terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

ELEVADORES DO RIO DOURO ÀS DEVEZAS E DOS GUINDAIS E O TELEFÉRICO DE GAIA

6.26.8 – Os elevadores do Rio Douro às Devezas e dos Guindais e o Teleférico de Gaia


“Esquema do elevador da calçada das Freiras (hoje chamada rua de Serpa Pinto), em Vila Nova de Gaia, 1873.
O desenho foi de Raul Mesnier de Ponsard (1848-1914), engenheiro natural da cidade do Porto e ligado a vários projetos de construção de caminhos-de-ferro de cremalheira que existiram em Portugal. O elevador gaiense era puxado por uma locomotiva a vapor e utilizava uma cremalheira para subir a íngreme calçada das Freiras, entre o cais de Gaia e a estação ferroviária das Devesas.
Era muito usado para transportar barris de vinho do Porto entre os armazéns e o cais da Cruz, para além de incluir uma carruagem destinada a passageiros. A linha tinha uma extensão de 750 metros, começou a operar a 17 de abril de 1882 e foi desativada no início da década de 1950”.



Capa da pasta do Arquivo Municipal de Gaia – Elevadores 1873 - Inscrição: “Compilado por iniciativa e boa vontade do empregado=architecto municipal” – nome ilegível – seguem-se 158 páginas com documentos e desenhos, dos quais retirámos dois, abaixo :


Assinado Visconde de Barreiros


1900 
Pode ver esta pasta no endereço:


Lateral do Convento na antiga calçada das freiras, hoje Rua de Serpa Pinto. Os carris são deste elevador. 1939


Foto de Carlos Romão


Trajecto do elevador dos Guindais


In Estudo de Manuel Vaz Guedes - UP


O primeiro elevador dos Guindais - 1891


Germano Silva conta-nos:
“O projecto foi confiado ao engenheiro portuense Raul Mesnier e a condução das obras ao mestre Adélio Couto. Em 13 de Maio de 1891 foi enviado à Câmara um pedido para a vistoria das obras e a aprovação dos horários de funcionamento e das tarifas a aplicar. Oito dias depois realizaram-se as necessárias experiências do material que satisfizeram e no dia 4 de Junho de 1891, pelas cinco horas da manhã, o Elevador dos Guindais à Batalha abriu ao público. Consta de uma crónica da época que "o portuense acorreu em avultado número, desde o dia inaugural, fazendo o ascensor um vai­vém constante desde as cinco horas da manhã até às onze da noite", com preços estabelecidos entre os vinte réis, desde o cais até ao alto da escadaria dos Guindais; e de quarenta réis desde os Guindais até à estação próxima da Batalha. Passageiro que levasse uma canastra carregada pagava mais dez réis. Em regra o elevador era regularmente utilizado por vendedores de fruta e de legumes que se abasteciam junto dos barcos que, oriundos das terras do Alto Douro acostavam nas linguetas dos Guindais e levavam depois aqueles produtos para a parte alta da cidade; pelas pessoas que, especialmente na época calmosa frequentavam as praias fluviais do Douro ou neste rio praticavam desporto. Mas era à noite que o elevador registava maior afluência do público com as idas aos teatros e aos cafés. O trajecto, com 412 metros de comprimento, era feito em plano horizontal. Subia por uma rampa que, para o efeito, havia sido propositadamente aberta na escarpa que corre ao longo do pano da muralha dita fernandina até atingir a Rua de Augusto Rosa. Tratava-se de um engenho semelhante ao que funcionava no Bom Jesus do Monte, em Braga, também da autoria de Mesnier. Emílio Castelo Branco, um cidadão de Gaia que chegou a utilizar o Elevador dos Guindais à Bata­lha, era da opinião que se tratava de um "engenho bastante audacioso e de funcionamento muito complicado". A locomoção da cabina era feita por meio de máquinas a vapor. Emílio Castelo Branco deixou-nos uma memória do elevador em que tenta dar uma ideia de como era o seu funcionamento: "o veículo era formado por três caixas transversais, independentes entre si, fixadas no quadro de rodagem por eixos, sobre os quais se moviam, por manobra do condutor, a tomar posição, quanto possível vertical, nas variadas inclinações do terreno. Tirava a carripana um cabo subterrâneo em giro circulatório, por meio de maquinismo, contrabalançando o peso, na parte mais íngreme, um carro a descer desde o ponto culminante, com lastro segundo as pessoas a elevar, anunciadas pelo condutor com toques de campainha. Na parte mais suave o contrabalanço fazia-se com o carro que vinha da Batalha em serviço de passageiros, o qual, em chegando ao maior declive, arrastava para cima o que havia contrabalançado o outro na subida. Isto com um sistema de engates e desengates em marcha audaciosíssimos..." Tão audaciosas eram essas manobras que foi durante a operação de uma delas que se deu o desastre que acabou com a carreira do primeiro Elevador dos Guindais à Batalha.
O acidente ocorreu às quatro horas da tarde do dia 5 de Junho de 1893, dois anos depois da inauguração do elevador. Guido de Monterrey, no seu livro O Porto origem, evolução e transportes, dá-nos conta dos pormenores desse desastre: "descia o carro principal em direcção ao tabuleiro inferior da Ponte de D. Luís com cinco passageiros. Subia o carro contrapeso, com um percurso intermédio, funcionando apenas na rampa de maior declive, com três pessoas. Ambos acabavam de chegar ao seu término, facto que acontecia simultaneamente. O carro principal estava equipado com uma campainha de aviso que dava sinal, respectiva­mente a 5 e 1,5 metros do término, na descida, a fim de o maquinista ir reduzindo a velocidade. Por desleixo, conforme se apurou em inquérito imediatamente estabelecido, o maquinista não abrandou a marcha, como se impunha, indo o veículo embater com violência contra o respectivo suporte, uma mola em forma de U. Do choque resultou que o cabo de ligação entre os elevadores se desengatou da forquilha. No entanto, os passageiros do carro descendente saíram normalmente. O mesmo não aconteceu, porém, com os do carro contrapeso que se preparavam para sair quando, com a falta de tensão no cabo, a cabina começou a descer primeiro lentamente para depois ganhar uma velocidade incrível. O veículo com o peso de três toneladas continuou a sua marcha desenfreada até se ir espatifar junto ao muro do arco do tabuleiro inferior. Um homem que viajava na plataforma foi cuspido a grande distância sofrendo apenas ferimentos vários. Uma criança de seis anos sofreu apenas ligeiras escoriações por se ter encaixado por baixo de um banco."
Depois do desastre a Parceria dos Elevadores do Porto ainda tentou retomar a exploração do Eleva­dor dos Guindais à Batalha. Em Agosto de 1895 chegou mesmo a enviar à Câmara um projecto de modificação do elevador que consistia, substancialmente, na substituição do motor a vapor por um sistema hidráulico. Na sua essência a modificação resumia-se em eliminar a acção do motor a vapor, substituindo-a pelo peso da água contida num reservatório a incluir nas carruagens que descem e cuja potência será maior ou menor conforme o número de passageiros a elevar. No resto não seriam feitas grandes alterações. Seria mantido o modo funicular do sistema; e manter-se-ia também, sem alteração, o perfil da linha do elevador. Este projecto, porém, nunca foi aprovado e o destino do primeiro Elevador dos Guindais à Batalha ficou logo ali traçado. Um cronista da época termina um dos seus comentários desta maneira: "... e assim terminou o primeiro - e último - elevador que existiu nesta cidade. Fez alguma falta..." Pois está de volta.” 

O elevador dos Guindais `Batalha – Manuel Vaz Guedes


Atelier do escultor Henrique Moreira, antiga casa das máquinas do elevador

Embora correndo o risco de repetirmos algumas informações, damos abaixo outro texto que tem pormenores diferentes, a começar pela data da inauguração (???):

“3 de Junho de 1891: Inauguração do Elevador dos Guindais.
Quando a Câmara do Porto apresentou o processo de candidatura da cidade à classificação, pela UNESCO, como Património Cultural da Humanidade, um dos imóveis do Centro Histórico indicado como sendo de interesse patrimonial, foi a “Casa do Ascensor dos Guindais”, localizada, como o próprio nome deixa adivinhar, nas Escadas daquela denominação: ascensor ? Mas, houve um elevador (vamos chamar-lhe assim) nos Guindais? Claro que houve e foi extremamente útil enquanto funcionou mas, infelizmente, teve uma vida efémera, porque acabou de forma desastrosa.
1) UMA CIDADE DE ALTOS E BAIXOS
O Porto, especialmente o seu núcleo mais antigo ou, se pretenderem, para estar mais a par com a actualidade, o seu chamado Centro Histórico, está assente em terreno bastante declivoso. A zona da Sé e a da Vitória, dois dos mais antigos aglomerados populacionais do Porto, foram crescendo e desenvolveram-se sobre duas colinas que em tempos idos tinham de permeio um curso de água, o nosso já conhecido rio da Vila que foi tapado quando se abriu a actual Rua de Mousinho da Silveira. Na época em que ainda não havia transportes públicos e os privados eram privilégio de meia dúzia de bafejados da sorte, as características acidentadas do Porto tomavam difícil, por exemplo, o acesso das zonas ribeirinhas aos pontos mais elevados da cidade. Por isso, ninguém estranhou quando, há pouco mais de cem anos, se constituiu nesta cidade a Parceria dos Elevadores do Porto, uma sociedade que se propunha construir e explorar elevadores que haviam de ligar as zonas baixas da beira rio (mas não apenas) aos pontos mais elevados da cidade, que foram desde sempre as áreas de maior densidade populacional. A ideia era inovadora e, do ponto de vista da rentabilidade, muito oportuna. O rio constituía, por assim dizer, a espinha dorsal do desenvolvimento citadino. Era através dele que chegavam à cidade os vinhos de Riba Douro mas também muitos outros produtos, nomeadamente hortaliças e frutas destinadas ao abastecimento público. O meio de transporte mais em voga, por essa altura, era o carro de bois que se utilizava, em regra, para o transporte dos carretos mais pesados. As coisas mais leves, e entre estas contavam-se os frutos e as novidades da horta, eram carregados pelas próprias pessoas, às costas, e assim transportados para os pontos mais altos da urbe, o que não devia ser ” uma pêra doce…” O elevador era, portanto, uma novidade e, como, além dos passageiros, podia transportar também mercadorias e toda a sorte de embrulhos, foi com grande expectativa que o Porto assistiu à constituição da tal Parceria por se pensar, justificadamente, aliás, que os elevadores representariam uma fonte de progresso para a cidade. O primeiro projecto da empresa foi a construção, de um elevador que, subindo ao lado das escadas dos Guindais, junto das muralhas fernandinas, ligaria a beira rio à então chamada Rua da Batalha (actualmente denominada de Augusto Rosa) com o fim da carreira mais ou manos em frente ao edifício onde está hoje a sede do Governo Civil.
2) O MODO DE FUNCIONAR
A elaboração do projecto do elevador foi confiada ao engenheiro Raul Mesnier e a construção da obra ficou a cargo do mestre Adélio Couto que deu por finda a empreitada nos começos de Junho de 1891, o ano da Revolução Republicana do 31 de Janeiro. A inauguração solene do importante melhoramento ocorreu exactamente no dia 3 de Junho daquele ano e constituiu acontecimento de peso no quotidiano da cidade. Os portuenses acorreram em peso para assistirem ao acto solene e aderiram de imediato ao novo meio de transporte que desde o dia da inauguração até aquele em que, por força das circunstâncias, teve que interromper a sua laboração, registou sempre uma crescente movimentação de utentes. O elevador funcionava ininterruptamente, num constante vaivém, para cima e para baixo, desde as 5 horas da manhã até às 11 da noite. Os preços das passagens estavam compreendidos entre os 30 e os 60 reis. Era permitido, como já se disse, o transporte de embrulhos, cestas, canastras, fardos e outros volumes.
O funcionamento do elevador fazia-se através de máquinas a vapor, instaladas nas já referidas “Casas do Ascensor” que também eram servidas por uma chaminé com 30 metros de altura, através da qual se expelia o fumo das caldeiras. A tracção fazia-se por meio de grossos cabos de arame que se moviam por aderência sobre os tambores das máquinas que formavam dois grupos trabalhando um de cada vez. O trajecto, em plano horizontal, tinha 412 metros de comprimento. Havia um percurso plano, entre o cimo das Escadas dos Guindais, e o final da linha; e outro de forte inclinação, ao longo de toda a escarpa dos Guindais até à beira-rio. Nesta parte do percurso o elevador funcionava com dois carros. Um, chamado o principal, de maior capacidade; o outro, o secundário, era o carro do contrapeso e tinha como função equilibrar o primeiro ao qual estava ligado por um cabo de aço. Os carros moviam-se, ambos, em carris paralelos, no sistema de compensação, cruzando-se exactamente a meio do trajecto e atingindo os extremos opostos em simultâneo. Os dois carros dispunham de um eficiente sistema de freios, em forma de tenaz, um para redução da velocidade, o outro para uma travagem imediata. Para uma maior segurança havia ainda um sistema de sinais dados por duas campainhas, que a cinco e, a um metro do final da viagem, alentavam o maquinista para que ele começasse a reduzir a velocidade.
Segundo pareceres técnicos da época, a construção do elevador e o seu funcionamento obedeciam a todos os requisitos de segurança e comodidade dos passageiros. Dispunha, inclusivamente, de um dispositivo que tornava possível graduar-se a inclinação por meio de uma espécie de parafuso, tarefa de que se desempenhava um operário nisso especializado.
3) O DESASTRE
Durante dois anos o Elevador dos Guindais dera provas evidentes de ser um excelente e cómodo meio de transporte e a maneira mais fácil de vencer o declive que existia entre a zona ribeirinha e a parte mais alta da cidade. E foi por isso que o público aderiu completamente ao projecto utilizando o “funicular” com muita assiduidade e com total confiança. Mas no dia 5 de Junho de 1893 um desastre, que podia ter atingido bem mais amplas proporções do que aquelas a que realmente se reduziu, pôs termo à carreira do Elevador dos Guindais e inviabilizou os projectos que havia para outros pontos da cidade.
Um inquérito mandado elaborar para apuramento das responsabilidades, revelou que um erro humano estivera na base do acidente. O maquinista António Dias de Oliveira, que tripulava um dos carros, não abrandou, como se impunha, a marcha do veículo, o principal, que, rodando a grande velocidade, foi embater violentamente contra o respectivo suporte que era uma mola de aço em forma de U. Do embate resultou quebrar-se o cabo de ligação entre os dois carros e o do contrapeso começou por deslizar lentamente para atingir uma velocidade louca indo desfazer-se contra uma plataforma junto ao tabuleiro inferior da ponte Luís I. Passavam cerca de quinze minutos das dezasseis horas quando ocorreu o acidente. Nos dois carros viajavam, naquela altura, apenas 8 pessoas. No carro principal, além do condutor, seguia a sua mulher, Deolinda Silva e mais três pessoas. No veículo que subia seguiam o respectivo condutor, António Martins, mais Alfredo Lopes da Costa Braga e uma filha deste, de apenas seis anos de idade. Milagrosamente apenas alguns deles sofreram ligeiras escoriações. Mas o acidente alarmou a cidade e, as primeiras noticias chegadas à Batalha, falavam de mortos e muitos feridos.
Não obstante os grandes prejuízos materiais sofridos a Parceria dos Elevadores do Porto anunciou a suspensão da actividade por apenas dois meses, que seria o tempo necessário para efectuar as reparações e recomeçar as actividades. Mas o Elevador dos Guindais nunca mais voltou a funcionar e com ele morreram, também, os outros projectos. Dessa velha relíquia tripeira resta hoje, de pé, a casa das máquinas”.


A casa das máquinas deste elevador foi usada como atelier do escultor Henrique Moreira. Eu estive lá nos anos 40/50 e ficava assombrado pela quantidade de obras espalhadas, terminadas ou em trabalho, a maior parte delas em gesso.


Actual elevador dos Guindais – foto de Adalberto Dias


O novo elevador inaugurado em 19 de Fevereiro de 2004 – Foto de Panorameo


Nesta foto destaca-se o painel da Muralha Fernandina que desce de Santa Clara ao seu terminal


Elevador dos Guindais- por um turista francês amante do porto - Alcide Naguy


Elevador dos Guindais – foto de Rui Carlos Abreu

Elevador dos Guindais 


Teleférico de Gaia – inaugurado no lado de Gaia em 1/4/2011 – Foto Grande Porto on line


Vista do Douro tirada do teleférico – foto de

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

ELÉCTRICO XIII

6.26.7 - O Eléctrico XIII - S. Pedro da Cova, Vagonetas com carvão, Resíduos da Siderurgia da Maia, Cestos de transporte aéreo de carvão, Zorras, O Inferno...existe, sim!!!, Museu do Carro eléctrico



Trabalhadoras das minas de S. Pedro da Cova já lavadas


In Museu Mineiro de S. Pedro da Cova




Transportando carvão da mina 



Vagonetas de carvão – ao fundo vê-se a entrada do elevador que levava à mina, que ficava a 450 metros de profundidade.


Descarga das vagonetas


In Museu Mineiro de S. Pedro da Cova


Abandono total!




Remoção de resíduos
http://portocanal.sapo.pt/noticia/88850/

http://public.vivacidade.org/informacao/remocao-dos-residuos-perigosos-de-s-pedro-da-cova-devera-terminar-em-maio/

S. Pedro da Cova abandonada


Projecto de linha de transporte aéreo de S. Pedro da Cova ao monte Aventino


Preparando a cesto metálico de transporte do carvão


Carregando cestos metálicos com carvão



“Hoje dou muito valor a esta fotografia tirada no meu Lugar de Broalhos da Freguesia de Medas do Concelho de Gondomar, mas na realidade quando este teleférico começou a trabalhar, em fins de 1958, inícios de 1959, foi uma dor de cabeça para os proprietários que tinham habitações debaixo dele, por vezes as cestas vinham cheias de mais e deitavam carvão para cima das mesmas habitações, embora tivesse esta protecção em rede como se vê na foto, mas para o carvão nada valia, mas ainda pior que o carvão era quando vinha a cesta em forma de bidão para fazer a lubrificação dos cabos, então é que era o cabo dos trabalhos, porque o óleo que escorria dos mesmos misturava-se com o carvão em cima das habitações ficava completamente tudo preto e gorduroso, também não se podia estender roupa a secar numa área cerca de 30 metros, isto porque o vento o atirava para cima dela, dai que muitos habitantes meteram processos em Tribunal, mas como estavamos no tempo da outra Senhora, ainda foram mais penalizados pelos mesmos Tribunais, esta fotografia com duas imagens do teleférico foi uma prova de defesa em Tribunal, que nada valeu. Estas mesmas cestas vieram a morrer cerca de 30 anos depois do inicio de actividade e o teleférico cerca de 40, hoje restam alguns maciços de betão dos postes”. Texto de Xavier Moreira 


A zorra – transportava o carvão de S. Pedro da Cova para a central geradora de Massarelos – esta fechou em 1957 – transportava também outros materiais da Carris. Servia ainda para entrega de carvão a fábricas do Porto.


1960


Na Praça Gonçalves Zarco


Zorra abandonada

Zorra 53 recuperada


“O Cavalete do Poço de São Vicente localiza-se na mina de carvão da freguesia de São Pedro da Cova, concelho de Gondomar, distrito do Porto, em Portugal.
Constitui-se no "ex libris" da freguesia, testemunho da importância atividade mineradora que, durante cerca de 17 décadas, fizeram da freguesia um centro industrial de inquestionável valor para a economia nacional.
Embora a exploração da mina remonte ao início do século XIX, o atual cavalete foi erguido em 1934.
Em precário estado de conservação, fruto da oxidação dos seus elementos estruturais, a comunidade mobilizou-se em torno do "Movimento Cívico em Defesa do Património Histórico-cultural de S. Pedro da Cova", visando protegê-lo.
Graças a esse esforço, encontra-se classificado como Monumento de Interesse Público pela Portaria nº 221/2010, que refere:
A classificação do cavalete de extração de carvão e instalações do poço de São Vicente da Mina de São Pedro da Cova justifica-se pelo valor histórico, técnico-construtivo e social. O cavalete e toda a paisagem do antigo couto constituem hoje o principal suporte de memória da importante actividade mineira que se desenvolveu desde o início do século XIX em São Pedro da Cova. As instalações do antigo couto mineiro evocam o mundo duro do trabalho nas minas e são por isso um verdadeiro monumento ao trabalho. Releva-se o impacte cenográfico, a raridade e a exemplaridade do cavalete em betão armado, construído em 1934 com 38 m de altura, exemplar notável de construção industrial que atesta a elevada qualidade e capacidade de concretização da engenharia nacional”. In Wikipédia


 “O INFERNO ... EXISTE, SIM !!!
"Este post é também uma homenagem àqueles que trabalharam no "inferno" 
... Os que trabalhavam “enterrados vivos” !
Sabem de que "inferno" se tratava?
O carvão de S. Pedro da Cova foi descoberto em 1795, mas só nas primeiras décadas de 1900 é que a exploração das minas atingiria o apogeu, com uma extração de cerca de 330 mil toneladas por ano. A Freguesia de Gondomar deu trabalho a milhares de pessoas de toda a zona Norte e até do Alentejo. Nas minas de S. Pedro da Cova trabalharam famílias inteiras. Para contar as memórias das minas já restam poucas vozes...


Gasómetro mineiro

...Os homens entravam para as minas por um elevador ("jaula") encastrado no que é hoje o Cavalete de S. Vicente e desciam quase 94 metros. O lugar mais fundo ficava a 450 metros de profundidade e só se atingia a pé. 
Levavam o farnel ao ombro, o gasómetro numa mão e o machado na outra. Da "jaula" seguiam, descalços sobre as pedras afiadas, para as suas frentes de trabalho, onde picavam as camadas de carvão durante oito horas. O trabalho tinha de ser muito bem feito, senão ficavam soterrados.
Nos tempos áureos, as minas davam trabalho a gente do Douro Litoral, Minho e até do Alentejo. Chegaram a empregar mais de 1600 pessoas, entre homens, mulheres, rapazes e raparigas.
As mulheres trabalhavam a céu aberto, habitualmente desempenhando trabalho físico violento, enquanto, maridos e filhos faziam o seu trabalho no fundo da mina. Era normal trabalharem lá famílias inteiras.


Linha aérea do transporte do carvão até ao Monte Aventino

O carvão era transportado para o Monte Aventino (zona das Antas), no Porto, nestas vagonetas ,(as “cestinhas do carvão”) suspensas de um cabo aéreo, com nove quilómetros de extensão. Daí se fazia a distribuição para toda a cidade, que o utilizava nas cozinhas (fogões, lareiras e aquecimento). No regresso, as vagonetas paravam na estação de comboios de Rio Tinto, para carregar a madeira que servia para escorar as paredes subterrâneas. Na segunda metade do século XX, a chegada do petróleo põe fim à história do carvão. Quase 40 anos depois, S. Pedro da Cova é hoje um dormitório da Área Metropolitana do Porto, freguesia praticamente estagnada, com poucas aspirações e muitos dependentes do Rendimento Social de Inserção. 
Contam-se histórias de vidas tristes, de fome, de condições de trabalho miseráveis, de lutas sociais e da opressão daqueles tempos. 
Muitos mineiros, não se sabe quantos, se não morreram soterrados, ficaram com sequelas irreversíveis nos pulmões. Por trás da capela ergue-se o Cavalete do Poço de S. Vicente, quase em ruína, à espera que alguém o recupere e o transforme num museu vivo, com possibilidade de descer à mina e experimentar a sensação de "trabalhar enterrado", como os mineiros diziam”. Texto de Rui Bica

As minas de S. Pedro da Cova – Invicta Filme - 1917 






Anos 60





Banda de S. Pedro da Cova – 1960



Banda musical de S. Pedro da Cova




S. Pedro da Cova abandonada

http://manuelc2005.blogspot.pt/2014/05/13630-mina-de-carbon-en-sao-pedro-da.html




No Museu do Carro Eléctrico







Museu do Carro Eléctrico – inaugurado em 1992



O eléctrico no Porto 1979 – You Tube




Um eléctrico chamado Piolho – pregões do Porto




O Carro Eléctrico - Fernando Pinheiro Martins





Revolução nos transportes do Porto – 1/1/2017 






História dos transportes no Porto - STCP 


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

ELÉCTRICO XII

6.26.7 - O Eléctrico XII - Minas de S. Pedro da Cova, Cavalete do Poço de S. Vicente, S. Pedro da Cova abandonada, Museu Mineiro de S. Pedro da Cova


Mineiros de S. Pedro da Cova

“Da sede de concelho, segue a estrada para a região mineira da freguezia de S. Pedro da Cova, nome que a disposição topographica rigorosamente justifica. A paysagem severa e melancholica parece condizer nas suas linhas ásperas com a mysteriosa vida subterrânea, que se sente palpitar em toda a extensão d’esta pequena bacia orographica. As medas de anthracite accumulam-se á superfície da terra, os seres vivos apparecem-nos empoeirados de carvão, ouve-se á bocca dos poços o soluçar estridente dos cestos que sobem e descem, como se um mysterioso poder, occulto nas entranhas da terra, os repellisse com impulso desabrido.” (Vieira, 1887) 


Google Earth

Situada a 10 km da cidade do Porto e a 4 km da sede do concelho, a Vila de S. Pedro da Cova tem uma área de 14,42 km2 e 17 324 habitantes (Censos 2001). Confronta a Norte com Alfena e Valongo (Valongo); a Sul com as freguesias de Jovim e Foz do Sousa (Gondomar); a Oeste com a Vila de Fânzeres e a cidade de Gondomar (S. Cosme) e a Este com as freguesias de Aguiar do Sousa (Paredes) e Campo (Valongo). As referências históricas sobre S. Pedro da Cova remontam aos princípios da fundação de Portugal: em 1138, o Couto de S. Pedro da Cova foi doado por D. Afonso Henriques a D. Pedro Rebaldis, sucessor de D. Hugo, Bispo do Porto. Em 1379, D. Afonso III confirmou a doação do Bispo do Porto do Couto de S. Pedro da Cova, no julgado de Gondomar. Com a extinção dos coutos em 1820, a freguesia de S. Pedro da Cova adquiriu a designação de concelho, que foi extinto em 1836,…


…passando a pertencer definitivamente ao concelho de Gondomar (freguesias.esoterica.pt/jf-spedrocova/). Em 1989, a freguesia foi elevada a Vila. Sem ter perdido o cariz agro-pecuário, a partir de 1802, S. Pedro da Cova tornou-se um importante pólo industrial na sequência da descoberta de jazidas de carvão (e também manganês e volfrâmio), materiais imprescindíveis ao arranque e desenvolvimento da industrialização oitocentista. 
Durante muitas gerações, foram as minas de S. Pedro da Cova um dos grandes alicerces da economia do país e da Região Norte. A sua dinâmica tornava-se visível a quem percorresse a região do Grande Porto,


Posto de lançamento das cestas metálicas

confrontando-se com o vaivém incessante de cestas metálicas, movimentando-se ao ritmo febril da actividade do complexo mineiro, percorrendo cabos paralelos que se sobrepunham aos povoados, vias de locomoção e a todo o género de acidentes orográficos do concelho (Câmara Municipal de Gondomar, 1999). Nos anos 30 do séc. XX, a exploração mineira intensificou-se em grande escala, então na posse da Companhia das Minas de Carvão e S. Pedro da Cova e transformou-se num pólo importante de migração, localidade que passaria a ser conhecida por "terra mineira", por excelência, até que a década de 1970, trouxe o encerramento da mina. (www.ippar.pt).


Complexo industrial

As Minas de São Pedro da Cova (São Pedro da Cova, Gondomar) datam a sua descoberta de 1795, no lugar da Ervedosa, tendo sido reconhecida a existência da bacia carbonífera em 1804/05. Eram minas de carvão, do tipo antracite (de origem mineral), em geral de boa qualidade.


Corte transversal, profundidade e comprimento das minas de S. Pedro da Cova

A profundidade da mina é de 140 metros e a sua máxima extensão horizontal de 320 metros. O sistema adoptado na lavra era o de talhes laterais, enchendo o vazio dos desmontes com entulhos trazidos na maior parte da superfície, visto os trabalhos subterrâneos pouco produzirem, por serem executados no interior da camada de carvão (Oliveira, 1983).


Foi intensamente explorada a partir dos anos 30 do séc. XX, com extracção de carvões domésticos e industriais (energia temo eléctrica, produção de vapor, fábricas de cimentos, etc.) (FCG, 1985). 


In Portojofotos


As minas estavam ligadas à cidade do Porto por cabos aéreos que levavam o carvão em vagonetas, aos depósitos de Rio Tinto e Monte Aventino numa extensão de 9 km e à Central Térmica da Tapada do Outeiro numa extensão de 10,5 km (FCG, 1985). Hoje encontram-se em estado devoluto.

Percuso dos cestos sobre o Douro - vídeo
https://video.flis1-1.fna.fbcdn.net/v/t42.1790-2/11038672_386553964859909_1281591527_n.mp4?efg=eyJybHIiOjc3OSwicmxhIjoxMTEwLCJ2ZW5jb2RlX3RhZyI6InNkIn0%3D&rl=779&vabr=433&oh=b41353a596e76cd728f1ef659d637115&oe=5894CDCC


Cavalete da mina de S. Vicente – construído em Agosto de 1936



Esquema de dispositivo de produção às “andorinhas” do poço de S. Vicente

O cavalete de extracção de carvão e as instalações do poço de S. Vicente da Mina de S. Pedro da Cova, incluindo a casa da Malta (S. Pedro da Cova, Gondomar) são um conjunto arquitectónico construído em betão, cuja presença dominante na paisagem tornou-se símbolo da actividade mineira na freguesia de S. Pedro da Cova. Localiza-se nas proximidades do Largo do Outeiro, Rua de Santa Helena, Rua das Minas, Rua do Centro Revolucionário Mineiro e Rua Nova, sobre o Poço de S. Vicente. Enquadradas num ambiente rural, isolado nas proximidades de pequenas habitações, as antigas Minas de São Pedro da Cova localizam-se a Oeste da serra de Valongo, nas proximidades do Outeiro dos Foguetes. O cavalete pela sua altura destaca-se de um complexo construído em apoio à actividade mineira (www.monumentos.pt). Em 1795, foram descobertas abundantes jazidas de carvão em S. Pedro da Cova (existindo as de manganês e de volfrâmio em Zebreiros), material imprescindível ao arranque e desenvolvimento da Industrialização oitocentista que se seguiu. O ano de 1921 é a data provável da construção do Poço de São Vicente, com a orientação técnica do Eng. Carlos Barros. 
O Poço de São Vicente, dada a sua capacidade de extracção, era o mais importante deste complexo e localizava-se junto ao limite entre as duas mais importantes concessões do Couto Mineiro: a de São Pedro da Cova e a do Passal. Segundo o relatório do Eng. Augusto Farinas de Almeida, director técnico da mina de São Pedro da Cova, o Poço de São Vicente possuía na época uma profundidade de 148 metros e uma secção circular de 4 metros de diâmetro revestida com betão de 25 cm de espessura (www.monumentos.pt). O cavalete de extracção de carvão, construído em 1935, totalmente em betão, localiza-se sobre este poço. Desconhece-se o seu projecto e autoria, existindo um projecto anterior de técnicos franceses utilizando uma estrutura metálica. O cavalete propriamente dito é constituído por uma estrutura vertical porticada, marcado por quatro pilares nos ângulos e sucessivos patamares de contraventamento. Com uma altura aproximada de 13 pisos tinha como função principal apoiar na parte superior grandes roldanas vulgarmente designadas por "andorinhas", nas quais deslizavam cabos de aço que desde a máquina de extracção passavam por estas até desceram na vertical aos poços.


“Andorinhas” do poço de S. Vicente

O remate superior do cavalete onde se localizavam as "andorinhas" é ligeiramente mais profundo e mais largo que o corpo da torre passando a apresentar seis pilares nos ângulos. Este aspecto é conseguido através de sucessivos frisos com uma guarda de betão ao nível da plataforma de assentamento das roldanas e na parte superior pelo beiral denteado da cobertura, os quais referenciam este elemento a edifícios como a Clínica Heliantia. A cobertura em telhado apresenta seis águas. As escoras do cavalete prolongam-se inclinadas até ao terreno com uma quebra de forma a garantir a manutenção de um acesso pré-existente. O corpo da torre com diversos patamares unidos por escadas apresenta nos sucessivos níveis guardas em betão armado de expressão delicada. Na base do cavalete na parte inferior de uma escada metálica, vê-se uma inscrição em relevo: "Poço de S. Vicente - 1935"” (www.monumentos.pt). Nos anos trinta do séc. XX, intensificou-se a extracção mineira, assistindo-se, então, a um processo de migração para S. Pedro da Cova, localidade que passaria a ser conhecida por “terra mineira”, por excelência (www.ippar.pt). Em Julho de 1934, iniciou-se a remodelação do antigo cavalete em madeira, tendo sido concluída em Agosto de 1936. Foram construídos oito silos em cimento armado, para carga de zorras, com uma capacidade de cerca de 500 toneladas, seis silos em cimento armado para carga do cabo aéreo, com uma capacidade de cerca de 450 toneladas e de um novo edifício para escritório da mina, adaptando o antigo armazém (www.monumentos.pt).


O fim...

Em Março de 1975, a exploração mineira de São Pedro da Cova foi encerrada e dois anos mais tarde, a suspensão da lavra foi requerida.


A casa da malta era onde ficavam os mineiros vindos de fora da terra

A memória produtiva das minas cristalizou-se no seio da primeira “Casa da Malta” (assim designada por nela habitarem os trabalhadores oriundos de outras regiões do país) (www.monumentos.pt), um exemplo vivo da preservação de todo um passado histórico relativo à tradição mineira local, bem como à memória colectiva das gentes de S. Pedro da Cova (www.amp.pt).


Localizado na Rua de Vila Verde, o Museu Mineiro é uma antiga casa que servia de alojamento aos mineiros, os "malteses", este edifício foi adquirido à Companhia das Minas de Carvão e reconstruído e reconvertido em museu pela Junta de Freguesia da Vila de S. Pedro da Cova, desde 30 de Setembro de 1989. As rodas ou “andorinhas” do Cavalete estão agora ao ar livre no jardim do Museu Mineiro. A empresa a quem se encontra arrendada o couto mineiro de S. Pedro da Cova procurou nos últimos anos a recuperação do carvão dos maciços de protecção à superfície, assim como do existente nas escombreiras produzidas pela arrendatária (www.monumentos.pt). O conjunto arquitectónico formado pelo cavalete de extracção de carvão, as instalações do poço de S. Vicente da Mina de S. Pedro da Cova, incluindo a Casa da Malta está em vias de classificação desde 1996. (www.ippar.pt).

Visita ao Museu de S. Pedro da Cova