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terça-feira, 21 de março de 2017

COMPANHIA GERAL DA AGRICULTURA DAS VINHAS DO ALTO DOURO - II

6.27.2 – Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro - Instituição da Companhia, D. José I, Marquês do Pombal, Região demarcada do Douro, Sedes da Companhia no Porto e Régua, Privilégios da Companhia, Exportações de Vinho do Porto até 1780 


10 de Setembro de 1756

O capital inicial foi de 1.200.000 cruzados (480.000$000). Em 1760 foi aumentado com mais 520.000 cruzados (208.000$000).


D. José I (1714-1777)


Marquês do Pombal (1699/1782) – Retrato publicado pela Companhia de Vinhos do Alto Douro

“…a partir de meados do séc. XVIII, as exportações estagnam, ao passo que a produção vinhateira parece ter continuado a crescer. Os preços baixam em flecha e os ingleses decidem não comprar vinhos, acusando os lavradores de promover adulterações. Esta crise comercial conduzirá, por pressão dos interesses dos grandes vinhateiros durienses junto do governo do futuro Marquês de Pombal, à instituição da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, em 10 de Setembro de 1756. Com ela busca-se assegurar a qualidade do produto, evitando adulterações, equilibrar a produção e o comércio e estabilizar os preços. Procede-se à primeira «demarcação das serras». 


A região produtora é bordada por 335 marcos de pedra com a designação de Feitoria, designação que referendava o vinho da melhor qualidade, único que podia exportar-se para Inglaterra, vulgarmente conhecido por vinho fino. Define-se o conceito de cadastro. Site ivdp.pt


A primeira sede da Companhia situou-se na Rua Chã, em 10/9/1756, nas casas de Manuel de Figueiroa Pinto.



Mudou para a Rua das Flores onde adquiriu, ao mesmo proprietário, a nova sede em 1805. Tinha um andar nobre e na Viela, hoje Rua do Feraz, tinha lojas, capela, casa forte e quintal.


Entretanto já tinha comprado, em 1773, casas e armazéns com capacidade de 1200 pipas na Régua, junto ao Rio Douro e no Pinhão mais armazéns com capacidade de 1000 pipas e no Tua com 500 pipas. Até 1809 foi comprando vários armazéns e casas no Porto Gaia e Miragaia com capacidade máxima de 7.300 pipas. 
Instalou em Gaia as principais tanoarias.
Dado ter a exclusividade da produção de aguardente tinha, em 1809, 82 locais de destilação.



Selo da Companhia


Carimbo da Companhia




domingo, 22 de maio de 2016

FAZENDAS QUE VÊEM DO ALTO DOURO - I

6.9.1 – Fazendas que vêm do Alto Douro


Castro de Cidadelhe – Mesão Frio

“Muito antes de qualquer presidente, rei ou imperador, o Douro era uma terra sem governo, habitada por povos primitivos, que foram os primeiros a deixar os seus vestígios na região. As pinturas rupestres do Vale do Côa inserem-se no período Paleolítico superior, há cerca de 20 mil anos. A presença da uva na região remonta há 4 mil anos (século XX a.C.), tendo sido encontradas grainhas carbonizadas, em estações arqueológicas da região. Muitos dos castros existentes na região, como o Castro de Cidadelhe, em Mesão Frio, datam dessa época.
Com a chegada dos romanos, no século I d.C., a agricultura intensificou-se na região, algo possibilitado pela rede de estradas e pelas numerosas pontes que o Império construiu. A uva começou a adquirir uma elevada importância, existindo vilas agrárias dedicadas exclusivamente à produção de vinho, algo que patente na estação arqueológica do Alto da Fonte do Milho, no Peso da Régua.
A partir do século V as terras durienses foram ocupadas por suevos e visigodos, que acabaram por se unir e cristianizar. Seguiram-se os muçulmanos, depois do século VIII. Após a implantação do reino português, a 5 de outubro de 1143, pelo Tratado de Zamora, iniciou-se a construção da Sé de Lamego, sob a proteção de D. Afonso Henriques (1109-1185), o primeiro rei português, responsável pela independência deste país.
Durante a Baixa Idade Média, nos séculos XII e XIII, a Ordem de Cister instala-se na região, construindo mosteiros como o de São Pedro das Águias, em Tabuaço, que contribuiu para o desenvolvimento agrícola da região, criando diversas granjas nas encostas do Douro.
Com a prosperidade comercial e económica da região, instalada desde o século XIII, a produção do vinho continuou a desenvolver-se, graças ao seu transporte para o Porto, através do rio Douro, com um leito alargado, depois da demolição dos canais de pesca, a mando do rei D. Manuel I (1469-1521) . Das descobertas marítimas (séculos XV e XVI), resultou um aumento da circulação no rio, uma vez que as viagens requeriam grandes quantidades de vinhos fortes para saciar os marinheiros…


…Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), mais conhecido por Marquês de Pombal, viria a mudar a situação económica da região, ao criar a primeira região vitícola regulamentada do mundo, demarcando o Douro Vinhateiro (1757-1761), através da colocação de grandes marcos de granito, no terreno, com a palavra “Feitoria”. O Secretário de Estado do Reino criou a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (CGAVAD) em 1756, vindo a obter a exclusividade na venda do vinho do Porto”. Dourovalley.eu



Dois dos 335 marcos pombalinos que delimitava a região demarcado do Douro, no baixo Corgo. A descoberta e preservação destes marcos foi crucial para a classificação desta região como Património da Humanidade pela UNESCO – tem a data de 1758.

A. R. C.

Rio Douro – Mapa do seu percurso com muitas quintas – aguarela de David Eley – este mapa torna-se extremamente rico se for aumentado e visitadas as quintas e personalidades que ele apresenta.



Mapas da região demarcada do Douro


A qualidade do vinho do Douro varia consoante várias circunstâncias; o tipo do terreno e a temperatura. 

Porto: um vinho com história - IVDP 

Chula de Barqueiros 
https://www.youtube.com/watch?v=zv0iqQChETw


Alfaias tradicionais do Douro


Entre 1852 e 1854 chegou ao Douro a terrível doença do oídio, a que já nos referimos no nosso lançamento de 18/9/2015. 
O Barão de Forrester escreveu, em 13/9/1854, ao Jornal O Comércio uma carta sobre esta praga, que vamos transcrever, retirado do estudo de Norman R. Bennett:





Baga de sabugueiro


Uma viagem ao Douro na companhia do Barão de Forrester - extraordinário documento que refere passagens das 12 cartas do Barão de Forrester, que já referimos  quando tratámos desde Rio Douro I (31/8/2015) até Rio Douro XII (10/10/2015)