segunda-feira, 16 de outubro de 2017

TESTEMUNHOS E MEMÓRIAS SOBRE O PORTO - I

9.1 - D. Moninho Viegas - Texto de Artur de Magalhães Basto, D. Moninho liberta o Porto dos mouros, Mosteiro de Santa Maria de Vila Boa do Bispo, Convento de Alpendurada, Hotel de luxo no Convento de Alpendurada


Carvalhos do Monte - desenho de Gouveia Portuense - In O Tripeiro, Série V, Ano X 

Artur de Magalhães Basto relembra-nos, baseado num texto de Oliveira Martins um facto dos sécs. X - XI:



Porto - gravura de Pedro Teixeira Albernaz - 1634


Artur de Magalhães Basto – O Tripeiro, Série V, Ano X


Armas de D. Moninho Viegas – 950-1022


In Portugal Antigo e Moderno


Mosteiro de Santa Maria de Vila Boa do Bispo 

Munio Viegas, "o Gasco" (c. 950 - 1022, Batalha de Vila Boa do Bispo), foi um nobre medieval do condado de Coimbra.
Munio Viegas é uma figura importante na história do Porto; foi capitão da armada dos gascões, com a qual desembarcou na foz do rio Douro, vencendo os mouros e tomando a terra rio acima de ambas as margens, reconquistando do domínio de Almançor a cidade do Porto. Teria morrido junto a dois de seus filhos na Batalha de Vila Boa do Bispo.


Convento de Alpendurada



Convento de Alpendurada - exterior

“Acredite, vai querer ouvir esta história. Mesmo que ela possa ser, como tudo na História, apenas uma lenda. E a lenda do Convento de Alpendurada diz que o mosteiro só existe porque antes existiu uma história de amor e vingança.
Antes de Portugal ser Portugal, mandava D. Fernando Magno, rei de Castela e Leão. Aqui vivia D. Moninho Viegas, tio-avô de Egas Moniz. Este homem, muito rico, amava uma nobre donzela, mas quando estava prestes a casar com ela, a rapariga foi pedida em casamento por um poderoso cavaleiro Mouro. O pai não aceitou e o mouro apunhalou-o diante da filha. A filha arrancou o punhal do peito do pai e matou-se também.
Quando D. Moninho Viegas soube tão triste história, jurou cruel vingança contra o mouro e a sua raça e foi com sua hoste fazer guerra crua aos infiéis. Depois de derramar muito sangue, prometeu que se saísse vivo da guerra, fundaria um Convento. E cumpriu o voto. 



Nasceu assim, no início do século XI, o convento de Alpendurada, localizado na região demarcada do Douro, Património Mundial da UNESCO, que foi também lugar de eleição do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. Trata-se de um concentrado de luxo único e raro: estruturas e ornamentações barrocas, rococó e neoclássicas. A igreja primitiva prende-se à fé e à peregrinação a Santiago de Compostela.
Até ao princípio do século XV, foi governado por abades perpétuos, depois por abades comandatários e depois por priores trienais eleitos. Em 1834, no âmbito da Reforma Geral do Clero, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas.







Hoje, o imóvel foi restaurado e transformado num hotel de luxo para preservar o valor histórico e cultural com o conforto e necessidades dos nossos dias. A grandeza do edifício harmoniza perfeitamente com os azulejos portugueses, os móveis do Séc. XVII e XVIII, candelabros e quartos com influência Romana e Árabe. As celas dos monges ainda mantêm a sua austeridade, mas são agora 40 confortáveis suites, fornecendo a máxima tranquilidade e serenidade.


Para além do Convento existem também 20 casas restauradas, originalmente construídas pelos Beneditinos. Uma grande variedade de quartos com valor arquitectónico único fornecem uma configuração completa e diversificada de espaço para eventos e reuniões, uma cozinha medieval e uma capela. Uma rara colecção de carruagens restauradas é parte do legado do convento. In Luximos.pt

Convento de Alpendurada - vídeo

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

REVOLTA DE 3 DE FEVEREIRO DE 1927 - II

8.1.17 – Revolta de 3 de Fevereiro de 1927 - Comité Revolucionário do Norte, Lisboa não adere à revolta, Jaime Moraes em Gaia negoceia rendição, Altar da Igreja dos Congregados atingido, Prisioneiros no Funchal.


Jaime Morais fugitivo na Galiza

Na tarde deste dia, o comandante Jaime de Morais, chefe militar do Comité Revolucionário do Norte, enviou ao general Óscar Carmona, Presidente da República, um telegrama contendo um ultimato em que se afirmava: Os oficiais revoltosos decidiram reintegrar o País dentro do regímen democrático constitucional, com a formação de um Governo Nacional que afirmasse a supremacia do poder civil, guardado e defendido pela força armada, que assim teria restituído as funções de que a desviaram .
Nesse mesmo dia 4 de Fevereiro, e nos dias imediatos, juntaram-se aos revoltosos do Porto forças provenientes de Penafiel, Póvoa do Varzim, Famalicão, Guimarães, Valença, Vila Real, Peso da Régua e Lamego. Vinda de Amarante chegou mais artilharia, a qual foi estacionada nas imediações de Monte Pedral. A artilharia da Figueira da Foz foi detida na Pampilhosa quando se dirigia para o Porto.
Ao contrário do previsto pelos revoltosos, até ao final do dia 4 de Fevereiro não se registaram quaisquer adesões em Lisboa, centro vital do poder político-militar, o que permitiu ao Ministro da Guerra, coronel Passos e Sousa, concentrar todas as forças no combate aos entrincheirados no Porto. Na tarde deste dia, a posição dos revoltosos era crítica, já que os pró-governamentais dominavam Lisboa e todo o sul de Portugal e controlavam a margem sul do Douro, tornando improvável o reforço das tropas revoltosas.
Entretanto, na manhã do dia 5 de Fevereiro o vapor Infante de Sagres chegava a Leixões, com tropas governamentais, comandadas pelo coronel Augusto Manuel Farinha Beirão, enquanto mais forças governamentais atravessavam o Douro em Valbom e se encaminhavam para o centro da cidade…


O Comandante Jaime de Moraes e o Major Zeferino (vendados), parlamentários dos revolucionários, entrando para o G.Q.G (quartel-general do Ministro da Guerra tenente-coronel Abílio Valdez Passos e Sousa, na avenida das Devezas, Vila Nova de Gaia).

…Nessa mesma manhã desenvolve-se uma tentativa de conciliação, que leva o comandante Jaime de Morais e o major Severino a visitar o quartel-general do Ministro da Guerra, instalado num prédio da Avenida das Devezas, em Gaia, numa tentativa de negociar a rendição em troca da liberdade para os revoltosos. Os parlamentários dos revolucionários foram obrigados a atravessar a cidade vendados, mas o resultado foi inconclusivo já que o Ministro recusou uma rendição que não fosse incondicional: ou a rendição total ou o bombardeamento da cidade. 



Falhada a conciliação, a partir das 16 horas do dia 5 de Fevereiro travou-se um grande duelo de artilharia entre as duas margens do rio Douro.
Durante a tarde do dia 5 de Fevereiro começou a montar-se o cerco aos revoltosos, envolvendo o Porto num anel de fogo e metralha: pelo norte, as tropas desembarcadas em Leixões pelo Infante de Sagres; por leste, tropas fiéis ao Governo vindas de Bragança e da Régua, chefiadas por António Lopes Mateus; e a sul, em Vila Nova de Gaia, concentram-se cerca de 4 000 homens vindos de várias guarnições, munidos de farta artilharia. Perante o apertar do cerco, na noite de 5 de Fevereiro, os revoltosos propõem um armistício, mas Passos e Sousa responde, na manhã do dia 6, com o reiterar da exigência de uma rendição incondicional e a ameaça de bombardeamentos ainda mais intenso e pesado, incluindo o recurso a obuses.
Raul Proença regressou a Lisboa na noite de 6 de Fevereiro para pedir auxílio e para tentar desencadear a revolta naquela cidade, já que o movimento, sem os apoios esperados, começava a enfrentar sérias dificuldades no Porto.
Naquelas circunstâncias só restava negociar a rendição, já que um ataque à baioneta contra as baterias governamentais da Serra do Pilar (Gaia) que invertesse a situação era virtualmente impossível e muito provavelmente redundaria num banho de sangue, sendo certo o bombardeamento da cidade. Com os olhos postos em Lisboa, onde a muito custo e com uma lentidão exasperante o movimento parecia finalmente arrancar, os revoltosos resistem durante os dias 6 e 7 de Fevereiro, mas à medida que as horas passam e as munições se esgotam cresce o sentimento de derrota e sobem de tom as vozes que advogam a rendição.


Finalmente, na tarde do dia 7 de Fevereiro, esgotadas as munições, o quartel-general dos revoltosos, instalado no Teatro de S. João, manda dispersar os civis ali aquartelados. À meia-noite o general Sousa Dias faz chegar ao Regimento de Artilharia 5, em Gaia, por intermédio do major Alves Viana, da GNR, um documento apenas por si subscrito, em que propõe a rendição, com salvaguarda da isenção de responsabilidades de sargentos, cabos e soldados. Passos e Sousa aceita apenas a isenção de cabos e soldados, declarando que os oficiais e sargentos envolvidos seriam punidos. Qualquer civil apanhado de armas na mão seria imediatamente fuzilado.
Sem mais opções, pelas 3:00 horas da madrugada do dia 8 de Fevereiro Sousa Dias aceita as condições propostas e ordena a rendição dos revoltosos. Pelas 8:30 horas,


Passos e Sousa entra triunfalmente na cidade, pela Ponte D. Luís. Estava terminada a revolta no Porto.


Desfazendo as trincheiras


Durante os 5 dias que durou a revolta no Porto perderam a vida mais de 100 pessoas, entre militares e civis, entre os quais o jornalista António Maria Lopes Teixeira, director do Diário do Porto. Foram mais de 500 os feridos, alguns dos quais viriam a sucumbir nos dias imediatos. Os estragos causados pelos bombardeamentos e tiroteios também foram grandes, com muitas casas devastadas e muitos edifícios públicos grandemente danificados. In Wikipédia


Jornalistas que cobriram a revolta


"Transporte 'Infante de Sagres'
Em 6 [6 de Março de 1927], saiu de Lisboa, às 16 H 45, transportando forças descritas no 'Século' de 17.
Chegou a Leixões às 13 H de 7, começando o desembarque às 14 H. - o qual se concluiu às 21 H 30. Entraram os prisioneiros para bordo, permanecendo em Leixões até ao dia 13 às 19 H; quando foi levantado ferro para Lisboa, ancorando a O. Da Torre de Belém às 10 H do dia 14. às 21 H 40 do dia 17 levantamos de Lisboa com rumo ao Sul indo fundiar na Baía da Baleeira (Sagres) às 11 H 35 de 18. Levantamos ferro em 19, às 13 H, com ordem superior para o Comandante de bandeira perder de vista terra e só então caminhar para Norte (?). O Com.te explica que é por causa dos boatos que circulam em Lisboa, e, portanto, para que, ao longo da costa, não se consiga seguir o 'Infante de Sagres' - dando margem a boatos de revolta no navio (!!!...).
Fundeamos a O. Da Torre de Belém às 4 H 30 de 20. Efectuei transbordo para o 'Lourenço Marques' às 10 H 45 deste dia.
Às 15 H, o meu filho, com os pequenos, vieram visitar-me, sendo-lhe recusada a entrada pelo Com.te João Batista de Barros (um 2º ten. foi-lhe pedir dizendo-me que estava renitente)"
[A Deportação para S. Tomé (Notas do general Sousa Dias), in, "O General Sousa Dias e as Revoltas Contra a Ditadura 1926-1931", org. por A. H. de Oliveira Marques, Dom Quixote, 1975, p. 55.
FOTO - 'Deportados políticos. Lazareto, Funchal, Dezembro de 1927. O general Sousa Dias é o 4º (sentado) a contar da esquerda' - retirada do livro, com a devida vénia].  J.M.M. - arepublicano.blogspot.com

O velho Porto em fotografias 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

REVOLTA DE 3 DE FEVEREIRO DE 1927 - I

8.1.17 – Revolta de 3 de Fevereiro de 1927 - Revoltosos no cimo da Rua de 31 de Janeiro - Praça da Batalha - Largo do Corpo da Guarda - Rua Alexandre Herculano, General Sousa Dias, Jaime Cortesão, Quartel-General e Governo Civil, Regimento de  Aveiro e Amarante, GNR do Porto


Confluência das Ruas de Santa Catarina e 31 de Janeiro

Após a Revolução de 28 de Maio de 1926 houve, da parte de algumas unidades militares, tentativas para derrubar o novo regime.
A Revolta de 3 de Fevereiro de 1927 foi a mais violenta. 

“A rebelião iniciou-se pelas 4:30 da madrugada do dia 3 de Fevereiro, com a saída do Regimento de Caçadores 9, a que se juntou a maior parte do Regimento de Cavalaria 6, vindo de Penafiel, vários núcleos de outros regimentos da cidade e uma companhia da Guarda Nacional Republicana aquartelada na Bela Vista, Porto.


O comando das forças fora confiado ao general Adalberto Gastão de Sousa Dias, tendo como chefe do estado-maior o coronel Fernando Freiria, apoiado por um comité revolucionário constituído por Jaime Cortesão, Raul Proença, Jaime Alberto de Castro Morais, João Maria Ferreira Sarmento Pimentel e João Pereira de Carvalho. Entre os apoiantes incluía-se também José Domingues dos Santos, o líder da esquerda democrática que em 1918 dirigira a conspiração civil contra a Monarquia do Norte.


Jaime Cortesão foi de imediato nomeado governador civil do Porto e Raul Proença, além de conspirador, foi organizador e combatente de armas na mão, servindo de ligação aos co-conspiradores de Lisboa.


Antigo Quartel-General e Governo Civil na Batalha


Correios da Batalha no antigo palacete da família Guedes

Durante a madrugada e manhã do dia 3 de Fevereiro, as forças dos revoltosos dirigiram-se para a zona da Praça da Batalha, onde estavam as sedes do quartel-general da Região Militar e do Governo Civil e a mais importante estação do telégrafo. As forças governamentais, depois de algumas horas de desorganização, passaram a ser constituídas por uma parte reduzida do Regimento de Infantaria 18, que tinha como comandante o coronel Raul Peres, o Regimento de Cavalaria 9 e o Regimento de Artilharia 5, este aquartelado na Serra do Pilar. Na tarde do dia 3 de Fevereiro, sob o comando do coronel João Carlos Craveiro Lopes, chefe do estado-maior da Região Militar e governador militar da cidade, as forças pró-governamentais concentraram-se no quartel da Serra do Pilar e abriram fogo de artilharia contra os revoltosos. (Este coronel era pai do futuro Presidente Francisco Craveiro Lopes).
Na manhã desse mesmo dia 3 de Fevereiro, numa manobra arriscada, mas indicativa da certeza de que estava assegurada a fidelidade ao Governo das tropas de Lisboa, o Ministro da Guerra, coronel Abílio Augusto Valdez de Passos e Sousa, saiu de Lisboa num comboio com destino a Vila Nova de Gaia, onde chegou ao anoitecer. Assumiu então o controlo operacional das forças pró-governamentais ali instaladas sob o comando do coronel João Carlos Craveiro Lopes, mantendo-se na frente de combate até à subjugação dos revoltosos.


Regimento de Artilharia de Amarante em exercícios no Convento de S. Gonçalo

Logo na manhã de 4 de Fevereiro, juntaram-se aos revoltosos os militares do Regimento de Artilharia de Amarante, cujas peças de artilharia obrigaram as forças governamentais a recuar para o Monte da Virgem, de onde o bombardeamento sobre os revoltosos prosseguiu. 
Nessa mesma manhã, as forças revoltosas concentram-se na zona citadina em torno da Praça da Batalha, em redor da qual se montaram trincheiras, metralhadoras e peças de artilharia.


Na confluência da Praça da Batalha com a Rua de Entreparedes foram instaladas duas peças de artilharia 6.


Quartel de Sá – Aveiro (sem data)

Na manhã do dia 4 de Fevereiro, o Regimento de Cavalaria 8, vindo de Aveiro, fiel ao Governo, conseguiu penetrar o fogo dos revolucionários e atravessar a Ponte de D. Luís, mas foi detido pelas barricadas que defendiam a Praça da Batalha. A mesma sorte tiveram as tropas fiéis ao Governo aquarteladas na própria cidade do Porto, que foram rechaçadas pelo intenso fogo das trincheiras dos revolucionários quando tentaram avançar sobre as posições dos sublevados.


Revoltosos na confluência das Ruas de 31 de Janeiro e de Santa Catarina. À esquerda vê-se a saudosa Tabacaria Africana

Entretanto começaram a chegar mensagens de adesão de diversas guarnições, mas não das esperadas guarnições de Lisboa. Aderem tropas pertencentes a unidades aquarteladas em Viana do Castelo, Figueira da Foz e Faro, estas últimas apoiadas por forças de Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António, mas por falta de apoio, particularmente de Lisboa, os recontros nestas cidades são esporádicos e a rebelião foi, na maior parte dos casos, subjugada em escassas horas.


Raul Proença

Na tarde de 4 de Fevereiro, quando as adesões militares não corresponderam ao esperado, Raul Proença, profundamente envolvido na revolta, convoca os civis para combaterem ao lado dos revoltosos, mas com pouco sucesso. O movimento haveria de se manter até ao fim essencialmente militar, sendo poucas as adesões civis.


Guarda Nacional Republicana no quartel do Carmo - 1910

Mesmo as restantes forças da Guarda Nacional Republicana estacionadas no Porto e seus arredores fizeram saber, através do seu comandante, major Alves Viana, que se manteriam neutrais, garantindo o policiamento da cidade "em defesa das vidas e dos haveres dos cidadãos", mas não interferindo na contenda entre militares.

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No alto da Rua 31 de Janeiro – de lado, o soldado Emídio Guerreiro

Ao longo do dia foram sendo consolidadas as defesas do perímetro em torno da Praça da Batalha, com a colocação ao cimo da Rua de 31 de Janeiro, na bifurcação com a Rua de Santa Catarina, de uma metralhadora para impedir a progressão naquelas ruas. Tal foi a mortandade causada pela metralhadora ali colocada que a posição foi cognominada de a trincheira da morte.


Largo do Corpo da Guarda antes das demolições para a abertura da Avenida da Ponte

Para completar o perímetro defensivo, foi colocada outra metralhadora numa trincheira construída na confluência das ruas de Cima de Vila e da Madeira, montada uma peça de artilharia à esquina do edifício do Hospital da Ordem do Terço, voltada para a Rua do Cativo, e colocada uma metralhadora no desaparecido Largo do Corpo da Guarda, ao cimo da rua que ainda mantém esta designação.


Guarnição na Rua de Alexandre Herculano

Para além disso, levantou-se o pavimento e montaram-se duas peças de artilharia na Rua de Alexandre Herculano, na junção com a Praça da Batalha e a Rua de Entreparedes.
Para além de soldados do Regimento de Infantaria 6, de Penafiel, e da GNR da Bela Vista estacionados ao longo da Rua Chã, foram colocadas "vedetas", patrulhas constituídas por soldados e civis, ao longo de todo o perímetro.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

MONARQUIA DO NORTE - 19/1/1919

8.1.16 – Monarquia do Norte em 19 de Janeiro de 1919 - Proclamação da Monarquia por Paiva Couceiro, Içar da bandeira monárquica no Monte Pedral, Norte adere à Monarquia do Norte, Eden Teatro, Notas e selos da Monarquia do Norte, Rio da Vila


Documento da proclamação da Monarquia do Norte por Paiva Couceiro

…em Lisboa, sidonistas de véspera, democráticos, unionistas, e socialistas, se iam unindo ao governo de Tamagnini Barbosa, Paiva Couceiro seguiu para o Porto onde o terreno era mais propício à restauração da Monarquia. 
A Junta Central do Integralismo Lusitano reuniu-se no dia 17 à noite, tomando-se a decisão de António Sardinha e Luís de Almeida Braga seguirem para o Porto com a missão de “procurar suster o pronunciamento, até se ultimarem as ligações que viriam dar-lhe maior carácter de unanimidade em Lisboa e na Província”. 


António Sardinha chegou ao Porto na manhã do dia 18, mas a Monarquia foi proclamada logo no dia seguinte, 19 de Janeiro, após uma parada militar, hasteando-se a bandeira portuguesa do tempo da Monarquia (Azul e Branca) e cantando-se o hino da Carta Constitucional.


Paiva Couceiro

A restauração declarou em vigor a Carta e indicou como chefes, Luís Cipriano Coelho de Magalhães, António Adalberto Sollari Allegro, Pedro de Barbosa Falcão de Azevedo e Bourbon (Conde de Azevedo), Dr. Júlio Girão Faria de Morais Sarmento (Visconde do Banho) e Coronel engenheiro Artur da Silva Ramos. A Junta Governativa do Reino, junto ao Governo Civil do Porto, ficou sob o comando de Henrique Mitchell de Paiva Couceiro. Com a excepção de Chaves, no norte do país todos as cidades aderiram ao movimento de restauração da Monarquia.


A 19 de Janeiro de 1919, num domingo, no Monte Pedral, pela uma hora da tarde, contingentes de todos os corpos da guarnição e da Guarda concentravam-se. Aparentemente parecia mais uma parada militar, mas não era. Ali encontravam-se reunidas as forças militares, contingentes de Infantaria 6 e 18, de Cavalaria 9, de Artilharia 5 e 6, do grupo de metralhadoras, da Polícia e da Guarda Republicana, e ainda um pelotão de Cavalaria 11 de Braga, para além de outras tropas.


Pouco depois chegou em automóvel Paiva Couceiro, envergando o seu uniforme de oficial de Cavalaria, e, montando a cavalo, surge no meio do quadrado formado pelas tropas, acompanhado por alguns oficiais galegos.


As populações civis que presenciavam isto ficaram impressionadas com a aparente determinação das forças em desfile. Quem não estava impressionado depressa ficou, quando o alferes Calainho de Azevedo, de Cavalaria 9, desfralda a bandeira azul e branca.
Paiva Couceiro faz então uma declaração, onde proclamou que o Exército é, acima de tudo, a mais alta expressão da Pátria, e por isso tem que guardá-la nas circunstâncias mais difíceis, acudindo na hora própria contra os perigos, sejam eles externos ou internos, que lhe ameacem a existência. Após o discurso, é levantada a bandeira monárquica e a banda da Guarda toca o Hino da Carta. De seguida, Couceiro faz uma revista às tropas e estas desfilam em continência.


Telegrama de Paiva Couceiro aos Governadores civis


É assim declarada a restaurada Monarquia à uma e meia da tarde de 19 de Janeiro, pelas forças da guarnição militar do Porto, no largo Monte Pedral, em nome de Sua Majestade D. Manuel I.


No norte, e principalmente no Porto, a população estava em festa. O povo saiu à rua, soltando vivas a Portugal, ao rei e à Monarquia. Tiros de salva de artilharia eram disparados a partir da Serra do Pilar. 


Parada em frente ao Governo Civil

Ocorre um desfile das tropas pelas ruas da Invicta até ao quartel-general onde estava o Governo Civil, junto à Praça da Batalha. Segundo relatos da época, eram tantas as pessoas nas ruas que o automóvel onde seguia Paiva Couceiro com dificuldades seguiu até ao quartel-general.
Às três da tarde do mesmo dia 19 é lida por Baldaque de Guimarães a nova proclamação, enumerando as causas e os objectivos da contra-revolução, e quem seriam os homens que iriam resgatar a Pátria da calamidade em que se encontrava. 

Hino e letra da Carta Constitucional 

Lida a proclamação, a banda da Guarda volta a tocar o Hino da Carta ao mesmo tempo que se ouvem 21 tiros de salva. No final, é içada a bandeira azul e branca no quartel-general, seguindo-se as comemorações populares espalhadas por toda a cidade. 


Bandeira monárquica hasteada no Palácio da Bolsa

Por todo o Norte o dia ficou marcado pelo hastear da bandeiras monárquicas e sinos a tocar, e com o encerramento de muitos serviços públicos no dia 20 de Janeiro. No seu lado mais sombrio, bandeiras republicanas foram queimadas e diversos democratas e republicanos foram presos nas suas terras. 
Embora muita gente saísse à rua e festejasse, ainda havia uma grande camada da chamada "classe pobre" que não estava interessada no regime, mas sim se teria pão para comer na manhã seguinte. 
A Junta Governativa do Reino, sediada no Porto para organizar o novo regime monárquico, aproveita o corte de comunicações com Lisboa e aproveita para disseminar na população a notícia falsa de que a monarquia se impusera por todo o país e que não haveria volta a dar. 


Os chefes da causa monarquia, demasiado confiantes no decorrer da proclamação da monarquia no norte do país, não se decidiam no que fazer ou no que decidir em relação à capital. Esta indecisão, que se prolongou durante alguns dias, foi um dos erros que levou a Monarquia do Norte ao fracasso, pois deu tempo aos republicanos a sul e na capital de se reorganizarem e prepararem uma defesa/contra-ataque. 
As operações que envolveram ambas as partes tiveram, por assim dizer, duas fases. A primeira foi de 19 de Janeiro, quando se iniciou a revolta, e teve o seu fim no dia 31 de Janeiro, quando os republicanos terminaram de mobilizar as suas forças e estabeleceram uma cobertura ao longo do rio Mondego. 
A segunda fase ocorreu entre 1 e 20 de Fevereiro, fase na qual se levam a cabo as operações de neutralização da revolta monárquica. 
Fevereiro é o mês em que se inicia a ofensiva, fazendo as forças republicanas uma marcha em direcção ao Norte, onde em todas as cidades por onde passavam, os revoltosos ou fugiam ou rendiam-se. 
No norte, no Porto, a revolta só terminou a 13 de Fevereiro. Neste dia, após combates em todo o litoral centro, nomeadamente em Angeja, a guerra civil termina com a entrada dos exércitos republicanos no Porto. In Wikipédia 


Eden Teatro – Muitos republicanos estiveram aqui presos e maltratados durante a Monarquia do Norte.



Selos da Monarquia do Norte – 1919


Foi autorizada a impressão de notas e outras foram carimbadas, bem como a emissão de selos, que nunca chegaram a ser usados. 

Monarquia do Norte – Academia Portuguesa da História 

A Monarquia do Norte - vídeo 

Rio da Vila pelo interior