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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

DIVERTIMENTOS DOS PORTUENSES - XXXIV

3.5.13 - Carnaval


“Carnaval é uma festa que se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção agrícola.
Anos mais tarde e com o avanço do cristianismo, a Igreja Católica começou a combater todas as festas e manifestações pagãs, e com a impossibilidade de exterminar a sua prática, acabou por incorporá-las às suas crenças como o Natal e o Dia de Todos os Santos. No entanto, entre todas as festividades, o Carnaval foi uma das poucas a manter suas origens profanas.


O Carnaval passou a ser uma comemoração adoptada pela Igreja Católica em 590 d.C. A etimologia da palavra Carnaval ainda é controversa. O historiador Dr.Hiram Araújo no seu Livro "Carnaval – seis mil anos de história”, afirma que em 590, o Papa Gregório I, O Grande regulamentou as datas do Carnaval, e criou a expressão - “dominica ad carne levandas” - que significava (domingo não se come carne) que foi sucessivamente sendo abreviada até a palavra Carnaval. 
Outros pesquisadores citam a origem vinda do latim medieval “carnevale” (adeus a carne). 
Comemorava-se então o Carnaval, período que antecedida a Quaresma, ou seja, os 40 dias entre a quarta-feira de Cinzas e o domingo de Páscoa. A Quaresma deveria ser o período de penitência e jejum para preparar o corpo e a alma para a Páscoa. Por isso, nos dias que antecediam a Quaresma, a população se dedicava aos prazeres da carne “carnis vales”, sendo que “carnis” significa carne e “vales” prazeres. O Carnaval comemorado na Antiga Roma era marcado por celebrações em busca dos prazeres e brincadeiras. Todos os negócios eram suspensos, os escravos eram libertados no período, as pessoas trocavam presentes, elegia-se um Rei de mentira que saia em cortejo pelas ruas da cidade e as restrições morais eram relaxadas.
Já na época do Renascimento (entre o século XIII e século XVII), incorporaram-se fantasias e bailes de máscaras e bailes ao Carnaval. O Entrudo (período de três dia que precedem a quaresma) era uma festa popular em que as pessoas divertiam-se lançando farinha, baldes d’água, limões de cheiro, entre outras coisas, nos outros".  Blog ePORTUGUESe da OMS.


“Os diversos géneros de galhofas em que pelo Entrudo, se vai sucessivamente alambazando a alegria deste povo constitui uma fase importante da história dele. 
Antigamente as grandes comezainas eram a parte principal desta festa, o alguidar de arroz do forno, a taça em que se retoussavam e trebelhavam os honestos júbilos da família, e a orelheira com feijão branco eram a base sólida sobre que descansava o edifício do contentamento doméstico… A alegria dos nossos avós zoupeira e trambolhuda, depois de enxouriçada com feijão e marufo não saía ordinariamente de casa senão para ir jogar o panelo para o quintal. Era aí que o gentio desse tempo, de máscara atada nas orelhas ou de carão encarvoado, entrava a pinchar e a bufar para o outro em sinal de que iam começar as arrelias e os coices de que constava a brincadeira: os pós pela cabeça abaixo, o rabo-leva na saia ou na casaca, o breu nas cadeiras, o pó das comichões pelo espinhaço, a estopa metida nas filhoses e os ovos de cheiro espapaçados na cara. Salta dacolá um vestido de preto com uma bexiga amarrada a um pau, fazendo estoirar a bexiga, e de quando em quando o pau nos lombos e nos testos da assembleia. Foge este com a cadeira pegada nas calças, aquele aos saltos porque tem as pernas presas com um barbante, um com um regador atado a um pé, dois escambulhados porque os coseram um ao outro, e uma senhora idosa dando muitos gritos porque lhe prenderam a um artelho um canzarrão que, desabituado de andar à trela, lhe aperta a fuga mordendo-lhe nos calcanhares e na barriga das pernas. Dentro de alguns minutos debanda tudo, ficando apenas no quintal um homem vestido de boi, o qual não vendo pelas fendas da máscara continua a mugir como pede o carácter que representa, escarva com os pés nas sementeiras e dando marradas na figueira, que ele, pelo feitio, imagina ser a sogra…
A geração seguinte mudou totalmente o Carnaval. Ainda vivem na memória as famosas cavalhadas desse tempo, as carruagens apinhadas de máscaras distribuindo ramalhetes e pastilhas, em todas as janelas tantas senhoras quantas lá cabiam, as principais ruas atulhdas de uma compacta multidão de gente, maior parte dela mascarada, centenares de “soirées” onde se dançava até ao dia seguinte, e longas caudas de concorrentes esperando o momentode entrar ás portas de todas as casas onde havia bailes”. Ramalho Ortigão in O Tripeiro, Volume V, 15 de Fevereiro de 1926.


        Em 7 de Fevereiro de 1869 realizaram-se animadíssimos bailes de máscaras nos teatros de S. João e Baquet, no circo da Rua de Santo António, na nave central do Palácio de Cristal e no Palácio do Corpo da Guarda, no salão Euterpe (hoje Ateneu Comercial do Porto) e noutros recintos públicos. Mas a maioria dos bailes realizavam-se nas casas particulares das famílias abastadas. 


No Carnaval de 1872 o grande e infeliz poeta Guilherme Braga foi a Vila da Feira tomar parte de um baile de máscaras efectuado na casa do Dr. Bandeira. Decidiu não levar máscara, mas vestindo um fato vermelho, alugado no Porto, na Casa das Figuras de Cera. 
Improvisou nas folhas que trazia na carteira 92 quadras, que distribuía pelas pessoas a que se referia.
A António Maciel de Lima entregou-lhe:

Conheço um António Lima
Que a minha filosofia
Não sabe se é lima ou pêra
Ou maçã ou melancia…

O que todos me afiançam,
Verdade que o atormenta,
È que este fulano Lima 
É Lima…de ferramenta.

Depois de ter versado os homens presentes, ás senhoras dedicou irónicas, mas elegantes quadras, tais como:

Quem tem rido à custa alheia
È bom que pague também…
Chegou a vez das senhoras;
Agora escutem-me bem:

Das casadas nada digo; 
Dessas os cinco sentidos
Apenas lhes impõe deveres 
D’agradar aos seus maridos

Quanto às solteiras, que vezes
Um rouxinol solitário 
Não tem dito por Fijó:
“Ai Maria do Rosário!

Apesar de ser corrente
Que, por capricho, talvez,
Namoraras sem escrúpulo
Trinta janotas num mês.

À Francisquinha Estefânia
Que vezes não tem ouvido
De mil corações a um tempo
O soluçante gemido.

Até consta que no Porto
Ao passar um regimento
Pela rua onde reside
Este da Feira portento,

Ficaram todos no corpo
Da Chiquinha apaixonados.
Capitães, alferes e músicos, 
Até os próprios soldados!

(esta Francisca Estefânia era irmã do poeta)
Nos seus versos referiu-se a todas as meninas da festa e por fim ao anfitrião.


Carnaval de 1902 – capa de O Tripeiro da 7ª. Série –Ano XXI

Em 1880 havia um divertido grupo que se reunia na Tabacaria Freitas & Azevedo, na esquina da Rua dos Clérigos com a Rua do Almada, e que incluía rapazes e velhos, de todas as idades e posições sociais que decidiu celebrar o Carnaval com uma brilhante cavalhada carnavalesca. Composto desde o mais modesto caixeiro de escritório ao mais considerado comerciante, desde o mais ingénuo filho de família ao mais distinto titular, clero, nobreza e povo estavam ali bem representados. Organizaram esta diversão na casa do Visconde de Vilarinho e S. Romão.
A cavalhada representaria a entrada do Príncipe de Gerolstein no Porto.
Este cortejo impôs-se pela sua imponência e pelo seu luxo. Todo o seu guarda-roupa era autêntico. Fardas e uniformes foram cedidos pelos próprios titulares.
Compunham-no uma guarda avançada de lanceiros de 8 cavaleiros, seguiam-se em carros abertos o presidente da Câmara, vereadores, governador civil, comissário da polícia, marinha, juízes, cônsules, titulares etc. Finalmente o carro do príncipe, seu escudeiro e fechava o cortejo um esquadrão de 20 cavaleiros.
Saíram da estação de comboio da Boavista, subiram a rua deste nome, seguiram Cedofeita, Carmo, Clérigos, Santo António até à Batalha.
Neste percurso juntou-se uma multidão que os aplaudia delirantemente.
Foram participantes o próprio Visconde de Vilarinho e S. Romão, seu irmão Júlio Girão, Guilherme Gomes Fernandes e outras personalidades da cidade, acompanhadas pelos mais humildes profissionais, todos pertencentes ao referido grupo.
Baseado num artigo de O Tripeiro, Volume 2 de 1/1/1910.



Bandeira dos Fenianos



Foi no ano de 1905 que o Clube de Fenianos ressuscitou o Carnaval, há muito tempo sem festejos. Foi fundado em 1904 por cidadãos republicanos e políticos contra a situação. 

“Comemorou-se a 25 de Março deste ano o aniversário deste clube fundado por um grupo de bons Cidadãos Nortenhos – o CLUBE FENIANOS PORTUENSES. Inscreve na sua bandeira a legenda “PELO PORTO” – símbolo da divisa que no futuro orientaria as suas realizações, a favor do progresso e civilização da CIDADE INVICTA . Os primeiros estatutos do clube são aprovados por alvará do Governo Civil do Porto a 17 de Junho de 1904.
Colectividade de grande prestígio realizou ao longo de anos e anos, eventos na cidade do Porto,
como Cortejos de Carnaval, Bodas aos pobres, festejos de S.to António, festas de Verão, além de ter contribuído com a sua influência social para a resolução de carências da cidade e da sua população, como a abolição das Portagens da Ponte D. Luís I, a regalia do descanso dominical, a inauguração rápida dos serviços de viação eléctrica para V. N. de Gaia, a criação de sociedades de Previdência Social, a criação do Teatro lírico ou Teatro modelo (hoje Teatro Nacional de S. João), o socorro a vitimas de catástrofes e o auxilio a combatentes, o alargamento do Estatuto do Porto de Leixões, de porto de abrigo a porto comercial.
Na construção da actual Sede Social foi lançada a 1º Cunhal em Agosto de 1920 com a presença do Dr. António José de Almeida, então Presidente da República, e que já em 1910 tinha inscrito no LIVRO DE HONRA do clube a seguinte frase: “ ESTE CLUBE É O EXEMPLO DE QUE A UNIÃO FAZ A FORÇA ”.
A partir daqui foram muitas as acções e actividades desenvolvidas, desde ginástica, iniciação musical, bilhar, filatelia, xadrez, ténis de mesa, conferências e debates sobre vários temas.
São inúmeras as homenagens, os galardões, as medalhas de mérito e os louvores recebidos de diversas entidades da vida portuense e nacional". In Associação das Colectividades do Concelho do Porto – 1929

Site do Clube de Fenianos Portuenses 


Carnaval de 1905 na Rua das Carmelitas - já existe o prédio onde estão os Armazéns da Capela, mas o mais baixo foi destruído para a construção do quarteirão entre as Ruas Cândido dos Reis, do Conde de Vizela e da Fábrica.


Casa Mattos & Serpa Pinto – Rua Sá da Bandeira – Carnaval de 1905


Carnaval 1905 – Rua de santo António – Janela ornamentada da Ourivesaria Reis, anterior à mudança para a esquina com a Rua de Santa Catarina.


Rua de Santa Catarina – 1905 – foto Alvão

Carnaval de 1905 - Vídeo


Carnaval 1905 – Avenida das Tílias, Palácio de Cristal - Photo Guedes



Carnaval 1905 – Banda de música de Guimarães – Palácio de Cristal


Preparação do Carnaval 1906 – foto Aurélio Paz dos Reis


Carnaval de 1906 na Rua de Santa Catarina – Desfile do Clube dos Fenianos – Esquina da Rua Passos Manuel – no local do edifício baixo serão mais tarde os Armazéns Nascimento e depois o majestoso Café Palladium.


Carnaval de 1906 – sócios dos Fenianos em frente ao cinema Águia d’Ouro.


Carnaval dos Fenianos – em frente à Igreja do Carmo - 1908


Carnaval dos Fenianos -1909



Carnaval Portista - 1925


Festa de Carnaval dos Fenianos - 1931





4 fotos do Carnaval dos Fenianos de 1939


Cortejo Fenianos - 1954 

Carnaval 1954 – Cortejo do Clube de Fenianos -vídeo 


Vae na Praça de D. Pedro 
D’óra ávante, às quintas-feiras 
Haver bellas pagodeiras 
De rico pópó gim gim; 
Foi o Arnaldo Soares 
E mais o Arthur Barbedo, 
Que andaram muito em segredo 
E até o correlegionário 
P’ra levar a coisa ao fim. 

N’esses dias hão-de ver 
Que grande brodio alli vae 
Inteiro o Porto alli cae 
A dar à perna, a dançar; 
Dança o D. Pedro de Bronze, 
Dança o Porto camarário 
Também à perna há-de dar. 


No Carnaval de 1913 um grupo de foliões, tendo-se-lhe acabado os habituais arremessos da época, resolve atirar pasteis de nata às beldades que, na Praça da Liberdade, se encontravam às janelas. Em tal quantidade que a polícias teve de intervir e os fizeram passar uma noite na enxovia. Na manhã seguinte foram libertados mediante o pagamento de 10.000 reis para os pobres.

domingo, 1 de setembro de 2013

DIVERTIMENTOS DOS PORTUENSES - II

3.5.4 – Serões e festas de família e de clubes


Horácio Marçal em O Tripeiro, Número Especial de 1974, e referente ao séc. XIX, informa-nos que: “De Inverno, como não havia festas, faziam-se visitas a pessoas amigas ou aparentadas, por via de regra, á noite. Aí pelas 10 horas, servia-se o chá, que os visitados, com simulada modéstia, designavam por pinga de água morna. Juntamente, apareciam as fatias de pão com manteiga, os biscoitos de argolinha, ladrilhos de marmelada e queijadas do mosteiro de S. Bento de Avé Maria, iguarias estas dispostas na bandeja com determinado requinte. Se algum dos convidados não apreciava chá (o que raras vezes acontecia), serviam-lhe então uma pinga do choco, isto é, um cálice de vinho fino. No final do delicado repasto, vulgarmente, jogáva-se o loto ou quino a feijões. O jogo do quino era divertidíssimo, não tanto pela natureza, como pelas facécias que os circunstantes lhe interpunham ao cantarolarem os números. Se não havia jogatina, havia musicata ao piano pelas meninas ou pela dona da casa, pois nesses tempos já passados, era chique e de boa distinção saber dedilhar o teclado de um piano”. 
Estes romanticos serões terminavam ordinariamente pela seguinte frase atirada da porta da sala à multidão amarruada “está lá em baixo o criado das senhoras com o saco de chales e o lampião”. 

Alexandre Heculano viveu no Porto cerca de um ano, tendo acompanhado D. Pedro IV na sua entrada na cidade em 1832, com 22 anos. Foi-lhe dada a incumbência organizar a Biblioteca Municipal. Em carta, escrita em 1862 a uma senhora do Porto, afirma: "O Porto passou sempre por produzir bem só quatro cousas: dinheiro, morangos, nevoeiros e patriotas: eu protestei constantemente que produzia além disso uma quinta – lindas meninas. É verdade que começei os meus protestos quando vivia no Porto e tinha 25 anos; mas ainda hoje guardo pura a religião com que os fiz”.



“O uso do chá generalizou-se no Porto por acasião de duas grandes epidemias do reinado de D. PedroV. Até então era remédio para compor o estomago ou, quando muito, bebida de grande cerimónia. Mas depois que foi adoptado como ceia inofensiva servia-se às 9 horas da noite, o mais tardar, nas melhores casas da cidade” Alberto Pimentel




Sede da Assembleia Portuense a partir de 1859 – foi demolida aquando da construção da Avenida dos Aliados e ficava no local onde hoje se encontra o Clube dos Fenianos

A Assembleia Portuense foi fundada em 31/5/1834 na antiga Praça da Erva, depois Largo do Laranjal e finalmente Praça da Trindade. Pretendeu-se criar um local onde os associados pudessem encontrar-se para conversarem, jogarem “jogos lícitos” e lerem. Também aí se realizavam bailes de grande agrado dos sócios em que eram servidas bebidas e doces. Interessantes eram algumas das regras que proibiam os associados de entrar em certos locais com capote, chapéu e galochas que deveriam deixar na portaria. Só na sala de bilhar e de leitura era permitido usa-los. Era proibido cuspir, assobiar, discutir alto para não perturbar a ordem. Na sala de leitura o silêncio deveria ser absoluto. 
Este clube destinava-se à mais alta burguesia. 
Jocosamente chamavam à sala de convívio o “Palheiro”, pois tinha o chão forrado com uma “alcatifa” em esparto para maior comodidade dos sócios. Irónicamente, Camilo afirmou desconhecer a razão, mas como esta palavra vem de palha, talvez fosse para designar o alimento dos que a frequentavam. Todas as noites era distribuído gratuitamente pelos presentes chá e bolos. Em 1842 tinha mais de 300 associados. 
Em consequência do empobrecimento desta classe, por força das lutas políticas dos anos 40 do séc. XIX, houve muitos sócios que abandonaram a A.P. pelo que esta sofreu graves prejuízos. Pretendeu a Direcção acabar com o referido chá gratuito, o que causou grande divisão entre os associados. Realizaram-se diversas A.G. e ao fim de mais de um mês de discussões, os que pretendiam continuar com este costume perderam a votação em A. G. (c.f. Alberto Pimentel), pelo decidiram fundar uma nova associação.



Sede do Clube Portuense a partir de 1857, onde estava a Assembleia Portuense desde 1834 até à cisão dos sócios. Esta casa pertencia à família Ferreirinha.

Assim, em 24/5/1857 foi fundado, pelos associados dissidentes da A.P., o Clube Portuense. Eram várias dezenas de personalidades da Cidade do Porto, entre os quais se encontravam proprietários, futuros titulares, homens de governança da Cidade e diversos estrangeiros, nomeadamente ingleses cuja colónia detinha uma grande influência na sociedade e economia da Cidade. A Assembleia de Constituição foi na Casa da Fábrica, mais tarde infelizmente destruída. Era uma das mais belas casas do Porto e foi prometido reconstruí-la na Cordoaria, mas nunca tal veio a acontecer. 
Em 1924 mudou-se para a Rua de Cândido dos Reis, para o edifício aí construído pelo Conde de Vizela, onde ainda hoje se encontra.
Na década de 1980, o edifício foi adquirido pelos sócios ao antigo banqueiro António Brandão Miranda.


Este clube teve desde o séc. XIX uma intensa vida social, onde se realizaram dos melhores bailes da cidade, além de muitas outras actividades. Recebeu a visita de D. Pedro V em 1860 e da família Real, D. Luis, a rainha e seus filhos, em 1863; D. Carlos, em 1884, D. Manuel II, em 1908, e do Presidente da República, Dr. Cavaco Silva.





Carnaval de 1905


Carnaval de 1906


1931

“Comemorou-se a 25 de Março deste ano o aniversário deste clube fundado por um grupo de bons Cidadãos Nortenhos – o CLUBE FENIANOS PORTUENSES. Inscreve na sua bandeira a legenda “PELO PORTO” – símbolo da divisa que no futuro orientaria as suas realizações, a favor do progresso e civilização da CIDADE INVICTA .Os primeiros estatutos do clube são aprovados por alvará do Governo Civil do Porto a 17 de Junho de 1904. 
Colectividade de grande prestígio realizou ao longo de anos e anos, eventos na cidade do Porto, como Cortejos de Carnaval, Bodas aos pobres, festejos de St. António, festas de Verão, além de ter contribuído com a sua influência social para a resolução de carências da cidade e da sua população, como a abolição das Portagens da Ponte D. Luís I, a regalia do descanso dominical, a inauguração rápida dos serviços de viação eléctrica para V.N. de Gaia, a criação de sociedades de Previdência Social, a criação do Teatro lírico ou Teatro modelo (hoje Teatro Nacional de S. João), o socorro a vitimas de catástrofes e o auxilio a combatentes, o alargamento do Estatuto do Porto de Leixões, de porto de abrigo a porto comercial.
Na construção da actual Sede Social foi lançada a 1º Cunhal em Agosto de 1920 com a presença do Dr. António José de Almeida, então Presidente da República, e que já em 1910 tinha inscrito no LIVRO DE HONRA do clube a seguinte frase: “ ESTE CLUBE É O EXEMPLO DE QUE A UNIÃO FAZ A FORÇA ”.
A partir daqui foram muitas as acções e actividades desenvolvidas, desde ginástica, iniciação musical, bilhar, filatelia, xadrez, ténis de mesa, conferências e debates sobre vários temas.
São inúmeras as homenagens, os galardões, as medalhas de mérito e os louvores recebidos de diversas entidades da vida portuense e nacional". In Associação das Colectividades do Concelho do Porto

Carnaval de 1905 - Vídeo





Nas festas da alta sociedade do séc. XIX e até anos 20 do passado século, as meninas levavam um carnet de bal no qual iam anotando o nome dos cavalheiros que as convidavam para dançar e que elas aceitavam. Alguns eram muito luxuosos e mostravam a riqueza da família a que pertenciam. Por vezes causava dissabores ou revolta entre os candidatos, ou porque pretendiam antecipar a sua vez ou mesmo porque lhes era negada a dança pelos pais ou pela pretendida. Não era raro uma menina aceitar sucessivamente a inscrição do mesmo cavalheiro, o que era logo notado e comentado pela assistência. Estamos persuadidos que em casos extremos terá levado a algum um duelo. 


Mas havia outro tipo de carnet. Em certos bailes era distribuído um, à entrada, com a sequência das obras que iam ser executadas e seguida de uma linha onde era anotado o respectivo convidado.



Nos princípios do século XX existiu o Casino da Ponte, situado à esquerda da saída em Gaia do tabuleiro superior da ponte Luis I. “Ocupava um bizarro conjunto de edifícios entre a rua depois chamada do Casino da Ponte, à cota do tabuleiro superior e, lá em baixo, a Calçada da Serra, distribuindo-se por patamares pela escarpa abaixo. O edifício principal aproveitara as cantarias do demolido mosteiro de S. Bento de Avé Maria do Porto”. Gonçalves Guimarães em O Polo Industrial da Serra do Pilar.
Este edifício era da propriedade de Abílio Loureiro Dias, que o arrendou a José Luis de Couto Querido. Este instalou o casino que foi destruído por um grande incêndio em 21/8/1919.


“A história deste clube, que começou por ser uma sociedade recreativa (Sociedade Nova Euterpe, fundada em 29 de agosto de 1869) para se tornar num clube burguês, está intimamente ligada à própria história da cidade do Porto, identificando-se especialmente com as suas atividades culturais e cívicas. Ainda hoje os ideais desta associação mantêm uma "cultura da pluralidade", recebendo e promovendo actividades culturais e artísticas num clube privado aberto à cidade. Esta tendência de disponibilizar ao exterior o usufruto de alguns dos seus espaços remonta às suas origens, no século XIX. 
A primeira sede desta sociedade, na Rua da Porta do Sol, foi mais tarde substituída, a 31 de maio de 1885,por um edifício mais apropriado, situado na Rua de Passos Manuel, no centro da Baixa portuense. 
Detém na sua biblioteca mais de 80 mil volumes e possui um museu privativo.” (Infopédia)


Foto dos anos 40 do séc. XX


O Clube de Leça foi fundado em 1/9/1884 na casa de Gustavo Adolfo de Sousa Oliveira, tendo pouco depois passado para uma casa pertencente a José Nogueira Pinto, onde esteve atá 1914. Após ter passado por várias dificuldades, mudou em 1938 para o local onde ainda hoje se encontra. Durante a sua existência lá se realizaram muitas sessões culturais, concertos, reuniões dançantes, excelente serviço de restaurante. Por lá passaram alguns dos maiores artistas musicais nacionais e estrangeiros, destacando-se Óscar da Silva e Guilhermina Suggia. Mas muitos outros vultos do teatro, literatura e outras actividades culturais por lá passaram. 
Depois e uma grande crise durante os anos 80 e 90, o clube “renasceu” pela entrada de novos sócios interessados em dinamizar o clube. 
Hoje está em plena actividade, sobretudo no Verão, com a presença de muitos sócios e de seus filhos, atraídos pela piscina. 


O Brig. Nunes da Ponte fala-nos no Clube de Leça em 16/2/1901: “para as festas e reuniões onde se dançasse, mesmo nos clubes ou casinos de verão, era rigorosamente exigido o uso de luvas. Nos bailes calçavam-se luvas brancas. 
Nenhum rapaz convidava qualquer senhora para dançar sem que previamente tivesse sido apresentado aos pais ou pessoas de família que as acompanhassem, e durante as festas as mamãs sentavam-se geralmente junto das suas filhas, cujos passos pressurosamente vigiavam”.