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terça-feira, 23 de abril de 2013

RIO FRIO E FONTES QUE ALIMENTA

2.9.3 - Rio Frio e fontes que alimenta



O Rio Frio ou Rio do Carregal nasce nas proximidades da actual Rua da Torrinha, passa pelo Carregal, por baixo do Hospital de Santo António, abastece o Chafariz das Virtudes, a Fonte da Colher, corria ao longo do areal da praia de Miragaia e desagua no Rio Douro por baixo da Alfândega Nova. Hoje está totalmente encanado. – O topónimo Carregal deriva da existência de Carregas, plantas próprias de terrenos pantanosos.


ARC afirma que a fonte deu o nome à Porta das Virtudes da Muralha Fernandina. Sendo esta de cerca de 1376, humildemente nos parece ter sido o contrário, ou o local já anteriormente ser chamado deste nome. 
“Toda esta encosta, por onde corre o Ribeiro Frio, era nos fins do séc. XIV ainda um terreno ermo e baldio, onde os judeus enterravam os seus mortos. A Alameda das Virtudes foi plantada por ordem do grande corregedor Francisco de Almada e Mendonça, entre as ruas dos Fogueteiros, do Calvário de Belomonte e Cordoaria Velha, no lugar onde antes existiu o Postigo e Torre das Virtudes, na Muralha Fernandina. Fica-lhe junta a Fonte de nossa Senhora das Virtudes, mencionada em documento de 1580, e que se chamou também Fonte do Rio Frio…" (Toponímia Portuense de Eugénio Andrea da Cunha e Freitas)
“ No ano de 1619 mandou a Câmara Municipal erguer uma fonte – a fonte do Rio Frio, que mais tarde veio a chama-se Fonte das Virtudes – para o ádito da qual, mandou igualmente abrir uma rua que, por se apresentar sobremaneira declivosa, ficou a denominar-se Calçada… das Virtudes. Foi a fonte mais aparatosa e mais imponente que teve o Porto. O seu frontispício elegantíssimo e de linda arquitectura, termina num meio círculo interrompido pelas armas reais, e entre esta pedra armorial e uma inscrição, tem dois castelos em alto-relevo, divididos por uma edícula, onde esteve a imagem da Virgem – pelo povo conhecida por Senhora das Virtudes – que representava, com os ditos castelos, as armas da cidade. 
(A inscrição, feita em mármore, a que ARC se refere, hoje ilegível, tem do seguinte texto:) “aqui flui a fonte dita das Virtudes: quem tiver sede já pode beber sem receio. Estas águas nasciam de uns penedos cavernosos, e andavam por aqui perdidas em charcos imundos e sombrios. A Câmara Municipal as expôs como vedes, fazendo esta majestosa fábrica e, para lhe dar maior realce, abriu esta estrada e fez estes assentos no ano de 1619” O Tripeiro Série V, Ano XV.


“Em plano baixo, vêem-se ainda as duas carrancas de pedra que faziam de bicas, assim como lajeado polido que servia de fundo ao tanque.” Idem


Pinho Leal, no seu livro Portugal Antigo e Moderno, refere: “causa dó uma obra de tanto preço votada ao abandono, pois há muito que o público não faz uso da água desta fonte, preferindo, por maior comodidade, a do Chafariz das Taipas; e mesmo porque a das Virtudes era mal saborosa. Lá se conservam ainda os dois tanques das lavadeiras, aumentando progressivamente o número destas com o desenvolvimento da cidade. Depois das Fontaínhas, são estes os lavadouros públicos de maior movimento que há hoje (1875, como dissemos) no Porto". 
Horácio Marçal, em 1959 ainda afirma que: ”Desde há compridos anos que o passeio das Virtudes, já não falando da área fundeira onde permanecem as ruínas da fonte – que essa, infelizmente encontra-se num estado calamitoso – deixou de ser frequentado pelas famílias gradas cá da nossa terra. Está, pode dizer-se, num abandono verdadeiramente confrangedor”. Devido a este abandono a zona das Virtudes, em especial a calçada e a fonte, eram muito frequentados por gatunos, malfeitores e prostitutas. 




Desde pelo menos o séc. XIV os portuenses aproveitavam os dias amenos para se deleitarem com as belas paisagens deste local. Dado o agrado dos habitantes daquela zona a Câmara mandou abrir, em 1682, um recinto espaçoso destinado a passeio público. Em 1788, data do relato de ARC, foi construído um paredão, mas tendo sido mal construído em poucos anos se desmoronou. Todavia, por ordem do Corregedor Francisco de Almada e Mendonça, foi reconstruído e é o que ainda hoje existe. 


O Passeio das Virtudes foi, durante os séc. XVII e XVIII o local preferido pelas melhores famílias dos Porto para os seus passeios em dias de Sol. Mesmo nas noites mais amenas tinha movimento.
Horácio Marçal afirma, em O Tripeiro Série V, Ano XV que: “Em Novembro de 1853 o largo fronteiro (ao prédio onde mais tarde esteve o Clube Inglês) foi todo aplanado na sua superfície e resguardado, nos lados Norte e Poente, por um gradil de ferro que subsiste”. 
Na mesma revista “O velho tripeiro F.N.M.J.” descreve esta foto da seguinte forma: “É do Passeio das Virtudes a fotografia que O Tripeiro apresenta no seu número de Maio(de 1948). Arborizado, como se vê na fotografia, tinha pelo Nascente um gradeamento de ferro, com três entradas, que à noite se encerravam. Pelo Poente e Norte tinha o gradeamento, que conserva ainda hoje, e parece ter sido ali colocado afim de evitar sucessivos e trágicos acidentes, que a altura da sua muralha tornava propícios. Com o gradeamento acabou-se a cisma, e ainda bem… Era este recinto pouco cuidado e limpo e, o que era pior, permitia-se que por ali estagiassem vadios e mendigos, catando-se e dormindo por aqueles bancos, o que era de um efeito bastante desagradável. Modernamente foi ajardinado, sofrendo várias modificações que tornaram o local um pouco mais aprazível, o que já não era sem tempo”. 


Foto de O Tripeiro de 1948 – pode ver-se o novo ajardinamento deste passeio e já não existem as grades e portões de Nascente.


O gradeamento na actualidade


Na actualidade


Os quatro Cavaleiros do Apocalipse – 1965 – obra do escultor Gustavo Bastos.


O que sempre se manteve foi o esplêndido panorama sobre a cidade, o rio e o mar.


Fonte da Quinta das Virtudes – foto de F. Afonso – será esta a carranca da Fonte da Natividade e depois de Santa Teresa sobre a qual não encontrámos referência da sua localização actual? 


Fonte do Bicho ou do Borges – Encontra-se na embocadura da Rua de S. Pedro de Miragaia – “No ano de 1821 foi cedida uma pena d'água ao capitão Borges, da Marinha Mercante, com a cláusula expressa na escritura de, à sua custa, mandar construir na frente da sua casa um chafariz para serventia do público.” In O Tripeiro


“A Fonte da Colher ainda funciona, embora não esteja no sítio primitivo. Está agora encaixada, se assim se pode dizer, na fachada de um prédio da Rua de Miragaia, perto das Escadas do Monte dos Judeus. O sítio onde se localiza a fonte, uma espécie de logradouro, ao fundo das Escadas do Monte dos Judeus e das embocaduras da Rua dos Armazéns e da Viela da Companhia, chamou-se, em tempos idos, Escampado, Escampadouro, Largo dos Navios e Largo da Fonte da Colher. A mais antiga referência que se conhece à Fonte da Colher está num documento do cartório do Cabido que se guarda no Arquivo Distrital do Porto e refere-se ao ano de 1491 e diz respeito a um "contrato condicional de censo de 300 reis para aniversários, imposto nas casas que estão em Miragaia sobre a Fonte da Colher… O nome de Colher anda ligado a um antigo tributo que os feirantes pagavam quando vinham vender os produtos da sua lavra à cidade. Pagava-se esse imposto de "todo o pão, farinha, nozes, castanhas e legumes que de fora chegassem ao Porto para aí serem vendidos". É verdade, também, que a sua água foi em tempos considerada "como a melhor em qualidade que teve a cidade". Pode-se avaliar da antiguidade desta fonte pela leitura da legenda, hoje quase imperceptível, que foi gravada na lápide da frontaria "Louvado seja o Santíssimo Sacramento e a Puríssima Conceição da Virgem Nossa Senhora, concebida sem pecado original. 1629. A água d'esta fonte é da Cydade…" In JN – Foi restaurada em 1940.
Porto Antigo 

domingo, 31 de março de 2013

2.8 - RIBEIRAS E PONTES - I

2.8.1 -Ribeiras do Porto 



No Porto, há 66 km de ribeiras, 76% das quais se encontram entubadas (49,7 km), em muitos casos há séculos, como resultado da crescente expansão urbana e consequente artificialização dos ecossistemas fluviais que atravessam a cidade. Começando pelos mais importantes para a nossa antiga cidade, o Rio da Cividade ou da Vila e o Rio Frio, trataremos de alguns outros que os mais velhos ainda poderão recordar. 
Pode ver melhor em www.ribeirasdoporto.pt


Esta planta mostra os dois ribeiros que, junto da Porta de Carros, se unem formando o antigamente chamado Rio da Cividade e, a partir de 1354, Rio da Vila que era, naturalmente, o Porto. O primeiro, nascido no Monte de S. Brás, passa sob Rua de Camões, servia os lavadouros da Trindade, passa por baixo da igreja, da câmara e da Avenida dos Aliados, então Laranjal, lado Nascente da Praça da Liberdade e se une ao segundo em frente à Igreja dos Congregados. Este, nasce na Fontinha passa em Fradelos, Bolhão e sob a actual Rua de Sá da Bandeira. “ O curso do rio da Vila seguia ziguezagueando pelas trazeiras das casas da Rua das Flores, torcendo um pouco abaixo da Ponte Nova para o lado da extinta Rua da Biquinha, a meio da qual, em pronunciada curvatura, flectia para a Rua de S. João e em linha recta dirigia-se ao Rio Douro.” (O Tripeiro, Série VI, Ano VI). Este rio começou a ser encanado quando João de Almada mandou abrir a Rua de S. João, em 1765. Porém, todo o restante corria a céu aberto e era uma fonte de maus cheiros, esgotos e lixeiras, a ponto de haver muitas reclamações dos habitantes da zona. Na Rua da Biquinha havia os Aloques da Biquinha que eram os depósitos de estrume e lixos da cidade, ao ar livre, nas trazeiras das casas da Rua das Flores, que foram fechados pela CMP em 1854. Além disso os tanques dos pelames, tratadores de peles, emanavam um cheiro nauseabundo e escorrências de água suja. Era um foco de doenças e incómodos para os habitantes. Em 1875 a abertura da Rua de Mouzinho da Silveira acabou por encanar o resto deste rio. 


Bacia hidrográfica do Rio da Vila e do Rio Frio


Rio da Vila – Maqueta do Porto medieval na Casa do Infante


Rio da Vila - passa por baixo da Rua de Mouzinho da Silveira



Saída do Rio da Vila por baixo da Praça da Ribeira - A grande quantidade de taínhas que habitualmente se encontra nesta saída leva a que o povo do Porto lhe chame a primeira ETAR da cidade.
Segundo a Toponímia Portuense de Eugénio Andrea da Cunha e Freitas “a nova Rua de S. João, como primeiro se chamou ( e ainda na Planta redonda de Balck, em 1813, tem esta designação), começou a abrir-se em 1765, mas logo surgiram grandes dificuldades e consequentes pleitos por motivo das expropriações, principalmente levantadas pelos senhorios dos prédios enfiteuticos. Resolveu-as El-Rei D. José, em 1769, determinando por alvará régio um processo sumário para tal fim...Ainda em 1784 se cuidava dos alinhamentos da rua. O Padre Agostinho Rebelo da Costa refere-se-lhe já na sua Descrição Topográfica e Histórica da cidade do Porto, em 1789. O nome de S. João foi-lhe dado, cremos, em homenagem a João de Almada. Era, como todos sabem a rua de maior comércio no séc. XIX” 


O Rio Frio ou Rio do Carregal nasce nas proximidades da actual Rua da Torrinha, passa pelo Carregal, por baixo do Hospital de Santo António, abastece o Chafariz das Virtudes, a Fonte da Colher, corria ao longo do areal da praia de Miragaia e desagua no Rio Douro por baixo da Alfândega Nova. Hoje está totalmente encanado. – O topónimo Carregal deriva da existência de Carregas, plantas próprias de terrenos pantanosos.


Rio Frio - encanado


Rio Frio desagua no Rio Douro por baixo da Alfândega Nova


Planta do Couto Episcopal – Rogério de Azevedo –in História do Porto- dirigida por Luis Oliveira Ramos – A, Couto de Cedofeita – ao centro junto do rio, Reguengo – B, Couto da Sé (D. Teresa) – C, Couto da Sé (ampliação de D. Afonso Henriques) – Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura refere que “ D. Dinis, na carta régia com que este coutou a seu irmão D. Afonso a Póvoa de Salvador Aires: “”coutar huma terra he escusar os seus moradores de HOSTE e de FOSSADO, e de FORO, e de toda a PEITA.””

Na História do Porto, coordenada pelo Dr. Oliveira Ramos, podemos ler: “ Em 1113 ou mais provavelmente em 1114, o Porto-sede-episcopal é restaurado por D. Hugo… Com este evento inauguram-se os tempos medievais da cidade. Para trás são as origens. Em 1120, por iniciativa da rainha D. Teresa, é concedido ou confirmado a esse bispo um vasto território, que será couto dele e dos sucessores.” - Pelo mapa acima podemos limitar o couto inicial do Canal Maior ( Rio da Vila) até Rio Tinto e do Douro à Arca d’Água. D. Afonso Henriques estendeu-o até Contumil, Asprela, Monte dos Burgos e Carvalhido.

Tendo-nos referido ao rio da Vila e Rio Frio recordamos que nos séc. XIII e XIV estes rios deram aso a uma renhida e longa disputa entre o bispado do Porto e a realeza. Com o desenvolvimento acelerado da cidade começaram a ser construídas habitações do lado poente do Canal Maior (depois Rio da Vila). D. Afonso III pretendeu “esclarecer” quais os terrenos que tinham sido doados, por D. Teresa, ao Bispo do Porto, pois defendia que estes iam apenas até ao rio da Vila. O Bispo afirmava que o Canal Maior seria o Rio Frio, que fica em Miragaia. Como prova disto o Canal Maior passou a ser chamado Rio da Cividade, depois Rio da Vila, e Canal Maior passou a designar o Rio Frio. A razão desta desinteligência era a grande riqueza que o Porto auferia com as muitas mercadorias aqui movimentadas. Desta forma, cerca de 1249, o Bispo D. Julião Fernandes apropriou-se da zona entre o Rio Frio e o Rio da Vila. Mais tarde, em 1325, D. Afonso IV fundou a Alfândega do Porto dentro do território que o Bispo reclamava. Assim, se deu por terminada esta disputa que terá durado quase um século.


Bacia Hidrográfica da Ribeira de Mijavelhas



1900 -Photo Guedes



Campo 24 de Agosto - 1919

Neste local passava um regato conhecido por Rio de Mijavelhas. O topónimo Mijavelhas, já assim chamado no séc. XIV, é uma designação pitoresca que teve origem, segundo uma antiga tradição, por ser ali que as mulheres se "aliviavam" quando vinham de Valongo e São Cosme à cidade, para vender produtos agrícolas e pão nas feiras de São Lázaro. Tinha, nos términos da actuais Ruas do Duque da Terceira e Morgado de Mateus, “uma ponte com uma largura de 4 metros e assente sobre um arco de granito. Foi mandada construir pela câmara municipal no ano de 1700 com o fim de melhorar o trânsito da estrada Porto-Valongo, que nesse ponto descia até ao riacho e do riacho subia até ao Bonfim. Quer dizer: o rio de Mijavelhas, nesse sítio, corria ao longo de uma pronunciada fundura. Passados 150 anos, ao nivelarem toda a zona do Campo Grande, ficou a ponte soterrada… Na frente do actual casario, quase no ângulo da Rua do Bonfim, havia ainda, abaixo do nível da rua, a Arca d’Água do Poço das Patas, alimentada por aqueduto pela citada nascente com frontispício de pedra encimado por brasão régio.” O Tripeiro, Série VI, Ano XII.


Vestígios arqueológicos da Arca de Água de Mijavelhas – hoje no mezanino da estação de metro do Campo 24 de Agosto – “a Arca do Poço das Patas no ano de 1868 sofreu uma reparação; e, à beira da fonte de duas bicas, construíram um tanque provido de 3 canecas de folha de Flandres, presas por cadeias, para uso dos moradores da vizinhança, que iam buscar água destinada aos usos domésticos. Isto é, só as ditas canecas é que mergulhava no tanque, evitando-se assim, como manda a boa higiene, a conspurcação da água pelo constante submergir das vasilhas, nem sempre limpas… Para Noroeste, nas traseiras do Balneário Municipal, em ponto fundo borbulhava uma copiosa nascente, cuja água alimentava uma fonte de chafurdo ou de afoga caneco, abastecia um lavadouro grande e outros mais pequenos (destruídos em 1899 aquando da peste bubónica); e, em volumoso regato, deslizava para as bandas do Sul com direcção ao Monte do Seminário, onde se despenhava no Rio Douro.” O Tripeiro, Série VI, Ano XII.


Brasão real de D. João III – séc. XVI - Foto de ibotelho; ssilva; tallen –site do Metro do Porto 

Conhece-se a existência da Arca d’Água de Mijavelhas pelo menos desde o séc. XIV. Durante as obras da abertura da estação do metro do Metro do Campo 24 de Agosto foram encontrados muitos vestígios seus, entre os quais um brasão real, que os arqueólogos afirmam ser de D. João III. Alimentava moínhos e regava os campos da área. Em Março de 1882 foi assinado um contrato para abastecimento de água ao domicilio entre a Câmara e a Compagnie Général des Eaux pour l'Etranger. Esta água passou ainda a abastecer fontes do Porto, entre as quais a das Fontaínhas, Batalha, Rua Chã, S. Sebastião na Rua Escura, Chafariz do Anjo S. Miguel e outras. Mais tarde passou a chamar-se Poço das Patas devido às características alagadiças do terreno que originava a formação de grandes poças que as “patas” frequentavam . Em 1833, denominava-se Campo da Feira do Gado porque ali se realizava um mercado de gado bovino; volvidos seis anos ficou Campo Grande. Em 1 de Agosto de 1860 por decisão camarária, foi designado Campo 24 de Agosto. Anos mais tarde, em 1868, o vereador Tomás Joaquim Dias pediu à Câmara que mandasse fazer um estudo sobre os tanques e nascentes, por estarem a ser conspurcados pelos tintureiros.


Bacia Hidrográfica da Ribeira da Granja 
A Ribeira da Granja é o maior curso de água que atravessa a cidade do Porto. Tem 6,5 km. de extensão dos quais 80% estão encanados. A sua bacia hidrográfica ocupa 26% da superfície da cidade. Uma das suas nascentes, a mais a Norte, situa-se nos montados do Padrão da Légua e um outro regato nasce na Arca d’Água. Juntam-se em Ramalde do Meio no local antigamente chamado Lugar do Moínho. Muitos outros pequenos regatos desaguam nela durante o seu percurso. Referida nas memórias paroquiais de Ramalde na divisão administrativa do Porto, no ano de 1758, a Ribeira da Granja é assim citada: “Tem hum regato que comesa nos montados do Padram da légoa, freguesia de Sam Tiago de Costóyas, ele não tem nome particular, recebe aquelle que têm as terras por onde passa. Nasce com muita pouca ágoa, e pello São João athe às entradas de Agosto seca. Nele entra outro regato, aonde lhe chamão de Codiçins, e nasce no lugar do Seixo. Aonde chamão lugar do Moinho, em Ramalde do Meyo, entra outro regato que vem de Arca d’Ágoa, freguesia de Paranhos, e passa pelo lugar da Prelada, desta mesma freguesia. Corre de Norte para Sul. Tem como já se diçe o nome dos lugares por onde passa; no seu princípio chamase regato do Padram, no lugar de Ramalde do Meyo, Ryo do mesmo nome, no Lugar de Ramalde de baixo se chama como o mesmo lugar, e dahi caminha para a freguezia de Lordelo do Ouro. Entra no Ryo Douro, num lugar aonde chamão a Ponte do Ouro.” Teve, através dos tempos e dos lugares onde passa nomes diversos, tais como: Ribeira da Agra, Ribeira de Ramalde, Ribeira de Lordelo, Ribeira de Grijó, Ribeira de Penoucos, Ribeira do Ouro, Ribeira das Naus. A C.M.Porto despoluiu esta belíssima ribeira e, em certos locais onde corre a  céu aberto, recuperou-a. Em certos troços apresenta belas paisagens.


Zona do Polo Universitário da Asprela


Perto da Circunvalação


Rua de Requezende – cheia da Ribeira da Granja


Quinta do Rio – Viso – ao lado do percurso da ribeira


Ramalde do Meio


Entre as Ruas de Grijó e Serralves – Galeria J. M. Bastos – Vêm-se ruínas que supomos terem sido antigos moínhos.


Junto ao Bairro Pinheiro Torres



Desagua no Rio Douro na zona do Ouro - Largo António Calém


Rio Tinto no local da confluência da Ribeira de Cartes - Nas Memórias Paroquiais de 1758 lemos que: “Nesta freguesia de Campanhaã passaão dous regatos, e ambos sem nome; um que vem da freguesia de Rio Tinto e passa pelo meo della a recolherse no Douro por debaixo da Ponte Grande de Campanhaã debaixo; e o outro que principia no Monte das Lagoas, e pella Ponte Pequena de Campanhaã de Baixo … (nasce) no Lugar ou Aldea de Vaguim… saõ inavegáveis pela sua limitaçaõ e estreyteza.”  - Sobre o nome deste rio conta a história que o rei de Cordova Abb-el-Raman veio sobre o Porto para a reconquistar. Porém, o seu exército foi destroçado por Hermenegildo, a quem o rei D. Afonso I de Leão tinha feito Conde do Porto. O campo de batalha foi junto a Campanhã, onde o rio que por ela passa, e tomou o nome de Rio Tinto, pela cor que este levava com o sangue derramado. 


Rio Tinto

Muito mais ribeiras tem o Porto, como se pode ver no mapa inicial. São porém menos importantes e delas pouco falará a História. Podemos referir a Ribeira de Aldoar, que nasce em Ramalde, atravessa o Parque de Cidade, a que já nos referimos, onde alimenta os diversos lagos e desagua ao lado do Castelo do Queijo; a de Nevogilde que também nasce em Ramalde e vai desaguar na praia do Molhe.