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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

RIO DOURO - X

6.1.10 - Das Fontaínhas aos Guindais


As Fontaínhas são um dos melhores miradouros do Porto – 1920



Os rabelos com vela branca levam mercadoria para montante, os de velas pretas levam carvão - 1932


Fonte das Fontaínhas - 1940


Ao fim da tarde - 1950


Lavadouros - 1950


O lugar das Fontaínhas é, desde 1869, um dos mais concorridos na noite de S. João. Em tempos passados a multidão que saía nesta "bendita" noite acabava o seu festejo nas Fontaínhas. Com o passar do tempo muitos outros lugares foram festejando o S. João à sua maneira. A Ribeira enche-se de festejantes e à meia-noite é lançado o fogo-de-artifício. Este já tem muita fama e beleza, a ponto de ser transmitido na TV.  


“…O S. João das Fontaínhas ainda não existia. Só começaria a despontar 35 anos depois (1869), quando um morador do sítio resolveu montar na Alameda uma monumental cascata ao redor da qual se vendia cabrito com arroz de forno, arroz doce e aletria, e café quente com pão com manteiga. Os ranchos que cirandavam pela cidade deslocavam-se ao célebre miradouro para apreciar a novidade e a curiosidade transformou-se em rotina. Os romeiros cantavam:

Abaixai-vos carvalheiras
Com a rama para o chão;
Deixai passar os romeiros
Que vão ver o S. João”. 
 Germano Silva

Cascatas de S. João 

O S. João era a oportunidade dos poetas fazerem quadras, ligadas, em grande parte, ao amor e ao casamento. São conhecidas as quadras, cantadas, que referem as festas nos locais acima, tais como:

- Donde vindes S. João
Com a capa de estrelinhas?
- Venho de ver as fogueiras
Do largo das Fontaínhas

Orvalhadas, orvalhadas, orvalhadas…
E viva o rancho das mulheres casadas.

Na noite de S. João
É bem tolo quem se deita
Todos vão às orvalhadas
Aos campos de Cedofeita.

Orvalheiras, orvalheiras, orvalheiras…
E viva o rancho das mulheres solteiras.

Fui ao S. João à Lapa
Da Lapa fui ao Bonfim;
Estava tudo embandeirado
Com bandeiras de cetim.

Orvalhudas, orvalhudas, orvalhudas…
E viva o rancho das mulheres viúvas.


Esta cascata era montada na fonte que acima mostrámos.


2009

Uma tradição centenária é a cascata do S. João. Nas ruas e nas casas ou seus quintais era obrigatório haver uma. Infelizmente é uma das mais belas tradições que se está perdendo. Os nossos filhos e netos já não as fazem.
Em nossa casa, desde muito pequenos, guardávamos, de ano para ano, algumas figuras imprescindíveis e quando íamos ao Senhor de Matosinhos comprávamos as que eram novidade ou se tinham partido.
Encostado a um muro ou parede construíamos um monte de terra e cobríamo-lo com musgo.
No cimo estava o S. João com o seu cordeiro e pela rampa abaixo figuras como carneiros, pastores, uma banda de música, uma procissão aproveitada do presépio, lavadeiras, vendedeiras e muitas outras figuras típicas em barro. Também não faltava um pequeno lago com uma figura de um pescador. Por vezes era um espelho redondo, muito usado nesse tempo, com publicidade de casas comerciais. O que mais nos divertia era a forma tão entusiasmada com que a construíamos e depois a melhorávamos e limpávamos.
Assim que ficava noite nosso pai e tios traziam algum fogo-de-artifício tal como bichas de rabiar, pirilampos, estrelinhas e outros, pouco perigosos. Mas os momentos mais emocionantes eram o fogo preso, os vulcões e pequenos foguetes que faziam muito barulho e eram muito lindos no ar.
Só nos deitávamos à meia-noite, o que para nós era tardíssimo.



Os pratos mais populares destas festas são as sardinhadas e o cabrito assado.

Para conhecerem melhor as festas de S. João no Porto poderão visitar o nosso lançamento de 5/1/2014, Divertimentos dos portuenses XXXV, festas de S. João.



Depois da extinção da Feira dos Ferros Velhos, em Abril de 1894, houve uma longa espera para a abertura de outra dentro do mesmo género, só que não eram as ferragens o principal produto. Só em 1980 alguns estudantes, por sua livre iniciativa, se encontravam ao sábado de manhã junto da Sé, na calçada de Vandoma, a vender livros e outros objectos usados. Foi tal o sucesso que começaram também alguns comerciantes a vender produtos novos, o que trouxe uma grande animosidade da parte dos comerciantes locais. A CMP impôs taxas de ocupação, o que levou a que se fossem mudando para as Fontaínhas. Ocupou alguns anos o largo em frente à Cadeia de Relação. Tendo sido regulamentada em 2006, esta feira passou a ter uma ocupação paga, por espaços de 6 metros quadrados, mas a venda é exclusivamente de artigos usados. Estende-se pela Calçada da Corticeira até perto do rio.


O largo das Fontaínhas é um dos locais com melhores vistas sobre o Rio Douro, como se vê nas fotos abaixo - Foto de Fernando Pereira


Ponte S. João em construção – 15/10/1989


Pontes Maria Pia e S. João e seu reflexo no Douro – foto José Paulo Andrade - 2014


Cais dos Guindais – Projecto do alargamento do cais e caminho para a Ribeira – Existiu a Fonte das Aguadas, que fornecia a água às embarcações, e que a Junta das Obras Públicas pretendeu melhorar, de forma a que só fosse possível ter acesso pelo rio.


“Após a derrocada, por entre os destroços das casas, rapidamente deflagrou um extenso incêndio que se prolongou durante toda a tarde, reforçando a impressão apocalíptica que se sentia no espírito dos sobreviventes e de tantos outros que se juntaram para ver o desastre. Nem no Douro se estava a salvo. Uma pequena embarcação despedaçou-se, logo depois de ter sido atingida por um rochedo perdido que rolou pela encosta. A ponte de D. Maria II tremeu, expondo toda a sua fragilidade pênsil.
Os bombeiros, a polícia municipal, os estivadores da Ribeira, toda a gente veio ajudar a salvar os vivos e a contar os mortos. Ao todo pereceram quatro ou cinco pessoas, ninguém sabe ao certo, mas, dada a violência e a amplitude da derrocada, a tragédia poderia ter sido muito pior”. 
Texto Blog Avenida dos Aliados 

Outras derrocadas se verificaram, como a de 8/1/1906, em que 6 casas foram destruídas, mas não houve feridos. As únicas mortes foram algumas galinhas que estavam nas capoeiras…


Vista dos Guindais para Nascente - 1900


Cais dos Guindais – 1900 – tinha um grande movimento de mercadorias, sobretudo vinho que parece estar a ser descarregado. Devia ser vinho para consumo no Porto, pois o tratado ia para Gaia.


Foto tirada dos Guindais para Nascente – 1930 – que diferença de movimento de mercadorias de 30 anos antes.


Cais dos Guindais e ponte Luis I

Os cais dos Guindais foram mandados construir em 1784, com o imposto de um real por quartilho de vinho, que já vinha de trás.


Cais dos Guindais – foto Aurélio Paz dos Reis


Cais dos Guindais antes da abertura da marginal


Escarpa do bairro de S. Nicolau


Ponte Maria Pia, varanda das freiras no último cubelo da Muralha e, em cima à direita, o cubelo perto da Porta do Sol.


Muralha Fernandina antes da reparação – Vê-se o edifício que foi o Convento de Santa Clara.


Muralha Fernandina a ser recuperada após a derrocada de 1959 - ao fundo a Igreja do Convento da Serra do Pilar.


Muralha Fernandina e Guindais – foto Francisco Oliveira - por trás da muralha vê-se o Paço Episcopal com a sua característica clarabóia.  


Escadas dos Guindais e a linha do elevador - Foto de Fernando Pedro


Escadas dos Guindais e ponte Luis I


Escadas dos Guindais – capa da revista Life – 1949


Escadas dos Guindais – segundo Eugénio Andrea da Cunha Freitas, guindais poderá significar terreno ou caminho íngreme - foto Francisco Oliveira.


Sobre o elevador dos guindais trataremos em local próprio - Foto de Armando Tavares


Os Guindais e o troço da Muralha Fernandina que acaba no antigo Convento de Santa Clara – belíssima foto recente pois já está construída a estrada marginal. Gostaríamos de saber o autor para  o registar aqui.


Feira na Cordoaria – desenho do Barão de Forrester – 1835 – à esquerda da Torre dos Clérigos vê-se o Recolhimento do Anjo que deu lugar ao Mercado do Anjo, inaugurado em 9/7/1839.

Carta número 10 

O cachão da Baleira é o sítio mais romântico e importante de todo o rio Douro.
Até 1791 um enorme rochedo que aqui fazia cachão, impossibilitava a navegação direita por toda a extensão do rio. Então, Tua era um lugar importante por ser o cais onde se descarregavam os géneros que tinham de ir por terra para cima do Cachão, ou se carrregavam os que vinham da raia e embarcavam para baixo. O rio está actualmente tão seco que nas raízes deste, outrora formidável rochedo, se vêem a meio palmo abaixo de água os buracos das brocas, dos trabalhos do século passado, quando a dez palmos mais acima e outros tantos mais abaixo, o poço tem de 40 a 50 palmos de profundidade. No fragão à esquerda, por baixo de uma coroa imperial, vê-se a inscrição seguinte:


"Imperando Dona Maria I já se demoliu o famoso rochedo que fazendo aqui um cachão inacessível, impossibilitava a navegação desde o princípio à séculos, Durou a obra desde mil setecentos e oitenta até mil setecentos e noventa e um"
Ainda há poucos anos desapareceram uma espada e bandeira que aqui existiam. O insigne geólogo português, Dr. J. Pinto Rebello, (que teve de se expatriar, por não achar meios no seu país) descreve este sítio do Douro nos seguintes termos:
"É precisamente neste ponto, onde outrora existiu a cataracta que se opunha à navegação superior do rio, que termina o país vinhateiro propriamente dito. - É pois a quinta da Valeira, que ultima a demarcação da Companhia Geral, encostada ao grande penhasco de granito por onde o Douro se precipita numa longa e estreita fenda."
O canal do cachão propriamente chamado, tem de comprimento 400 braças, contando do ribeiro de Campeires até ao cais da Baleira. As margens são rocha viva, que não tem menos de 1500 palmos de altura. Abundam aqui pombos bravos e as corujas fazem entoar o seu grito melancólico por todo o sítio.
Na margem esquerda sobre o ponto mais elevado do pinhasco citado, existe a Ermida de S. Salvador do Mundo e Senhora da Penha com todas as suas capelas e passos do Senhor, que não podem ser comparados em importância e extensão com o Bom Jesus de Braga; contudo belíssima que é a vista do senhor do Monte não iguala em magestade e aspecto sublime, a perspectiva que de S. Salvador se descobre. Que sítio este para o artista, para o homem de gosto, admirador da natureza inculta, para o geologista, arqueólogo ou naturalista! Daqui do lado do nascente os castelos de Numão e Anciães, situados em elevados terrenos de granito, conquistam um e outro a uma légua de distância objectos que tornaremos a referir quando concluirmos a nossa viagem pelo rio. Nota-se mui distintamente logo meia légua adiante que acabam os granitos e principiam os xistos e com eles a célebre Quinta do Vesúvio do qual nos ocuparemos quando aqui chegarmos. Pelo lado do norte descobre-se uma grande extensão de terreno montanhoso coroado pelo notável alto da Senhora da Cunha, pelo sul os vales de S. Xisto e Caçarelhes, cobertos de ricos olivais, e na encostada do mesmo monte de S. Salvador vêem-se sítios que serviam de túmulos aos Romanos e mais acima entre as vinhas de terreno de lousa e granito encontram-se provas irrefragáveis de ter aqui havido em outras eras erupções vulcânicas: finalmente, voltando-se o expectador para o poente, logo se admira vendo correr o Douro no primeiro plano entre vinhas, no segundo entre granitos e no terceiro outra vez nos xistos.
Não sendo esta a primeira nem mesmo a vigésima primeira vez que tenho visitado estes sítios não me esqueci que uma pinga do meu bom vinho do Duque do Porto, do Marquês do Pombal, ou antes de D. Maria I (por ela ser a senhora do Cachão) misturado com a deliciosa água da bela fonte que nasce na casinha da - Ermida - acompanhada com um petisco tendo para sobremesa as belas vistas naturais, havia de saber bem; aqui descansei num gozo perfeito, esquecendo-me de amigos e inimigos, dos filhos, parentes, negócios e cuidados; entregue ao novo mundo criado na minha imaginação, à admiração da natureza e dela ao Creador de tudo.
Ah! que satisfação não teria metade dos habitantes deste país se podessem também gozar destas delícias; porém não há estradas, ainda que em S. João da Pesqueira que dista um quarto de légua, se vêem palácios e edifícios magníficos não há comodidades para os viajantes.
Eu digo isto por experiência: passei as últimas duas pontes em uma intitulada estalagem na qual não tivemos luxo, a não ser que a abundância de percevejos à noute e o importe da nossa conta pela manhã, possam assim ser considerados. Quando pedi contas, a resposta do estalajadeiro foi muito galante - fumando o seu cigarro e dando uma cospidela formidável para o meio do chão, disse-me que quanto a contas não se lembrava para as dar por miudo, porém o que tinha a receber que eram dous osberunos.
Perguntei-lhe de que terra ele era - respondeu-me: "Sou de Vila Nova de Foz Côa - A vossa senhoria parece lhe que a conta é grande? Eu também tenho andado pelo país e não me parece muito o que tenho levado!"
Há anos, encontramos no monte de S. Salvador, vestígios de um acampamento e vários tijolos romanos - bem como algumas moedas - pedras de moer pão, ou de pisar terras metálica - porém, Sr. redactor, vamos continuando com as pedras do rio, deixando o monte de S. Salvador para quando tivermos mais vagar.
A descida desta posição elevada até ao cais da Baleira levou-nos um bom quarto de hora. Quando entramos na barquinha tivemos ocasião de gozar as escabrosas margens do poço da Caçarelhos até à Ripança e dai até S. Xisto onde intervêm os xistos e continuam até Arnozelo - aqui tornam a atravessar os granitos pela distância de um quarto de légua - ou até à quinta do Vesúvio, ou das Figueiras, em cujo cais paramos.

Sou de VV.
J. J. Forrester 

Publicada por Porta Nobre à(s) 7/04/2013 “. 

segunda-feira, 17 de março de 2014

VÍVERES QUE ANUALMENTE SE GASTAM NA CIDADE - VIII

3.9 - Frutas e legumes - IV



Depois da extinção da Feira dos Ferros Velhos, houve uma longa espera para a abertura de outra dentro do mesmo género, só que não eram as ferragens o principal produto. Só em 1980 alguns estudantes, por sua livre iniciativa, se encontravam ao sábado de manhã junto da Sé, na calçada de Vandoma, a vender livros e outros objectos usados. Foi tal o sucesso que começaram também alguns comerciantes a vender produtos novos, o que trouxe uma grande animosidade da parte dos comerciantes locais. A CMP impôs taxas de ocupação, o que levou a que se fossem mudando para as Fontaínhas. Ocupou alguns anos o largo em frente à Cadeia de Relação.  Tendo sido regulamentada em 2006, esta feira passou a ter uma ocupação paga, por espaços de 6 metros quadrados, mas a venda é exclusivamente de artigos usados. Estende-se pela Calçada da Corticeira até perto do rio.

Feira de Vandoma – vídeo




Mercado Ferreira Borges – foto de André Pregitzer – Porto Património Cultural da Humanidade de Manuel Dias



Quando mercado da fruta 


Mercado Ferreira Borges - 1976


O mercado Ferreira Borges foi construído entre 1885 e 1888. Foi projectado pelo Eng.º João Carlos Machado, utilizando o ferro fundido e o vidro, tal como o Palácio de Cristal. Foi construído pela Companhia Aliança (Fundição de Massarelos) pelo valor de 70.900.000 reis. Esta empresa foi fundada em 1852. 
Destinava-se a substituir o mercado da Ribeira, mas os comerciantes e o público não aceitaram a mudança, pelo que ficou muito tempo abandonado. Já no séc. XX a CMP pensou adapta-lo a museu ou local de exposições e festas. Também esta hipótese se não concretizou. Dos anos 50 a 70 do século passado foi o principal mercado da fruta da cidade. 
Em 1983, dado o seu estado muito degradado, foi totalmente recuperado. 
Actualmente a CMP alugou-o a uma empresa de divertimentos e eventos. O seu nome pretende homenagear José Ferreira Borges, um dos principais revolucionários de 24 de Agosto de 1820. Mais tarde redigiu o Código Comercial Português e foi um dos fundadores da Associação Comercial do Porto.


Tal como já fizemos com o Mercado do Anjo, antes de tratarmos em mais pormenor do Mercado do Bolhão, vamos mostrar as ruas, indústria e comércio que o rodeiam.




“Por volta de 1880, um imigrante chamado Fassini, tornado indigente pelas guerras em Itália, de que fugira com toda a família, enriqueceu a fazer sonhar o Porto. Não há certezas sobre como acabou, mas o seu bazar de brinquedos importados ainda existe e é o mais antigo de Portugal.
No século XIX, o brinquedo, pela sua natureza lúdica e simbólica dotado de propriedades emocionais extraordinárias, desafiava já as geografias da fantasia e da realidade encantando crianças e adultos…


Rua de Santa Catarina – Natal 1960


Para se falar dos Natais do Porto e do encanto produzido pelo brinquedo em crianças e adultos da época, tem de se invocar a memória dos Fassini, a família que para essa magia mais contribuiu. Afinal foram eles que fundaram o mais cosmopolita negócio de brinquedos da cidade, que além disso se revela, no início da década de 1880, um dos casos paradigmáticos de sucesso num quadro de progresso que era então o da região.
Entre as famílias de diversas nacionalidades que se fixaram no Porto, encontravam-se várias italianas de estratos sociais e económicos diversos, fugidos das convulsões sociais resultantes do processo de unificação italiana, em marcha durante todo o século XIX. Uma das famílias imigrantes mais singulares foi a dos Fassini, que sobreviviam numa pobreza extrema, vivendo nas ruas e pernoitando nas eiras dos arrabaldes da cidade.
Numa primeira fase, Júlio e Maria Fassini, com as duas filhas, Frederica e Angelina, viveriam da mendicidade, percorrendo as ruas do Porto com o seu realejo, que tocava melodias de óperas italianas. Depois Júlio Fassini inicia-se na venda ambulante de brinquedos de barro dourado, que depressa despertam a atenção dos que o observam pelas ruas. Mas é o visconde de Gândara que altera o destino da família, proporcionando a Fassini meios para criar uma casa comercial na Rua de Santo António (a actual Rua 31 de Janeiro), onde acabou por ser instalado o Novo Bazar de Paris, concorrente directo do Bazar de Paris, de José Cierco, já existente na mesma rua. A nova loja conquista para a cidade o universo mágico do brinquedo moderno, que atraía então as multidões, e em particular a burguesia portuense.



Os brinquedos que o inundavam, em particular no altura das compras de Natal, são feitos de madeira, papelão, porcelana, vidro, chumbo ou ferro. Com estes materiais são feitas cornetas, coches com parelha de cavalos, tambores, cavaleiros, bonecas, cegarregas, moinhos de vento, jogos de construção, bichos, móveis e casas para as bonecas, espingardas, raquetas, polichinelos, palhaços, cavalos de baloiço ou de rodas, barcos, bolas, relógios de areia, piorras e piões, papagaios e soldadinhos de chumbo.


Mas é nesta época que surge um novo tipo de brinquedo, destinado em primeiro lugar à classe burguesa portuense fin de siècle. Os brinquedos de luxo destacam--se pela beleza, pelo tamanho e pela originalidade, infantilizando os adultos. É então que surgem as bonecas movidas a molas, por vezes de tamanho natural, as miniaturas de porcelana fina ou os vestidos de seda para bonecas. Aparecem também jogos com maquinismos, lanternas mágicas, jogos magnéticos e de movimento, cordeiros que balem. 


Pelos automóveis, esta foto será dos anos 50 do séc. passado

A singularidade dos brinquedos importados, em que assenta a ideia de Fassini e o investimento do visconde de Gândara, depressa faz prosperar o negócio, de tal modo que em pouco tempo se inaugurara um segundo bazar, na Rua Sá da Bandeira. 
Sobre os Fassini hoje pouco mais se sabe além de que vendeu em 1903 à família Vilas-Boas o bazar da Rua de Sá de Bandeira, que ainda hoje existe na mesma morada e é considerado o bazar de brinquedos mais antigo do país. Também se sabe a partir de testemunhos escritos da época que Júlio Fassini terá regressado rico à Itália natal, onde terá morrido, de novo na miséria. A filha mais velha, Frederica, falece em Milão e a mais nova, Angelina, em Portugal, pouco depois do Natal de 1914. 
Independentemente do destino posterior dos empreendimentos dos Fassini no Porto, o legado da família ao imaginário colectivo portuense é precioso”. In IONLINE – 25/12/2013 – Sérgio Costa Araújo. 



Mercado do Bolhão em construção – Vê-se a Memória a D. Pedro V que foi erigida, em 9 de Julho de 1862, pelos sócios e operários das Estamparia e Fundição do Bolhão em memória das visitas deste rei em 22/11/1860 e 28/8/1861. Foi retirada em 1914 aquando das obras do novo mercado.                 
Está actualmente no cemitério do Prado do Repouso junto do jazigo dos bombeiros falecidos.



Estamparia do Bolhão – fábrica e venda ao público - repare-se que, no início dos anos 20,  já previa o estacionamento de automóveis para os clientes. É uma visão do futuro.


Estamparia do Bolhão – Incêndio de Julho de 1924


 Após o incêndio - foto de CPF


“Pelo Marquês e, longe estava a madrugada, rangiam a estrutura dos carros de bois com a chiadeira aguda, compassada, da fricção do eixo que suportava as rodas. Animais corpulentos de cabeças ornadas com cornos de mais de meio metro de comprimento, cada um, jungidos a cangas decorativas com motivos regionais, puxando a carga de hortaliças e nabos das hortas da circunvalação da Areosa, Rio Tinto para o Mercado do Bolhão na Sá da Bandeira. O Mercado do Bolhão, quadrangular, com alas de lojas no rés-do-chão e um primeiro andar composto de quatro ângulos nos talhos onde se viam pendurados bois inteiros. No exterior que dava para a Sá da Bandeira, Formosa, Fernandes Tomaz e Alexandre Braga havia lojas de calçado. Junto à entrada, do mercado do lado da Fernandes Tomaz instalava-se a mercearia de Valdemar Mota, que foi estrela do F. C. do Porto, e colega de equipa do não menos famoso Artur de Sousa Pinga nos anos 1930/1940.” In Porto Tripeiro.


Inaugurada em 1917


Fundada em 1890


1917


Inaugurada em 1896



Tomando chá



“Na Rua Formosa, em frente ao Bolhão, estabelecidas a Casa Vilares e a Confeitaria do Bolhão frequentadas pela gente abastada do Porto. Nas montras, expostas com bom gosto a doçaria e pastelaria de fabrico próprio cujo cheiro agradável atravessava a porta e chegava ao passeio e às narinas dos transeuntes.” IN Porto Tripeiro.