segunda-feira, 16 de maio de 2016

FAZENDAS QUE SE EXPORTAM PARA O NORTE - V

6.8.5 – Fazendas que se exportam para o Norte


Gabinete de provas inglês – mobiliário do séc. XV


Caves Calém – salão de provas


Modelos de garrafas de 1708 a 1812


Garrafas do séc. XVIII


Garrafas dos séculos XVII e XVIII


Vinho do Porto – 1765


Garrafeira de 1887





Garrafa antiga de aguardente



Conjunto para abrir garrafas pelo calor


Expositor da Companhia Agrícola e Comercial dos Vinhos do Porto na "Exposição Agricola e de Productos Mineraes" do Porto..
Inaugurada por el-rei D. Carlos a 17 de Agosto de 1903, a "Exposição Agricola e de Productos Mineraes" do Porto, teve lugar no "Palacio de Crystal Portuense".






“O Museu do Vinho do Porto, não é um museu da vinha e sua produção, mas do Vinho do Porto, sua actividade comercial com as naturais repercussões no desenvolvimento histórico da cidade. 
Instalado no armazém do Cais Novo, mandado construir junto à casa com o mesmo nome, por iniciativa da família duriense Pinto da Cunha Saavedra, para depósito dos vinhos pertencentes à Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, criada pelo Marquês de Pombal, a cuja direcção esta família esteve ligada desde as suas origens em 1756. 
A riqueza arquitectónica da sua construção e importância enquanto armazém de vinhos provenientes do Alto Douro e na história comercial da cidade, traduz-se num espaço por excelência para a localização do Núcleo Comercial – Museu do Vinho do Porto. 
Os mesmos armazéns foram, entre 1822 e 1872, pela insuficiência de espaço para recolha da carga dos muitos navios que afluíam à cidade, depósito da alfândega do Porto, para os géneros coloniais, passando a ser conhecidos por Alfândega de Massarelos”. In Porto XXI

O vinho do Porto – canal História

segunda-feira, 9 de maio de 2016

FAZENDAS QUE SE EXPORTAM PARA O NORTE - IV

6.8.4 – Fazendas que se exportam para o Norte



Armazéns da Sandeman – 1880


Armazéns da Real Vinícola


Roteiro turístico para visita à Real Vinícola


Lavagem da cascaria



Real Companhia Velha - caves



Fábricas de rolhas – V. N. de Gaia


Engarrafamento - 1899


Vinhos Borges & Irmão Ldª. - engarrafamento


Engarrafamento - á direita enche a garrafa, depois mete e rolha e finalmente cobre-a com capa - pela rolha parece ser espumante.


Parece-nos ver várias fases do empacotamento: transporte de vinho num almude, derramar vinho numa vasilha, encher a garrafa, limpa-la, pôr cola no rótulo, colar o rótulo, embrulhar em papel de seda e envolve-la num invólucro de palha para sua protecção.


Carpintaria dos vinhos Constantino


Encaixotamento dos vinhos Constantino



Carregamento de Vinho do Porto – Gaia


Carregando pipa – quadro de Veloso Salgado no Palácio da Bolsa


Barco de exportação de vinho – Photo Guedes - 1910 - na margem direita a alfândega


Ribeira - foto de Emílio Biel

Porto em 1912

sábado, 7 de maio de 2016

CLUBES DO PORTO - OUTROS CLUBES


Foto de João Meneres in n.º 19 do “Porto 1901-2001, Guia de arquitectura moderna”, Porto 2001 - In Do Porto e não Só

Mostrando interesse pelas duas últimas publicações sobre o futebol, o nosso habitual leitor José Fiacre, de que já inserimos uma contribuição sobre as pontes do Rio Leça em 25/3/2016, enviou-nos um estudo sobre clubes do Porto a que não nos tínhamos referido, com o seguinte mensagem:
"Apreciei os dois últimos textos inseridos no vosso blogue dedicados ao futebol na cidade.
Em tempos fiz uma pesquisa sobre clubes mais modestos da cidade, mas, igualmente com muita história, com a ajuda de alguns amigos que menciono, pelo que vos proponho para complemento a sua publicação".

É com o maior gosto que a publicamos:

Campo do Luso e Campos em Campanhã
Futebol no CAMPO DO LUSO

“Do campo do Luso, onde fui centenas de vezes, ver futebol, andebol e, especialmente, hóquei em campo, tenho milhares de “fotografias” na memória!
Algumas até, peculiares. Como a do Circo Mariano, que todos os anos pelo Natal se instalava ali, e um ano houve que um violento temporal lhe levou a cobertura de lona. Tenho bem presente o dia seguinte…
Este campo era do Sporting Nacional (fundado em 1914), clube mais dedicado às actividades náuticas, mas que não deixava de jogar o futebol, tendo mesmo comprado um terreno na Rua da Alegria onde fez um campo para a prática desse jogo, em frente ao que viria a ser mais tarde o estádio do Lima, junto à fábrica têxtil Matos & Quintans.
Por outro lado, um outro clube, o Portugal Foot Ball Club, viria em 1923 a ver a luz do dia, nascido para o futebol, tendo-se asssociado no ano seguinte ao Sport Nacional para formar o Luso Atlético Clube.
O Luso Atlético Clube passaria a jogar no campo do Luso e seria extinto em 1937.
O acesso inicial a este campo, construído antes do Lima, e que ficava encostado à fábrica Matos & Quintans, era pela viela do Seixal…”.
Memórias de Victor de Sousa
Como nota diga-se que o campo do Luso ficava em frente ao Estádio do Lima no terreno onde estão hoje umas torres de habitação.
O campo do Luso teve existência até ao levantamento dessas torres em meados da década de sessenta do século XX.
O campo era conhecido por lá se disputarem os jogos de andebol de 11 e de hóquei em campo.


No local das torres estava o Campo do Luso

Futebol em Campanhã 

“Campanhã é, nos inícios dos anos 20 do século XX, uma populosa freguesia da cidade, onde imensos bairros albergam a grande massa humana que labuta nas suas fábricas, armazéns e outras instalações industriais. Por isso a febre do futebol que, por estes anos, atravessa o país, também aqui se faça sentir. Um grupo de rapazes entusiastas, mas modestos, criam o primeiro clube organizado (?), destas bandas. Dão-lhe o sugestivo e bonito nome de Miraflor Futebol Clube. Era o nome da rua onde a maioria vivia. Mas o clube não crescia, dadas as insuficiências financeiras, e levaram outros à criação de um novo clube, que pudesse chegar ao futebol a sério. 
Nascia o Clube Desportivo de Portugal. 
Mas cedo chegou uma cisão e, por isso, os líderes das respectivas facções promovem a inscrição de cada uma delas, com o peculiar nome de Clube Desportivo de Portugal nº 1 e Clube Desportivo de Portugal nº 2! 
A Associação faz um inquérito e, conclui da justeza do direito ao nome, de cada um dos grupos, decidindo contudo que o nome só pode pertencer a um. 
Surge assim o Clube Desportivo do Porto, que joga em campo alugado na Bela Vista e o Grémio Desportivo Portuense, que jogava em campo alugado em Benjóia ou Bonjóia. Mais tarde, este seria o Clube Desportivo de Portugal dos nossos dias, nascido a 25-08-1925. 
Mas a rivalidade acentua-se entre estes 2 únicos clubes, existentes nesta populosa freguesia. 
Os clubes passam a ser conhecidos pelos favaios ou azeiteiros, numa clara alusão ao negócio dos seus presidentes: o sr. Couto do Desportivo do Porto vendia este excelente aperitivo, e o senhor Nogueira do Desportivo de Portugal, era negociante de azeites. 
Entretanto, surgiria em 1935 um novo clube na freguesia, O Faísca, clube dos empregados da UEP (União Eléctrica Portuguesa), e com sede na Rua do Freixo (vinha fazer companhia ao Clube dos Ferroviários de Campanhã, mais ligados a outros desportos, e com o futebol nos corporativos, que jogava no campo de Vila Meã, no fim da Rua do Godim, hoje ocupado pela Via de Cintura Interna, depois de atravessar a linha férrea).
Mas o Faísca cresce, com o apoio da empresa a que está ligado e, o seu presidente, compra o alugado campo do Desportivo do Porto, o campo da Bela Vista. 
O Clube Desportivo do Porto tem de mudar de casa. Aluga um terreno que adapta, na rua Nau Trindade, e em 1937 atribui-lhe o nome de um seu atleta falecido: Joaquim Soares Martins. Este recinto será posteriormente usado pelo Bonfim Futebol Clube, clube entretanto fundado, em 21-08-1932 e que em 1946/47 chega aos distritais. 
Mas o agora campo do Faísca passa a ter um uso diversificado, pois logo em 1936 o Sport Clube do Porto joga ali o seu hóquei em campo. Hoje, o recinto do jogo ainda lá está intacto, à espera duma daquelas urbanizações sem verde, em que a cidade é fértil”. 
Com a devida vénia a Vitor Sousa in futebolsaudade-victor.blogspot.


Antiga entrada do Campo da Bela Vista pela Travessa da Fonte Velha

“O campo da Belavista ainda lá tem o chão intacto. Há muito pouco tempo, ainda parte do acesso estava visitável. Entretanto os proprietários vedaram a zona, que está cheia de mato. O acesso fazia-se pela travessa da Fonte Velha, que o arruamento que liga São Roque da Lameira à Alameda 25 de Abril cortou. 
Descendo aquela travessa, hoje cortada pela Avenida 25 de Abril, íamos dar à travessia da linha do comboio, onde hoje está uma estação do metro que nunca funcionou (Benjóia), e do outro lado, estava a entrada para o campo do Ferroviários. O nome oficial do campo era engenheiro Sousa Pires, embora por vezes, nos jornais da época, também lhe chamassem campo de Benjóia (Bonjóia para alguns). Outros preferiam chamar-lhe campo de Vila Meã. 
Deste não sobra nada, já que a auto-estrada lhe passou por cima. Literalmente”. 
Memórias de Victor Sousa 
O Grupo Desportivo dos Ferroviários de Campanhã (G.D.F.C.) foi fundado em 1930, nas Ex- Oficinas Gerais da CP, junto à estação de Porto – Campanhã. 
Tem estatutos publicados no Diário do Governo, II série nº 277, de 27 de Novembro de 1943. 
Possuiu um parque de jogos próprio em 1940, perto do Bairro do Monte da Bela e junto à Quinta de Vila Meã, com campos de futebol, de basquetebol, de andebol, e ainda, uma modesta, mas apresentável sede social. Essas instalações fazem hoje parte da história e são uma saudade desde 1990, altura em que foram demolidas na sequência da grande transformação operada na área ferroviária adjacente à estação de Campanhã, que incluiu a construção de rodovias, nomeadamente a Via de Cintura Interna da cidade do Porto. Desde 1990 o G.D.F.C. funciona no Complexo Oficinal de Guifões em Matosinhos, com sede mais propriamente na Rua do Ferroviário, s/nº – Gatões-Matosinhos. 
O G.D.F.C. conta no seu historial com dezenas de títulos de Campeão Nacional e Regional nas modalidades de Atletismo, Futebol, Futsal, Pesca, Ténis de Mesa, Voleibol, e com destaque para o Basquetebol e Andebol (de onze e de sete). 


Localização dos campos do Bela Vista e de Vila Meã

Legenda:
1. Campo da Bela Vista
2. Campo do Ferroviários, de Vila Meã, Engº Sousa Pires ou de Benjóia
3. Avenida 25 de Abril
4. Via de Cintura Interna
5. Via Férrea 


Campo Rui Navega na Rua Pinheiro de Campanhã 

Na foto acima a entrada do Campo Ruy Navega, do qual, o Clube Desportivo de Portugal há anos faz a sua casa, após a demolição do campo de Vila Meã invadido pela Via de Cintura Interna, onde jogava habitualmente. 
O campo Ruy Navega foi recinto desportivo do Grupo Desportivo da Esmaltagem Mário Navega, que jogava no Campeonato Corporativo, tendo chegado a representar Portugal, no campeonato Peninsular defrontando em Espanha o respectivo campeão corporativo. 
Bem dotado para época das infra-estruturas necessárias, tinha adstrito um recinto para a prática do Basquetebol e Voleibol e tinha ainda iluminação artificial para a prática desportiva nocturna.
Mário Navega era pai de Rui Navega.


Notícia da época sobre o campo Rui Navega 
O texto acima foi impresso no Boletim do Grupo Desportivo Esmaltagem Mário Navega de 1960, com a particularidade de que era visado pela comissão de censura. 

O Grupo Desportivo Esmaltagem Mário Navega orgulhou-se de possuir as melhores, mais modernas e mais bem apetrechadas instalações de todos os agrupamentos desportivos corporativos portugueses de então. O seu campo de futebol era electrificado com bancada coberta e uma bancada descoberta devidamente demarcado para a prática também de Voleibol e Basquetebol, na Rua Benjóia. O piso do campo foi então levantado na altura com as máquinas da Camara Municipal do Porto, e trabalhava-se de dia e noite numa ânsia de possuir o melhor campo nacional ao serviço do desporto corporativo. Foram para além de inumeras actividades de outro cariz, Campeões Regionais de Futebol 9 vezes e Campeões Nacionais de Futebol por 3 vezes.
Mário Navega foi o grande impulsionador deste projecto, para além de ser sócio gerente era também o Presidente da Direcção do Grupo Desportivo Esmaltagem Mário Navega, teve a designação corporativa de CAT - Centro de Alegria no Trabalho nº 227, que lhe foi imprimida pela FNAT desde 03 de Dezembro de 1948. Conforme esta designação o indica o CAT visava a proporcionar aos trabalhadores uma derivação recreativa, cultural e desportiva á margem das suas horas do trabalho profissional.
Trabalho, Recreio e Descanso eram a trilogia do progresso social. In http://bsjoao.com/
“A empresa tinha uma equipa de futebol que impressionava, era formada por trabalhadores que disputavam provas denominadas por campeonatos, creio, do Inatel. Essa equipa era o Grupo Desportivo de Esmaltagem Mário Navega que jogava no, hoje muito maltratado pelado do campo com o mesmo nome em Campanhã. Da varanda da casa que habitava tinha uma vista total sobre o campo. 
Grandes jogadores na época, cuja, maioria não abandonavam o clube, porque a fábrica lhes permitia um melhor futuro, casos do guarda-redes, Agostinho, Teixeira, Matos, Silva, Carriço, Fernandinho, Feijão que faleceu ainda jovem e outros que me falham. Assisti a jogos estupendos como aqueles em que o então adversário era a Companhia dos Telefones de Lisboa, assistências em número tal que hoje fariam inveja a alguns clubes ditos profissionais”.  In http://bsjoao.com/
“O Campo Ruy Navega seria ainda, a “casa” do Académico FC para os seus jogos de Hóquei em Campo, após o uso do Campo do Luso e do Estádio do Lima, já nos seus derradeiros anos.
Este recinto, propriedade da Fábrica de Esmaltagem da família Navega, para uso dos seus colaboradores, foi disponibilizado ao Académico pelo grande academista e seu presidente nos anos 1932/34 e 1965/72, para o clube aí realizar os seus jogos de Futebol e Hóquei em Campo, após Lima”. Com a devida vénia a José Manuel Carvalho

____________________________________________________________


E decidimos terminar este lançamento com uma "charge" político-desportiva de Arnaldo Leite sobre 1910:


In O Tripeiro, série V, Ano VI

quarta-feira, 4 de maio de 2016

AS ORIGENS DO FUTEBOL NA CIDADE DO PORTO - II

2. SPORT PROGRESSO - CAMPO DO AMEAL


Propriedade do Club Sport Progresso, uma colectividade da freguesia de Paranhos, foi utilizado pelo FC Porto em vários jogos, nas décadas de 1920 e 1930. O Amial, como então se escrevia, era um dos mais bonitos recintos desportivos da época, com modelares balneários e um relógio monumental, tendo igualmente servido de palco para jogos da selecção portuguesa. Foi ganhando o seu espaço na história portista à medida que o Campo da Constituição se revelava demasiado exíguo para a afluência crescente de adeptos aos grandes desafios. Até à realização do sonho do Estádio das Antas, o Campo do Ameal partilhou momentos de glória azul e branca com o Estádio do Lima. 
No Diário de Notícias de 7 de Março de 2008 pode ler-se: “Corria o mês de Agosto de 1908 e numa esquina do antigo largo da Arca de Água, no Porto, realizava-se uma reunião ultra- secreta. Um grupo de sócios e jogadores do Élite Foot-ball Clube, descontentes com o rumo que a colectividade seguia, resolveram fundar um novo clube: chamaram- -lhe Sport Progresso. E nesse longínquo dia, há cem anos atrás, nem imaginavam o rol de peripécias que lhe estava reservado: foi extinto por simpatizantes dos adversários, perdeu metade do estádio e conquistou um elemento de peso, um frade franciscano com jeito para o futebol e uma grande dedicação ao clube. Pelo meio, ganhou títulos em várias modalidades que com o tempo acabaram por desaparecer. 
Antes de terem estádio, os progressistas usavam o Largo da Arca de Água para os treinos e jogos, até que a Câmara decidiu transformá-lo num jardim. Um rude golpe que os obrigou a meter mãos à obra na construção de uma infraestrutura própria. 
Inaugurado em 1923, o Estádio do Amial, considerado na altura um dos melhores da Europa, era uma obra majestosa. Conta a actual direcção progressista que alguns sócios do Futebol Clube do Porto começaram a não gostar muito de ver o Progresso voar alto e arranjaram maneira de o extinguir. 
Em 1934, militava o clube na 1.ª divisão da Associação de Futebol do Porto, alguns adeptos do FC Porto "fizeram-se sócios do Progresso e numa Assembleia decidiram a extinção", conta o padre Avelino Amarante, presidente da Assembleia-Geral do Progresso. Não conformados, os progressistas conseguiram pôr de novo o clube de pé, mas, em breve, novos imprevistos aconteceriam na vida do clube. 
O Estádio do Amial, construído num terreno alugado, em 1928, passou a ser herança de dois irmãos Andrade, um adepto do Progresso e outro adepto do FCP. Aquando duma zanga, dividiram o terreno entre ambos destruindo aquele que era o maior e melhor campo relvado da península à data. O Estádio do Ameal ficava na Arca d´Água, junto ao colégio Luso-Francês, esquina da Rua Carlos Ramos (Viela do Amial) e Coronel Almeida Valente (Travessa do Amial).
Algum tempo mais tarde, o senhorio exigiu a devolução total do terreno, destruindo-se assim o recinto que foi palco de vários jogos internacionais, incluindo um Portugal-Itália onde, caso raro, a equipa das Quinas levou a melhor. No terreno surgiu depois uma fábrica de confecções em pergamoide – Francisco F. d’Almeida, Herdºs, Lda e um Bairro Camarário.
Com muito sacrifício e dificuldade, abalançou-se o clube a encontrar alternativas, que surgem em 1947. Com a ajuda da Federação, consegue o Progresso instalar ainda na rua do Amial, mas agora do outro lado da Circunvalação. Longe das origens em Paranhos, mas ainda na cidade.
Com o passar dos anos, o Progresso foi perdendo as modalidades, mas sem nunca desistir. Resta agora o futebol jovem e, em termos de séniores, um lugar na I Divisão Regional. Apesar de centenário, o Progresso aposta na juventude como forma de, no futuro, recuperar alguma da glória do passado”.

3. O Académico Futebol Clube e o Estádio do Lima


O Académico Futebol Clube foi fundado em 15 de Setembro de 1911 por José Neves Eugénio, que na altura tinha apenas 14 anos e era estudante no Liceu Alexandre Herculano. Juntou alguns colegas e a estreia oficial do clube foi em 1914.
"A associação começou por se chamar apenas Grupo de Estudantes e só ao fim de dois ou três anos adoptou o nome definitivo", diz Helder Pacheco, segundo o qual, ao contrário da Académica coimbrã, o Académico portuense nunca teve ligação oficial com a academia. "O clube limitava-se a ceder espaço para a prática desportiva dos estudantes", nota. 
O futebol foi, nos primeiros tempos, a principal modalidade do Académico, praticado em campos que foram existindo em vários locais da cidade (Arca de Água, Ramalde, Campanhã...). A vitória numa das primeiras competições realizadas no Porto acabou por ter tradução na conquista de muitos adeptos para o clube. De tal modo que, na década de 1920, a agremiação alugou à Misericórdia os terrenos de uma quinta que pertencera a João António de Lima, um brasileiro de torna-viagem.
Em 1923 procede, então, ao arrendamento à Santa Casa da Misericórdia do Porto, da Quinta do Lima, onde vai ser construído o seu complexo desportivo. A capacidade e o espírito empreendedor dos seus orientadores e da sua massa associativa, levaram então ao início da construção do Estádio do Lima. O campo de Futebol - que viria a ser, em 1937, o primeiro relvado a nível nacional - era rodeado por duas pistas: a de Atletismo, em cinza e a de Ciclismo em cimento. Em 1927 ampliaram-se as instalações nos terrenos junto ao estádio e à sede social: campos de Ténis, jardins de recreio, parque de Campismo e Ginásio, completavam assim a grandiosa obra. O seu primeiro sócio foi José Carlos Gouveia, nascido em 1916 e sócio desde 1930.
"O Campo do Lima era uma espécie de catedral do desporto português", acrescenta Helder Pacheco (Público, 2011.01.13). Para além do rectângulo relvado, contava com uma pista de atletismo e um velódromo, no qual, durante vários anos, arrancava e terminava a Volta a Portugal em Bicicleta. O mítico Ribeiro da Silva (vencedor em 1955 e 1957) era, então, o ás do pedal que corria com as cores da casa.
A crescente profissionalização do futebol e do ciclismo, a que o Académico não conseguiu dar resposta, e, depois, a expansão da cidade do Porto até à zona das Antas, acabaram por conduzir o clube, na década de 1950, a uma situação de declínio e à quase extinção. "Perdeu o campo de jogos, as secções de futebol e de ciclismo acabaram, mas o clube foi capaz, depois, de se reinventar, dedicando-se às modalidades de pavilhão e continuando fiel a duas ou três causas: o amadorismo, a ocupação dos jovens e o serviço a uma zona da cidade", diz Helder Pacheco.


O Estádio do Lima

Face às condições precárias do Campo da Constituição, o Lima foi utilizado para jogos do FC Porto em diversas ocasiões, sobretudo na década de 1940. De entre os encontros particulares aqui disputados, destaca-se o jogo entre FC Porto e Arsenal, em 1948, que terminou com um triunfo portista por 3-2.

4. O BOAVISTA FOOTBALLERS – O BOAVISTA FUTEBOL CLUBE


Harry e Dick Lowe, juntaram alguns amigos e uniram forças com os empregados da fábrica de William Graham. Encontrados os companheiros e o terreno adequado, na Rua do Campo Alegre, no Clube Inglês, lançaram as bases para a criação do clube, cuja direcção era composta por um punhado de ingleses e pelos portugueses Pedro Brito e Maximiano Pereira: “The Boavista Footballers”, fundado a 1 de Agosto de 1903. 
A Influência inglesa na colectividade recebeu "sentença de morte" em 1909, quando alguns dos jogadores britânicos, respeitando os preceitos da Igreja anglicana, se recusaram a jogar aos domingos. Reuniram-se então os sócios para resolver a situação, naquela que se pode considerar a primeira assembleia-geral. A votação foi ganha pelos empregados portugueses, o que levou à saída de muitos ingleses e ao fim dos subsídios da William Graham. O rosto da Direcção do clube alterou-se, passando a ser composta por portugueses. Em 1910, o Boavista Footballers desapareceu para dar lugar ao Boavista Futebol Clube.


O Boavista jogava então nos terrenos de Cristiano Van Zeller, onde irá funcionar o Centro Hípico, com entrada pela Rua dos Vanzeleres (hoje João de Deus), mas mudar-se-ia de armas e bagagens, para um terreno fronteiro na Rua de Tenente Valadim, propriedade do solicitador 
António da Costa Mascarenhas, seu primeiro Presidente, onde nasceria o seu Campo do Bessa, como ficou conhecido. 
Estava consumada a cisão: a instituição do calção branco e camisa preta e a inauguração oficial do primeiro campo pelado do Bessa (11 de Abril de 1910) são os primeiros indicadores da transformação do The Boavista Footballers em Boavista Futebol Clube. 
Em 11 de Abril de 1910, foi inaugurado o campo do Boavista, ao Bessa. Presidiu ao festival o ilustre comandante da Guarda Municipal. O Porto elegante desse tempo, compareceu no Bessa, pelo desejo de assistir pela primeira vez a um jogo de futebol. A colónia inglesa representada em elevado número juntou-se aos seus amigos portugueses do Boavista. Para início da grande festa, apresentaram-se em campo as equipas do Boavista e do Leixões. Deu o pontapé de saída o Sr. António da Costa Mascarenhas, proprietário e presidente do campo inaugurado. Assistiram ao encontro cerca de duas mil pessoas, considerado na altura número de presenças recorde. O resultado seria um empate a três bolas. Integrado neste programa, realizaram-se ainda várias provas de atletismo e, à noite, num hotel, foi servido o banquete…” 
Com o tempo, as bolas deixaram de ser importadas, os árbitros já não eram tratados por "referee", a falta ganhou espaço ao "free kick", e o "match" passou a ser simplesmente jogo. Veja-se, por exemplo a constituição da equipa antes (Harry Lowe, Joaquim Ferreira, Andersen, Dick Lowe, Stuary Owen, Richard Lowe, Ângelo Seixas, John Jones, Manuel Ribeiro da Silva, Francisco Bastos e Percy) e depois (Maximiano Pereira, Manuel Morais, Henrique Faria, José Gomes Sobral, José Augusto Correia, Gilberto Silva, Manuel Barreira, Pedro Brito, Richard Lowe, Nunes e Carlos Fernandes) do corte de relações. Os "hurrahs", esses teimavam em fazer-se ouvir a cada "shoot" mais impressionante. 
Ao domingo, o cenário registado no Boletim do Boavista repetia-se: "O aspecto do vasto terreno arrelvado (?) era encantador. Esplêndido dia de sol que convidava os aficionados a passarem umas horas ao ar livre, contemplando os exercícios físicos mais em voga. Não faltavam as gentilíssimas damas com as suas toilletes claras, imprimindo ao acto um cunho de distinção e alegria". 
Apoiado por boas famílias da Boavista e da Foz do Douro, tomou a dianteira do futebol portuense. São desses primeiros anos os primórdios da rivalidade com o Académico do Porto, o Leixões, o Salgueiros e, claro, o FC Porto. E não surpreendeu que tenha sido o primeiro Campeão do Porto em 1914. Os anos seguintes marcariam a ascensão dos rivais azuis e brancos, e o troféu nunca mais voltaria às vitrinas do Bessa. 
Durante os anos 20 e 30, apesar das participações regulares no Campeonato do Porto e no Campeonato Nacional, o Boavista nunca venceu nenhum campeonato. Acabando por só marcar uma presença no Campeonato da I Liga em 1936, onde ficou num sexto lugar entre oito equipas. No ano seguinte conquistaria o Campeonato da II Liga, naquele que foi primeiro título nacional dos boavisteiros, 
As camisolas voltaram a assunto do dia nos anos 1920, com o aparecimento do calção branco, mas ainda não seria desta que a equipa encontrava a sua identidade. A nova década trouxe ventos de bonança e o clube ampliou o número de modalidades e intensificou a actividade internacional, disputando vários jogos com clubes estrangeiros que demandavam ao Porto, casos do Real Madrid, Celta de Vigo ou Vasas de Budapeste. E os jogadores boavisteiros passaram a ser chamados à selecção, como o guardião Casoto e o defesa Óscar de Carvalho. 
Com tanto positivismo, a cor negra e fúnebre das camisolas começou a incomodar muita gente. O Boavista equipou às riscas verticais pretas e brancas e calção preto, mas ainda não estava bem. O preto continuava demasiado dominante e chegou-se então ao extremo. Do sombrio passou ao berrante, com ostentação, em 1928, de uma camisola com riscas verticais vermelhas, brancas e azuis, um calção preto e meias às riscas horizontais brancas e pretas.
A mudança não agradou a ninguém e mereceu muitos comentários irónicos da Imprensa. Então, o Presidente Artur Oliveira Valença foi ver as modas a França e regressou obstinado a fazer mais uma alteração no visual do Boavista. O presidente, um homem de admirável bagagem cultural, fundador do jornal desportivo "Sports" e promotor de espectáculos desportivos, observou uma equipa francesa que alinhava com camisola xadrez. Como a mesma correspondia às cores preto e branco do seu clube, resolveu copiar o modelo.


Fotografia aérea de 1939 – Campo do Bessa – Realça-se a entrada para a Rua Tenente Valadim, ainda hoje existente, muito estreita e entaipada e a entrada, de favor, para a Avenida da Boavista. Do outro lado da Rua Tenente Valadim o terreno de Cristiano Van Zeller onde funcionou o Centro Hípico. 
O Boavista Futebol Clube adopta para seu símbolo um escudo, rectangular, cujo campo é formado por treze pequenos quadrados pretos e doze brancos, dispostos em xadrez, encimado por uma faixa, também de cor preta, com as iniciais B.F.C., em branco, e uma coroa dourada, igual à que era usada no antigo brasão da cidade, ladeado por dois ramos de palma e circunscrito na parte inferior por uma faixa amarela com o número 1903. (artº. 5º.-Cap.II dos Estatutos do Boavista F.C.) 
Começou aí a história aos quadradinhos do Boavista. O dia 29 de Janeiro de 1933 é como um segundo nascimento da colectividade. Em 1933, o Boavista resolveu transformar-se no primeiro clube português profissional. 
Na década de 40, após a presidência de Fernando Maurício Moreira, o clube enfrentou uma grave crise, chegando a descer às competições regionais na época de 1965/66. Só à entrada para os anos 70, com Olímpio Magalhães na presidência, é que o Boavista começou a criar as bases sólidas para o seu crescimento. Na época de 67/68 quando o clube disputava a 1ª 
Divisão distrital, Olímpio de Magalhães assumiu o comando da comissão administrativa levando-o à 2ª divisão. Mais tarde (1968) viria a abandonar o Direcção para apostar na criação de um novo estádio junto com um leque de pessoas que o apoiavam nesta vontade. Feita a compra dos terrenos em 1970 logo viriam a iniciar-se as obras, que se concluíram em 1972. Junto com a inauguração surgiu a homenagem constituída por uma placa, da lavra do escultor Henrique Moreira. "Sonhou, prometeu e cumpriu".
Na temporada de 1968/69, o Boavista assegurou o regresso definitivo ao primeiro escalão, e, em 1975, a equipa ergueu a sua primeira Taça de Portugal, com José Maria Pedroto assessorado por António Morais e Hernâni Gonçalves, registando no ano seguinte um segundo lugar no campeonato, dois pontos atrás do Benfica de Mário Wilson.
O Boavista sagrou-se Campeão Nacional de futebol na Época 2000 / 2001. Foi Vice-Campeão Nacional em 1998/1999 e 2001/2002. Participou nesse período por 3 vezes na Champions League. Alcançou também as meias-finais da Taça UEFA na época 2002 / 2003. Venceu uma Taça de Portugal (1996/1997) e uma Supertaça de Portugal (1997/1998).

5. O SALGUEIROS – SPORT GRUPO, PORTO, COMÉRCIO E SALGUEIROS


Decorria o ano de 1911, e um grupo de amigalhaços, o Joaninha (João da Silva Almeida), o Aníbal Jacinto e o Antenor, depois de assistirem a um Porto-Benfica no Campo da Rainha, reuniram-se e resolveram fundar um clube de futebol. Embora parecendo um impulso de euforia após um Porto-Benfica, de facto, junto do candeeiro 1047, entre as ruas da Constituição e Particular de Salgueiros, junto à Fábrica com o mesmo nome (daí o nome do Clube), nasce o sonho de um grupo de rapazes, e que começou a ganhar forma e daí nasceu o Sport Grupo e Salgueiros, esse mítico Clube da Cidade Invicta.
Em 1912, foi constituída a primeira direção do Sport Grupo de Salgueiros, que integrava Joaquim Couteiro, João da Silva Almeida, conhecido na história do clube como Joaninha, Aníbal Jacinto, Manuel Diogo, Floriano Pereira e o pintor Henrique Medina.
Embora já houvesse nome, era necessário dar forma à equipa! Com muita carolice, todas as noites após o trabalho e o jantar, os "rapazes" reuniam-se debaixo do candeeiro 1047 para debater e acertar ideias, e começar a construir o clube.
O Clube oficializa-se com os primeiros jogos, mas era necessário arranjar dinheiro para comprar camisolas e umas botas para os jogadores. Estava-se próximo do Natal de 1911 e os "rapazes" lembraram-se de organizar um grupo de Boas Festas e foram cantar as janeiras aos vizinhos de porta em porta, estendendo o boné! Angariaram a modesta quantia de 2.800 reis, o que lhes permitiu comprar a primeira bola de futebol.
Bola já havia, mas faltavam as camisolas. Ficou decidido que estas seriam vermelhas, tal como as do Benfica, distanciando assim do futuro rival que vestia de azul e branco, o FC Porto. Seria então de vermelho, vermelho cor de sangue e paixão que seriam as camisolas do Sport Grupo e Salgueiros até aos dias de hoje.


“Joaninha” (João da Silva Almeida), Aníbal Jacinto e Antenor

O primeiro campo seria na Arca d’Água, num terreno cedido pela Câmara Municipal, onde o clube teve como primeiros adversários o Sport Progresso, o Carvalhido Football Clube entre outros. Na época de 1916/17 o clube ostentava a designação de Sport Porto e Salgueiros, esta mudança de nome deve-se a uma questão de orgulho. Em 1918 foi impedido de participar nas provas da Associação de Futebol do Porto por não ter as medidas estabelecidas nos regulamentos. Foi o ano em que se temeu pelo fim do clube, pois o futebol foi suspenso e os jogadores saíram para outros emblemas.
Foram dois anos de interregno do Salgueiros, que regressou em 1920 ao fundir-se com outro clube da cidade do Porto, o Sport Comércio. Surgiu então o Sport Comércio e Salgueiros. O primeiro presidente, António Botelho, percorreu então a cidade à procura de um terreno para construir o campo do clube. Em Fevereiro de 1922 inaugura o Campo Covelo, na Quinta do Covelo. A partir daí o Sport Grupo e Salgueiros começou a sua longa caminhada no futebol nacional.


Jogo com o Futebol Clube do Porto, no Covelo 

Em 1929, após o falecimento de José Covelo, o proprietário da Quinta, o novo proprietário, Manuel Pereira da Rocha Paranhos denuncia o contrato de arrendamento, pelo que o Salgueiros teve de procurar novo Campo. 
Em 1932, já sob a presidência de Mário Estrela, foi cedido ao clube um terreno na Rua Augusto Lessa onde pode construir o viria a ser chamado, mais tarde, de “Campo Engenheiro Vidal Pinheiro”.
Com a passagem dos anos, o Salgueiros, foi realizando varias remodelações naquele recinto, construindo ou ampliando as bancadas, dotando os balneários de algumas comodidades. Destaca-se também, obviamente, o arrelvamento do recinto de jogo, ocorrida no ano de 1984 ou a instalação de iluminação artificial no ano de 1999, pois aquando do advento das transmissões televisivas dos jogos de futebol obrigaram, consecutivamente, o S. C. Salgueiros a socorrer-se de outros estádios dotados com dessa facilidade. Neste período de quase 20 anos ao mais alto nível em Portugal, o Salgueiros conseguiu a sua melhor classificação de sempre, um quinto lugar em 1990/1991, que permitiu ao clube participar pela primeira e única vez nas competições europeias.
Sob orientação de Zoran Filipovic, técnico responsável pelo quinto lugar na época anterior, o Salgueiros participou pela primeira vez nas competições europeias em 1991/1992, tendo disputado a primeira ronda da Taça UEFA com o Cannes. O primeiro jogo disputou-se no Estádio do Bessa, casa emprestada do Salgueiros, e os nortenhos venceram por 1x0 a equipa francesa, pela qual se estreava na Europa um jogador chamado...Zinedine Zidane.

5.1 VIDAL PINHEIRO 
No JORNAL i, por Rui Tovar - 2012.03.13 
Vidal Pinheiro. Quem não se lembra do Vidal Pinheiro, estádio do Salgueiros e casa de momentos memoráveis, como a qualificação para a Taça UEFA ou o título de campeão nacional do Sporting, em 2000? 
Vidal Pinheiro. Quem não se lembra de Vidal Pinheiro? Corre o ano de 1918. O FC Porto é tricampeão regional, mas perde a coroa para o Salgueiros que, nessa altura, ainda é o SPS (Sport Porto e Salgueiros) e não o famoso SCS (Sport Comércio e Salgueiros) dos anos 80 e 90. 
A hegemonia dos portistas é quebrada por assuntos extradesportivos, já que mais de metade dos titulares do Porto não estão em Portugal nem a jogar futebol, mas sim na Flandres e a lutar pelo país, em plena I Guerra Mundial. Floriano Pereira salva-se, mas pior sorte tem o tenente Vidal Pinheiro, capitão do FC Porto, que é morto pelos alemães na terrível batalha de La Lys (França), a 9 de Abril de 1918. Vidal Pinheiro. Quem não se lembra de Vidal Pinheiro? A notícia da sua morte só é conhecida em Portugal no mês seguinte, em Maio, e motiva um inevitável mar de lágrimas por parte dos adeptos. Em sua memória, companheiros e amigos de Vidal Pinheiro baptizam com o seu nome o campo do Salgueiros – o tal que é campeão regional em 1918. 
Vidal Pinheiro. Está agora a ver quem é? E o que é? Ainda bem, porque há mais sobre este senhor, enterrado como herói de guerra e aclamado numa assembleia geral do FC Porto em Janeiro de 1919 para um voto de sentimento pela perda de todos os homens do desporto de qualquer nacionalidade que morrem nos campos de batalha. 
O seu nome é também o do estádio do Salgueiros, o último pelado da 1.a divisão. Já avançámos no tempo e estamos em 1982. A 13 de Março, mais precisamente. Há 30 anos, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) anuncia o adeus aos pelados e a obrigatoriedade de relvado em todos os clubes da 1.a divisão. O prazo estipulado é de duas épocas. Em 1984/85, ou há relvado ou o clube do pelado joga no campo neutro mais perto de si. Isso nunca chega a acontecer e o último resistente oficial da 1.a divisão é o Salgueiros em 1983/84, depois da dupla Alcobaça e Amora em 1982/83. Naquela época, o Salgueiros de Octávio Machado não perde nenhum dos 11 jogos, além de empatar com Sporting (1-1) e FC Porto (0-0). Já o de António Fidalgo, empossado a 19 de Fevereiro, perde 2-0 com o Benfica, graças a um bis de Diamantino. 
O último jogo é a 13 de Maio de 1984, um Salgueiros-Boavista para a 30.a e última jornada. O Salgueiros tem de ganhar e esperar pelas derrotas de Estoril (0-8 nas Antas), Penafiel (0-1 em Guimarães), Farense (0-4 em Alvalade) e Águeda (1-5 em Vila do Conde) para escapar ao play--off de manutenção/despromoção. Um golo do avançado Penteado, agora porteiro da Serralves, garante o 1-0 no Vidal Pinheiro e permite ao Salgueiros pular do 14.o lugar para o 11.o. A salvação é uma realidade, o relvado ainda não – só em Setembro de 1984, com a segunda jornada do campeonato (2-2 vs. Varzim).