segunda-feira, 17 de novembro de 2014

CONVENTOS DE RELIGIOSOS - XII

3.12.7 – Convento de S. João Novo



Santo Agostinho


Nesta foto pode ver-se o Convento de S. João Novo com a letra J. O nome inicial foi Mosteiro dos Religiosos Eremitas de Santo Agostinho (Gracianos). A Paróquia de S. João de Belmonte, que tinha uma pequena igreja dedicada a S. João Baptista, foi criada em 1583 pelo Bispo do Porto D. Frei Marcos de Lisboa e extinta em 1592 pelo Bispo D. Jerónimo de Meneses. 
Belmonte ou Belomonte foi o nome dado ao local, dado que tem uma maravilhosa vista desde a Foz do Douro à Serra do Pilar. Fica um pouco abaixo da Cordoaria.


“O Convento de São João Novo situava-se no Porto, era masculino, e pertencia à Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, ou Agostinhos Calçados. 
Também era conhecido por Convento de Santo Agostinho do Porto. 
Em 1592, Frei Manuel da Conceição, provincial da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho apresentou à câmara Porto um requerimento para lhe ser concedida licença afim de instalar na cidade, no sítio de Santo Ildefonso ou em outro lugar, um mosteiro à sua custa. Obtida a autorização de instalação, foi então escolhido o sítio de São João, no qual se adquiriram várias casas. 
Em 1602, a 23 de Novembro, o Bispo do Porto D. Gonçalo de Morais, monge beneditino, na qualidade de benfeitor, em virtude da demissão do abade Gonçalo Vieira, entregou a igreja de São João Baptista para serviço do convento (desta igreja nada resta). Clemente VIII doou a referida igreja ao convento, repartindo os seus fregueses pela de São Nicolau e pela da Vitória, com a obrigação dos monges celebrarem missa à sua custa e completarem as obras na igreja da Vitória, que estavam por acabar. As obras foram realizadas em 1604. 
Em 1613, iniciou-se a construção do dormitório. 
Em 1672, a 7 de Agosto, D. Nicolau Monteiro, bispo do Porto, lançou a primeira pedra da igreja do convento. Era prior frei Manuel da Trindade. A construção da igreja foi custeada por esmolas. 
Em 1689, em 26 de Outubro, fez-se a trasladação do Santíssimo para a nova igreja. 
Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo”. Site do Arquivo da Torre do Tombo. 
O convento passou a Hospital Militar em 12 de Maio de 1835 até 20 de Maio de 1862, quando o hospital passou para a Quinta das Águas Férreas. Em 3 de Junho de 1864 foram aí instalados os tribunais cível e criminal. Hoje é o Tribunal de Instrução Criminal do Porto. 


A actual Igreja de S. João Novo começou a construir-se em 7 de Agosto de 1672, o Santíssimo Sacramento foi trasladado em 26 de Outubro de 1689 e a frontaria começou a ser construída em 1725. 
Neste local estava a igreja paroquial de Belmonte, dedicada a S. João Baptista. Era pequena e sem interesse. Os frades, necessitando de uma maior, arrasaram-na e construíram a actual…


…mas dedicaram-na a S. João de Sahagun ou S. João de S. Facundo. Ficou assim a chamar-se de S. João-o-Novo e, para facilitar, S. João Novo.

São João de Sahagún ou João de São Facundo, nascido Juan Gonzalez de Castrillo Martinez de Sahagun y Cea, (Vila de San Facundo, actual Sahagún, 1419 — Salamanca, 11 de Junho de 1479) foi um sacerdote, teólogo, prior de um convento da Ordem de Santo Agostinho e santo da Igreja Católica.
João Gonzalez estudou teologia na Universidade de Salamanca. Como sacerdote tornou-se conhecido por suas posições conciliadoras, tendo-lhe por isso sido atribuído a alcunha de "O Pacificador". Em 1463 sofreu uma grave doença e pediu para ingressar na Ordem do Agostinianos, sendo aceite em Agosto do ano seguinte.
Conhecido como João de Sahagun, tornou-se famoso pelos seus sermões directos e destemidos. Em 1478 foi eleito Prior do Convento.
Logo após a sua morte foi aclamado Apóstolo de Salamanca, e começaram as peregrinações ao seu túmulo. Suas relíquias foram trasladadas para a Catedral Nova de Salamanca e algumas delas estiveram na Igreja da Santíssima Trindade, em Sahagún, até á construção da Ermita de San Juan de Sahagún, em 1652.
Foi beatificado em 1601 pelo Papa Clemente VIII e canonizado em 1690 pelo Papa Alexandre VIII.


O retábulo-mor foi executado em 1775 a expensas do Bispo D. António de Sousa e o seu painel central alusivo à Visão de Santo Agostinho foi pintado por João Glama.





Quatro fotos do estudo sobre S. João Novo de Severino Emanuel Cruz da Silva - 2003

Interior da Igreja de S. João Novo – Tinha 4 altares laterais em capelas.

Igreja de S. João Novo - vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=30Gk2IcI-Fo



Foto de ADzido


Texto de Pinho Leal - 1875

O frade que deu o nome ao mosteiro – Germano Silva



Foto do estudo sobre S. João Novo de Severino Emanuel Cruz da Silva - 2003


Capela de Nossa Senhora da Esperança – foto Portojo – esta capela encontra-se no largo de S. João Novo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

CONVENTOS DE RELIGIOSOS - XI

3.12.6 - Convento de Santo António de Vale da Piedade


Era uma congregação mendicante e por via disso dedicavam algum do seu tempo a pedir esmolas. Tinham uma agenda dos locais e épocas do ano onde se dirigiam. Assim, por exemplo, Em Janeiro percorriam desde o mar e toda a zona de Gaia, a Maia, terras da Feira a pedir carne de porco, milho e feijão; na 1ª. semana da Quaresma pediam o azeite, embora no Porto e Amarante fosse pelos Reis. Todo o azeite recolhido em Trás-os-Montes e Alto Douro era recolhido na Foz do Tua e trazido em rabelos; os vinhos eram pedidos entre 20 e 30 de Setembro e reunidos em Baião e Aregos; logo após os vinhos faziam o peditório de castanha, etc. 
Os peditórios eram feitos por frades e leigos acompanhados de uma carta do Superior dirigindo-se aos párocos a pedir asilo e alimentação, rogando que os tratassem “com entranhas de piedade, como a filho de Nosso Seráfico S. Francisco, o que saberei reconhecer, e toda a comunidade, com as nossas devotas orações”.
Os benfeitores dos arredores do convento costumavam oferecer orelheira de porco, pelo que esta era muito abundante nas refeições. “Os lavradores em outro tempo davam da melhor vontade dez alqueires de milho, que valem por exemplo 4$800 reis, do que pagam hoje 200 de côngrua, ou 1$200 de décima”. 
Em certas épocas do ano faziam ofertas aos seus benfeitores de 1 cabeça de porco, orelheira, carneiro, velas de candeia, ovos, cebolas, leitão assado, arroz doce etc.
Eram-lhes pedidos sermões que rendiam 2$400 reis cada um mais 800 reis para o pregador. Eram muitas dezenas por ano.
Nos funerais recebiam 4$800 reis por cada velório e enterro, mas tendo música e laudes cantadas recebiam 6$400 reis.
Estes peditórios, costumes e valores foram recolhidos no livro “Peditórios, usos e costumes do Convento de Santo António do Vale da Piedade”, escrito em 1815. In O Tripeiro Série VI, Ano XII.


Localização do Convento de Santo António do vale da Piedade, na margem esquerda do Douro em frente a Miragaia.



“Desenho de Joaquim Cardoso Vitória Vilanova, de 1833, da fachada principal da igreja do extinto convento de Santo António de Vale de Piedade fundado no ano de 1569, pelos monges menores da regra de S. Francisco. Situava-se a poente de Gaia e a sua cerca marginava com o rio Douro. O convento era pequeno, mas a igreja e claustro eram de boa construção.
Até 1832 todos os barcos que, de Valbom, iam ao mar eram benzidos por um monge do mesmo convento pelo que, no seu regresso, todos os chefes das companhias ofertavam o melhor peixe a Santo António.
Na luta do cerco do Porto, foi este convento abandonado e, seguidamente, ocupado por tropas de D. Miguel; todavia, no dia 17 de Dezembro de 1832, atravessaram o rio Douro algumas tropas liberais com tenções de desalojar do edifício do convento as tropas ocupantes. Sucedeu, porém, acudirem numerosas tropas miguelistas, que obrigaram os liberais a retirar-se; mas, antes de o fazer, deitaram o fogo à igreja e convento, acto desvairado que foi muito censurado por D. Pedro. As ruínas e cerca do convento foram compradas por António José de Castro Silva, que, em 11 de Setembro de 1855, foi agraciado com o título de Visconde de Vale de Piedade”. Site do Arquivo Distrital do Porto.
Durante as Invasões francesas serviu e hospital de apoio ao de Santo António.

O Convento não era grande


J. J. Forrester Ddl.t R. J. Lane. A. R. A. direxit. G. Childs lith. Published in Oporto by the Author & for him in London by J. Dickinson New Bond S.t September — 1835. Printed by Graf & Soret.

Os frades construíram a igreja sem torre. A entrada fazia-se por um cais do Rio Douro, onde estavam colocados 2 sinos para avisar das cerimónias. Tinha um jardim muito bem tratado, tendo à entrada as figuras de Santo António e S. Francisco. A concorrência à missa dominical era muito numerosa e no final os crentes podiam deleitar-se passeando pelos belos jardins.
Almeida Garrett, no seu livro “Arco de Santana” escreve: “ Eu ainda me lembra, e era bem pequeno, das tardes da trezena do santo em que aquela linda cerca parecia o jardim Kensington ou o das Tolherias, de povoada que se fazia pelas mais belas e elegantes damas da cidade, por um concurso imenso de todas as classes e idades; naqueles 13 dias o Vale da Piedade tornava a ser o Vale de Amores.
Seria o melhor passeio público, que o Porto poderia ter, e a rivalizaria com os primeiros do mundo, se nisso o tivessem convertido: deixava de ser Vale da Piedade e tornava a ser o Vale de Amores”.

Em O Tripeiro Volume 1 de Julho de 1908 encontrámos o seguinte texto: “Demolição para saudades – Está sendo demolida a Igreja de Santo António de Vale da Piedade. Esta igreja achava-se com a abóbada abatida e sem os ornatos, desde que foi incendiada no tempo do cerco. Era uma edificação, se não de grande merecimento artístico, clássico, pelo seu local o segundo templo de Villa Nova e sem outros na visinhança. É mais uma providência que attesta tristemente da superintendência do Governo Civil no aproveitamento dos edifícios nacionais.- Periódico dos Pobres, 27/5/1845”. 


Desenho de Joaquim Vilanova – 1833

“Os frades tinham na cidade o seu hospício na Cordoaria, hoje Campo dos Martyres da Pátria, aonde hoje é o hospício dos expostos ou abandonados, d'antes roda dos enjeitados, defronte da igreja de S. José das Taypas, ou Almas." Elucidário do Viajante no Porto por Francisco Ferreira Barbosa, Coimbra 1864.


Ao lugar onde se fundou este mosteiro (em frente de Miragaia, na margem esquerda do Douro) se chamava até então Vale de Amores. Deu-se-lhe este nome, porque sendo um matagal, com árvores silvestres, era o alcoice dos moradores do Porto e Gaia. Os frades mudaram o nome para o de Vale da Piedade.



Quinta de Vale de Amores – 2011 – fotos de Luis A. Sá
Nos anos 60 do século passado esta quinta pertencia à família do Dr. Leopoldo Mourão.


Em frente ao Largo António Calém encontra-se a Ilha do Frade.

Mas por que razão, desde o séc. XIX esta ilhota tem o estranho nome de “Frade”?
Comecemos por informar que em meados do referido século, e até bem mais tarde, a ilha estava muito mais distanciada da margem, pois o jardim António Calem e a marginal foram conquistados ao rio por grande aterro.
Em O Tripeiro, de 1/5/1919, José de S. João Novo, conta-nos a história dessa designação. Passou-se no seu tempo de jovem e conheceu pessoalmente o “frade” em questão.
O Mosteiro de Santo António do Vale da Piedade, em Gaia, mais ou menos em frente da Alfândega, dava emprego na portaria a um jovem leigo que, por força do seu mister, era obrigado a usar, durante as horas de trabalho, o hábito franciscano. Mas, talvez por preguiça ou habituação, não o costumava mudar nas horas livres.
Acontece que, frequentemente, uma bela moçoila de Lordelo ia ao convento fazer recados e o porteiro dela se embeiçou. Cheio de coragem, certo dia, depois de lhe explicar que era leigo e não frade, decidiu falar-lhe no seu sentimento e propor-lhe que preparassem os papéis para o casamento, mas que entretanto poderiam viver maritalmente, pois a sua paixão não permitia grandes demoras. Ela não recusou tal proposta, mas na verdade já tinha namorado certo.
Uma tarde, à saída do convento, alguém se aproximou do apaixonado dizendo vir de mando da pretendida e que na madrugada seguinte, bem cedo, ele estivesse perto do rio que um barco a viria buscar para um encontro romântico. Em grande ansiedade, divisou a aproximação de um barco, saído do espesso nevoeiro e, sem trocar palavra com o remador, embarcou e começaram a descer o rio. A certa altura o barco estacou em terra e, após o desembarque aquele afastou-se. Andando pouca distância é com espanto que encontra novamente água, sucedendo o mesmo por todos os lados. Só quando o Sol raiou e o nevoeiro se dissipou o infeliz descobriu que estava numa ilha, no meio do rio Douro. Compreendendo a armadilha que lhe tinham preparado, aos berros, pediu a um pescador que o levasse para terra. Obviamente o "mudo" tripulante era o namorado da “bela amada”.
Segundo o autor este porteiro passou para hortelão do convento onde trabalhou ainda muitos anos.
Esta história deu brado na zona do Ouro e o povo passou a chamar a “Ilha do Frade”.



Edifício da Fábrica de Santo António de Vale da Piedade – foto blogue Ruinarte

Fundada em 1784 pelo Genovês Jerónimo Rossi, vice-cônsul da Sardenha no Porto, na quinta de Vale Piedade em Vila Nova de Gaia teve um período inicial de grande desenvolvimento industrial ficando como baluarte no fabrico nacional de faiança relevada, em concorrência com a louça inglesa. 
Competiu no fabrico de azulejos, com a fábrica do Cavaquinho e, na modelação de peças de faiança, com a de Miragaia. 
O esmalte utilizado por esta fábrica é bem distinto do das fábricas congéneres e a ornamentação em relevo só foi ultrapassada, mais tarde, pela que realizou a fábrica A. A. Costa e C.a das Devesas. 
Nesta fábrica realizou Soares dos Reis algumas das suas esculturas mais significativas. 
Rossi exportava bastante para a América tendo, como os demais, sofrido um importante golpe com as perturbações causadas pelas invasões francesas e pela posterior abertura dos mercados nacional e ultramarino aos produtos ingleses. 
Em 1814 encontra-se em meia decadência e acaba por falecer, e ser sepultado no Porto. Em 1821 as suas filhas continuam a explorar a fábrica e pedem renovação do alvará que obtém em 1825, estando a fábrica a ser explorada por Francisco da Rocha Soares, de Miragaia, até 1833. 
Em 1852 encontra-se na posse de João de Araújo Lima, um dos industriais mais dinâmicos da sua época, fundador da Associação Industrial Portuense e acolhe muitos operários especializados que deixaram a unidade de Miragaia quando esta encerrou. 
Posteriormente à morte de Araújo Lima (1861), já sob a direcção de João do Rio (seu cunhado) introduziram-se modificações que levaram à produção de peças de ornamentação em relevo para interiores e exteriores. 


Factura de 19 de Março de 1881 para a Irmandade de Nossa Senhora da Lapa 

Depois de vários arrendamentos, ardeu em 1886, indo alguns dos seus operários para as Caldas, por iniciativa de Feliciano Bordalo Pinheiro. Foi um ano depois adquirida e reconstruída por António José da Silva, entrando assim em nova fase de laboração. 
Continuou a renovar-se e a laborar até cerca de 1930. 





Peças atribuídas à Cerâmica de Santo António do vale da Piedade e que se encontram no Museu Soares dos Reis.





Vasos e jarra – blogue Velharias do Luis


Nesta fábrica trabalhou Soares dos Reis, onde realizou algumas das suas melhores obras.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

CONVENTOS DE RELIGIOSOS - X

3.12.5 – Convento dos Agostinhos Descalços, anterior Colégio de S. Lourenço - II


Porta de madeira que pertenceu ao Convento de S. Bento de Avé Maria – foto Portojo

Anexo à Igreja de S. Lourenço está o Museu de Arqueologia e Arte Sacra. Foi criado por D. Domingos de Pinho Brandão em 1958, quando era reitor do Seminário.


Nossa Senhora da Piedade – séc. ? - foto Portojo

“…Entra-se depois, propriamente, no Museu de Arte Sacra e Arqueologia, pela velha entrada do Colégio, onde Garrett terá estado a fazer sentinela durante o Cerco do Porto. Os azulejos e as imagens da escada de acesso indicam a qualidade das peças escolhidas e o gosto do Cónego Dr. Castro Meireles, conservador do Museu. Em destaque a Senhora da Conceição, padroeira do Seminário. 
Uma sala de entrada apresenta, além dos painéis do Convento de S. Bento da Avé-Maria, cálices de Comunhão, esculturas e pinturas, a Árvore de Jessé, e paramentos... até da China. No coro alto, estão antifonários em pergaminho com belas iluminuras, cruzes, anjos, a batina, solideo e manípulo de Leão XIII e o solideo de Pio X.


Antiga sala das confissões do convento – foto Portojo 

O velho corredor das lousas é uma verdadeira galeria de escultura, desde o século XIII ao XVIII, distribuída de forma temática e de muito boa qualidade. Crucifixos, S. Pedro e outros grandes santos, Nossa Senhora com o Menino, com as invocações do Ó ou do Ferro, e as Santas Mães: Maria e Ana…


 Santas Mães



Salvador da Cana Verde


S. João Baptista



…Em duas pequenas salas há excelentes peças de madeira, prata, marfim, vidro e alabastro, e a chamada custódia dos Grilos. 
Em 1962, a Fundação Gulbenkian permitiu ao Arq. Luís Cunha criar um belo espaço, de tipo romano, para a parte arqueológica: um lago com um jacto de água, uma cobertura e alguma vegetação retemperam-nos bem do percurso de salas e corredores. Ali estão poucas peças, mas de qualidade: aras, setas, mos, fragmentos de barro, uma placa de 600 anos antes de Cristo e um mosaico paleocristão. Em breve, poderá ver-se ainda uma sala de numismática…


Árvore de Jessé – foto Portojo


pormenor


Sé, Paço Episcopal, igreja de S. Lourenço, Seminário Maior – antigo Colégio de S. Loureço e Convento dos Agostinhos Descalços – foto Portojo.

…Em meia hora pode fazer-se este interessantíssimo percurso que poderá concluir-se com uma bebida num espaço criado no Largo do Colégio, para descer, depois, pela rua do Arco de Santana até à cidade baixa. 
Desde Julho do ano passado que este Museu está apto a fazer parte dos roteiros turísticos. Ele é um espaço novo, de arte e tradição, metido nas pedras do velho Porto, pleno de tons medievais e com vestígios dos suevos e dos romanos…


Portão do Seminário Maior


Varanda de S. João de Brito – diz-se que aqui meditava este santo português

…Emerge, o Museu, da memória dos trezentos jesuítas que dali partiram para o exílio, do padre António Vieira e de S. João de Brito. Habitado pelos filhos de Santo Inácio até 1759, depois do senhorio da Universidade de Coimbra, este edifício foi ocupado pelos Agostinhos, de 1790 a 1833, para ser depois quartel dos liberais. Mais tarde, foi reconstruído para ali se instalar o Seminário que o Cardeal D. Américo haveria de dotar e onde passaram a formar-se os padres e bispos da Diocese… 


…Em 9 de Março de 1958, D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto, assinalou no Livro de Honra da inauguração do Museu, criado pelo então Reitor D. Domingos de Pinho Brandão, a função de Escola que o Museu deve ter: "Viveiro", "lar de Educação", "instituto normal do Magistério eclesiástico na Diocese", compete ao Seminário ser "um centro de Cultura e palestra apuradora de conceitos, imagens e formas, bem como foco de irradiação doutrinal, cultural e social. O Museu de Arqueologia e Arte situa-se no próprio núcleo destes interesses espirituais: ponto de chegada da Arte e Cultura do passado, ponto de arranque da Arte e Cultura do futuro.


Pedra lavrada no Pátio das Laranjeiras



Arco das Verdades – Em 1589 a câmara cedeu ao Colégio dos Jesuítas água da Fonte de Mijavelhas, que alimentava várias outras fontes. Da mais próxima, a das Fontaínhas, saía um aqueduto para o colégio. Este arco, ainda existente, nada tem a ver com a Porta e Capela das Verdades, pois é o que resta do aqueduto. Hoje não corre por lá a água, que foi encanada.


Largo dos Grilos - 1907


Mirante e escadas que desce para o largo da Igreja de S. Lourenço – foto Portojo

Fotos da Igreja de S. Lourenço e Museu de Arte Sacra http://www.portopatrimoniomundial.com/igreja-dos-grilos.html


Capela do Senhor dos Passos ou de S. Sebastião


As imagens do Passo da Rua do Loureiro, destruído em 1900 para a construção da estação de S. Bento, estão na sacristia de Igreja de S. João Novo.


Em baixo, á direita, vê-se a Capela do Senhor dos Passos na antiga Rua dos Ingleses, hoje Rua Nova da Alfândega.