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quarta-feira, 5 de abril de 2017

DOS PRIVILÉGIOS E ISENÇÕES QUE A ILUSTRAM, DAS ACÇÕES MEMORÁVEIS E GLORIOSOS TÍTULOS QUE A ENGRANDECEM - PRIVILÉGIOS SINGULARES - II

7.1.2 - Privilégios singulares II - D. Manuel I, Foral de D. Manuel I, Câmara Medieval, Torre da Rolaçom, Casa dos 24 


Em 1502 D. Manuel I retirava ao Porto o privilégio de não albergar nobres pelo que os cidadãos da cidade consideraram uma ofensa aos privilégios e liberdades centenárias. Consideravam os portuenses que se pretendia favorecer D. Pêro da Cunha Coutinho que mantinha um diferendo com a cidade porque este pretendia construir uma casa em Monchique.
E tinham razão os portuenses dado que, em carta de 7/7/1503, mandava que fosse desembargada a construção, pois era esse o seu desejo. Foi nesta casa que, em 1533, se estabeleceu o Convento de Monchique.Porém, em 17/3/1505, D. Manuel revogava a anterior decisão, embora com a restrição de não poder habitar no Porto qualquer fidalgo com um ofício e dele vivendo.




Foral de D. Manuel I ao Porto - 20/6/1517 

D. Manuel I outorgou ao Porto um foral que tinha como principais regras a justiça, a sociedade, a economia e a fiscalidade. Destaca-se a incidência na fiscalidade e portagens dos artigos que entravam e saíam.


Mapa de G. Balk – 1813

“Sobre a "planta redonda" de George Balck, publicada há 200 anos, recebemos o interessante texto de Cesar Domingos Gonçalves Jesus, que muito agradecemos:
Decorre este ano o bicentenário da publicação da chamada planta redonda de Balck, que ocorreu em Londres, a 12 de Agosto de 1813. Posteriormente veio a ser, também, publicada em Lisboa, já com algumas correcções.
Esta é a mais antiga planta que se conhece da cidade do Porto, tendo sido desenhada para fins militares. Tem sido atribuída a sua autoria a George Balck que foi assistente do quartel-mestre general do exército britânico que integrou o exército luso-britânico durante, pelo menos, a 2.ª invasão francesa, em 1809.
Até ao momento não se conhece o original da planta, nem os estudos de apoio para a sua elaboração, sendo certo que, na época, e em diversos momentos, diversas personalidades se referirem a outros estudos e plantas de pormenor da cidade.
Conforme se constata da planta, ela é oferecida ao brigadeiro-general Sir Nicholas Trant, comendador da Ordem da Torre e Espada e encarregado do Governo das Armas do Partido do Porto.
Trant acompanhou o general Wellesley, durante a 2.ª invasão francesa a Portugal. Enquanto o general persegue os franceses até à fronteira, Trant fica no Porto a organizar a cidade. É nomeado encarregado pelo próprio Wellesley, no dia seguinte à sua chegada ao Porto, em 13 de Maio de 1809, permanecendo no cargo até 1814. No entanto, e tendo em conta as vicissitudes da guerra, de facto, exerce o cargo de 1811 a 1814. Problemas de saúde, levam-no a pedir a demissão do cargo. Trant obteve a Comenda da Ordem da Torre e Espada em virtude da bravura e competência demonstrada na conquista da cidade de Coimbra aos franceses, com um pequeno exército constituído somente por soldados portugueses. Em sua honra ainda viu serem cunhadas duas moedas em ouro. Faleceu em Inglaterra em Novembro de 1839. In site Porto Desaparecido


“ Era no alpendre ou casa segunda do Mosteiro dos religiosos de S. Domingos, no Porto, que em tempos remotos se realizavam certas e determinadas sessões. Foi ali, naquele local que se efectuou a primeira sessão da Câmara Municipal do Porto, depois que esta Colectividade tomou aquele carácter. Verificou-se essa primeira sessão no dia 24 do mês de Junho da era de 1428, correspondente aos Anos de Cristo de 1390. 
Consta na respectiva acta, existente no arquivo da câmara que as suas sessões se verificavam no local que já mencionei. Essa acta está assinada pelos juízes Gonçalo Donis, Affom Moreira e pelos vereadores Domingues Pires, Vicente Donis, João Gomes, procurador Gil Gonçalves servindo de escrivão da câmara o tabelião Vasco Martins.” 


Local onde esteve a Câmara - 1930, antes das obras das décadas de 30 e 40 no bairro da Sé.


Torre da “Rolaçom” - Após 1940

Durante quase toda a época moderna esteve instalada na “Torre da Rolaçom”, perto da Sé, mas no séc. XVI, voltou a reunir-se nos alpendres daquele convento dado se encontrar em quase ruína.
“Em 1784 mudou para o antigo Colégio de S. Lourenço e 11 anos depois para a Casa Pia”.


A Câmara esteve, entre 1815 e 1916, na Praça das Hortas


Feira Medieval - História de Portugal de Joaquim Veríssimo Serrão

Em 1 de Janeiro de 1518 D. Manuel criou a Casa dos Vinte e Quatro do Porto com o mesmo Regimento da de Lisboa.
“A Casa dos 24 era constituída originalmente por 24 oficiais, 2 de cada mister eleitos pelos seus pares. A eleição fazia-se não numa sessão plenária em que todos participavam e votavam, mas sim no interior de cada corporação. Difícil é dizer quais eram as que deputavam delegados seus para a instituição. Durante os anos da sua longa e irrequieta vigência no Porto (desde a reorganização em 1518 até à extinção definitiva em 1834) variaram não só os ofícios representados como o número de representantes de cada um deles. Sabemos no entanto que em 1613 o espectro profissional presente na Casa era o seguinte: 
Sapateiros – 3 elementos 
Sombreireiros – 2 
Alfaiate – 1 
Barbeiros – 2 
Correeiros – 2 
Pedreiros – 2 
Tanoeiros – 2 
Cordoeiros – 1 
Carpinteiros – 1 
Baínheiros – 1 
Sorradores – 1 
Ferreiros – 2 
Picheleiros – 1
Embora não conheçamos por todo o período aqui estudado nenhuma acta tão pormenorizada, sabemos que o elenco de profissões representada não se manteve fixo” In História do Porto, Francisco Ribeiro da Silva. 
A Casa dos 24 foi extinta em 1757, após os incidentes da Revolta da Companhia, quando da vida para o Porto do Governador João Almada e Melo.



História do Porto - Luis Oliveira Ramos

quarta-feira, 8 de julho de 2015

GOVERNO POLÍTICO - II

5 . 4 - Governo político - II

Locais onde estiveram as antigas Câmaras do Porto


Planta do Porto em 1833 e vista da Torre da Marca para Nascente – gravura de W. B. Clarke - 1833


Cercas dos Conventos de S. Domingos (A) e S. Francisco (B) – pormenor da carta de Balck – 1813

“ Era no alpendre ou casa segunda do Mosteiro dos religiosos de S. Domingos, no Porto, que em tempos remotos se realizavam certas e determinadas sessões. 
Foi ali, naquele local que se efectuou a primeira sessão da Câmara Municipal do Porto, depois que esta Colectividade tomou aquele carácter. Verificou-se essa primeira sessão no dia 24 do mês de Junho da era de 1428, correspondente aos Anos de Cristo de 1390. 
Consta na respectiva acta, existente no arquivo da câmara que as suas sessões se verificavam no local que já mencionei. Essa acta está assinada pelos juízes Gonçalo Donis, Affom Moreira e pelos vereadores Domingues Pires, Vicente Donis, João Gomes, procurador Gil Gonçalves servindo de escrivão da câmara o tabelião Vasco Martins.” 


Câmara medieval chamada ao tempo de Torre da Rolaçom e, erradamente, designada por Casa dos 24 – fachada posterior antes de 1934


Fachada lateral após 1940

“A Casa dos 24 era constituída originalmente por 24 oficiais, 2 de cada mister eleitos pelos seus pares. A eleição fazia-se não numa sessão plenária em que todos participavam e votavam, mas sim no interior de cada corporação. Difícil é dizer quais eram as que deputavam delegados seus para a instituição. Durante os anos da sua longa e irrequieta vigência no Porto (desde a reorganização em 1518 até à extinção definitiva em 1834) variaram não só os ofícios representados como o número de representantes de cada um deles. Sabemos no entanto que em 1613 o espectro profissional presente na Casa era o seguinte: 
Sapateiros – 3 elementos 
Sombreireiros – 2 
Alfaiate – 1 
Barbeiros – 2 
Correeiros – 2 
Pedreiros – 2 
Tanoeiros – 2 
Cordoeiros – 1 
Carpinteiros – 1 
Baínheiros – 1 
Sorradores – 1 
Ferreiros – 2 
Picheleiros – 1 
Embora não conheçamos por todo o período aqui estudado nenhuma acta tão pormenorizada, sabemos que o elenco de profissões representada não se manteve fixo” In História do Porto, Francisco Ribeiro da Silva. 
A Casa dos 24 foi extinta em 1757, após os incidentes da Revolta da Companhia, quando da vida para o Porto do Governador João Almada e Melo.


Armas do Porto concedidas por D. Maria II - 1834


CMP de 1816 até 1915, destruída para a abertura da Avenida das Nações Aliadas, depois avenida dos aliados. Tinham sido os palacetes de Monteiro Moreira e Morais Alão Amorim.
Ramalho Ortigão diz-nos que os portuenses, em 1850: “Da política propriamente dita tinham uma ideia longínqua e nebulosa, a que a palavra “ladroagem” servia de vaga syntese”. 
Será que mudou muito?


Dia de festa, o povo aguarda a chegada de alguma entidade importante. A fachada está engalanada e os trens deixaram políticos à porta - 1900



In Portugal Antigo e Moderno - Pinho Leal

“Em 12/3/1912 são publicados os resultados do senso de 1911, verifica-se que o Porto atingira os 193.312 habitantes, e que a sua população crescera, desde 1900, à razão de cerca de 2600 almas por ano. O senso de 1900 dera ao Porto 167.955 habitantes”.


Cartão de identidade de Vereador – 1914


Início da destruição da Câmara - 1916


A estátua do Porto, que estava sobre a frontaria da CMP foi apeada em 1916


Câmara destruída – 1916


A Câmara já foi destruída – á direita o prédio do Hotel Frankfort e a antiga Rua do Laranjal, nessa data de Elias Garcia – prepara-se a abertura da Avenida das Nações Aliadas, depois dos Aliados.


Demolição da Rua Elias Garcia em 1917

A Câmara já foi destruída – ao centro o prédio do Hotel Frankfort e á direita a Rua D. Pedro ainda com trânsito, pois ainda se vê um eléctrico.


CMP de 3/2/1916 a 24/6/1957.

Em 1911 pela lei da separação da Igreja do Estado, o Palácio Episcopal foi arrancado à Diocese e para lá passou a C. M. P. em 1916, tendo a Câmara alugado este palácio por 300$00 anuais.



Enquanto a C.M.P. esteve no Paço Episcopal O PORTO desceu de categoria…passou a “porteiro”!


Primeiro prédio de habitação social construído no Porto – Rua Duque de Saldanha – 1938