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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

BAIRROS DA CIDADE - XVIII

2.3.3 - Bairro de Santo Ildefonso - V


Rua da Santa Catarina – planta de 1774 – Texto da planta: Alinhamento da Rua de Santa Catarina do lado da quinta do capitão ? da qual se corta tudo o que he necessário deste lado esquerdo huma linha recta como se vê da cor amarela que vai notada em este plano. Porto 12 de Dezembro de 1774”
Na Toponímia Portuense de Eugénio Andrea da Cunha Freitas pode ler-se “No ano de 1662, havia em Fradelos uma quinta que era senhorio directo o Dr. João Freire de Melo, com uma capela de invocação de Santa Catarina Martir. Essa quinta partia de banda de nascente “ com o caminho que vai de Fradelos para a Porta de Cima de Vila”. Este caminho é o mais remoto antepassado que conhecemos da actual Rua de Santa Catarina… Já designada Rua Nova de Santa Catarina a encontramos mencionada em certo documento da Misericórdia em 1748. No Plano de Urbanização proposto por João de Almada e Melo em 1784, inclui-se o prolongamento da rua até à Aguardente (hoje Praça Marquês de Pombal). A este novo troço da artéria se chamou Rua Bela da Princesa… Também por urbanizar estavam todos os terrenos compreendidos entre Santo António, Santa Catarina, a viela da Neta e a das Pombas (onde está hoje o Grande Hotel do Porto). Eram quintas e terrenos pertencentes a D. Antónia Adelaide Ferreira, a “Ferreirinha”, e a Francisco da Cunha Guimarães, onde mais tarde se rasgaram as ruas de Sá da Bandeira e Passos Manuel.”



Rua de Santa Catarina em 1911 - foto pintada


Ourivesaria Reis - in blog Do Porto e Não Só


A lindíssima frontaria da antiga Ourivesaria Reis, na esquina das Ruas de Santa Catarina e 31 de Janeiro


Livraria Latina – inaugurada em 1942 - Obra de António Cruz
Existe outro busto de Camões na Foz, da escultora Irene Vilar, que mostraremos qundo tratarmos este local.



Grandes armazens Nascimento, inaugurados em 1927 - Projecto do Arq. Marques da Silva


Entre os anos 40 e 70 foi Café Palladiun

Frequentadores habituais do Palladium - da esq. pª. dir: João Alves, Sant’Ana Dionísio, Carlos Sanches, José Régio, Jorge de Sena, Alfredo Pereira Gomes, Adolfo Casais Monteiro e Alberto Serpa – foto de 1941.
“O café Palladium, aberto em 4 de Novembro… cujas obras foram da autoria de Mário de Abreu. Tinha salão de jogos, salão de chá e um cabaret. Atraía uma clientela ligada às artes e às letras, como Jorge de Sena, José Régio, Adolfo Casais Monteiro, Sant’Ana Dionísio, Alfredo Pereira Gomes, Alberto Serpa, Nadir Afonso, Júlio Resende, Manuel Pereira da Silva, entre outros, e foi encerrado nos anos 70 – em Comunidade.sol.pt .  Actualmente C&A e Fnac


Rua de Santa Catarina, esquina com a Rua de Passos Manuel - 1913


Photographia Alvão - ficava no nº. 120


Café Majestic – sobre este café trataremos em lugar próprio


No último quartel do séc. XIX, António da Silva Cunha, abriu uma pequena casa de retalho em que montou um atelier com máquinas de costura. Foi crescendo e rapidamente deu origem à Camisaria Confiança, que ficava antes do Grande Hotel do Porto. Chegou a empregar mais de 1000 operários.


Interior em 1899


Confecção em 1899

Histórico filme da saída do pessoal da Fábrica Confiança feito por Aurélio Paz dos Reis em 1896 Supomos ser o primeiro feito em Portugal


Grande Hotel do Porto – Projecto do arquiteto Silva Sardinha abriu portas a 27 de Março de 1880. Era o hotel mais luxuoso da cidade. É o hotel mais antigo em funcionamento. Sempre que vinha ao Porto, Eça de Queiroz, alojava-se neste hotel nele fazia o seu escritório. Escrevia amiudadas vezes aos seus amigos do Porto, em especial a Oliveira Martins.





Em 28/12/1889 faleceu, no quarto 16, a Imperatriz do Brasil Teresa Cristina. Estava, com seu marido, o deposto Imperador D. Pedro II, de passagem para Paris. D. Pedro II comprou a cama em que sua mulher faleceu.
Neste hotel esteve preso o Primeiro-Ministro Afonso Costa em Dezembro de 1917, aquando do golpe de estado de Sidónio Pais. Quando veio ao Porto houve uma grande arruaça contra a sua presença. O estadista saiu por uma janela das traseiras da casa onde se encontrava e fugiu pelos telhados vizinhos. No Porto ficou a adivinha “Qual é a coisa, qual é ela, que entrou pela porta e saiu pela janela?”


Interessante publicidade - Em 1895 havia tempo para se ler todas as palavras do anúncio.

Caminhos da História - Joel Cleto
http://videos.sapo.pt/buNQsWIknTYqI4lNvFZE

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

BAIRROS DA CIDADE - XVI

  
2.3.3 - Bairro da Santo Ildefonso - III

Teatro Baquet inaugurado em 13 de Fevereiro de 1859 com a festa do Carnaval. Na noite de 21/3/1888 deflagrou um violentíssimo incêndio, provocado pela chama de um bico de gás de uma gambiarra do palco que pegou fogo a uma bambolina e que destruiu por completo o edifício, tendo provocado cerca de 120 mortos. Trataremos este assunto em pormenor em lugar próprio.

Grandes Armazens Hermínios – o maior armazem da cidade - construído no local onde esteve o Teatro Baquet, e inaugurado em 1 de Julho de1893. Teve iluminação eléctrica e um moderno elevador também eléctrico.

Interior em 1913 – O interior estava dividido em dois pisos, de muito alto pé direito, devido à diferença de nível entre as ruas de Santo António e Sá da Bandeira.
Os Hermínios eram também considerados uma instituição social, uma vez que abrangia cerca de 1.500 funcionários de todas as categorias. Dentro destas actividades sociais salientavam-se as excursões dos empregados, os grandiosos concertos, os “bodos aos pobres”, os saldos de ocasião e os balões oferecidos às crianças". Do blog Garfadas on Line



"Mas não só as crianças beneficiavam de presentes... Era costume oferecer brindes aos clientes fiéis. Os copos aqui apresentados, destinados a uso termal, são disso um exemplo. Manifestações precoces de marketing comercial. Estes copos das termas eram pintados ou serigrafados a óleo e tinham uma escala de graduação, para que a água tomada pelos aquistas correspondesse ao receituário médico". Do blog Garfadas on line - foto de Carlos Caria



Publicava anualmente catálogos dos seus produtos, que enviavam para todo o país, colónias e Brasil.


 Mais tarde, a C.G.D. construiu no mesmo local um importante balcão – Foto de Portojo

O Tripeiro Série V, Ano VI refere um artigo de Camilo Castelo Branco de 10/8/1857, em O Nacional: “Há uns poucos de nomes gloriosos a quem o Porto deve o seu progresso material. O primeiro na ordem dos factos e na cronologia é o senhor João Coelho de Almeida, criador da barcaça de banhos. O segundo é o senhor Lucas dos Santos, homem videiro que criou os banhos de tina (em 7/3/1854 na Rua de Santo António). A limpeza é a primeira condição de uma terra culta. As estatísticas de ambos os estabelecimentos provam que se lava muita gente. São beneméritos da Pátria todos os que fomentam a limpeza, perfeitas inteligências de sabonete”.
Lê-se ainda no referido Tripeiro: “Está aberto este estabelecimento todos os dias, de verão, desde as 5 horas da manhã até às nove da noite, e no Inverno, desde as oito da manhã até às seis da tarde. Aos Domingos fecha-se ao meio dia.
Por um banho de tina, da água doce 160 reis
Por assinatura( 12 banhos) 1$680 reis
Um banho sulfúrio (cada) 300 reis
Um banho de vapor 600 reis
Um banho de chuva 120 reis
Assinatura (12 banhos) 960 reis
Um banho de água do mar 300 reis
Em todo o tempo se pode ir tomar banhos de água doce, de chuva, de águas termais e de vapor. Os de água de mar só principiam no primeiro de Agosto e acabam em 31 de Outubro.” Aberta em 1866, esta casa recebia água do manancial de Camões conduzida por mina construída propositadamente. Foi fechada em 27/9/1909.


Tabacaria Africana – esquina da Rua de Santo António e Praça da Batalha – Pertenceu a António de Almeida Campos até 1902 e foi trespassada a Alberto Vieira da Cruz. Além de vender todos os artigos ligados ao tabaco, editava lindíssimos postais de costumes portugueses. Infelizmente a rica frontaria foi destruída há poucos anos.


Uma das mais belas casas do Porto na arte do ferro é a antiga Ourivesaria Reis, cuja fachada é dos últimos anos do séc. XIX.
Foi fundada em 1880 por António Alves dos Reis. Entre as muitas peças de grande valor e beleza por estes joalheiros executadas, destaca-se a fabulosa baixela manuelina executada entre 1899 e 1904. Foi desenhada por Rafael Bordalo Pinheiro e era composta por 513 peças. Foi encomendada pelo 3º. Visconde de S. João da Pesqueira (Porto 28/11/1862 – Paris 1/9/1925) e por sua morte a Viscondessa fez herdeiro universal o Paço Episcopal do Porto, onde a baixela se encontra.


Em 31 de Janeiro de 1891 deu-se uma revolta republicana da qual colhemos a informação seguinte:
“ A Guarda Municipal abrigada pelas varandas de pedra que guarnecem as escadas e patamares que dão acesso à Igreja de Santo Ildefonso … que permitem estabelecer como começou e desenvolveu o combate da Rua de Santo António… inesperadamente, e por via da falta de disciplina militar que a Polícia Fiscal não possuía, uma ou duas praças dessa polícia, saindo da forma fizeram 2 ou 3 tiros sobre a Guarda Municipal. O Major Graça (comandante da Guarda Municipal) … logo que ouviu aqueles tiros ordenou o toque de fogo às suas forças, reiterando-o, e mandando em seguida que se fizesse fogo vivo, pelo corneteiro sob as suas ordens… Refeitos, porém, dessa desordem e do espanto que causara o início da luta, em pequenos grupos, ou isoladamente, os soldados da revolta começaram um fogo nutrido contra a Guarda Municipal… até que as munições se lhes esgotavam”.  In A Revolta do Porto de João Chagas e ex-Tenente Coelho. Os números oficiais deram conta de 12 mortos e 40 feridos, embora os republicanos afirmassem que teriam sido 50 cadáveres os enterrados em vários cemitérios e muitos dos feridos tenham vindo a falecer depois.


Alves da Veiga proclamando a República da varanda da Câmara.

Chefes da Revolta de 31 de Janeiro 
Algumas centenas de revoltosos foram presos a bordo de navios ao largo do Porto, tendo cerca de 230 sido condenados a diversas penas de degredo e prisão.

Placa evocativa da Revolta do 31 de Janeiro

Monumento aos mortos do 31 de Janeiro no cemitério do Prado do Repouso – foto Eudora Porto


A Rua de Santo António onde se deu o encontro dos revoltosos e as forças fieis ao governo


Rua de Santo António em 1914