quinta-feira, 18 de setembro de 2014

3.11.09 - OUTRAS CAPELAS - I

3.11.09 – Outras Capelas


Capela de S. Salvador do Mundo




Capela de S. Salvador do Mundo, inicialmente na R. das Congostas e desde 1892 na R. Mouzinho da Silveira. A antiga capela fazia parte do Hospital de S. Salvador que existiu na Rua das Congostas. Em 1485 grassou na parte alta da cidade, na zona da porta do Olival, uma epidemia de peste. O povo da baixa pediu a Deus que os poupasse a tal flagelo. Na verdade esta zona não foi atingida, possivelmente por se terem erguido barreiras. Daí o nome que hoje ainda perdura da Rua das Taipas. Foi então criada uma pequena ermida a que foi dado o nome de S. Salvador do Mundo. A actual capela deverá ser do Séc. XVIII. Era conhecida por Capela dos Sapateiros, por pertencer à sua confraria. 
Quem por lá passar, na Praça do Infante, estranhará que, no rés do chão, exista uma casa comercial. Já na antiga capela o mesmo acontecia, e era no primeiro andar que se realizavam as cerimónias religiosas. Hoje esta capela pertence à paróquia de S. Nicolau, servindo o primeiro andar de capela mortuária.

Capela de Nossa Senhora das Verdades



Capela de Nossa Senhora das Verdades - A Porta ou postigo das Verdades, antes das Mentiras, ficava ao fundo da Rua de D. Hugo, por trás da Sé. Era encimada por um nicho com a imagem de Nª: Senhora das Verdades ou do Postigo, muito venerada pelo povo da vizinhança. Quando, no século XIV, foi destruída, o cónego Nicolau Parada mandou fazer à sua custa uma pequena capela onde colocaram a imagem. Durante o cerco do Porto a capela foi destruída pela metralha miguelista de Gaia. Porém, D. Angela Jacome do Lago e Moscoso mandou reconstruí-la em 1843.


No retábulo, quatro pequenas pinturas do século XVII, de gosto e traço simples, representam São Domingos, São José, São João Evangelista e Nossa Senhora da Rosa. Ao centro, num nicho, está a dita imagem de Nossa Senhora das Verdades ou do Postigo, em calcário de Coimbra, do final do século XIV.

As superstições sempre acompanharam o Homem. Também as havia no Porto. O genial Alberto Pimentel refere-se, em 1899, a uma ligada a esta capela: 
“A locução “Andar às vozes” exprime o facto de qualquer pessoa vaguear pela rua à escuta do que os outros dizem, para tirar agoiro do que eles disserem. E, segundo o que ouvir, esperará boa ou má fortuna no negócio que traz no pensamento. Castilho, no “Amor e Melancolia” aludiu a esta tradição relativizando-a apenas com a noite festiva do Santo Percursor; 

Qual com bochecho na boca 
Aplicando atento ouvido 
Espera que á meia noite 
Seja um nome proferido. 

No Porto acresce á tradição o costume de, quando alguém “andar a vozes” se dirigir como em silenciosa romagem, à Capelinha da Senhora das Verdades. Tal é o pitoresco especial da versão portuense. 
Crê que a Virgem daquela invocação fará com que as pessoas que encontramos pela rua nos revelem involuntariamente ou inconscientemente o porvir dizendo “verdades” que o tempo confirmará. 
Eu fui muitas vezes, quando era pequeno, à referida capelinha, para acompanhar uma pessoa da minha família, que acreditava na tradição de que pelas vozes se ficava sabendo a verdade futura. 
Saíamos de casa depois das nove horas da noite e íamos atravessando a cidade, sem dizer palavra, em direcção à Sé…Eu e a pessoa que eu acompanhava ali, ajoelhávamos no degrau da porta, quando chegávamos ao termo da nossa silenciosa romagem… Chegava a aborrecer-me aquela maçada de atravessar em silencio a cidade, do Bairro Ocidental para o Bairro Oriental. Quando já, perto de mim, negrejavam as paredes da Sé, na solidão e no silencio, a minha tristeza, misto de enfado e terror, aumentava a ponto de me fazer tremer às vezes. Não sei se rezava ou o que rezava, enquanto essa querida pessoa orava fervorosamente com os lábios colados a um dos ralos, como se estivesse falando a Nossa Senhora para dentro da ermida… A pessoa que eu acompanhava, ao voltarmos para casa, vinha quase sempre preocupada, a resolver na mente as “vozes”, agradáveis ou desagradáveis, que tinha ouvido. Pobre e crédula criatura, antegosava a felicidade que lhe tinha sido anunciada, ou vergada ao peso de alguma profecia de desgraça, de algum aviso aziago, acreditando, por igual, uma ou outra cousa. Aqui está, pois, como segundo a versão do Porto, a Capela de Nossa Senhora das Verdades é o termo tradicional de “andar às vozes”. Como é do estilo não falar quando se a”anda às vozes” algumas pessoas para evitar o descuido de não guardar silencio (o que estragaria a romagem) sujeitam-se ao incomodo do bochecho. Mas por isso mesmo que é incomodo, a maior parte da gente dispensa-o, cerrando os dentes uns contra os outros e pondo toda a sua atenção em não dizer palavra”.    



O facto de se chamar Arco das Verdades faz com que haja quem o julgue ligado à Porta das Verdades. Na realidade este arco fazia parte do aqueduto que levava água para o Mosteiro de S. Lourenço, hoje Seminário Maior do Porto. Esta água provinha da grande nascente de Mija-Velhas, no actual Campo 24 de Agosto, e no seu caminho ia alimentando outras fontes.

Capela de Nossa Senhora da Piedade


Capela de Nossa Senhora da Piedade ou do Cais, para onde foi levada, em 1821, a imagem de Nossa Senhora do Ó. Esta capela, do séc. XVII é dedicada a Nossa Senhora da Piedade. Em 1821 a muralha junto da Ribeira foi destruída e com ela a Capela de Nossa Senhora do Ó. 
A partir desta data a capela é mais conhecida por Capela da Senhora do Ó.


Imagem da Senhora do Ó. Há dúvidas que seja a original.


Gravura de Henry Smith, 1809, da antiga Capela de Nossa Senhora do Ó junto do cais da Ribeira, destruída em 1821  juntamente com a muralha. Era muito bela e sumptuosa.

Capela da Lada


Perto do loca da actual Capela da Lada, esteve instalado o primeiro padre Jesuíta, em 1546 que, fruto da sua acção apostólica veio a iniciar-se, no Porto, a Companhia de Jesus.
Quando tratarmos do Convento dos Agostinhos Descalços trataremos este facto com mais pormenor.

Capela de Santo Eloi



Capela de Santo Elói, á direita da Igreja de S. Francisco.

A Capela de Santo Elói pertencia à Confraria dos Ourives, que remontava ao Século XVI. Segundo Sousa Reis “Ao sul da antiga Igreja dos Religiosos de S. Francisco há uma capela fundada à custa dos ourives desta cidade que nos tempos passados gosarão de todos os privilégios concedidos aos officiais da Casa da Moeda. Está assente no pavimento ou pátio superior da escadaria que havia por este lado para servidão da dita Igreja.” 
Foi mandada demolir pela câmara em 28/8/1871 para o rompimento da Rua Nova da Alfândega. A imagem de Santo Elói foi para a Igreja de S. Nicolau. As pedras foram guardadas na Foz, num terreno cedido por D. Ana Cândida de Vasconcelos Carvalho. Em 8 de Abril de 1874, um grupo de particulares mandou reconstruí-la na Rua de Gondarém, na esquina das Ruas de Gondarém e do Crasto.


Santo Elói, padroeiro dos ourives, viveu em França entre 588 e 660. Foi escultor, modelista, marceneiro e ourives. Conta-se que sua fama chegou à Corte e aos ouvidos do rei Clotário II, em Paris. Ele decidiu contratar Elói para fazer um trono de ouro e lhe deu a quantidade do metal que julgava ser suficiente. Mas, com aquela quantidade, Elói fez dois tronos e entregou ambos ao rei. Admirado com a honestidade do artista, ele o convidou para ser guardião e administrador do tesouro real. Assim, foi residir na Corte, em Paris. Elói assumiu o cargo e também o de mestre dos ourives do rei. Elói também realizou obras de arte importantes, como o túmulo de são Martinho de Tours, o mausoléu de são Dionísio em Paris, o cálice de Cheles e outros trabalhos artísticos de cunho religioso. Além disso, e acima de tudo, Elói era um homem religioso, não lhe faltou inspiração para grandes obras beneméritas e na arte de dedicar-se ao próximo, em especial aos pobres e abandonados. O dinheiro que recebia pelos trabalhos na Corte, usava-o todo para resgatar prisioneiros de guerra, fundar e reconstruir mosteiros masculinos e femininos, igrejas e para contribuir com outras tantas obras para o bem estar espiritual e material dos mais necessitados. Em 639, o rei Dagoberto II morreu. Elói, então, ingressou para a vida religiosa. Dois anos depois, era consagrado bispo de Noyon, na região de Flandres.

Igreja e postigo de Santo Eloy


Demolida em 1833


Convento de Santo Elói e Capela da Senhora da Consolação – Desenho de Joaquim Villanova – 1833 - O primeiro convento dedicado a este santo foi erigido em 1491 pelos padres da Congregação de S. João Evangelista também chamados dos Loios. Tendo-se tornado insuficiente foi decidido proceder ao seu alargamento que, tendo começando em 1593, só terminou em 1611. No fim do Séc. XVIII os padres Loios deliberaram construir um grande convento, virado para a Praça das Hortas. Demolida a muralha que ali passava, começaram a erguer um monumental convento. Este não chegou a ser concluído, pois em 1833 foi confiscado pelos Liberais e os padres fugiram de Portugal. Seguidamente, dado o seu estado ruinoso, a Igreja foi destruída.

Arco e Capela de Santana


1821


Arco e Capela de Santana


A antiga Rua das Aldas passou a chamar-se Rua de Sant’Ana em meados do séc. XVI, como afirma Eugénio Andrea da Cunha Freitas. Segundo este historiador “num documento de 1542, a antiga porta da muralha passa a ser designada por "Arco de Sant'Ana", o que aponta no sentido de, desde os meados do séc. XVI, esta Porta possuir uma imagem da Mãe de Nossa Senhora, a quem seria consagrada.” 
Sousa Reis descreve-o: "Todo o arco de Stª Anna era de architectura moderno, e levantado como disse, quase ao meio da rua, que se sobe para chegar ao largo do Collegio de S. Lourenço, vulgarmente chamado dos Grilos, e abrangia o estreito espaço d'essa rua: sobre elle havia hum oratório, que tinha humo (sic) janella com vidraça voltada para o lado superior; ou do referido Mosteiro dos Grilos; continha a imagem da Santa da sua invocação…Este arco foi demolido no mez d'Agosto de 1821.” A imagem de Sant’Ana, a Virgem Maria e o Menino, foi levada para a Capela de S. Crispim que ficava ao cimo da Rua de S. João. Quando da construção da Rua de Mouzinho da Silveira a capela foi demolida e a imagem foi para a Sé.

Capela de Nossa Senhora da Batalha



In O Tripeiro, Volume 3, Novembro de 1912 – O autor escreve no fim no fim do séc. XIX – A porta da Batalha ou de Cimo de Vila, onde se encontrava a Nossa Senhora da Batalha, foi destruída por Francisco de Almada em 1793.


Nova Capela da Batalha – desenho de Joaquim Villanova - 1833


Em 1799 terminou a construção de uma nova capela, com o mesmo nome, muito perto do antigo teatro S. João. 
Sofreu dois grande incêndios, em 1816 e 1850, este de tal forma desastroso que derreteu as pratas e o sino. Foi no entanto reconstruída aos poucos até 1892, fruto de alguns benfeitores abastados e das esmolas dos fieis.
Em 1736 foram aqui fundadas a Ordem do Carmo e, em 1755, a Ordem da Trindade que ali esteve até 1796.
Em 1924 foi demolida para dar mais largura à rua que liga ao Hospital do Terço, e a imagem transferida para a Sé.



Em O TRIPEIRO, V série, nº. XIII, a páginas 272 e seguintes, o historiador do Porto Horácio Marçal apresenta várias referências à imagem de Nª. Sª. da Batalha, mas que se contradizem. Por este facto ele próprio afirma que, depois do seu estudo sobre esta, teria ficado na mesma ignorância. Parece ser uma imagem do séc. XIV, em pedra e que estaria numa antiga capelinha junto à porta de Cimo de Vila ou da Batalha. Esta imagem encontra-se actualmente na Sé.

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