segunda-feira, 22 de junho de 2015

GOVERNO CIVIL - II

5 . 2 - Governo Civil - II


Guarda Municipal perfilada na Estação de S. Bento em 1907

A Guarda Real da Polícia de Lisboa foi criada em 1801 pelo Príncipe Regente D. João, sob proposta do Intendente-Geral da Polícia da Corte e do Reino, Pina Manique, seguindo o modelo da Gendarmerie francesa, que havia sido criada em 1791. De observar que, já em 1793, o Intendente Pina Manique tinha organizado, a título experimental, uma companhia militar de polícia, antecessora da GRP. Seguindo-se à GRP de Lisboa, foi criada a Guarda Real da Polícia do Porto.
Em 17/3/1824 foi organizado o Corpo de Cavalaria e Infantaria da Polícia do Porto.



Marquês e Conde de Terena 

Em 23/2/1835 o Conde de Terena ordena que os oficiais do Estado Maior rondem, de noite, as ruas da cidade, afim de evitar roubos e assaltos às casas.


Data da criação da Guarda Municipal do Porto foi criada; 24/8/1835.


Guarda Municipal - 1835

No final de Maio de 1834, o Rei D. Pedro IV, assumindo a regência em nome da sua filha D. Maria II, e pelo facto de Guarda Real da Polícia de Lisboa logo no início do conflito que levou à Guerra Civil se ter posto ao lado de D. Miguel, extingue as GRP de Lisboa e Porto. Criando a Guarda Municipal de Lisboa e a Guarda Municipal do Porto com características idênticas.


In O Tripeiro – V série, Ano II

Esta Polícia Civil foi criada em paralelo com a Guarda Municipal, pois receava-se que esta não tivesse capacidade de manter a ordem perante os muitos visitantes que viriam ao Porto por ocasião da Exposição Internacional de 1865 no Palácio de Cristal. 
Em 1897 D. Carlos criou o Corpo da Polícia Civil do Porto, a que chamou Polícia de Segurança Pública. Já na República teve outros nomes, mas em 1927 voltou á chamar-se Polícia de Segurança Pública.


1898


1900


1942 a 1948


 1959


Fim do século XX


Século XXI - um drone


Instituto Moderno de 1914 a 1918 - Quartel da Bela Vista da GNR desde 1919 - PSP desde 1995 - foto de 1920.


Foto de Aurélio Paz dos Reis

Praça da Liberdade vista da câmara – à direita vê-se a Viela de Polé que ligava a Rua do Almada à praça. Era perigoso passar por esta viela, pois era frequentada por prostitutas, ladrões e outros indivíduos perigosos. Então, de noite, nem pensar! Dela saiu a frase tão conhecida no Porto de “sofrer tratos de polé”. As forças da ordem eram frequentemente chamadas para acalmar desordens e socorrer os feridos. Pela bandeira, vê-se que a foto já é do tempo da República. Mais à direita veem-se os prédios que foram abatidos para a construção da filial do Banco de Portugal.


Preparação da pedra, em S. Gens, para a construção da filial do Banco de Portugal


Construção do Banco de Portugal na Praça da Liberdade - atrás veem-se as casas do lado poente da Rua do Almada - 1923 - Arq. José Teixeira Lopes e Miguel Ventura Taera. 


Filial do Banco de Portugal


Finalmente um local digno da estátua do Porto, em frente ao Banco de Portugal 

PSP – vídeos 




G.N.R. – Quartel do Carmo – 1910


Quartel do Carmo e Igreja dos Carmelitas


Formação na parada


Banda da GNR


Povo aguardando a chegada de João Franco ao Quartel do Carmo – 1907


Versos de Fernando C. Pires de Lima

Por decreto de 3 de Maio de 1911 foi criada a Guarda Nacional Republicana. 
Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o Convento dos Carmelitas Descalços foi abandonado pelos frades e ocupado pela Guarda Municipal, onde hoje se encontra a GNR.



Palacete dos Vilhenas onde. durante muitos anos, funcionou o tribunal de Braga.


Largo do antigo tribunal de Vila Real

sexta-feira, 19 de junho de 2015

GOVERNO CIVIL - I

5 . 2 - Governo Civil - I



A Cadeia da Relação, e a sua grande importância no Porto, já foi tratada nos lançamentos de 24, 26 e 30/3/2015.


Desenho de José Júlio Gonçalves Coelho


In O Tripeiro, volume 1


“O Pelourinho, popularmente designado também como picota, é uma coluna de pedra colocada num lugar público de uma cidade ou vila onde eram punidos e expostos os criminosos. Tinham também direito a pelourinho os grandes donatários, os bispos, os cabidos e os mosteiros, como prova e instrumento da jurisdição feudal.
Os pelourinhos foram, pelo menos desde finais do século XV, considerados o padrão ou o símbolo da liberdade municipal. Para alguns historiadores, como é o caso de Alexandre Herculano, o termo pelourinho só começa a aparecer no século XVII, em vez do termo picota, de origem popular. A partir dessa altura passou a ser apenas o marco concelhio. Antes dessa altura, segundo Herculano, o pelourinho era uma derivação, de costumes muito antigos, da erecção nas cidades do ius italicum das estátuas de Marsias ou Sileno, símbolos das liberdades municipais. Mas outros historiadores remetem para a Columna ou Columna Moenia romana, poste erecto em praça pública no qual os sentenciados eram expostos ao escárnio do povo”. António Martinho Baptista – O Pelourinho do Soajo. Terra de Val de Vez, Boletim Cultural, G.E.P.A – Nº1, 1980.


O Pelourinho do Porto estava do lado de fora da muralha, junto da Porta da Ribeira. Foi construído no reinado de D. Manuel I. No cimo vê-se a coroa manuelina, a esfera armilar, o cata-vento e a Cruz.

Em 22/5/2017, Germano Silva escreveu no JN:
"Também no que à justiça diz respeito, o Foral Novo trouxe profundas mudanças. Antigamente, era costume amarrarem-se os criminosos "por debaixo dos braços", nos pelourinhos. Aqui, por criminosos, de­vem entender-se "os intrigantes, os difamadores, os mixordeiros e as mulheres adúlteras". Eram expostos no pelourinho para gáudio da população. Tinham que su­portar as vaias e os insultos de quem passava por perto. O objetivo era que servis­sem de exemplo aos restantes cidadãos do burgo. 
Em certos casos, mais graves, os delin­quentes eram chicoteados em público, o célebre castigo das "varadas". E as adúlte­ras, em algumas terras, antes de serem amarradas ao pelourinho, eram montadas em cima de uma mula velha e, comas mãos atadas atrás das costas e o rosto vol­tado para a cauda do animal, eram levadas pelas ruas mais centrais do povoado, numa humilhante exposição pública. 
Com o Foral Novo, vieram novas diretrizes para o castigo de determinados crimes e fez-se um novo pelourinho. O do Porto, do tempo de D. Manuel, estava sobre o muro da Ribeira. Era, exatamente, no esti­lo manuelino, com uma bela coluna torci­da tendo no cimo a coroa manuelina e, so­bre esta, a esfera armilar conjuntamente com um bem concebido cata-vento".
(Comentário do nosso amigo António da Cunha Coelho:
"Como me parece evidente, nunca o pelourinho (ou a forca) poderia estar "sobre o muro". Mas de qualquer modo existem gravuras que o provam".)

No Porto existiram várias forcas, que mudaram de local consoante as circunstâncias. O Dr. Artur de Magalhães Bastos refere-se a uma que existiu na Ameijoeira, na serra do Pilar. Esta forca terá sido retirada em 1538 para a construção do mosteiro.
Em Mijavelhas, hoje Campo 24 de Agosto, existiu a forca municipal até 1714. A S. C. M. do Porto, que tinha por missão enterrar os mortos na forca, pediu â câmara para a desmontar, pois ficava muito longe do cemitério dos condenados, no Campo das Malvas, local onde está a Igreja e Torre dos Clérigos. Por vezes, quando havia mau tempo, os cadáveres só eram retirados dias depois.
Existia também a forca da Ribeira, que ficava fora da porta da muralha. Foi construída, neste sítio, uma forca nova que substituiu outras duas até 1822. Neste ano ergueu-se uma forca na Cordoaria, em frente à cadeia da Relação. 
Em 14 de Outubro de 1757 foram erguidas seis forcas na Cordoaria que foram usadas na execução dos 18 condenados da revolta da Companhia. 
Em 7 de Maio de 1829 foram levantadas duas forcas na Praça Nova onde foram executados, pelos absolutistas de D. Miguel, os 12 liberais considerados traidores. Desconhecemos se existiram mais forcas na cidade.


Ainda em Ponta Delgada, antes do embarque para o Porto, O Duque de Bragança (D. Pedro IV), promulgou o decreto de 16/5/1832 em que dividiu o país em círculos judiciais, estes em comarcas, estas em julgados e estes em freguesias. 
Já no Porto, em 4/12/1832, dividiu a cidade em 3 distritos ou bairros: Cedofeita, Santo Ovídio e Santa Catarina. O de Santa Catarina incorporava o concelho de Gondomar e os julgados de S. Pedro da Cova, Avintes e Grijó.


Em 18 de Setembro de 1833 é promulgado o Código Comercial de Ferreira Borges. Em 2 de Agosto de 1834 é criado o Tribunal do Comércio do Porto. Durante o Cerco do Porto, em 24 de Julho de 1832 um incêndio no Convento de S Francisco, destrói uma parte do edifício salva-se apenas a igreja. É aqui que se vai estabelecer a sede da Associação Comercial do Porto. 
Em 19 de Junho de 1841, D. Maria II manda expedir a Carta de Lei da Concessão do edifício queimado, à Associação Comercial do Porto, para nele se estabelecer a Praça ou Bolsa do Comércio e o Tribunal de Comércio de 1.ª Instância. 
Com a implantação da República, o Palácio da Bolsa é arrolado e desocupado, só voltará à posse da Associação em 1918.O Tribunal de Comércio exerce a sua actividade como organismo autónomo até ao final dos anos 30. O Tribunal do Comércio, também funcionou na Casa da Relação. 
O Tribunal da Comarca do Porto passa a exercer jurisdição sobre varas e juízos de competência especializada, comercial, cível, criminal etc. 


Pátio das Nações – antiga bolsa do Porto
    



Quadros de Veloso Salgado

“A Sala de Audiências do Tribunal do Comércio, no Palácio da Bolsa (Porto) é mais uma obra-prima do palácio, onde em pleno século XIX, e tal como o nome indica, funcionou o antigo tribunal do comércio. 
Com traço inicial de joel de silva pereira e posterior reformulação do arquiteto Marques da Silva, cuja intervenção se centrou nos vitrais e mobiliário, apresenta-se magnificamente decorada em estilo renascença francesa, estilo esse que lhe imprime um enorme ecletismo e uma atmosfera de certa austeridade inerente à função para a qual foi concebida". In etcetaljornal


Em 28/5/1864 foram inauguradas as instalações dos Tribunais Cíveis e Criminais no Convento de S. João Novo.



Aviso postal do Tribunal de S. João Novo - 1953

quinta-feira, 18 de junho de 2015

CAPELA DE SANTO OVÍDIO + ADENDA

Capela de Santo Ovídio





Imagem de Santo Ovídio – Segundo as hagiografias do século XVI, Ovídio era cidadão romano de origem siciliana. A tradição afirma que foi enviado para Braga, Portugal, pelo papa Clemente I, onde foi o terceiro bispo no ano 95. Foi mártir pela sua fé cristã no ano 135. Está sepultado na Sé de Braga. É considerado o advogado das dores de ouvidos e dos maridos infiéis.
A Capela de S. Bento e Santo Ovídio foi construída pelo Dr. João Carneiro de Morais e sua esposa no ano de 1665, em terreno da sua Quinta da Boavista, que depois se chamou de Santo Ovídio. Tinha a frente para a estrada de Braga, junto da actual Rua dos Mártires da Liberdade. Pertenceu aos Padres Agostinhos Descalços até 1787, que terão construído um hospício para descanso dos seus padres. Em 1780 estes frades compraram à Universidade de Coimbra o Convento e Igreja de S. Lourenço (Grilos) para onde se mudaram. Em 1787 a família Figueiroa comprou a capela, já muito degradada. Foi destruída nos anos 90 do séc. XVIII.

ADENDA AO LANÇAMENTO DA CAPELA DE SANTO OVÍDIO DE 22/9/2014


Na planta acima, de meados do séc. XIX, encontra-se, bem junto de Quinta de Santo Ovídio, um pequeno rectângulo com uma cruz, sinal de templo sagrado.
Há dias um nosso leitor atento e muito conhecedor da cidade referiu-nos já ter lido que a Capela de Santo Ovídio estaria localizada onde se encontra o Quartel de Santo Ovídio e destruída para a edificação deste. 
Decidimos aprofundar este assunto, que nos levou a encontrar pelo menos duas versões dispares. 
A primeira, a que fazemos referência no nosso estudo, é a de que os Figueiroa a compraram aos frades Agostinhos Descalços em 1787, muito degradada, e teria sido destruída em 1790. Porém, parece-nos que os Figueiroa, ao compra-la, tivessem a intenção de a reconstruir.
Encontramos uma segunda hipótese, a referida pelo nosso leitor.
Em O Tripeiro Série V, Ano V, Vasco Valente mostra-se surpreendido com o facto de a capela ter sido destruída para a construção do quartel. Eis o texto:


Assim sendo ficámos sem saber ao certo a localização da Capela de Santo Ovídio, embora continuemos inclinados para a nossa versão.
Encontrámos também o assento de casamento de Eça de Queiroz, realizado na Quinta de Santo Ovídio, que refere: 
“Aos dez dias do mês de Fevereiro do anno de 1886….no oratório particular da Exmª. nubente…”.
Artur de Magalhães Basto (O Tripeiro, Série V, Ano X) escreve: 
“O casamento foi celebrado na capela particular da velha casa ou solar da grande e frondosa Quinta de Santo Ovídio”.
Seria este “oratório” ou “capela” dentro da casa da quinta? Ou seria a tal capela de Santo Ovídio a que tratámos no nosso trabalho? 
Ou terá havido uma outra capela no local onde se construiu o quartel.
Se alguém, mais conhecedor deste assuntos nos puder ajudar, ficar-lhe-íamos muito grato.

terça-feira, 16 de junho de 2015

GOVERNO ECLESIÁSTICO - VII

5 . 1 - Governo Eclesiástico - VII


Comarca da Feira



Feira – Igreja Matriz e Convento dos Loios

“A Terra de Santa Maria, situada no cruzamento dos eixos Norte-Sul e Litoral-Interior dispõe de um posicionamento geográfico que, desde épocas remotas, fez desta região local de encontro e de passagem de muitos povos. Comprovam-no a existência das vias romanas que ligavam Lisboa a Braga (marco milenário encontrado em Ul) e o Porto a Viseu. Estas vias de comunicação continuaram a ser utilizadas durante toda a Idade Media e até ao século passado.
Após a reconquista, com base na antiga divisão administrativa dos conventos, três pólos de desenvolvimento se evidenciaram na região.


Mosteiro de Cucujães

Mosteiro de Arouca


Fotos de Victor Ribeiro



Cálices do Mosteiro de Arouca (séc. XVI-XVII), actualmente na S. C. da Misericórdia do Porto 

De acordo com as fontes documentais, foi fundado na primeira metade do século X, como um pequeno mosteiro habitado por uma comunidade religiosa sob a invocação de São Bento de Núrsia.
Recebeu carta de couto no século XII, período que definiu o caráter de centralidade deste cenóbio na vida política e administrativa da região. Desde 1154 passou a ser habitado apenas por religiosas.
A sua importância revigorou-se com o padroado da Beata Mafalda de Portugal, efémera rainha de Castela, que aqui viveu entre 1220 e 1256. Filha de Sancho I de Portugal e de Dulce de Aragão, em 1215 foi celebrado o contrato de seu casamento com Henrique de Castela. Diante do falecimento deste, porém, com 13 anos, Mafalda regressou a Portugal sem que o casamento se houvesse consumado, mas com o título de rainha. Seu pai, doou-lhe o Mosteiro de Arouca. Mafalda faleceu em 1 de maio de 1256, e encontra-se sepultada em Arouca.
Ao longo de sua existência secular, o mosteiro viveu períodos de grande desafogo económico que, de algum modo, se refletiram na procura de peças artísticas de grande qualidade, boa parte das quais ainda se mantêm.
Na época moderna o conjunto foi reconstruído e ampliado desde o final do século XVII. Um grande incêndio destruiu grande parte do mosteiro em 1725, tendo os trabalhos de reconstrução se estendido até aos últimos anos do século XVIII, conferindo-lhe a sua atual feição. Entre os artistas que contribuíram para o seu brilho, destacam-se Diogo Teixeira, Carlos Gimac e Miguel Francisco da Silva. 


Castelo da Feira

"Quando D. Henrique (1095-1112) recebeu as terras do Condado Portucalense (1095), estas incluíam os domínios não apenas deste Castelo de Santa Maria, mas também o Castelo de Guimarães, o Castelo de Faria e o Castelo de Neiva. Com o falecimento do Conde, diante da ascendência do galego Fernão Peres de Trava sobre a viúva, D. Teresa de Leão, os senhores ao sul do rio Minho, insatisfeitos, organizaram-se em torno do jovem D. Afonso Henriques, que, nesse ínterim, se armou cavaleiro (1125).
Parte expressiva desta articulação política terá tido lugar nas terras e Castelo de Santa Maria, sob o domínio do nobre Ermígio Moniz, culminando na batalha de São Mamede (Guimarães, 1128), razão pela qual se afirma ser este monumento o verdadeiro berço da independência de Portugal. 
No testamento de Sancho I de Portugal (1185-1211), redigido em 1188, este foi o principal dos cinco castelos eleitos pelo soberano para eventual refúgio da rainha, quando viúva, e das infantas.
Em 1282, Dinis I de Portugal (1279-1325) incluiu-o entre os doze castelos assegurados como arras a sua consorte, a Rainha Santa Isabel. Mais tarde, ainda neste período, foi tomado pelas forças do infante D. Afonso, em luta contra o soberano, seu pai. Quando celebrada a paz entre ambos, por iniciativa da Rainha Santa (1322), o domínio deste castelo (entre outros) foi outorgado a D. Afonso, mediante o compromisso de menagem prestado por este último ao pai.
Posteriormente, em 1357, era seu alcaide o nobre Gonçalo Garcia de Figueiredo.
Fernando I de Portugal (1367-1383) fez a doação das Terras de Santa Maria e seu castelo a D. João Afonso Telo de Meneses, conde de Barcelos (10 de Setembro de 1372), que instituiu como alcaide do castelo a D. Martim Correia.
A Dinastia de Avis; ao eclodir a Crise de 1383 — 1385 em Portugal, o conde de Barcelos tomou partido por Castela, atitude seguida pelo alcaide do castelo. Em 1385, o castelo e os domínios foram conquistados pelo alcaide do Castelo de Penedono, Gonçalo Vasques Coutinho, com o auxílio de recursos e gentes do Porto, para serem entregues a João I de Portugal, que por sua vez os entregou a D. Álvaro Pereira (primo do Condestável D. Nuno Álvares Pereira) (8 de abril). Posteriormente, o soberano concedeu o castelo e seus domínios a João Rodrigues de Sá.
No século XVII construiu-se dentro dos muros o Palacete dos Condes da Feira, demolido em 1929, e do qual apenas restam algumas paredes, a escadaria e o fontanário. Do mesmo período é a edificação da Capela de Nossa Senhora da Encarnação, sobre outra, mais antiga, da mesma invocação, por iniciativa de D. Joana Forjaz Pereira de Meneses e Silva, condessa da Feira, inaugurada em 1656.
Extinta a representação dos condes da Feira (1700), o conjunto passou para o património da Casa do Infantado (1708). Em 15 de Janeiro de 1722 um violento incêndio devastou o imóvel, votando-o a um longo período de abandono e ruína.
No século XIX, iniciou-se uma tímida recuperação do monumento: com o fim da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), o imóvel e terras anexas foram adquiridos em hasta pública pelo general Francisco Xavier da Silva Pereira (1835). Nesse período destacam-se ainda a visita por membros da família real portuguesa (1852), e os trabalhos de desentulhamento do antigo poço do castelo, por iniciativa da Câmara Municipal (1887).
O Castelo da Feira, sendo um local de pagamento de tributo era local privilegiado de comércio de produtos vários, pelo que em seu redor se foi instalando a população, dando origem à actual cidade de Santa Maria da Feira.
O povoamento da Terra de Santa Maria é já muito antigo, como o atestam a presença de vários monumentos funerários (mamoas), que remontam ao IV-V milénio antes de Cristo, bem como castros (povoações fortificadas) pré-romanos ou romanizados. O império trouxe as vias romanas, por necessidades militares ou comerciais e são ainda visíveis vários traços de vias e pontes dessa época, muitos dos quais ainda bem conservados.
Da Idade Média ficaram-nos testemunhos da arquitectura militar, de que o Castelo da Feira será o mais imponente e representativo. Mas é na arquitectura religiosa que a monumentalidade atinge a sua máxima expressão: conventos, igrejas e cruzeiros — do românico ao barroco — são muitas vezes o espelho do passar do tempo, através de intervenções sofridas em épocas variadas.
Até à sua elevação a cidade em 14 de Agosto de 1985, era conhecida como Vila da Feira”. In Wikipédia

Comarca da Maia



Mosteiro de Águas Santas 

A origem da freguesia de Águas Santas é anterior à formação da nacionalidade, havendo mesmo vestígios que asseguram a sua existência já no século VI. No entanto, o documento mais antigo que se conhece data de 1405 e consta dos registos relativos ao ano 1120 uma referência a Sancta Marya Aquis Sanctis, num foral de doação da cidade do Porto ao Bispo D. Hugo.
Conta a lenda que a madre superiora de um convento, ao saber da aproximação dos romanos, escondeu a imagem da Virgem Maria junto de uma fonte, ao desembrulhá-lo e ver a imagem de Nossa Senhora chorando. O povo, ao saber da notícia, chamou-lhe Fonte de Águas Santas. Mais tarde foi construída perto da fonte, a Igreja do Mosteiro de Águas Santas. Esta seria, então, a história do nome da freguesia.
O primeiro mosteiro desta Ordem do Santo Sepulcro localizou-se no actual concelho de Penalva do Castelo, cuja igreja também era denominada de Santa Maria de Águas Santas.
Quanto ao seu estabelecimento em Águas Santas da Maia, dizem alguns historiadores ter acontecido no tempo de D. Sancho I, baseados num documento de 1186.
Em 1489 o Papa Inocêncio VIII suprimiu a Ordem do Santo Sepulcro, unindo-a à do Hospital.
Em 1492, ou em 1551, realizou-se a união com a Ordem de Malta, transformando-se Águas Santas da Maia numa Comenda desta Ordem.
Para completar este pequeno apontamento histórico diga-se que todos os autores estão de acordo ao afirmar que a Ordem do Santo Sepulcro, em Portugal, apenas teve casas suas em Penalva do Castelo e na Maia.

Comarca de Penafiel




Matriz de Penafiel




Andor de S. Martinho

A Igreja de São Martinho, Matriz da Cidade de Penafiel, classificada como Monumento Nacional, de estilo renascentista de três naves e quatro tramos separadas por duas arcadas de arcos de volta perfeita apoiados em colunas jónicas e cobertos por abóbadas de berço, começou a ser construída em 1561 e concluída em 1570. A construção deu-se sobre a primitiva capela do Espírito Santo, remodelada no Século XVI ao gosto Manuelino por João Correia, rico mercador da cidade de Penafiel, para albergar aí o seu túmulo, constituído por uma lâmina em bronze e de tipo flamengo onde aquele fez representar a sua imagem gravada. 
No exterior destaque para a fachada maneirista, de parede lisa rasgada por duas amplas janelas que flanqueiam o pórtico, composto por duas colunas jónicas e entablamento clássico sobre o qual se desenvolve um nicho rectangular, com a representação policromada de São Martinho e o mendigo encimada por rosácea.



Igreja do Mosteiro de Paço de Sousa 

Foi fundado no século X por D. Godo Trutesindo Galindes, ascendente de Egas Moniz, o aio, que fez erguer neste local o seu paço. Serviu de refúgio ao abade Radulfo, aquando das invasões de Almançor (994). Constituía-se em uma comunidade beneditina. 
O mosteiro foi desocupado muitos anos depois e veio a cair em estado de degradação. Foi alvo de algumas obras de manutenção no século XI, vindo a ser completamente recuperado em meados do século XIII. Nesta mesma época foi feita a ampliação da Igreja anexa. 
Novas campanhas de conservação e restauro foram empreendidas no século XVIII e, mais tarde, no século XX, após um violento incêndio ter devorado os tectos de madeira da igreja em 1927. 
Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, o convento foi vendido em hasta pública, mas a igreja manteve-se aberta ao público. 
Apresenta um estilo arquitectónico na transição entre o estilo românico e o estilo gótico. 
Integra o conjunto do mosteiro uma igreja românica de três naves de apreciáveis proporções, na qual se destaca uma bela rosácea na fachada. A sua traça teve influência sobre toda a região de Penafiel, podendo dizer-se que este templo se enquadra no estilo doutros monumentos românicos, como os de Roriz, Gândara, Travanca e Pombeiro.



No interior deste mosteiro encontra-se sepultado Egas Moniz, preceptor de Afonso I de Portugal. No interior do túmulo existe uma pequena caixa de cobre com as suas cinzas fúnebres. O túmulo em si é uma magnífica peça com altos-relevos que retratam a ida do aio de D. Afonso Henriques à Corte do reino de Leão.


Mosteiro de Cete - 1905





Túmulo de D. Gonçalo Oveques

“A sacralização do solo pelo túmulo de D. Gonçalo Oveques, cuja capela funerária se encontra na torre de São Pedro, poderá estar na origem do Mosteiro de São Pedro de Cete, com documentação a comprovar a sua existência em 924 e, em 985, é possível encontrar referências a uma basílica em honra de São Pedro.
Outros historiadores indicam este nobre como o responsável pela reconstrução do Mosteiro, já que terá vivido no século XI.
A construção hoje existente, no entanto, não corresponde a épocas tão tardias, apresentando vários arranjos góticos, efetuadas no final do século XIII e início do século XIV, conforme inscrição visível na parede norte da capela-mor, junto ao sarcófago do Abade D. Estêvão Anes, falecido a 23 de julho de 1323, responsável pela reforma completa da igreja.
O facto de estas construções monásticas serem, nesta época, alvo de ataques constantes de muçulmanos ou normandos, justifica a existência de fortificações defensivas nas imediações, sendo, neste caso, o Castelo de Vandoma.
Aos patronos, famílias poderosas que efetuaram doações às ordens monásticas, cabia a tarefa de defender os mosteiros, beneficiando dos direitos de “aposentadoria e comedoria”, bem como do direito de serem tumulados no mosteiro.
A implantação deste Mosteiro neste local evidencia a organização do território na época, através das paróquias, e reflete a importância que as ordens religiosas desempenharam na formação e consolidação do reino. A presença de uma igreja garantia a posse e ocupação do território”. In A Rota do Românico



Igreja de S. Miguel de Eja


Porta lateral Norte


Arcada do Arco do Cruzeiro

“O território do Tâmega e Sousa assume uma elevada importância estratégica durante a Reconquista Cristã de D. Afonso III das Astúrias.
O domínio sobre o rio Douro constituiu, desde a proto-história, uma característica que fez de Entre-os-Rios um local privilegiado para implantação de habitações. Vestígios de uma muralha de um castro e registos da descoberta de cerâmica romana tardia são provas da ocupação do território.
A Igreja de São Miguel ergue-se num pequeno planalto, ilustrando a importância estratégica do local escolhido para edificar este monumento românico tardio.
A primeira vez que a Igreja é referenciada em documentos é no Livro de Testamentos de Paço de Sousa, datado de 1095, no qual é referida uma doação de parte da Igreja ao Mosteiro. Outro documento, de 1120, dá notícia de uma nova doação de parte da Igreja ao mesmo Mosteiro.
A arquitetura românica tardia que exibe situa a sua construção após o século XIV, ou seja, o edifício original terá sofrido profundas remodelações ao longo do tempo.
Os especialistas consideram que, quando o edifício foi erigido, há muito que o centro decisório regional havia deixado Eja, facto explicado pela modéstia da construção: templo de nave única e capela-mor quadrangular mais baixa e estreita que o corpo; alçados escassamente fenestrados e destituídos de pormenores decorativos relevantes; fachada principal de escassa volumetria, rasgada por portal de arco apontado a que se sobrepõe pequena fresta; arco triunfal igualmente apontado, decorado sumariamente com motivos geométricos e vegetalistas.
A Baixa Idade Média e a Modernidade deixaram poucas marcas na Igreja, o que não sucedeu na Época Barroca, durante a qual foi renovado o altar, com colocação de talha dourada, de estilo nacional, seccionado por três arcos de volta perfeita.
No século seguinte, as obras de atualização estética continuaram, edificando-se o coro-alto e introduzindo-se os retábulos laterais”. In A Rota do Românico

Para um melhor conhecimento desta área e sua história recomendamos o seguinte site:

Comarca de Sobre-Tâmega



“Fundado em 1540, o convento dominicano de São Gonçalo de Amarante foi construído no local onde se erguia uma pequena ermida medieval dedicada ao santo eremita. A edificação do cenóbio prolongou-se até ao reinado de Filipe I, e embora, numa primeira fase, a direcção da obra fosse atribuída a Frei Julião Romero, a feição maneirista que hoje apresenta o convento amarantino deve-se ao risco do arquitecto Mateus Lopes (RUÃO, 1995, p.24). 
A estrutura do Convento de São Gonçalo apresenta evidentes semelhanças com os templos edificados pelos arquitectos Lopes tanto no Minho como na Galiza. No conjunto conventual destaca-se, ainda, a Varanda dos Reis. Rasgada no exterior do templo, ao nível do último registo do pórtico, este balcão foi, também, edificado por Manuel do Couto, apresentando nas pilastras de suporte dos arcos as estátuas dos reis que patrocinaram a construção do convento dominicano de Amarante (D. João III, D. Sebastião, D. Henrique e D. Filipe I). In IPPAR - Catarina Oliveira.