segunda-feira, 3 de junho de 2013

QUINTAS DO PORTO E ARREDORES - VIII

2.13.15 – Quinta da Bela-Vista




Pormenor da entrada


Ginásio

“O local onde actualmente se encontra instalado o aquartelamento da Guarda Nacional Republicana, constituiu em tempos idos a Quinta da Bela-Vista. A quinta, propriamente dita, resultou da reunião de três propriedades. A primeira era constituída por uma casa com quintal e dependências na Rua da Lameira de Cima. A segunda propriedade, denominada «Quinta da Lameira». Finalmente, um terceiro núcleo de terreno pertencente a Joaquim Vitorino Mesquita Soares e esposa. Em 21 Dezembro de 1911, o Dr. José de Oliveira Lima adquire a primeira e a segunda propriedades, pagando respectivamente 700$00 e 3 600$00. Pouco tempo depois em 1912, a terceira e última parcela foi comprada por 100$00. Estava assim formada a quinta da Bela-Vista.
Em Maio desse mesmo ano, inicia-se a construção dum edifício escolar que viria a ser o Instituto Moderno. Este estabelecimento escolar destinava-se ao ensino primário e secundário, funcionando em regime de internato e externato. Construída expressamente para funcionar como estabelecimento de ensino, esta instituição foi modelar, quer devido à qualidade das instalações, quer porque utilizou os mais modernos princípios didácticos e higiénicos da época. O seu ginásio principal ainda hoje funciona. Pormenor curioso é o facto de constar ter sido este o primeiro edifício da cidade a ser construído em cimento armado. Apesar destes propícios requisitos, a vida deste Instituto foi relativamente curta. Funcionou como colégio no período compreendido entre 1914, data da conclusão do edifício, e 1918. Não esqueçamos que esta época foi marcada pelas conturbações políticas, económicas e sociais do início do regime Republicano e pela grande guerra de 1914-18, o que pode de algum modo explicar a efemeridade da instituição.
Em 1918 manifesta-se no país uma epidemia de tifo exantemático, não ficando a cidade do Porto imune a este surto. Os hospitais da cidade encontravam-se superlotados e deste modo foi o Instituto, já então encerrado, requisitado para funcionar como secção do Hospital Joaquim Urbano, vulgo «Goelas de Pau». Em 21 de Agosto de 1919 foi comprado pela G.N.R, com o fim de aí instalar as suas forças. O proprietário da quinta e director do Instituto, o médico José de Oliveira Lima, recebeu então a quantia de 275 000$00. A partir desta data, a história da quinta está intimamente ligada à evolução do aquartelamento e à própria história da G.N.R., corpo que durante todos estes anos se empenhou no restauro e conservação deste imponente edifício. Foi-nos dito que existe a possibilidade a médio prazo do aquartelamento mudar de instalações, pelo que o futuro da quinta e do edifício permanece uma incógnita”. Site da Junta de Freguesia de Campanhã.
A casa foi projecto do Arq. José Teixeira Lopes. Hoje está classificada. Parte da antiga Quinta da Lameira está hoje incluída no Parque de S. Roque.


Pelos documentários abaixo, deveria ser um colégio muito caro, destinado às famílias ricas, mas do melhor ensino e educação da cidade, senão do país.

Excelente documentário da Invicta Film – Porto 1916

Como acima se lê a Quinta da Bela Vista era composta por três parcelas, uma das quais a Quinta da Lameira. Quando a C. M. Porto comprou a propriedade da família Ramos Pinto Calém, contígua, criou o Parque de S. Roque no qual está incluída aquela quinta. 

“A «Quinta da Lameira» compunha-se de uma morada de casas de dois andares, águas-furtadas, lavradio, água, árvores de fruto e outros pertences e situava-se na rua de S. Roque da Lameira com os n.°984 e 992 e mais tarde 2000. Em 1910 era esta parcela propriedade de três irmãos de apelido Gomes Ferreira, dois dos quais militavam na carreira das armas.” Site Quintas de Campanhã.



“A quinta da Lameira, hoje conhecida por Parque de S. Roque, constitui com os seus mais de 40 000 m2 de mancha verde, um autêntico «pulmão» regenerador da zona oriental da cidade. Pertenceu esta quinta, à aristocrática família Calém, nomeadamente a António de Oliveira Calém que aí habitou desde o seu casamento (em 15/12/1912) com D. Maria Eugénia Ramos Pinto até ao seu falecimento ocorrido em 27 de Maio de 1962. Por escritura de 3 de Agosto de 1978, a Câmara Municipal do Porto compra ao então proprietário, Dr. António Eugénio de Castro Ramos Pinto Calém, uma parcela da quinta com a superfície de 11 900 m2, mediante o pagamento da quantia de 10.100 000$00. Esta primeira parcela correspondia «grosso modo» ao solar e terrenos envolventes, incluindo os formosos jardins. Cerca de nove meses mais tarde, em 8 de Maio de 1979 é adquirida a segunda e última parcela com a superfície aproximada de 30. 000 m2 e despendendo-se para tal 8 600 000$00. Esta parcela corresponderia à área da frondosa mata. É o conjunto formado por estas duas parcelas de terreno que hoje se denomina por Parque de S. Roque, cuja abertura ao público se efectuou em 20 de Julho de 1979".




"No seu interior ainda se pode observar algum do espólio original. Destaquemos os tectos ricamente decorados, as portas, o espelho da entrada, etc. Tivemos aliás oportunidade de consultar a lista que discriminava o recheio da casa, aquando da escritura. Esse recheio constituído por mobiliário do século XVIII, quadros, lustres, etc., tem bastante interesse artístico sobretudo se quisermos reconstituir o ambiente quotidiano e a personalidade de uma família burguesa ligada à vida comercial no Porto desta época. No exterior da casa destacam-se os bonitos motivos em ferro forjado do gradeamento visível nas janelas, varandas, portões e corrimãos. Realce também para alguns frisos de azulejaria e para a cantaria no rebordo das telhas.
Incrustada na fachada principal da casa, detectámos uma bonita pedra trabalhada com uma inscrição já pouco legível, mas que nos parece ser referente ao ano de 1792, provavelmente ano do início ou conclusão da mansão".






Pudemos apreciar os bonitos jardins do Parque, os quais ostentam elementos muito em voga do século passado tais como frutas, minarete, sebes labirínticas, repuxos, fogaréus, etc. 



Quanto ao Parque (bosque) em si, importa referir que a Capela desmantelada que lá existe, no sentido de quem entra pela travessa das Antas, não é original da quinta tendo sido para aqui trazida (há poucos anos) do largo Actor Dias”. Site da J. F. de Campanhã

Fotos do Parque de S. Roque


2.13.16 – Quinta da Bonjóia



Foto blog AALUMI50


“A Quinta da Bonjóia, também conhecida por quinta do Juiz, é uma das mais antigas propriedades dos arrabaldes da cidade. Pertencia nos fins do século XIV ao Chantre Martins Viegas. Em 1402 foi doada ao Cabido da Sé do Porto que procedeu ao seu emprazamento. 
Em 1479, o cónego Fernão Aranha torna-se enfiteuta do prazo de Benjói. A partir daqui, e até finais do século XVII, o referido prazo foi sendo sucessivamente renovado em favor da família dos Aranhas. 
Em 1758 aparece-nos como «… senhor possuidor pacífico da sua Quinta chamada de Benjóia, sita na freguesia de Santa Maria de Campanhã, termo desta cidade...», D. Lourenço de Amorim da Gama Lobo, fidalgo de Ponte de Lima e prior da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo. Este rico fidalgo, não satisfeito com a casa da velha quinta, resolve enfim nela edificar um grandioso palácio. 
Quer pela arquitectura do palácio, quer pela data em que começou a ser construído, quer pelos contactos inevitáveis que Nasoni teve com D. Lourenço, provedor da Santa Casa de Misericórdia do Porto, não será descabido atribuir a autoria da traça ao célebre arquitecto italiano, embora admitindo eventuais reservas. 
Pormenor digno de realce é o facto de a residência não estar acabada. Isto é bem visível na extremidade esquerda da casa onde ainda se notam vestígios do que seria eventualmente o segundo corpo da habitação. 
Após a morte de D. Lourenço é o seu filho, D. António de Amorim da Gama Lobo, que toma posse da quinta. Falecido este último, durante o primeiro quartel do século XIX, e não deixando descendentes directos, os bens vinculares passam para a posse de uma irmã e os vinculados para a sua viúva, que, por seu turno, os lega a uma sobrinha, D. Maria Natividade Guedes Portugal e Meneses, casada com um Brandão de Melo da Casa da Torre da Marca. 
Em 1894 a propriedade é já pertença da família Brandão de Melo e designadamente do Conselheiro José Guedes Brandão de Melo. 
Por morte do referido conselheiro, a quinta fica então a pertencer aos seus três filhos como o determina a escritura lavrada em 27 de Junho de 1921. Posteriormente uma das herdeiras, D. Maria José Mimoso Brandão de Melo, adquire aos outros irmãos a totalidade da propriedade, procedendo em 1935 à sua venda. 
No tempo desta família ficaram célebres as recepções e os bailes que aí se realizaram, contando inclusive com a presença de destacados membros da família real. 
No já referido ano de 1935 a quinta é vendida ao Dr. Juiz Abílio Augusto Mendes de Carvalho, já aí residente há pelo menos um ano. Na escritura então feita, descreve-se a propriedade de natureza alodial, composta de casa nobre, com jardim, pomar, casas de lavoura, terras de lavradio, bouça e bravio e mais pertenças, tudo com a área aproximada de 34 320 m2. 
Falecido o Dr. Mendes de Carvalho em 1940 e sua esposa em 1982, a casa e a quinta passaram a pertencer aos seus nove filhos. 
Tivemos a oportunidade de contactar a actual residente da quinta, D. Maria Mimosa Mendes de Carvalho Mesquita que, além de nos confirmar muitos dos factos referidos, gentilmente acedeu em guiar-nos numa visita detalhada à casa e à própria quinta. 
D. Mimosa contou-nos com nostalgia alguns pequenos episódios passados no período áureo da quinta e que ela presenciou ou ouviu contar. 
Festas sumptuosas, passeios a cavalo, partidas de golfe etc... até ao pormenor curioso de Afonso Costa ter estado refugiado no torreão do palácio aquando das conturbações decorrentes da afirmação do regime republicano; tudo isto ouvimos com interesse”. Site Quintas de Campanhã 
Em 1995, quando a C. M. do Porto comprou a propriedade, esta estava em completa ruína. Depois de um  importante restauro, a quinta é sede de fundações de cariz social, como a Fundação para o Desenvolvimento Social do Vale de Campanhã e a Fundação para o Desenvolvimento Social do Porto que actualmente ocupa o edifício.

Documento da classificação de da Casa e Quinta da Bonjóia como Monumento de Interesse Público



2.13.17 – Quinta da Revolta


Perguntávamo-nos a que revolta se referiria o nome desta Quinta. Em O Tripeiro Série III, Ano II, de 1 de Abril de 1927, encontrámos 3 testemunhos com a mesma resposta, dos quais destacamos o seguinte: “Amigo e Senhor Faria – Chamam a minha atenção para a pergunta (Quinta da Revolta), inserta no nº. 28 do nosso querido Tripeiro. Quando há anos comprámos a quinta, assim denominada, também perguntei qual a revolta que daria o nome à quinta e soube que não tinha sido nenhuma revolução, mas sim a revolta do Freixo. Fiquei na mesma e pensei então que, sendo a Rua do Freixo uma das ruas que mais curvas tem, natural era que tivesse voltas e revoltas e ser daí que lhe vem o nome. A Quinta da Revolta está situada na Rua do Freixo, na revolta que segue à volta etc. etc. Amigo certo e obrigado – J. Moreira da Silva”. Ficamos esclarecidos.


Do site Quintas de Campanhã retirámos os textos seguintes: “Actualmente, a quinta é mais conhecida por Horto do Freixo ou pelo nome de família dos actuais proprietários, Moreira da Silva. 
O palacete ocupando uma área que se desenvolve «grosso modo» em L, é o resultado de diferentes épocas de construção e de diversos restauros e acrescentamentos, como se pode constatar através de uma observação detalhada de várias partes que constituem o corpo do edifício. 
Assim sendo, é de considerar a possibilidade, numa primeira fase, o edifício remontar aos séculos XIV, XV ou mesmo antes, todavia só uma investigação arqueológica mais aprofundada nos poderia elucidar acerca desta e de outras questões.



A Capela dedicada a Nª. Senhora da Conceição já existia, pelo menos, em 1758…Esta capela particular encontra-se encerrada e em progressivo estado de decadência.



"A pedra de armas que encima o portal (séc. XVIII) é muito ornamental (estilo rocaille), revelando um bom trabalho do lavrante, mas um fraco desenho heráldico. A sua leitura é a seguinte: 
Composição - Partido, sendo o 1.° cortado.
Classificação - Heráldica de Família.
Leitura - Alvo, Brandão e Azevedo, Coronel de Nobreza.
É muito antiga a família dos Alvos, existindo várias referências pelo menos desde o séc. XIII. Eugénio A. Cunha e Freitas diz que Simão Alvo, filho de Gonçalo Alvo, «sucedeu no Prazo de Campanhã e mais Casas de seus pais». A Simão sucedeu Pantaleão Alvo Godinho, nascido em Campanhã e procurador às Cortes pela cidade do Porto em 1640. Falecido em 1661, deixa em testamento a Quinta de Campanhã a seu filho, Simeão, que tinha entretanto casado (1659) com Isabel Maria Brandão Perestrelo, entrando assim os Brandões na família. No início do século XVIII, os Azevedos ligam-se à família dos Alvos através do casamento de Pantaleão Alvo Godinho Brandão Pereira Perestrelo com Maria Azevedo. Um dos filhos deste casal, José Alvo Godinho Brandão Pereira Perestrelo de Azevedo, herdará (por renúncia do primogénito) a casa senhorial de Campanhã. Por sua vez, em 1800, uma sua filha casa com o 2.° Visconde de Balsemão, entrando assim a quinta da Revolta na posse da família Pinto de Sousa Coutinho (Viscondes de Balsemão). Em 15 de Março de 1866 a Revolta é vendida a José Duarte de Oliveira, próspero homem de negócios da praça do Porto, por seis contos de réis em metal. Em 1919, o proprietário é agora seu filho, José Duarte de Oliveira Júnior, viticultor e escritor agrícola notável. Refira-se que por esta altura a quinta chegou a dar 300 a 400 pipas de vinho".




"Em 20 de Janeiro de 1920 foi acordada a venda da propriedade, entretanto liberta dos ónus a que estava sujeita, que seria paga em duas prestações totalizando a quantia de 8000$00. Finalmente, a 8 de Março de 1921, após o pagamento da segunda prestação (3 000$00), é lavrada a escritura de quitação entrando a propriedade na posse da Firma de horticultura e floricultura, Alfredo Moreira da Silva & Filhos, Lda., onde ainda hoje se encontra. Refira-se que, em 4 de Dezembro de 1924, a propriedade foi enriquecida com a compra de uma parcela de terreno em Bonjóia, contígua à quinta do mesmo nome, e adquirida à família Brandão de Melo. Actualmente a quinta mantém sensivelmente o mesmo perímetro de 1851, o que equivale a uma superfície aproximada de 3 hectares. Aqui estão instalados um horto, centro de jardinagem e viveiros, ocupando os serviços técnico-administrativos da dinâmica empresa de hortofloricultura parte da casa da quinta".
Parece haver algo de estranho da descrição acima: Se a quinta tinha cerca de 3 hectares em 1851 e os mesmos na "actualidade" do escrito, não nos parece viável ter dado 300 a 400 pipas e vinho!

2 comentários:

  1. Deixo-lhe informações sobre Bonjoia e o processo de classificação.
    Cump

    http://www.igespar.pt/media/uploads/consultaspublicas/ERbonjoia.pdf

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    1. Muito obrigado. Vamos trata-lo de forma a pode-lo inserir nesta publicação.

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