segunda-feira, 3 de junho de 2013

QUINTAS DO PORTO E ARREDORES - VIII

2.13.15 – Quinta da Bela-Vista




Pormenor da entrada


Ginásio

“O local onde actualmente se encontra instalado o aquartelamento da Guarda Nacional Republicana, constituiu em tempos idos a Quinta da Bela-Vista. A quinta, propriamente dita, resultou da reunião de três propriedades. A primeira era constituída por uma casa com quintal e dependências na Rua da Lameira de Cima. A segunda propriedade, denominada «Quinta da Lameira». Finalmente, um terceiro núcleo de terreno pertencente a Joaquim Vitorino Mesquita Soares e esposa. Em 21 Dezembro de 1911, o Dr. José de Oliveira Lima adquire a primeira e a segunda propriedades, pagando respectivamente 700$00 e 3 600$00. Pouco tempo depois em 1912, a terceira e última parcela foi comprada por 100$00. Estava assim formada a quinta da Bela-Vista.
Em Maio desse mesmo ano, inicia-se a construção dum edifício escolar que viria a ser o Instituto Moderno. Este estabelecimento escolar destinava-se ao ensino primário e secundário, funcionando em regime de internato e externato. Construída expressamente para funcionar como estabelecimento de ensino, esta instituição foi modelar, quer devido à qualidade das instalações, quer porque utilizou os mais modernos princípios didácticos e higiénicos da época. O seu ginásio principal ainda hoje funciona. Pormenor curioso é o facto de constar ter sido este o primeiro edifício da cidade a ser construído em cimento armado. Apesar destes propícios requisitos, a vida deste Instituto foi relativamente curta. Funcionou como colégio no período compreendido entre 1914, data da conclusão do edifício, e 1918. Não esqueçamos que esta época foi marcada pelas conturbações políticas, económicas e sociais do início do regime Republicano e pela grande guerra de 1914-18, o que pode de algum modo explicar a efemeridade da instituição.
Em 1918 manifesta-se no país uma epidemia de tifo exantemático, não ficando a cidade do Porto imune a este surto. Os hospitais da cidade encontravam-se superlotados e deste modo foi o Instituto, já então encerrado, requisitado para funcionar como secção do Hospital Joaquim Urbano, vulgo «Goelas de Pau». Em 21 de Agosto de 1919 foi comprado pela G.N.R, com o fim de aí instalar as suas forças. O proprietário da quinta e director do Instituto, o médico José de Oliveira Lima, recebeu então a quantia de 275 000$00. A partir desta data, a história da quinta está intimamente ligada à evolução do aquartelamento e à própria história da G.N.R., corpo que durante todos estes anos se empenhou no restauro e conservação deste imponente edifício. Foi-nos dito que existe a possibilidade a médio prazo do aquartelamento mudar de instalações, pelo que o futuro da quinta e do edifício permanece uma incógnita”. Site da Junta de Freguesia de Campanhã.
A casa foi projecto do Arq. José Teixeira Lopes. Hoje está classificada. Parte da antiga Quinta da Lameira está hoje incluída no Parque de S. Roque.


Pelos documentários abaixo, deveria ser um colégio muito caro, destinado às famílias ricas, mas do melhor ensino e educação da cidade, senão do país.

Excelente documentário da Invicta Film – Porto 1916

Como acima se lê a Quinta da Bela Vista era composta por três parcelas, uma das quais a Quinta da Lameira. Quando a C. M. Porto comprou a propriedade da família Ramos Pinto Calém, contígua, criou o Parque de S. Roque no qual está incluída aquela quinta. 

“A «Quinta da Lameira» compunha-se de uma morada de casas de dois andares, águas-furtadas, lavradio, água, árvores de fruto e outros pertences e situava-se na rua de S. Roque da Lameira com os n.°984 e 992 e mais tarde 2000. Em 1910 era esta parcela propriedade de três irmãos de apelido Gomes Ferreira, dois dos quais militavam na carreira das armas.” Site Quintas de Campanhã.



“A quinta da Lameira, hoje conhecida por Parque de S. Roque, constitui com os seus mais de 40 000 m2 de mancha verde, um autêntico «pulmão» regenerador da zona oriental da cidade. Pertenceu esta quinta, à aristocrática família Calém, nomeadamente a António de Oliveira Calém que aí habitou desde o seu casamento (em 15/12/1912) com D. Maria Eugénia Ramos Pinto até ao seu falecimento ocorrido em 27 de Maio de 1962. Por escritura de 3 de Agosto de 1978, a Câmara Municipal do Porto compra ao então proprietário, Dr. António Eugénio de Castro Ramos Pinto Calém, uma parcela da quinta com a superfície de 11 900 m2, mediante o pagamento da quantia de 10.100 000$00. Esta primeira parcela correspondia «grosso modo» ao solar e terrenos envolventes, incluindo os formosos jardins. Cerca de nove meses mais tarde, em 8 de Maio de 1979 é adquirida a segunda e última parcela com a superfície aproximada de 30. 000 m2 e despendendo-se para tal 8 600 000$00. Esta parcela corresponderia à área da frondosa mata. É o conjunto formado por estas duas parcelas de terreno que hoje se denomina por Parque de S. Roque, cuja abertura ao público se efectuou em 20 de Julho de 1979".




"No seu interior ainda se pode observar algum do espólio original. Destaquemos os tectos ricamente decorados, as portas, o espelho da entrada, etc. Tivemos aliás oportunidade de consultar a lista que discriminava o recheio da casa, aquando da escritura. Esse recheio constituído por mobiliário do século XVIII, quadros, lustres, etc., tem bastante interesse artístico sobretudo se quisermos reconstituir o ambiente quotidiano e a personalidade de uma família burguesa ligada à vida comercial no Porto desta época. No exterior da casa destacam-se os bonitos motivos em ferro forjado do gradeamento visível nas janelas, varandas, portões e corrimãos. Realce também para alguns frisos de azulejaria e para a cantaria no rebordo das telhas.
Incrustada na fachada principal da casa, detectámos uma bonita pedra trabalhada com uma inscrição já pouco legível, mas que nos parece ser referente ao ano de 1792, provavelmente ano do início ou conclusão da mansão".






Pudemos apreciar os bonitos jardins do Parque, os quais ostentam elementos muito em voga do século passado tais como frutas, minarete, sebes labirínticas, repuxos, fogaréus, etc. 



Quanto ao Parque (bosque) em si, importa referir que a Capela desmantelada que lá existe, no sentido de quem entra pela travessa das Antas, não é original da quinta tendo sido para aqui trazida (há poucos anos) do largo Actor Dias”. Site da J. F. de Campanhã

Fotos do Parque de S. Roque


2.13.16 – Quinta da Bonjóia



Foto blog AALUMI50


“A Quinta da Bonjóia, também conhecida por quinta do Juiz, é uma das mais antigas propriedades dos arrabaldes da cidade. Pertencia nos fins do século XIV ao Chantre Martins Viegas. Em 1402 foi doada ao Cabido da Sé do Porto que procedeu ao seu emprazamento. 
Em 1479, o cónego Fernão Aranha torna-se enfiteuta do prazo de Benjói. A partir daqui, e até finais do século XVII, o referido prazo foi sendo sucessivamente renovado em favor da família dos Aranhas. 
Em 1758 aparece-nos como «… senhor possuidor pacífico da sua Quinta chamada de Benjóia, sita na freguesia de Santa Maria de Campanhã, termo desta cidade...», D. Lourenço de Amorim da Gama Lobo, fidalgo de Ponte de Lima e prior da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo. Este rico fidalgo, não satisfeito com a casa da velha quinta, resolve enfim nela edificar um grandioso palácio. 
Quer pela arquitectura do palácio, quer pela data em que começou a ser construído, quer pelos contactos inevitáveis que Nasoni teve com D. Lourenço, provedor da Santa Casa de Misericórdia do Porto, não será descabido atribuir a autoria da traça ao célebre arquitecto italiano, embora admitindo eventuais reservas. 
Pormenor digno de realce é o facto de a residência não estar acabada. Isto é bem visível na extremidade esquerda da casa onde ainda se notam vestígios do que seria eventualmente o segundo corpo da habitação. 
Após a morte de D. Lourenço é o seu filho, D. António de Amorim da Gama Lobo, que toma posse da quinta. Falecido este último, durante o primeiro quartel do século XIX, e não deixando descendentes directos, os bens vinculares passam para a posse de uma irmã e os vinculados para a sua viúva, que, por seu turno, os lega a uma sobrinha, D. Maria Natividade Guedes Portugal e Meneses, casada com um Brandão de Melo da Casa da Torre da Marca. 
Em 1894 a propriedade é já pertença da família Brandão de Melo e designadamente do Conselheiro José Guedes Brandão de Melo. 
Por morte do referido conselheiro, a quinta fica então a pertencer aos seus três filhos como o determina a escritura lavrada em 27 de Junho de 1921. Posteriormente uma das herdeiras, D. Maria José Mimoso Brandão de Melo, adquire aos outros irmãos a totalidade da propriedade, procedendo em 1935 à sua venda. 
No tempo desta família ficaram célebres as recepções e os bailes que aí se realizaram, contando inclusive com a presença de destacados membros da família real. 
No já referido ano de 1935 a quinta é vendida ao Dr. Juiz Abílio Augusto Mendes de Carvalho, já aí residente há pelo menos um ano. Na escritura então feita, descreve-se a propriedade de natureza alodial, composta de casa nobre, com jardim, pomar, casas de lavoura, terras de lavradio, bouça e bravio e mais pertenças, tudo com a área aproximada de 34 320 m2. 
Falecido o Dr. Mendes de Carvalho em 1940 e sua esposa em 1982, a casa e a quinta passaram a pertencer aos seus nove filhos. 
Tivemos a oportunidade de contactar a actual residente da quinta, D. Maria Mimosa Mendes de Carvalho Mesquita que, além de nos confirmar muitos dos factos referidos, gentilmente acedeu em guiar-nos numa visita detalhada à casa e à própria quinta. 
D. Mimosa contou-nos com nostalgia alguns pequenos episódios passados no período áureo da quinta e que ela presenciou ou ouviu contar. 
Festas sumptuosas, passeios a cavalo, partidas de golfe etc... até ao pormenor curioso de Afonso Costa ter estado refugiado no torreão do palácio aquando das conturbações decorrentes da afirmação do regime republicano; tudo isto ouvimos com interesse”. Site Quintas de Campanhã 
Em 1995, quando a C. M. do Porto comprou a propriedade, esta estava em completa ruína. Depois de um  importante restauro, a quinta é sede de fundações de cariz social, como a Fundação para o Desenvolvimento Social do Vale de Campanhã e a Fundação para o Desenvolvimento Social do Porto que actualmente ocupa o edifício.

Documento da classificação de da Casa e Quinta da Bonjóia como Monumento de Interesse Público



2.13.17 – Quinta da Revolta


Perguntávamo-nos a que revolta se referiria o nome desta Quinta. Em O Tripeiro Série III, Ano II, de 1 de Abril de 1927, encontrámos 3 testemunhos com a mesma resposta, dos quais destacamos o seguinte: “Amigo e Senhor Faria – Chamam a minha atenção para a pergunta (Quinta da Revolta), inserta no nº. 28 do nosso querido Tripeiro. Quando há anos comprámos a quinta, assim denominada, também perguntei qual a revolta que daria o nome à quinta e soube que não tinha sido nenhuma revolução, mas sim a revolta do Freixo. Fiquei na mesma e pensei então que, sendo a Rua do Freixo uma das ruas que mais curvas tem, natural era que tivesse voltas e revoltas e ser daí que lhe vem o nome. A Quinta da Revolta está situada na Rua do Freixo, na revolta que segue à volta etc. etc. Amigo certo e obrigado – J. Moreira da Silva”. Ficamos esclarecidos.


Do site Quintas de Campanhã retirámos os textos seguintes: “Actualmente, a quinta é mais conhecida por Horto do Freixo ou pelo nome de família dos actuais proprietários, Moreira da Silva. 
O palacete ocupando uma área que se desenvolve «grosso modo» em L, é o resultado de diferentes épocas de construção e de diversos restauros e acrescentamentos, como se pode constatar através de uma observação detalhada de várias partes que constituem o corpo do edifício. 
Assim sendo, é de considerar a possibilidade, numa primeira fase, o edifício remontar aos séculos XIV, XV ou mesmo antes, todavia só uma investigação arqueológica mais aprofundada nos poderia elucidar acerca desta e de outras questões.



A Capela dedicada a Nª. Senhora da Conceição já existia, pelo menos, em 1758…Esta capela particular encontra-se encerrada e em progressivo estado de decadência.



"A pedra de armas que encima o portal (séc. XVIII) é muito ornamental (estilo rocaille), revelando um bom trabalho do lavrante, mas um fraco desenho heráldico. A sua leitura é a seguinte: 
Composição - Partido, sendo o 1.° cortado.
Classificação - Heráldica de Família.
Leitura - Alvo, Brandão e Azevedo, Coronel de Nobreza.
É muito antiga a família dos Alvos, existindo várias referências pelo menos desde o séc. XIII. Eugénio A. Cunha e Freitas diz que Simão Alvo, filho de Gonçalo Alvo, «sucedeu no Prazo de Campanhã e mais Casas de seus pais». A Simão sucedeu Pantaleão Alvo Godinho, nascido em Campanhã e procurador às Cortes pela cidade do Porto em 1640. Falecido em 1661, deixa em testamento a Quinta de Campanhã a seu filho, Simeão, que tinha entretanto casado (1659) com Isabel Maria Brandão Perestrelo, entrando assim os Brandões na família. No início do século XVIII, os Azevedos ligam-se à família dos Alvos através do casamento de Pantaleão Alvo Godinho Brandão Pereira Perestrelo com Maria Azevedo. Um dos filhos deste casal, José Alvo Godinho Brandão Pereira Perestrelo de Azevedo, herdará (por renúncia do primogénito) a casa senhorial de Campanhã. Por sua vez, em 1800, uma sua filha casa com o 2.° Visconde de Balsemão, entrando assim a quinta da Revolta na posse da família Pinto de Sousa Coutinho (Viscondes de Balsemão). Em 15 de Março de 1866 a Revolta é vendida a José Duarte de Oliveira, próspero homem de negócios da praça do Porto, por seis contos de réis em metal. Em 1919, o proprietário é agora seu filho, José Duarte de Oliveira Júnior, viticultor e escritor agrícola notável. Refira-se que por esta altura a quinta chegou a dar 300 a 400 pipas de vinho".




"Em 20 de Janeiro de 1920 foi acordada a venda da propriedade, entretanto liberta dos ónus a que estava sujeita, que seria paga em duas prestações totalizando a quantia de 8000$00. Finalmente, a 8 de Março de 1921, após o pagamento da segunda prestação (3 000$00), é lavrada a escritura de quitação entrando a propriedade na posse da Firma de horticultura e floricultura, Alfredo Moreira da Silva & Filhos, Lda., onde ainda hoje se encontra. Refira-se que, em 4 de Dezembro de 1924, a propriedade foi enriquecida com a compra de uma parcela de terreno em Bonjóia, contígua à quinta do mesmo nome, e adquirida à família Brandão de Melo. Actualmente a quinta mantém sensivelmente o mesmo perímetro de 1851, o que equivale a uma superfície aproximada de 3 hectares. Aqui estão instalados um horto, centro de jardinagem e viveiros, ocupando os serviços técnico-administrativos da dinâmica empresa de hortofloricultura parte da casa da quinta".
Parece haver algo de estranho da descrição acima: Se a quinta tinha cerca de 3 hectares em 1851 e os mesmos na "actualidade" do escrito, não nos parece viável ter dado 300 a 400 pipas e vinho!

15 comentários:

  1. Deixo-lhe informações sobre Bonjoia e o processo de classificação.
    Cump

    http://www.igespar.pt/media/uploads/consultaspublicas/ERbonjoia.pdf

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    1. Muito obrigado. Vamos trata-lo de forma a pode-lo inserir nesta publicação.

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  2. Sou, Manuel José Campos d'Oliveira Lima, sou natural do Porto e neto paterno do aqui referido Dr. José Oliveira Lima, proprietário da Quinta da Bela Vista, director e fundador do estabelecimento de ensino «Instituto Moderno», destinado a leccionar desde a antiga 1.ª Classe do Ensino Primário, até ao antigo 7.º Ano do Liceu.
    É minha pretensão esclarecer o que tem sido aqui referio sobre o «Instituto Moderno», no Porto, que por desconhecimento não corresponde á verdade dos factos, a qual muito apreciarei ver reposta.
    Dado o assunto exigir explanação de forma alongada, efectuarei a exposição em 3 PARTES
    INSTITUTO MODERNO - PARTE 1 - Devo esclarecer que o meu avô, já nessa época, era detentor de Insígnia e o Grau de Comendador da Real Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, agraciado pelo Rei D. Carlos I de Portugal, em 1908, pouco antes do regicídio, tendo também sido professor catedrático de Cirurgia e de Farmacologia na Universidade do Porto.
    Muito tenho visto escrito sobre o início e o final do «Instituto Moderno», até ao presente com descrições surreais e inverídicas demonstrativas da inexistência de suporte e com base no «diz-se, ou no ouvi dizer» sem recurso a suporte documental, com tal enormidade de desconhecimento do assunto, tratando-o com o mais despudorado e desmedido "ânimo leve", bem como enorme irresponsabilidade.
    Refiro-me não só ao texto aqui plasmado, mas também a um conhecido historiador portuense que escreveu uma crónica no Jornal de Notícias sobre o Instituto Moderno, em Novembro de 2000, onde se lê que a aquisição das quintas e a construção dos edifícios do colégio foi investimento de, e sito "ipsis verbis" «um punhado de empreendedores idealistas, tendo à frente o Dr. José de Oliveira Lima» o que refuto por a afirmação não ser verdadeira.
    Estou bem documentado para o poder desdizer e poder comprovar que tanto a aquisição das 3 quintas como o projecto executado pelo arquitecto-pintor José Teixeira Lopes, a execução de todas as obras de construção bem como a aquisição de todo o mobiliário, máquinas e utensílios (recheio valioso encomendados aos "Grand Eteblissement Saint-Étiénne", em França), foram suportados exclusivamente a expensas do Prof. Dr. José d'Oliveira Lima (possuo comprovativos), que para o efeito investiu grande parte da fortuna da esposa, D. Maria Emília de Sousa Nogueira d'Oliveira Lima, neta e filha dos donos da Fábrica de Tecidos de Seda de Francisco José Nogueira, Filho & C.ª (actual C. Comercial Grand Plaza), na Rua da Alegria, Porto, também presidentes da AIP-Associação Industrial Portuguesa e principais accionistas e administradores na antiga Efanor-Empresa Fabril do Norte-Fábrica de Fiação e Tecidos da Areosa, em cujo átrio existia o busto de Francisco José Nogueira, em bronze e tamanho natural, da autoria do escultor António Teixeira Lopes, esta escultura actualmente na posse da Sonae.

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  3. INSTITUTO MODERNO - PARTE 2 - No que diz respeito ao efémero funcionamento do Instituto Moderno, também muito tem sido especulado sem que nenhuma versão corresponda à verdade dos factos. Esta questão tem como motivação principal o surto epidémico do Tifo Exantemático de se disseminou pelo país e causou a morte de milhares de infectados, a situação catastrófica atingiu proporções de tal modo elevadas que, como é do conhecimento geral, provocou a superlotação dos hospitais tendo o governo requisitado instalações privadas um pouco por todo o país, e no Porto a que oferecia melhores condições, quer por estar fora do centro da cidade, quer principalmente por ter capacidade para acolher mais de 2 centenas de doentes e ter uma enfermaria muito bem equipada (com o que de melhor havia em França), foi decidido pelos governantes requisitar por utilidade pública e emergência as instalações do Instituto Moderno e que se encontrava em pleno funcionamento (situação também documentada), não como aqui está dito que «se encontrava já encerrado». Não posso aqui de deixar revelar o insólito da situação criada quando, em Novembro de 1919, o Estado devolveu ao proprietário as instalações do Instituto Moderno, o meu avô e apenas ele, este com conhecimento de causa ser professor-médico exigiu ao governo que procedesse à necessária desinfecção, exigência legal a que o governo se escusou dar provimento por implicar custos muito elevados não suportáveis pelas contas públicas daquela época.
    Esta falta de desinfecção e higienização das instalações escolares do Instituto Moderno, provocaram a recusa dos pais dos alunos em os ali voltarem a colocar com receio da eventual manutenção de focos infecciosos no local. O colégio sem alunos não tinha viabilidade económica para manter os professores, alguns deles estrangeiros, a grande quantidade de trabalhadores efectivos que tinha, bem como os custo de gestão corrente.

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  4. PARTE 3 - Foi nesta fase que surgiu o insólito da situação que passarei a descrever.
    Com a recusa dos pais de ali colocarem seu filhos em ambiente infecto, o colégio assim com funcionamento inviabilizado, levou o seu proprietário a colocar todo o património da Quinta da Bela Vista e Instituto Moderno em venda, tendo o Estado mostrado imediato interesse na sua aquisição para a GNR, considerando que não seria fácil a venda desse património naquelas condições sanitárias, foi fechado o negócio com o Estado pelo valor de 275 mil escudos. Aqui aconteceu o insólito do comprador não ter dinheiro para pagar ao vendedor, dada a conjuntura de pós guerra mundial e da crise política, social e económica que o país atravessava.
    Entretanto, o Prof. Dr. José d'Oliveira Lima, retornou à sua Universidade do Porto, ali continuou a leccionar, alguns anos depois foi empossado como seu Vice-Reitor, depois Reitor-Interino. Permaneceu na Universidade do Porto até ser aposentado por limite de idade, em 1945, tendo vivido apenas mais 5 anos até ter ocorrido o seu falecimento, tendo até ao fim efectuado várias diligencias na tentativa de vir a receber do Estado a dívida que este mantinha para com ele, embora sempre com resultado.
    Entretanto, o Prof. Dr. José d'Oliveira Lima, 2 anos antes do seu falecimento, ainda mais uma vez tentou que o Estado fosse «pessoa de bem» efectuando o pagamento do que lhe era devido há 29 anos, para esse efeito escreveu uma carta aberta publicada em 19-3-1948 no jornal de Lisboa «A VOZ», em que reclamava lhe fosse feita justiça, cujo resultado foi ter sido ignorada pelos governantes. Dois anos depois, no leito de morte, o meu avô chamou os 5 filhos e expôs-lhes a situação, falecendo poucos dias depois.
    O Estado «é pessoa de bem» mas nem sempre, como se tem constatado ao longo da história portuguesa.
    A cobrança desta dívida do Estado, ainda voltou a ser reclamada, com a opção do retorno do património adquirido com incumprimento contratual, à posse dos herdeiros do credor, diligencia efectuada pelo filho primogénito do Prof. Dr. José d’Oliveira Lima, com poderes de representação dos seus irmãos, isto pouco depois da entrada do país país na CEE Comunidade Económica Europeia, ao abrigo de uma sua directiva que impunha a obrigatoriedade do governo democrático do país liquidar as dívidas contraídas pelo anterior regime ditatorial, com prazo estabelecido para reclamação das dívidas. Novamente o resultado foi inglório por o processo ser de instrução complexa e morosa tendo-se arrastado até a expiração do prazo de reclamação e entrega.
    De qualquer modo, creio que as diligencias na tentativa de obter a liquidação dessa ou de qualquer outra dívida do Estado, seria sempre inglória, atendendo à morosidade dos procedimentos processuais, aos subterfúgios que a legislação permite, ou ainda pelo recurso

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    1. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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    2. Acima, queria terminar com a frase « ou ainda pelo recurso ao direito de "usucapião"», que não foi publicada por limite de texto imposto pelo blogue.

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  5. INSTITUTO MODERNO, Porto. Se alguma dúvida ainda subsistir acerca do acima exposto, terei o maior gosto em apresentar cópia dos documentos comprovativos das minhas declarações, que fazem parte do acervo no arquivo histórico da família, do qual também faz parte um filme de 1916 com o documentário legendado «Instituto Moderno».
    Respeitosamente
    Manuel d'Oliveira Lima, elect.eng.

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  6. Boa tarde,
    Muito lhe agradeço os seus preciosos comentários que vêm rectificar factos importantes que não constam do site da Junta de Freguesia de Campanhã, local onde recolhemos as nossas informações.
    Parece-nos que a história da nossa cidade seria melhorada se, junto desta entidade, fosse exposta a verdade dos factos.
    Agradeço os seus comentários, pois o nosso desejo é que aqui seja descrita a verdade da História do Porto.
    Melhores cumprimentos,
    Maria José e Rui Cunha.

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  7. ERRATA - Acima, onde se lê «embora sempre com resultado.», deverá ler-se «embora sempre sem resultado.». Apresento as minhas desculpas pelo lapso.
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    ANOTAÇÃO - Em relação ao historial por mim descrito do “Instituto Moderno”, devo referir que sou detentor e guardião de um acervo documental da família do qual é constituinte diversa documentação e registos fotográficos sobre este colégio fundado pelo meu avô paterno, em 1914, do qual também faz parte o exemplar do projecto dos edifícios principais e de internato do "Instituto Moderno", aprovados pelo Município do Porto, em 4 de Março de 1912, respectivas Licenças de Obra, orçamentos do seu construtor civil diplomado Avelino Ramos Meira, bem como exemplares dos projectos posteriores para a construção de vacaria, cavalariças, arrecadações, garagem e outras instalações.
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    Sou igualmente detentor do original do Curriculum Vitae do Comendador Prof. Dr. José d’Oliveira Lima, dactilografado pelo próprio após aposentação em 1945, onde relata ter sido fundador, director e único proprietário do "Instituto Moderno”, cujo património vendeu ao Estado do qual era ainda credor por não lhe ter sido pago o valor contratado da venda daquele património, bem como o recorte de original do jornal «A VOZ», de Lisboa, de 19.03.1948, da “carta aberta” do meu avô, onde ele reclama que lhe seja feita a justiça do pagamento da dívida contraída pelo Estado para com ele, pela compra do património do Instituto Moderno, no Porto, até então por liquidar.
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    Com efeito, o colégio apenas era frequentado pelos filhos das ditas «famílias ricas», nomeadamente os filhos do Conde de Lumbralles (tios do que foi primeiro ministro Francisco de Sá Carneiro), alguns dos seus alunos foram depois figuras de destaque na política e na diplomacia portuguesa, nomeadamente o Dr. João Pinto da Costa Leite Lumbralles, ministro das finanças e o Eng.º José Frederico Ulrich,ministro das obras públicas, funções de ambos em 1948.
    Para além destes, o colégio foi frequentado pelos descendentes de várias famílias ilustres da cidade do Porto e familiares de empresários e diplomatas estrangeiros a residir na cidade invicta, nomeadamente naturais do Reino Unido, França, Alemanha, Noruega, Dinamarca, Estados Unidos da América do Norte e Canadá.
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    Muito grato pela atenção dispensada ao assunto "Instituto Moderno", no Porto, interessante projecto elaborado, entre 1911 e 1912, pelo Arquitecto-Pintor José Teixeira Lopes (filho e irmão dos ilustres escultores), na expectativa de que contribua para que seja reposta a verdade factual de forma cabal e definitiva, pelos esclarecimentos que prestei sobre o verdadeiro histórico deste colégio, mandado construir de raiz pelo meu avô paterno, num período muito conturbado pelas consequências resultantes da guerra mundial, bem como as consequências e conflitos com origem na recente queda do regime monárquico e implantação da República no nosso país.
    BEM HAJAM.
    Com respeitosos cumprimentos
    Manuel J. C. d’Oliveira Lima

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  8. Bem haja por mais estes esclarecimentos. O importante é que a Verdade seja conhecida.
    Cumprimentos
    Maria José e Rui Cunha

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    1. Dado que completo este ano 70 anos de idade e vivo na Russia, país natal da minha mulher, no que respeita ao Instituto Moderno e ao seu fundador, é meu desejo que seja eliminada a desinformação existente até aqui, pelas informações incorrectas e inverídicas que tem sido veiculadas nos vários meios de comunicação.
      O espólio histórico documentado que possuo sobre este assunto, enriquecido ao longo de vários anos com os valiosos contributos de quase todos os familiares descendentes directos e indirectos do Comendador Prof. Dr. José d'Oliveira Lima, do qual tenho sido guardião e pesquisador, gostaria que se não perdesse aqui na Russia e para que isso não suceda, estou actualmente a proceder à sua transferência para os meus irmãos que residem no país.
      É também meu desejo efectuar, para a Junta de Freguesia de Campanhã, a transferência de cópias de todos os documentos e informação neles contida, referentes ao "Instituto Moderno" e a seu fundador, para que sirva de memória futura e para que não perdure toda a desinformação que tem persistido até então.
      Manuel J. C. d'Oliveira Lima

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    2. Atitude muito inteligente o fazer perdurar a verdadeira história do "Colégio Moderno", instituto único no Porto.
      Rui Cunha

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  9. Tenho seguido atentamente tudo quanto diga respeito ao INSTITUTO MODERNO, no Porto, bem com no que respeita ao seu fundador e director, Comendador Prof. Dr. José d'Oliveira Lima, do qual sou neto.
    Quando o meu avô concluiu a sua licenciatura em medicina, em 1900, na Escola Médico-Cirúrgica do Porto (actual Faculdade de Medicina da Universidade do Porto), foi de imediato colocado em Mossâmedes/Moçâmedes, Angola, como médico do quadro municipal e simultâneamente médico do Caminho de Ferro Mossâmedes-Chela, em construção.
    Em Mossâmedes, o meu avô além de médico foi o autor do projecto do jardim ao longo da Rua do Bonfim, foi passou a cidade ainda no período em que o meu avô ali viveu. Regressou ao Porto, em 1908, onde assumiu o cargo de professor na Universidade do Porto, com passagem por Lisboa onde, no Palácio das Necessidades, foi pessoalmente agraciado pelo Rei D. Carlos I, com a insígnia e grau de Comendador da Real Ordem Militar de N.sa S.ra da Conceição de Vila Viçosa, por se ter distinguido nos cargos que desempenhou e na sua meritória acção em Angola, situação de que tenho documentos e fotografias, no período compreendido entre os anos de 1901 e 1908.
    O Comendador Dr. José d'Oliveira Lima, ilustrada figura de médico e pedagogo, também artista em fotografia, pintura e música, quando em 1908 regressou definitivamente à metrópole com destino cidade do Porto, sua cidade por sentimento, efectuou breve passagem por Lisboa onde, no Palácio das Necessidades, foi pessoalmente agraciado pelo Rei D. Carlos I, com a insígnia e grau de Comendador da Real Ordem Militar de N.sa S.ra da Conceição de Vila Viçosa, por se ter distinguido nos cargos que desempenhou e na sua meritória acção em Angola, situação de que tenho documentos e fotografias, no período compreendido entre os anos de 1901 e 1908.
    Chegado ao Porto, foi nomeado professor e Reitor do Liceu Central D. Manuel II, depois Professor Catedrático de Cirurgia e Farmacologia da Universidade do Porto, onde teve concedida uma licença ilimitada sem vencimento para se dedicar à sua obra modelar que foi o Instituto Moderno, do qual regressou à Universidade do Porto onde foi readmitido como Professor Catedrático, um tempo depois empossado no cargo de Vice-Reitor e mais tarde Reitor-Interino, durante os vários anos em que naquela universidade leccionou até à sua aposentação por limite de idade no ano de 1945.
    Enquanto o Dr. José d'Oliveira Lima esteve em Mossâmedes, para além de médico, foi da sua iniciativa o estudo, projecto, orçamento e direcção da obra do ajardinamento de toda a Avenida da Praia do Bonfim, que na sua carta descreveu «ter-lhe valido uma grande questão com o Governador do Distrito, o Tenente-Coronel Viriato Zeferino Passalaqua, questão que foi até à Junta de Saúde de Luanda».
    Foi também da iniciativa do Dr.José d'Oliveira Lima o plano para a construção de uma Escola de Artes e Ofícios, que viria a denominar-se Escola Profissional Rainha D. Amélia, de que foi relator, tendo também sido autor do plano de regulamento, do orçamento de gestão corrente anual.

    Respeitosos cumprimentos
    Manuel J. C. d'Oliveira Lima

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