quinta-feira, 20 de julho de 2017

CERCO DO PORTO VII

8.1.11 – Cerco do Porto - Lutas pela Serra do Pilar, Incêndio do Convento de Santo António do Vale da Piedade, Incêndio dos armazéns de vinho de Gaia, Retirada das tropas miguelistas, Fome e doenças no Porto, Preços antes e durante o cerco 


Em 1920 ainda estava muito destruído pelas lutas do cerco de 1832


Nota-se um buraco na parede da igreja provocado por um obus de artilharia miguelista. Esta zona foi muito atingida porque ao lado da igreja, no Largo da Bataria como lhe chama o povo, estava colocada uma bateria liberal que atacava os miguelistas em Gaia. Estes respondiam.


Porto visto da Serra do Pilar – Skeiton – 1828


Reprodução de gravura publicada em 1833, dedicada a D. Pedro, duque de Bragança, representando a encosta da Serra do Pilar (incluindo militares e populares), Vila Nova de Gaia, o Rio Douro e a cidade do Porto, durante o Cerco.
Autoria: Charles Van Zeller (des.); Robert Havell (grav.).
Pela serenidade e paz que são representados os figurantes terá sido desenhada depois do Cerco do Porto.


Convento de Santo António do Vale da Piedade


In O Tripeiro, Volume V



Incêndio nos armazéns da Quinta de Noval – 20/10/1971


Armazéns da Sandeman após incêndio de 24-4-1979


In Portugal Antigo e Moderno – segundo autores teriam sido mais de 10.000 pipas destruídas.




Portugal Antigo e Moderno


Ribeira - foto de Emílio Biel




O cerco do Porto visto por um estrangeiro – In O Tripeiro, Série V, Ano III


Filas para comprar produtos racionados - 1943


Senhas de racionamento


In O Porto por fora e por dentro de Alberto Pimentel

Uma das melhores provas dos sofrimentos e dificuldades dos portuenses aquando do cerco foi o enorme aumento de preço e escassez de bens de consumo. Para se ter uma ideia da gravidade deste problema indicamos alguns preços em 7/7/1832, antes do cerco, e durante o cerco (em reis):



In Portugal Antigo e Moderno

Anos depois a família abriu falência fruto, sobretudo, da vida faustosa e destemperada que levava. Tendo sido elevado a Conde de Farrobo, o povo chamava-lhe Forrobodó, pois as festas e concertos eram constantes.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

CERCO DO PORTO VI

8.1.11 – Cerco do Porto - Carta Topographica das linhas do Porto, Defesas da Serra do Pilar, Marquês de Sá da Bandeira, Lutas pela posse da Serra do Pilar


Entrada do Douro – Eduard Belcher – 1833


Carta Topographica das linhas do Porto - Levantada e publicada pelo Coronel Moreira” – 1833 – desde a barra à zona do Freixo


Abaixo transcrevemos a “Descripção Histórica” que se encontra inserida na Carta Topográphica. Trata-se de um texto militar muito rico e descritivo e que achámos do maior interesse: 
“O exército Constitucional que bravamente sustentou o sítio do Porto estava circunscrito a uma pequena linha formada por valados, pipos, leiras e muros irregularmente delineados interrompida pela falta de braços, de meios e tempo. Apoiou-se esta linha pelo lado do Mar, no pequeno posto do Farol da Luz ocupando alturas favoráveis pelos fortes do Pinhal e Pasteleiro e baterias do Monte Pedral e Congregados; formadas estas de pedras soltas sem fossos e sem golas. Nos memoráveis dias 5 e 25 de Julho de 1833, não havia para guarnecer linhas, mais que 10.000 bravos divididos em quatro distritos e o 1º. (á direita) sustentado pelo 3 de Infantaria, 12 de Caçadores e um batalhão nacional fixo. O 2º. Pelo 18 de Infantaria, 5 de Caçadores e um batalhão de Voluntários da Raínha. O 3º. pelo 3 de Infantaria e corpos de franceses e belgas, o 2º. Nacional Móvel e dois de ingleses e escoceses. A maior parte da cavalaria, que não chegava a 150 cavaleiros estava do lado do Mar, havendo em reserva no centro 200 lanceiros, com alguns contingentes de infantaria. Os dois outros Batalhões Nacionais, fixo e móvel, estavam em diferentes pontos da linha e o dos Funcionários Públicos no Carvalhido. Não havia mais que três meias brigadas d’Artilharia Volante, além da de Posição. A linha da margem Norte do Douro formava o 3º. Distrito, de fracas baterias em adros de Igrejas e terraços, com barricas singelas ou revestimento de tábuas, sem capacidade de jogar a artilharia. A Serra do Pilar formidável pela natureza do lugar, fortificou-se debaixo de fogo do inimigo circundando com fracos muros nas sinuosidades do terreno em volta do Convento formando baterias pouco sólidas, oferecendo a oportunidade da brecha que o inimigo teve a fraqueza de não montar. Tal foi a bravura dos homens que defenderam e (?) do Porto eram voluntários de Vila Nova e destacamentos que dificultosamente atravessavam o Douro.
A linha dos rebeldes formava em volta do Porto uma curva em redentes e ressaltos de perto de 4.000 braças, quere dizer, mais de cinco léguas de extensão apoiada no Mar pelos fortes de Castro, Ervilha e Serralves em formidáveis posições, construídas a grandes perfis bem concebidas e bem providas, abrangia as povoações, muros e casas com parapeitos com 14 palmos fossas de 12, bem apoiada na esquerda do Douro tendo do Sul deste rio encristando as alturas com imensas baterias de morteiros, obuses e grossos canhões, além de muitos Parques volantes, com que feriram de revés as posições dos Liberais e abraçavam a cidade do Porto, que por todo o lado comandavam. Finalmente nas duas citadas acções de 5 e 25 de Julho que decidiram abandonarem o sítio do Porto o Marechal Beaumont (?) podia dispor de 55.000 rebeldes contra 10.000 Constitucionais que no dia 29 de Setembro não excediam 6.000 comandados pelo Imortal Duque de Bragança Regente em nome de D. Maria 2ª
DE ORDEM DE S.M.I.,
Levantada e publicada pelo Coronel Moreira”.

Esta descrição, feita por um militar liberal, mostra-nos as insuficiências das forças liberais e a grande superioridade das absolutistas, em número e em material, o que nos leva a concluir que, ou os absolutistas estavam tão certos da victória que não se empenharam na luta, ou foram muito mal comandados, ou, ainda, que os militares liberais foram verdadeiros heróis em favor da sua causa.


Gravura do Barão de Forrester - Antes de 1832


In O Tripeiro – Série VI, Ano V


Portal em pedra que foi da Capela do Carvalhinho e hoje está no Seminário Maior do Porto


Pormenor do mapa de Telles Ferreira - 1892

A cidade do Porto incluiu até 1834 a parte de Vila Nova de Gaia que vai do Douro até à R. do Marquês de Sá da Bandeira e Largo dos Aviadores, incluindo a Serra do Pilar.


Bernardo de Sá Nogueira, Marquês de Sá da Bandeira – 1795-1876

Durante o cerco do Porto os Miguelistas tentaram tomar o reduto da Serra do Pilar, mas os chamados “Polacos”, sob o comando de Bernardo Sá Nogueira não o permitiram, defendendo-o energicamente. Este, depois feito Marquês de Sá da Bandeira, foi ferido no braço direito na batalha que decorreu no Alto da Bandeira (actual Largo dos Aviadores). Levado para o Hospital militar, sedeado no palacete da família Guedes da Aveleda na Batalha, foi-lho amputado e enterrado junto de uma árvore do jardim. Os valentes soldados que resistiram foram chamados de “Polacos” em honra dos que heroicamente defenderam Varsóvia na guerra contra os Russos.


Defesas da Serra do Pilar durante o Cerco do Porto - desenho do Barão de Forrester



James Holland – 1838 – Mosteiro da Serra do Pilar ainda com vestígios do cerco do Porto



Serra do Pilar - Foto de Frederick Flower – 1849/1859



Perfil das defesas liberais na Serra do Pilar


In O Tripeiro, Volume I

segunda-feira, 10 de julho de 2017

CERCO DO PORTO V

8.1.11 – Cerco do Porto - Batalha da Ponte de Ferreira, Farda e óculo usados por D. Pedro IV, Canhões usados no cerco, Linhas de defesa do Porto, Canhão gigante dos absolutistas em Gaia, Proclamação D. Pedro IV


Ponte de Ferreira (S. Martinho do Campo - Valongo)


Alminhas de Ferreira

”Integrou a antiga via Porto-Amarante e é-lhe atribuída uma cronologia medieval. Possui tabuleiro plano, assentando sobre três arcos separados por dois talha-mares. Possui a particularidade de na extremidade esquerda, e no local onde já existiu um terceiro talha-mar, ter a Casa da Portagem datada de 1796. Na outra extremidade, encontram-se umas alminhas de invocação da Sr.ª do Carmo e provavelmente setecentistas. A importância da ponte deve-se ao facto de haver uma memória coletiva local associada a um relevante evento, a Batalha de Ponte Ferreira, ocorrida a 23 de julho de 1832, durante as lutas liberais.


Primeira investida do exército liberal ao Porto – batalha da ponte de Ferreira – A. E. Hoffman - 1835

“A 22 de Julho de 1832, o General,


Espada em aço e farda usadas por D. Pedro IV durante o Cerco 


Boné de Caçadores usado por D. Pedro IV no cerco.


Óculo usado por D. Pedro IV no Cerco do Porto


Almeida Garrett, soldado voluntário nº. 72 do Batalhão Académico à porta do Convento dos Agostinhos Descalços – aqui escreveu o seu imortal livro Arco de Santana - óleo de Joaquim Vitorino Ribeiro - Também serviu de hospital de sangue durante o cerco.



Canhões usados pelos liberais durante o Cerco

“Quanto ao armamento utilizado à época pelos dois contendores como instrumentos de combate , era constituído fundamentalmente por : Espingardas de fechos de sílex , com sabre baioneta com um alcance eficaz de 250 m e capaz de disparar 3 tiros por minuto . 
Peças de artilharia , com alcance eficaz entre 400 a 800 m , de calibre entre 12 e 30 , disparando projécteis esféricos maciços de ferro fundido ou pedra . Também podiam disparar «lanternetas» , caixas contendo metralha ou balas , de grande eficácia contra a infantaria a descoberto . 
Obuses , com calibres entre 3 a 4 , disparando projécteis ocos , com uma carga explosiva no seu interior . Com uma trajectória muito verticalizada era particularmente utilizada para atingir soldados protegidos por parapeitos ou trincheiras .


Cidade do Porto e arredores –planta do Grande Mapa de Calmet de Beauvoisin – 1832


Linhas do Porto durante o cerco

As linhas de posição da artilharia liberal dividia-se inicialmente por duas linhas distintas :
A primeira linha estendia-se ao longo da margem norte do rio Douro ( margem direita ) , era prioritariamente vocacionada para o duelo directo com a artilharia realista instalada em Gaia . Este sector era constituído pela bateria do Bicalho ( junto à base norte da ponte da Arrábida ) , prosseguindo para nascente , com as baterias da Torre da Marca ( terrenos hoje do Palácio de Cristal ) , Bandeirinha (ao Largo de Viriato ) , Virtudes ( na Calçada das Virtudes ) , Vitória ( na encosta da freguesia e que desce para o Douro) , Paço Episcopal ( ou Paço do Bispo ) , Fontaínhas ( na rua do mesmo nome ) ,Seminário (junto à base norte da ponte de D. Maria Pia) e Quinta da China ( junto à base norte da ponte de S. João ) .
A segunda linha estendia-se de nascente para poente e contava com as baterias das Oliveiras (na encosta da estação de Campanhã ) , do Forte de Campanhã , da Lomba ( junto à R. da Lomba ) , do Bonfim ( junto à igreja do mesmo nome ) , do Bom Retiro ( junto à rua Barros de Lima ) , de Goelas de Pau ( junto à rua Câmara Pestana ) , do Cativo , da Póvoa de Cima ( na encosta da rua da Bataria ) , Congregados ( Zona do Monte Belo e junto à rua Monte dos Congregados ) , Aguardente ( zona da Praça Marquês de Pombal ) , D. Pedro e da D. Maria II ( à zona do cruzamento rua da Constituição e Antero de Quental ) , Monte Pedral ( monte à rua Serpa Pinto ) , Ramada Alta ( à zona do mesmo nome ) , Bom Sucesso ( à praça do mesmo nome ) . A bateria de Lordelo ( à rua D. Pedro V ) fechava o anel de baterias junto ao início da linha anterior iniciada na bateria do Bicalho”. In blogue lettersfromlise


Quando do cerco do Porto João Paulo Cordeiro ofereceu ao exército Miguelista uma gigante peça de artilharia.
“Notemos a chegada ao exército miguelista da célebre peça de artilharia… julgou-se que arrasaria a Torre dos Clérigos, quanto mais as casas da cidade. Chegou ao Alto da Bandeira em 24/12/1832 e foi posteriormente colocada nas proximidades da Igreja de Mafamude para dali bombardear o Porto… Era um dos maiores obuses até então construídos (em Londres, pela fábrica Bowling & Cª), pesava 100 quintais (6.000 kgs.) e tinha um calibre de 32.3 cm. a 2500 metros. O povo chamava-lhe Canhão-Pachão e os miguelistas “papa malhados…” nome porque se designavam os liberais.
A a Torre dos Clérigos estaria, portanto, na mira dos “Papa Malhados”… No dia de Ano Bom de 1833, o jornal Crónica Constitucional do Porto dava conta da acção do “Papa Malhados” e da vontade dos artilheiros miguelistas em atingir a Torre… Segundo as crónicas da época, a pontaria do inimigo não era famosa e produzia estragos, mas não nos alvos escolhidos – e talvez isso tenha salvo a 
Torre”. In Porto a Torre da Cidade do Prof. Helder Pacheco.


Proclamação de D. Pedro IV perdoando aos fugitivos e desertores