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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

CONVENTOS DE RELIGIOSOS - IV

3.12.2 - Convento de S. Francisco - II


Casa do Despacho dos Terceiros Franciscanos


Armas da Venerável Ordem dos Terceiros de S. Francisco


Cemitério catacumbal

No que diz respeito à Casa do Despacho, cuja planta foi feita por Nasoni, foi construída antes da igreja, no lugar onde existia um albergue para irmãos pobres e o primeiro da cidade para assistência a mulheres. Foi destruída por um incêndio em 1746, tendo sido recuperada ainda no mesmo ano. Actualmente está lá instalado o Museu da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco onde se encontra, no seu subsolo, o cemitério ou catacumbas usado pelos franciscanos para enterrar os membros da irmandade até Novembro de 1845, data da lei de Saúde que proibiu os enterramentos em igrejas. (ver em mais pormenor na publicação de 2/9/2014 – ORDEM TERCEIRA DE S. FRANCISCO)


Palácio da Bolsa – para a sua construção foi autorizada, por D. Maria II, a cobrança de um imposto, na Alfândega do Porto, durante 10 anos. Mas, no fim deste período, foi renovado e ainda era cobrado em 1910. Em todos estes anos teria rendido mãos de 2.000 contos de reis. 


Chafariz que se encontrava no claustro do Convento de S. Francisco e está agora no lado norte do Passeio Alegre.
Temos lido em vários e respeitáveis locais que este chafariz terá sido desenhado por Nicolau Nazoni para a Quinta da Prelada. Porém, desde há muitos anos, nos foi dito e temos lido que este terá vindo do Claustro do Convento de S. Francisco.
O Tripeiro VI série, Ano IX, Junho de 1969, a páginas 188, informa, na secção Efemérides: “30 – 1869 – Fica totalmente montado no Jardim do Passeio Alegre, à Foz, o monumental chafariz que pertencera ao Claustro da Igreja de S. Francisco, recinto que, após o violento incêndio de 24/7/1832, fora cedido à Associação Comercial.”
O historiador portuense Horácio Marçal em O Tripeiro V série, Ano XI, a páginas 341 afirma “O Padre Agostinho Rebelo da Costa, acerca do Mosteiro de S. Francisco, refere o seguinte: o Convento é reedificado de novo, com um magnífico e extenso claustro em quadra, rodeado de elevados arcos de esquadria e no meio um grande chafariz (está hoje no Passeio Alegre, à Foz do Douro), que lança perenes chorros de água, pública e patente a todos os que quiserem aproveitar-se dela. Sustenta este convento mais de 80 religiosos”. Na página seguinte mostra um desenho de Gouveia Portuense com a legenda seguinte: “Chafariz do Convento de S. Francisco (actualmente no Jardim do Passeio Alegre)”. 
O arquitecto Manuel Marques da Aguiar nas suas NOTAS SOBRE O ENQUADRAMENTO URBANO DO JARDIM DO PASSEIO ALEGRE, a páginas 206 escreve: “Ao jardim foram acrescentadas, posteriormente à sua realização, peças de valor cuja localização se fez com bom critério na sua composição final. É de assinalar o Chafariz, originário do Convento de S. Francisco e dois obeliscos que foram deslocados da Quinta da Prelada, da autoria do arquitecto Nicolau Nazoni. O Chafariz está classificado por decreto de 16 de Junho de 1910 e os Obeliscos estão classificados como de Interesse Público por decreto nº. 28536 de 23 de Março de 1938”
Manuela Cunha, Licenciada em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, no seu estudo A Quinta da Prelada descreve pormenorizadamente todas as obras de Nicolau Nazoni que aí existiram e existem, não fazendo qualquer referência ao Chafariz. D. Francisco de Noronha e Meneses legou em 1903 a propriedade à Santa Casa da Misericórdia do Porto, que dela tomou posse em 1904. Não nos parece, portanto, natural que o chafariz tenha sido retirado da quinta e colocado no Passeio Alegre em 1869. Todos afirmam que  autor foi Nicolau Nazoni. 


Projecto de Tomás Soller para a cúpula no edifício do palácio da Bolsa, publicado em 1882.



Pátio das Nações do Palácio da Bolsa - Neste local encontrava-se o claustro e o chafariz do Convento de S. Francisco.


No local do Convento de S. Francisco foi construído no séc. XIX o Palácio da Bolsa. Na foto acima vêm-se os seus telhados. O maior é o Pátio das Nações onde funcionou a bolsa do Porto. (Ver descrição pormenorizada no lançamento de 14/7/2012 – Palácio da Bolsa)


Jarros com motivos do Porto; Palácio da Bolsa e Palácio de Cristal.


Rua Nova dos Ingleses - 1861


Rua Nova dos Ingleses, actual Rua do Infante D. Henrique – gravura do Barão de Forrester – era aqui que se encontravam importantes comerciantes do Porto e se realizaram grandíssimos negócios. (Ver mais pormenores no lançamento de 14/7/2012)

sábado, 14 de julho de 2012

BAIRROS DA CIDADE - V

2.3.1 - Bairro da Sé - V



Carros de bois esperando a sua vez de carregamento.


Segundo a Toponímia Portuense de Eugénio Andrea da Cunha e Freitas “a Nova Rua de S. João, como primeiro se chamou ( e ainda na Planta redonda de Balck, em 1813, tem esta designação), começou a abrir-se em 1765, mas logo surgiram grandes dificuldades e consequentes pleitos por motivo das expropriações, principalmente levantadas pelos senhorios dos prédios enfiteuticos. Resolveu-as El-Rei D. José, em 1769, determinando por alvará régio um processo sumário para tal fim...Ainda em 1784 se cuidava dos alinhamentos da rua. O Padre Agostinho Rebelo da Costa refere-se-lhe já na sua Descrição Topográfica e Histórica da cidade do Porto, em 1789. O nome de S. João foi-lhe dado, cremos, em homenagem a João de Almada. Era, como todos sabem a rua de maior comércio no séc. XIX”  


Esta foto é insólita, pois está ao contrário. Vê-se a R. de S. João á direita e a dos Mercadores à esquerda. ARC trata da Ribeira noutro capítulo, pelo que nós seguiremos a sua sequência.




Gravura de J. Holland (1838) – Inicialmente chamada R. Formosa ou Fermosa por D. João I, R. Nova, R. Nova de S. Nicolau (em 1788), R. Nova dos Ingleses (até 1883), Rua dos Ingleses (até 1890), actual R. do Infante D. Henrique. Deixou de ser Rua dos Ingleses em 1890 como reacção de toda a cidade contra a nação inglesa pelo Ultimato. Nesta gravura pode ver-se: a saída do Viático para assistir a um doente, e o povo ajoelhado; o Paço Episcopal ainda não totalmente recuperado das destruições provocadas pelos miguelistas durante o Cerco do Porto; a Sé ainda com o relógio entre as torres; uma das capelas laterais da Igreja de S. Francisco e o lado Sul do Convento.
Eugénio Andreia da Cunha Freitas escreve: “ Entre os anos 1395 e 1405, mandou El-Rei D. João I, o de Boa Memória, abrir uma nova artéria, para enobrecimento da cidade a que tanto queria, e onde nascera seu filho Infante D. Henrique. Rua Formosa lhe chamou o monarca, “a minha Rua Formosa”… pouco depois começou a denominar-se Rua Nova, tirando o topónimo a outra Rua Nova que de então para cá se passou a chamar Rua Escura. Conservou por muito tempo as duas designações: Rua Formosa (ainda em 1468) e Rua Nova já em 1418… Concentrando-se em volta da Feitoria Inglesa, iniciada em 1785, o principal comércio portuense, realizado então com negociantes britânicos, passou a rua a denominar-se Rua Nova dos Ingleses, designação que tinha já em 1794, depois só Rua dos Ingleses.”


R. Nova dos Ingleses – foto do Barão de Forreester



Rua Nova dos Ingleses – gravura do Barão de Forrester - Antes da construção do Palácio da Bolsa os negócios com estrangeiros, especialmente ingleses, eram realizados a céu aberto.


Esta foto foi tirada entre 1888 e 1900, pois ainda não se tinha erigido a estátua do Infante D. Henrique e já se vê o Mercado Ferreira Borges. Repare-se que o Americano vai, a partir daqui, puxado por 6 mulas para poder subir a R. Mouzinho da Silveira. A designação de "americano" provinha do facto de tais carruagens serem fabricadas nas oficinas estado-unidenses de John Stephenson & Company. Ao fundo está o Palácio da Bolsa, da Associação Comercial do Porto. Começado a construir em 1842.

Do site da Associação Comercial do Porto retirámos o seguinte trecho: “Ao longo de três gerações, grandes nomes da arquitectura, da pintura, da escultura e das artes decorativas contribuíram para a criação de um espólio e um património único no Palácio da Bolsa, verdadeira jóia do estilo neoclássico do séc. XIX, do Arq. Joaquim da Costa Lima ao Arq. Marques da Silva, do Pintor António Ramalho, a Veloso Salgado, António Carneiro ou Medina, de Soares dos Reis a Teixeira Lopes.”


Esta foto mostra o pedestal do monumento ao Infante D. Henrique, mas ainda sem todas as peças em bronze, pelo que deve ser de 1900 ou do ano anterior


 "O espaço de 506 m2 que fora claustro do convento a céu aberto, é hoje o magnífico Pátio das Nações, um hino às relações comerciais, enunciado em tempos de euforia livre-cambista. Em cada uma das quatro faces do Pátio elevam-se seis colunas pompeanas em ferro fundido, destinadas a aliviar as paredes da carga enorme representada pela vasta cúpula metálica, da autoria de Tomás Soller, que recobre todo o átrio. Na base côncava da armação apresentam-se, além do escudo nacional, mais dezanove brasões heráldicos, executados por Luigi Manini, respeitantes aos países com os quais Portugal mantinha as mais estreitas relações de amizade e de comércio.
As quatro cantoneiras que dividem estas pinturas, comemoram datas relevantes para a actividade mercantil desta praça.
Merece também atenção o pavimento desta enorme quadra. Revestido de mosaico cerâmico, desenhado por Tomás Soller, a sua ornamentação, com predomínio de motivos geométricos, inspira-se nos modelos greco-romanos descobertos em Pompeia. O “floor” da Bolsa de Valores do Porto, fundada pela Associação Comercial do Porto, funcionou neste local até meados da década de 90 do século XX." -
De Interacções do Futuro



Salão Nobre da Associação Comercial do Porto. Começado a construir em 15 de Sertembro de 1862, sob o projecto de Gustavo Adolfo Gonçalves e Sousa, só em 1880 ficou concluído, aquando de uma sessão comemorativa do terceiro Centenário de Camões. As formas decorativas são em estuque e madeira e todo o amarelo é folha de ouro. É o salão usado para recepções, concertos e actos importantes. 


Escadaria - Foto arakea.com

You Tube - Palácio da Bolsa
http://www.youtube.com/watch?v=QFLFIEGJEQA



Monumento ao Infante D. Henrique do escultor Tomás Costa – inaugurada em Outubro de 1900 pelo Rei D. Carlos I e D. Amélia – do blog Porto Cidade Invicta


Mercado Ferreira Borges – foto de André Pregitzer – Porto Património Cultural da Humanidade de Manuel Dias





O mercado Ferreira Borges foi construído entre 1885 e 1888. Foi projectado pelo Eng.º João Carlos Machado, utilizando o ferro fundido e o vidro, tal como o Palácio de Cristal.  
O Mercado Ferreira Borges foi construído pela Companhia Aliança (Fundição de Massarelos) pelo valor de 70.900.000 reis. Esta empresa foi fundada em 1852.  Em 1983, dado o seu estado muito degradado, foi totalmente recuperado. Destinava-se a substituir o mercado da Ribeira, mas os comerciantes e o público não aceitaram a mudança, pelo que ficou muito tempo abandonado. Já no séc. XX a CMP pensou adaptá-lo a museu ou local de exposições e festas. Também esta hipótese se não concretizou. Dos anos 50 a 70 do século passado foi o principal mercado de fruta da cidade. Actualmente a CMP alugou-o a uma empresa de divertimentos e eventos. O seu nome pretende homenagear José Ferreira Borges, um dos principais revolucionários de 24 de Agosto de 1820. Mais tarde redigiu o Código Comercial Português e foi um dos fundadores da Associação Comercial do Porto.



Fundição de Massarelos – desenho de F. Lopes - ficava nos terrenos onde hoje está o Museu do Carro eléctrico, o terreno à sua esquerda até à estação de serviço da Repsol.  


LEGENDA DO ANÚNCIO: Máquinas e geradores de vapor – Máquinas hidraulicas – Máquinas agrícolas e industriais – Construções civis - escadas pontes e passarelas – marquizes e quaisquer coberturas metálicas – Projectos de todas as construções – Fundições de ferro e de bronze e de outras ligas de metais – Fundição especial para cabos – candieiros em geral – Abastecimento de águas e respectivos acessórios – Projectos para estas instalações.