carvoeira que se lhe deparou, juntando ao barro em que tão primorosamente a modelou, o cobre do real, no dizer de Alves Mendes, com o ouro do ideal .
Na Exposição Centro Artístico Portuense de 1881 foi adquirida pela quantia de 250$00 reis. O busto passou a pertencer a Rebello Valente e o modelo era propriedade de Diogo José de Macedo. Mais tarde o busto passou a ser propriedade do coleccionador de Arte, Tomás Archer de Carvalho, posteriormente formou-se uma comissão de admiradores do Escultor que angariou fundos para a sua aquisição, e o doaram ao Museu Municipal, hoje Museu Nacional Soares dos Reis.” Blogue Acantos e Alcachofras


Brotero de Soares dos Reis - 1886 - Avelar Brotero (1744-1828), de seu nome natural Félix Avelar, só mais tarde viria a adoptar o apelido "Brotero",que significa "amante dos mortais". Doutor em medicina, abandonou a sua profissão de médico e notabilizou-se na área da botânica. Foi Professor de Botânica e Agricultura na Universidade de Coimbra, autor do Compêndio de Botânica e responsável pelo Museu Real e pelo Jardim Botânico da Ajuda, por ordem de D. João VI.


Conde de Ferreira – Soares dos Reis

"A estátua do Conde Ferreira, cujo mármore seria destinado à campa do benemérito da Cidade, no cemitério de Agramonte é colossal, com 2.5 m de altura é, sem dúvida, uma das obras mais notáveis do escultor. Depois de retirado do cemitério de Agramonte, onde estava muito mal tratado pelas intempéries, a escultura foi levada para o Museu Soares dos Reis onde, actualmente, pode ser vista, com o seu ar sereno e sorriso bondoso. Sobre a expressão que Soares dos Reis deu a esta obra alguém o advertiu de que não era igual à do Conde, ao que o escultor respondeu: 
– Mas o Conde de Ferreira não era uma pessoa bondosa, amigo das crianças, trato fino, coração aberto à caridade? 
– Isso era! 
– Pois então este é o Conde de Ferreira. 
Ainda sobre a forma como o artista representou o Conde de Ferreira, Diogo de Macedo, em Soares dos Reis Estudo Documentado conta como o artista foi interpelado por alguém que estranhou ele ter dado tão bondoso aspecto, ao homem que acusavam de ter enriquecido como negreiro no Brasil ao que o artista respondeu que para a execução do corpo tinha seguido, quase fielmente, o modelo mais parecido com a imagem que o Conde tinha em vida mas que para a cabeça, tivera sempre presente, acima de tudo, o testamento admirável do benemérito, sem no entanto deixar de procurar a sua verdade fisionómica". In Blogue Acantos e Alcachofras

sábado, 9 de maio de 2015

OUTROS EDIFÍCIOS PÚBLICOS - XIII

4 . 13 – Palácio dos Carrancas e Museu Soares dos Reis - I


A família dos Carrancas vivia e tinha a sua fábrica na Rua dos Carrancas, depois da Liberdade e hoje do Dr. Alberto Aires de Gouveia, que haveria de ser demolida após a construção da nova residência/fábrica no que é chamado Palácio dos Carrancas.
“O edifício, onde mora o museu público mais antigo do país, conta histórias; é História, com mais de dois séculos. Referimo-nos não só à arquitectura, que lhe deu classificação de imóvel de interesse público, mas também aos seus habitantes, que conseguiram dar razão à «pedra».
É construído, a partir de 1795, para habitação e fábrica dos Moraes e Castro, família de prósperos negócios e proprietária da Fábrica de Tirador de Ouro e Prata na Rua dos Carrancas. Insere-se em pleno período urbanístico de Francisco Almada e Mendonça e - do ponto de vista histórico-artístico - no movimento neoclássico que entretanto surgira no Porto. O seu risco é, tradicionalmente, atribuído a Joaquim da Costa Lima Sampaio - arquitecto da Cidade -, que participou em obras como a Feitoria Inglesa e o Hospital de Santo António, da autoria de John of Carr de York".



A decoração, relatam as descrições da época, é objecto de especial cuidado: as paredes dos salões cobertas por majestosas alegorias e paisagens a fresco, realizadas por pintores vindos de Itália. Entre os vários artistas, destaca-se Luís Chiari, que nos estuques da sala de jantar e no mobiliário da sala da música utiliza a delicada gramática decorativa, inspirada em Robert Adam”. Site do Museu N. Soares dos Reis


A designação do palácio remonta exactamente à antiga localização desta abastada família de negócios portuense… (a fábrica tinha a exclusividade no Norte do fabrico de galões de ouro e prata e a Rua dos Carrancas era a actual Alberto Aires de Gouveia, privilégio que caducou em 1834). Projecto original, atribuído a Joaquim da Costa Lima Sampaio. 
Este edifício serviu de residência oficial ao General Soult em 1809, de quartel-general ao Duque de Wellington, e de residência ao general Beresford, entre outras personagens ligadas ao exército libertador aquando das Invasões Francesas. Também D. Pedro IV ai instalou o seu quartel-general durante o cerco do Porto”. Site Igespar 
Dada a exposição do palácio ao bombardeamento dos miguelistas, tendo mesmo sido atingido, por um projéctil, a mesinha de cabeceira do seu quarto, D. Pedro IV mudou-se para a Rua de Cedofeita, após 4 meses de aqui habitar. 
A família real portuguesa não tinha uma residência oficial no Porto, pelo que, quando nos visitava, ficava no Paço Episcopal. Assim, em 25/6/1861. D. Pedro V comprou o Palácio dos Carrancas por 35 contos de reis. 
Já vivendo aqui, este jovem rei esteve no Porto no lançamento da primeira pedra do Palácio de Cristal em 24/8/1861.


Velódromo Maria Amélia



Foto de Humberto Fonseca (1877-1940) - 1900



Velódromo e campos de jogos em 1937

Velódromo Maria Amélia, nome dado em honra da rainha, depois do Príncipe Real, que existiu, entre 1894 e 1910, nas traseiras do Palácio dos Carrancas em terreno cedido por D. Carlos. Foi construído em 1895. A pista tinha 333,33 metros, pelo que em 3 voltas se percorriam 1000 metros. Á direita vê-se a bancada real que tinha 700 lugares e 50 camarotes para os sócios. Neste complexo havia também 3 campos de ténis, desporto muito pouco praticado nessa época. Há cerca de 15 anos, passando pela Rua Adolfo Casais Monteiro notámos que o portão de acesso ao antigo velódromo estava entreaberto e a curiosidade levou-nos a entrar. O local estava em obras, mas ainda conservava intacto a inclinação da curva do lado poente, mostrando perfeitamente a estrutura do circuito e restos dos antigos campos de ténis.
Existiram ainda velódromos na Quinta de Salgueiros, pertencente ao Clube de Caçadores do Porto e na Serra do Pilar que eram muito concorridos.
Para uma leitura mais aprofundada sobre este velódromo poderão consultar os lançamentos de 26/11/2013 e 16/1/2014.


Vestígios do velódromo Maria Amélia em Abril 2012 – in Biclanoporto


Anos mais tarde verificámos que a zona nascente está dedicada à arqueologia e que aí se encontra um portal manuelino do Convento de Monchique.


Nesta vista aérea, além do palácio onde se encontra o museu, ainda se veem as alas laterais onde se encontrava a´antiga fábrica,  o jardim actual e, bem definido, o antigo velódromo. É o museu público mais antigo do país.


"Já em 1915 D. Manuel II deliberou, no seu testamento, entregar o edifício à Misericórdia para que esta instituição aí instalasse um hospital; um documento só conhecido em 1932, aquando da morte do rei. 
Vasco Valente, director do Museu Nacional Soares dos Reis (instalado, desde 1833, em péssimas condições, no edifício de Santo António da Cidade, em S. Lázaro), inicia negociações com o Estado e a Misericórdia para transferir o Museu para o Palácio devoluto. À luz da museologia da época, o edifício adequava-se na perfeição à função de museu: qualidade arquitectónica, estilo neoclássico e tradição histórica. Sob a orientação do Engº Fernandes Sá, iniciam-se as obras de adaptação, a cargo da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, sendo o Museu inaugurado em 1942. À época, as alterações mais notáveis consistiram na transformação das oficinas da antiga fábrica em galerias com iluminação zenital, destinada à pintura, assim como, a criação de uma galeria de escultura, para alojar a obra de Soares dos Reis. 
Com excepção de algumas intervenções de pormenor, o Museu é apenas alvo de transformação maior a partir de 1992: projecto de remodelação e expansão da autoria do arquitecto Fernando Távora. Decorrendo a um ritmo lento, o projecto é concretizado em Julho de 2001, dentro da realização do Porto, Capital Europeia da Cultura. A remodelação permite renovar o discurso expositivo da pintura e da escultura portuguesa dos séculos XIX-XX e, também, das artes decorativas que, pela primeira vez, se apresentam na mesma unidade espacial. Em diálogo com as zonas verdes, são criados novos espaços, tais como um auditório, um departamento educativo e salas de exposições temporárias, sendo o Museu dotado de uma actividade regular de animação cultural. As necessidades contemporâneas são satisfeitas, através da criação de novas zonas de acolhimento, cafetaria, loja, acessos ao nível do rés-do-chão e infra-estruturas indispensáveis ao funcionamento interno.
Em suma, assiste-se ao renascimento do Museu. Site do M.N.S.R.


ASSINATURA DA ESCRITURA PARA A ENTREGA DO PALÁCIO DAS CARRANCAS, NO PORTO, À MISERICÓRDIA DA MESMA CIDADE.
O Dr. Domingos Braga da Cruz, Provedor da Misericórdia em Julho de 1963, afirmou que o Estado, pelo Dec. Lei nº. 27878 de 21/7/1937, expropriou este palácio à S. C. da Misericórdia para lá instalar o Museu Soares dos Reis. Como compensação a SCMP recebeu 2.264.000$00.



Museu Allen, anexo construído ao lado da casa


“John Allen, ou João Francisco Allen como frequentemente é citado (1785/1848), era um capitalista portuense de ascendência britânica, membro da Feitoria Inglesa e co-fundador do Banco Comercial do Porto e da Associação Comercial. Aproveitava as suas muitas viagens pela Europa, especialmente pela Itália, e a sua capacidade financeira para enriquecer a sua coleção particular de armas, medalhas, louças. Também se interessou pela pintura sua contemporânea, adquirindo telas de Vieira Portuense, de Joaquim Rafael e do pintor rococó francês Jean Baptiste Pillement, entre outros. Como residia no n.º 281 da Rua da Restauração, no gaveto da atual Rua Alberto Aires de Gouveia com a Rua da Restauração decidiu-se construir um anexo à sua residência para nele instalar a coleção. Apesar de ir inicialmente enriquecendo a sua colecção, por meados da década de 1840 os negócios de João Francisco Allen começaram a não correr de feição, sendo obrigado a liquidar as suas empresas para pagar dívidas. 



Retirou-se então para a sua Quinta de Villar d'Allen, em Campanhã, onde fizera instalar os espetaculares jardins que hoje ainda ali existem, e aí faleceu a 19 de maio de 1848. Quando, dois anos mais tarde, a família resolveu vender o recheio do Museu, levantou-se na cidade do Porto um movimento de opinião que levou, a que, em 4 de abril de 1850, a Câmara Municipal do Porto viesse a adquirir o espólio. Agora propriedade municipal, a coleção reabriu ao público a 11 de abril de 1852, com o nome de Museu Portuense da Rua da Restauração, com a cooperação gratuita de Eduardo Augusto Allen, filho do fundador e irmão do futuro 1.º visconde de Vilar d'Allen. Apenas em 1905 foi transferida para o edifício da Biblioteca Pública Municipal do Porto, no antigo Convento de Santo António da Cidade, reabrindo ao público em 1912. A colecção Allen veio a constituir o fundo básico do Museu Municipal do Porto, a que se acrescentaram doações e aquisições, o qual foi posteriormente incorporado no acervo do Museu Nacional de Soares dos Reis. Entre as obras que hoje ali estão expostas, traçam a sua origem à colecção do Museu Allen obras excepcionais como o Caim e A Flor Agreste, de José Joaquim Teixeira Lopes, a Crucificação, de Vieira Portuense, e A Virgem e o Menino, de Frei Carlos, para além de uma notável coleção numismática.” Extractos de Wikipédia
Neste texto afirma-se que A Flor Agreste é de autoria de José Joaquim Teixeira Lopes, mas é obra de Soares dos Reis.


Chegada de D. Manuel II ao Porto – Novembro de 1908



A foto de cima mostra a bandeira monárquica hasteada, a guarita ocupada, vários outros militares nas imediações com botas e calças apertadas e um padre em primeiro plano. Na foto de cima existem árvores que foram retiradas. Por este facto, depreendemos, que a de cima é mais antiga. Se a de baixo tiver sido tirada durante a visita ao Porto, em Novembro de 1908, de D. Manuel II e de sua mãe D. Amélia a de cima poderá ter sido durante a visita de D. Luis em 1865, para a inauguração do Palácio de Cristal. Na foto de cima a bandeira também está hasteada no Hospital de Santo António. De qualquer forma ambas foram tiradas em momentos solenes, mas em tempos diferentes.


In O Tripeiro, Volume 1 – 10/12/1908


Visita de D. Manuel II à Igreja da Lapa.


D. Manuel II saúda os portuenses da varanda do palácio real. Vêem-se muito bem os armazéns do Hospital de Santo António e a chaminé da caldeira. Mais ao fundo as traseiras da ala frontal e a Torre dos Clérigos.


Com D. Amélia

Aclamação D. Manuel II

Visita ao Porto de D. Manuel II em 1909

Memória de D. Manuel II

O exílio
https://www.youtube.com/watch?v=AmMWW9O76nk