sábado, 23 de junho de 2012

BAIRROS DA CIDADE - II

2.3.1 - Bairro da Sé - II


Demolições no Largo do Açougue - Estas demolições, em frente à Sé, foram executadas entre 1936 e 1940 para abertura do actual Terreiro de D. Afonso Henriques. À esquerda vê-se a casa-torre dos Alões.


                           Torre da Capela dos Alões, antes de restaurada em 1940
Não encontrámos alusões directas a esta capela, pelo que nos limitamos a transcrever um pequeno texto sobre o seu instituidor - “Alão de Morais é um dos ramos da família Alão, a qual, segundo o Anuário da Nobreza Portuguesa, descende de Afonso Fernandes Alão (3° neto de D. Mendo Alão, senhor e conquistador de Bragança, segundo os nobiliários), que viveu no reinado de D. Sancho II e, em 1275, instituiu um vínculo na sua quinta de S. Vicente de Pereira. Domingos Geraldes Alão, neto de Afonso Fernandes Alão, cónego da Sé do Porto e prior na igreja de Fermelã, instituiu um vínculo na sua quinta de Sá, perto do reguengo de Quebrantões, na cidade do Porto. Seu irmão Gonçalo Geraldes, abade de São Cristóvão de Mafamonde, no julgado de Gaia, foi o instituidor da capela dos Alões, a favor de Afonso Martins, seu sobrinho, prior do Souto.” Site da Direcção Geral dos Arquivos.



A Torre da Rua de D. Pedro Pitões ou Torre da Cidade é uma casa-torre medieval reconstruída, localizada na zona histórica do porto, em Portugal. A casa-torre, actualmente localizada na Rua de Dom Pedro Pitões, permaneceu durante largos séculos oculta entre o casario então existente no local onde actualmente se abre o Terreiro da Sé. Encontrava-se ao lado dos antigos açougues, em frente à fachada principal da Sé do Porto. Esta torre deverá ser a dos Alões, reconstruída 15 metros acima.


Casa da Câmara medieval – fachada posterior antes de 1934


Fachada lateral depois de 1940


Reconstituição pelo Arq. Fernando Távota em 1995
  

O “TRISTE” Porto virado de costas para a sua cidade!!! Aliás ele já deve estar habituado s situações insólitas; já o puseram no "poleiro" da Câmara na Praça de D. Pedro, onde esteve feliz a ver e ser visto pelos seus, mas depois foi "porteiro" da CMP, perto da Sé, "escondido" na Avenida das Tílias, no lado contrário ao movimento dos seus súbditos, espectador do Rio Douro e agora virado para a perede! Coitado! 
A construção da Casa da Câmara ou da Torre da Rolaçom tem origem no séc. XV, onde foi instalado o senado ou Assembleia, primeira sede do poder autárquico. Situada junto da Sé do Porto , tinha 100 palmos de altura (cerca de 22 metros) e era guarnecida de ameias. Possuía vários sobrados contendo no seu interior elementos artísticos de grande qualidade. Evidenciava entre outros, um exemplar tecto dourado no salão nobre superior. Em meados do Séc. XVI a Câmara muda-se para o claustro do Convento de S. Domingos, pois o edifício ameaçava ruína.
Em 1518 D. Manuel instituiu a Casa dos 24 do Porto que era constituída por 24 representantes dos 12 principais ofícios. Reunia na Casa da Câmara. Tinha por missão defender os interesses do povo. As relações entre estes dois organismos foram, logicamente, quase sempre muito más. Teve influência na Revolta do Papel Selado o que levou à sua extinção em 1661. Alguns meses depois foi restabelecida, mas voltou a influenciar a Revolta da Companhia em 1757. Encerrada e novamente restabelecida foi definitivamente extinta em 7 de Maio de 1834. Em 1995 o Arquitecto Fernando Távora desenhou a torre que agora ali “apreciamos”.


Muralha Românica com as quatro portas


Rua do Aljube antes de 1936 - ficava perto da Porta de S. Sebastião
  

Capela-Oratório da Porta de S. Sebastião


S. Sebastião (256-286) foi um soldado romano, capitão da guarda pessoal do Imperador Diocleciano, que desconhecia a sua condição de cristão. Tratava os prisioneiros com muita brandura. Assim que descoberta a sua religião, foi condenado à morte por flechas. Supostamente morto, os seus amigos entregaram-no a uma nobre e rica cristã, Santa Irene, que o tratou e recuperou dos ferimentos. Tendo-se apresentado de novo ao imperador, repreendeu-o por perseguir os cristãos. Foi de novo condenado à morte por espancamento.



Casa do Bêco dos Redemoínhos – estilo gótico-flamengo – Sec. XIV – Inicialmente tinha 2 portas e 4 janelas góticas


O facto de se chamar Arco das Verdades há quem o julgue ligado à Porta das Verdades. Na realidade este arco fazia parte do aqueduto que levava água para o Mosteiro de S. Lourenço, hoje Seminário Maior do Porto. Esta água provinha da grande nascente de Mija-Velhas, no actual Campo 24 de Agosto, e no seu caminho ia alimentando outras fontes.

 

Casa Museu Guerra Junqueiro – Rua D. Hugo, 32
  

Estátua de Guerra junqueiro na Casa-Museu – Leopoldo d’Almeida – 1970

A casa-museu Guerra Junqueiro (1850-1923) foi construída em 1730 pelo cónego Dr. Domingos Barbosa. Em 1934 foi comprada pela filha de Guerra Junqueiro, Maria Isabel, aos herdeiros de Francisco Sales Pinto de Mesquita, para aí instalar um museu com as muitas peças adquiridas pelo grande poeta. Trata-se de peças de mobiliário, torêutica, cerâmica, têxteis e vidros e um depósito suplementar de escultura nacional e estrangeira. A colecção foi doada à C.M.P. em 1940.




1 comentário:

  1. Boa tarde!
    Conforme já fiz referência num dos meus comentários, meu pai era paleógrafo do Gabinete de História da Cidade do Porto, quando este se encontrava instalado na "Torre dos Alões".
    Quando, em criança, me perguntavam onde meu pai trabalhava, eu respondia: "Na Sé" ou "na Torre"...
    Abraço tripeiro!
    Alberto Guimarães

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