terça-feira, 7 de maio de 2013

QUINTAS DO PORTO E ARREDORES - I

2.13 - Quintas do Porto e arredores 



Planta do Porto e arredores - 1901

Era nos arredores do Porto que os burgueses endinheirados construíam as suas quintas, e os estrangeiros as alugavam para descanso e lazer – de notar que a Avenida da Boavista ainda não está aberta da Fonte da Moura ao mar, o que só aconteceu em 1917.


2.13.1 - Quinta das Virtudes



A Casa das Virtudes foi construída em 1767 pelo Capitão José Pinto de Meireles, Cavaleiro da Ordem de Cristo, Capitão-mor de Rebordães e senhor da Quinta de Manguela, próxima de Santo Tirso, de onde era natural.
José Pinto de Meireles vem para o Porto e adquire os terrenos onde hoje se localiza a casa e a quinta e, em 1756, casa-se com Dª Francisca Clara de Azevedo Pinto Aranha e Fonseca.
A monumental pedra de armas, que coroa a porta de entrada, é um sinal que aquela família era poderosa. A pedra de armas é barroca e o escudo partido apresenta os brasões dos Pintos (cinco crescentes) e dos Meireles (cruz de Avis), armas concedidas por D. José em 1758.


Casa das Virtudes



Entre 1826 e 1834 esteve aí instalada a “Roda dos Expostos”, vinda da Rua dos Caldeireiros, onde se encontrava desde 1685. 
Em 1839 nasce, nesta casa, a insigne figura do Professor Joaquim de Azevedo Sousa Vieira da Silva Albuquerque (1839-1912), Engenheiro de Pontes e Estradas, Professor do Liceu do Porto e da Escola Politécnica do Porto, bisneto de José Pinto de Meireles. Esteve ligado à revolta do 31 de Janeiro de 1891. A ele se deve o nome da Rua de Azevedo Albuquerque, antiga Rua dos Fogueteiros. A quinta pertenceu a esta família até 1965. Neste ano a CMP compra a quinta e a casa por 2400 contos a D. Margarida Helena Relvas Navarro de Azevedo Albuquerque, neta do eng  Azevedo Albuquerque. Foi alugada à Cooperativa Árvore, onde ainda se encontra. Os jardins são hoje o Parque das Virtudes que mantém o desenho antigo. Tem uma esplêndida vista para o Rio Douro e Gaia.






Fonte na Quinta das Virtudes – Foto de F. Afonso

Nesta quinta esteve instalado o horto de Pedro Rodrigues, o conhecido Pedro das Virtudes, que cultivava flores, em especial camélias, cravos e jasmins. Em 1844 veio para o Porto, com 15 anos, José Marques Loureiro que com grande sabedoria e esforço se dedicou ao horto. De tal forma se lhe dedicou que, em 1860, Pedro Rodrigues lhe passou o negócio, pagando aquele um estipêndio diário. Foi nomeado fornecedor da Casa Real, em 1865. Lançou catálogos de flores e frutos, facto inédito no tempo e com que teve grande sucesso e fama em todo o país. Lançou também, em 1879, o Jornal de Horticultura Prática, que se publicou até 1892. 


Devido a doença, o “Jardineiro das Virtudes”, como gostava que lhe chamassem, afastou-se do negócio,criando com outros sócios a “Real Companhia Horticolo-Agricola Portuense, que continuou a publicar os costumados catálogos. 
José Manuel Loureiro faleceu em 14/7/1898, aos 68 anos.


2.13.2 - Quinta de Santo Ovídio



Campo da Regeneração (hoje Praça da República) e Quinta de Santo Ovídio – mapa Telles Ferreira – 1892 – podem ver-se ainda, à esquerda em cima, o Hospital Militar D. Pedro V e á direita a Igreja da Lapa e o Quartel de Santo Ovídio. 




A quinta de Santo Ovídio situava-se entre a actual Praça da República  com entrada pelo nº. 61, e a Rua de Cedofeita, no espaço ocupado hoje pela Rua de Alvares Cabral. Primitivamente era conhecida pela denominação de Quinta da Boa Vista. Pertenceu ao desembargador João Carneiro de Morais que nela mandou construir uma capela dedicada a S. Bento e Santo Ovídio. 
No tempo de ARC pertencia a Manuel Figueiroa, pelo que era conhecida pela Quinta dos Figueiroa (ainda hoje existe a Travessa da Figueiroa, que liga a Rua da Boavista à de Cedofeita, mas que se deveria chamar do Figueiroa). Manuel Figueiroa, em 1794, ofereceu parte da quinta para a construção da Rua da Boavista, com a condição de lhe “ficarem pertencendo as vertentes das águas do chafariz a construir naquela rua, o que só se concretizou 30 anos depois, a 3/2/1824, sendo já então senhor da quinta o Marechal de Campo Manuel Pamplona Carneiro Rangel, depois Visconde de Beire”. Por falecimento de Manuel Figueiroa passou, por testamento, para o referido Visconde de Beire. A filha deste, D. Maria Balbina Pamplona Carneiro Rangel casou com o quarto Conde de Rezende, António Benedito de Castro. D. Maria Balbina deixou, em testamento, esta quinta aos netos existentes à data do seu falecimento e aos nascituros. O VI Conde de Rezende, Manuel Benedito de Castro, entendendo que o rendimento anual de apenas 500.000 reis que esta quinta proporcionava, obteve consentimento do conselho de família para, em nome de seus filhos, promover a sua venda. Considerou-se que era de “alta vantagem a alienação desta propriedade quando ela seja vendida pela quantia de 100 contos de reis (100.000$000) (e), quando não apareça comprador por aquela quantia abrir uma rua desde o Campo da Regeneração até à Rua de Cedofeita… e dividir toda a propriedade em terrenos, para construções, de 6 metros de largura com quintais, o que dá 165 chãos, e vendê-los nunca por quantia inferior a 700.000 reis cada um”. Como não apareceu comprador pelo preço pedido a Câmara autorizou a abertura da actual Rua de Alvares Cabral. O contracto da construção desta rua, com o empreiteiro José Joaquim Mendes, foi celebrado em 25 de Setembro de 1895. O produto da venda dos terrenos rendeu mais do que o esperado, tendo o último talhão, o 119, sido vendido por 1.000$500 reis. 


D. Emília de Castro Pamplona (Rezende), filha dos quartos Condes de Rezende, casou em 10/2/1886 com o grande escritor José Maria Eça de Queiroz, de quem teve 4 filhos.





Quinta de Vila Nova, Santa Cruz do Douro – pertenceu a D. Emília de Castro Pamplona. Passou, por sua morte, para sua filha D. Maria de Castro, mãe de D. Manuel Benedito de Castro, casado com D. Maria da Graça Salema de Castro. Tendo enviuvado, D. Maria da Graça ainda lá reside. 


Quinta de Vila Nova, Santa Cruz do Douro - nesta foto, de 1940, podem ver-se, da esquerda para a direita: Eng José Joaquim da Costa Lima, ao tempo Director do Instituto do Vinho do Porto; Henrieta Murray; D. Maria de Castro, filha de Eça de Queiroz; D. Maria da Graça Almeida Salema de Castro, esposa de D. Manuel Benedito de Castro a seu lado, filho de D. Maria de Castro, neto do grande escritor José Maria Eça de Queiroz e bisneto do 4º. Conde de Rezende.


No seu romance A Cidade e as Serras, Eça de Queiroz refere-se à quinta de Vila Nova (Tormes) em Santa Cruz do Douro, local paradisíaco e calmo para um cidadão regressado do bulício da cidade de Paris, onde era Cônsul de Portugal. Nesta quinta, sede da Fundação Eça de Queiroz, ainda vive a viúva de D. Manuel Benedito de Castro, a nossa querida amiga Senhora D. Maria da Graça Almeida Salema de Castro. 

O site desta fundação retiramos o seguinte excerto:


sexta-feira, 3 de maio de 2013

A BONDADE DO CLIMA

2.12 - A bondade do clima




Ano 2009


Nascer do Sol – foto Blog da Maria Inês


Rua de Pelames – foto de Atelier E


Vento Leste


Barra da Foz do Douro em manhã de nevoeiro


Foto de FMPereira


Capela de Fradelos e silo-auto 

Esta zona da cidade é muito propícia a nevoeiro devido ao ribeiro que por aí passa vindo da zona da Fontinha. Não é por acaso que se chama, a essa zona, o Bolhão. Este bolhão estava no terreno onde foi construído o mercado. A Rua de Fernandes Tomaz chamou-se anteriormente Rua do Bolhão. Além disso, pela sua orografia, é frequente ver o nevoeiro a subir, vindo do rio Douro. 


Lembrámo-nos muito bem do chamado “ciclone”, de 15 de Fevereiro de 1941, que fez grandes estragos em Portugal. Cerca da 20,30 h. o Porto estava debaixo de chuva e vento indescritíveis, que atingiu os 145 km/h. Os prejuízos foram enormes por toda a cidade, especialmente pela queda de centenas de árvores. O Porto ficou às escuras porque muitos cabos de alta tensão e dos eléctricos caíram e corria-se o risco de electrocussão  O ciclone provocou, na zona do Porto e arredores, uma meia dúzia de mortos, e foram centenas as pessoas levadas ao Hospital de Santo António. Mas a nossa cidade não foi dos locais mais atingidos, já que na zona de Lisboa, Sintra e Setúbal contaram-se por centena as vítimas mortais.


Pinheiro Manso que caiu em 15/2/1941. Foto de 1906. Em segundo plano podem ver-se a chaminé e as instalações da fábrica do Graham.




Na nossa memória ficou a queda do Pinheiro Manso, na Boavista, centenária árvore que deu o nome à rua. Ficava na casa da família Gilbert, à esquerda de quem entrava na rua, e ao cair destruiu uma cabine telefónica e apanhou a traseira de um automóvel dos Bombeiros do Porto, em que seguia o conhecido Major Serafim Morais, que nada sofreu. No dia seguinte vimos o pinheiro no chão, atravessado na rua e meu avô Augusto fotografou-o.


Mas muitos mais jardins da cidade foram desbastados.  De O Tripeiro Série VI, Ano II retirámos uma foto do Jardim da Cordoaria.



O Comércio do Porto – 16-2-1941 

Em 11/11/1931 houve um violento temporal que derrubou um histórico pinheiro existente no ilhéu em S. Roque da Lameira. Tinha 4,8 metros de diâmetro e 30 metros de altura, a que era atribuída uma idade de sete séculos.


Efeitos do temporal de 19/1/2013

Também em 12 de Fevereiro de 1788 houve uma grande tempestade que provocou grandes prejuízos na cidade e arredores.


Dia de chuva – foto de Rui Bonito 

Chuva no Porto em 9/3/2013 


Embora raramente também acontece cair neve na cidade – 1983 


Em 2 de Fevereiro de 1916 o Porto suportou um dos seus dias mais frios; às 9 horas da manhã estiveram 3,8 graus negativos. 


Foto de Rita Siborro



Também, como diz ARC, há dias solarengos… 


Até viu o eclipse de 17/4/1912 – foto de Aurélio Paz dos Reis


O primeiro posto oficial de meteorologia do país foi criado no telhado do Hospital de Santo António, em 1853. Estava ligado à Escola Médica, que lhe ficava por baixo, e era considerado a que melhores instalações possuía e o melhor apetrechado para esse fim em Portugal. 


Observatório da Serra do Pilar 
Ligado ao Observatório D. Luis, de Lisboa, foi inaugurado em 9 de Julho de 1885 o Posto Meteorológico e Magnético do Porto, depois Observatório Meteorológico da Princesa D. Amélia e, finalmente em 1910, Observatório da Serra do Pilar. 


Notícia, de O Comércio do Porto de 24/2/1926, sobre a decisão tomada pelo Ministro da Instrução relativamente ao Observatório da Serra do Pilar, que passou a ser directa e inteiramente dependente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, tendo reassumido as funções de director interino o Dr. Álvaro Machado, 1.º assistente daquela Faculdade.