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terça-feira, 25 de março de 2014

VÍVERES QUE ANUALMENTE SE GASTAM NA CIDADE - X

3.9 - Frutas e legumes - VI

Seguindo a opção feita aquando da apresentação dos mercados do Anjo e do Bolhão, vamos apresentar primeiramente os "arredores" do Mercado do Bom Sucesso, que são muito ricos em espaços, serviços e monumentos.


Planta de Teles Ferreira, 1892, desde a Praça da Boavista (Mouzinho de Albuquerque) à Rua João Grave.
Na planta acima pode ver-se, á volta da Praça da Boavista, no sentido dos ponteiros do relógio e começando pelo meio dia, os seguintes locais: Avenida da Boavista; “remise da Boavista” dos americanos. máquinas a vapor e eléctricos; Rua Príncipe da Beira, hoje Rua 5 de Outubro; Estação dos Caminhos de Ferro da Póvoa, hoje um banco; Rua dos Brandões, hoje princípio da Avenida da França; Rua das Valas, hoje de Nossa Senhora de Fátima; Hospital Militar D. Pedro V; Rua de Júlio Dinis, aberta até à Rua da Torrinha; Coliseo Portuense, praça de touros até 1898. 
Na Rua de Agramonte vê-se o Cemitério Ocidental. Quando da sua construção, as principais irmandades do Porto reservaram as zonas onde pretendiam colocar os jazigos dos seus irmãos defuntos. Lêem-se os talhões da Trindade, S. Francisco e Ordem do Carmo. Também se pode ver uma pequena zona destinada aos não católicos. O mesmo aconteceu no Cemitério do Prado do Repouso.



A Praça da Boavista foi, durante muitos anos, local onde se realizaram importantes feiras. A Feira de S. Miguel, talvez a mais importante da cidade, realizava-se em 29 de Setembro na Cordoaria, desde os anos de 1672 a 1876. Por essa época a Câmara deslocou-a para a Boavista. “Prolongava-se esta feira por uns dias (um mês, aproximadamente) e nela apareciam à venda as alfaias agrícolas, os tamancos, os jugos e cangas, os móveis de madeira de pinho em cru, os cestos, varapaus, chapéus de palha, todo género de quinquilharias, louça de barro grosseiro, cereais, muita cebola e muita abóbora, os típicos doces de Paranhos e da Teixeira, as fritadas etc. As barracas de comes e bebes também não faltavam no recinto bem a sim como as diversões. Em matéria de comestível, além das regueifas de Valongo e das nozes, sobrelevavam-se aos restante produtos, as características esperadas, constituídas por carne de porco assada em espetos e vendida ao público espetada num pauzinho. Na feira de S. Miguel do ano de 1906, como novidade sensacional e como número de invulgar atracção, apareceu o primeiro animatógrafo ou cinematógrafo portuense – o salão High Life – instalado num modesto barracão de madeira coberto de folha zincada, ali mandado construir por Manuel da Silva Neves, que em Novembro desse ano de 1906, depois de terminada a feira de S. Miguel, passou a dar sessões de cinema mudo no largo fronteiro à Torre dos Clérigos, na Cordoaria, onde se conservou bastante tempo e para além da inauguração, em Fevereiro de 1908, do novo salão High Life, na Praça da Batalha, do mesmo proprietário. No ano de 1906, a Câmara Municipal anunciou a mudança da feira de S. Miguel para o largo da Arca d’Água. Todavia, os feirantes, de comum acordo e fazendo orelhas moucas, deliberaram tomar de arrendamento um terreno particular na mesma rotunda da Boavista (onde estivera uma praça de touros) e aí continuaram a realizá-la pelo curto período de 2 ou 3 anos”. O Tripeiro série VI, Ano X.  
Foi transferida em 1909 para a Arca d’Água até 1917.
A feira dos criados ou moços e moças da lavoura mudou da Praça dos Ferradores (actual Carlos Alberto) para a Boavista em 1876. Realizava-se duas vezes por anos. Em Novembro para os trabalhos de Inverno e em Abril para os de Verão. Esta feira era muito concorrida. Apareciam os lavradores e os criados que pretendiam trabalho. Havia um diálogo entre eles e quando chegavam a acordo davam um aperto de mão e tomavam um copo de vinho acompanhado de pão ou broa, que era oferecido pelo patrão, seguindo de imediato para os locais de trabalho.
A Praça da Boavista foi ajardinada em 1906 passando o trânsito de veículos a fazer-se à sua volta.


Praça Mouzinho de Albuquerque e Cemitério de Agramonte – foto de Carlos Romão – início dos anos 80 de Séc. XX – ainda se vê a remise dos STCP, onde está hoje a Casa da Música, e o Mercado do Bom Sucesso.


Foto Dias dos Reis


Foto de Rubens Craveiro



Foto de Fernando Pedro

A Guerra Peninsular foi a que uniu os portugueses e os ingleses contra os exércitos de França, de Napoleão Bonaparte, na Península Ibérica, no período de 1808 a 1814. No centro da Praça de Mouzinho de Albuquerque, ergue-se este monumento comemorativo. Da autoria do arquitecto Marques da Silva e do escultor Alves de Sousa, a obra levou muitos anos a ser concluída. Coube à Cooperativa dos Pedreiros o encargo de o erigir, sendo começado em 1909 e apenas inaugurado em 1951. Dada a morosidade da construção e a morte do escultor Alves de Sousa, ainda jovem (38 anos), a obra foi concluída sob a direcção dos escultores Henrique Moreira e Sousa Caldas. É composto por um pedestal, de 45 metros de altura, rodeado de grupos escultóricos em bronze. Estes, representam cenas de artilharia em movimento, podendo ver-se também soldados ingleses que vieram apoiar Portugal e a intervenção das gentes do povo na luta e o desastre da «Ponte das Barcas». De notar a presença do elemento feminino em todos os grupos: no da frente, uma mulher, a Vitória, empunha, na mão esquerda, a bandeira nacional e, na direita, uma espada. Na base tem figuras de soldados e cenas de factos ligados às guerras napoleónicas, em relevos esculpidos no granito. Duas datas podem ver-se em duas frentes da base da coluna: MDCCCVIII e MDCCCIX. A mensagem que estes números transmitem integra-se no espírito regional da estatuária portuense. Entre 1808 e 1809 a cidade esteve ocupada pelo exército de Soult. Assim sendo, o monumento petende homenagear os heróis portuenses que resistiram e venceram este general. No pedestal, estão apostas as armas da cidade. Nos longos anos em que só existia a parte inferior do monumento o povo chamava-lhe o “castiçal” e que ainda lhe faltava a vela!


Na esquina com a Praça de Mouzinho de Albuquerque encontrava-se a casa da família Oliveira e Sá, industriais de cordas, que foram nossos amigos durante largos anos. 


No seu local foi construído, em 1976, o primeiro centro comercial da Península Ibérica, o Brasília. Foi o princípio de uma revolução no comércio a retalho do Porto, pois iniciou um nova visão de comercializar que, aos poucos, quase destruiu o pequeno comércio de loja. Descentralizou a tradicional zona comercial do centro histórico, que muito sofreu com isso. Para esta nova centralidade da cidade na Boavista foi decisiva a abertura da Ponte da Arrábida e da Via de Cintura Interna. A Ponte Luis I era um tremendo estrangulamento da ligação a Gaia, sofrendo diariamente demoradíssimos engarrafamentos. Quando a Ponte da Arrábida foi aberta, e durante alguns anos, quase não tinha movimento. Actualmente sofre do mesmo mal de que sofria a Ponte Luis I nos anos 50 do passado século. Daí a necessidade de se construírem novas ligações nesta zona.



A tourada foi um dos divertimentos preferidos dos portuenses, embora não por muito tempo. Houve, mesmo que episodicamente, várias praças de touros no largo da Aguardente (Marquês de Pombal), Foz do Douro, Rua da Alegria, Serra do Pilar e Coliseu Portuense na Praça da Boavista. Deste, mostramos acima duas fotos. Inaugurado em 28/7/1889 foi demolido no segundo semestre de 1898. Na tourada inaugural os bilhetes custavam o seguinte: Sol, 300 rs; Sombra,600 rs; Tribuna, 1200 rs; Camarotes de Sol, 3.000 rs; Camarotes de Sombra, 4.500 rs. Tinha cerca de 8.000 lugares. O Professor Doutor Ribeiro da Silva informou-nos que: "... a tradição das corridas de touros no Porto é bastante mais antiga do que refere Horácio Marçal. Pelo menos, desde os fins do séc. XVI (provavelmente antes) havia três corridas anuais nas festas respectivamente do Corpo de Deus, de S. Pantaleão (padroeiro da cidade) e de São João. As corridas tinham lugar na Rua Nova (actual Rua Infante D. Henrique) para o que a rua era tapada, improvisando-se ali uma Praça de Touros.  As garrochas (hastes de pau com pontas de ferro farpadas) eram feitas na cidade".




Foto Ricardo Morales.
Na zona onde existiu a praça de touros foi construído o Tabernáculo Baptista. A Igreja Baptista Portuguesa tinha sido organizada de forma oficial no dia 20 de Dezembro de1908. O templo só foi inaugurado a 13 de Fevereiro de 1916. A sua construção foi financiada pelo comerciante inglês Charles Jones, o que influenciou na adopção de uma arquitectura similar à do Tabernáculo Metropolitano de Londres.


A Máquina, acabada de chegar de Matosinhos, junto à remise da Boavista .


A primitiva remise da Boavista onde recolhiam a máquina, os americanos e os eléctricos. Construída em 1874, ardeu em 1928.


Das várias infraestruturas que apoiavam o funcionamento da rede de carros eléctricos do Porto, o local mais importante era a da Boavista. Já desde a abertura da segunda linha de americanos em 1874, se situava aqui a sede da CCFP, a “Companhia de Carris de Ferro do Porto”. A Boavista e a sua mítica remise não abrigava apenas eléctricos, a Boavista era também a casa dos carros de tracção animal e da máquina.
O seu momento mais negro viveu-se em 1928, mais precisamente a 28 de Fevereiro. Nesse dia a remise da Boavista foi destruída por um grande incêndio, onde se perderam vários exemplares de carros eléctricos, dos quais o carro eléctricos (CE) nº 22, (actualmente replicado e em exposição no museu do carro eléctrico), para além das próprias instalações. Posteriormente no mesmo local, onde está actualmente a Casa da Musica, foi construída uma nova remise e novas oficinas com um total de 20 linhas. Por este facto era conhecida como as “Vinte Portas”, havendo mesmo quem as contasse para ter a certeza que este nome era verdadeiro. Foi substituída pela de Massarelos em 1988 e desmantelada em 1999.


Sede dos S.T.C.P. na esquina da Avenida da Boavista com a Rua 15 de Novembro. Hoje encontra-se aqui um grande prédio. 




Casa da Música - Foi projectada pelo arquitecto holandês Rem Koolhaas, como parte do evento Porto Capital Europeia da Cultura de 2001, no entanto, a construção só ficou concluída em 2005. Foi construída no local onde estava a recolha dos eléctricos, na Praça Mouzinho de Albuquerque. O custo inicial previsto para a construção, excluindo o valor dos terrenos, era de 33 milhões de euros, acabando por custar 111,2 milhões de euros e ficando concluída quatro anos depois do prazo inicial previsto.
Foi alvo de uma grande polémica devido ao atraso e ao elevadíssimo desvio no custo de construção. Infelizmente as altíssimas expectativas da Capital Europeia da Cultura foram grandemente frustradas. Obras muito caras e descaractirizadoras em vários locais da cidade, em especial no Jardim da Cordoaria, na Praça da Liberdade e na Avenida dos Aliados. As que não foram começadas ou terminadas “safaram-se” desta hecatombe.
Para este local estava prevista, nos anos 60 do séc. XX, a construção de um teatro municipal.


Estação Ferroviária da Boavista


Máquinas a vapor na estação da Boavista – 1968

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

DIVERTIMENTOS DOS PORTUENSES - XXXI

3.5.10 - Casas de espectáculos - VI


Nesta foto já se vê o Olímpia, pelo que é posterior a 1912. Trás-nos, porém, uma surpresa, que é  o facto do Jardim Passos Manuel, que era pegado ao cinema, ter sido inaugurado em 1908, mas no seu terreno vermos um muro de madeira com a informação de Circo Marian(i)(?). Será que o Jardim Passos Manuel foi inaugurado sem estar concluída a entrada conhecida? Não compreendemos esta foto. Se alguém nos puder esclarecer ficaremos agradecidos. 
Outra curiosidade são os selos. Não são selos postais, mas selos fiscais, pelo que se trata de um recibo,  nessa altura obrigatoriamente selado, de um pagamento de 2.500$00 e que estará passado na parte traseira. 




Este cinema tinha uma particularidade interessante; as portas estavam ao lado dos espectadores e estes saíam directamente para a rua sem atropelos nem aglomeração de pessoas - Foto de Gaspar de Jesus.

“A 18 de maio de 1912 abria, no coração da cidade do Porto, na rua Passos Manuel, o Cinema Olímpia. Na altura chamado "Olympia Kinema Teatro" foi aberto por Henrique Alegria, responsável também pela construção da sala.
Henrique Alegria trabalhou com e para a reconhecida produtora Invicta Films. Muitas foram as estreias no Cinema Olímpia. Em Novembro de 1921, George Pallu, realizador francês, estreia "Amor de Perdição", baseado na obra homónima de Camilo Castelo Branco.
Henrique Alves Costa, importante jornalista e crítico de cinema, acompanhou a evolução do cinema portuense na obra "Alguns Antepassados dos Cinemas do Porto", onde o Olímpia figura como um dos mais importantes. "O melhor testemunho do que foi o Olímpia é, de facto, o que escreve o Henrique Alves Costa, que diz que o Olímpia nos anos 10, 20 e 30 fazia estreias do cinema alemão".



“A sala de cinema tinha lotação para 600 pessoas e, quando abriu, foi noticiado que tinha instalações modernas e luxuosas, com iluminação eléctrica. Mas não foi só de cinema que viveu o Olímpia, onde também tiveram lugar alguns eventos musicais. Como aconteceu com o Cinema Batalha, foi comprado, mais tarde, pela empresa Neves & Pascaud".


"Na década de 80 transformou-se em bingo, "porque o cinema deixou de dar resultados e foi vendido", segundo explica Margarida Neves. Depois dos problemas que os bingos portuenses tiveram nos últimos dois anos, está de portas fechadas, sem perspectivas de futuro”. In JPN


Foto do jornal Público

Esteve abandonado e em degradação até este ano. Há poucos dias foi inaugurada, neste local, uma discoteca “com requinte” que supomos terá uma boa e numerosa concorrência.


Cine Foz – Ficava na Esplanada do Castelo. Inaugurado no princípio do séc. XX, fechou em 1958. Nos anos 40 passei diariamente por esta esplanada, já bastante diferente da foto acima. Fui várias vezes ao Cine Foz não só para ver cinema, era raro, mas para assistir a festas e encontros do Colégio Brotero que aí se realizavam. Já se encontrava bastante deteriorado e com poucas exibições, salvo no Verão. Recordo-me muito bem de dois meus colegas mais velhos, Peter Eizel e Fernando de Azevedo que eram excelentes pianistas. A professora de piano vivia no Passeio Alegre, na casa onde hoje é o Twins e chamava-se Maria Amélia Vilar.

“A Foz do Douro, é no princípio do século (XX) uma já consolidada praia de banhos, dispondo de um teatro (Vasco da Gama) na rua do mesmo nome, e desde 1907, na Esplanada do Castelo, de uma sala de projecção de cinema “Au Rendez-vous d’ Élite”, projectada pelo engenheiro Xavier Esteves”. In blog Do Porto e Não Só
Já lemos algures que este cinema deu lugar ao Cine Foz.




“Inaugurado em 1949, o Cinema Nun’Álvares (localizado na Rua Guerra Junqueiro) foi o último de uma série de espaços (Pedro Cem, Foco, Charlot, Cinema Batalha, Trindade, Terço, Passos Manuel entre outros) a fechar as portas. A ausência de público e a acumulação de dívidas foram fatais para o Cinema Nun’Álvares, restringindo a escolha de sala de cinema, dos portuenses, a um dos ditos multiplexes. Desde esse fatídico mês de Janeiro de 2006, muito foi dito e escrito sobre as já existentes dificuldades económicas da região e a inexistência de uma política cultural coerente, quer a nível local como a nível nacional, de apoio às artes. Mas eis que a aurora se anuncia, graças a um corajoso grupo de empreendedores que acredita na viabilidade económico-social de algo tão “antiquado” como uma verdadeira: Sala de Cinema. O Cinema Nun'Álvares reabriu, em Dezembro último, com a estreia de “Avatar”, dotado de um dos melhores sistemas de projecção digital a nível nacional! Renasce assim a esperança de uma nova era, na projecção de cinema no Porto, num espaço com: óptima localização (perto da Rotunda da Boavista), boas condições (projecção, climatização e larga lotação) e tratamento afável por parte dos responsáveis. Só falta a adesão dos portuenses… Ou talvez já nem isso falte! da cidade e arredores”. In Despertar o Sótão – Janeiro de 2010
Em Março de 2011 voltou a encerrar… até quando?

Este espaço tem para nós um especial sentimento. Nos anos 50 pertencíamos a um numeroso grupo de amigos do bairro de Guerra Junqueiro, nessa altura muito “refinado” que até era chamado de “bairro holivóde”, que muitas noites passeava pelas ruas conversando e divertindo-se sadiamente. Por vezes, ao sábado à tarde, e quando havia algum dinheiro, comprávamos 20 ou 30 bilhetes para o Nun’Alvares e lá íamos passar umas agradáveis horas. Este cinema era dos que levava melhores filmes, na cidade do Porto. Recordámo-nos de aí assistir a “O Homem que sabia demais” de Alfred Hitchkok, A Marabunta (filme sobre a destruíção provocada pelas formigas) etc…
Por isso foi com certa saudade que soubemos do seu encerramento. 

Doris Day canta “Que sera, sera" do filme de Hitchkok


Cine-Teatro Victória – Recordamo-nos deste cinema, à entrada do Porto, de quem vinha de Valongo, em Rio Tinto. Era nos tempos em que o cinema era muito frequentado. Mais tarde lemos que foi invadido pela PSP por se ter tornado um local de jogo ilegal. Depois de abandonado foi nesse terreno construído um prédio de habitação.

Cinemas do Porto 




Casa da Música - Foi projectada pelo arquitecto holandês Rem Koolhaas, como parte do evento Porto Capital Europeia da Cultura de 2001, no entanto, a construção só ficou concluída em 2005. Foi construída no local onde estava a recolha dos eléctricos, na Praça Mouzinho de Albuquerque. O custo inicial previsto para a construção, excluindo o valor dos terrenos, era de 33 milhões de euros, acabando por custar 111,2 milhões de euros e ficando concluída quatro anos depois do prazo inicial previsto.
Foi alvo de uma grande polémica devido ao atraso e ao elevadíssimo desvio no custo de construção. Infelizmente as altíssimas expectativas da Capital Europeia da Cultura foram grandemente frustradas. Obras muito caras e descaractirizadoras em vários locais da cidade, em especial no Jardim da Cordoaria, na Praça da Liberdade e na Avenida dos Aliados. As que não foram começadas ou terminadas “safaram-se” desta hecatombe.
Para este local estava prevista, nos anos 60 do séc. XX, a construção de um teatro municipal.


Alfredo Nunes de Mattos (1875-1946)


Henrique Alegria no escritório da Invicta Film




Determinante para a produção documental, nos primórdios da República, a Invicta Film foi fundada no Porto, em 1912, por Alfredo Nunes de Mattos, gerente do Jardim Passos Manuel desde 1908
De entre a vasta produção desta fase da Invicta Film, podem salientar-se títulos como Exercícios dos Bombeiros Municipais do Porto, Monoplano “Commet” ou Festas da Aviação em 1912, Visita ao Porto do Presidente da República ou Exercícios de Artilharia, de 1914, Chaves, Incursões Monárquicas, Plácido de Abreu Treina-se ou Naufrágio do “Silurian”, no ano seguinte, e Expedição Militar a Angola ou Expedicionários em Campanhã, de 1917.




Avião biplano Farman Marice que subiu no Porto em 8/9/1912 -  Sobre este acontecimento trataremos em pormenor em local próprio.  

Cinemateca Portuguesa – semana da aviação – 1912




Naufrágio do Veronese e salvamento dos passageiros. Sobre este acontecimento trataremos mais pormenorisadamente em local próprio. 

Um dos registos mais espectaculares da Invicta - pela dimensão da ocorrência e pela divulgação do documentário no estrangeiro - foi o naufrágio do “Veronese”. Mais de uma centena de cópias circulou por vários países europeus e pelo Brasil deste desastre ocorrido a poucos metros da costa, em frente da Boa Nova, perto de Leixões, a 10 de Fevereiro de 1913. 
O Veronese tinha 300 metros, dimensão inusitada para a época. Este tipo de filme, poucos dias depois, já se encontrava em exibição nas mais prestigiadas salas do país, com o merecido destaque. Mas não foi só este título que a Invicta levou ao estrangeiro, já que Nunes de Mattos era o correspondente dos jornais de actualidades da Gaumont e da Pathé, que desse modo difundiam com regularidade temas nacionais.

Naufrágio do Veronese
http://www.cinemateca.pt/Cinemateca-Digital/Ficha.aspx?obraid=2637&type=Video


George Pallu - realizador

Em 1918, sob os nomes responsáveis de Alfredo Nunes de Mattos e Henrique Alegria, uma primordial Invicta Film surgia no Porto, a ela se devendo o mais significativo investimento industrial, durante o cinema mudo. Personalidade decisiva no arranque da sua actividade, foi o cineasta francês Georges Pallu, que em 1918 se iniciou entre nós - paralelamente à produtora - com Frei Bonifácio, fita de características experimentais, a partir de um conto de Júlio Dantas. 
Sobre uma novela de Manuel Maria Rodrigues, A Rosa do Adro (1919) de Pallu correspondia ao lema da Invicta - ainda sem instalações cénicas, nem estruturas técnicas - que investiu dez contos de reis, propondo: «Romance Português - Filme Português - Cenas Portuguesas - Artistas Portugueses», segundo a organização publicitária por Raul de Caldevilla. 
Em 1920, cumpria-se a vocação determinante da Invicta, para uma execução contínua de filmes com entrecho, sob dois vectores essenciais: por técnicos estrangeiros, com artistas nacionais. Assim, ficava concluída a construção de um complexo no Carvalhido - envolvendo estúdios e laboratório, escritórios e armazém, central eléctrica e dependências afins. 

No segundo ano em Portugal, com Os Fidalgos da Casa Mourisca segundo Júlio Diniz, Pallu formalizava a ênfase sobre a transposição de obras literárias, pela Invicta, que assim inaugurava as suas instalações laboratoriais, únicas na Península Ibérica, tal como a aparelhagem técnica. Em 1921, sobre o clássico de Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição teve um orçamento de 95 contos, com rodagem nas Beiras e Universidade de Coimbra.
Sobre o conto A Frecha de Misarela de Abel Botelho, o cineasta italiano Rino Lupo fez prova de qualidade com Mulheres da Beira (1921), cujo período dilatado de rodagem (Setembro a Novembro) originou reparos, quanto à rigorosa gestão da Invicta. Em 1922, António Pinheiro - professor do Conservatório Nacional e habitual protagonista em filmes da Invicta, que Henrique Alegria entretanto abandonara - lançou-se como realizador de Tinoco em Bolandas. 

Em 1923, a Invicta alterou radicalmente perspectivas e temáticas, cedendo a uma produção artificiosa e cosmopolita, segundo requisitos internacionais que visavam outros mercados no estrangeiro. O capital foi quadruplicado para seiscentos contos, seguindo-se um importante reequipamento técnico. No cinedrama Cláudia, Pallu dirigiu Francine Mussey, uma vedetinha em França, onde estreou como Mademoiselle Cendrillon. 
No entanto, a crise económica ensombrava uma dispendiosa gestão de recursos - quanto aos crescentes problemas estruturais, por compromissos bancários. Em 1924, a Invicta Film cessou actividade com A Tormenta, de Pallu. O juro de um capital imobilizado durante meses paralisara a administração, incapaz de superar as deficiências de distribuição e estreia. 



Aos 104 anos – foto Grande Ecran


“Manoel Cândido Pinto de Oliveira (Porto, 12 de Dezembro de 1908) é um cineasta português, que é tido como o mais velho realizador em actividade no mundo, com trinta e duas longas-metragens. Manoel de Oliveira é originário de uma família de industriais abastados. O seu pai foi o primeiro fabricante de lâmpadas em Portugal. Maioritariamente educado num colégio de jesuítas na Galiza, viveu a adolescência sonhando tornar-se actor. Aos vinte anos ingressou na escola de actores do cineasta italiano radicado no Porto, Rino Lupo, um dos pioneiros do cinema português de ficção. Quando entretanto viu o documentário Berlim, "Sinfonia de uma Cidade" de Walther Ruttmann, decidiu fazer um filme desse género sobre a cidade do Porto, um documentário de curta metragem sobre a actividade fluvial no Rio Douro, na zona ribeirinha da sua cidade natal: Douro, Faina Fluvial (1931). Este filme seria o primeiro documentário entre várias primeiras obras que abordariam, de um ponto de vista etnográfico, o tema da vida marítima da costa de Portugal: Adquiriu entretanto alguma formação técnica nos estúdios alemães da Kodak e, mantendo o gosto pela representação, participou como actor no segundo filme sonoro português, A Canção de Lisboa (1933), de Cottinelli Telmo. Só mais tarde, em 1942, se aventuraria na ficção como realizador: 

Aniki Bóbó, um retrato de infância ilustrado por crianças do Porto. O filme foi um fracasso comercial e só com o tempo iria dar que falar”. In Sapo Saber

Dedicou uma boa parte da sua juventude ao desporto em várias modalidades. Ainda nos recordamos de o ver correr em automóveis no Circuito da Boavista, onde o seu irmão Casimiro teve um grave acidente. É o mais velho realizador do mundo e ainda há pouco tempo se dispunha a realizar outro filme, já com 105 anos de idade!


Douro, faina fluvial - 1931

Versão de 1984 – feita pelo autor


Filme de Manoel de Oliveira – 1942

«A história é simples, real, ambientada no mesmo cenário de Douro, Faina Fluvial a zona ribeirinha do porto e Gaia. Dois garotos, o Carlos e o Eduardo, gostam da mesma miúda, a Teresinha. Um é audacioso, brigão, atrevido; o outro é tímido, bom, sossegado. A rivalidade vai-se acentuando e, um dia, para agradar à sua (namorada), Carlos rouba, uma boneca. Teresinha sente-se inclinada para ele até que um dia, numa inocente brincadeira, Eduardo escorrega por um talude e cai ao lado de um comboio que passa. Todos pensam que Carlos o empurrou e todos passam a afastar-se dele, enquanto Eduardo sofre numa cama de hospital. Carlos pensa fugir num barco ancorado no cais de Massarelos mas tudo se esclarece por intervenção do dono da "loja das tentações" que vira o acidente e que, no final tira todas as suspeitas de cima de Carlos. E os garotos poderão de novo jogar aos polícias e ladrões, ao jogo do Aniki-Bobó». - Por Luís de Pina in Breve História do cinema Português.
Recordamo-nos que, quando vimos este filme, ficámos muito impressionados e na cena da queda para a linha o susto foi tal que até chorámos. No entanto gostámos muito da história e admirados com a interpretação dos pequenos actores, pouco mais novos do que nós. 

Aniki – Bobó - vídeo

Entrevista com os protagonistas, com 80 e 70 anos - delicioso!
http://www.youtube.com/watch?v=iOQId55xJJg

Filme completo
http://www.youtube.com/watch?v=HzPJU3vTjNs

O Pintor e a Cidade - 1956




Hipólito Duarte – fundador do CCP - 1946


Primeira sessão do CCP em 23/3/1946 no Grupo Recreativo “Os Modestos”


Questionário aos sócios 

Cine Clube do Porto - história