segunda-feira, 18 de abril de 2016

EMIGRAÇÃO PARA O BRASIL

6.7.2 - Emigração para o Brasil



O Comércio do Porto – 1860 – anúncios de saídas de barcos, muitos deles para o Brasil – História do Porto – Jorge Fernandes Alves.


Emigrantes para o Brasil esperando bilhete de embarque no Largo de S. Domingos – 1910


Emigrantes para o Brasil – Leixões – 1913

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 1881 e 1930 emigraram para o Brasil 1.070.351 portugueses. Número assombroso se tivermos em consideração que, nesse período, a população total do país andava entre os 4,5 e os 6,8 milhões de habitante.

Ramalho Ortigão escreve sobre estes pobres emigrantes:


“A emigração portuguesa para o Brasil tornou-se significativa na primeira década do século XIX. Este facto não pode ser dissociado da ida da família Real e do governo de Portugal para o outro lado do Atlântico, nem o que veio a ocorrer de inovador na segunda metade do mesmo século.
A independência do Brasil em 1822, decorrente da Revolução Liberal Portuguesa de 1820, terá influenciado fortemente a emigração dos Portugueses para o Brasil.
Numa perspectiva micro-analítica, apresenta-se aqui, além dos números referentes à emigração do Município de Fafe entre 1834 e 1926
Na tabela -1 e Gráfico - 1 apresentamos alguns valores que caracterizam a mobilidade dos naturais de Fafe que requereram autorização para se deslocarem para outras regiões do país (migração interna) e para o Brasil, e dos que, sendo naturais de Fafe tinham residência no distrito do Porto.



Entre os anos de 1834 e de 1862, 3510 indivíduos naturais e/ou residentes no concelho de Fafe, requereram guia de trânsito para se dirigirem para destinos regionais; entre 1834 e 1926, 7321 indivíduos, declararam, junto da administração do concelho de Fafe, desejar sair para outros países ou continentes; entre 1836 e 1885, 1384 indivíduos requereram, junto do Governador Civil do Porto, documentação para sair do país, como naturais do concelho de Fafe. Assim, segundo os dados referidos, saíram para diferentes destinos um total de 12215 indivíduos, naturais do concelho de Fafe, de acordo com a distribuição supra -indicada.
Analisando os dados totais, tendo em conta os períodos em que ocorreram as saídas: 28 anos para as saídas regionais, 92 anos para as saídas com destinos externos dos naturais e/ou residentes em Fafe e 49 para o mesmo tipo de destino, mas naturais de Fafe e residentes no Porto, observamos que: No que se refere ao género, predominam nos três grupos os indivíduos do sexo masculino sobre os do sexo feminino e quanto ao estado civil predominam os solteiros.


Do site museu-emigrantes.org, abaixo

Pelo gráfico acima verifica-se que a quase totalidade de emigrantes eram do sexo masculino, entre os 10 e os 14 anos e os 22/23 anos.
Todos os emigrantes saíam forçados pela pobreza das suas famílias, habitualmente muito numerosas. A maior parte nunca mais deu notícias e se perderam nesse imenso país. 
Muito poucos voltaram ricos ao fim de 20 ou 30 anos de trabalho, mais ou menos honesto. Eram os chamados “brasileiros” que construíam as suas grandes casas na zona de Santo Ildefonso e se dedicavam aos negócios, alguns corriam mal, à beneficência, às uniões com famílias prestigiadas. 
Destacam-se personalidades como o Conde de Ferreira, Barão de Nova Sintra, Visconde da Trindade, Barão de Silva Monteiro etc. Este último teve de vender a sua casa do Campo Alegre aos Andersen e regressar ao Brasil por que as notícias de lá não eram animadoras. 
O Conde de Ferreira, mandou construir o Hospital de mesmo nome e deixou larga maquia para o sustentar. Ainda mandou fazer 120 escolas pelo país fora na esperança de melhorar o ensino, e diminuir o analfabetismo. 
O Visconde da Trindade salvou o Hospital da Trindade em ocasião de quase falência aquando da sua construção; o barão de Nova Sintra fundou um colégio para jovens de famílias pobres na rua do seu nome e ajudou muitas outras de beneficência do Porto; 
Rodrigues Semide deixou a sua fortuna à SCMP para a construção de um hospital para tratar a terrível doença do tempo, a tuberculose…

Emigração para o Brasil (1834-1926): Os números e a autobiografia - sair, viver e regressar na primeira pessoa. Este site tem uma autobiografia de um emigrante que aconselhamos a ler. 


Estimativa dos emigrantes portugueses para o Brasil – site imigrantes.no.sapo.pt

Os números mais importantes acima referidos resultam de épocas de grande pobreza. Entre 1881 e 1960 Portugal suportou a grande crise do fim do séc. XIX, a 1ª e 2ª. Guerras, e a crise de 1929 que mantevem todo este tempo a pobreza das famílias. Entre 1961 e 1967 muitos portugueses fugiram, sobretudo para a Europa, devido à Guerra do Ultramar. 
No séc. XXI recrudesceu, a partir de 2008, a emigração para a Europa pela promessa de encontrarem melhores salários na Inglaterra, França e Alemanha. Esta tendência ainda se mantém.

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