terça-feira, 21 de maio de 2013

QUINTAS DO PORTO E ARREDORES - V

2.13.9 - Quinta do Freixo


A Quinta do Freixo existe pelo menos desde o séc. XVII.


Desenho de Joaquim Villanova - 1833


Gravura de Cesário A. Pinto – 1850 – o Palácio do Freixo era , no tempo do autor da gravura, a melhor vivenda solarenga da cidade e seus arredores. Cesário Pinto mostra o palácio visto do local chamado, ao tempo, de Pedra Salgada.




O portão principal da Quinta do Freixo foi levado para a quinta de Sueime, 
em Gaia, por Russel de Sousa – Nicolau Nazoni 

“O seu primeiro proprietário terá sido Vicente de Távora e Noronha. O iniciador do Palácio pode ter sido Francisco de Távora e Noronha, Cavaleiro de Malta. A sua construção data do segundo quartel do séc. XVIII e deve-se ao Arq. Nicolau Nazoni. Mas foi José de Sousa Barros, mestre carpinteiro, quem tomou, em 8/6/1750, o encargo das obras de carpintaria segundo a escritura de obrigação da construção das Casas da Quinta do Freixo, feita ao Deão da Sé, o grande amigo de Nicolau Nazoni, Jerónimo de Távora e Noronha que foi quem o trouxe para o Porto. Em 1770 já é proprietário do Palácio Vicente de Noronha Leme de Cernache aquele que, provavelmente suprimiu o patronímico Távora devido à perseguição pombalina em consequência do regicídio (1758). O palácio passou a seguir, à posse de João António Salter de Mendonça (1º. Visconde de Azurara), por casamento com Ana Rosa, uma das filhas de Vicente de Noronha Leme e Cernache. Aí por 1850 este palácio foi vendido a António Afonso Velado, um negociante de grosso, que chegou a ser Visconde do Freixo (1870)." 


"Infelizmente este rico proprietário, fidalgo de fresca data, ao restaurar o palácio, introduziu-lhe alguns desvarios: colocou na fachada Sul-Poente as suas próprias armas, também de fresca data (Afonsos e Cunhas)".- Dr. Artur de Magalhães Basto em História da Cidade do Porto.



Em Janeiro de 1890 é criada a Companhia de Moagens Harmonia que, no ano seguinte, adquire parte propriedade, incluindo o palácio, a Gustav Peters. Esta companhia construiu, a nascente, nesse mesmo ano, a sua fábrica. O palácio foi classificado como Monumento Nacional em 1910. Em 1984 a IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional adquire o Palácio do Freixo e o edifício das antigas instalações da C.ª de Moagens Harmonia. Em 6 de Junho de 1986 este edifício sofreu um grande incêndio, danificando-o gravemente. Dada a facilidade de penetrar no seu interior fomos visitar o palácio e conseguimos verificar o estado desastroso em que se encontrava, mesmo porque era habitualmente usado por muitos deslocados para passar a noite e aí fazerem  fogueiras e outros desacatos. Neste mesmo ano o palácio e a envolvente foram adquiridos pela Câmara Municipal do Porto. No âmbito do projecto "Metropólis" foi objecto de um minucioso projecto de restauro assinado pelo arquitecto Fernando Távora (1923-2005) e seu filho José Bernardo, descendentes dos primitivos proprietários. Os trabalhos de consolidação e restauro tiveram lugar de 2000 a 2003. Posteriormente, o palácio foi alugado pela Câmara Municipal ao Grupo Pestana para a instalação da maior das Pousadas de Portugal, a Pousada do Porto, requalificada em 2009.


Em 1966


Vista do Sul


Jardins lado Sul - foto Francisco Oliveira



Lado Nascente


Vista Sul, já depois das últimas obras - vê-se ao alto a colunata.


Pousada do Porto




Foi-nos dito por alguém, que participou nas obras dirigidas pelo Arq. Távora, que foram encontrados moldes dos antigos estuques, pelo puderam ser reproduzidos. 



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