segunda-feira, 17 de julho de 2017

CERCO DO PORTO VI

8.1.11 – Cerco do Porto - Carta Topographica das linhas do Porto, Defesas da Serra do Pilar, Marquês de Sá da Bandeira, Lutas pela posse da Serra do Pilar


Entrada do Douro – Eduard Belcher – 1833


Carta Topographica das linhas do Porto - Levantada e publicada pelo Coronel Moreira” – 1833 – desde a barra à zona do Freixo


Abaixo transcrevemos a “Descripção Histórica” que se encontra inserida na Carta Topográphica. Trata-se de um texto militar muito rico e descritivo e que achámos do maior interesse: 
“O exército Constitucional que bravamente sustentou o sítio do Porto estava circunscrito a uma pequena linha formada por valados, pipos, leiras e muros irregularmente delineados interrompida pela falta de braços, de meios e tempo. Apoiou-se esta linha pelo lado do Mar, no pequeno posto do Farol da Luz ocupando alturas favoráveis pelos fortes do Pinhal e Pasteleiro e baterias do Monte Pedral e Congregados; formadas estas de pedras soltas sem fossos e sem golas. Nos memoráveis dias 5 e 25 de Julho de 1833, não havia para guarnecer linhas, mais que 10.000 bravos divididos em quatro distritos e o 1º. (á direita) sustentado pelo 3 de Infantaria, 12 de Caçadores e um batalhão nacional fixo. O 2º. Pelo 18 de Infantaria, 5 de Caçadores e um batalhão de Voluntários da Raínha. O 3º. pelo 3 de Infantaria e corpos de franceses e belgas, o 2º. Nacional Móvel e dois de ingleses e escoceses. A maior parte da cavalaria, que não chegava a 150 cavaleiros estava do lado do Mar, havendo em reserva no centro 200 lanceiros, com alguns contingentes de infantaria. Os dois outros Batalhões Nacionais, fixo e móvel, estavam em diferentes pontos da linha e o dos Funcionários Públicos no Carvalhido. Não havia mais que três meias brigadas d’Artilharia Volante, além da de Posição. A linha da margem Norte do Douro formava o 3º. Distrito, de fracas baterias em adros de Igrejas e terraços, com barricas singelas ou revestimento de tábuas, sem capacidade de jogar a artilharia. A Serra do Pilar formidável pela natureza do lugar, fortificou-se debaixo de fogo do inimigo circundando com fracos muros nas sinuosidades do terreno em volta do Convento formando baterias pouco sólidas, oferecendo a oportunidade da brecha que o inimigo teve a fraqueza de não montar. Tal foi a bravura dos homens que defenderam e (?) do Porto eram voluntários de Vila Nova e destacamentos que dificultosamente atravessavam o Douro.
A linha dos rebeldes formava em volta do Porto uma curva em redentes e ressaltos de perto de 4.000 braças, quere dizer, mais de cinco léguas de extensão apoiada no Mar pelos fortes de Castro, Ervilha e Serralves em formidáveis posições, construídas a grandes perfis bem concebidas e bem providas, abrangia as povoações, muros e casas com parapeitos com 14 palmos fossas de 12, bem apoiada na esquerda do Douro tendo do Sul deste rio encristando as alturas com imensas baterias de morteiros, obuses e grossos canhões, além de muitos Parques volantes, com que feriram de revés as posições dos Liberais e abraçavam a cidade do Porto, que por todo o lado comandavam. Finalmente nas duas citadas acções de 5 e 25 de Julho que decidiram abandonarem o sítio do Porto o Marechal Beaumont (?) podia dispor de 55.000 rebeldes contra 10.000 Constitucionais que no dia 29 de Setembro não excediam 6.000 comandados pelo Imortal Duque de Bragança Regente em nome de D. Maria 2ª
DE ORDEM DE S.M.I.,
Levantada e publicada pelo Coronel Moreira”.

Esta descrição, feita por um militar liberal, mostra-nos as insuficiências das forças liberais e a grande superioridade das absolutistas, em número e em material, o que nos leva a concluir que, ou os absolutistas estavam tão certos da victória que não se empenharam na luta, ou foram muito mal comandados, ou, ainda, que os militares liberais foram verdadeiros heróis em favor da sua causa.


Gravura do Barão de Forrester - Antes de 1832


In O Tripeiro – Série VI, Ano V


Portal em pedra que foi da Capela do Carvalhinho e hoje está no Seminário Maior do Porto


Pormenor do mapa de Telles Ferreira - 1892

A cidade do Porto incluiu até 1834 a parte de Vila Nova de Gaia que vai do Douro até à R. do Marquês de Sá da Bandeira e Largo dos Aviadores, incluindo a Serra do Pilar.


Bernardo de Sá Nogueira, Marquês de Sá da Bandeira – 1795-1876

Durante o cerco do Porto os Miguelistas tentaram tomar o reduto da Serra do Pilar, mas os chamados “Polacos”, sob o comando de Bernardo Sá Nogueira não o permitiram, defendendo-o energicamente. Este, depois feito Marquês de Sá da Bandeira, foi ferido no braço direito na batalha que decorreu no Alto da Bandeira (actual Largo dos Aviadores). Levado para o Hospital militar, sedeado no palacete da família Guedes da Aveleda na Batalha, foi-lho amputado e enterrado junto de uma árvore do jardim. Os valentes soldados que resistiram foram chamados de “Polacos” em honra dos que heroicamente defenderam Varsóvia na guerra contra os Russos.


Defesas da Serra do Pilar durante o Cerco do Porto - desenho do Barão de Forrester



James Holland – 1838 – Mosteiro da Serra do Pilar ainda com vestígios do cerco do Porto



Serra do Pilar - Foto de Frederick Flower – 1849/1859



Perfil das defesas liberais na Serra do Pilar


In O Tripeiro, Volume I

segunda-feira, 10 de julho de 2017

CERCO DO PORTO V

8.1.11 – Cerco do Porto - Batalha da Ponte de Ferreira, Farda e óculo usados por D. Pedro IV, Canhões usados no cerco, Linhas de defesa do Porto, Canhão gigante dos absolutistas em Gaia, Proclamação D. Pedro IV


Ponte de Ferreira (S. Martinho do Campo - Valongo)


Alminhas de Ferreira

”Integrou a antiga via Porto-Amarante e é-lhe atribuída uma cronologia medieval. Possui tabuleiro plano, assentando sobre três arcos separados por dois talha-mares. Possui a particularidade de na extremidade esquerda, e no local onde já existiu um terceiro talha-mar, ter a Casa da Portagem datada de 1796. Na outra extremidade, encontram-se umas alminhas de invocação da Sr.ª do Carmo e provavelmente setecentistas. A importância da ponte deve-se ao facto de haver uma memória coletiva local associada a um relevante evento, a Batalha de Ponte Ferreira, ocorrida a 23 de julho de 1832, durante as lutas liberais.


Primeira investida do exército liberal ao Porto – batalha da ponte de Ferreira – A. E. Hoffman - 1835

“A 22 de Julho de 1832, o General,


Espada em aço e farda usadas por D. Pedro IV durante o Cerco 


Boné de Caçadores usado por D. Pedro IV no cerco.


Óculo usado por D. Pedro IV no Cerco do Porto


Almeida Garrett, soldado voluntário nº. 72 do Batalhão Académico à porta do Convento dos Agostinhos Descalços – aqui escreveu o seu imortal livro Arco de Santana - óleo de Joaquim Vitorino Ribeiro - Também serviu de hospital de sangue durante o cerco.



Canhões usados pelos liberais durante o Cerco

“Quanto ao armamento utilizado à época pelos dois contendores como instrumentos de combate , era constituído fundamentalmente por : Espingardas de fechos de sílex , com sabre baioneta com um alcance eficaz de 250 m e capaz de disparar 3 tiros por minuto . 
Peças de artilharia , com alcance eficaz entre 400 a 800 m , de calibre entre 12 e 30 , disparando projécteis esféricos maciços de ferro fundido ou pedra . Também podiam disparar «lanternetas» , caixas contendo metralha ou balas , de grande eficácia contra a infantaria a descoberto . 
Obuses , com calibres entre 3 a 4 , disparando projécteis ocos , com uma carga explosiva no seu interior . Com uma trajectória muito verticalizada era particularmente utilizada para atingir soldados protegidos por parapeitos ou trincheiras .


Cidade do Porto e arredores –planta do Grande Mapa de Calmet de Beauvoisin – 1832


Linhas do Porto durante o cerco

As linhas de posição da artilharia liberal dividia-se inicialmente por duas linhas distintas :
A primeira linha estendia-se ao longo da margem norte do rio Douro ( margem direita ) , era prioritariamente vocacionada para o duelo directo com a artilharia realista instalada em Gaia . Este sector era constituído pela bateria do Bicalho ( junto à base norte da ponte da Arrábida ) , prosseguindo para nascente , com as baterias da Torre da Marca ( terrenos hoje do Palácio de Cristal ) , Bandeirinha (ao Largo de Viriato ) , Virtudes ( na Calçada das Virtudes ) , Vitória ( na encosta da freguesia e que desce para o Douro) , Paço Episcopal ( ou Paço do Bispo ) , Fontaínhas ( na rua do mesmo nome ) ,Seminário (junto à base norte da ponte de D. Maria Pia) e Quinta da China ( junto à base norte da ponte de S. João ) .
A segunda linha estendia-se de nascente para poente e contava com as baterias das Oliveiras (na encosta da estação de Campanhã ) , do Forte de Campanhã , da Lomba ( junto à R. da Lomba ) , do Bonfim ( junto à igreja do mesmo nome ) , do Bom Retiro ( junto à rua Barros de Lima ) , de Goelas de Pau ( junto à rua Câmara Pestana ) , do Cativo , da Póvoa de Cima ( na encosta da rua da Bataria ) , Congregados ( Zona do Monte Belo e junto à rua Monte dos Congregados ) , Aguardente ( zona da Praça Marquês de Pombal ) , D. Pedro e da D. Maria II ( à zona do cruzamento rua da Constituição e Antero de Quental ) , Monte Pedral ( monte à rua Serpa Pinto ) , Ramada Alta ( à zona do mesmo nome ) , Bom Sucesso ( à praça do mesmo nome ) . A bateria de Lordelo ( à rua D. Pedro V ) fechava o anel de baterias junto ao início da linha anterior iniciada na bateria do Bicalho”. In blogue lettersfromlise


Quando do cerco do Porto João Paulo Cordeiro ofereceu ao exército Miguelista uma gigante peça de artilharia.
“Notemos a chegada ao exército miguelista da célebre peça de artilharia… julgou-se que arrasaria a Torre dos Clérigos, quanto mais as casas da cidade. Chegou ao Alto da Bandeira em 24/12/1832 e foi posteriormente colocada nas proximidades da Igreja de Mafamude para dali bombardear o Porto… Era um dos maiores obuses até então construídos (em Londres, pela fábrica Bowling & Cª), pesava 100 quintais (6.000 kgs.) e tinha um calibre de 32.3 cm. a 2500 metros. O povo chamava-lhe Canhão-Pachão e os miguelistas “papa malhados…” nome porque se designavam os liberais.
A a Torre dos Clérigos estaria, portanto, na mira dos “Papa Malhados”… No dia de Ano Bom de 1833, o jornal Crónica Constitucional do Porto dava conta da acção do “Papa Malhados” e da vontade dos artilheiros miguelistas em atingir a Torre… Segundo as crónicas da época, a pontaria do inimigo não era famosa e produzia estragos, mas não nos alvos escolhidos – e talvez isso tenha salvo a 
Torre”. In Porto a Torre da Cidade do Prof. Helder Pacheco.


Proclamação de D. Pedro IV perdoando aos fugitivos e desertores

quinta-feira, 6 de julho de 2017

CERCO DO PORTO IV

8.1.11 – Cerco do Porto - Entrada de D. Pedro IV no Porto, Palácio dos Carrancas e casa da Rua de Cedofeita, Mapa do Porto em 1829


D. Pedro IV entra no Porto – 9/7/1832 – esta gravura mostra D. Pedro a ser recebido de forma calorosa pelo povo do Porto. Porém a realidade foi outra. 

“Desde a entrada no Porto sentira a frieza e indiferença da população. O espanto pela recepção era tão grande como a verificação do enorme exército absolutista. O Porto era sitiado por 35.000 homens que se distribuíam em círculo desde o forte de Gaia, na Serra do Pilar, onde primeiramente se instalou Santa Marta, defendendo o litoral ribeirinho até Avintes afim de impedir o acesso de víveres à cidade, até os fortes do Crasto, Ervilha, Serralves, Aguardente.” História do Porto de L.O.R. 


Quando entrou no Porto, D. Pedro ocupou o palácio dos Carrancas, mas por questões de segurança passou para a 


Casa da Rua de Cedofeita, 395, residência de Ribeiro Faria.


O Cerco do Porto por um Portuense


Porto em 1829 – do lado de Gaia a defesa limitava-se à Serra do Pilar, ponto determinante para a impossibilidade dos miguelistas dominarem a cidade. A Norte ia quase até Aguardente, hoje Jardim do Marquês de Pombal, onde estavam instalados os miguelistas.


In Portugal Antigo e Moderno


D. Pedro, Duque de Bragança - Óleo sobre tela - cópia de época do retrato pintado pelo inglês John Simpson - 1834.


Inaugurada em 1853


In História do Porto de L. O. Ramos

segunda-feira, 3 de julho de 2017

CERCO DO PORTO III

8.1.11 – Cerco do Porto - Angra do Heroísmo, Batalhas nos Açores, Partida dos Açores para Pampelido, Proclamação de D. Pedro IV aos "Bravos do Mindelo", Desembarque em Pampelido, D. Pedro IV entra no Porto em 9/7/1832


Angra do Heroísmo

É perante este e outros acontecimentos que D. Pedro I, do Brasil, em 7 de Abril de 1831, abdica a favor do seu filho D. Pedro II, dirigindo-se para os Açores, onde irá formar exército para defender o direito ao trono de sua filha D. Maria. 


Batalha da Praia da Victoria - Açores

Nas ilhas dos Açores trava o Combate do Pico do Seleiro, ilha Terceira (4 de Outubro de 1828); a Batalha da Praia da Victoria, ilha Terceira (11 de Agosto de 1829); o Recontro da Ladeira do Gato, ilha de São Jorge (Abril de 1831) e o Combate da Ladeira da Velha, ilha de São Miguel (3 de Agosto de 1831). In foranadaevaotres.blogspot.pt


Centenário da partida dos “Bravos do Mindelo” dos Açores, comemorada com um selo.


Proclamação de D. Pedro IV antes do desembarque


Desembarque dos liberais em Pampelido – 8/7/1832


In Historia do Porto, L. O. Ramos 

A descrição da viagem e do desembarque no Mindelo, é publicada no nº 1 da Crónica Constitucional do Porto, 11 de Julho de 1832, edição de 4ª feira:

Nº 1. - “Noticia Official das operações do Exercito Libertador.
Porto 10 de Julho de 1832.
S. M. I. fez-se á vela, com o Comboio, que se achava surto na praia defronte de Ponta Delgada, no dia 27 de Junho, pelas 2 horas da tarde, e seguio viagem com o tempo mais favorável, até ao dia 7 de Julho, em que deo vista da Costa de Portugal, na altura de Villa do Conde; pelas 7 da tarde do mesmo dia, achava-se todo o Comboio nas agoas daquela costa (…)
No dia 8, pelas 9 horas da manhã, mandou o mesmo Augusto Senhor içar na Fragata Rainha de Portugal o pavilhão Real que foi saudado com uma salva de vinte e um tiros, pelas embarcações de guerra (…) S. M. I., havendo assim cumprido com o que o seu Coraçaõ dictava, ordenou que o Exercito desembarcasse no ponto que já se achava fixado, entre Villa do Conde e o Porto (…) Em consequência daquella ordem, pelas 2 horas e meia da tarde, as embarcações de guerra tomáraõ posição na praia de Mindelo, a meia distancia, pouco mais ou menos, daquelas duas povoações, e a menos de tiro de metralha da terra; e ás 3 horas começou o desembarque, sem opposiçaõ alguma; aparecendo apenas em reconhecimento poucas patrulhas de Cavallaria, que foraõ desalojadas por alguns tiros do Brigue Liberal.
A Guarniçaõ do Brigue de guerra Conde de Villa Flor foi a primeira que, saltando em terra, cravou a Bandeira da Senhora D. MARIA II (…)
S. M. I. desembarcou ás 6 horas da tarde, entre aclamações e enthusiasmo inexplicável da tropa, e bênçãos de inumerável concurso de habitantes, que de todas as aldêas próximas vinhão vêr e saudar, como eles mesmos diziaõ, o seu Libertador”.


“Ao anoitecer do dia 7 de Julho de 1832 instalou-se o pânico entre as forças militares e as autoridades absolutistas do Porto: a esquadra liberal estava à vista, para grande surpresa dos miguelistas que nunca haviam previsto uma invasão por este ponto do país. No entanto, D. Pedro avançou com a sua armada em direcção a Vila do Conde, local onde planeara o desembarque.
Na manhã de 8 de julho foi enviado a terra, para parlamentar com as forças militares aí estacionadas, o major Bernardo de Sá Nogueira - futuro marquês de Sá da Bandeira. As negociações foram, no entanto, completamente estéreis, tendo aquele emissário sido recebido com ameaças de fuzilamento. Frustradas, pois, que foram estas tentativas de desembarque pacífico, foi decidido efetuá-lo em pé-de-guerra.
Ocorreu, desse modo, ao princípio da tarde desse dia na Praia dos Ladrões, em Arnosa de Pampelido, no limite das freguesias de Lavra e Perafita. Na ocasião, D. Pedro dirigiu às tropas a célebre incitação - "Soldados! Aquelas praias são as do malfadado Portugal" - que se pode ler numa das faces do obelisco da Memória.
A escolha deste local, e não do Mindelo como erroneamente foi designado (e que perpetuou historiograficamente esta operação militar como "Desembarque do Mindelo"), deveu-se ao facto de nele se poder realizar esta operação com facilidade e segurança, uma vez que o mar se apresentava "bastante profundo quase até à areia". Tal indicação terá sido dada, segundo a tradição, por um dos 7.500 "bravos", de seu nome Francisco José da Silva, natural de Paiço, Lavra.
O desembarque foi rápido e não encontrou qualquer tipo de resistência, sendo, de imediato, tomados os pontos estratégicos da região. Os batalhões de Caçadores nºs 2 e 3 ocuparam as cristas das elevações que se prolongam até à margem direita do rio Leça. O batalhão da Marinha fixou-se em Perafita. O batalhão de Caçadores nº 5, em Pedras Rubras, onde acampou no Largo da Feira.
As estradas que ligavam o Porto a Vila do Conde encontravam-se igualmente tomadas e os liberais estavam também em condição de observar as movimentações que as forças absolutistas estacionadas em Leça realizariam. Às seis horas da tarde D. Pedro desembarcou em Pampelido e, às nove horas, já todo o "Exército Libertador" se encontrava em terra. 


Pormenor de uma lápide num edifício. Inscrição: «Nesta casa, então pertencente a Manuel José d' Andrade, d'esta freguesia de Moreira, e hoje a seus descendentes, pernoitou de 8 para 9 de Julho de 1832 El-Rei D. Pedro IV, quando, tendo desembarcado em Pampelido, veio concertar o grosso do seu Exército no próximo Largo das Pedras Rubras, antes do seu avanço sobre o Porto. Mandado colocar pela Câmara Municipal da Maia, em 9 de Julho de 1932».
Nessa noite D. Pedro pernoitou em casa do proprietário Manuel Andrade. Houve beija-mão real no Largo, findo o qual D. Pedro se dirigiu ao Porto.
O desembarque permitiu às forças liberais tomar a cidade do Porto no dia 9 de Julho, apanhando de surpresa o exército miguelista que haveria de as submeter ao prolongado Cerco do Porto”.


Vista da praia do Arnosa de Pampelido, onde desembarcou D. Pedro á frente do exército libertador.
Gravura publicada no Elogio Histórico do Rei D. Pedro IV, pelo Marquês de Resende, apresentado na Academia das Ciências de Lisboa em 1836 e publicado em 1867.


Pampelido – monumento ao desembarque de D. Pedro IV – mandado construir por António José d’Ávila quando regia os negócios do Porto, inaugurado em 1/12/1840 com a presença de D. Maria II.
“O General, Visconde de Santa Marta comandante da 4ª. Divisão da força realista, sahiu do Porto, no dia 8 pela manhã, em direcção a Arenosa de Pampelido, com o Regimento de Braga e um esquadrão de Cavalaria de Chaves (!!!) e poz-se a ver o desembarque, a distância de tiro de canhão! O Visconde de Santa Marta, tinha uma divisão de quase 15.000 homens, e portanto, o dobro das forças liberaes; mas, apesar disso, recolhe ao Porto e ordena a retirada, deixando em poder dos contrários todo o material de guerra que estava nas arrecadações, assim como as munições, que estavam nos paioes; toda a artilharia que estava no Castelo da Foz, etc. etc. 
Á meia noite do dia 8, forma a tropa realista, em vários pontos da cidade, e nessa mesma noite retira tudo precipitadamente, e na maior confusão, para Villa Nova de Gaia, como se sobre esta gente viesse um inimigo dez vezes maior em forças. 
O Sr. D. Pedro e o seu exército, entram na cidade abandonada, logo na manhã do dia 9, no meio dos maiores regosijos dos seus habitantes, cuja maior parte eram liberaes. In Portugal Antigo e Moderno