quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O ELÉCTRICO - I

6.26.7 - O Eléctrico I - Acção CCFP, Redes dos eléctricos, Logotipos STCP, Central de Massarelos


Companhia Carris de Ferro do Porto - Acção de 100$000 de 15 de Abril de 1912


As datas nos transportes colectivos do Porto


Quadro das fusões das sociedade


Rede da Companhia Carris – 1902 – História do Porto Luis Oliveira Ramos


1905 – A linha mais antiga era a que seguia pela marginal do Douro entre a Praça do Infante até Matosinhos e posteriormente também começava na Cordoaria. Outra linha partia da Praça da Liberdade e ia até à Praça da Boavista onde começava a linha com a Máquina, já acima referida, virando à esquerda na Rua da Ponte (hoje Rua Correia de Sá), seguindo pela Ervilha, Praça de Cadouços, Rua de Gondarém, Castelo do Queijo e Matosinhos. 
Para Gaia atravessava, desde 1905, a Ponte Luis I até Santo Ovídio e Devesas. 
Outras linhas seguiam até à Estação de Campanhã, Praça da Corujeira, Hospital Conde de Ferreira e Campo Lindo. 


Planta das linhas de eléctricos em 1913 – já passava na ponte Luis I para V. N. Gaia – de notar a linha do comboio pela ponte Maria Pia


1914 – a vermelho as linhas posteriores a 1907


Logotipo entre 1873 e 1903


Logotipo de 1904 a 1949


Em 1/6/1946 nasce a STCP; os serviços passam para a exploração da C.M.P. Esta passagem marca uma nova era dos serviços, com a compra de eléctricos e abertura de novas linhas.


Rede da Madrugada



Logotipo actual


Central da Arrábida - chaminés ao longe.


Desde 1895 a electricidade para as linhas de tracção eléctrica do Porto era produzida na Central da Arrábida. Dada a insuficiência desta, em 1909 foi projectada a Estação Central Geradora de Massarelos que, começada a construir em 1912, foi inaugurada em 1915. O projecto foi do Engº. Luis Couto dos Santos (1872-1938), professor da U.P. Na década de 30 foi ampliada em capacidade dado o aumento das necessidades de energia. A energia aí produzida era conduzida até ao veículo por um condutor de cobre isolado da terra – a linha – servindo os carris de condutor eléctrico de fecho do circuito – o retorno. Informações retiradas do site da U.P., de uma conferência do Eng. Manuel Vaz Guedes em 1995.



Central termoeléctrica de Massarelos – 1951-1970


Pessoal da central – foto de Teófilo Rego


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A MÁQUINA - II

6.26.6 - A Máquina II - Estação de Cadouços. A Máquina na Foz e Matosinhos, A Máquina na linha Penafiel à Lixa



Na estação de Cadouços - O nosso leitor e amigo Sr. José Fiacre corrigiu o local que havíamos erradamente indicado como Matosinhos. Em Cadouços ainda existe o mesmo prédio. 


Linhas da Máquina na Boavista dada a ausência de cabos eléctricos.


Ervilha - caminho onde passava a Máquina antes de chegar a Cadouços



In Os velhos eléctricos do Porto


"A primitiva linha 18 do elétrico ligava a praça da Liberdade a Matosinhos, utilizando dois meios de transporte distintos: a máquina e o elétrico. À máquina competia o itinerário compreendido entre a Boavista e Matosinhos e ao eléctrico o percurso entre a Boavista e a praça da Liberdade. Neste registo fotográfico observamos a máquina a passar no viaduto (ou ponte) de Cadouços, construído entre o largo de Cadouços (atual largo do Capitão Pinheiro Torres de Meireles) e a rua Nova do Túnel (hoje rua de Cândida Sá de Albergaria), para cruzar, a nível superior, a então rua da Fonte de Cadouços (actual rua da Fonte da Luz). Esta ligação a Matosinhos foi suprimida em 1914, desaparecendo a primeira versão da linha 18 e a peculiar máquina da então Companhia Carris de Ferro do Porto". In Velhos Eléctricos do Porto.


A máquina nas ruas da Foz – In Os velhos eléctricos do Porto

A Máquina, como era conhecida, iniciou a sua actividade em 1878 desde a Boavista à estação de Cadouços, na Foz. Em 1882 chegou a Matosinhos.
Os atrelados vinham de várias zonas da cidade puxados pelos cavalos e eram atrelados à máquina que os levava até Matosinhos. O percurso era: descida da Av. Boavista, Caminho da Ervilha, Mercado da Foz, Rua da Cerca, Cadouços, Túnel, R. da Gondarém, Castelo do Queijo e Matosinhos na R. Brito Capelo.
Deixou de circular em 25/11/1914, dando lugar aos eléctricos que desciam a Avenida da Boavista.


Máquina com 5 atrelados – foto de Aurélio Paz dos Reis


A Máquina 7, a última a ser comprada


O túnel da Luz


A Máquina passava na rua de Gondarém – aqui na esquina da Rua do Crasto e sua Capela - 1907 - em primeiro plano duas senhoras e crianças muito bem vestidas e com chapéus, contrastando com o povo da Foz.


Villa Delphina - a Máquina a caminho do Castelo do Queijo – a quem terá pertencido esta mansão? – foto de Aurélio Paz dos Reis.


No final da Rua de Gondarém


Perto do Castelo do Queijo - 1903


A Máquina a caminho de Matosinhos entre 1895 e 1914 – na outra linha o eléctrico – In Os Velhos Eléctricos do Porto


A Máquina cruzava-se com o eléctrico em Matosinhos entre 1895 e 1914


Bilhete de 10 cêntavos de ida e volta Boavista-Matosinhos – anos 10 séc. XX




Após o encerramento da Máquina no Porto parte do material foi vendido para a linha de Penafiel /Lixa/Entre-os-Rios.



Penafiel


Acção de 50.000 Reis da C. C. F. de Penafiel à Lixa.

domingo, 1 de janeiro de 2017

A MÁQUINA - I

6.26.6 - A Máquina I - primitiva remise da Boavista, Praça de Cadouços


A primitiva remise da Boavista onde recolhiam a máquina e os americanos e mais tarde, depois de remodelada, os eléctricos. Construída em 1874, ardeu em 1928.



Em O Tripeiro, Série VI, Ano X, a D. Albertina Marinho dos Santos, descreve memórias dos primeiros anos do passado século:
“ Naquele tempo as pessoas antes de iniciar a época balnear, iam, primeiro ao médico para se certificar do seu estado de saúde, isto é, se estavam em condições de poder tomar banhos de mar. Os médicos eram todos unânimes em receitar, antes de mais, um laxativo, que geralmente era óleo de rícino, um dia de cama com grande dieta e, obrigava a estar 8 dias em casa para não apanhar ar nem sol. Era assim que procediam os médicos tais como o Dr. Caldas, Dr. Forbes Costa, Dr. Maia Mendes, etc… Passados 15 dias já se podia, então, ir tomar banhos de mar. As pessoas que viviam no Porto e que tinham que ir tomar banho para Foz saíam de casa por volta das 6 horas da manhã, para apanhar o primeiro carro americano que saíam do Carmo, ia pelo Carregal, atravessava um túnel para sair na Rua do Rosário e daí seguia para a Boavista. 

Em tempo: Em relação à referência deste túnel recebemos do nosso habitual e conhecedor leitor José Fiacre, um esclarecimento que aqui transcrevemos:
"Relativamente ao vosso último lançamento, e sobre uma referência que revista O Tripeiro faz num texto, à existência de um túnel entre o jardim do Carregal e a Rua do Rosário, penso que, a terminologia “túnel”, poderá induzir as pessoas em erro, pois, tratar-se-ia de um corredor entre paredes, e não um túnel fechado como se é levado a supor. Por essa razão em escritos que guardo, refiro-me ao facto nos seguintes termos:
 “Na Rua do Rosário tem-se como curiosidade que no tempo da tracção eléctrica e até Outubro de 1925, as composições passavam num corredor ao lado do prédio com o nº 46 e desembocavam no Jardim do Carregal, vindas da Praça da Boavista.
Por aquele corredor já passavam antes, vindos do Carmo, os “Americanos” que se dirigiam à Boavista”.




Era ali que encontravam já mais carros americanos atrelados a uma locomotiva a vapor muito pequenina (era a Máquina). Então este pequeno comboio, através dos campos, silvados, etc., ia até Cadouços (chamado as sete casas) onde parava. Era ali que as pessoas que iam para a Foz, saíam e desciam uma rampa, onde havia um casino, e dirigiam-se para o mar. O referido comboio seguia para Matosinhos, sendo obrigado a passar por uma pequena ponte muito curiosa. 
Para tomar o banho, as senhoras vestiam os seus fatos de banho, compostos de calças até aos tornozelos e um vestido até abaixo do joelho e meia manga. Os homens com calças até ao joelho e umas blusas. Os fatos de banho, tanto das senhoras como dos homens, eram pretos e guarnecidos de fitas brancas.”.
O túnel a que refere o texto ficava no jardim do Carregal nas traseiras do Hospital de Santo António e ligava à Rua do Rosário.


A Máquina na remise da Boavista, acabada de chegar de Matosinhos. Ao fundo um americano talvez acabado de chegar do centro. Perto da máquina estão duas mulas prontas a serem engatadas numa carruagem e leva-las até ao centro da cidade (Campanhã, Praça ou Carmo). Cada carruagem transportava cerca de 40 passageiros. Fim séc. XIX.



In O Tripeiro, Série V, Ano VIII


O mesmo local 100 anos depois.

A Máquina virava aqui à esquerda, na Rua Correia de Sá, na chamada Fonte da Moura de Cima, a caminho da Ervilha, Cadouços e Matosinhos – No dia 23/8/1914 descarrilou na Ervilha uma máquina provocando 2 mortos e cinco feridos. 


A Máquina nº. 7, a última que a Carris comprou, a caminho de Matosinhos (o texto abaixo refere-se a esta fotografia)

Embora longo não podemos deixa de reproduzir o artigo de J. Castelo Branco e Castro , em O Tripeiro, Série V, Ano VIII (1953), pois é um testemunho vivido na sua juventude:



Rua onde existiram as cocheiras das mulas – á direita ficava o Mercado do Bolhão e ao fundo, num ponto mais alto a Rua de Fernandes Tomás e a Fábrica de Estamparia do Bolhão.


Memória a D. Pedro V na Rua de Fernandes Tomás – abaixo ficava o Mercado do Bolhão



Ponte de Cadouços



Postal de 1907




In Os velhos eléctricos do Porto