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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

BAIRROS DA CIDADE XVII

 
2.3.3 - Bairro de Santo Ildefonso - IV
 
 
 
Igreja de Santo Ildefonso e Obelisco – foto Alvão - A Igreja ainda não tinha os azulejos
 
“…para facilitar a comunicação entre a Rua de Santo António e a Praça das Hortas, foi necessário alterar a escadaria que dava acesso à Igreja dos Congregados… Existindo já uma escadaria de fronte da Igreja de Santo Ildefonso… esta seria transformada a partir de 1794. Criava-se assim um remate monumental à Rua de Santo António, como o que existia em relação à Rua dos Clérigos… Entre os dois lanços paralelos um pódio balaustrado formava ao nível do segundo patamar uma varanda, no centro da qual foi levantado um obelisco… não era só o coroamento monumental de todo o conjunto, mas também figurava a verticalidade que nos Clérigos era dada pela torre. Com o seu levantamento criou-se uma harmonia entre os remates das ruas de Santo António e dos Clérigos. Porto na Época dos Almadas de Joaquim Jaime B. Ferreira Alves.

 
 
Igreja de Santo Ildefonso em épocas diferentes - Em 1932 foi coberta por azulejos de Jorge Colaço
 
 
A Constructora de Campos & Morais – Foi um importante armazém de ferragens que vendia para todo o país e exportava. Fechou em 1907. A firma Neves & Pascaud comprou-o e adaptou-o, anos mais tarde, ao Novo Cinema High Life. Desastradamente tranformaram este singular edifício num horrível barracão.
 
 
Cinemas High Life e Aguia D'Ouro
 
"Na feira de S. Miguel do ano de 1906, como novidade sensacional e como número de invulgar atracção, apareceu o primeiro animatógrafo ou cinematógrafo portuense – o salão High Life – instalado num modesto barracão de madeira coberto de folha zincada, ali mandado construir por Manuel da Silva Neves, que em Novembro desse ano de 1906, depois de terminada a feira de S. Miguel, passou a dar sessões de cinema mudo no largo fronteiro à Torre dos Clérigos, na Cordoaria, onde se conservou bastante tempo e para além da inauguração, em Fevereiro de 1908, do Novo Salão High Life, na Praça da Batalha, do mesmo proprietário." O Tripeiro série VI, Ano X.
Neves Real descreve aquelas memoráveis sessões na Boavista: “Sobre terra estreme, uma fiada de bancos plebeus constituía a “geral”. Seguiam-se-lhe como tribuna de honra, sobre estrado de madeira, as filas de cadeiras a marcar uma distinção e a preservar apropriado acolhimento à “High Life” do Porto que, como a alta roda de Paris, não desdenhou acorrer a extasiar-se perante as “maravilhosas vistas” que a firma Neves & Pascaud lhe oferecia à razão de 130 reis por pessoa e por sessão” Alves Costa diz “Eram quadros e vistas iguais aos que então corriam mundo, Projectada por uma “Pathé”. Cenas captadas sabe-se lá onde mostravam-se em sessões contínuas, das duas da tarde até perto da meia-noite.”
 
 
 
Cinema Batalha - inaugurado em 1947
 
 
Monumento a D. Pedro V – inaugurado por D. Luis I em 3 de Fevereiro de 1866 – obra de bronze de Teixeira Lopes (Pai) e pedestal de mármore de António de Almeida e Costa.
 
 
Rei D. Pedro V
 
 
Rainha D. Estefânia
 
 
D. Pedro V foi um rei muito popular e amigo do Porto. Nascido em 16 de Setembro de 1837, faleceu muito jovem, em 11 de Novembro de 1861. Muito culto e viajado teve um reinado pequeno, mas muito activo e modernizador do país. Viveu grandes dificuldades, desde a cólera mórbus à febre amarela, a que o rei correspondia com constantes visitas aos doentes, o que o tornava muito querido pelo povo, que lhe chamou O Bem-Amado. Foi casado com D. Estefânia de Abril de 1858 a Julho do ano seguinte, que morreu vítima de difteria. Apesar de todas estas calamidades, conseguiu dar ao país uma certa estabilidade política. Introduziu o sistema métrico, inaugurou a linha de comboio Lisboa-Carregado e o primeiro telégrafo. Criou, com sua oferta de 90 contos de reis, o Curso Superior de Letras e ofereceu o espaço, na Tapada da Ajuda, para a criação do Observatório.
Foi um grande admirador da nossa cidade, pois a considerava trabalhadora, séria e com espírito empreendedor. Na sua primeira visita ao Porto foi à Cadeia da Relação onde quis verificar o estado das instalações e todos os presos. Camilo, na sua Memórias do Cárcere escreve:
“O Rei apeara inopinadamente à porta da cadeia.
O carcereiro era um alferes dos veteranos…
… D. Pedro V correu-o com os olhos, e disse:
- Conduza-me às enxovias.
Abriram-se os alçapões dos calabouços… Sua Majestade desceu rapidamente, como se pisasse os tapetes das marmóreas escadarias dos régios paços. À sua chegada uns presos petrificaram, outros ajoelharam, e alguns, voz em grita, pediam a liberdade… Passou Sua Majestade à enfermaria dos presos, e à das presas, em seguida. Na extrema desta há uma porta que se abre para o quarto de uma senhora, que ali estava presa.
- Que é ali dentro?
- Saberá Vossa Majestade – disse o carcereiro – que é o quarto da senhora [D. Ana Plácido].
O rei entrou, e a senhora foi chamada do corredor aonde tinha a seu asilo de trabalho. Com a senhora veio um menino nos braços de sua ama.
D. Pedro V cumprimentou a presa, perguntando-lhe o tempo de sua prisão. Reparou no menino, e acarinhou-o, perguntando-lhe o nome e a idade. A mãe respondeu pela criancinha, e o rei deteve-se a contemplar a infeliz. Ao lado do monarca compungido estava o marquês de Loulé, pensando, porventura, que naquele dia tinha de banquetear-se no palácio de uma irmã daquela encarcerada.
Saiu Sua Majestade e, ao descer as escadas, proferiu as palavras iniciais deste capítulo:
Isto precisa de ser completamente arrasado.”
Também visitou Camilo em seu quarto.
Em 26 de Junho de 1861 D. Pedro V decidiu comprar, a D. Carlota Rita Borges de Morais e Castro, 3ª. baronesa de Nevogilde, o Palácio dos Carrancas e transformá-lo em residência oficial, pois tencionava vir várias vezes ao Porto dado sentir-se cá muito bem. Infelizmente não pôde cumprir a promessa de inaugurar o Palácio de Cristal em 1865. Em 25 de Agosto de 1861 chega ao Porto para inaugurar a Exposição Industrial no Palácio da Bolsa. Visita esta exposição 3 vezes. Aproveitou a sua presença para lançar a primeira pedra do Palácio de Cristal.

 
Ainda se podem ver o antigo Teatro S. João antes do incêndio (1908), a Capela de Nossa Senhora da Batalha, e a futura messe dos oficiais. Os trens estão estacionados à esquerda, como mandava o código até 1928. Fotografia tirada entre 1899 e 1908
 
 
Em 1913 - Vê-se o palacete da Batalha, dos Guedes da Aveleda e o cinema High Life - Sobre o palacete trataremos em local próprio
 
 
Antigo Teatro de S. João - 1798-1908
 
 
Após a reconstrução - 1920 - sobre o teatro S. João trataremos em lugar próprio
 
 
Capela de Nossa Senhora da Batalha - antes de 1924 - sobre esta capela trataremos em lugar próprio.
 
 
Messe dos oficiais
 
 
Cabine telefónica, de que muito bem nos lembramos
 
 
Neste belíssimo edifício da Rua Alexandre Herculano esteve instalada a sede em Portugal da Coats & Clark – a firma instalou-se em Portugal no primeiro decénio do séc. XX.
 
 
 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

DA SUA ORIGEM E ANTIGUIDADE - BATALHA, MURALHA ROMÂNICA E SUAS PORTAS



CAPÍTULO I

DA SUA ORIGEM E ANTIGUIDADE

Trata este primeiro capítulo da origem da cidade do Porto, apresentando várias opiniões inverosímeis que no seu tempo eram motivo de polémica. Destacamos, porém, alguns excertos que nos parecem interessantes:



Pelo que hoje se sabe a História do Porto é muito mais antiga e diferente do que a escrita por ARC.


Painel de azulejos, na estação de Rio Tinto representando a batalha de 824


Em O TRIPEIRO, V série, nº. XIII, a páginas 272 e sguintes, o historiador do Porto Horácio Marçal apresenta várias referências à imagem de N. Sª. da Batalha, mas que se contradizem. Por este facto ele próprio afirma que, depois do seu estudo sobre esta, teria ficado na mesma ignorância. Parece ser uma imagem do sec. XIV, em pedra e que estaria numa antiga capelinha junto à porta de Cimo de Vila ou da Batalha. Em 1793 esta capelinha foi destruída por força da demolição da Muralha e da porta/torre de Cimo de Vila. Em 1799 terminou-se a construção de uma nova capela, com o mesmo nome, muito perto do antigo teatro S. João, e para lá passou a referida imagem. Em 1924 também esta capela foi demolida, para dar mais largura à rua que liga ao Hospital do Terço, e a imagem transferida para a Sé.


Segunda Capela deNossa Senhora da Batalha – 1799/1924


Praça da Batalha entre 1799 e 1908 – Vêem-se a Capela da Batalha e o primeiro Teatro S. João, que ardeu em 12 de Abril de 1908





  
Tinha 4 portas: Nª Senhora de Vandoma, perto da Sé, S. Sebastião, Santana das Aldas, tornada imortal por Almeida Gasrrett e da Mentira, até ao sec. XIV, depois chamada das Verdades.



O burgo velho segundo a planta medieval - maquete na Casa do Infante

 

Nª. Senhora de Vandoma – está na Sé


Arco de Vandoma - Desenho de Joaquim Villanova – 1833 - A porta de Vandoma foi demolida em 1855 por ordam da C.M.P.


Oratório e gravura de S. Sebastião - A Porta de S. Sebastião foi demolida em 1819 por ameaçar ruína


Este arco foi eternizado por Almeida Garrett no seu romance com o mesmo nome. Foi demolido em 1821 por ser muito estreita e não permitir passar carros.


Altar do Arco de Santana no local em que esteve a porta - por cima tem escrito "Santana succure miseris" ( Santana socorre os miseráveis

 Capela, altar e imagem de Nª. Senhora das Verdades 

Capela das Verdades - A Porta ou postigo das Verdades, antes das Mentiras, ficava ao fundo da Rua de D. Hugo, por trás da Sé. Era encimada por um nicho com a imagem de Nª: Senhora das Verdades, muito venerada pelo povo da vizinhança. Quando, no século XIV, foi destruída, os fiéis construíram uma pequena capela onde colocaram a imagem. No retábulo, quatro pequenas pinturas do século XVII, de gosto e traço simples, representam São Domingos, São José, São João Evangelista e Nossa Senhora da Rosa. Ao centro, num nicho, está a dita imagem de Nossa Senhora das Verdades, em calcário de Coimbra, do final do século XVI.


















O facto de se chamar Arco das Verdades faz com que haja quem o julgue ligado à Porta das Verdades. Na realidade este arco fazia parte do aqueduto que levava água para o Mosteiro de S. Lourenço, hoje Seminário Maior do Porto. Esta água provinha da grande nascente de Mija-Velhas, no actual Campo 24 de Agosto, que no seu caminho ia alimentando outras fontes.