sábado, 27 de maio de 2017

REVOLTA DAS MAÇAROCAS

8.1.7 – Revoluções e tumultos da plebe. Primeira revolução – das maçarocas




Os historiadores contemporâneos afirmam que esta revolta se deu em 1629 e não em 1628.


Mosteiro da Serra do Pilar - foto de Frederick Flower - 1849 a 1859


Fiando o linho


In O Tripeiro, Volume 2


No dia 28 de Abril de 1643 foi executado na praça pública do Rossio o ex-secretário de Estado de D. João IV, Francisco de Lucena. Acusado de manter correspondência secreta com Castela e de ter culpa no cativeiro de D. Duarte, irmão de El-Rei, foi julgado traidor e culpado do crime de lesa-majestade, devendo ser decapitado. Já no cadafalso, leram-lhe a sentença e após ter se confessado com o sacerdote, diz-se inocente. Tirou-lhe a vida um golpe do cutelo que ele mesmo havia trazido de Madrid, nos tempos de Secretário do Conselho da Coroa de Portugal.




Tear antigo

Sobre os vários motins no norte do país sugerimos a leitura deste excelente trabalho

quarta-feira, 24 de maio de 2017

INUNDAÇÕES DO RIO DOURO V

8.1.6 – Inundações do rio Douro V - Foz do Douro após a cheia de 1909, Praias da Foz com destroços da cheia de 1909, Cheia de 1909 na Régua, Cheia do Douro de 1962, Fotos antigas do Porto


Destroços junto da praia do Carneiro – vêm-se as casas da Rua da Senhora da Luz


A barra do Rio Douro na manhã do dia 26/12/1909


Rebocador de pás Veloz – foi destruído na cheia de 1909 – foto de Aurélio Paz dos Reis – ao fundo a Igreja de S. João da Foz.



Perto do Passeio Alegre - 1909


Praia do Ourigo - 1909

“Aquando das cheias, a gravalha vinda rio abaixo era depositada pela fúria do mar nas praias vizinhas da barra do Douro, e em poucos dias ficavam limpinhas, porque os lavradores vinham com carros de bois apanhar a gravalha, que servia para a cama do gado, e os populares também ajudavam a limpar as praias, sobretudo com lenha e cavacos para consumo dos fogões e lareiras. Eu próprio cheguei a levar lenha apanhada na praia para consumo do fogão de sala de minha casa de Ponte da Barca.
Ainda me recordo, aqui na rua da Cerca, na Foz, era um rodopio de carros de bois para baixo e para cima. A meio da imagem dos destroços da cheia de 1909, na praia denominada do Pinheiro, do Castelo ou de Felgueiras, conforme a queiram denominar, e que atinge a praia do Ourigo, que também foi denominada de D. Manuel II e da Sra. da Luz, nota-se um edifício isolado, e segundo meu pai me dizia era um género de sala de espera para os passageiros do carro eléctrico, e ao fundo, à frente do antigo colégio dos padres, vê-se um edifício térreo, que era a adega do Luis Fontes, parece que era esse o nome”.


Salgueiral - Régua

“Corria áspero a invernia pelos idos de Dezembro de 1909. A 19 recebia-se na capitania do Douro telegrama vindo da Régua relatando que o rio ali já subira alguns metros. Foram tomadas as primeiras providências para acautelar o perigo de cheias, reforçando-se as amarras em todas as embarcações no Douro e avisando-se as populações. Na noite de 21 caiu grosso temporal sobre a cidade, chovendo tão intensamente que as ruas se transformaram em verdadeiros rios, levando as águas de enxurrada tudo o que encontravam solto pelo caminho, inundando caves e lojas, derrubando árvores e levantando o pavimento das ruas. Os bombeiros portuenses não tiveram durante o dia descanso, continuamente chamados a ajudar quem via os seus pertences e os seus estabelecimentos totalmente destruídos pela força das águas. O rio engrossara de tal forma que chegou à Praça da Ribeira derrubando as tendas dos vendedores que agora boiavam no meio do rio. Miragaia e Massarelos estavam já invadidas pela água. Noventa barcaças foram sendo arrastadas rio abaixo, umas despenhando-se contra os penedos da foz, outras abalroando navios e embarcações estacionadas nas margens e algumas saindo livremente pela barra rumo ao mar. Na noite de 22 outro temporal fustigou a cidade com «grossas cordas d’água batidas por um verdadeiro furacão» na descrição de um jornalista da época. Algas casas ruíram total ou parcialmente fruto da força dos elementos, mas foi no rio que uma verdadeira tragédia ocorreu. A água, subindo até aos 12 metros acima do seu caudal normal e a uma velocidade de 10 milhas por hora, tudo levava na frente. Todas as amarras dos navios que estavam junto à Alfandega se quebraram, levando-os para a barra, 150 barcas desfizeram-se contra as margens, abalroando pelo caminho vários vapores, iates e outras barcas, criando uma confusão enorme de maços de carga e destroços rio abaixo. O estrondo das barcas e navios a embaterem uns nos outros ou a desfazerem-se contra os cais era verdadeiramente impressionante e o esforço de muitos marítimos de os tornar a amarrar foi em vão.


O vapor «Cintra», com tripulação alemã, soltou-se e foi embater na corveta-escola «Estephania» estacionada junto ao Ouro, desfazendo-a quase por inteiro, seguindo depois o «Cintra», á deriva, para o Cabedelo. A sua tripulação toda a noite esteve pedindo socorro, fazendo sinais de luzes com as lanternas e lançando foguetes de sinalização. Mas em vão. Era impossível, mesmos aos mais experimentados fazerem-se ao rio para os socorrerem. A certa altura em frente da ribeira passa no rio uma grosa pilha de madeira, flutuando a grande velocidade rio abaixo, mas para horror da multidão, que observava a tragédia das margens, um homem seguia com ela, gritando e gesticulando por socorro. As crónicas da época apenas dizem que «não se chegou a saber o destino do desgraçado».
A água atinge o alto do Muro dos bacalhoeiros. E as notícias vindas da Régua criam ainda mais alarme pois o rio continua a subir. Os engenheiros do porto vão medir a distância das águas do rio ao tabuleiro inferior da ponte D. Luiz I para decidir se será necessário cortá-lo. Cerca de 50 centímetros separam a água da ponte. Na maré alta seguinte, a distância já era bastante inferior, passando o perigo maior.
Desde o dia 20 que a não havia serviço de comboio para Lisboa, por causa do mau tempo e de várias derrocadas ao longo da linha. Apenas se conseguia fazer a ligação das suas cidades com grande parte do trajecto feito por terra. 


Companhia do Gás no Ouro

A Companhia do Gaz informou a Câmara que já só tinha gaz para duas horas, pelo não iria haver iluminação nas ruas da cidade nos próximos dias. A empresa de águas deu igualmente conta que o rio Sousa tinha subido de tal forma, tudo inundando, que o serviço de abastecimento à cidade tivera necessidade de ser interrompido, não se sabendo quando poderia ser retomado. Não havia serviço telegráfico. A cidade estava isolada e paralisada. Foram reforçadas as patrulhas policiais, com o auxílio das tropas dos vários quartéis da cidade, a fim de se evitarem assaltos e guardarem os estabelecimentos e habitações danificados. 


Moagens Harmonia - foto TAF - 2008

A estrada da circunvalação, junto ao Freixo, está inundada e a fábrica de moagem paralisada. Assim como toda a margem do rio, desde a Ribeira até à Cantareira.
O pessoal da Alfândega esteve todo o dia e noite a retirar fardos de arroz dos armazéns que estavam já inundados, o mesmo fazendo diversos outros comerciantes e armazenistas da zona. A Câmara disponibilizou o Mercado Ferreira Borges para guarda de mercadorias e o Quartel de Bombeiros em Gonçalo Cristóvão para as famílias desalojadas da Ribeira, Miragaia e Massarelos. A água do rio, junto à Ribeira, ultrapassa em 80 centímetros a marca das cheias de 1860, até então, as maiores de que existiam registo. Mais de mil casas foram afectadas ou ruindo total ou parcialmente". 


A 24, milhares de pessoas deslocam-se em eléctricos, trens e automóveis para as margens do rio e para a foz, assistindo ao dantesco espectáculo. Das 700 barcaças estacionados nas duas margens do rio antes das cheias, apenas 40 continuavam ancoradas e dos 45 vapores, 12 ficaram em condições de navegar. Tudo o mais estava destroçado ao longo do rio, ou saíra barra fora. 


Destroços da corveta Estephania  na Praia do Ourigo- 1909

Os restos do antigo navio da armada de guerra «Estephania» jazia agora na praia do Ourigo e em pouco tempo a força do mar o desfez em pedaços, com muitos dos seus marinheiros, alunos e oficiais assistindo em lágrimas ao destruir da velha glória da marinha. Ao longo da costa, milhares de fardos de mercadorias, tonéis de vinho e destroços de embarcações flutuavam à vista ou eram jorrados pela força do mar nas praias e nos penedos.
Seis tripulantes do vapor «Contra» que se encontrava em situação perigosa junto ao Cabedelo, em manobra de desespero, fazem-se ao rio num pequeno escaler, mas, quando este, arrastado pela força do rio se dirige para as pedras de Felgueiras, atiram-se ao mar, dando à costa apenas 3, prontamente socorridos pela população. Os corpos dos outros 3, incluindo o capitão da embarcação, acabarão por ser encontrados nos dias seguintes. Os restantes 7 membros da tripulação, permanecendo em difíceis condições a bordo, acabaram por salvar a sua vida, sendo no dia 25 resgatados com segurança.


- Uma subscrição popular  favor das vítimas de Miragaia.
- D. Manuel II e o Presidente do Concelho nos cais da Foz
- Moradores da Ribeira abandonando suas csas
- Casa na manhã de 25
- Despejo de uma casa
Clichés de Fenoliel

A 26 chega de surpresa o rei D. Manuel II ao Porto, acompanhado de alguns ministros do seu governo, para averiguar estragos e tomar primeiras providências. À chegada, dirige-se imediatamente para Carreiros, a verificar o desolador espectáculo, seguindo depois para os Pilotos onde felicita os esforços dos mestres da barra no salvamento dos tripulantes do «Cintra» e segue para Miragaia, Ribeira e Barredo onde visita algumas famílias e verifica os estragos. De imediato dá início à constituição de um fundo para apoio aos mais necessitados e o governo em Lisboa toma as primeiras medidas de emergência, as quais incluem o envio de alimentos e afectação de verbas de emergência para obras mais urgentes. A vereação da cidade recorda ao rei a absoluta necessidade de dar seguimento rápido à construção dos acessos viários ao Porto de Leixões, para salvaguarda dos bens e comércio em geral de toda a região, evitando-se dessa forma, «os humores do rio».
A cidade, mesmo fortemente abalada, recompôs-se. O rio voltou, mesmo quando depois foi «regulado» pelas barragens, a fazer estragos na décadas seguintes. Mas nunca como em 1909, naquele que foi certamente o momento de maior fúria destruidora do rio da sua história, mas que, apesar disso, manteve o Douro a marca de personalidade imprescindível da cidade”. In Grande Porto, 24/12/2009

Foz do Douro antigamente


Ruckinge encalhado no Douro – 24-3-1931


Cheia de 1962 na Régua
http://www.bv-pesodaregua.org/site/wp-content/uploads/texto8-cheias.pdf


Alfândega - marcação da cheia de 1962 – a cheia acima desta é a de 1909

Descrição da cheia de 1962


Cheia de 1962 vista de cima da Ponte Luis I




Foto Teófilo Rego


Foto de Teófilo Rego - 1962


Miragaia - 1962


Miragaia - 1962


Monchique - 1962


Aspecto do rio Douro e do Estaleiro do Ouro, durante a cheia de 1962. Destaque para a nau que foi construída para o cortejo fluvial, durante as comemorações do centenário da morte do Infante D. Henrique, em 1960.

Um rio foi vencido – interessante documentário da RTP - 1958 


Senhora do Mar encalhou, em Massarelos - Foi recuperado e teve uma longa vida útil. Mudou de nome em 1989 para Leone IV - Foi desmantelado em 1999.


Cais de Vila Nova de Gaia - 1962


Construído em 1957, o "Lanrick" era uma embarcação inglesa frequentemente vista no rio Douro. Em janeiro de 1962 encalhou...


 na zona do Candal, no local onde se construía o posto de gás da Mobil. Aí se manteve cerca de um mês e foi posteriormente desencalhado. 

You Tube – cheia de 1996 – Filme Gaspar Silva


Com a construção das barragens do Douro o caudal do Rio Douro desceu significativamente

As cheias do Douro de 1909 a 2003

You Tube – cheia de 1996 – Filme Gaspar Silva


Porta Nobre em 1860 – a ser destruída a quando da construção de Rua Nova da Alfândega.


Depois da tempestade vem a bonança… - foto de Manuel dos Santos – Setembro 2016

Pesca à linha na Foz do Douro, no rio e no mar


https://www.youtube.com/watch?v=6gfH1DmNmQg


Convento de Monchique com o rio sereno – foto Manuel dos Santos - 2016 

Velho Porto – sequência de fotografias

sexta-feira, 19 de maio de 2017

INUNDAÇÕES DO RIO DOURO IV

8.1.6 – Inundações do rio Douro IV - Cheia de 1909, Miragaia, Vila Nova de Gaia, Cheia de 1909 - barcos encalhados na Afurada, Cantareira, Sobreiras


 Cais de Gaia e Miragaia - foto Alvão


Miragaia



Moradores de Miragaia afectados pela cheia de 1909



À esquerda a Alfândega


Foto Alvão


Cheia de 1909 já na parte final


Cais das Pedras depois da cheia - veja-se como ficou completamente arrasado - aqui passava o eléctrico


Zona do cais de Gaia


Rua de Cândido dos Reis em Gaia



Avenida Diogo Leite em Gaia - durante e depois da cheia de 1909


Senhor da Boa Passagem em Gaia, após a cheia 


Vapor Elida encalhado na Afurada


Capela da Afurada e a barca América destruídas pela cheia de 1909.


Vapor Gascon na Cantareira - ao longe o Sílvia encalhado no Cabedelo


Cantareira


Nesta zona do Ouro houve grandes estaleiros onde construíam os maiores barcos durante vários séculos. Foi aí que construíram os que seguiram para a conquista de Ceuta. Ver lançamento de 13/4/2017.


Barca Vencedora em Sobreiras