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quarta-feira, 21 de março de 2018

TESTEMUNHOS E MEMÓRIAS SOBRE O PORTO - XXIX

9.29 - Testemunho de M. R. d’Assis de Carvalho - II, Natal no Porto, Comércio fecha às 6 da tarde, Porto deserto à noite, Passeio pela cidade velha às 8 da noite.


Praça da Batalha - 1910


Rua das Aldas 

Às seis horas da tarde começam...


Rua das Flores – foto de Hugh Owen - 1854


Palácio da Bolsa - 1861

“Um monumento moderno importante, não só em relação a Portugal mas à Europa, é a Bolsa do Porto. A Bolsa assim como o hospital honrariam as cidades de Londres ou Paris. A mole imponente ergue-se sobre uma eminência, rodeada de casas velhas e de terrenos desaproveitados. Uma serie de salas espaçosas, uma bibliotheca franqueada ao publico, uma admirável sala mourisca incompleta, mas de um trabalho curiosíssimo, demoraram-me ahi longas horas. O perystilio é de grandes dimensões; duas largas escadas de granito conduzem ao edifício completando lhe o aspecto magestoso.” (Maria Rasttazzi – “Portugal de Relance” - tradução portuguesa do livro “Le Portugal á vol d’ oiseau”, Lisboa 1882)”.


Bolsa – foto de Aurélio Paz dos Reis – 1880


Alfândega Nova - c. 1900


Rua Arménia – blogue Vida em Fotos


Ruínas do Convento de Monchique – Foto de Manuel Santos - 2016


Porto e Gaia ao anoitecer - maravilhoso - Hélder Afonso



Convento de Monchique – desenho de Joaquim Vilanova – 1833


O mesmo local 100 anos depois



D. António Barroso - foto e assinatura


domingo, 18 de março de 2018

TESTEMUNHOS E MEMÓRIAS SOBRE O PORTO - XXVIII

9.28 - Testemunho de M. R. d’Assis de Carvalho - I, Natal no Porto, Compras para a ceia de Natal, Pão de ló de Margaride, Cacetes, Bacalhau, Rabanadas, Ceia de Natal entre as 7 e as 8 da noite, Teatros cafés e lugares de divertimento fechados na noite de Natal.  


Chafariz central do Mercado do Anjo


Venda de hortaliças no Mercado do Anjo

Um lisboeta, M. R. d’Assis de Carvalho, escreveu em 20/12/1909 no Tripeiro, Volume 2, um longo artigo muito bem escrito e interessante sobre a diferença do Natal de Lisboa e do Porto.
Pela sua qualidade resolvemos transcreve-lo na totalidade:



… ainda os homens transportavam à cabeça!!!



Fabrico do pão de ló em Margaride



"Foi no início do século XVIII que uma mulher, de nome Clara Maria, principiou a fabrico deste pão de ló. Estando localizada na freguesia de Margaride, no centro da atual cidade de Felgueiras, no norte de Portugal, este pão de ló ficou conhecido por pão de ló de Margaride. Após a morte de Clara Maria, foi Antónia Filix que continuou com o seu fabrico tendo mais tarde passado essa tarefa para Leonor Rosa da Silva. Leonor Rosa da Silva tornou conhecido o pão de ló de Margaride através de mais de 50 anos trabalho. O sucesso foi tanto que em 1888 foi-lhe atribuída a designação de Fornecedora da Casa Real Portuguesa. Actualmente, o fabrico mantém-se o mais artesanal possível mantendo acima de tudo a qualidade dos seus produtos.




Cacete



Rabanadas com vinho do Porto

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O NATAL NO PORTO

O Natal no Porto


De várias leituras referentes às tradições do Natal de fins do séc. XIX resumimos o seguinte:
Pela época de Natal chegavam ao Porto grupos de gaiteiros que animavam as ruas com as suas gaitas de foles engalanadas com franjas vermelhas. Eram seguidas da rapaziada aos saltos e brincadeiras e o povo parava a apreciar. Um facto que caracterizava este tempo eram as Boas-Festas, dadas por diversos rapazes, que em grupo visitavam os cafés e os estabelecimentos pedindo a consoada, e cantando versos muito engraçadas que faziam rir as pessoas.


Aurélio Paz dos Reis fotografou a sua filha a meter no marco do correio as Boas Festas de 1910 aos seus amigos. hoje estas são mandadas pela internet, o que não tem o mesmo encanto.


Os mercados eram muito movimentados e regurgitavam de flores, aves e verdadeiras montanhas de hortaliça.




As mercearias e doçarias tinham enormes quantidades de bolos e pasteis sobressaindo o enorme pão-de-ló de Margaride.. Estes estabelecimentos presenteavam os seus clientes fregueses com a consoada que consistia num queijo de dois quilos e uma garrafa de vinho do Porto.


As padarias fabricavam para este dia uns pães compridos, de cerca de um metro, a que vulgarmente se chamam cacetes. Estes pães destinavam-se ao fabrico das rabanadas, que se adoçavam com mel que as mulheres apregoavam pelas ruas.
Às 6 da tarde começavam a fechar as portas dos estabelecimentos de modo que às 8 horas o Porto tinha o aspecto mais triste que é possível imaginar-se, com as ruas completamente desertas e com as portas e janelas hermeticamente fechadas. Só os desprotegidos da sorte, os que viviam isolados ou os estranhos à terra é que se atreviam a sair.


As famílias, nesse dia, normalmente só almoçavam e às oito da noite começavam a ceia da consoada. Esta era só composta por pessoas de família.


O prato mais tradicional era o bacalhau cozido ou assado com as couves. 

“Manda-se de presente um costal de bacalhau com quem manda um casal de perús” escreve Sousa Viterbo em 1895. E diz ainda que “hoje o bacalhau vale uma fortuna. A culinária transforma-o nos mais variados acepipes. Os mais pobres contentam-se com bacalhau cozido, ladeado de belos olhos de couve galega e cebolas. Dias antes da festa todas as famílias se preocupavam em lançar de molho o saboroso peixe da Terra Nova”.



Polvo estufado com Vinho do Porto

Uma outra tradição de prato na noite de Natal é o Polvo preparado de várias maneiras. 

Receitas de Polvo de Natal
http://natal.com.pt/preparacao-polvo-assado

Polvo de Natal - vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=CgppOs7zpB0




Em nossa casa come-se o bacalhau na noite de 24 e o peru em 25. 
Já em casa dos nossos avós, quando éramos crianças o peru era preparado com muito esmero pela Lídia, criada da cozinha. Começava por o embebedar com água ardente e aí começava a nossa brincadeira. Num largo pátio o peru começava a andar às voltas, completamente tolo. Nós divertíamo-nos a enxota-lo e fazê-lo correr aos trambolhões. Eram momentos que hoje, mais de 60 anos depois, nos recordámos com saudade. Pobre peru que muito sofria!  

Receita de peru recheado de Natal
http://gnt.globo.com/receitas/receitas/peru-de-natal-recheado-facil-de-fazer.htm



Os tradicionais doces eram as rabanadas, mexidos, o bolo-rei, bolos de abóbora bolina, pão de ló redondo ou em forma de coração, aletria e orelhas-de-abade. Após 1910 houve quem passasse a chamar ao bolo-rei, bolo de Ano Novo, bolo do Presidente ou bolo do Arriaga. Porém, a partir dos anos 20 voltou a chamar-se Bolo Rei A ceia era abundantíssima bem regada com os preciosos vinhos do Alto Douro.


Receita de sonhos
http://www.iguaria.com/sobremesa/frito/sonhos-de-natal/


Receita de aletria
https://www.youtube.com/watch?v=otWY01sij1E


Após a ceia a família divertia-se com jogos em que predominavam o quino e o rapa, jogado a pinhões ou feijões. Muito nos divertimos com o jogo do rapa em casa dos nossos avós.


Convento dos Congregados – Joaquim Vilanova – 1833 - as escadas e a torre foram demolidas em 1843
Neste dia, 24 de Dezembro, os padres Congregados davam um abundante jantar a todos os pobres de cidade. Aos mendigos junto da Porta de Carros, aos envergonhados na sala das aulas e no claustro.


Natal na Igreja de Santa Clara – foto de TAF 

À meia-noite seguiam para a missa do galo, vestidos sobriamente e bem agasalhados. No fim era dado o Menino Jesus a beijar. O órgão imitava a gaita-de-foles.


No fim da missa era colocado no presépio a imagem do Menino Jesus. 
Nas igrejas da cidade, no dia de Natal o Menino era deitado numas palhas, no de Ano Novo numa caminha e no dia de Reis já estava a pé.


Presépio da Igreja de Santo Ildefonso

O primeiro presépio foi criado por São Francisco de Assis, no ano de 1223, em companhia de Frei Leão e com a ajuda do senhor Giovanni Vellina . Foi nesse Natal que, em Greccio (cidade perto de Roma), na Itália, São Francisco quis mostrar aos camponeses como tinha sido a noite do nascimento de Jesus.
Coreografou uma cena ao vivo com as figuras de Maria e José, um bebê, um burrinho e um boi, alguns pastores e três reis. E assim conseguiu mostrar ao povo da região como tudo tinha acontecido.
Depois da morte de S. Francisco os franciscanos passaram a fazê-lo com imagens. Rapidamente, em todo o mundo católico os povos copiaram esta maravilhosa ideia e passou a ser tradição fazê-lo em cada casa.
Em nossa casa também se fez, e faz, desde a nossa infância, mas os Reis Magos só eram colocados em 6 de Janeiro.
Presépio e Natividade - a tradição no Porto - Belíssimo blogue
http://thecitytailors.com/presepio-and-christmas-the-birth-of-jesus-christ-in-portos-tradition/

Natal na R. de Santa Catarina - anos 50?
http://www.noticiasmagazine.pt/2016/rua-de-santa-catarina/

Extraordinária descrição de um lisboeta que visitou o Porto na época do Natal:


In O Tripeiro - volume 2