domingo, 10 de janeiro de 2016

RIO DOURO - AFLUENTES V

6.2.5 - Rio Douro - Afluentes V - Rio Corgo - Vila Pouca de Aguiar - Vila Real


O rio Corgo é um dos afluentes do rio Douro. Nasce no concelho de Vila Pouca de Aguiar e desagua junto à cidade do Peso da Régua, na margem direita do rio Douro, passando antes por Vila Real e no concelho de Santa Marta de Penaguião.
Perto de Vila Real recebe como afluente o rio Cabril (que tem nascente na Serra do Alvão), além de outros pequenos rios e ribeiros.
Logo abaixo de Vila Real e ao entrar no concelho de Santa Marta de Penaguião, o Corgo tem nas suas margens as vinhas da Região Demarcada do Douro.
Ainda em Vila Real, o Rio tem dois açudes, um para lazer, o complexo do Codessais, com piscinas e praia fluvial, bares e animação nas noites de Verão, e o segundo, a jusante da cidade, com o nome de Terragido, para aproveitamento hidroeléctrico (produção de energia eléctrica) e tratamento de águas e resíduos urbanos.


"Conhecidas nos primórdios da nacionalidade como as terras de Aguiar de Pena, nome tirado do velho castelo roqueiro com a mesma designação, ou seja da Pena, assente num penedo colossal que seria uma das referências da região, com o nome de Aguiar adivinha-lhe do facto de ser um povoado de águias.
A ocupação humana deste território, remonta à época megalítica, muito anterior à ocupação romana, como testemunham as várias, antas, mamoas, sepulturas e o espólio arqueológico encontrado em vários locais, principalmente na serra do Alvão.
Nos finais do século III a.C. começa a colonização romana do território atualmente português. Posteriormente e até à fundação do reino de Portugal, este território foi sucessivamente ocupado por Suevos, Visigodos e Muçulmanos. Após a criação do Reino, é atribuído o primeiro foral à Terra de Aguiar de Pena pelo Rei D. Sancho I, em 1206.
Em meados do século XIX as reformas administrativas efectuadas ao nível autárquico, deram a atual configuração ao município".




"De acordo com a moderna pesquisa arqueológica, a primitiva ocupação humana desta região remonta à pré-história. À época da Invasão romana da Península Ibérica, os conquistadores foram para aqui atraídos pela presença de minérios de ouro, prata e chumbo. Posteriormente foram sucedidos por Visigodos e por Muçulmanos, estes a partir do século VIII. O castelo foi cabeça da Terra de Aguiar, que posteriormente se constituiu no Concelho de Vila Pouca de Aguiar, tendo o seu nome ligado à Independência de Portugal, quando se acredita que o seu "tenens" fosse partidário de D. Afonso Henriques (1112-1185), de acordo com uma referência na hagiografia medieval de Santa Senhorinha de Basto. Por esse motivo a região foi invadida e o Castelo de Aguiar sitiado por uma força leonesa que pretendia sujeitá-lo ao reino de Leão ou, caso contrário, aprisioná-lo e substituí-lo. Na ocasião, D. Gonçalo Mendes de Sousa, senhor de domínios nas terras de Aguiar e de Panóias, companheiro de armas de D. Afonso Henriques, apressou-se a socorrer as gentes do castelo.
Posteriormente, sob o reinado de D. Afonso III (1248-1279), Telões recebeu a sua Carta de Foral (10 de julho de 1255). Nesse período considera-se que a fortificação começava a perder importância, uma vez que a partir de 1258 a população passou a se libertar gradualmente dos encargos de manutenção da daquela defesa.
O castelo sofreu diversas alterações em fins do século XIV".


Ponte de Ola em Bragado sobre o Rio de Avelames

O parecer do IGESPAR expressa e caracteriza devidamente o Monumento, segundo o qual, a ponte da Ola, implantada sobre o rio Avelames, assenta «num único arco de volta perfeita, em cantaria, e em dois amplos olhais, também em arco de volta perfeita de tradição construtiva romana».
A ponte da Ola, que os especialistas admitem que remonte à transição do período medieval para o período moderno, possui «especial importância patrimonial» sendo «uma mais-valia para a cultura nacional». A Zona Especial de Protecção vai assegurar a sua preservação e enquadramento paisagístico.


Espigueiro em V. P. Aguiar


A Ponte de Piscais, sobre o rio Corgo, é uma ponte romana situada a norte da cidade de Vila Real na freguesia de Mouçós. Esta obra fazia parte de uma importante via romana que atravessava toda a península ibérica, como ainda está aberta ao tráfego automóvel tem sofrido vários "atentados" entre os quais o uso do cimento para nivelar os característicos e não nivelados pavimentos romanos - (por terem assim sido construídos e por centenas de anos de uso).
Foi classificada como Imóvel de Interesse Público em 1977.


Vila Real – Reconstituição das portas da Villa (segundo os dados históricos) – demolidas em 1873

"A região de Vila Real possui indícios de ter sido habitada desde o paleolítico. Vestígios de povoamentos posteriores, como o Santuário Rupestre de Panóias, revelam a presença romana. Porém com as invasões bárbaras e muçulmanas verifica-se um despovoamento gradual.
Nos finais do século XI, em 1096, o conde D. Henrique atribui foral a Constantim de Panóias, como forma de promover o povoamento da região. Em 1272, como novo incentivo ao povoamento, atribuiu D. Afonso III foral para a fundação — sem sucesso — de uma Vila Real de Panoias, que alguns autores defendem ter sido prevista para um local diferente do actual (provavelmente o lugar da aldeia de Ponte na freguesia de Mouçós). Somente em 1289, por foral do rei D. Dinis, é fundada efectivamente a Vila Real de Panóias, que se tornará a cidade actual. No entanto, ao que parece, já em 1139 se chamava «Vila Rial» ao promontório onde nasceu a Vila Real actual, na altura pertencente à freguesia de Vila Marim.
A localização privilegiada, no cruzamento das estradas Porto-Bragança e Viseu-Chaves, permite um crescimento sustentado. A presença, a partir do século XVII, da Casa dos Marqueses, faz com que muitos nobres da corte também se fixem. Facto comprovado pelas inúmeras pedras-de-armas com os títulos de nobreza dos seus proprietários que ainda hoje se veem na cidade.
Com o aumento da população, Vila Real adquiriu, no século XIX, o estatuto de capital de distrito e, já no século XX, o de capital de província. Em 1922 foi criada a diocese de Vila Real, territorialmente coincidente com o respectivo distrito, por desanexação das de Braga, Lamego e Bragança-Miranda, e em 1925 a localidade foi elevada a cidade.
Conheceu um grande incremento com a criação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em 1986 (embora esse já viesse a acontecer desde 1979, com o Instituto Universitário de Trás-os-Montes e Alto Douro, sucessor do Instituto Politécnico de Vila Real, criado em 1973), que contribuiu para o aumento demográfico e revitalização da população".


Vista do Corgo - c. 1900


Casa do Marquês de Vila Real


Antigo Tribunal de Vila Real





Inauguração do Caminho de Ferro da Régua a Vila Real - 12 de Maio de 1906.


Escarpas do Corgo – ponte pedonal e retenção de água.


Vila Real – Rio Corgo


Lavadeiras no Rio Corgo


Plantação de tabaco


Tabaco a secar

Durante alguns anos, sobretudo nos anos de grande crise das vinhas, plantava-se tabaco tipo Burley em Trás-os-Montes. 
 Ainda nos recordamos de ver, em Canelas do Douro, folhas de tabaco, com alguns anos, a secar na eira. Como não era rentável esta cultura desapareceu já no séc. XX.



Câmara Municipal e jardim


Pelourinho


A Casa de Mateus é mandada construir na primeira metade do século XVIII por António José Botelho Mourão, 3º Morgado de Mateus. Substitui-se à casa da família já existente no local em inícios do século XVII. Em 1911 é classificada como Monumento Nacional.
A arquitectura barroca, de gosto italiano, é atribuída a Nicolau Nasoni pela coerência do estilo e semelhança com outras obras de sua autoria. Segundo Robert Smith, especialista na sua obra, o arquitecto terá dedicado à construção da Casa, ou pelo menos à sua fachada central e decoração, os anos entre 1739 a 1743.

Texto sobre a Casa de Mateus

Fotogaleria da Casa de Mateus

Casa de Mateus - vídeo


Ponte sobre o Rio Corgo na Régua

O troço entre a Régua e o Pinhão da Linha do Douro, do qual esta ponte faz parte, foi inaugurado a 1 de Junho de 1880; a inauguração do primeiro troço da Linha do Corgo, que também percorria esta ponte, deu-se a 12 de Maio de 1906. Parece ter uma passagem pedonal quase ao nível da água.


Foz do Rio Corgo, na cidade da Régua.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

RIO DOURO - AFLUENTES - IV

6.2.4 - Rio Douro - Afluentes - Rio Távora - Sernancelhe - Tabuaço



Fonte de João Durão

Rio Távora, nasce na serra de Prisco, na fonte de João Durão, no concelho de Trancoso, com 54 Km de curso, entra na margem esquerda do rio Douro, 5 Km a norte da Vila de Tabuaço.
Atravessa os concelhos de Sernancelhe e S. João da Pesqueira que ficam na margem direita e os concelhos de Aguiar da Beira e Moimenta da Beira, margem esquerda e por fim atravessa o concelho de Tabuaço.
As margens deste rio são íngremes desde o Espinho (foz do Távora) até Riodades (São João da Pesqueira), passando por medonhos penhascos como no caso da Talisga (fradinho), os grandes rochedos perpendiculares de grande altura que ficam por cima da Igreja Românica de S. Pedro das Águias e os célebres Castelos de Cabriz, que são três rochedos alcantilados juntos uns aos outros, que teriam sido habitados em eras remotas, servindo de abrigo e local de boa visibilidade para os povos que ali viveram.



Talisga - Fradinho


Castelos de Cabriz


Foto de Fernando Peneiras


Fotografia Landito


Ponte de Abade



Em Sernancelhe


Foto e texto de Existe um Olhar

“Dispõe de uma importante albufeira, criada pela Barragem de Vilar localizada entre as freguesias de Vilar (Moimenta da Beira) e Fonte Arcada (Sernancelhe). Esta albufeira ajuda a normalizar os fluxos hidrográficos do Douro, serve para a produção de energia eléctrica e é também recentemente utilizada para captação de água para abastecimento público”.


Foz do Rio Távora - foto Victor Oliveira


"O concelho de Sernancelhe é uma parcela do distrito de Viseu com 222 Km2 de extensão, cerca de sete mil habitantes e distribuído por 17 freguesias.
É um território já com história anterior à fundação da nacionalidade Portuguesa.
Está localizado entre as entre as serras da Lapa e da Zebreira, tendo o rio Távora que o atravessa a meio, e também onde o rio Vouga inicia o seu percurso
Também este município é rota dos caminhos de Santiago, encontrando-se na sua estrutura arquitectónica a influência românica e barroca. 
Está situado também nas denominadas “Terras do Demo”, sendo toda a região de características montanhosas.
A sua situação é bem no coração de Portugal, sendo um autêntico museu vivo de história. Viajar nesta região é viajar no tempo.
Palco de combate entre cristãos e mouros, que a tradição popular preserva através das lendas o concelho foi povoado desde os tempos ancestrais do Neolítico, tendo sido depois, conquistado pelos romanos. Os testemunhos do passado estão bem retratados pelos muitos Castelos, Igrejas, Mosteiros, Pelourinhos, solares e casa senhoriais que se espalham por toda a região". In site da C. M. de Sernancelhe.


O castelo de Sernancelhe actualmente em ruínas, é suposto, ter sido construído pela Ordem de Malta, mas os vestígios de ocupação deste local, desde o Neolítico até à romanização da Península, levam a supor que já antes da construção do castelo medieval, possam ter existido outras defesas da povoação. Sernancelhe já existia antes da fundação de Portugal, já que em 1124, foi concedido foral à vila, mais tarde confirmado por D. Dinis, em 1295, o que atesta a importância desta vila, confirmado pelo conjunto histórico nela existente.




"Embora se desconheça a data de construção desta singular igreja românica, o ano de 1172 surge como provável aproximação, uma vez que constitui a única referência documental da vila nesse período. O templo é um característico monumento de estilo românico, cuja cabeceira parece ser a parcela mais antiga.
O portal principal, cuja composição se instituiu como a imagem de marca do monumento, é mais tardio, atribuindo alguns autores a sua feitura ao século XIV. É uma ampla entrada, de arco de volta perfeita assente sobre três arquivoltas, a média decorada com uma sequência ímpar de dez anjos de asas abertas. O tímpano é ainda mais original, embora corresponda a uma beneficiação de época moderna - é de arco trilobado irregular e apresenta motivos geométricos e vegetalistas, a ladear um óculo central. De ambos os lados do portal, coroando (e controlando simbolicamente) a entrada, situam-se dois grupos escultóricos inscritos em nichos - um de cada lado -, representando São Pedro, São Paulo e os Evangelistas. A restante frontaria é moderna, de 1636 (torre sineira) e, eventualmente, já do século XVIII (registo superior da fachada principal).
No interior destacam-se duas pinturas murais que ladeiam o apontado arco triunfal, uma das quais revelando duas fases pictóricas alusivas ao mesmo tema. Ainda no conjunto importa referir a presença de um arcossólio gótico, preenchido com túmulo decorado com inscrição alusiva certamente ao tumulado.
A Matriz de Sernancelhe é um monumento ainda relativamente mal estuado, mas cuja relevância na História da Arte da Beira Alta se impõe, não apenas no período românico, cuja originalidade é evidente, mas também na Baixa Idade Média, em que se instituiu como local de sepultura privilegiado para nobres da região". In Património Cultural



“O Recolhimento de Nossa Senhora do Carmo situa-se em pleno coração da aldeia de Freixinho, envolto por uma paisagem idílica, banhada pelas águas do Rio Távora. Foi fundado por João Gouveia Couto, em 1693. As reformas liberais, nomeadamente as relacionadas com as desamortificações devem ter tido algum impacto na vida deste Convento, atingindo assim bens e foros. Escapou à sanha devastadora de 1834, porém não escapou à fobia demagógica da Revolução Republicana de 1910, perdendo-se então a maior parte dos bens e recheio… Relativamente ao imóvel, no exterior podemos observar a enorme bem conservada cerca, inúmeras janelas gradeadas, duas entradas principais, sobrepujadas por pináculos piramidais coroados por uma bola, e uma lindíssima torre (mirante), constituída por quatro janelas e cúpula. O claustro forma um pequeno quadrilátero com dois andares. O inferior é rematado por uma série de colunas toscanas. O superior é composto por varandas em madeira, em volta das quais se encontram bancos para repouso e lazer. Sem dúvida, um belo exemplar arquitectónico, onde nasceu também o requintado doce gastronómico: as cavacas de Freixinho”. In C. M. de Sernancelhe


Gozam de grande fama as Cavacas de Freixinho, que se fabricam desde remotos tempos e que constituíam uma especialidade das freiras do recolhimento.

Cavacas do Freixinho - vídeo 


Tabuaço – foto de Ricardo Fonseca

Tabuaço


"A igreja matriz, de invocação a Nossa Senhora da Conceição, foi construída no séc. XVII. Várias remodelações vieram a verificar-se durante os séculos XVIII, XIX e XX.
De arquitectura caracteristicamente religiosa, maneirista e barroca, os retábulos colaterais apresentam algumas características da talha joanina de transição para o período rococó.
A Igreja é, de facto, de construção medieval, de que não restam quaisquer vestígios, excepto no facto do volume da capela-mor formar um ligeiro ângulo, denunciando ser uma edificação anterior, totalmente remodelada e ampliada no séc. 18, mas com a estrutura e simplicidade maneiristas". In site da C. M. Tabuaço.


Ermida de São Pedro das Águias, Granjinha, Tabuaço - Foto de jorgsant


Vista do lado Norte – foto de Carlos Castro



“A ermida de São Pedro das Águias é um pequeno templo em estilo românico, supõe-se que construído por volta do séc. XIII, a avaliar pelos motivos escultóricos que apresenta. Fica nas proximidades de uma localidade chamada Granjinha, que pertence ao concelho de Tabuaço, e acede-se a ela a partir da estrada nacional que liga Tabuaço a Moimenta da Beira. A ermida fica situada sobre uma espécie de plataforma inclinada, entre um fraguedo e o fundo do vale do rio Távora, que é um afluente da margem esquerda do Douro.
O que mais surpreende nesta bela ermida é a sua extraordinária proximidade de uma escarpa rochosa, da qual dista muito menos de um metro, e é, sobretudo, o facto de a sua porta principal estar virada para a escarpa e não para o rio. Os fiéis que quiserem entrar na capela pela porta principal só conseguirão entrar um a um, porque terão que se esgueirar entre a capela e a escarpa! A razão para este facto aparentemente estranho reside na tradição cristã de construir os templos com a porta principal virada a poente e a capela-mor virada a nascente. Neste caso, o poente fica do lado da escarpa; logo, a porta principal está do lado da escarpa e não do lado contrário.
Como tudo o que é antigo neste país tem uma lenda associada, a ermida de São Pedro das Águias também tem a sua lenda. E como quase todas as lendas neste país envolvem mouros, esta também envolve. A lenda de São Pedro das Águias é a seguinte:
Dois cavaleiros de Entre-Douro-e-Minho, D. Rosendo e D. Tendo, teriam passado o Douro para dar combate aos Sarracenos, então firmados na vertente meridional do rio Douro. A fama das façanhas dos dois guerreiros espalhou-se entre os próprios Mouros, a tal ponto que duas filhas do emir de Lamego teriam decidido fugir do alcácer paterno, disfarçadas em trajos masculinos, para se entregarem aos dois paladinos da cruz. Uma dessas jovens mouras, principalmente, de nome Ardinga, sentir-se-ia irresistivelmente propensa a abjurar da sua religião, para se consagrar à crença do guerreiro cristão, D. Tedo, que, ansiosamente, procurava, fugindo à perseguição dos emissários do Emir lançados no seu encalço. Ao cabo de muitos perigos, alcançaram um sítio ermo onde encontraram um eremita, a quem Ardinga teria pedido a aceitação da sua nova fé, a fim de poder contrair matrimónio com o guerreiro cristão, nessa ocasião, ausente. Consumada a abjuração, apareceu de súbito o Emir, com os seus homens de armas. As fugitivas foram aprisionadas e a mais rebelde foi, sem mais hesitações, degolada pelo próprio pai. D. Tedo, vindo pouco depois, quando já o chefe mouro havia regressado aos seus domínios de Lamego e Resende, e sendo informado pelo ermitão do que se passara na sua ausência, teria ficado tão abalado pela morte da jovem sarracena, por ele apaixonada e morta, que nesse mesmo momento teria feito voto de celibato, entregando-se à exclusiva luta pela doutrina de Cristo até à morte, ocorrida em combate em terras de Tabuaço, nas margens do rio que passaria a ter o seu nome, o rio Tedo.
Sant'Anna Dionísio, in Guia de Portugal, volume V (Trás-os-Montes e Alto-Douro), tomo II (Lamego, Bragança e Miranda)”. In amateriadotempo


Foto de Cruzeiros e Pelourinhos

"Granja do Tedo foi um pequeno concelho, com autonomia administrativa desde finais do século XV. De acordo com o Cadastro da população do Reino de 1527, tinha então a categoria de vila. O concelho foi extinto em 1836, e integrado em São Cosmado até 1855, data na qual ambos foram transferidos para Tabuaço. Granja do Tedo conserva ainda o seu pelourinho, actualmente levantado no largo fronteiro à capela de São Francisco. 
Nas primeiras décadas do século XX, o pelourinho esteve transformado em fontanário, como se pode ver em gravuras da época (F. Perfeito de MAGALHÃES, 1991). Foi mais tarde reposto na sua função original, sobre dois degraus novos, de planta quadrada, e uma base semelhante. É constituído por fuste de arranque e topo quadrangular, com os cantos chanfrados na maior parte da sua altura, de forma a tomar a secção oitavada. O capitel é liso e de secção quadrada, ornado apenas com um brasão ilegível. A encimá-lo existem duas molduras quadrangulares crescentes, onde assenta o bloco terminal, composto por um paralelepípedo rematado em tronco piramidal embolado. Este bloco é enquadrado por quatro pináculos cantonais, parcialmente mutilados, e inclui uma pequena carranca, a eixo com o brasão de armas. O pelourinho será de provável construção quinhentista". Sílvia Leite (IPPAR)


Foto de Cruzeiros e Pelourinhos


"Sendim (ou Sandim) foi couto dos Senhores de Leomil, cujo senhorio, efectivamente anterior à doação do Conde D. Henrique e D. Teresa, se estendia por grande parte do actual concelho de Tabuaço. Atribui-se-lhe por vezes carta de aforamento de D. Afonso Henriques, e igualmente foral de D. Afonso III, dado em 1250, mas não existe qualquer referência documental quer a um quer a outro. Ainda assim, Sendim foi concelho, com câmara referenciada no início do século XVIII, sendo extinto em 1836 e integrado em Tabuaço. A freguesia foi elevada a vila em 2001. Conserva ainda um pelourinho, cuja tipologia segue a de alguns exemplares quinhentistas. 
O pelourinho levanta-se num largo da vila, na vizinhança da Igreja Matriz. Assenta sobre plataforma de três degraus quadrados, de aresta, o superior servindo de plinto à coluna. Esta tem fuste de secção quadrada na base, seguindo a partir daí com secção octogonal, conseguida através da chanfradura das arestas. Retoma a secção quadrada junto do topo, que faz vezes de singelo capitel. O remate consta de uma grande peça em taça de secção quadrangular, com decoração de difícil leitura, mas onde parece existir parte de uma esfera armilar. Sobre este bloco elevam-se quatro pináculos cantonais, em pirâmide decorada com quatro registos de ressaltos e remate boleado. 
Ainda que não tenha existido foral de D. Manuel, o monumento poderia ter sido construído no primeiro quartel do século XVI, visto ser concordante com a tipologia de outros pelourinhos do período. Parece confirmar esta datação a presença dos vestígios de uma esfera armilar, o emblema pessoal deste monarca, reiteradamente aposto nas obras oficiais do seu reinado. Sílvia Leite ( IPPAR ).

domingo, 3 de janeiro de 2016

RIO DOURO - AFLUENTES III

6.2.3 - Rio Douro - Afluentes - Rio Tua, Mirandela, Vila flor



Rio Tua


Foto Afasoft


Linha do Tua


Foz do Rio Tua

O rio Tua resulta da junção de dois outros rios: o rio Tuela e o rio Rabaçal, uma junção que ocorre a 4 quilómetros a norte da cidade de Mirandela. 
Estes rios nascem em Espanha, sendo que o Tuela nasce em Castela-Leão e o Rabaçal na Galiza, entrando ambos em Portugal através do concelho de Vinhais. O Tua desagua, no Douro, em Foz Tua.


Barragem do Rio Tua – grande polémica levanta a construção desta barragem…ver-se-á quem tem razão.

Rio Tua – vídeos




Mirandela - cerca de 1900


cerca de 1900


"Também conhecida por Ponte Velha, esta medieval estrutura situa-se sobre o rio Tua, junto a Mirandela, constituindo durante centenas de anos a única via de atravessamento do rio para os mirandelenses. 
A Ponte terá sido construída no século XVI, tendo sofrido diversas intervenções ao longo dos séculos. Há mesmo notícia de no mesmo local ter existido uma outra ponte, edificada em princípios no século XV. 
Entre as várias reconstruções que sofreu ao longo dos séculos realçam-se as feitas em 1910, por no ano antes terem caído quatro arcos devido a grandes cheias, substituindo os arcos arruinados somente por dois com maiores dimensões, ficando assim a ponte com os dezassete arcos actualmente visíveis. 
A Ponte, em cantaria de granito, apresenta hoje em dia 238,5 metros de comprimento, assente em dezassete arcos, quatro deles quebrados” –In Guia da Cidade 


“Na cidade de Mirandela estão dos melhores valores arquitectónicos do concelho, como o Palácio dos Távoras, imponente construção nobre reedificada no século XVII, o Palácio dos Condes de Vinhais, a cerca amuralhada da qual resta apenas a Porta de Sto. António, a ponte velha, que continua a constituir uma incógnita quanto à data de construção e que constituem valores patrimoniais e a cultura de um povo.
Em Mirandela nasceu também, com exemplo dado, o conceito de cidade jardim. O culto da flor invadiu todos os espaços. Milhares de belas flores estendem-se por uma cidade inteira que vale a pena visitar. Por todo o concelho há vestígios de povoamento pré-histórico, bem documentado por monumentos megalíticos e diversos castros.
Os povos da idade do bronze desenvolveram uma intensa actividade mineira explorando o estanho, o cobre, o arsénio e ouro como é o caso do “buraco da pala”, situado na freguesia de Passos, que foi identificado um caso de metalurgia primitiva de ouro entre 2800-2500 A.C.
Os romanos, não podendo ficar insensíveis ao minério, também aqui se estabeleceram deixando as marcas da sua civilização. Logo no século VI, o paroquial Suevo dá-nos conta da existência de “Laetera”, enigmática e vasta circunscrição administrativa que corresponde à mesma área onde nasceu o concelho de Mirandela.
A importante e medieval “terra de Ledra” estender-se-ia pela quase totalidade do actual concelho e por parte do de Vinhais, compreendendo ainda um reduzida porção do concelho de Mirandela.
No dealbar do século XIII, já esta terra se encontrava dividida em três julgados: Lamas de Orelhão, Mirandela e Torre de D. Chama. Todas estas povoações receberam foral e se constituíram em concelhos. Mirandela recebeu assim de D. Afonso III carta foral a 25 de Maio de 1250. De 1835 a 1871, as reformas liberais extinguiram-nos, restando-lhes a memória desses tempos de autonomia.
Em 1884, o concelho de Mirandela passa a ter delimitações geográficas conforme as actuais”. In blogue canelasdodouro.comunidades.net




“A importância dos Távoras em Trás-os-Montes, e em particular na região de Mirandela, encontra-se bem expressa nos privilégios concedidos pelos monarcas e pelo seu domínio sobre as instâncias da justiça, ficando o rei somente com "o officio de Escrivão das sizas, achados e almoçataria" (COSTA, 1706, p. 448). A casa, onde, contrariamente à prática de outras famílias nobres, os Távora permaneciam bastante tempo, deveria traduzir todo o prestígio e poder de que a família gozava. Assim deve ser entendida a profunda remodelação da fachada, ocorrida no início do século XVIII, que transformou o edifício numa grandiosa cenografia, na qual o brasão dos seus proprietários se encontrava em lugar de destaque. As origens da casa são, no entanto, bem anteriores. Para acompanharmos a sua história seguimos os trabalhos de Luís Alexandre Rodrigues, que estudou a evolução do imóvel e em particular, da sua fachada (1997, pp. 163-174). 
A mais antiga residência seria uma torre medieval, devidamente adaptada, que veio a ser destruída para dar lugar a um outro edifício, mais consentâneo com as necessidades da família (RODRIGUES, 1997, p. 164). As informações sobre este imóvel são praticamente inexistentes e apenas o documento de instituição do morgado, em 1536, confirma que, à época, a casa era uma realidade. A capela, dedicada a São Sebastião e a Nossa Senhora da Conceição, com a data de 1664 sobre a verga do portal, é fruto de uma campanha posterior, conservando-se o seu traçado na remodelação setecentista. As descrições subsistentes, do final de Seiscentos, deixam adivinhar um edifício de dois pisos, de planta irregular e alçado assimétrico (IDEM, p. 166). 
A grande intervenção no Paço deve-se à iniciativa de Luís de Távora que, em 1709, contratou os mestres canteiros Manuel Alves e Domingos Pereira, residentes em Mirandela, para executar a fachada, de acordo com os desenhos que, infelizmente, desconhecemos. Esta era, sem dúvida, uma obra da maior importância, facto que o valor envolvido - 335.000 réis - bem testemunha (IDEM, p. 168). Os trabalhos decorreram de forma célere, e em 1711 estavam concluídos. 
Na segunda metade do século XVIII, o edifício espelhou a desgraça que se abateu sobre os Távora, acusados de tentativa de regicídio, em 1758. O seu brasão foi picado e depois substituído pelo dos Condes de São Vicente, seus herdeiros, mas que deixaram o edifício ao abandono e à ruína. Foi adquirido, em 1890, pela Câmara de Mirandela que, a partir de 1912, aqui se encontra sediada”. In site Património Cultural.


Brasão dos Távoras – baseado no Rio Távora

Mirandela – vídeos



"Capital do Azeite, no coração da Terra Quente Transmontana, a Sul do Distrito de Bragança, Vila Flor conta com cerca de 8 mil habitantes, distribuídos por 19 freguesias, numa área total de 272 Km2. D. Dinis, Rei Poeta, aquando da sua passagem por este burgo até então denominado por "Póvoa d´Álem Sabor", ficara encantado e rendido à beleza da paisagem e, em 1286, carinhosamente a re-baptizou de "Vila Flor". Cerca de 1295, D. Dinis manda erguer, em seu redor, em jeito de protecção, uma cinta de muralhas com 5 portas ou arcos. Resta o Arco de D. Dinis, monumento de interesse público.
A Idade Média deste “ramalhete de cravelinas e bem-me-queres”, como lhe chamou Cabral Adão, é florescente, recebendo especial impulso com o acolhimento de famílias judaicas fugidas às perseguições europeias e que aqui foram desenvolvendo a agricultura, o comércio e as indústrias de curtumes e ourivesaria. D. Manuel I viria, mais tarde, a atribuir novo Foral a Vila Flor, reformulando o anterior, em Maio de 1512, o qual pode ser apreciado no Museu Municipal D.ra Berta Cabral. De carácter anti-judaica, a politica de D. Manuel I significa a expulsão dos judeus do Concelho mas ainda podem ser apreciadas ruínas de habitações e pedras da calçada das Ruas Nova, do Saco e da Portela, herança deste período remoto.
Rico em história, tradições, monumentos e gentes, o Concelho é também referência pela excelente qualidade dos seus produtos agrícolas que brotam do fértil Vale da Vilariça. Empresas como as Frize e a Sousacamp, conhecidas dentro e fora das fronteiras lusas, também fazem parte do património desta terra. Famosos na arte de bem receber, os alojamentos em Vila Flor incluem, para além de um Hotel, Agro Turismo e Turismo Rural. No verão, este "burgo alpestre" é procurado por centenas de turistas oriundos de vários cantos do país e estrangeiros, pela riqueza verdejante do seu Parque de Campismo".

Vila Flor  - vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=1CWLgWO7gk4



Santuário de Nª. Sra. da Assunção, em Vilas Boas - É o maior e um dos mais importantes santuários Marianos de Trás-os-Montes. Erguido no século XIX no alto de um monte que domina toda a paisagem envolvente, representa um dos pontos mais altos do Concelho, com cerca de 760 metros de altitude. O Santuário de Nª Srª da Assunção, é também Miradouro de primeira qualidade. Junto ao varandim do adro obtém-se uma rara e vasta paisagem, cobrindo a vizinha Sanábria, Montesinho, Bornes, Mirandela e as vilas e aldeias vizinhas num raio de 100km. A sua história é milenar visto ter existido um castro neste magnífico monte, que justamente foi escolhido pela sua capacidade de Posto de Vigia. Possui uma igreja de nave única e capela-mor rectangulares, várias capelinhas espalhadas pelo recinto e um monumental escadório, tudo envolto em imensos tufos de floresta.


“A capela da Senhora da Assunção, em Vilas Boas foi um templo muito humilde na sua origem e pelo meio do século XVII caiu em tal abandono que os gados “n’ella sesteavam”, mas um facto muito extraordinário a salvou do olvido. 
Em 4 de setembro de 1673, uma menina de Vilas Boas, por nome Maria, de 10 anos de idade, filha de Jacome Trigo, estando a lavar em um ribeiro contíguo à vila, apareceu-lhe uma mulher de surpreendente beleza que a chamou, lançou-lhe a bênção, levou-a a uma ribanceira próxima, da qual brotou no momento uma fonte de água, banhou-lhe a cabeça, e lhe disse: 
– Estás sã do mal que padecias, mas a sesão [sezão] que tiveste na Sexta-Feira te há-de repetir ainda hoje; vai pois para tua casa e depressa, para que te não dê no caminho. 
Disse-lhe mais: 
– Lembras-te de quando ias defronte da minha Casa, na Portela de Vale Formoso, e eu peguei em ti sem o saberes, livrando-te de perderes a vida em um despenhadeiro, indo em teu seguimento João Lopes e Affonso Trigo que te levou nos braços para casa? Eu sou a Virgem da Assunção. Vai e diz aos teus vizinhos que jejuem a primeira Sexta-Feira e concertem a minha casa, porque eu não cessarei de interceder por vós todos... 
No dia 7 do mesmo mês, estando a menina com os seus pais em uma eira limpando um pouco de pão, a mesma Senhora lhe apareceu outra vez, sendo já sol-posto, e lhe disse que fosse à sua capela. Foi. A meio da ladeira do monte encontrou a Senhora; viu a capela com as portas fechadas e toda cheia de luzes, e a Senhora, tomando uma cruz de madeira que estava na encosta, deu-a à menina e disse-lhe: 
– Vai à vila recomendar de novo a todos que não se esqueçam do jejum, e dá-lhe a beijar esta cruz. 
Apenas chegou a casa dos seus pais, onde encontrou Bento Lopes e um moço chamado João, pediu-lhes que a acompanhassem, ao que eles anuíram, e, tomando duas velas acesas, percorreram a povoação com a menina, dando esta a beijar a cruz a todos e recomendando-lhes o jejum. 
No dia seguinte, Sexta-Feira, 8 de setembro, dia da Natividade da Senhora, foi a menina repor a cruz no sítio de onde a havia trazido. A Senhora de novo lhe apareceu e lhe disse que todos os Sábados fosse vê-la à sua capela, o que a menina cumpriu. 
Em breve se divulgaram estes factos e logo se avivou a fé com a Virgem da Assunção nos povos circunvizinhos até muitas léguas de distância, aumentando espantosamente de dia para dia a concorrência dos fiéis e as rendas do santuário com as ofertas em cumprimento de votos e em sinal de gratidão pelas curas maravilhosas que experimentavam os enfermos”. In Portugal Antigo e Moderno 

Santuário de Nossa Senhora da Assunção