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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

COLÉGIOS E RECOLHIMENTOS - II

4.1 – Colégio dos Meninos Órfãos - II


Catarina de Bragança – 1638/1705


“Todos os domingos e dias santificados fazia práticas públicas, para instrução e moralidade do povo.
Saía co os meninos pelas ruas da cidade, já a pedir esmolas para eles, já a buscar água que trazia às costas. Com os órfãos ia aos hospitais varrer as enfermaria e cuidar dos pobres repartindo com eles as esmolas que se davam aos seus pupilos. 
Criou no seu aposento dois enjeitados – um de dois anos de idade, outro de 9 meses (este com leite de cabra). Com as mãos trabalhava em franjas, e com o pé embalava a criança, cuidando de ambos, como poderia fazer uma extremosa mãe. À sua caridade e diligência deve a idade do Porto a Casa dos Expostos". In O Tripeiro Volume 2. 


O Tripeiro - Volume 3


Aos Padres Baltazar Guedes e Manuel Rodrigo Leitão se deve a criação da Roda dos Expostos em 1685. Já nos referimos a esta instituição na nossa publicação de 15/6/2014.

A.R.C. escreveu:

Sobre a Roda dos Expostos ver a nossa publicação de 15/6/2014

Tudo que de importante se criava no Porto, a nível social, parece ter passado por este colégio e seu fundador.
No texto inicial de ARC este diz que durante a reitoria deste extraordinário homem colocou 212 órfãos que ingressaram em conventos, 39 sacerdotes, 6 doutorados em leis e cânones, 8 mestres de Teologia, 2 qualificadores da inquisição e um bispo.
Em 1913, data do Volume 3 de O Tripeiro, que temos vindo a consultar, informa que até essa data já 8 bispos, diplomatas, músicos, pintores, escultores, advogados, lentes do Porto e Coimbra, deputados etc. teriam frequentado o Colégio dos Órfãos.

…Além de muito piedoso, Baltazar Guedes era um homem com vários talentos. Tinha fama de ser um bom orador e de ser dotado para os trabalhos manuais, sendo capaz de compor vestimentas, paramentos e ornamentos. Traduziu obras ascéticas e foi autor dos opúsculos a “"Memória das Águas que vêm para as fontes da cidade"” e "”Breve relação da fundação do Colégio dos Meninos Órfãos de Nossa Senhora da Graça, sito fora da Porta do Olival desta Cidade do Porto, em a qual se contém tudo o que na fundação dele sucedeu"”. Colaborou em obras públicas da cidade, como a reparação e regularização de percurso “"do cano da água de Paranhos"” (ainda hoje existente) e, possivelmente, terá sido o autor do projecto da Fonte da Arca, na antiga Praça Nova… 


A 17 de Outubro de 1669, o padre Baltasar Guedes, encarregado pelo Senado de dirigir as obras do arranjo dos encanamentos, escreveu uma Memória das fontes do Porto que nos diz o seguinte quanto ao Manancial de Paranhos:

“Nasce esta fonte distante desta Cidade, para o Norte, mais de hum quarto de legoa: está em arca fechada com uma porta e chave: é quadrada, terá em vaõ vinte palmos, a agoa belissima, bastantemente peitoral: nasce em bolhoenzinhos que brotaõ arca, signal de sua permanencia: he mais de manilha e meia, na Mais: á perto de setenta annos que veio para esta Cidade: houve ao vir grandes controvérsias, assim com aquelle povo, como com o Reverendo Cabido, que ali tem os seus dízimos. Contou esta agoa, the chegar á Rua Nova, cincoenta e sete mil cruzados, e vem tomando muitas voltas […] 
Segundo este, o percurso de abastecimento do manancial de Paranhos, no ano de 1669, iniciava-se na Arca e seguia até à estrada de Viana, alcantilada em arcos, onde havia uma bica de pedra. Dali seguia por campos até à Rua de Cedofeita, onde passava acorrer no subsolo, mas logo subia à superfície em passadiços de pedra, voltando para o subsolo na Quinta que pertencia a António Rodrigues Marques. Seguia até uma pia de pedra, que recebia água da arca dos Padres Bentos, e continuava até à Igreja do Carmo para dirigir-se para o Chafariz da Vila Parda. Depois, descia até uma arca, mandada construir pela Câmara e servia o Colégio dos Meninos Órfãos e o povo. Seguidamente, percorria uma légua e meia sob arcos e no fim continha uma fonte que dividia a água em duas partes: a da direita seguia para o Chafariz da Porta do Olival, e para o repuxo da Ermida do Anjo; a da esquerda passava por baixo da Porta do Olival e chegava até uma travessa que dava para a do Ferraz, onde fornecia três penas de água ao Hospital de Roque Amador, daqui seguia pelo Beco do Ferraz e entrava na Rua das Flores, onde voltava a dividir-se, indo uma das ramificações abastecer o Chafariz abaixo da Misericórdia, e a outra seguia rua abaixo, em dois canos, que fornecia água a uma pia, e seguindo por São Domingos, pela Rua das Congostas até ao Chafariz da Rua Nova” In Tese de mestrado de Diogo Emanuel Pacheco Teixeira

Reedificou a igreja dos Hospital de S. Lázaro. Escreveu, traduziu e fez imprimir alguns livrinhos úteis e devotos, e deixou outros manuscritos. Por ordem de D. Maria II os recolhidos do colégio estavam isentos de propinas na Academia Politécnica.

… O padre Baltazar Guedes faleceu no Porto a 6 de Outubro de 1693, em circunstâncias tão misteriosas que deram origem a uma lenda veiculada por Frei Fernandes da Soledade. Segundo esta história, foi sepultado dois dias após o óbito, pelo facto de, estranhamente, o seu corpo permanecer quente e flexível e as faces coradas. Esta situação só se terá alterado depois de os físicos que dele tratavam terem ordenado aos meninos órfãos que rezassem a S. João de Deus. Por esta altura, um deles terá reparado que uma das fitas empunhadas por Baltazar Guedes se movimentava. Colocou-se um peso na extremidade da fita que, no entanto, não se imobilizou. Puseram-na, então, na cabeça do defunto, que só nesta altura terá deixado escapar os dois derradeiros suspiros.
Ao terceiro dia, o corpo foi colocado no esquife e sepultado na igreja do Colégio dos Meninos Órfãos. O Senado da Câmara providenciou exéquias grandiosas, as quais foram acompanhadas por portuenses de todos os estratos sociais. Baltazar Guedes foi enterrado junto à porta que ligava o Colégio ao claustro, numa campa rasa sem qualquer inscrição. Na parede mais próxima colocou-se uma lápide de mármore com o seguinte epitáfio:
"AQUI JAZ O PRIMEIRO REITOR E
FUNDADOR DESTE COLLEGIO DOS OR-
PHÃOS BALTAZAR GUEDES A SEIS
DE OUTUBRO DE MIL SEISCENTOS
NOUENTA E TRES"
Por testamento datado de 1693 (o terceiro e último dos que redigiu), Baltazar Guedes considerou como seus herdeiros os meninos órfãos. O mesmo documento nomeou o Padre Manoel de S. Bento para sucessor de Baltazar Guedes e o Padre João de S. Pedro para vice-reitor do Colégio…



Antigo seminário ainda destruído pelas baterias miguelistas durante o cerco do Porto


…O dia 4 de Novembro de 1803, data em que foram solenemente inauguradas as aulas da Real de Marinha e Comércio da Cidade do Porto nas casas do Colégio dos Meninos Órfãos, marcou o fim de uma era nesta instituição. A instituição foi temporariamente transferida para a rua dos Mártires da Liberdade, n.º 237 e, em 1899, durante as sessões da Câmara do Porto, foi sugerida a deslocação do Colégio para o edifício arruinado do antigo Seminário do Porto, fundado em 1803 e abandonado dois anos depois (está errado, pois o seminário só foi abandonado em 1832 aquando das guerras liberais e destruído e incendiado pela artilharia miguelista). A planta da nova obra foi apresentada a 30 de Novembro de 1899 e o projecto aprovado a 13 de Setembro de 1900. Apesar de algumas vozes discordantes, as obras tomaram o seu curso normal e no dia 17 de Setembro de 1903 os órfãos já estavam instalados na nova casa, no Monte do Prado. A igreja foi benzida a 31 de Agosto de 1906 e inaugurada a 28 de Outubro do mesmo ano com uma festa dedicada a Nossa Senhora da Graça.” Este texto é um resumo de um site da Universidade do Porto.


Quando, em 1803, é criada a Real Academia de Marinha e Comércio da Cidade do Porto – que incorporava as Aulas de Náutica (1762) e de Desenho (1779) – é encomendado, a José da Costa e Silva, projecto de "...huma Casa no Terreno do Collegio dos Meninos Orfâos, própria para as referidas Aulas, que se vão erigir, e para as duas já creadas...". Carlos Amarante, engenheiro militar e arquitecto, elabora pouco depois, em 1807, dois projectos alternativos em que, contra a sua vontade, o edifício não aparece "a formar hum quadrilátero".


Lado Poente

Colégio dos Órfãos e Igreja de Nossa Senhora da Graça aquando da construção da Academia Real de Marinha e Comércio da Cidade do Porto. As obras no edifício avançariam muito lentamente: era o período das invasões francesas e, posteriormente, das lutas liberais. As instalações então existentes chegaram a servir como hospital militar, durante o prolongado “Cerco do Porto” (1832-33).
Tendo sido criada a Academia do Comércio e Marinha em 1803, pretendeu a Câmara e o reitor reedificar um novo edifício nos terrenos do colégio convictos que seria muito positivo para os órfãos. Porém, verificou-se exactamente o contrário dado que se mantiveram colocados dentro do colégio, em instalações muito reduzidas, com pouca luz e arejamento o que levou a que houvesse muitas queixas.
O engº. Carlos Amarante pretendeu fazer uma construção grandiosa em que os órfãos vivessem no andar superior com comodidade e a construção de uma nova igreja, já que a da Graça estava em adiantado estado de degradação. O terreno do colégio ia sendo invadido pelas obras o que tornou quase impossível a continuação dos órfãos naquele local.


No relatório da Câmara de 1873 lia-se que “os órphãos vivem em casa sem ar e sem luz, parecendo que estão num cárcere ou numa penitenciária!”.
Em 1881 o mesmo vereador da Câmara afirmava “este estabelecimento, edificado em terreno pertencente aos órphãos, e que, segundo o decreto de 9/2/1803, devia ser construído com o fim principal de os beneficiar, tornou-se, no tempo actual, o seu maior inimigo”. Isto 80 anos depois do início das obras!
Tendo sido, o colégio, indemnizado pelo estado, num valor de 58.755$200 reis, mudou para a Rua dos Mártires da Liberdade,137 até que fossem para casa própria.


J. V. Vitória Vilanova, lente substituto de desenho, fixou em 1833 vários aspectos do edifício em construção.


Ainda em obras - antes de 1890


Academia Politécnica ainda sem a arcaria térrea – 1890 - existiam casas de comércio, entre elas, o conhecido Café Chaves, que esteve na Rua D. Pedro e no chalé da Cordoaria.


Dez anos depois já com a arcaria - foto Alvão – 1900

Mesmo depois da criação da Academia Politécnica (1837) as obras ora se arrastavam ora eram mesmo interrompidas; seriam ainda elaborados dois novos projectos (Gustavo Gonçalves e Sousa, 1862, e António Araújo e Silva, 1898), em que a forma rectangular desejada por Carlos Amarante, já é contemplada. As vicissitudes do edifício foram incontáveis, nele coexistindo, numa ou noutra época, o Colégio dos Órfãos, a Academia Politécnica,  a Academia Portuense de Belas Artes, o Liceu Nacional, o Instituto Industrial (antecessor do ISEP; até 1933), a Faculdade Técnica (antecessora da FEUP; até 1937), a Faculdade de Ciências desde 1911, a Faculdade de Economia (até 1974).
O edifício construído acabaria por não ter o contorno pentagonal do primeiro projecto e por corresponder a um programa profundamente alterado. Manteve, no entanto, traços essenciais do neoclassicismo dos projectos de Costa e Silva e Carlos Amarante, elaborados mais de cem anos antes.
Recentemente, o edifício passou a ser ocupado pela Reitoria e Serviços Centrais da Universidade; mas nele permanecem, também, o Museu de História Natural, o Museu de Ciência e o Fundo Antigo, que a Faculdade de Ciências não levou consigo para as novas instalações no Campo Alegre (Pólo 3), e que se constituem como elementos nucleares do património da Universidade.



Museu de zoologia da Universidade do Porto – 1900 – Photo Guedes

sábado, 2 de março de 2013

PRAÇAS DA CORDOARIA E NOVA DAS HORTAS - II

2.5.1 - Praça da Cordoaria - II



No local onde hoje se encontra o Palácio da Justiça, existiu a Capela do Senhor Jesus do Calvário Novo – Segundo Horácio Marçal “a ermida, edificada no séc. XVII conservava um largo alpendre ou galilé (como era uso quase corrente nas capelas rurais) para abrigar das intempéries os inumeráveis fiéis que a ela acorriam… Como  o prédio tivesse ficado novamente vazio foi aproveitado para nele se instalar a Casa ou Roda dos Expostos (portaria de 12/10/1838), que da Rua dos Caldeireiros, onde fora instituída em 1/10/1688 (a instâncias dos Padres Baltazar Guedes e Manuel Rodrigues Leitão) e aqui se conservou até aos primeiros anos do séc. XX".


Desenho de Joaquim Vilanova – 1833 

"Paredes meias (com a ermida) fundaram os frades Antoninos do Vale da Piedade um recolhimento – Hospício de Santo António da Cordoaria – onde anos depois se instalou a "Roda dos Expostos”. Os frades Antoninos vinham para aqui descansar e convalescer, pois o local do convento, perto do Douro, em Gaia, era muito insalubre.
Por decreto de 9 de Julho de 1833 foi criada a Real Biblioteca Pública Municipal do Porto que incluía os 36.000 volumes apreendidos ao bispo D. João de Magalhães e Avelar, os pertencentes aos conventos extintos e outros oferecidos por particulares. Totalizavam cerca de 80.000 volumes.


Dado tratar-se de um escasso e impróprio espaço a Câmara resolveu, com a autorização do bispo transferi-los para o Paço…


…e só em 11/4/1842 passou para o antigo Convento de Santo António da Cidade, no jardim de S. Lázaro. Desenho de Joaquim Vilanova - 1833


Mercado do Peixe – frontaria – à esquerda a antiga Biblioteca Municipal do Porto


“Junto ao Hospício dos Frades Antoninos erguiam-se os celeiros públicos da cidade. Em 1869 começou a construir-se a praça do peixe e fressuras, (no socalco inferior), que veio a ser inaugurada em 1/3/1874 e demolida passados 78 anos (1952)”.


No local do Mercado do Peixe foi construído o Palácio de Justiça, inaugurado em 20/10/1961. Projecto do Arq. Raul Rodrigues de Lima. Frente ao edifício está uma escultura da Justiça, obra do escultor Leopoldo de Almeida.


Rapto de Ganimedes – António Fernandes de Sá –Foi comprado pela C.M.P. em 24/12/1914 e colocado no Campo da República - foi "rerraptado" deste para a Cordoaria, em 2010.


António Nobre – busto de Tomás Costa – inaugurado em 26/3/1927


Estátua de Ramalho Ortigão – Leopoldo de Almeida – 1954 – foto Dias dos Reis

“Em 21 de Agosto de 1954 é inaugurado… o monumento em pedra, ao escritor portuense Ramalho Ortigão… está com a frente – infeliz ideia – voltada para a Cadeia Civil do Porto, o que nos faz crer, pelo recôndito do local, estar ali para assistir, impassível, ao desabamento do dito edifício da Cadeia, ou então, para assistir ao levantamento da demolida e artística Casa da Fábrica, a qual, segundo noticiaram os jornais da época, devia ser reconstruída no gaveto existente entre as Taipas e o Calvário”. In O Tripeiro série VI, Ano II. 
Pelo que lemos acima há que comentar: Actualmente a estátua está colocada junto à Praça Parada Leitão, tendo à sua frente a Igreja do Carmo. Além disso, este texto, levanta o véu sobre o local destinado à reconstrução da belíssima Casa da Fábrica, o que, infelizmente não aconteceu. Onde estarão as sua pedras?


Juan Muñoz – “13 a rir uns dos outros” - 2001 – 4 conjuntos com 13 personagens a rir, sentados em bancadas.


Em 12 de Setembro de 1895 a Companhia Carris de Ferro do Porto fez circular o primeiro carro eléctrico, que fazia a ligação entre a Cordoaria e Massarelos.


Universidade do Porto ainda não totalmente construída – á direita, a entrada do Mercado do Anjo.




“O edifício sede da Universidade do Porto, em pleno centro histórico da cidade, acolhe actualmente a Reitoria e dois museus: o Museu de História Natural e o Museu da Ciência, ambos instituídos em 1996. Construído e remodelado ao longo de mais de um século, nele esteve instalada a Academia Real de Marinha e Comércio (1803-1837) e a Academia Politécnica do Porto, que lhe sucedeu (1837-1911). O primeiro desenho arquitectónico da Academia Real de Marinha e Comércio da Cidade do Porto é da autoria do arquitecto e professor lisboeta José da Costa e Silva (1747-1819) e foi mais tarde revisto por Carlos Amarante (1748-1815), arquitecto autodidacta, engenheiro de pontes, desenhador, gráfico e ilustrador. Em 1911, com a criação da Universidade do Porto, a Academia Politécnica foi desmembrada e parcialmente integrada na Faculdade de Ciências. No edifício da actual Praça Gomes Teixeira, por essa altura designada Praça dos Voluntários da Rainha, instalaram-se a Reitoria, a Faculdade de Ciências com os seus museus e laboratórios, bem como uma Escola de Engenharia, anexa a essa Faculdade. Em 1976, a Reitoria viu-se obrigada a mudar de instalações, tendo ido ocupar o imóvel do antigo Centro de Instrução e Condução Auto do Porto, na Rua de D. Manuel II. O regresso ao edifício de origem deu-se apenas em 2006.” Contudo, as raízes da instituição remontam ao século XVIII e a uma combinação de experiências formativas que viria a projectar-se na futura Universidade, que foram a Aula de Náutica (1762) e a Aula de Debuxo e Desenho (1779).




Lado Norte – Praça dos Voluntários da Rainha


Lado Poente

O espaço pertencia ao Colégio dos Meninos Órfãos que aí se manteve até meados do século XIX. O edifício do Colégio era do tipo conventual, com quatro alas em torno de um claustro, ocupando a igreja (de Nossa Senhora da Graça) o lado Norte.


Lado Sul – após 1911






Na madrugada do dia 20 de Abril de 1974, pelas 4 horas, deflagrou um violento incêndio no edifício sede da Universidade do Porto, na Praça Gomes Teixeira. Ao que tudo indica, o sinistro começou na ala sul do Salão Nobre e ter-se-á propagado a partir do seu tecto, apenas revestido pelo telhado e pelo forro. As chamas avançaram em direcção ao restante telhado e forro, varrendo-os a Poente e Nascente. Deste lado, ficaram imediatamente destruídos os arquivos da Universidade e a Biblioteca da Faculdade de Economia. A primeira estrutura a ruir foi a clarabóia, que encimava a escadaria nobre. A ala norte do edifício, voltada para a Praça de Gomes Teixeira, foi a mais afectada pelo sinistro. O Salão Nobre ficou totalmente destruído, assim como a Sala do Conselho. Os estragos na escadaria ficaram a dever-se à derrocada do telhado. Os dois óleos sobre tela fixados nas paredes laterais do piso nobre, da autoria José Maria Veloso Salgado (1864-1945), foram, também, atingidos pelas chamas. As peças de mobiliário de todos estes espaços ficaram destruídas ou muito danificadas, quer pela acção das chamas, quer pela acção da água utilizada para as combater.