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quinta-feira, 12 de março de 2015

COLÉGIOS E RECOLHIMENTOS - VII

4 . 4 – Recolhimento da Senhora da Esperança - II



Pormenor do retábulo


A Igreja contém no seu coro-alto um órgão de tubos em estilo Inglês, construído pelo mestre organeiro britânico Peter Conacher em 1891, e que foi restaurado em 1990.


Santa Marta, padroeira da Região Vinícola do Douro

“Uma das instituições tuteladas pela Santa Casa da Misericórdia do Porto é o Colégio de Nossa Senhora da Esperança, com uma história centenária. A sua construção iniciou-se em 1724, com verbas deixadas em testamento pelo Reverendo Manuel de Passos Castro. Começou por ser um local destinado ao ensino e recolhimento de órfãs, daí o seu nome primitivo: Recolhimento de Meninas Órfãs de Nossa Senhora da Esperança. É um Colégio católico, de acordo com o que estabelece o Código de Direito Canónico, propondo-se promover a educação integral dos alunos, respeitando a sua liberdade, a das famílias, a dos professores e restantes colaboradores. Está aberto, sem qualquer discriminação, a todos os que procuram a educação e o ensino nele ministrados e oferecidos, desde que adiram ao seu Projecto Educativo e aceitem os seus regulamentos. Possui actualmente vários níveis de ensino - Creche, Ensinos Pré-escolar, Básico e Secundário. Funciona em regime de paralelismo pedagógico para o 1.º, 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico e Ensino Secundário”. Site S.C.M. do Porto.


6º. Cruzeiro da Via Sacra


7º. cruzeiro


8º. cruzeiro

Vem a propósito tratar da Via Sacra que se realizava no séc. XVIII e que partia da Batalha, passava pela Praça de S. Lázaro e terminava no Monte do Bonfim, onde hoje se encontra a igreja.

segunda-feira, 9 de março de 2015

COLÉGIOS E RECOLHIMENTOS - VI

4.4 – Recolhimento da Senhora da Esperança - I



Praça de S. Lázaro em 1798 – no mapa o Norte está para baixo, pelo que o Recolhimento fica em cima à esquerda.



Praça de S. Lázaro e recolhimento (12)

No local da Capela do Recolhimento, existiu desde o século XIV uma gafaria, hospital de leprosos, que tinha como padroeiro S. Lázaro. Daqui veio o nome do Largo e Praça de S. Lázaro, anteriormente Largo do Arrabalde.
No Domingo da Paixão realizava-se, na Praça de S. Lázaro, uma feira em honra deste santo, pois existia na capela dos Hospital dos Lázaros uma imagem sua, toda em prata. Esta imagem passou, em 1662, para a Sé. Quando se construiu a Capela do Recolhimento a referida imagem foi trazida para aqui. Desconhecemos se ainda aí se encontra.
A Feira de São Lázaro passou mais tarde para a Praça da Alegria e Fontaínhas, onde ainda se realizava na primeira metade do séc. XX.


Desenho de Joaquim Casanova - 1833


Praça de S. Lázaro e Recolhimento em 1910

“Há um mês, mais coisa menos coisa, houve festa rija, de cariz tipicamente popular, nas imediações do Colégio de Nossa Senhora da Esperança, em S. Lázaro. Foi a romaria a este santo protetor contra a lepra – uma das poucas festas que ainda acontecem no interior do Porto. E porquê naquela zona da cidade? – tem o leitor toda a legitimidade para perguntar. Porque foi por ali que funcionou uma das gafarias (hospital de leprosos), «da parte de fora do muro (muralha fernandina), além da porta de Cima de Vila, não longe de Mijavelhas…», ou seja, perto do Campo 24 de Agosto que em recuados tempos teve esta pitoresca designação.
A notícia mais antiga que se conhece sobre a atividade de uma gafaria dá-a como tendo funcionado, já em 1247, na Ribeira onde hoje está a igreja de S. Nicolau. Só no século XIV se fez a transferência do hospital para a parte de fora das muralhas com a fundação de uma ermida e hospital que tomaram como padroeiro S. Lázaro. Daí adveio o nome ao local que abrangia o atual jardim e artérias circundantes. Uma descrição desses sítios dos meados do século XIX diz-nos que «o campo ou terreiro de S. Lázaro, em frente da capela e da gafaria, se assemelhava a um vulgar largo de feira em terra provinciana…». Hoje, o topónimo de S. Lázaro, no Passeio de S. Lázaro que vai da Avenida de Rodrigues de Freitas à Rua D. João IV. Da capela e do hospital, nem vestígios.
1. Em 1850 a doença da lepra não possuía, no Porto, a dimensão que atingira durante a Idade Média. Mas ainda era considerada um verdadeiro flagelo. E para o combater a Santa Casa da Misericórdia do Porto mandou construir, na Rua das Fontainhas, o hospital dos Lázaros e das Lázaras, destinado a recolher os portadores da doença. No edifício funcionaram depois os hospitais menores de que aquela instituição era administradora. Tudo feito em terrenos que, no século XVII, pertenciam a uma propriedade chamada Quinta de S. Lázaro.
2. Manuel de Passos Castro, que foi tesoureiro-mor da Colegiada de Cedofeita, morreu em 1718. No seu testamento legou uma avultada soma em dinheiro à Santa Casa da Misericórdia para que esta instituição mandasse construir um recolhimento destinado a meninas órfãs e pobres, «de boas famílias…». A Misericórdia aceitou a incumbência e deu cumprimento à vontade do clérigo mandando erguer, no local onde antes estivera a capela e gafaria de S. Lázaro, a igreja e o Recolhimento de Nossa Senhora da Esperança, obra de Nasoni.
3. Aqui, na esquina do Largo do Camarão, funcionou um curioso recolhimento que passou à história com o nome de «Recolhimento das Velhas do Camarão». Foi fundado por Francisco António Revelier e sua mulher, Inácia Maria, junto à Travessa de S. Lázaro «que vai para as Fontainhas», que é a atual Rua da Senhora das Dores. Não se conhece a data exata da fundação deste recolhimento mas sabe-se que já existia em 1804 porque uma escritura de doação desse ano refere-se a «um chão sito junto à casa do recolhimento…».


4. Emblemático do sítio de S. Lázaro é este edifício onde atualmente está instalada a Biblioteca Pública Municipal. Começou por ser um pequeno hospício dos frades menores reformados da Ordem de S. Francisco da Província da Imaculada Conceição. Posteriormente foi transformado em convento da mesma ordem. Durante as invasões francesas o convento serviu, simultaneamente, de depósito militar e de hospital. A gafaria de S. Lázaro beneficiou muito da rede de abastecimento de água criado pelos monges para seu serviço e da população.
5. Com a romântica intenção de atenuar as agruras por que as damas do Porto haviam passado, durante do Cerco, D. Pedro IV mandou fazer, para recreio delas, o Jardim de S. Lázaro. Ainda hoje é um dos mais belos da cidade mau grado a degradação que denuncia. Durante as Festas em honra de S. Lázaro e quando no jardim se davam concertos musicais, o Recolhimento de Nossa Senhora da Esperança colocava cadeiras e bancos em torno do lago que alugava, revertendo o produto para ajudar à manutenção do recolhimento”. Germano Silva - Revista Visão, 26-05-2011


Foto de 1920

Conta-se que nos dias de festa e Domingos, quando eram horas de passeio na Praça, as meninas do recolhimento corriam para as janelas apreciar as diversões e atrair os rapazes. Porém, as freiras “usando de cautela”, mandaram colocar umas frestas de madeira de forma a só se poder ver de dentro para fora, o que muito arreliou a rapaziada. Podem ver-se as referidas frestas na foto acima.





A capela teve o risco de Nicolau Nazoni; só se iniciou em 1746, tendo terminado em 1763.


Remate da fachada da capela


Pedra d’armas na capela


Ornamento sobre a porta principal

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

CONVENTOS DE RELIGIOSOS - XII

3.12.7 – Convento de S. João Novo



Santo Agostinho


Nesta foto pode ver-se o Convento de S. João Novo com a letra J. O nome inicial foi Mosteiro dos Religiosos Eremitas de Santo Agostinho (Gracianos). A Paróquia de S. João de Belmonte, que tinha uma pequena igreja dedicada a S. João Baptista, foi criada em 1583 pelo Bispo do Porto D. Frei Marcos de Lisboa e extinta em 1592 pelo Bispo D. Jerónimo de Meneses. 
Belmonte ou Belomonte foi o nome dado ao local, dado que tem uma maravilhosa vista desde a Foz do Douro à Serra do Pilar. Fica um pouco abaixo da Cordoaria.


“O Convento de São João Novo situava-se no Porto, era masculino, e pertencia à Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, ou Agostinhos Calçados. 
Também era conhecido por Convento de Santo Agostinho do Porto. 
Em 1592, Frei Manuel da Conceição, provincial da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho apresentou à câmara Porto um requerimento para lhe ser concedida licença afim de instalar na cidade, no sítio de Santo Ildefonso ou em outro lugar, um mosteiro à sua custa. Obtida a autorização de instalação, foi então escolhido o sítio de São João, no qual se adquiriram várias casas. 
Em 1602, a 23 de Novembro, o Bispo do Porto D. Gonçalo de Morais, monge beneditino, na qualidade de benfeitor, em virtude da demissão do abade Gonçalo Vieira, entregou a igreja de São João Baptista para serviço do convento (desta igreja nada resta). Clemente VIII doou a referida igreja ao convento, repartindo os seus fregueses pela de São Nicolau e pela da Vitória, com a obrigação dos monges celebrarem missa à sua custa e completarem as obras na igreja da Vitória, que estavam por acabar. As obras foram realizadas em 1604. 
Em 1613, iniciou-se a construção do dormitório. 
Em 1672, a 7 de Agosto, D. Nicolau Monteiro, bispo do Porto, lançou a primeira pedra da igreja do convento. Era prior frei Manuel da Trindade. A construção da igreja foi custeada por esmolas. 
Em 1689, em 26 de Outubro, fez-se a trasladação do Santíssimo para a nova igreja. 
Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo”. Site do Arquivo da Torre do Tombo. 
O convento passou a Hospital Militar em 12 de Maio de 1835 até 20 de Maio de 1862, quando o hospital passou para a Quinta das Águas Férreas. Em 3 de Junho de 1864 foram aí instalados os tribunais cível e criminal. Hoje é o Tribunal de Instrução Criminal do Porto. 


A actual Igreja de S. João Novo começou a construir-se em 7 de Agosto de 1672, o Santíssimo Sacramento foi trasladado em 26 de Outubro de 1689 e a frontaria começou a ser construída em 1725. 
Neste local estava a igreja paroquial de Belmonte, dedicada a S. João Baptista. Era pequena e sem interesse. Os frades, necessitando de uma maior, arrasaram-na e construíram a actual…


…mas dedicaram-na a S. João de Sahagun ou S. João de S. Facundo. Ficou assim a chamar-se de S. João-o-Novo e, para facilitar, S. João Novo.

São João de Sahagún ou João de São Facundo, nascido Juan Gonzalez de Castrillo Martinez de Sahagun y Cea, (Vila de San Facundo, actual Sahagún, 1419 — Salamanca, 11 de Junho de 1479) foi um sacerdote, teólogo, prior de um convento da Ordem de Santo Agostinho e santo da Igreja Católica.
João Gonzalez estudou teologia na Universidade de Salamanca. Como sacerdote tornou-se conhecido por suas posições conciliadoras, tendo-lhe por isso sido atribuído a alcunha de "O Pacificador". Em 1463 sofreu uma grave doença e pediu para ingressar na Ordem do Agostinianos, sendo aceite em Agosto do ano seguinte.
Conhecido como João de Sahagun, tornou-se famoso pelos seus sermões directos e destemidos. Em 1478 foi eleito Prior do Convento.
Logo após a sua morte foi aclamado Apóstolo de Salamanca, e começaram as peregrinações ao seu túmulo. Suas relíquias foram trasladadas para a Catedral Nova de Salamanca e algumas delas estiveram na Igreja da Santíssima Trindade, em Sahagún, até á construção da Ermita de San Juan de Sahagún, em 1652.
Foi beatificado em 1601 pelo Papa Clemente VIII e canonizado em 1690 pelo Papa Alexandre VIII.


O retábulo-mor foi executado em 1775 a expensas do Bispo D. António de Sousa e o seu painel central alusivo à Visão de Santo Agostinho foi pintado por João Glama.





Quatro fotos do estudo sobre S. João Novo de Severino Emanuel Cruz da Silva - 2003

Interior da Igreja de S. João Novo – Tinha 4 altares laterais em capelas.

Igreja de S. João Novo - vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=30Gk2IcI-Fo



Foto de ADzido


Texto de Pinho Leal - 1875

O frade que deu o nome ao mosteiro – Germano Silva



Foto do estudo sobre S. João Novo de Severino Emanuel Cruz da Silva - 2003


Capela de Nossa Senhora da Esperança – foto Portojo – esta capela encontra-se no largo de S. João Novo.

terça-feira, 22 de abril de 2014

DESCREVE-SE A CATEDRAL - V

3.11.1 - Capelas no claustro da Catedral



Capela de Nossa Senhora da Esperança – foto de Ruy Brito e Cunha
"O vínculo de Nossa Senhora da Esperança, com capela no claustro da Sé do Porto, foi instituído a 05.06.1412 pelo cónego Rui Gonçalves, 1º arcediago do Porto e Meinedo. Foi D. Teresa Bárbara da Cunha de Castro e Vasconcelos (1744-1796), mãe de António Bernardo de Brito e Cunha (1781-1829) (o primeiro deste apelido), a 14ª administradora do vínculo. O actual representante da família Brito e Cunha é o 21º representante do vínculo". Site da família Brito e Cunha

O Claustro tem 4 capelas, uma em cada canto : Nossa Senhora da Conceição, Expectação de Nossa Senhora, Nossa Senhora da Esperança, que pertenceu à família Brito e Cunha, e de Nossa Senhora da Piedade.




Capela de S. Vicente


S. Vicente


Em O Tripeiro, Série VII. Ano XVII, Nºs. 7-8, Flórido de Vasconcelos escreve sobre os baixos relevos do Porto da seguinte forma: “Referimo-nos aos relevos narrativos, quase sempre destinados a retábulos de altares ou respaldos de cadeirais que têm sido injustificadamente esquecidos ou subalternizados, não lhes sendo consagrada a atenção que bem deveriam merecer. Trata-se de verdadeiros quadros, cuja função é paralela à das pinturas que mais geralmente ocupam aqueles locais, e correspondem à ilustração de um texto, descrevendo um facto ou uma sucessão de factos passados – ou, mais simplesmente, evocando-os, embora não de forma apenas simbólica ou alegórica. Antes e sempre, apresentando uma ou várias figuras em acção, muitas vezes revelando um fio condutor que os transforma em verdadeiras narrativas – autênticas histórias em quadradinhos “avant la lettre”.




Com entrada pelo claustro existe ainda a Capela de S. Vicente, que foi padroeiro da cidade entre 1025 e 1453. 
Uma grande peste atingiu a cidade em 1453. Os moradores de Miragaia pediram a S. Pantaleão, cujas relíquias estavam na sua igreja, que os livrasse de tal flagelo. Como não foram atingidos o Bispo substituiu o padroeiro por este santo, arménio, que tinha sido médico. As suas relíquias foram conduzidas com grande pompa em procissão para a Sé em 12/12/1453.


Em 1954 o Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, consagrou a cidade a Nossa Senhora de Vandoma. Esta imagem, que está na Sé, esteve desde 1855 na Capela de S. Vicente.

Padroeiros da cidade do Porto – Germano Silva - vídeo



Na segunda metade do século XV, instalou-se no Porto um grupo de arménios em busca de refúgio após a queda de Constantinopla diante do Império Otomano, em 1453. Estes imigrantes trouxeram consigo as relíquias de São Pantaleão (275/303), martirizado em Nicomédia em 303, que se tornou patrono da cidade. José Ferrão Afonso em O Tripeiro, Série VII, Ano XXIV, nº. 6, refere um artigo de João Soalheiro em que este relaciona “este evento com a saga dos filhos do Regente D. Pedro, D. João e D. Jaime. O primeiro seria Cardeal, tendo sido entre outras dignidades a de Bispo de Paphos, em Chipre; o segundo casou com Carlota de Lusignan, herdeira do trono do mesmo reino e Rainha da Arménia. Ambos se integram assim na política nacional de cruzada contra os turcos e o interesse demonstrado por D. João II, seu sobrinho, pelas relíquias portuenses de S. Pantaleão estaria, desse modo, justificado".


Estas relíquias foram depositadas na Igreja de Miragaia, em cofre de prata lavrada oferecido por D. Manuel I, para dar cumprimento a uma das últimas disposições do seu antecessor, D. João II. Mais tarde, em 12 de Dezembro de 1499, as mesmas foram transferidas para a Sé do Porto por determinação do bispo, D. Diogo de Sousa.
Em artigo no JN, Germano Silva escreveu: 
"No dia 22 de Novembro de 1841, oito anos depois do fim do Cerco do Porto, a Câmara Municipal desta cidade escreveu ao delegado do procurador Régio, o equivalente naquele tempo, ao procurador da República dos nossos dias, no seguintes termos: "Tendo tido (ela, Câmara) conhecimento do roubo da prata da arca de S. Pantaleão que existia, em depósito, na igreja da Sé, e sendo este roubo de grave importância, não tanto pelo valor do metal, como pela preciosidade em que geralmente era tido o lavor da prata, que denotava grande antiguidade, rogo a vossa excelência que empregue todo o zelo e bons ofícios na descoberta do delinquente e seu imediato castigo". 
O que era esta arca de S. Pantaleão da qual, alguém, no recuado ano de 1841, surripiou a prata? Pelos vistos, a tal arca encontrava-se no interior da catedral, onde "estava em depósito", como se infere do teor da carta acima reproduzida. 
Vamos por partes. Primeiro, S. Pantaleão. Julgo que não há portuense que já não tenha ouvido falar deste santo que, durante muitos anos, foi o padroeiro da cidade e o patrono da classe médica. S. Pantaleão era arménio, da cidade de Nicomédia, e médico de profissão. Por professar a fé católica foi perseguido, às ordens dos imperadores Diocleciano e Maximiano, sendo martirizado no ano de 320, da Era de Cristo. Os seus restos mortais foram levados, por alguns companheiros, para a cidade de Constantinopla, onde ficaram muitos anos e sendo aí objecto de grande veneração popular. Mas os turcos andavam a preparar um assalto a Constantinopla. Perante tal ameaça os cristãos arménios, que viviam naquela cidade, pegaram no corpo de S. Panta­leão e meteram-se com ele num navio, atravessaram o Mediterrâneo, passaram o estreito de Gibraltar e chegaram ao Atlântico. Navegaram até à embocadura do rio Douro. Demandaram a barra e foram lançar ferro na praia de Miragaia, mesmo em frente à igreja de S. Pedro, em cujo interior fizeram recolher o corpo de S. Pantaleão. Os companheiros do mártir instalaram-se nas imediações do templo, em ruas que ainda hoje evocam, no nome, esse acontecimento: Rua Arménia e Rua Ancira, antiga Rua de Aljazira.
A chegada dos restos mortais do mártir a Miragaia aconteceu a 8 de Agosto de 1453. Pouco depois, um terrível surto de peste invade a cidade, pela então chamada Rua do Olival. A Câmara, no intento de evitar a progressão da epidemia, manda entaipar a artéria que, a partir daí, passa a ser a Rua das Taipas. 
Entretanto os moradores da zona de Miragaia apelam a S. Pantaleão para que os livrem da peste. O mal não chega à zona ribeirinha e isso é atribuído a mila­gre do santo. E a cidade promove-o, de imediato, a padroeiro do burgo, destronando S. Vicente, que ocupava aquele lugar desde, pelo menos, o século XII. 
Diz uma lenda antiga que, naquele tempo, uma relíquia de S. Vicente estava a ser transportada de Lisboa para Braga. E que ao passar no Porto houve uma milagrosa intervenção do santo no sentido de que a relíquia ficasse nesta cidade. E foi deste modo que S. Vicente apareceu como padroeiro do Porto. Ainda tem altar na catedral onde a sua imagem é venerada. 
Logo a seguir à entronização de S. Pantaleão como padroeiro da urbe portucalense, o culto que a cidade lhe devotava aumentou consideravelmente e de tal forma que, em 12 de Dezembro de 1499, o bispo do Porto, D. Diogo de Sousa, ordenou a remoção dos restos mortais do padroeiro para a catedral. 


Em Miragaia ficou apenas um fragmento de um braço que ainda hoje se guarda no interior de um relicário de prata em forma de um braço. 
Na Sé, a arca com as relíquias de S. Pan­taleão foi metida num artístico e valioso relicário de prata, mandado fazer por D. João II mas que só foi entregue à cidade, em 1502, pelo rei D. Manuel I, numa sua deslocação ao Porto. Foi a prata desse relicário que roubaram. 
O furto aconteceu em 1834, já depois do fim do Cerco do Porto. E ao que consta, o autor do roubo nunca foi descoberto. Melhor dizendo: parece que se soube quem foi. Mas o autor da façanha nunca foi denunciado 
Muitos anos mais tarde, em 1875, Pinho Leal, no seu muito apreciado e célebre dicionário "Portugal antigo e moderno", no volume sétimo e na parte respeitante ao Porto, ao tratar do assunto S. Pantaleão, alude também ao roubo da arca e escreve isto: "tinha muito que dizer sobre o roubo deste cofre, o que não faço por certas considerações, sendo a principal envolver neste abominável crime pessoas de alta categoria que se não podem defender por estarem já cobertas com a lousa da sepultura". 
Tudo muito estranho, não é ?"
Vários sites, entre eles o da Diocese do Porto colocam a data do martírio no ano de 303.

Sobre S. Pantaleão recomendamos um artigo no endereço: 
http://www.bcdp.org/v2/images/documentos/s.pantaleao.pdf



Capela de S. João Evangelista e túmulo de João Gordo

“Das belas coisas da Sé do Porto, monumento de estrutura românica dos séculos XII e XIII, a capela gótica de S. João Evangelista, que um almoxarife real e juiz do mar, contemporâneo do rei D. Dinis, de nome João Gordo, mandou fazer, merece uma atenta e demorada visita. Nela se guarda a arca tumular em que aquele contemporâneo do rei poeta e lavrador mandou fazer para nela dormir o sono eterno.
Trata-se de uma obra do século XIV, lavrada em pedra de Ançã, que muito poucos portuenses conhecem. A arca tumular, bastante maltratada pelas iras do tempo e pelo desleixo dos homens, assenta sobre o dorso de quatro leões. Na pedra que cobre o sarcófago estende-se a estátua jazente de um guerreiro que veste o hábito e o manto dos cavaleiros de Malta, cuja cruz é visível à altura do peito, do lado esquerdo. Esta figura do guerreiro é, sem sombra de dúvida, das mais belas expressões plásticas de estátuas jazentes do rico património tumular existente na cidade". Artur de Magalhães Basto.




Nas três faces visíveis da arca sepulcral, esculpidas em alto-relevo, estão representadas cenas ligadas à vida de Cristo e de Maria. Assim, na face principal, podemos apreciar a Última Ceia; na testeira inferior, o Calvário; e na cabeceira a Coroação da Virgem Maria.
Quanto a João Gordo, o mesmo historiador (Artur de Magalhães Basto) informa-nos de que viveu, efectivamente, no Porto, um individuo de nome João Gordo que foi almoxarife do rei D. Dinis, "cargo que abandonou quando era já vedro (velho) e fraco", vindo a morrer de avançada idade no dia 10 de Dezembro de 1333.
"É por demais evidente que se trata do mesmo João Gordo, cavaleiro de Malta, que foi sepultado no artístico sarcófago existente na capela de S. João Evangelista. Acontece ainda que no século XVI eram ainda os descendentes de João Gordo que pagavam a um capelão para dizer a missa no altar de S. João". In J.N. - texto de Germano Silva.



You Tube – vídeos sobre a Sé 


Freguesia da Sé - video