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terça-feira, 26 de setembro de 2017

PESTE BUBÓNICA DE 1899 E DR. RICARDO JORGE - II

8.1.15 – Peste Bubónica de 1899 - Dr. Ricardo Jorge, Comerciantes contra o cordão sanitário, Biografia de Ricardo Jorge, Ricardo Jorge e seu laboratório, Cemitério de Agramonte, Ilhas insalubres do Porto


Reunião de comerciantes no palácio da Bolsa para protestar contra o cordão sanitário imposto à cidade, na sequência da peste bubónica, em 1899. – Foto de Aurélio Paz dos Reis

… desenvolviam-se reuniões de protesto e entrevistas na imprensa que criticavam o veredicto de R. J”. In Maria do Carmo Seren - C.P.F.


Os primeiros doentes foram levados para o Hospital de Santo António e isolados dos restantes.
Dada a sua quantidade construiu-se um outro, provisório em madeira, ao lado da Quinta das Goelas de Pau. Daí o seu nome, como ainda hoje o povo lhe chama, embora desde 1914 seja o Hospital Joaquim Urbano.
A principal medida tomada, para isolamento das zonas afectadas foi a proibição de sair e entrar na cidade, tanto pelas vias terrestres como pela fluvial. Para a fazer cumprir, cercaram não só o Porto, mas também um certo número de povoações suburbanas, com um cordão sanitário, constituído por militares armados, tendo entre si uma distância de cerca de 50 metros. O cordão sanitário era completado por um navio de guerra fundeado na Foz.


Deu-se luta aos ratos, dado que as suas pulgas eram o principal transmissor do bacilo, queimavam-se todas as casas onde tivesse havido doentes e tentava-se separar as famílias dos seus doentes.


Montra de estabelecimento comercial em protesto contra a actuação de Ricardo Jorge – foto de Aurélio Paz dos Reis – figura de Ricardo Jorge com uma corda ao pescoço e a frase “faço justiça por minhas mãos”
Dadas estas terríveis medidas, e o grandíssimo prejuízo provocado à indústria, comércio e aos cidadãos da cidade, o povo, ignorante, revoltava-se.


Impõe-se agora uma biografia deste ilustre portuense tão mal tratado pela sua cidade. 

“Ricardo de Almeida Jorge nasceu no Porto, em 9 de Maio de 1858, no seio de uma família humilde. O seu pai era ferreiro na Rua do Almada.


Frequentou com brilhantismo a Escola Médico-Cirúrgica do Porto de 1874 a 1879, tendo concluído, aos 21 anos de idade, a licenciatura em Medicina com a "dissertação inaugural" Um Ensaio sobre o Nervosismo.


In O Tripeiro, Série VI, Ano IV

No ano de 1880 competiu pelo lugar de substituto da Secção Cirúrgica da mesma escola, com a apresentação do trabalho Localizações Motrizes no Cérebro. Uma vez aprovado, deu início à vida profissional na Escola Médico-Cirúrgica, ocupação que conciliava com a actividade clínica. Desde o início da sua carreira que criticou o ensino, a investigação e a medicina praticadas na sua época e tentou ultrapassar o atraso do país nessas áreas, vindo a tornar-se uma figura de topo da Ciência nacional, embora sendo uma personalidade polémica. 
Nos textos que publicou na Revista Científica a partir de 1882, publicação que ajudou a fundar e na qual colaborou continuamente, expressou os princípios positivistas e experimentalistas que perfilhava.


R. J. no seu laboratório – foto Aurélio Paz dos Reis

Em 1883 fez uma viagem de estudo para aprender mais sobre neurologia. Deslocou-se primeiro a Estrasburgo, onde visitou os laboratórios de Anatomia Patológica de Recklinghausen e Waldeyer, e depois a Paris, onde conheceu o neurologista Charcot e assistiu às suas lições. 
Após o regresso a Portugal, e com novas ideias a fervilhar-lhe no espírito, deu início a um curso de Anatomia dos Centros Nervosos e criou o pioneiro laboratório de microscopia e fisiologia do Porto.


Foi director clínico das Termas do Gerês entre 1889 e 1892 

A neurologia foi o seu primeiro domínio de interesse, mas não o único. Também se dedicou à hidroterapia, área na qual desenvolveu experiências sobre os efeitos dos fluoretos alcalinos e sobre águas termais, cujos resultados publicou em vários estudos, nomeadamente sobre as Caldas do Gerês. A Saúde Pública também beneficiou do seu labor, sendo o domínio que o atraiu na sequência da epidemia de cólera de 1883.



Cemitério de Agramonte onde repousam, em campa rasa, os restos mortais de R.J. e sua mulher

Depois da discussão sobre a instalação dos cemitérios no Porto decorrida na Sociedade União Médica, Ricardo Jorge promoveu quatro conferências em 1884 (A Higiene em Portugal, A Evolução das Sepulturas, Inumação e Cemitérios e Cremação), para refutar as autoridades higiénicas que supunham que os cemitérios provocavam a inquinação do ar, do solo ou da água, colocando em perigo a saúde pública. 
As conferências, que lhe conferiram fama e prestígio, vieram a ser publicadas no livro A Higiene Social Aplicada à Nação Portuguesa, que contribuiu para o debate sobre a laicização da morte e é considerado um momento chave do sanitarismo em Portugal.


O Saneamento do Porto de Ricardo Jorge

Na sequência destes acontecimentos, a Câmara Municipal do Porto convidou-o a associar-se a uma comissão de estudo das condições sanitárias do Porto, no âmbito da qual produziu um inquérito sobre as condições de salubridade urbana e o relatório final (O Saneamento do Porto), apresentado em 1888.


Este importante relatório motivou novo convite da Câmara Municipal do Porto, em 1892, desta vez para dirigir os Serviços Municipais de Saúde e Higiene da Cidade do Porto e chefiar o Laboratório Municipal de Bacteriologia. No âmbito destas actividades publicou a série do respectivo Anuário e um Boletim Mensal de Estatística Sanitária do Porto, que fizeram dele o introdutor da moderna estatística demográfica em Portugal.


O Dr. Ricardo Jorge merecia ter o seu nome numa importante rua ou mesmo numa avenida avenida 

O crescente prestígio de Ricardo Jorge contribuiu para a sua progressão na carreira académica. Em 1895 foi indigitado Professor Titular da cadeira de Higiene e Medicina Legal da Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
No decurso do trabalho para a edilidade portuense editou, em 1899, Demografia e Higiene da Cidade do Porto, uma obra onde conjugou o estudo das origens do Porto com dados estatísticos e que serviu de exemplo para muitos trabalhos similares. Ainda hoje é uma obra de referência para todos quantos estudam a história da cidade.


“Ilha do Porto” lugar propício a doenças graves

"De qualquer modo, e apesar da circulação do conhecimento científico e da apropriação deste por parte das autoridades, que o usaram para combater a doença, a urgência das crises epidémicas não era compatível com o maior problema a resolver a longo prazo: a falta de higiene, tanto pessoal como das habitações, especialmente nas cidades. Os rios para onde se atirava tudo eram lugares propícios ao desenvolvimento das epidemias, os pântanos, às febres intermitentes. E se a natureza exalava “miasmas”, as cidades, com as suas habitações pequenas e mal arejadas, tinham sua “atmosfera corrompida” (O Comércio, 6 jun. 1855, p.1). O Porto, em particular, apresentava condições especiais para o desenvolvimento das doenças, por ser uma cidade industrial com uma população de grande mobilidade a viver nas piores condições de salubridade. Apesar das medidas do Estado para melhorar a higiene pública, no final do século XIX os problemas da cidade do Porto persistiam de tal maneira que Ricardo Jorge apelidou-a “cidade cemiterial”. 


Ilha da Travessa das Antas - 1960

Nas suas obras, o professor de medicina aprofundou a questão das ilhas como causa para a proliferação de doenças e epidemias, com especial destaque para a tuberculose (Jorge, 1899). Esse seu trabalho ajudou a influenciar a rainha dona Amélia na criação, nesse mesmo ano, da Assistência Nacional aos Tuberculosos e na construção de sanatórios para os doentes (Almeida, 1995). 
Até no estrangeiro a situação era conhecida: “O Porto tem falta de um bom sistema de canalização e a imundice nos bairros baixos da cidade é indescritível e suficiente para provocar qualquer epidemia. … É agora necessário tomar medidas muito enérgicas, construir novos esgotos ou sem isso o Porto continuará a ser das cidades mais insalubres da Europa” (Diário..., 5 set. 1899, p.1). Em 1918, a situação não melhorara. O mesmo Ricardo Jorge, nesta altura director-geral da Saúde e director do Instituto Central de Higiene, descreveu num relatório oficial a situação das ilhas do Porto perante a epidemia de tifo exantemático: a doença tem como “predilecção as classes ínfimas, mal alojadas, mal tratadas e mal mantidas” (Diário..., 21 fev. 1918, p.1). Nas ilhas do Porto, como nas casas de malta do sul, os operários e os trabalhadores eventuais dormiam à vez na mesma enxerga, em quartos partilhados, sem acesso a água corrente ou saneamento básico. Essa situação não melhorou muito: em 1950, as estatísticas de higiene, das comodidades domésticas e das condições sanitárias das casas em Portugal ainda podiam ser consideradas “calamitosas” (Cascão, 2011a).


Sem dúvida a curva demográfica da população portuguesa só começou a subir significativamente quando os problemas de saúde pública começaram a ser resolvidos, numa conjunção entre políticas de saneamento básico, tratamento de águas, programas de vacinação e higiene escolar e introdução dos antibióticos na vida das populações, especialmente a partir do final da Segunda Guerra Mundial”. IN HTTP://WWW.SCIELO.BR/

segunda-feira, 31 de março de 2014

VÍVERES QUE ANUALMENTE SE GASTAM NA CIDADE - XI

3.9 - Frutas e legumes - VII


Avenida da Boavista, cruzamento com as Ruas de Agramonte e 15 de Novembro. Quando ainda havia plátanos nas laterais e as linhas dos eléctricos traçavam os pneus dos automóveis.


Capela e secretaria do Cemitério de Agramonte

“A 2 de Agosto de 1832, por motivos de ordem estratégica D. Pedro IV deu ordem para queimar e arrasar a importante casa de campo, muros e árvores da bela quinta de Agramonte, uma das mais formosas e produtivas dos subúrbios do Porto. D. Pedro foi pessoalmente levar a notícia, à viúva de Joaquim Pinho de Sousa e apresentar-lhe as suas desculpas, e assegurar-lhe que seria a primeira a ser indemnizada pelo seu justo valor logo que as circunstâncias o permitissem. Afinal parece que tal nunca sucedeu, apesar de repetidos requerimentos do tutor dos menores. Continuou um monte inculto até ser expropriado, em 1855, por uma quantia “miserável” para se construir um cemitério.” – texto coligido por Jorge Rodrigues.
Os cemitérios públicos portugueses foram oficialmente criados em 1835. Em 1855 a situação dos cemitérios no Porto alterou-se radicalmente, já que se deu uma grande epidemia de cólera. As autoridades civis conseguiram fechar os cemitérios privativos que não tinham condições e, paralelamente, mandaram construir, de forma apressada, um novo cemitério municipal: Agramonte.
O cemitério de Agramonte em finais do século XIX, tornou-se o modelo preferido para os cemitérios mais pequenos da cidade do Porto e arredores, sobretudo pelo facto de prestigiadas Ordens Terceiras da cidade terem estabelecido ali os seus cemitérios privativos (Carmo, Trindade e S. Francisco), que rapidamente se encheram de belos monumentos. Sendo assim, os cemitérios do Prado do Repouso e Agramonte são também verdadeiros "museus da morte". A Capela Geral do Cemitério de Agramonte, cuja construção foi aprovada pela Câmara Municipal do Porto em 24 de Maio de 1866, substituiu a capela original que era de madeira e existia desde a inauguração do Cemitério no ano de 1855. 
A planta é da autoria do Eng. Gustavo Adolfo Gonçalves e Sousa, Director e professor do Instituto Industrial do Porto. As obras de construção iniciaram-se em 1870/71, sendo inaugurada em 1874. Esta capela foi posteriormente alterada relativamente á capela-mor, que ficou com configuração redonda, saliente em relação ao edifício. Deve assinalar-se que o projecto da capela-mor, para ampliação da Capela, é da autoria do Arquitecto Municipal José Marques da Silva e datado de 22 de Fevereiro de 1906. 




Interior da Capela do Cemitério de Agramonte


Jazigo Municipal




Capela da família dos Condes da Santiago de Lobão – foto de Teodósio Dias


Jazigo do Conde de Ferreira

Joaquim Ferreira dos Santos (Porto 1782-1866) foi comerciante e filantropo. Tendo conseguido grande fortuna no Brasil e em África, em boa parte pelo tráfico de escravos de Angola para o Brasil, após o seu regresso a Portugal dedicou-se à filantropia. Fez construir 120 escolas primárias e contribuiu com valiosos donativos para a S. C. M. do Porto. Tendo contribuído financeiramente para causa de D. Maria II esta fê-lo conde em 1856. Com a sua herança foi construído um hospital para doentes mentais, que ainda ostenta o seu nome.



Jazigo aos mortos do incêndio do Teatro Baquet, de 21 de Março de 1888


Capela do Bom Sucesso –foto Frederick Flower – 1849-1859


A casa e a Capela da Quinta do Bom Sucesso estão, hoje, integradas no complexo Cidade do Porto


Mercado do Bom Sucesso




Foto de Francisco Oliveira

A Câmara Municipal do Porto contratou a empresa ARS Arquitectos, dos Arquitectos Fortunato Leal, Cunha Leão e Morais Soares, para desenhar um novo mercado municipal para a cidade. O edifício foi projectado em 1949 e as obras iniciaram-se em 1951 sendo o novo edifício marcado por uma arquitectura moderna com uma boa iluminação natural. Foi inaugurado em 1 de Julho de 1952. Tem três pisos, de forma a aproveitar o declive natural da área, sendo bordejado com lojas independentes. Outra particularidade é a separação zonal do mercado, situando-se a peixaria num nível inferior de forma a permitir um melhor arejamento. O primeiro piso contém ainda uma galeria que circunda o mercado na qual podemos encontrar lojas independentes, como talhos e padarias.

Inauguração do Mercado do Bom Sucesso – 28/5/1952 - vídeo



A recuperação arquitectónica esteve a cargo do gabinete de Arquitectura F.A.A (Ferreira de Almeida Arquitectos). Orçada em 10 milhões de euros, a obra começou em Agosto de 2012 e, no dia 14 de Junho de 2013, o Bom Sucesso renovado abriu ao público, com 44 bancas no centro do espaço, 14 lojas nos corredores e 12 espaços dedicados à venda de produtos frescos, localizados por debaixo da zona de escritórios (este volume, construído no interior do emblemático edifício, acolhe a Fundação António da Mota). Do outro lado do mercado foi construído um segundo volume onde se localiza o Hotel da Música, um investimento de 8 milhões de euros do grupo Hoti Hotéis, que conta com 85 quartos, o restaurante Bom Sucesso Gourmet – onde, para além da ementa habitual, o chefe confecciona o que os clientes comprarem no mercado.


Houve mais dois mercados, um no Largo da Aguardente (Marquês) e no Poço das Patas (Praça 24 de Agosto) que foram construídos pela CMP, mas que pouco tempo duraram, pois os moradores dessas zonas não os procuravam para o seu abastecimento. Foram demolidos e o seu material vendido à Câmara de Aveiro que o empregou na construção do mercado da antiga Praça do Côjo.


Aveiro nos fins do século XIX (1890): Largo de Luís Cipriano Coelho de Magalhães, antigo Presidente do Município de Aveiro e pai de José Estêvão. Neste local se realizava a praça de hortaliça e da fruta. À direita, a casa com as Alminhas do Côjo e a barbearia de António de Lemos Júnior.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

BAIRROS DA CIDADE XXVIII


2.3.6 - Bairro da Boavista - III 


Avenida da Boavista, cruzamento com as Ruas de Agramonte e 15 de Novembro. 
Quando ainda havia plátanos nas laterais e as linhas dos eléctricos traçavam os pneus dos automóveis.


Portão e Capela do Cemitério de Agramonte

“A 2 de Agosto de 1832, por motivos de ordem estratégica D. Pedro IV deu ordem para queimar e arrasar a importante casa de campo, muros e árvores da bela quinta de Agramonte, uma das mais formosas e produtivas dos subúrbios do Porto. D. Pedro foi pessoalmente levar a notícia, à viúva de Joaquim Pinho de Sousa e apresentar-lhe as suas desculpas, e assegurar-lhe que seria a primeira a ser indemnizada pelo seu justo valor logo que as circunstâncias o permitissem. Afinal parece que tal nunca sucedeu, apesar de repetidos requerimentos do tutor dos menores. Continuou um monte inculto até ser expropriado, em 1855, por uma quantia “miserável” para se construir um cemitério.” – texto coligido por Jorge Rodrigues.
Os cemitérios públicos portugueses foram oficialmente criados em 1835. Em 1855 a situação dos cemitérios no Porto alterou-se radicalmente , já que se deu uma grande epidemia de cólera. As autoridades civis conseguiram fechar os cemitérios privativos que não tinham condições e, paralelamente, mandaram construir, de forma apressada, um novo cemitério municipal: Agramonte.  O cemitério de Agramonte em finais do século XIX, tornou-se o modelo preferido para os cemitérios mais pequenos da cidade do Porto e arredores, sobretudo pelo facto de prestigiadas Ordens Terceiras da cidade terem estabelecido ali os seus cemitérios privativos (Carmo, Trindade e S. Francisco), que rapidamente se encheram de belos monumentos. Sendo assim, os cemitérios do Prado do Repouso e Agramonte são também verdadeiros "museus da morte". A Capela Geral do Cemitério de Agramonte, cuja construção foi aprovada pela Câmara Municipal do Porto em 24 de Maio de 1866, substituiu a capela original que era de madeira e existia desde a inauguração do Cemitério no ano de 1855. 
A planta é da autoria do Eng. Gustavo Adolfo Gonçalves e Sousa, Director e professor do Instituto Industrial do Porto. As obras de construção iniciaram-se em 1870/71, sendo a planta posteriormente alterada relativamente á capela-mor, que ficou com configuração redonda, saliente em relação ao edifício, o que não estava inicialmente previsto. 


O projecto da capela-mor, para ampliação da Capela, é da autoria do Arquitecto Municipal José Marques da Silva e datado de 22 de Fevereiro de 1906. 


Jazigo Municipal - fotografia de A. Amen



Capela da família dos Condes da Santiago de Lobão – foto de Teodósio Dias


Jazigo dos Conde de Ferreira

Joaquim Ferreira dos Santos (Porto 1782-1866) foi comerciante e filantropo. Tendo conseguido grande fortuna no Brasil e em África, em boa parte pelo tráfico de escravos de Angola para o Brasil, após o seu regresso a Portugal dedicou-se à filantropia. Fez construir 120 escolas primárias e contribuiu com valiosos donativos para a S. C. M. do Porto. Tendo contribuído financeiramente para causa de D. Maria II esta fê-lo conde em 1856. Com a sua herança foi construído um hospital para doentes mentais, que ainda ostenta o seu nome.


Jazigo aos mortos do incêndio do Teatro Baquet, de 21 de Março de 1888



Igreja do Santíssimo Sacramento – Inaugurada em 15 de Maio de 1938, foi obra da paróquia dirigida Mons. António Augusto da Fonseca Soares.


"Esta casa, na esquina da Avenida da Boavista com a Rua de Belos Ares, não foi construída por um qualquer «brasileiro- de-torna-viagem», nem foi propriamente demolida. Foi a morada do banqueiro Manoel Pinto da Fonseca, e destruída por um incêndio, no dia 14 de Outubro de 1926.
Os irmãos Pinto da Fonseca fizeram fortuna como negreiros. Quando regressaram, os dois dos irmãos fizeram carreira como banqueiros. Criaram a casa Fonseca que depois haveria de dar origem ao Banco Fonsecas e Burnay.
Hoje é o Bingo do Boavista...num prédio de Valentim Loureiro...É a vida..." Texto de António Coutinho Coelho.


Avenida da Boavista – à esquerda vê-se o telhado da casa de Boaventura de Sousa – lembrámo-nos muito bem destes plátanos, que foram abatidos para alargar as vias de trânsito, passar as linhas de eléctricos para as laterais e porque as suas raízes levantavam o piso e eram perigosas para os automóveis. Foto dos anos 40 do séc. XX? A casa da direita pertencia à família Chambers.


Palacete Boaventura Rodrigues de Sousa – Construído entre 1895 e 1900 - esteve desocupado de 1910 a 1926. Foi Colégio de Nossa Senhora do Rosário de 1926 a 1958 – Colégio dos Maristas de 1959 a 1991 e actualmente pertence ao BES.



“A primeira referência relativa á área abrangente da freguesia de Lordelo do Ouro, remonta ao século XII, mais concretamente ao ano de 1144. Pertencendo ao julgado de Bouças, Comarca da Maia do Bispado do Porto, Lordelo do Ouro é, por decreto-lei de 26 de Novembro de 1836, integrado no Concelho do Porto. Contava então, com cerca de 2.000 habitantes.Localizada no ponto de contacto entre o rio e o mar, Lordelo do Ouro era tipicamente lugar onde imperavam a marinhagem, a pesca e a construção naval como actividades principais. É de salientar que foi dos estaleiros do Ouro que saíram grande número de Naus da frota que partiu à conquista de Ceuta...


...Este bravo feito está testemunhado pelo monumento situado no Jardim António Calem, de autoria de Lagoa Henriques, que pretende homenagear todos os portuenses que contribuíram paro tal conquista.
A esta actividade marítima deve-se também a construção de monumentos religiosos, como é o caso da Capela de Santa Catarina e a Capela setecentista de Nossa Senhora da Ajuda, construídas em locais elevados, a mando dos marinheiros, seus devotos, de forma a serem avistadas desde a entrada da barra do Rio Douro.” In site da Freguesia de Lordelo do Ouro. 

No século XIX, Lordelo do Ouro assistiu à implementação de algumas unidades industriais de certa importância para a freguesia. Foi o caso da Companhia Portuguesa de Fósforos e da Fábrica de Lanifícios de Lordelo, hoje desactivadas.


Companhia Portuguesa de Fósforos - arquivo do CPF

“Os primeiros documentos oficiais que referem a indústria portuguesa de fósforos datam de 1870, embora se fabricassem, em pequenas oficinas e fábricas especialmente no norte, fósforos de enxofre, antes desta data. Em 1895, saem medidas legais restritivas, de forma a disciplinar o fabrico, provocando o desaparecimento da maior parte delas. Neste contexto, é fundada, por decisão governamental, a Companhia Portugueza de Phósphoros, cujos estatutos foram aprovados por alvará de 16 de Maio de 1895.  Através de uma proposta do político Hintze Ribeiro, foi concedido o exclusivo fabricação e o Estado viabilizou um contrato que acabou por ser assinado pelos accionistas das fábricas de fósforos em Abril desse mesmo ano. O objectivo consistia na exploração exclusiva do fabrico e venda de fósforos em Portugal, através de duas fábricas, uma no Porto e outra em Lisboa, nas quais eram produzidos fósforos de enxofre, integrais e fósforos amorfos ou de segurança, de cera e de madeira. Em 1925, finda a concessão estatal, ou seja, os trinta anos de exclusividade de mercado. A Match and Tabacco Timber Supply Co. adquiriu todo o activo e passivo da Companhia Portugueza de Phósphoros. Criada em 1926, a Sociedade Nacional de Fósforos (SNF) herdou os alvarás da extinta empresa, abrindo duas fábricas, uma em Lordelo do Ouro no Porto e outra no Beato em Lisboa, contando com a participação de 25% do Estado. A sua actividade consistia em dar uma resposta constante à concorrência das outras duas unidades existentes: a Fosforeira Portuguesa de Espinho e a Companhia Lusitana de Fósforos do Porto. Em 1930, a SNF formou uma parceria com a Swedish Match3 que introduziu nova tecnologia na produção da fábrica portuguesa. Segundo o Boletim Estatístico de 1963, a produção das quatro fábricas foi de mais de 16 biliões de fósforos, num valor superior a 100 mil contos, dos quais foram exportados mais de 400 toneladas de valor superior a 12 mil contos. Nessa altura, estavam empregadas nas referidas fábricas mais de 800 pessoas. Esta última deixou de laborar em 1991, encerrando definitivamente em 1993.” In Museu dos Fósforos



Fábrica de Lanifícios de Lordelo

A Fábrica de Lanifícios de Lordelo ou Fábrica de Serralves, actualmente em ruínas, estava localizada  na rua de Serralves, freguesia do Lordelo do Ouro. Foi edificada em 1803, no lugar da Monteira ou Mouteira, por Plácido Lino dos Santos Teixeira. Devido à proximidade da quinta dos frades, alguns autores afirmam que a fábrica teria sido instalada nos edifícios de um antigo convento, mas no processo de licenciamento da fábrica de Plácido Lino dos Santos Teixeira apenas se faz referência aos campos que pertenciam aos frades e dos quais se pede adjudicação. 
Sondagens arqueológicas em 2007 detectaram a existência de três estruturas diferenciadas: Uma fábrica do século XX, uma fábrica do século XIX, a "fábrica de panos" e um reduto militar das guerras liberais, o Forte de Serralves, possivelmente no local da cisterna de abastecimento de água à fábrica do século XX.


O que resta da Capela de S. Francisco Xavier, na Rua de Serralves, em frente à fábrica de Lanifícios de Lordelo.




Palacete dos Viscondes de Vilar d’Allen - Foi mandado construir, nos últimos anos da década de 1920, pelo 3º Visconde de Vilar d'Allen, Joaquim Ayres de Gouveia Allen, para sua residência. O projecto foi concebido pelo arquitecto José Marques da Silva (1869-1947). Em 1991, foi construída, nos seus jardins, a Casa das Artes, projecto do Eduardo Souto Moura.


“Em 1 de Agosto de 1903, um grupo de ingleses e portugueses, mestres e técnicos da fábrica Graham, começaram a chutar uma bola, num terreno da Mazorra, hoje chamado Ciríaco Cardoso. O terreno era demasiado pequeno para o jogo, mas não era possível alargá-lo mais. Passado algum tempo mudaram-se para a Rua da Fonte Arcada, próximo do Bessa. Foi a partir deste momento que começou o verdadeiro entusiasmo pelo jogo da bola, que os ingleses trouxeram de Inglaterra. Forma-se então, um grupo de entusiastas, composto entre outros, por Harry, Chico Bastos, John Jones, Joaquim Ferreira, Manuel Ribeiro, Ângelo Seixas, Ricardo Costa, Frank Jess, Robinson, Holroyd e F. Brindle. Estes, juntamente com outros empregados da fábrica Graham, uniram-se e arrendaram um terreno no Bessa pertencente ao Sr. António Mascarenhas, o qual hoje é designado por Estádio do Bessa. É então formada uma Direcção composta por ingleses e três portugueses, que eram: Pedro Brito, Maximiano Pereira e João Fernandes. Constituída esta Direcção, organizavam-se vários desafios de "Foot Ball". Estava fundado o BOAVISTA FOOTBALLERS. No início de 1905, era já bastante grande o número de sócios ingleses e portugueses, que constituíam o BOAVISTA FOOTBALLERS. Foi nessa Direcção, por parte da fábrica Graham, resolvido não jogar aos domingos, do que resultaram várias desavenças. Os ingleses, como sucede ainda hoje no seu país, não estavam dispostos a realizar os jogos aos domingos, contrariando assim os desejos dos portugueses que pretendiam jogos nesses dias. Numa disputada Assembleia Geral, em 30 de Abril de 1909, reuniram-se todos os sócios para resolver a situação. Procedeu-se então à votação: jogos aos domingos ou jogos aos sábados. Venceram os votantes dos jogos aos domingos. Em face deste resultado, a Direcção inglesa (Graham) desistiu do campo do Bessa ficando a vigorar uma nova Direcção constituída por Pedro Brito, João Fernandes, Domingos Rodrigues, Maximiano Pereira e um senhor de apelido Faria, resultando assim, o BOAVISTA FUTEBOL CLUBE. Deste modo, com a saída dos ingleses, teve de ser feito novo contrato com o proprietário do terreno de jogos, Sr. António Mascarenhas, no qual assim ficou na história como primeiro Presidente da Direcção do Clube."


"A sequência dos equipamentos utilizados foi: 
1.º Camisa preta e calção branco.
2.º Camisa às riscas verticais pretas e brancas e calção preto.
3.º Camisa azul, vermelho e branco e calção preto.
4.º Camisa xadrez, calção preto e meia branca. 
O equipamento axadrezado apareceu quando Artur Oliveira Valença, presidente na altura, proprietário do jornal desportivo "Sports" e promotor de espectáculos desportivos, numa ida a França, observou uma equipa de futebol a jogar com camisola xadrez. Como a mesma respondia às cores preto e branco do Boavista, decidiu fazer a sua introdução no clube como o seu Equipamento oficial, que se mantém até hoje. 
Quanto às instalações, só uns anos depois se viram realizadas as maiores aspirações do Clube, com a inauguração das suas instalações desportivas em local próprio. Em 11 de Abril de 1910, foi inaugurado o campo do Boavista, ao Bessa. Presidiu ao festival o ilustre comandante da Guarda Municipal. O Porto elegante desse tempo, compareceu no Bessa, pelo desejo de assistir pela primeira vez a um jogo de futebol. A colónia inglesa representada em elevado número juntou-se aos seus amigos portugueses do Boavista. Para início da grande festa, apresentaram-se em campo as equipas do Boavista e do Leixões. Deu o pontapé de saída o Sr. António da Costa Mascarenhas, proprietário e presidente do campo inaugurado. Assistiram ao encontro cerca de duas mil pessoas, considerado na altura número de presenças recorde. O resultado seria um empate a três bolas. Integrado neste programa, realizaram-se ainda várias provas de atletismo e, à noite, num hotel, foi servido o banquete. 
É pois, o Boavista Futebol Clube, o mais antigo clube português de futebol, podendo afirmar-se que foi o primeiro clube português a introduzir o profissionalismo, em Janeiro de 1933. Mas a revolução que o facto produziu então no panorama do futebol português, com o clube "axadrezado" a derrotar todos os adversários, como o Benfica e o Sporting, provocou o fim da inovação. Com efeito, em face da sua inferioridade, os outros clubes decidiram boicotar o Boavista, alegando que não podiam jogar contra profissionais. O Boavista, afastado das suas competições oficiais, sem adversários para defrontar, teve de regressar ao amadorismo".



“A evolução do símbolo do Boavista passa por um escudo, rectangular, cujo campo é formado por treze quadrados pretos e doze brancos, dispostos em xadrez, encimado por uma faixa, de cor preta com as iniciais B.F.C., em branco, e uma coroa doirada, igual à que era usada no antigo brasão da Cidade. O escudo significa a muralha contra a qual se quebram o ímpeto e a valentia dos adversários, e a coroa o compromisso de bem honrar esta "Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto".  In Boavista Karate

Assistência ao Concurso Hípico no Campo do Bessa em 1913



Originalmente inaugurado em 1972, o Estádio do Bessa foi reconstruído no início do século XXI, tendo sido palco de três partidas do Euro 2004.