terça-feira, 21 de maio de 2013

QUINTAS DO PORTO E ARREDORES - V

2.13.9 - Quinta do Freixo


A Quinta do Freixo existe pelo menos desde o séc. XVII.


Desenho de Joaquim Villanova - 1833


Gravura de Cesário A. Pinto – 1850 – o Palácio do Freixo era , no tempo do autor da gravura, a melhor vivenda solarenga da cidade e seus arredores. Cesário Pinto mostra o palácio visto do local chamado, ao tempo, de Pedra Salgada.




O portão principal da Quinta do Freixo foi levado para a quinta de Sueime, 
em Gaia, por Russel de Sousa – Nicolau Nazoni 

“O seu primeiro proprietário terá sido Vicente de Távora e Noronha. O iniciador do Palácio pode ter sido Francisco de Távora e Noronha, Cavaleiro de Malta. A sua construção data do segundo quartel do séc. XVIII e deve-se ao Arq. Nicolau Nazoni. Mas foi José de Sousa Barros, mestre carpinteiro, quem tomou, em 8/6/1750, o encargo das obras de carpintaria segundo a escritura de obrigação da construção das Casas da Quinta do Freixo, feita ao Deão da Sé, o grande amigo de Nicolau Nazoni, Jerónimo de Távora e Noronha que foi quem o trouxe para o Porto. Em 1770 já é proprietário do Palácio Vicente de Noronha Leme de Cernache aquele que, provavelmente suprimiu o patronímico Távora devido à perseguição pombalina em consequência do regicídio (1758). O palácio passou a seguir, à posse de João António Salter de Mendonça (1º. Visconde de Azurara), por casamento com Ana Rosa, uma das filhas de Vicente de Noronha Leme e Cernache. Aí por 1850 este palácio foi vendido a António Afonso Velado, um negociante de grosso, que chegou a ser Visconde do Freixo (1870)." 


"Infelizmente este rico proprietário, fidalgo de fresca data, ao restaurar o palácio, introduziu-lhe alguns desvarios: colocou na fachada Sul-Poente as suas próprias armas, também de fresca data (Afonsos e Cunhas)".- Dr. Artur de Magalhães Basto em História da Cidade do Porto.



Em Janeiro de 1890 é criada a Companhia de Moagens Harmonia que, no ano seguinte, adquire parte propriedade, incluindo o palácio, a Gustav Peters. Esta companhia construiu, a nascente, nesse mesmo ano, a sua fábrica. O palácio foi classificado como Monumento Nacional em 1910. Em 1984 a IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional adquire o Palácio do Freixo e o edifício das antigas instalações da C.ª de Moagens Harmonia. Em 6 de Junho de 1986 este edifício sofreu um grande incêndio, danificando-o gravemente. Dada a facilidade de penetrar no seu interior fomos visitar o palácio e conseguimos verificar o estado desastroso em que se encontrava, mesmo porque era habitualmente usado por muitos deslocados para passar a noite e aí fazerem  fogueiras e outros desacatos. Neste mesmo ano o palácio e a envolvente foram adquiridos pela Câmara Municipal do Porto. No âmbito do projecto "Metropólis" foi objecto de um minucioso projecto de restauro assinado pelo arquitecto Fernando Távora (1923-2005) e seu filho José Bernardo, descendentes dos primitivos proprietários. Os trabalhos de consolidação e restauro tiveram lugar de 2000 a 2003. Posteriormente, o palácio foi alugado pela Câmara Municipal ao Grupo Pestana para a instalação da maior das Pousadas de Portugal, a Pousada do Porto, requalificada em 2009.


Em 1966


Vista do Sul


Jardins lado Sul - foto Francisco Oliveira



Lado Nascente


Vista Sul, já depois das últimas obras - vê-se ao alto a colunata.


Pousada do Porto




Foi-nos dito por alguém, que participou nas obras dirigidas pelo Arq. Távora, que foram encontrados moldes dos antigos estuques, pelo puderam ser reproduzidos. 



domingo, 19 de maio de 2013

QUINTAS DO PORTO E ARREDORES - IV

2.13.8 - Quintas do Prado e de Santa Cruz


D. Frei Marcos de Lisboa mandou, em Novembro de 1585, construir um local de recreio na Quinta do Prado, pertencente à Mitra. No séc. XVIII esta foi melhorada pelo Bispo D. Tomaz de Almeida. D. João de Magalhães e Avelar, durante o primeiro quartel do séc. XIX, cedeu uma parte do terreno ao Seminário Episcopal. 
O Tripeiro, Série VI, Ano XII, página 105: “A Quinta do Prado pertencia aos bispos portuenses, que aí possuíam a sua faustosa residência para descanso e recreio durante a época estival. Eis o motivo de ser conhecida, também, por Quinta do Bispo".



"Por Lei de 5 de Março de 1838, foi concedido à C.M.P. na quinta do bispo o terreno indispensável à construção de um cemitério público – o do Prado do Repouso – devendo a mesma câmara, por tal concessão, indemnizar a Mitra. Assim, no dia 13 de Outubro do dito ano de 1838 a Câmara tomou posse do respectivo terreno, que sendo vastíssimo, era apenas uma parcela da enorme propriedade dos Bispos Portuenses. A parte sobrante da Quinta do Prado, a que se desdobrava, socalcada, até á margem direita do Rio Douro, foi posta em arrematação pública em 13 de Maio de 1867 e adquirida pelo opulento comerciante no Brasil, José Joaquim Leite Guimarães, Barão de Nova Sintra. Por falecimento deste, foi a propriedade novamente vendida em almoeda (1871). Adquiriu-a o banqueiro José Inácio Ferreira Roriz, com o intuito de ali montar – como de facto montou – a dois passos do rio, um imóvel para duas fábricas: uma de sabão; outra de moagem. Entretanto o banqueiro Roriz, que possuía a sua casa bancária na Rua das Flores, nºs. 1 e 3, falia estrondosamente em 1876…"



"Depois de ter passado por vários proprietários, foi a Quinta do Roriz, em 4 de Maio de 1904 comprada pela Empresa Cerâmica Portuense ou Fábrica de Louças de Massarelos" (da qual ainda hoje se encontram os fornos).



"A inauguração do Cemitério fez-se solenemente no primeiro de Dezembro de 1839… Em cessão camarária extraordinária combinou-se em dar-lhe o título de Prado do Repouso para não se perder a memória do primitivo nome e do fim a que estava destinado.”
Este, durante cerca de duas décadas, permaneceu pouco moderno pois, nesta vasta quinta, apenas iam sendo sepultados os portuenses mais pobres. Os cidadãos abastados, se a sua mentalidade era mais "esclarecida", preferiam ser sepultados na Lapa (podiam tornar-se irmãos no próprio dia em que compravam o terreno). Se fossem mais "conservadores", talvez preferissem ser sepultados nos cemitérios das várias outras Ordens e Irmandades existentes na cidade.


Cemitério do Prado do Repouso – início séc. XX



Fonte da Alameda no cemitério do Prado do Repouso


Cemitério do Prado do Repouso – Memória a Francisco de Almada e Mendonça – busto de Soares dos Reis – os restos mortais foram trasladados da capela-mor da Igreja da S.C. da Misericórdia para este em 17 de Novembro de 1839 (ver data site SCMP). A principal razão desta trasladação terá sido um incentivo aos portuenses para procurarem este local para sua sepultura. Porém, só em 1855 a situação dos cemitérios no Porto se vai alterar, já que se dá uma segunda grande epidemia de cólera. As autoridades civis conseguiram fechar os cemitérios privativos que não tinham condições e, paralelamente, mandaram construir, de forma apressada, um novo cemitério municipal: Agramonte. 
Além de Francisco de Almada e Mendonça também lá estão sepultadas personalidade importantes da cidade na política, nas artes e letras, na indústria e comércio.


Capela Oitavada - antiga Capela de S. Victor remodelada


Tecto da Capela Oitavada


Túmulo em memória dos Mártires da Liberdade – Cemitério do Prado do Repouso

"Em 7 de Maio e 9 de Outubro de 1829, subiram ao patíbulo os 12 Mártires da Pátria que se encontravam presos na Cadeia da Relação acusados de terem tomado parte activa na revolução de 16/5/1828 e pertencerem ao Partido Constitucional… foram os seus despojos transportados para o Cemitério ou Adro dos Enforcados, que na altura ficava no chão do Robalo, na parte onde se abriu depois a Rua da Liberdade, hoje Rua de Alberto Aires de Gouveia. Passados sete anos, foram os restos mortais desses desgraçados reunidos e trasladado para um jazigo especial mandado construir no átrio da S.C.M. à Rua das Flores, cuja fúnebre cerimónia teve lugar a 7 de Maio de 1836. Em 19/6/1878 foram as ossadas transferidas para o recinto privativo da dita S.C.M. no Cemitério do Prado do Repouso.” 


Túmulo das víctimas da revolta de 31 de Janeiro de 1891 – foto Eudora Porto




Quinta de Santa Cruz do Bispo - portão principal – obra de Nicolau Nazoni 


Brasão sobre o portão. Supomos ser do Bispo D. José Maria da Fonseca e Évora.



Do site do Centro Social Paroquial de Santa Cruz do Bispo retirámos as seguintes passagens: 
“O Bispo D. Rodrigo Pinheiro, entre 1552-1572, estabeleceu nas margens do Rio Leça a mais famosa estância de repouso e meditação dos prelados portuenses. O edifício principal da vivenda prelatícia foi delineada pelo próprio Bispo na idade de 70 anos. Durante um decénio, ergueu-se o conjunto arquitectónico e paisagístico da mansão episcopal: trabalhos de granito, ermidas, fontes de pedraria, luxuriosa vegetação, etc… As mais grandiosas modificações realizadas na Quinta pertencem ao Bispo D. Frei José Maria da Fonseca e Évora (1741-1752), prelado franciscano, cuja vinda para o Porto, pôs fim ao longo estado de Sé vaga, e cuja solene entrada na cidade, em 5 de Maio de 1743, coincidiu com a volta de Nasoni aos seus trabalhos portuenses… 
De toda a beleza arquitectónica destacamos o seguinte: entrada principal - grandioso portão artístico de pedra que se ergue no Largo, junto da Igreja, considerado monumento de interesse nacional. É, com certeza, uma obra de Nasoni… A grande obra iniciada por D. Rodrigo Pinheiro transformou-se numa "verdadeira mansão real e que tem poucas semelhanças no Reino, no que toca à capacidade e sumptuosidade das casas, que são muitas e em diversas paragens da Quinta, como nas ermidas, fontes de pedraria, etc…", no dizer de um historiador. A casa de campo prolongou-se até ao séc. XIX… 
Em 1844, sendo Bispo do Porto, o abade Fonte Boa, D. Jerónimo José da Costa Rebelo (o Canaveta) começou a era do declínio… 
Em 1910, com o advento da República, o património da Quinta de Santa Cruz do Bispo passou definitivamente da Igreja para o Estado… 
Em 1939 transitou a Quinta, de novo, para o Ministério da Justiça, instalando-se aí a Colónia Penal.”


Portão lateral para a Rua de S. Brás


Capela de Nossa Senhora da Luz


Fontanário da Serpente


Largo da Viscondessa

quinta-feira, 16 de maio de 2013

QUINTAS DO PORTO E ARREDORES - III

2.13.5 - Quinta da Torre da Marca ou da Boavista




Do site do Centro de Cultura Católica retirámos as seguintes passagens: 
“Chamou-se-lhe, em eras campónias que o tempo soterrou, Quinta da Boavista. Ainda o Porto se remetia à Sé e a S. Nicolau e à Vitória, situava-se aquela granja no então Couto e Honra de Cedofeita. É um rosário de gerações até hoje… Diz a lenda que um tal Pedrossen, negociante hamburguês terá vindo para o Porto no último quartel do séc. XVII e se estabeleceu na freguesia de S. Nicolau, e ali enriqueceu. É com este Pedrossen que Pinho Leal relaciona a lenda do negociante rico e orgulhoso, senhor da Torre do mesmo nome, que, ao ver os seus navios entrarem a barra carregados de mercadorias preciosas, desafiou o próprio Deus: Agora nem Deus seria capaz de me fazer pobre. Acto contínuo, uma tempestade destroçou todos os barcos e reduziu-o à miséria, obrigando-se, o pobre, a andar pelas ruas a pedir: dai esmola a Pedro Sem, que já teve e agora não tem… Como quer que seja, sabe-se que, por escritura lavrada no tabelião Pedro Fernandes do Porto, em 26 de Fevereiro de 1492, a Torre e os seus anexos, ali identificados como Quinta da Boa Vista, passou das mãos de um outro Pero do Sem, sobrinho do referido Martim do Sem, para os seus parentes colaterais João Sanchez, fidalgo castelhano, e sua mulher Isabel Brandoa, da Casa dos Condes da Feira. Esta é a razão por que a Torre aparece depois identificada como de Brandão ou dos Brandões".





"Terá sido um seu descendente, Luís Brandão de Mello Pereira de Lacerda, que construiu a casa junto à Torre, na segunda metade do século XVIII e ali terá nascido, em 1793, o seu filho José Maria Brandão de Mello que casou, em 1814, com D. Maria Emília Correia de Sá, filha do primeiro Marquês de Terena. A neta deste José Maria, D. Eugénia Maria Brandão de Mello, 3ª Marquesa e 4ª Condessa de Terena e 3ª viscondessa de S. Gil de Perre, casou em 29 de Julho de 1861, com o seu tio materno D. Filipe de Sousa Holstein, 1º Marquês de Monfalim e filho dos Duques de Palmela. Deste casamento não houve descendência, pelo que a Casa e a Torre foram deixadas a suas sobrinhas D. Mariana e D. Eugénia de Jesus de Sousa Holstein. Esta, nascida a 7 de Março de 1866, professou na Congregação das Irmãs de Santa Doroteia em 1897 e veio a falecer em 31 de Maio de 1937…” Em 1758 esta torre estaria completamente destruída interiormente, existindo apenas as paredes exteriores. Quando, em 1914, o Bispo do Porto, D. António Barroso regressou do exílio em Remelhe, Barcelos, instalou-se, por empréstimo, na Quinta de Sacais. O seu sucessor D. António Barbosa Leão, apoiado por uma subscrição dos fieis da cidade, adquire, aos herdeiros dos Marqueses de Monfalim, a Casa da Torre da Marca para aí instalar a residência Episcopal. Assim, desde os finais de 1919 até 1964 esta foi ocupada por D. António Barbosa Leão, D. António Augusto de Castro Meireles, D. Agostinho de Jesus e Sousa e D. António Ferreira Gomes, e aqui funcionaram também os serviços da Cúria Episcopal. Foi nos terrenos desta casa que, em 1934 quando se realizou a Exposição Colonial, se abriu a Rua de Júlio Dinis, no troço que liga a Praça da Galiza ao Palácio de Cristal. 
Em 1964 o Paço da Sé voltou à posse da Diocese. 


A torre do Palácio dos Monfalim e Terena, a que acima nos referimos, é habitualmente chamada de Torre da Marca. Na verdade trata-se de uma confusão com a Torre da Marca que existiu no terreno do Palácio de Cristal, perto de onde está a Capela de Carlos Alberto. Construída em 1542, serviu de marca para os navios que entravam no Douro. Bombardeada em 1832 pelos Miguelistas que se encontravam em Gaia, não mais foi reconstruída. Trataremos este assunto em lugar próprio.


2.13.6 - Quintas do Vilar e Vilar de Cima



"A Quinta do Vilar ou do Pacheco Pereira, que durante séculos esteve na posse desta família, constitui um importante espaço da memória da cidade, que hoje se conserva nas suas características oitocentistas integrado nos "caminhos do romântico". 
As mais antigas referências documentais conhecidas sobre a quinta do Vilar remontam ao século XVI, quando uma muito mais vasta propriedade, denominada Casal do Vilar, que integrava um grande senhorio pertencente à Colegiada de Cedofeita, começou a ser dividida (SERÉN, Maria do Carmo, DRP/IPPAR, Processo de Classificação, 2003). Esta desintegração do primeiro senhorio continuou na centúria seguinte, surgindo no século XVII várias quintas nesta zona, entre as quais a do Vilar. 
Os Pacheco Pereira possuíam um palacete na cidade do Porto, pelo que a casa da quinta era mais modesta, com os espaços internos a prolongar-se pelos externos, principalmente no jardim que, em socalcos descia até à casa Tait. De acordo com uma descrição de 1715, o imóvel teria sido edificado entre 1709 e 1715, desenvolvendo-se em quatro frentes, com dois pisos e entrada ao centro da fachada principal (COUTINHO, Maria Eugénia Sá, DRP/IPPAR, Processo de Classificação, 2003). Este eixo mantinha-se no interior da casa, com as escadas de acesso ao andar superior, onde se situavam a sala de visitas, os salões e o oratório sobre a entrada, reunindo-se os compartimentos térreos da mesma forma funcionalista, com a sala de jantar e a cozinha. 
No século XIX, João Pacheco Pereira cedeu terrenos para o Palácio de Cristal, do qual foi um dos promotores, perdendo muito dinheiro. O seu filho construiu dois bairros operários, o de Entre Quintas em 1880 e o de Vilar em 1890, acabando também por não rentabilizar o investimento. Apesar dos problemas financeiros a casa da quinta do Vilar foi objecto de várias alterações no decorrer do século XIX e, embora muitas deles não tenham sido concretizadas na totalidade, a verdade é que denunciam a preocupação dos proprietários em conservar e melhorar o imóvel. 
Em 1865 João Pacheco Pereira ergueu um corpo mais alto, a Nascente, uma espécie de torreão. Em 1889 tentou-se ampliar um piso, o que nunca veio a acontecer. Ao lado, e em frente do Bairro do Vilar, edificou-se em 1886 uma segunda habitação, que escondia o bairro. Assim, o imóvel não conheceu alterações significativas, conservando as suas características. 
Quanto à Quinta, esta segue a tipologia das quintas de recreio que reúnem simultaneamente uma função lúdica e outra de cultivo. A particularidade da Quinta do Vilar e da Quinta de Recreio Tait reside no facto de se inscreverem, hoje, na malha urbana do Porto, conservando ainda as suas estruturas, como o sistema hidráulico que não apenas serviu os espaços de produção mas também os jogos de água das fontes e canaletes que se encontram nos jardins, ou seja, nos espaços lúdicos que prolongam os espaços de habitar internos da casa (TABORDA, Cláudia, DRP/IPPAR, Processo de Classificação, 2003). (Rosário Carvalho)" – Site do Igespar


Casa da antiga Quinta do Vilar de Cima

A quinta da família do Barão de Vilar, Cristiano Nicolau Kopke (1763-1840), sofreu obras de melhoramento com a sua filha Dorothea Augusta Kopke,casada com Roberto van Zeller, tendo sido seu filho Cristiano van Zeller quem criou as armas (Kopke/van Zeller). Em 1984, os herdeiros da família Kopke van Zeller venderam a casa e parte da propriedade à congregação das Religiosas do Amor de Deus. Hoje encontra-se lá instalado o Colégio de Nossa Senhora de Lourdes, na Rua Raínha D. Estefânia.


Foto Voar Alto


Na Rua de Vilar, onde hoje está a Casa Diocesana, existiu o Palácio do Barão de Lordelo, José Fonseca e Gouveia (1792-1863). 
O edifício serviu de sede ao Mosteiro da Visitação de Santa Maria, criado no Porto em finais do século XIX, por iniciativa da Marquesa de Monfalim, que habitava o Palácio dos Terenas. 
Com a implantação da República, em 1910, e na sequência da lei da separação, as religiosas viram-se obrigadas a abandonar a casa. No mesmo local foi construído o Colégio das Salésias. Em 1922 foi comprado por D. António Barbosa Leão para ali instalar o Seminário de Nossa Senhora do Rosário. O edifício do seminário foi desenhado pelo célebre padre Himalaia, que se chamava Manuel António Gomes e tinha aquele apelido devido à sua altura. Foi uma notável figura com uma grande paixão pelas Ciências. A igreja do Seminário é da invocação do Sagrado Coração de Jesus.


Casa Diocesana de Vilar, no terreno do Seminário de Vilar. 

Construída nos terrenos do seminário de Vilar durante o mandato do Bispo do Porto D. Júlio Tavares Rebimbas, com a supervisão do cónego Dr. Virgílio Rezende, tornou-se no verdadeiro centro de actividades de todos os movimentos diocesanos e pólo de grande actividade cultural religiosa e profana no Porto. 

2.13.7 - Quinta de Sacais



A quinta de Sacais chamou-se “Quinta do Cativo” por haver pertencido ao Bispo do Porto D. Aires da Silva que em Alcacer-Kibir, tombou gloriosamente ao lado de D. Sebastião, mas que, durante largo tempo, se julgou estar cativo dos mouros. A partir do Século XVIII passou a chamar-se Quinta de Sacais. 
Uma curiosidade: em Setembro de 2011 estivemos na Junta de Freguesia do Bonfim e perto da casa de Sacais. Tanto num local como no outro ainda hoje o povo lhe chama Quinta do Cativo, embora este nome lhe venha do Século XVI.
Um simpático leitor enviou-nos um comentário que vimos acrescentar: "A Quinta de Sacais de Nicolau Francisco Guimarães, em 13.04.1837 estava na posse de D. Margarida Guimarães Ribeiro. No seu testamento estabelece como principal testamenteiro , seu filho José Maria Ribeiro Pereira. Este não cumpre a partilha devidamente e é contestado publicamente , no Periódico dos Pobres, por seu meio irmão Boaventura José Vaz Murta ( filho do 2º casamento de sua Mãe). Em 1848 José Maria é executado por processo litigioso com sua sobrinha de Braga e a Quinta de Sacais é arrematada por Manuel José de Sousa Araújo pelo valor de 10.951$ 000 ". 



ARC escreve que, pegado à quinta de Sacais, existia uma outra pertencente ao irmão de Nicolau, António José, "e que em tudo lhe é igual, ou seja em situação e grandeza". Na verdade a referida quinta era mais modesta e a casa menos rica. Trata-se da casa onde hoje se encontra o Museu Militar. Nesse tempo, a Capela era dedicada a Santa Quitéria.


Palacete da Quinta de Sacais 

Em 24 de Março de 1914 uma comissão de senhoras gradas do Porto assinou um contracto de arrendamento do palacete e quinta de Sacais para a instalação do Paço Episcopal e residência de D. António Barroso, tomando o compromisso do pagamento da renda e outras despesas. Este palacete pertencia, ao tempo, aos irmãos António e Francisco Borges, fundadores do portuense Banco Borges & Irmão, nacionalizado em 1975 e comprado pelo BPI em 1989. D. António Barroso ocupou-o até à sua morte em 31 de Agosto de 1918. Seu sucessor, D. António Barbosa Leão, aí residiu desde a sua entrada solene, em 8 de Setembro de 1919, até ao final desse ano quando o Paço Episcopal passou para a casa dos Terenas ou Monfalim, a erradamente chamada da Torre da Marca.


Em 5 de Março de 1914 D. Manuel II havia escrito a D. António Barroso oferecendo-lhe o Palácio dos Carrancas para sua residência. Este teve de declinar o convite (carta inédita ao tempo de O Tripeiro série VI, ano IV).


D. António Barroso nasceu a 5 de Novembro de 1854, em Remelhe, Barcelos, e faleceu a 31 de Agosto de 1918, no Porto. Depois de muitos anos de actividade missionária em Moçambique e na Índia, foi, em 1898, nomeado bispo do Porto, como sucessor do cardeal D. Américo. Com a proclamação da República, em 1910, por efeito da Lei de separação do Estado e da Igreja de 1911, foi obrigado a abandonar o seu Paço, no Terreiro da Sé. Nesse ano, quando foi dada a conhecer a «Pastoral do Episcopado Português», em que se afirma desacordo com alguma Legislação do Governo, reaviva-se a luta anticlerical. Os governadores civis proíbem a leitura dessa pastoral,mas o Bispo do Porto ordena que seja lida nas missas. Por essa desobediência são presos dezenas de párocos, e ele próprio foi preso e levado, sob custódia, a Lisboa. Foi proibido de viver na Diocese do Porto pelo que foi forçado a residir no Colégio de Cernache do Bonjardim e depois em Remelhe, Barcelos, sua terra natal. Regressou ao Porto em 1914 por força da Lei nº. 114 que lhe concedeu a amnistia. Em 1917 voltou a ser exilado, por alguns meses. Regressado em 1918, faleceu pouco tempo depois na Quinta de Sacais.

Avenida Camilo – Busto de Camilo Castelo Branco. 

Em 1914 os irmãos Borges cederam à C.M.P. 17.000 metros quadrados da sua Quinta de Sacais para a abertura desta avenida. Em 1915 a Câmara decidiu chamar de Camilo, não à Rua de Santa Catarina como estava previsto, mas a esta avenida. Este busto foi inaugurado em 16/3/1925, centenário de nascimento do grande escritor.


Escola Secundária Alexandre Herculano 

O historiador portuense Germano Silva escreve que “…estas difíceis condições, levaram a que o Dr. Ângelo de Sousa Vaz, deputado pelo Porto na legislatura das Constituintes de 1911, levasse a aprovar no Parlamento, em 1912, o projecto de lei que autorizava o empréstimo de 150.000$00 para a construção de um edifício próprio para o Liceu de Alexandre Herculano (Lei de 18 de Abril de 1912)… Em Julho de 1912 foi assinada a escritura de compra de 25.794 m2 de terreno, na Quinta de Sacais, pelo preço de 20.635$20 (a $70 cada metro quadrado).” 
O novo liceu abriu as portas no ano lectivo de 1921/22.