domingo, 21 de fevereiro de 2016

RIO DOURO - BARRA VII

6.3.7 - Rio Douro - Barra VII - Barcos infectados - Cheias do Douro - Mar bravo na Foz - Capela/Farol da Senhora da Luz


Em Setembro de 1856 o Conselho de Saúde Pública determinou que 12 barcos surtos no rio saíssem da barra ou fossem afundados, dado que se suspeitava estarem infectados com febre-amarela. Esta medida provocou uma forte reacção na cidade, pois a doença já estava dada como curada.
Oito conseguiram tripulação para sair, mas 4 delas foram mesmo afundadas. Na foto acima podem ver-se a barca Lima e o brigue S. José já com água até ao convés. Estas fotos são de Franz Burmester.
Também, em 14/8/1900 o vapor procedente de Londres, City of Amsterdam, com 16 passageiros a bordo, foi obrigado a sair do Douro pois na carta de saúde estava escrito que naquela cidade se teriam verificado dois casos de peste. Porém, no dia 17 foi autorizado a reentrar, pois já não tinha víveres a bordo. Foi um acontecimento muito criticado porque Londres nunca deixou de receber os barcos que foram do Porto durante a peste de cá.


“Soares dos Reis estreou-se como repórter artístico do "Occidente", no número 15, de janeiro de 1879, com o desenho do vapor inglês "Olga" que havia sido abalroado pelo vapor da marinha mercante francesa "Constantin". O "Olga", que sofreu danos irreparáveis, veio a encalhar na praia de Matosinhos e Soares dos Reis dirigiu-se ao local do sinistro onde registou, em desenho, o acontecimento”. In Porto Desaparecido


Barco encalhado no Cabedelo - Photo Guedes - 1900


Cheia de 17 a 25 de Dezembro de 1909 – Desde o séc. XVIII a maior cheia foi a de 1739 seguida das de 1909 e 1962. 




Cheia do Douro de Dezembro de 1909 – fotos da Ilustração Portuguesa nº. 203 de 10/1/1910 - sobre as cheias do Douro ARC descreveu-as em capítulo próprio que trataremos na devida altura..


Silver Valley encalhado no Cabedelo – 16/2/1963


“O encalhe deu-se na madrugada do dia 26 de abril de 1988, na praia da Madalena (...). O navio japonês transportava cerca de 5400 automóveis da marca Toyota. Vinha do Oriente e tinha feito escala no porto de Leixões, para abastecer e desembarcar duas centenas e meia de carros, com destino à empresa Salvador Caetano, de Vila Nova de Gaia, devendo depois seguir para a costa irlandesa. Navegava sob bandeira panamiana, com uma tripulação de 22 homens, todos coreanos.
O Reijin saiu do porto de Leixões já com sinais de não estar nas melhores condições, devido talvez ao mau acondicionamento da sua carga, ou a imperfeição da sua construção. O barco não tinha mais de um ano e esta foi a sua primeira grande viagem.
Saiu já adornado, prosseguindo a sua rota paralelamente à costa em vez de se fazer ao largo. O mar um tanto ou quanto alteroso nessa noite deve ter dificultado as manobras da tripulação, acabando o Reijin por se aproximar da costa gaiense e encalhar na praia da Madalena.
Já completamente de lado quando embateu nas rochas, o Reijin abriu uma grande fenda, não saindo mais desse local. Alertadas pela população, várias corporações dos bombeiros de Gaia e do Porto, auxiliados por homens-rãs do Instituto de Socorros a Náufragos, procederam às operações de salvamento dos tripulantes. Alguns dos marinheiros chegaram à costa no meio da noite, outros foram recolhidos no mar. Dada a violência do acidente o mesmo provocou um morto e um desaparecido, não tendo sido encontrado o seu corpo nas buscas que se seguiram”. In Porto Desaparecido

Naufrágios na barra do Douro - Caminhos da História – 18/3/2013 http://videos.sapo.pt/eCyRYT1J9lJWGc472Qoj


Afurada – 1885 – foto Emílio Biel



Foto de Rien Van Der Kaay



6/1/2014


Farol de Felgueiras – Portolovers - 2016

Molhe e farol de Felgueiras. Já no séc. XVIII ARC fala na necessidade de se construir um molhe com farol “ com pedra lançada avulso toda a aberta que há entre o Castelo e as pedras chamadas de Felgueiras “. Porém, devido às grandes crises até meados do séc. XIX nada foi feito. Só em 1866 apareceu o primeiro projecto de autoria do eng. Manuel Afonso de Espregueira. Este foi modificado pelo eng. Nogueira Soares, que passou a dirigir as obras. Segundo Horácio Marçal o primeiro farolim foi instalado em 1882. O molhe ficou definitivamente terminado em 1903. Em 1940 e 1945 o farol foi renovado e melhorado o seu alcance, para as 12 milhas.
O Professor Doutor Francisco Ribeiro da Silva disse-me haver uma dúvida se o rochedo nº. 6 se chamaria da Felgueira ou de Felgueiras. Também Jorge Portojo diz já ter lido da Felgueira. ARC e Sousa Maldonado, na planta da Barra do Douro, chamam-lhe de Felgueiras.


Foto de Deolinda Keng



Ermida e Farol da Senhora da Luz – pormenor do mapa de Teodoro de Sousa Maldonado - 1789


O farol da Senhora da Luz foi mandado construir por alvará do Marquês de Pombal, de 1 de Fevereiro de 1758 e destruído por um raio em 1814, e de imediato reconstruído. – Foto de Frederick Flower, deverá ser dos anos 1853 a 1859. Quando, há anos, visitámos o Palácio da Bolsa foi-nos dito que, antes de haver o telégrafo eléctrico, as comunicações eram feitas por 3 bandeiras, na foto, cujas posições relativas determinavam diferentes informações. Estas eram repetidas noutras bandeiras colocadas na Capela de Santa Catarina e no lugar onde tinha estado a Torre da Marca (ou na porta do Olival) e finalmente no cimo de uma das torres da Sé. Desta forma os comerciantes e proprietários dos barcos eram imediatamente informados dos que iam entrar na barra. – Segundo o blog NAVIOS À VISTA: “Mais dez anos volvidos e nova alteração se registava no sistema de comunicação com a instalação em 1853 do moderno e mais eficiente sistema telegráfico eléctrico Breguet, que entrou em actividade em 1856, enquanto serviço público do Estado só iniciou a actividade no ano seguinte. Este aparelho foi substituído em 1880 por um sistema Morse, até ao estabelecimento em 1885 de um serviço telefónico.”


Monte da Senhora da Luz com o farol e telégrafo, visto do lado de Carreiros. Neste local existiu desde 1680 um oratório a Nossa Senhora da Luz, que já era uma reconstrução de outro anterior. Foi destruído pelos miguelistas em 1832.


A imagem encontra-se na igreja de S. João da Foz.


Nas instalações do antigo farol da Senhora da Luz esteve sediado durante uns anos a administração da revista O Tripeiro.

1 comentário:

  1. Olá
    Olá
    Lembro-me bem do naufrágio do «navio dos Toyota». também fui dos que fui na «romaria da visita»...e até tirei uma fotos...
    Cumprs
    Augusto

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