quarta-feira, 4 de maio de 2016

AS ORIGENS DO FUTEBOL NA CIDADE DO PORTO - II

2. SPORT PROGRESSO - CAMPO DO AMEAL


Propriedade do Club Sport Progresso, uma colectividade da freguesia de Paranhos, foi utilizado pelo FC Porto em vários jogos, nas décadas de 1920 e 1930. O Amial, como então se escrevia, era um dos mais bonitos recintos desportivos da época, com modelares balneários e um relógio monumental, tendo igualmente servido de palco para jogos da selecção portuguesa. Foi ganhando o seu espaço na história portista à medida que o Campo da Constituição se revelava demasiado exíguo para a afluência crescente de adeptos aos grandes desafios. Até à realização do sonho do Estádio das Antas, o Campo do Ameal partilhou momentos de glória azul e branca com o Estádio do Lima. 
No Diário de Notícias de 7 de Março de 2008 pode ler-se: “Corria o mês de Agosto de 1908 e numa esquina do antigo largo da Arca de Água, no Porto, realizava-se uma reunião ultra- secreta. Um grupo de sócios e jogadores do Élite Foot-ball Clube, descontentes com o rumo que a colectividade seguia, resolveram fundar um novo clube: chamaram- -lhe Sport Progresso. E nesse longínquo dia, há cem anos atrás, nem imaginavam o rol de peripécias que lhe estava reservado: foi extinto por simpatizantes dos adversários, perdeu metade do estádio e conquistou um elemento de peso, um frade franciscano com jeito para o futebol e uma grande dedicação ao clube. Pelo meio, ganhou títulos em várias modalidades que com o tempo acabaram por desaparecer. 
Antes de terem estádio, os progressistas usavam o Largo da Arca de Água para os treinos e jogos, até que a Câmara decidiu transformá-lo num jardim. Um rude golpe que os obrigou a meter mãos à obra na construção de uma infraestrutura própria. 
Inaugurado em 1923, o Estádio do Amial, considerado na altura um dos melhores da Europa, era uma obra majestosa. Conta a actual direcção progressista que alguns sócios do Futebol Clube do Porto começaram a não gostar muito de ver o Progresso voar alto e arranjaram maneira de o extinguir. 
Em 1934, militava o clube na 1.ª divisão da Associação de Futebol do Porto, alguns adeptos do FC Porto "fizeram-se sócios do Progresso e numa Assembleia decidiram a extinção", conta o padre Avelino Amarante, presidente da Assembleia-Geral do Progresso. Não conformados, os progressistas conseguiram pôr de novo o clube de pé, mas, em breve, novos imprevistos aconteceriam na vida do clube. 
O Estádio do Amial, construído num terreno alugado, em 1928, passou a ser herança de dois irmãos Andrade, um adepto do Progresso e outro adepto do FCP. Aquando duma zanga, dividiram o terreno entre ambos destruindo aquele que era o maior e melhor campo relvado da península à data. O Estádio do Ameal ficava na Arca d´Água, junto ao colégio Luso-Francês, esquina da Rua Carlos Ramos (Viela do Amial) e Coronel Almeida Valente (Travessa do Amial).
Algum tempo mais tarde, o senhorio exigiu a devolução total do terreno, destruindo-se assim o recinto que foi palco de vários jogos internacionais, incluindo um Portugal-Itália onde, caso raro, a equipa das Quinas levou a melhor. No terreno surgiu depois uma fábrica de confecções em pergamoide – Francisco F. d’Almeida, Herdºs, Lda e um Bairro Camarário.
Com muito sacrifício e dificuldade, abalançou-se o clube a encontrar alternativas, que surgem em 1947. Com a ajuda da Federação, consegue o Progresso instalar ainda na rua do Amial, mas agora do outro lado da Circunvalação. Longe das origens em Paranhos, mas ainda na cidade.
Com o passar dos anos, o Progresso foi perdendo as modalidades, mas sem nunca desistir. Resta agora o futebol jovem e, em termos de séniores, um lugar na I Divisão Regional. Apesar de centenário, o Progresso aposta na juventude como forma de, no futuro, recuperar alguma da glória do passado”.

3. O Académico Futebol Clube e o Estádio do Lima


O Académico Futebol Clube foi fundado em 15 de Setembro de 1911 por José Neves Eugénio, que na altura tinha apenas 14 anos e era estudante no Liceu Alexandre Herculano. Juntou alguns colegas e a estreia oficial do clube foi em 1914.
"A associação começou por se chamar apenas Grupo de Estudantes e só ao fim de dois ou três anos adoptou o nome definitivo", diz Helder Pacheco, segundo o qual, ao contrário da Académica coimbrã, o Académico portuense nunca teve ligação oficial com a academia. "O clube limitava-se a ceder espaço para a prática desportiva dos estudantes", nota. 
O futebol foi, nos primeiros tempos, a principal modalidade do Académico, praticado em campos que foram existindo em vários locais da cidade (Arca de Água, Ramalde, Campanhã...). A vitória numa das primeiras competições realizadas no Porto acabou por ter tradução na conquista de muitos adeptos para o clube. De tal modo que, na década de 1920, a agremiação alugou à Misericórdia os terrenos de uma quinta que pertencera a João António de Lima, um brasileiro de torna-viagem.
Em 1923 procede, então, ao arrendamento à Santa Casa da Misericórdia do Porto, da Quinta do Lima, onde vai ser construído o seu complexo desportivo. A capacidade e o espírito empreendedor dos seus orientadores e da sua massa associativa, levaram então ao início da construção do Estádio do Lima. O campo de Futebol - que viria a ser, em 1937, o primeiro relvado a nível nacional - era rodeado por duas pistas: a de Atletismo, em cinza e a de Ciclismo em cimento. Em 1927 ampliaram-se as instalações nos terrenos junto ao estádio e à sede social: campos de Ténis, jardins de recreio, parque de Campismo e Ginásio, completavam assim a grandiosa obra. O seu primeiro sócio foi José Carlos Gouveia, nascido em 1916 e sócio desde 1930.
"O Campo do Lima era uma espécie de catedral do desporto português", acrescenta Helder Pacheco (Público, 2011.01.13). Para além do rectângulo relvado, contava com uma pista de atletismo e um velódromo, no qual, durante vários anos, arrancava e terminava a Volta a Portugal em Bicicleta. O mítico Ribeiro da Silva (vencedor em 1955 e 1957) era, então, o ás do pedal que corria com as cores da casa.
A crescente profissionalização do futebol e do ciclismo, a que o Académico não conseguiu dar resposta, e, depois, a expansão da cidade do Porto até à zona das Antas, acabaram por conduzir o clube, na década de 1950, a uma situação de declínio e à quase extinção. "Perdeu o campo de jogos, as secções de futebol e de ciclismo acabaram, mas o clube foi capaz, depois, de se reinventar, dedicando-se às modalidades de pavilhão e continuando fiel a duas ou três causas: o amadorismo, a ocupação dos jovens e o serviço a uma zona da cidade", diz Helder Pacheco.


O Estádio do Lima

Face às condições precárias do Campo da Constituição, o Lima foi utilizado para jogos do FC Porto em diversas ocasiões, sobretudo na década de 1940. De entre os encontros particulares aqui disputados, destaca-se o jogo entre FC Porto e Arsenal, em 1948, que terminou com um triunfo portista por 3-2.

4. O BOAVISTA FOOTBALLERS – O BOAVISTA FUTEBOL CLUBE


Harry e Dick Lowe, juntaram alguns amigos e uniram forças com os empregados da fábrica de William Graham. Encontrados os companheiros e o terreno adequado, na Rua do Campo Alegre, no Clube Inglês, lançaram as bases para a criação do clube, cuja direcção era composta por um punhado de ingleses e pelos portugueses Pedro Brito e Maximiano Pereira: “The Boavista Footballers”, fundado a 1 de Agosto de 1903. 
A Influência inglesa na colectividade recebeu "sentença de morte" em 1909, quando alguns dos jogadores britânicos, respeitando os preceitos da Igreja anglicana, se recusaram a jogar aos domingos. Reuniram-se então os sócios para resolver a situação, naquela que se pode considerar a primeira assembleia-geral. A votação foi ganha pelos empregados portugueses, o que levou à saída de muitos ingleses e ao fim dos subsídios da William Graham. O rosto da Direcção do clube alterou-se, passando a ser composta por portugueses. Em 1910, o Boavista Footballers desapareceu para dar lugar ao Boavista Futebol Clube.


O Boavista jogava então nos terrenos de Cristiano Van Zeller, onde irá funcionar o Centro Hípico, com entrada pela Rua dos Vanzeleres (hoje João de Deus), mas mudar-se-ia de armas e bagagens, para um terreno fronteiro na Rua de Tenente Valadim, propriedade do solicitador 
António da Costa Mascarenhas, seu primeiro Presidente, onde nasceria o seu Campo do Bessa, como ficou conhecido. 
Estava consumada a cisão: a instituição do calção branco e camisa preta e a inauguração oficial do primeiro campo pelado do Bessa (11 de Abril de 1910) são os primeiros indicadores da transformação do The Boavista Footballers em Boavista Futebol Clube. 
Em 11 de Abril de 1910, foi inaugurado o campo do Boavista, ao Bessa. Presidiu ao festival o ilustre comandante da Guarda Municipal. O Porto elegante desse tempo, compareceu no Bessa, pelo desejo de assistir pela primeira vez a um jogo de futebol. A colónia inglesa representada em elevado número juntou-se aos seus amigos portugueses do Boavista. Para início da grande festa, apresentaram-se em campo as equipas do Boavista e do Leixões. Deu o pontapé de saída o Sr. António da Costa Mascarenhas, proprietário e presidente do campo inaugurado. Assistiram ao encontro cerca de duas mil pessoas, considerado na altura número de presenças recorde. O resultado seria um empate a três bolas. Integrado neste programa, realizaram-se ainda várias provas de atletismo e, à noite, num hotel, foi servido o banquete…” 
Com o tempo, as bolas deixaram de ser importadas, os árbitros já não eram tratados por "referee", a falta ganhou espaço ao "free kick", e o "match" passou a ser simplesmente jogo. Veja-se, por exemplo a constituição da equipa antes (Harry Lowe, Joaquim Ferreira, Andersen, Dick Lowe, Stuary Owen, Richard Lowe, Ângelo Seixas, John Jones, Manuel Ribeiro da Silva, Francisco Bastos e Percy) e depois (Maximiano Pereira, Manuel Morais, Henrique Faria, José Gomes Sobral, José Augusto Correia, Gilberto Silva, Manuel Barreira, Pedro Brito, Richard Lowe, Nunes e Carlos Fernandes) do corte de relações. Os "hurrahs", esses teimavam em fazer-se ouvir a cada "shoot" mais impressionante. 
Ao domingo, o cenário registado no Boletim do Boavista repetia-se: "O aspecto do vasto terreno arrelvado (?) era encantador. Esplêndido dia de sol que convidava os aficionados a passarem umas horas ao ar livre, contemplando os exercícios físicos mais em voga. Não faltavam as gentilíssimas damas com as suas toilletes claras, imprimindo ao acto um cunho de distinção e alegria". 
Apoiado por boas famílias da Boavista e da Foz do Douro, tomou a dianteira do futebol portuense. São desses primeiros anos os primórdios da rivalidade com o Académico do Porto, o Leixões, o Salgueiros e, claro, o FC Porto. E não surpreendeu que tenha sido o primeiro Campeão do Porto em 1914. Os anos seguintes marcariam a ascensão dos rivais azuis e brancos, e o troféu nunca mais voltaria às vitrinas do Bessa. 
Durante os anos 20 e 30, apesar das participações regulares no Campeonato do Porto e no Campeonato Nacional, o Boavista nunca venceu nenhum campeonato. Acabando por só marcar uma presença no Campeonato da I Liga em 1936, onde ficou num sexto lugar entre oito equipas. No ano seguinte conquistaria o Campeonato da II Liga, naquele que foi primeiro título nacional dos boavisteiros, 
As camisolas voltaram a assunto do dia nos anos 1920, com o aparecimento do calção branco, mas ainda não seria desta que a equipa encontrava a sua identidade. A nova década trouxe ventos de bonança e o clube ampliou o número de modalidades e intensificou a actividade internacional, disputando vários jogos com clubes estrangeiros que demandavam ao Porto, casos do Real Madrid, Celta de Vigo ou Vasas de Budapeste. E os jogadores boavisteiros passaram a ser chamados à selecção, como o guardião Casoto e o defesa Óscar de Carvalho. 
Com tanto positivismo, a cor negra e fúnebre das camisolas começou a incomodar muita gente. O Boavista equipou às riscas verticais pretas e brancas e calção preto, mas ainda não estava bem. O preto continuava demasiado dominante e chegou-se então ao extremo. Do sombrio passou ao berrante, com ostentação, em 1928, de uma camisola com riscas verticais vermelhas, brancas e azuis, um calção preto e meias às riscas horizontais brancas e pretas.
A mudança não agradou a ninguém e mereceu muitos comentários irónicos da Imprensa. Então, o Presidente Artur Oliveira Valença foi ver as modas a França e regressou obstinado a fazer mais uma alteração no visual do Boavista. O presidente, um homem de admirável bagagem cultural, fundador do jornal desportivo "Sports" e promotor de espectáculos desportivos, observou uma equipa francesa que alinhava com camisola xadrez. Como a mesma correspondia às cores preto e branco do seu clube, resolveu copiar o modelo.


Fotografia aérea de 1939 – Campo do Bessa – Realça-se a entrada para a Rua Tenente Valadim, ainda hoje existente, muito estreita e entaipada e a entrada, de favor, para a Avenida da Boavista. Do outro lado da Rua Tenente Valadim o terreno de Cristiano Van Zeller onde funcionou o Centro Hípico. 
O Boavista Futebol Clube adopta para seu símbolo um escudo, rectangular, cujo campo é formado por treze pequenos quadrados pretos e doze brancos, dispostos em xadrez, encimado por uma faixa, também de cor preta, com as iniciais B.F.C., em branco, e uma coroa dourada, igual à que era usada no antigo brasão da cidade, ladeado por dois ramos de palma e circunscrito na parte inferior por uma faixa amarela com o número 1903. (artº. 5º.-Cap.II dos Estatutos do Boavista F.C.) 
Começou aí a história aos quadradinhos do Boavista. O dia 29 de Janeiro de 1933 é como um segundo nascimento da colectividade. Em 1933, o Boavista resolveu transformar-se no primeiro clube português profissional. 
Na década de 40, após a presidência de Fernando Maurício Moreira, o clube enfrentou uma grave crise, chegando a descer às competições regionais na época de 1965/66. Só à entrada para os anos 70, com Olímpio Magalhães na presidência, é que o Boavista começou a criar as bases sólidas para o seu crescimento. Na época de 67/68 quando o clube disputava a 1ª 
Divisão distrital, Olímpio de Magalhães assumiu o comando da comissão administrativa levando-o à 2ª divisão. Mais tarde (1968) viria a abandonar o Direcção para apostar na criação de um novo estádio junto com um leque de pessoas que o apoiavam nesta vontade. Feita a compra dos terrenos em 1970 logo viriam a iniciar-se as obras, que se concluíram em 1972. Junto com a inauguração surgiu a homenagem constituída por uma placa, da lavra do escultor Henrique Moreira. "Sonhou, prometeu e cumpriu".
Na temporada de 1968/69, o Boavista assegurou o regresso definitivo ao primeiro escalão, e, em 1975, a equipa ergueu a sua primeira Taça de Portugal, com José Maria Pedroto assessorado por António Morais e Hernâni Gonçalves, registando no ano seguinte um segundo lugar no campeonato, dois pontos atrás do Benfica de Mário Wilson.
O Boavista sagrou-se Campeão Nacional de futebol na Época 2000 / 2001. Foi Vice-Campeão Nacional em 1998/1999 e 2001/2002. Participou nesse período por 3 vezes na Champions League. Alcançou também as meias-finais da Taça UEFA na época 2002 / 2003. Venceu uma Taça de Portugal (1996/1997) e uma Supertaça de Portugal (1997/1998).

5. O SALGUEIROS – SPORT GRUPO, PORTO, COMÉRCIO E SALGUEIROS


Decorria o ano de 1911, e um grupo de amigalhaços, o Joaninha (João da Silva Almeida), o Aníbal Jacinto e o Antenor, depois de assistirem a um Porto-Benfica no Campo da Rainha, reuniram-se e resolveram fundar um clube de futebol. Embora parecendo um impulso de euforia após um Porto-Benfica, de facto, junto do candeeiro 1047, entre as ruas da Constituição e Particular de Salgueiros, junto à Fábrica com o mesmo nome (daí o nome do Clube), nasce o sonho de um grupo de rapazes, e que começou a ganhar forma e daí nasceu o Sport Grupo e Salgueiros, esse mítico Clube da Cidade Invicta.
Em 1912, foi constituída a primeira direção do Sport Grupo de Salgueiros, que integrava Joaquim Couteiro, João da Silva Almeida, conhecido na história do clube como Joaninha, Aníbal Jacinto, Manuel Diogo, Floriano Pereira e o pintor Henrique Medina.
Embora já houvesse nome, era necessário dar forma à equipa! Com muita carolice, todas as noites após o trabalho e o jantar, os "rapazes" reuniam-se debaixo do candeeiro 1047 para debater e acertar ideias, e começar a construir o clube.
O Clube oficializa-se com os primeiros jogos, mas era necessário arranjar dinheiro para comprar camisolas e umas botas para os jogadores. Estava-se próximo do Natal de 1911 e os "rapazes" lembraram-se de organizar um grupo de Boas Festas e foram cantar as janeiras aos vizinhos de porta em porta, estendendo o boné! Angariaram a modesta quantia de 2.800 reis, o que lhes permitiu comprar a primeira bola de futebol.
Bola já havia, mas faltavam as camisolas. Ficou decidido que estas seriam vermelhas, tal como as do Benfica, distanciando assim do futuro rival que vestia de azul e branco, o FC Porto. Seria então de vermelho, vermelho cor de sangue e paixão que seriam as camisolas do Sport Grupo e Salgueiros até aos dias de hoje.


“Joaninha” (João da Silva Almeida), Aníbal Jacinto e Antenor

O primeiro campo seria na Arca d’Água, num terreno cedido pela Câmara Municipal, onde o clube teve como primeiros adversários o Sport Progresso, o Carvalhido Football Clube entre outros. Na época de 1916/17 o clube ostentava a designação de Sport Porto e Salgueiros, esta mudança de nome deve-se a uma questão de orgulho. Em 1918 foi impedido de participar nas provas da Associação de Futebol do Porto por não ter as medidas estabelecidas nos regulamentos. Foi o ano em que se temeu pelo fim do clube, pois o futebol foi suspenso e os jogadores saíram para outros emblemas.
Foram dois anos de interregno do Salgueiros, que regressou em 1920 ao fundir-se com outro clube da cidade do Porto, o Sport Comércio. Surgiu então o Sport Comércio e Salgueiros. O primeiro presidente, António Botelho, percorreu então a cidade à procura de um terreno para construir o campo do clube. Em Fevereiro de 1922 inaugura o Campo Covelo, na Quinta do Covelo. A partir daí o Sport Grupo e Salgueiros começou a sua longa caminhada no futebol nacional.


Jogo com o Futebol Clube do Porto, no Covelo 

Em 1929, após o falecimento de José Covelo, o proprietário da Quinta, o novo proprietário, Manuel Pereira da Rocha Paranhos denuncia o contrato de arrendamento, pelo que o Salgueiros teve de procurar novo Campo. 
Em 1932, já sob a presidência de Mário Estrela, foi cedido ao clube um terreno na Rua Augusto Lessa onde pode construir o viria a ser chamado, mais tarde, de “Campo Engenheiro Vidal Pinheiro”.
Com a passagem dos anos, o Salgueiros, foi realizando varias remodelações naquele recinto, construindo ou ampliando as bancadas, dotando os balneários de algumas comodidades. Destaca-se também, obviamente, o arrelvamento do recinto de jogo, ocorrida no ano de 1984 ou a instalação de iluminação artificial no ano de 1999, pois aquando do advento das transmissões televisivas dos jogos de futebol obrigaram, consecutivamente, o S. C. Salgueiros a socorrer-se de outros estádios dotados com dessa facilidade. Neste período de quase 20 anos ao mais alto nível em Portugal, o Salgueiros conseguiu a sua melhor classificação de sempre, um quinto lugar em 1990/1991, que permitiu ao clube participar pela primeira e única vez nas competições europeias.
Sob orientação de Zoran Filipovic, técnico responsável pelo quinto lugar na época anterior, o Salgueiros participou pela primeira vez nas competições europeias em 1991/1992, tendo disputado a primeira ronda da Taça UEFA com o Cannes. O primeiro jogo disputou-se no Estádio do Bessa, casa emprestada do Salgueiros, e os nortenhos venceram por 1x0 a equipa francesa, pela qual se estreava na Europa um jogador chamado...Zinedine Zidane.

5.1 VIDAL PINHEIRO 
No JORNAL i, por Rui Tovar - 2012.03.13 
Vidal Pinheiro. Quem não se lembra do Vidal Pinheiro, estádio do Salgueiros e casa de momentos memoráveis, como a qualificação para a Taça UEFA ou o título de campeão nacional do Sporting, em 2000? 
Vidal Pinheiro. Quem não se lembra de Vidal Pinheiro? Corre o ano de 1918. O FC Porto é tricampeão regional, mas perde a coroa para o Salgueiros que, nessa altura, ainda é o SPS (Sport Porto e Salgueiros) e não o famoso SCS (Sport Comércio e Salgueiros) dos anos 80 e 90. 
A hegemonia dos portistas é quebrada por assuntos extradesportivos, já que mais de metade dos titulares do Porto não estão em Portugal nem a jogar futebol, mas sim na Flandres e a lutar pelo país, em plena I Guerra Mundial. Floriano Pereira salva-se, mas pior sorte tem o tenente Vidal Pinheiro, capitão do FC Porto, que é morto pelos alemães na terrível batalha de La Lys (França), a 9 de Abril de 1918. Vidal Pinheiro. Quem não se lembra de Vidal Pinheiro? A notícia da sua morte só é conhecida em Portugal no mês seguinte, em Maio, e motiva um inevitável mar de lágrimas por parte dos adeptos. Em sua memória, companheiros e amigos de Vidal Pinheiro baptizam com o seu nome o campo do Salgueiros – o tal que é campeão regional em 1918. 
Vidal Pinheiro. Está agora a ver quem é? E o que é? Ainda bem, porque há mais sobre este senhor, enterrado como herói de guerra e aclamado numa assembleia geral do FC Porto em Janeiro de 1919 para um voto de sentimento pela perda de todos os homens do desporto de qualquer nacionalidade que morrem nos campos de batalha. 
O seu nome é também o do estádio do Salgueiros, o último pelado da 1.a divisão. Já avançámos no tempo e estamos em 1982. A 13 de Março, mais precisamente. Há 30 anos, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) anuncia o adeus aos pelados e a obrigatoriedade de relvado em todos os clubes da 1.a divisão. O prazo estipulado é de duas épocas. Em 1984/85, ou há relvado ou o clube do pelado joga no campo neutro mais perto de si. Isso nunca chega a acontecer e o último resistente oficial da 1.a divisão é o Salgueiros em 1983/84, depois da dupla Alcobaça e Amora em 1982/83. Naquela época, o Salgueiros de Octávio Machado não perde nenhum dos 11 jogos, além de empatar com Sporting (1-1) e FC Porto (0-0). Já o de António Fidalgo, empossado a 19 de Fevereiro, perde 2-0 com o Benfica, graças a um bis de Diamantino. 
O último jogo é a 13 de Maio de 1984, um Salgueiros-Boavista para a 30.a e última jornada. O Salgueiros tem de ganhar e esperar pelas derrotas de Estoril (0-8 nas Antas), Penafiel (0-1 em Guimarães), Farense (0-4 em Alvalade) e Águeda (1-5 em Vila do Conde) para escapar ao play--off de manutenção/despromoção. Um golo do avançado Penteado, agora porteiro da Serralves, garante o 1-0 no Vidal Pinheiro e permite ao Salgueiros pular do 14.o lugar para o 11.o. A salvação é uma realidade, o relvado ainda não – só em Setembro de 1984, com a segunda jornada do campeonato (2-2 vs. Varzim). 

1 comentário:

  1. Olá
    Histórias do futebol portuense. Umas alegres, outras nem por isso.
    Cumprs
    Augusto

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