terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O ELÉCTRICO VIII

6.26.7 - O Eléctrico VIII - O 500 - Linhas 8 e 7 - Arca d'Água - Linha 10 - S. Mamede Infesta - S. Pedro da Cova - Gondomar



In Os Velhos eléctricos do Porto



A série do 500 – o último construído no Porto, o mais feio e incómodo de todos – tinham assentos de madeira, mas alguns foram almofadados - 1951

“” O 500 não fazia a minha rota pois que eu não vivia em zona chique. Mas, quando esporadicamente aparecia era uma festa, com um senão horroroso. Não se podia saltar em movimento. O meu avô, que dizia que quem é maluco deve saber fazer as maluquices bem feitas, tinha-me ensinado a saltar na perfeição em movimento, quer a entrar quer a sair. Eu sou uma porcaria de avô porque nunca teria coragem (e agora nem saúde) para ensinar a Pi a saltar. Que saudades do meu avô! “” - Desconheço quem escreveu esta frase

Eléctricos do Porto – Manuel de Oliveira - 1956
https://www.youtube.com/watch?v=DqEBvYFtcFo


A linha 8 em Campo Lindo - 1974

“A “linha de Paranhos” foi a última linha de carros americanos que o Porto viu desaparecer. Em setembro de 1904, a então designada Companhia Carris de Ferro do Porto substituiu a tração animal pela tração elétrica na referida linha. Em 1912, a “Carris” atribuiu um indicativo (número) a todas as linhas da sua rede, tendo a “linha de Paranhos” recebido o n.º 8. Finalmente, em novembro de 1976, após cerca de 72 anos de serviço, a linha 8 foi suprimida”. Porto desaparecido


A linha 8 passava pelo Jardim da Arca d’Água – 1939

Túnel da Arca d’Água – Germano Silva - vídeo
http://www.jn.pt/live/programas/interior/viagem-pelo-porto-subterraneo-3621257.html?id=3621257

Da Arca d’Água à Praça dos Leões
https://www.youtube.com/watch?v=uazhPXJMrRM


A linha 7/ ia da Praça da Liberdade até ao Amial.


O 7 saía do Carmo e ia até à Ponte da Pedra – anos 70


O 7 chegou à Ponte da Pedra e vai regressar ao Porto. O condutor está a virar o trólei 

Linha 7 – Joel Cleto


O eléctrico chega a S. Mamede Infesta – 1910 – anteriormente a viagem era feita pelo Ripert, de que já tratámos em O Americano II de 28/12/2016.



1900

S. Mamede Infesta – Cinemateca Portuguesa - 1930

Biografia de S. Mamede Infesta - 1930


O 10 em S. Pedro da Cova

Linha de S. Pedro da Cova – transporte de carvão para as caldeiras de Carris (Massarelos), Fábrica do Graham (Av. da Boavista) e Fábrica de Salgueiros - Cinemateca Portuguesa - 1917


O 10 em Rio Tinto


Na Prelada (Gondomar) – 1930


Eléctrico em Gondomar - linha 10 - 1930 – esta linha deixou de circular em 31-12-1966


Era muito comum andar-se dependurado, muitas vezes o fizemos…a linha 9 seguia para Águas Santas e Ermezinde. 



Era muito comum verem-se rapazes a viajar à "guna"! Corriam para o eléctrico quando este se punha em marcha e fugiam quando travava para não serem apanhados pelo guarda-freio. 

O eléctrico do Porto – Manoel de Oliveira - 1856

domingo, 22 de janeiro de 2017

ELÉCTRICO VII

6.26.7 - O Eléctrico VII - Do Passeio Alegre a Massarelos, Catástrofe do eléctrico em 1911, Obras nas linhas do Campo 24 de Agosto, Linhas 3, 4 e 19


Esta afluência era diária…


Linha 1 – da Praça do Infante a Leixões – já passou o Passeio Alegre - 1981


Linha 2 em Sobreiras – 1973

Linhas com História nº. 2

Linha 18 – Percurso no último dia em que circulou – Maio de 1996


In Os Velhos eléctricos do Porto


Linha Carmo à Foz, em Massarelos – 12/9/1895

O Porto em 1979


“Foi há precisamente um século! (10 de Dezembro de 1911) O elétrico nº 163 teve mais uma razão para se tornar distinto, desta vez por um dramático motivo. Esta viatura, que circulou até 1967 e integra a coleção do museu, protagonizou um dos maiores acidentes com carros de tração elétrica. Viagem iniciada em Leixões com dezenas de “brasileiros” a bordo, desembarcados do paquete Antony para passarem o Natal junto das suas famílias. Ao passar no “Caes das Pedras”, junto à “praia dos insurretos”, o elétrico e os atrelados descarrilaram numa curva apertada e caíram ao rio Douro. Faleceram 14 pessoas. Ainda assim alguns populares não hesitaram em mergulhar na esperança de salvar vidas”. – site do Museu do Carro Eléctrico. 
O inglês Wall, proprietário da Fábrica de Massarelos, salvou 15 pessoas das águas do rio. 


Desfile de eléctricos - 2012


Local onde se deu o desastre descrito acima – linha 1


Foto de Manuel Varzim - 2016




Colocando carris no Campo 24 de Agosto – anos 50

Electricos do Porto


Linha 3, com destino a Pereiró. na Boavista junto à remise. 


"Cerimónia de inauguração da linha de eléctricos para Pereiró, no dia 21 de Dezembro de 1947.
Nesta fotografia vemos o então governador civil do Porto, Antão Santos Cunha (1914-1971), cortando a característica fita de inauguração sob o olhar do presidente da Câmara Municipal do Porto, Luís José de Pina Guimarães (1901-1972), que se encontra entre as meninas vestidas de branco". 
Esta imagem foi captada no início da avenida de Antunes Guimarães, junto à avenida da Boavista.


Inauguração da linha 4 – Pereiró – 21/12/1947


Escola Gomes Teixeira na Praça da Galiza


Eléctrico 3 que segue para Lordelo, na Praça da Liberdade.


A linha 3, com destino a Lordelo do Ouro, foi inaugurada no fim dos anos 40 do séc. passado e deixou de funcionar em 1984 – o eléctrico º. 198, na foto, ainda está apto a operar, mas na cidade de S. Francisco (USA) para onde foi vendido. Foto de 1975.

Linhas com História - 3 e 4
http://electricosnoporto.blogs.sapo.pt/43031.html



O 19 fazia o trajecto da Praça da Liberdade a Matosinhos, via Palácio, Júlio Dinis, Avenida da Boavista e Castelo do Queijo. Aqui no fim da linha em Matosinhos. - atrás o 1 que seguia para a Praça do Infante D. Henrique.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

ELÉCTRICO VI

6.26.7 - O Eléctrico VI (actualizado) - Eléctricos na Avenida da Boavista e Foz do Douro - eléctrico 100 - aberto, Palacete da Boavista de Manuel Pinto da Fonseca


O palacete do grande incêndio da Boavista
Por António Coutinho Coelho

Esta casa, na esquina da Avenida da Boavista com a Rua de Belos Ares, não foi construída por um qualquer «brasileiro- de-torna-viagem», nem foi propriamente demolida. Foi a morada do banqueiro Manoel Pinto da Fonseca, e destruída por um incêndio, no dia 14 de Outubro de 1926.

Manuel Pinto da Fonseca nasceu em 10 de Outubro de 1804 em Divino Salvador de Moure, Felgueiras. Era filho de Francisco Pinto Lemos e Violante Ribeiro da Fonseca e irmão de Joaquim Pinto da Fonseca e António Pinto da Fonseca.




Fachada da Rua de Belos Ares – Remodelação feita em 1898, acrescentando a fachada poente.

Efectivamente na planta de Teles Ferreira de 1892, vemos perfeitamente a casa original :



O Incêndio – Foto Alvão – CPF

"Em A Infanta Capelista e em O Carrasco de Vítor Hugo José Alves (1872), são os grandes negreiros Fonsecas, Manuel e Joaquim, os chamados à colação. O primeiro, Manuel Pinto da Fonseca, porventura o único grande negreiro invocado, até então, pelo nome próprio, na ficção portuguesa. Negreiro classificado, nos anos quarenta, no Rio de Janeiro, pelos comissários ingleses ali destacados para fiscalizarem o tráfico de escravos, como o maior deles. Regressado a Portugal em 1851, aureolado com a fama de uma fortuna fabulosa, as aquisições de quintas e palácios faustosos aliadas a um comportamento social extravagante de novo rico, tiveram grande eco nomeadamente na imprensa. O que lhe valeu ser alcunhado de “Conde de Monte Cristo”. Camilo refere-o, nominalmente, associado ao presuntivo amigo, o conde de Baldaque: Tal era aquele Raul, (Epifânio em A Infanta Capelista) filho único do conde de Baldaque, milionário que entrara em Lisboa com o seu sócio e amigo Manuel Pinto da Fonseca, o homem que as mulheres de carne cognominaram ‘o conde de Monte Cristo’.
Quando regressaram, os dois irmãos fizeram carreira como banqueiros. Criaram a casa Pinto da Fonseca & Irmão, que se veio a fundir, mais tarde, com o Banco Burnay e dar origem ao Banco Fonsecas e Burnay".


Pinto da Fonseca & Irmão na Praça da Liberdade, 35 a 37, em 1920

"Francisco Isidoro Viana, em 1860 fundava a casa Fonseca, Santos e Viana. Vejamos quem eram os seus sócios. Carlos dos Santos Silva, filho do 1.° barão de Santos, nascera no Porto, em 1828, e emigrara para o Brasil com 18 anos, para trabalhar com um tio. Após ter casado com a filha de um grande banqueiro do Pará, regressara a Portugal, associando- se então a Francisco Isidoro e aos irmãos Fonsecas, também ligados ao Brasil. Um destes irmãos, vulgarmente conhecidos pelos Monte-Cristos, viria a casar com uma filha de Francisco Isidoro, assim solidificando os laços do grupo. Sobre os irmãos Fonsecas corriam as coisas mais fantasiosas, reveladoras da sua espectacular fortuna: um deles, dizia-se, comia em baixelas de prata renascentista, bebia em taças de oiro e fazia-se conduzir em caleches reais; outro, instalara-se, com pompa e circunstância, no Palácio Palmeia, ao Calhariz, tendo, pouco depois, comprado, em Sintra, a Quinta do Relógio, além do Palácio da Mitra, à Junqueira, tudo edifícios sumptuosíssimos. A casa bancária Fonsecas, Santos e Viana manteria sempre relações íntimas com o Tesouro, através não só do contrato do tabaco, mas também dos empréstimos que foi fazendo ao Estado. (Cf. Maria Filomena Mónica, Capitalistas e industriais (1870-1914))
Em 1861 (reinado de D. Pedro V), o terreno é adquirido por Manuel Pinto da Fonseca, um negociante rico e traficante de escravos conhecido como «Monte Cristo», denominação retirada do conhecido romance de Dumas publicado em 1846, por ter enriquecido à custa dos escravos. Manuel Pinto da Fonseca entregou o projecto da casa a António Manuel da Fonseca Júnior.
Adquirida por Manuel Pinto da Fonseca, traficante de escravos com o Brasil e cognominado o "Monte Cristo", pelas múltiplas viagens e vida atribulada, as anteriores construções foram demolidas, para dar lugar a um dos mais exóticos palácios privados sintrenses. Inspirando-se possivelmente nas suas viagens tendo em vista o acesso à sociedade erudita, culta e endinheirada da Nobreza de Corte (Regina Anacleto, 1994, p.116), optou por uma estética neo- árabe, para o que contratou o arquitecto António da Fonseca Júnior, que encontrou também importantes sugestões estilísticas na própria serra de Sintra, em particular nos palácios da Pena e de Monserrate. A obra é uma das mais marcantes construções românticas da zona.
“Conta-se que, um dia o rei D. Pedro V passava diante desta casa na companhia do seu amigo o marquês de Sá da Bandeira, este último, ouvindo a doce melancolia de um repuxo, perguntou-lhe: «Senhor, o que é este barulho?». «certamente a água» « Não, senhor, é o sangue dos negros flagelados pelo chicote que este homem transformou em ouro»


Avenida da Boavista, perto da Rua da Belos Ares


Avenida da Boavista com os carris da STCP


17 subindo a Avenida da Boavista


Fonte da Avenida de Montevideu


Linha 1 - vê-se a popa do Jackob Maerk junto ao Castelo do Queijo


O 17, que ia da Praça da Batalha ao Passeio Alegre, entrando na Praça Gonçalves Zarco – diariamente nele viajávamos para ir para o Colégio Brotero.


Eléctrico, com dois atrelados, circulando pela esquerda na Avenida de Montevideu, frente à casa da família Moreira – Deve ser a linha 1 de Matosinhos à Praça do Infante - 1905


Carro “Brill” de Bogies – o mais cómodo e sereno devido à sua suspensão – foto Os Velhos Eléctricos do Porto.

Foz do Douro antigamente

Molhe – foto Helena Cristina Coelho


Que linda foto - gostaríamos de saber o seu autor

Mar agitado na praia de Gondarém 


Carreiros – à direita é visível o Gilreu


1920


Eléctrico com 3 atrelados

“O carro motor desta curiosa composição foi construído pela Constructora, entre 1904 e 1906. No Museu do Carro Elétrico encontra-se um veículo da mesma série, o 163”. In Porto Desaparecido


Avenida Brasil – Photo Guedes


Eléctricos com 2 tróleis - 1904 - Photo Guedes


Avenida Brasil – c. 1940 – pelas casas e as árvores parece-nos perto de Rua do Molhe – dia de Sol e de grande tráfego de eléctricos. O da frente deve ser o “belga” da linha 1 para Matosinhos. Este carro já tinha janelas de abrir pelo que era permitido fumar.


Avenida Brasil – anos 30 – ainda não está colocado o Salva Vidas


O Salva Vidas – 1937 - Henrique Moreira (1890-1979)


Na Rua da Senhora da Luz – ainda se circulava pela esquerda - 1927


No Passeio Alegre – carro importado da Alemanha – o atrelado do meio era aberto para os fumadores - ainda havia bons artistas que construíam postes em ferro muito belos. 


Eléctrico com 2 atrelados – Um aberto para desfrutar o bom tempo e o outro para o transporte de peixeiras e canastras – Photo Guedes


Foto de 1900




O 100 era aberto e usado no verão - foto de 2012 




Eléctrico 100 - interior



Bancos com estofos de palhinha - estes bancos eram os mais bonitos e cómodos. Porém, talvez devido ao seu preço, foram substituídos por forrados em plástico.



Carro “Brill” de Bogies no Passeio Alegre – era o carro mais cómodo pelas sua suspensão - em cima a Igreja de S. João da Foz.


No Passeio Alegre


O “Belga”, como era conhecido – Construído em 1929, tinham 40 lugares sentados - pena é que só circulava na linha 1 do Infante a Leixões

Uma viagem na linha 1 - 2015


Os obeliscos da Prelada só foram aqui colocados em 1938


Era muito comum verem-se estes soldadores a tratar dos carris destruídos pela contínua passagem dos eléctricos. Eram frequentes os furos dos pneus dos automóveis provocados pelas rebarbas dos carris. 


Eléctrico 172 a ser carregado para um barco que o levará aos EUA - este veículo e a zorra n.º 64 foram adquiridos pelo Rockhill Trolley Museum - in Porto Desaparecido


Eléctrico 249 a chegar a Filadélfia - 1972