terça-feira, 17 de setembro de 2013

DIVERTIMENTOS DOS PORTUENSES - VII

3.5.6 - Palácio de Cristal - IV


O Jardim de Emílio David possui belos exemplares de rododendros, camélias, araucárias, grinkgos e faias, para além de fontes e estátuas alegóricas às estações do ano. 


Par romântico do séc. XIX


“As senhoras da alta sociedade aliando muitas vezes formosura peregrina a uma educação esmerada, também são, em geral, fortes e têm belas cores”.


Avenida das tílias no Outono


Passeio dominical dos elegantes. 
A Avenida das Tílias constitui o eixo principal deste parque...  



...hoje ladeado pela Biblioteca Municipal Almeida Garrett (onde se situa a Galeria do Palácio)...


... pela concha acústica...

…Aos domingos e quintas-feiras, no inverno da 1 às 3 e no verão das 7 às 9 da noite, as músicas regimentais fazem-se ouvir nos bonitos passeios de S, Lázaro, da Cordoaria e do Marquês do Pombal (antiga aguardente); a concorrência é grande. A sociedade elegante frequenta o Palácio de Crista, ou simplesmente “o Palácio” (como se usa dizer)onde tocam aos domingos bandas de música, havendo por vezes festivais na nave; a vista que se goza do jardim, desde a Serra do Pilar até à Foz do Douro, é deslumbrante”.


…e pela Capela de Carlos Alberto, construída pela princesa de Montléart em homenagem ao seu irmão rei Carlos Alberto da Sardenha (Paris, 2 de Outubro de 1798 - Porto, 28 de Julho de 1849).


Autoped – 12-8-1918


Autoped – Este espantoso meio de transporte surpreendeu-nos, pois não esperávamos que nessa altura houvesse tecnologia para a construção de motores tão pequenos e eficientes. Também nos admira que tal avanço não tenha conquistado a Europa, pela sua versatilidade e eficiência para o trânsito citadino e de diversão. 
Características: Constructores- Autoped (USA) e Krupp (RFA); Produzido entre 1915 a 1922; motor de 191 c.c. arrefecido a ar; velocidade máxima 35 Kms/h.

Jardins do Palácio de Cristal - 1948

Jardins do Palácio de Cristal - 1951 


Em 4 de Março de 1916 foi inaugurada a instalação eléctrica no Palácio e seus jardins.



Carnaval de 1905


Assistência do Carnaval de 1905 - Photo Guedes
  
Carnaval e Salão Automóvel - 1914 


Concurso Hípico - 1920 
Cavaleiros: Capitão Pires de Campos, Filipe de Moura e Brandão de Brito


Museu Industrial e Comercial do Porto – Este edifício foi construído para circo e de 1883 a 1899 existiu, no lado contrário da actual R. Jorge Viterbo Ferreira, este museu. Foi seu director o escritor Oliveira Martins, um dos muitos “tachos” que teve no Porto. O acesso era feito por uma ponte.


Vista aérea em 1939 – No local onde hoje se encontra a Biblioteca Almeida Garrett existia um campo de jogos, concursos hípicos exibições militares etc.

sábado, 14 de setembro de 2013

DIVERTIMENTOS DOS PORTUENSES - VI

3.5.6 - Palácio da Cristal - III


Concerto em 1906 – foto Aurélio Paz dos Reis


Uma tarde infantil

Ramalho Ortigão conta-nos que no Natal de 1865, ano da abertura do Palácio de Cristal, se realizou um concerto dado por crianças na nave central. Actuou “o Sr. Artur Ferreira de Sousa, professor de 7 anos, é uma formiguinha com catarro, mas com o mais forte e profundo catarro com que se pode expectorar o talento. Este sujeito, com 4 palmos de alto, é um artista colossal. Sentou-se ao piano, ou antes sentaram-no… O rabequista Moreira de Sá cujo talento por diferentes vezes tem sido justamente apreciado pelo público. Artisticamente falando é um violinista de excelente escola. (Bernardo Moreira de Sá tinha 12 anos). Terminada a festa musical, recitou o menino Rebelo Valente algumas estrofes da suave poesia do Sr. António Feliciano de Castilho “O Natal do Pobre”. Apesar do seu artístico "aplomb" e do seu olhar perspicaz e firme, este menino sentiu ao entrar no tabelado que as pernas lhe não obedeciam à vontade sustentando-lhe erecta a dignidade da sua posição vertical. Foi então que o actor Taborda lhe bateu no ombro exclamando: “Avante, colega, e sem medo! Eu também tremo assim; nestas ocasiões todos os valentes tremem!”.


Almoço em honra de Afonso Costa – 1911 – Que luxo!!!



Restaurante  - casino


sala de estar


Foto de 1930

Foi o Palácio de Cristal um local dedicado à cultura na sua nave e no teatro Gil Vicente. Foi aqui que se realizaram importantes concertos do compositor e pianista Viana da Mota e da extraordinária violoncelista Guilhermina Suggia. Também se apresentaram os melhores actores do tempo. Esta sala foi muitas vezes cedida para realização de festas de beneficência, comemorações etc.
A C.M.P. punha-a à disposição da cidade, pois não havia muitos outros locais do género. 
Em 1934 a C.M.P. adquiriu o Palácio de Cristal. 


Guilhermina Suggia (1885-1950) foi uma grande violoncelista portuguesa.

Nascida na freguesia de São Nicolau, no Porto, Guilhermina iniciou os seus estudos com o pai, Augusto Suggia, de ascendência italiana, actuando em público a partir dos 7 anos de idade. Foi aluna do violoncelista catalão Pablo Casals e de Julius Klengel, no Conservatório de Leipzig, na Alemanha. A apresentação de Guilhermina com a Orquestra da Gewandhaus, em 1901 em Leipzig, marcou o início de uma brilhante carreira internacional. Reencontrou Casals, mais tarde, em Paris, onde viveram juntos e actuaram por toda a Europa, muitas vezes, com Casals a maestro e Guilhermina como solista. Separam-se em 1913. 
A partir da Primeira Guerra Mundial, Londres tornou-se o principal centro de actividade de Guilhermina Suggia. Num regresso a Portugal em 1923, conheceu José Carteado de Mena, médico e director do Instituto Pasteur do Porto, com quem casou 4 anos depois, tendo o escultor Teixeira Lopes por padrinho. O casal fixou-se no Porto. 
Nos últimos anos da sua vida, Guilhermina Suggia dedicou-se ao ensino. O último grande acontecimento da sua carreira internacional verificou-se em 1949, altura em que actuou em Edimburgo, com a Orquestra Escocesa da BBC. A preferência de Guilhermina Suggia pela obra para violoncelo de Bach levou a que se dissesse na época que ela própria havia reinventado as suites para violoncelo, com o seu estilo virtuoso e inconfundível, tornando-a uma das grandes referências de sempre da música erudita. 
A figura da famosa violoncelista inspirou o livro "Guilhermina" do romancista Mário Cláudio, publicado em 1986.

Em 1942 assisti, neste mesmo teatro, a uma festa de Natal da Paróquia do Carvalhido, na qual actuaram as irmãs Trigueiros, uma das quais, com 4 anos, vim a conhecer dez anos depois e que veio a tornar-se minha mulher.


Jardim lateral em 1876




Avenida das Tílias e Capela Carlos Alberto


Lago original – Projecto do arquitecto belga Florent Claes.


Jaulas dos animais – ainda vimos a aldeia dos macacos, o leão, os gorilas e diversas aves.



Tem uma torre com maravilhosas vistas sobre o rio – foto de 1904





O “chalet” já não é do nosso tempo, mas ainda vimos a gruta que, na nossa memória, se chamaria de Camões. Neste “chalet” existiu o clube de ciclismo antes de ser transferido para as trazeiras do Palácio dos Carrancas.


A população elegante do Porto deslocava-se, principalmente ao Domingo, para admirar as maravilhosas vistas sobre o Douro, o mar, Gaia, os seus lindíssimos jardins, almoçar e tomar chá na Avenida das Tílias.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

DIVERTIMENTOS DOS PORTUENSES - V

3.5.6 - Palácio de Cristal - II




O saudoso maestro Manuel Ivo Cruz escreve, em O Tripeiro Série VII, Ano XIX, Nº. 9, o seguinte: “Com 2750 tubos, o órgão do Palácio de Cristal era um instrumento imponente, na linha dos grandes órgãos românticos, ou sinfónicos, cuja invenção se deve ao organeiro francês Aristide Cavaillé-Coll (1811/1899) … Construído em 1862 em Londres por J. William Wolber e vendido para o Porto por sete contos de reis… Para acompanhar a montagem e propiciar a instrução necessária à sua eficiente utilização, deslocou-se ao Porto o já então célebre organista e compositor francês Charles-Marie Widor (Lion 1844 – Paris 1937), personalidade marcante da música europeia, embora hoje bastante esquecido.”
Na sessão inaugural deste órgão, Widor tocou uma peça musical por si composta propositadamente para esse concerto. Esta peça foi de novo executada em 1995 no concerto de inauguração do órgão romântico da Igreja da Lapa.
"Quando, em 1951 este órgão foi destruído, constou na cidade que os tubos teriam sido levados e “alguém” se teria aproveitado da venda dos metais. Porém a “história” já vem de anos atrás. Em Maio de 1935 a CMP pretendeu mandar reparar o órgão de tubos do Palácio de Cristal. Em 16 de Julho foram abertas 6 propostas de casas portuguesas e estrangeiras, mas a obra não foi adjudicada. Em 1947, a pedido da CMP veio ao Porto o Engº. José Ramos Sampaio, sócio da firma João Sampaio, Lda., organeiros de Lisboa, para examinar o estado do referido órgão. Descreve a sua visita ao palácio da seguinte forma: “Fomos ao Palácio. Não nos queriam deixar entrar, sendo necessário para isso mostrar a carta em que a câmara me participava a aceitação das condições para eu fazer a dita vistoria. Logo atrás de mim veio um outro guarda que disse depois que tinha ouvido a conversa e vinha para auxiliar em qualquer coisa. Depois de pôr uma escada de madeira, restos de um escadote improvisado e termos subido para o estrado do órgão, despimos os casacos e vestimos os fatos de macaco (eu e o Mário). Entrámos lá dentro levando eu a pasta com os apontamentos. Fiquei espantado quando vi que tinham desaparecido todos os tubos. O Mário só encontrou um minúsculo, fino como uma metade de um lápis e que estava caído e quase não se via, por isso escapou. Não havia mais. Nos secretos todos (excepto nos dos Pedais) não havia um tubo de madeira no lugar. Tinham sido todos tirados do lugar para facilitar o roubo e estavam amontoados sobre os secretos. Nos secretos laterais da pedaleira tinham ficado no lugar os tubos grandes de madeira e os funis (só os funis) dos tubos de palheta (os pés de chumbo com as palhetas desapareceram). No secreto surdina (todo dentro de uma caixa expressiva) tinham tirado várias réguas expressivas para entrarem lá dentro e fazer a mesma devastação. Era horrível o aspecto daquilo. Restavam os tubos da fachada, receavam talvez que se vise a falta… o homem disse-me que aquilo estaria assim há muitos anos! Respondi que não pois eu mesmo lá estivera havia 12 anos e não faltavam senão poucos tubos. No outro dia visitei o director dos serviços culturais da câmara”. Em O Tripeiro Série VI, Ano XII. 





A Exposição Internacional de 1865 que inaugurou, com a maior pompa e circunstância, o Palácio de Cristal, além da presença oficial do rei D. Luís, de Dona Maria Pia e do príncipe herdeiro D. Carlos, contou com 4300 expositores e participaram empresas de 25 países. Só a França trouxe 499 expositores. Esta exposição dividiu-se em 4 ramos de produtos: matérias-primas, máquinas, manufacturas e belas-artes. 
Foi a primeira exposição internacional da Península Ibérica. 
Inaugurada em 18/9/1865, esteve patente ao público até fim de Janeiro de 1866.
Para que a cidade apresentasse condições para receber os hóspedes nacionais e estrangeiros foi criada  a Polícia Civil que vigiou a exposição e a partir de 22/8/1866 passou a policiar as ruas da cidade.


O Palácio de Cristal acolheu muitas outras exposições, destacando-se a das rosas, em 1879, a agrícola, em 1903.


Exposição de crisântemos - 1904


Exposição de louças das Caldas em 1901 – Foto Aurélio Paz dos Reis


Exposição de 1901


Exposição de floricultura - Foto de Aurélio Paz dos Reis

Exposição de rosas - 1919 


Exposição industrial de Dezembro de 1930


Dirigível – foto Aurélio Paz dos Reis



I Exposição Automóvel - 1914

I Salão Automóvel e Carnaval - 1914

III Exposição Internacional de Automóveis, aviação e sports realizada no palácio de crystal Maio, 1924 – invicta filmes


Salão Automóvel - 1926


Salão automóvel - 1933



Lembrámo-nos de duas exposições de automóveis e do maravilhoso Austin Princess que nos pareceu um Rolls-Royce. Tinha motor de 3996 c.c. e foi produzido de 1947 a 1956.