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domingo, 24 de janeiro de 2016

RIO DOURO - AFLUENTES - IX

6.2.9 - Rio Douro - Afluentes - Rio Tâmega III - Marco de Canaveses - Tongóbriga 



"O topónimo principal "Marco de Canaveses" é composto por dois elementos, sendo que o segundo será certamente uma alusão à cultura do cânhamo, outrora abundante nesta região. O primeiro elemento do topónimo, "Marco" derivaria de uma marca de pedra, divisória das freguesias de Fornos, S. Nicolau e Tuias. Uma outra explicação para o topónimo tem origem numa lenda. Conta-se, que a rainha D. Mafalda teria passado pelas obras da ponte que mandara construir, e cheia de sede, pediu água aos pedreiros. Como o acesso ao rio era muito difícil, um deles ofereceu uma cana para que a rainha bebesse directamente do rio. A rainha, ao devolve-la terá dito "Guardai-a porque a cana é boa às vezes".
O povoamento do território a que corresponde o actual concelho do Marco de Canaveses remonta a épocas bastante recuadas, tendo sido encontrados importantes vestígios do período neolítico, nomeadamente alguns monumentos funerários. Do tempo da ocupação romana, chegaram até aos nossos dias os vestígios de Tongóbriga, uma povoação romana de que restam as termas, o fórum, zonas habitacionais e uma necrópole.
A história do concelho passa pela história da velha vila de Canaveses. Mendo Gil foi o seu primeiro administrador conhecido. Durante os anos de 1255 a 1384, o senhorio pertenceu a D. Gonçalo Garcia e seus descendentes. Em 1384, D. João I deu-o a João Rodrigues Pereira, parente de Nuno Álvares. Já no reinado de D. João II era posse da coroa, sendo um meirinho nomeado pelo rei que administrava e nomeava os juizes, procuradores e tabeliães. No século XIX, foi integrada no concelho de Soalhães e em meados do mesmo século, no de Marco.
O concelho do Marco de Canaveses foi criado em 1852 por decreto de D. Maria II, por anexação dos concelhos de Benviver, Canaveses, Soalhães, Portocarreiro, parte dos de Gouveia e Santa Cruz de Riba Tâmega. A vila foi elevada a cidade em 1993.
Hoje, o Marco de Canaveses é uma cidade e concelho que, pela sua proximidade ao Grande Porto, serve de residência a muitos que procuram a tranquilidade perto de um grande centro urbano.
Actualmente os Monumentos mais visitados são a Igreja de Sta. Maria, na Cidade, a cidade Romana de Tongobriga, no Freixo ; o Convento de Alpendurada, em Alpendurada e o Santuário do Menino Jesus de Praga,em Avessadas".


Uma rua antiga e a nova praça de mercado - 1904


Avenida nova - anos 40


Câmara Municipal


Igreja de Santa Maria 





Igreja de Santa Maria


Ponte anterior – anos 70 – quantas vezes passámos por ela, nos anos 40 a 70, a caminho da Régua!


Hotel e Parque das Termas – finais de 40 

Caldas de Canavezes – Cinemateca Portuguesa - 1922


Rio Ovelha


Rio Ovelha – Ponte Romana


Igreja românica de Santo Isidoro


Torre de Nevões – século XVI


"No Tâmega existe um aproveitamento hidroelétrico, a Barragem do Torrão (concelho do Marco de Canaveses), que foi construído no ano de 1988, com uma potência de 146 MW e uma produção média anual de 228 GWh, estando previstos novos recursos em Vidago e no Codeçoso”. In Farol da Nossa Terra, de Teixeira da Silva


Albufeira da barragem


Tongóbriga – Aldeia do Freixo

"A Área Arqueológica do Freixo é composta de um povoado fortificado proto-histórico localizado num pequeno outeiro, do qual subsistem apenas algumas estruturas habitacionais de planta circular, para além do povoado romano, conhecido pela designação genérica de Tongóbriga. 
Após a recolha realizada em 1882 pelo investigador vimarenense, Francisco Martins Sarmento (1833-1899), de um bloco granítico onde se fazia menção a Toncobriga , as escavações empreendidas até à data permitem afirmar que, entre os séculos I e II d. C., surgiu uma urbe nesta área, possivelmente na consequência de uma estratégia delineada pelos imperadores da dinastia flaviana no âmbito de uma política de ordenamento da Tarraconense. 
É no seu perímetro interno que encontramos diversas estruturas habitacionais, destacadas pelo seu carácter multicompartimental de planta rectangular, algumas das quais parcialmente escavadas na rocha e outras totalmente erguidas com muros. Os edifícios encontram-se, contudo, implantados em pátios lajeados, com paredes interiores alisadas e estucadas, sendo que um dos dominadores comuns destas edificações é a existência de um sistema de esgotos. 
Mas além da área residencial, o povoado detinha toda uma zona perfeitamente delimitada e preferencialmente vocacionada para a produção artesanal especializada, que seria complementada por uma outra de carácter comercial, justificativa da construção de um forum, no centro do qual se erguia o templo. 
Apesar dos evidentes condicionalismos geomorfológicos da zona de implantação da urbe, os seus construtores demonstraram uma evidente preocupação em dotá-la de todo o tipo de equipamento que possibilitasse a sua equiparação a uma verdadeira cidade romana, transformando-a num assumido centro de atracção e, até mesmo, de decisão, certamente favorecido pela fácil circulação de pessoas e bens, que a navegabilidade dos rios Douro e Tâmega proporcionava. De entre esses edifícios, destacavam-se as termas, a basílica e o templo, para além do mencionado forum. 
Na realidade, Tongobriga ocuparia uma área total de cerca de 30 hectares, abrangendo a própria necrópole. Comparativamente às demais urbes da época, esta poderia ser considerada de médias proporções, pois a zona ocupada pelas áreas habitacionais abrigaria cerca de duas mil e quinhentas pessoas. 
De todos os equipamentos colectivos existentes na cidade, as termas detinham, sem dúvida, um papel fundamental e central na vida quotidiana dos seus habitantes, assim como das comunidades suas vizinhas. Assim, de toda a zona intervencionada é, precisamente, a termal a que será melhor conhecida, com o seu frigidaerium e natatio, além de uma área aquecida distribuída por dois compartimentos, com o respectivo praefurnium. Localizados numa zona coberta, abobadada, é nas suas proximidades que encontramos um pequeno balneário pré-romano. O facto desta estrutura ter sido integralmente esculpida no afloramento granítico, obrigou a que o seu programa decorativo, em forma de cordão (semelhante ao da Citânia de Sanfins), fosse executado numa pedra separada, posteriormente aplicada nas paredes lisas do seu interior. 
Entretanto, localizava-se nas proximidades destes vestígios um lagar escavado na rocha, bem como dois núcleos sepulcrais, enquanto que, a Sul das termas, e já fora do perímetro interno de Tongobriga, identificou-se uma necrópole de incineração e de inumação. As escavações efectuadas até ao momento colocaram a descoberto sepulturas intactas cavadas no próprio afloramento granítico e orientadas paralelamente à estrada romana que atravessava a urbe. 
No âmbito da filosofia de intervenção nos monumentos arqueológicos visitáveis, instalou-se na Área Arqueológica do Freixo a Escola Profissional de Arqueologia em 1990 e um Gabinete destinado à investigação, conservação e divulgação deste sítio arqueológico. A. Martins no site Património Cultural,


Em Tongobriga, o forum salientava-se pelas suas dimensões (9.521m2), englobando os espaços comerciais e religiosos. A sua construção iniciou-se no alvor do séc. II d.C., no tempo do imperador Trajano. 
A ampla praça tinha no lado Sul uma plataforma, mais alta, onde estavam as lojas protegidas pelo telhado de duas águas que cobria todo esse lado do forum. Este telhado era suportado por uma colunata em granito, com espaçamento de 4,4 metros. Desta colunata, ainda é possível ver as sapatas dos alicerces.
No lado Norte, uma rua com 7 metros de largura limitava a praça, onde se destacavam duas absides. Esta rua terminava numa escadaria do lado Nascente. No lado Poente situava-se o Templo, do qual só se recuperaram o alicerce e algumas pedras do podium. 
No lado Nascente, o forum era limitado por um edifício cuja função é ainda duvidosa, tal o estado de ruína em que foi encontrado. Poderá ser a basílica, a qual, neste caso, ligaria ao forum através de uma larga abertura com 4,4 metros situada na linha de simetria da praça”. Site tongóbriga.com.


Bairro construído entre os sécs. I e V

“Em Tongóbriga, a área habitacional exumada é ainda reduzida, embora seja vasta a identificada através de fotografia aérea e prospecção.
Escavou-se já um bairro, com as suas ruas e casas. Todas estas apresentam vários compartimentos de pequenas e médias dimensões. 
No bairro exumado salientam-se uma casa, de dois pisos, sendo um deles a cave - é possível observarem-se os degraus que davam acesso da cave da casa à rua - e a rua sob a qual existiam esgotos. Outras casas, duas das quais recentemente escavadas, possuem impluvium em perfeito estado de conservação.
Há também casas, datadas de meados do séc. II, construídas sobre espaços em que existiam casas de planta circular do séc. I. Destas só restam os alicerces, pois foram desmontadas aquando da nova construção. 
Realce para o cuidado que foi posto pelos construtores nos sistemas de drenagem das águas pluviais, quer nas mais antigas do Séc. I, quer nas do Séc. II, estas já edificadas segundo um plano onde predomina a ortogonalidade. 
Nesta cidade viveriam 2.500 a 3.000 habitantes”. Site tomgóbriga.com



Tepidarium



Balneário – pedra formosa

"No tempo do Imperador Augusto foi construído um balneário, totalmente esculpido no afloramento granítico, conhecido por Pedra Formosa, o qual possui a arquitectura própria dos existentes nos povoados castrejos. 
No final do século I, este balneário é desactivado. A seu lado, erguem-se as primeiras termas romanas, construídas de acordo com um projecto clássico, semelhante aos de Pompeia ou Conimbriga. Estas possuíam apodyterium e uma sucessão de salas que levavam as pessoas a passar por ambientes cada vez mais quentes: primeiro o frigidarium, com uma pequena piscina para banhos de água fria, depois o tepidarium, para adaptação ao ambiente quente e húmido do caldarium. 
À sauna, poderiam seguir-se as massagens no unctorium. 
As termas de Tongobriga tinham ainda um jardim exterior, a palaestra, e uma piscina de ar livre, a natatio. Site Tongóbriga.com


Em Tongobriga identificou-se uma necrópole, "fora de portas", a sul, junto da estrada. Já aqui tinham sido encontradas peças cerâmicas no final do século XIX aquando da abertura de um caminho. Algumas dessas peças perderam-se e outras foram então depositadas no Museu Martins Sarmento em Guimarães, no Museu de Vila Nova de Gaia e no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa. 
As sepulturas escavadas em Tongobriga mostram a predominância do rito de incineração: as cinzas eram depositadas numa urna, normalmente um simples pote cerâmico; juntavam-lhe algumas peças habitualmente usadas no dia-a-dia - pratos, jarras, adornos pessoais e algumas moedas. 
Nesta necrópole, os romanos abriram valas no afloramento granítico, com cerca de 1,5 m de comprimento, 0,5 m de largura e 0,6 m de profundidade, onde depositavam as cinzas do corpo, as peças cerâmicas e moedas, após o que cobriam a sepultura com lajes de granito e terra”. Site Tongóbriga.com



"A centralidade de que se revestiu a cidade romana de Tongobriga não se esvaneceu completamente com a queda do Império, no século V. Tongobriga aparece como sede de uma das primeiras paróquias cristãs que então se criam na recém-formada diocese do Porto.
Escavações arqueológicas recentemente realizadas no adro e na igreja paroquial de Santa Maria de Freixo permitiram confirmar que a basílica paleocristã, correspondente à ocupação do sítio nos séculos V e VI, se localizava no espaço hoje ocupado pela igreja e respectivo adro. O edifício da primitiva basílica excedia, quer em largura, quer em comprimento, o espaço ocupado pelo templo actual, e possuía um belíssimo pavimento revestido a mosaico policromo, único no seu género e na sua cronologia.
O seu pavimento, que tinha por base o afloramento granítico previamente nivelado e regularizado, era revestido por um mosaico composto por tesselas de seis cores distintas (branco, cinzento, amarelo, laranja, vermelho e verde claro).
A riqueza do pavimento, bem como as consideráveis dimensões da basílica paleocristã, não se compadece com a ideia de declínio associado à generalidade das cidades romanas em tempos post-imperiais, e representa um considerável investimento económico, certamente associado a uma pujante vida cultural e religiosa dentro do espaço onde florescera, desde os finais do século I, a cidade romana". Site Tongóbriga.com 

Site sobre Tongóbriga 

Vídeo

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

RIO DOURO - AFLUENTES VIII

6.2.8 -  Rio Douro - Afluentes - Rio Tâmega II - Amarante


Ponte de Cavez, Cabeceira de Basto



Capela de S. Bartolomeu


Fonte santa de S. Bartolomeu

“O povo utiliza-a em doenças de pele vindo buscá-la em panelas, cântaros, etc., e tempos houve em que os doentes do hospital de Braga vinham aqui tomar banho. Segundo a tradição os efeitos eram mais notáveis desde que o doente lançasse rio abaixo as roupas interiores que trazia vestidas". (Almeida 1988) 
Esta tradição ainda se mantém, vendo-se em redor da fonte diversas peças de roupa abandonadas, não só roupa interior, mas calças, camisas, saias e blusas espalhadas no canavial que separa a nascente do rio Tâmega.


Portugal Antigo e Moderno


Amarante - c. 1900


Cerca de 1900


Cerca de 1900


Igreja e Hospital da Misericórdia – c. 1900


A. R. C. - 1788

Amarante teve provavelmente a sua origem nos povos primitivos que habitaram a serra da Aboboreira (habitada desde a Idade da Pedra), embora se desconheça exactamente o nome dos seus fundadores. Contudo, só começou a adquirir importância e visibilidade após a chegada de São Gonçalo (1187-1259), nascido em Tagilde, Guimarães, que aqui se fixou depois de peregrinar por Roma e Jerusalém. A este santo se atribui a construção da velha ponte sobre o Rio Tâmega.
Amarante torna-se alvo de peregrinações e a povoação foi crescendo. 
Já no Século XVI, D. João III ordena a construção do Mosteiro de São Gonçalo sobre a capela junto à ponte sobre o Rio Tâmega, onde segundo a tradição São Gonçalo terá vivido e foi sepultado.
Em 1763, ocorre a derrocada da velha Ponte de São Gonçalo devido às cheias do Rio Tâmega. Nos anos seguintes foi reconstruída com o aspecto que ainda hoje apresenta.


No início do Século XIX, Napoleão Bonaparte tenta invadir Portugal e sobre Amarante passaram também estas invasões francesas, sendo palco do heróico episódio da Defesa da Ponte de Amarante que valeu ao General Silveira o título de Conde de Amarante e a própria vila de Amarante teve a honra de ser agraciada com o colar da Ordem Militar da Torre e Espada que reflecte no seu brasão municipal. Após este episódio criam-se planos para a reconstrução da vila, pois os franceses tinham incendiado quase a totalidade das casas.
As reformas liberais do século XIX reorganizaram administrativamente o território e em 1855 extinguiram-se os municípios de Gouveia, Gestaçô e Santa Cruz de Ribatâmega, tendo o de Amarante recebido a maioria das suas freguesias e ainda algumas de Celorico de Basto.
O apogeu cultural dá-se nos inícios do Século XX, graças a amarantinos como Teixeira de Pascoaes nas letras e Amadeo de Souza-Cardoso na pintura.
Amarante adquiriu estatuto de cidade a 8 de Julho de 1985, sendo esta também a data do seu feriado municipal.

Amarante - vídeo 


Ponte de S. Gonçalo – cerca de 1900


Rio Tâmega e Igreja de S. Gonçalo – Foto Alvão




Convento e Igreja de S. Gonçalo 




Órgão




Claustro – as 5 fotos acima são do blogue Canelas do Douro

“Fundado em 1540, o convento dominicano de São Gonçalo de Amarante foi construído no local onde se erguia uma pequena ermida medieval dedicada ao santo eremita. A edificação do cenóbio prolongou-se até ao reinado de Filipe I, e embora, numa primeira fase, a direcção das obra fosse atribuída a Frei Julião Romero, a feição maneirista que hoje apresenta o convento amarantino deve-se ao risco do arquitecto Mateus Lopes (RUÃO, 1995, p.24). 
A primeira fase de obras situa-se entre 1545 e 1554, "embora seja difícil avaliar o que nesta década e mesmo na seguinte estaria feito" (Idem, ibidem). A obra seguia, assim, a um ritmo lento, e durante as décadas de 60 e 70 do século XVI, não se conhece qualquer referência documental ou cronológica à fábrica do convento (Idem, ibidem). 
No entanto, em 1586 foi realizada uma vistoria nas obras do cenóbio, levada a cabo por Gonçalo Lopes, que substituía nessa tarefa o seu irmão, o arquitecto Mateus Lopes, "mestre da obra do bem aventurado São Gonçalo da vila de Amarante" (Idem, ibidem). 
Nesta primeira vistoria verifica-se que estava praticamente concluída a capela-mor da igreja, faltando fechar a abóbada, bem como o primeiro piso do portal lateral e as paredes do templo. O lanço do dormitório, a sacristia, o refeitório e as suas dependências anexas estavam também edificados à data. 
A estrutura do Convento de São Gonçalo apresenta evidentes semelhanças com os templos edificados pelos arquitectos Lopes tanto no Minho como na Galiza. A concepção destas "igrejas-padrão", em que se destacam as fachadas retabulares, começa com São Domingos de Viana, edificada no terceiro quartel do século XVI por João Lopes o Moço (OLIVEIRA, 2002, p. 113), e onde Mateus Lopes trabalhou durante alguns anos. 
Será precisamente nas obras galegas de Mateus Lopes que este modelo atinge a sua maturação, nomeadamente em San Xoan de Poio, na Colegiada de Santiago, em Pontevedra, ou em San Martín Pinario em Compostela. 
O claustro nobre de São Gonçalo foi inspirado na estrutura claustral do mosteiro de Poio (RUÃO, 1995, p. 26), e a fachada retabular, localizada num dos panos laterais do templo, teria originalmente a mesma concepção das fachadas de São Domingos de Viana e da Colegiada de Santiago (Idem, ibidem). No entanto, o projecto inicial foi alterado, uma vez que "os registos superiores são obra de outra época" (Idem, ibidem), tendo sido executados na centúria seguinte pelo arquitecto portuense Manuel do Couto. 
No conjunto conventual destaca-se, ainda, a Varanda dos Reis. Rasgada no exterior do templo, ao nível do último registo do pórtico, este balcão foi, também, edificado por Manuel do Couto, apresentando nas pilastras de suporte dos arcos as estátuas dos reis que patrocinaram a construção do convento dominicano de Amarante (D. João III, D. Sebastião, D. Henrique e D. Filipe I)”. Catarina Oliveira - IPPAR/2007

Convento e Igreja de S. Gonçalo de Amarante

A Construção do Convento de S. Gonçalo de Amarante – por Lúcia Maria Ribeiro de Carvalho



Procissão de S. Gonçalo – postais antigos

“Gonçalo de Amarante foi um eclesiástico português considerado pela igreja como Beato, mas que goza de grande veneração popular, recebendo a designação carinhosa de Santo Gonçalo de Amarante. 
Nascido em 1187 em Arriconha, logo de peregrinar durante quatorze anos nas terras santas, voltou para o Portugal e começou a pregar o Evangelho até chegar às margens do rio Tâmega e daí à cidade de Amarante, lugar que achou apto para iniciar sua vida de eremita. 
Logo de conseguir o hábito da Ordem dos Pregadores, no convento de Guimarães, de volta para Amarante, onde ele tinha fundado uma ermida conhecida como Nossa Senhora da Assunção, continua com seu ministério de propagação do evangelho e com a promoção de obras sociais. 
A obra mais importante do beato foi a construção da ponte em granito sobre o rio Tâmega. 
Logo de sua morte no ano de 1262, a ermida foi transformada em igreja e depois, no século XVI sob o governo de D. João III foi erguido um templo e um convento em honor ao santo. 
Posteriormente Gonçalo de Amarante foi elevado à condição de Beato em três Processos Canónicos: o primeiro foi declarado pelo Papa Júlio III em 1551, com a concessão de poder oferecer culto público, processo que foi confirmado em 1561 pelo Papa Pio IV e levado a cabo por D. Rodrigo Pinheiro, bispo do Porto. 
O terceiro procedimento ocorreu em 1671 e foi declarado pelo Papa Clemente X e em que lhe foi concedida à Ordem dos Pregadores a permissão de oferecer missa e cultos litúrgicos próprios ao Beato. 
O processo de canonização não chegou ao bom termo e é por isso que não é considerado santo, mas sim Beato”. In História de Portugal/info 


Doces de S. Gonçalo

“Crê-se que a designação “Casamenteiro das Velhas” advém das suas idas à aldeia de Ovelha (situada em Aboadela) para oficializar em segredo os habitantes que viviam de forma pecaminosa e que da abreviatura ou supressão do “O” terá resultado “velha” ou velhas. Casou aqueles que a igreja recusava casar. E outros relatos, descritos por Katherine Byrne (artista residente da Casamarela e investigadora da vida e obra do santo padroeiro de Amarante) dão-nos conta da sua personalidade irreverente e insubmissa face à normatividade eclesiástica: “Conta-se, por exemplo, que aos sábados à noite se vestia de mulher e, de viola às costas, visitava bordéis, dando festas tão lendárias que as meretrizes caíam de exaustão, incapazes de pecar no dia santo.” E “em nome do amor e da fertilidade, milhares de mulheres afluíam à sua igreja epónima, desde moças a idosas, para beijar o seu túmulo ou, então, acolhiam as procissões onde se desfilava a sua estátua que, segundo a imaginação popular, sempre que a corda fosse puxada, levantava o hábito e exibia o seu falo erecto”.
E eis que nos deparamos com o “falo de S. Gonçalo” ou com o culto fálico, retomando a temática convergente das obras de arte expostas na Casamarela, o Bolo de S. Gonçalo.
Convém, no entanto, esclarecer que segundo Edward Whitmont, na obra A busca do símbolo, “o falocentrismo cúltico é originário da Índia com a prática do Brahmen de adorar o pénis do Deus supremo, Shiva. Durante o festival da primavera, os homens dançavam com falos de madeira.”
Tal significa que enquanto representação icónico-sacralizada, os falos se associavam, quer na Índia, quer em Amarante, a preces relacionadas com a fecundidade e com o casamento”. In Polegarmente.me


“Por ter querido fugir ao inverno, a grande festa de Amarante transferiu-se do dia de S. Gonçalo, 19 de janeiro, para o primeiro sábado de junho, conservando-se em janeiro a celebração religiosa e diversificando-se em junho os folguedos, sem esquecer a memória do santo popular. Popular a valer, especialmente invocado como casamenteiro das velhas, conforme reza longa tradição. Tal aura prodigiosa não se sabe lá muito bem quando principiou; ela, porém, tem-se mantido, com alguma apreensão das raparigas solteiras de cujas – pelo visto legítimas – queixas ficou a célebre quadra:

S. Gonçalo de Amarante,
Casamenteiro das velhas,
Por que não casais as novas?
Que mal vos fizeram elas?

Indaguei da fama e as conclusões são muito inseguras. Mas sempre me foram dizendo que uma quarentona ainda frescalhota, cujo noivo de anos não havia meio de morder o isco, sentiu um lampejo de fé no santinho e lá foi, apesar do janeiro invernoso, ajoelhar-se em frente da imagem. Que lhe punha umas velinhas no altar, que lhe havia de rezar muito, que fazia e que acontecia, se… Trigo limpo. Nesse mesmo dia, o noivo transviado pediu-a em casamento e a notícia correu mundo. Daí outra prece versificada que até as moças, reconciliando-se com o taumaturgo, passaram também a cantarolar:
S. Gonçalo de Amarante,
Casai-me, mas depressinha:
Quero ver o meu amor
Dormir na minha caminha.

E esta ainda, que é um brilhante achado eufemístico:

S. Gonçalo de Amarante,
Casai-me, que bem podeis:
Já tenho teias de aranha
Naquilo que vós sabeis.

Santo glorioso, não há dúvida. E bem apaparicado: promessas não lhe faltam. Se os políticos descobrem… É que este santo também resolve problemas de casais desavindos”. In António Cabral.com


Ponte da Amarante em 4/7/1909 – Centenário da Guerra Peninsular a que assistiu o Rei D. Manuel II

Há muitos séculos a festa de S. Gonçalo também era festejada no Porto e de uma forma muito divertida, digamos mesmo, demasiado e por isso foi extinta:


O Tripeiro - Volume 2


S. Gonçalo nas festas de V. N. de Gaia


S, Cristóvão

Festas de S. Gonçalo em V. N. Gaia - explicação

Vídeos 



Ponte de Amarante – In blogue Porto Cidade Invicta

No Portugal Antigo e Moderno (1877), Pinho Leal afirma que “Na margem direita do Tâmega é Amarante, propriamente dito, e na esquerda é Covello que, sendo um arrabalde da villa já é de diferente bispado (Braga). Aqui passam as novas estradas reais que vão para Vila Real e Peso de Régua”. 
Acredita-se ter existido primitivamente neste local uma antiga ponte romana, dado ser este o traçado da estrada romana que passaria em Amarante, em direcção a Guimarães e a Braga. 
De acordo com a tradição local, por volta de 1250 o beato Gonçalo de Amarante terá construído ou reconstruído esta ponte, com os recursos oriundos de esmolas por ele obtidas na região. 
Em 10 de Fevereiro de 1763, essa ponte, onde a meio se erguia um cruzeiro, desmoronou devido a uma cheia excepcional do rio. O cruzeiro, ou Senhor da Boa Passagem, conseguiu ser retirado uma hora antes desse acontecimento e, mais tarde, foi colocado na janela de um recanto da Igreja de São Gonçalo, ficando a Mãe de Deus a proteger o trânsito. É a imagem da Senhora da Ponte. 
Em 1782 foi iniciada a reconstrução da ponte com projecto de Carlos Amarante, vindo a ser aberta ao trânsito em 1790. No ano de 1791 foi completada com dois pares de coruchéus, dois adornos em forma de urna eleitoral e uma bancada em cada varandim. 
No contexto da Guerra Peninsular (1807-1814), quando da Segunda Invasão Francesa a Portugal, foi palco, durante 14 dias em 1809, da heróica defesa da Ponte de Amarante, contra as tropas napoleónicas em retirada para Trás-os-Montes. 
Encontra-se classificada como Monumento Nacional desde 1910. 


Trajes tradicionais