sábado, 23 de julho de 2016

AS ARTES LIBERAIS E FABRIS - II

6.23.2 – As artes liberais e fabris





Sapateiros


Forma antiga 


Sovela – houve antigamente, no Porto, a Rua da Sovela, que é a actual Rua dos Mártires da Liberdade

“O ofício de sapateiro é de origem divina. É esta a afirmação de um sapateiro que morreu sendo director do hospital de Troyes e reitor do colégio desta cidade. 
Este antigo sapateiro, de nome Balduíno, sustentava que Deus havia sido quem ensinara Adão a preparação de peles e o fabrico de calçado.
O certo é que o ofício de sapateiro é de origem tão antiga como o homem. 
Os Egípcios detestavam toda a efusão de sangue e por isso o sapateiro era considerado como um ser pertencente a uma casta inferior, porque os materiais que usava provinham de animais sacrificados. 
Os Romanos também consideravam abominável a associação com homens pertencentes a este ofício, e para não conviverem com eles houve na antiga Roma um lugar isolado onde os sapateiros, assim como os carniceiros e os curtidores, eram obrigados a residir.
O Cristianismo trouxe uma mudança radical a este desprezado ofício. 
Os sapateiros tiveram vários colegas que foram santos. O primeiro deles foi Santo Aniano, bispo de Alexandria, que é, ainda, em alguns países, o patrono dos mestres sapateiros. Contudo, os sapateiros santos mais populares são S. Crispim e S. Crispiniano. 
O martírio destes dois irmãos, leva a que se inicie a formação dos grémios, que alcançaram o seu maior esplendor na época da Reconquista. O voto corporativo data desta época.
O Grémio dos sapateiros, assim como todos os outros ofícios, escolhia o seu delegado para que tomasse parte nos conselhos.
Havia leis que regulavam a competência e proibiam a indústria clandestina. 
Cada mestre tinha a sua freguesia, que devia ser respeitada pelos outros, e os oficiais que se estabeleciam não podiam abrir as suas lojas perto daquelas pertencentes aos seus antigos mestres. 
Em alguns países as ordenanças de sapateiros eram muito severas. 
Para ser mestre sapateiro era necessário conhecer bem o ofício e, além disso, pagar certa quantia. Os fabricantes, depois de terem obtido a sua licença, juravam sobre as relíquias dos santos, que todas as transacções da sua profissão seriam honestas e de acordo com os costumes do ofício. 
Estes eram muitos, entre os quais se distinguia a proibição de se poder trabalhar depois do toque de vésperas de sábado até à segunda-feira seguinte. Não podiam trabalhar à luz artificial, misturar cordovão e badana num mesmo calçado, nem vender material velho e novo no mesmo estabelecimento. Não se permitia fabricar calçado a quem não reunisse estas 3 condições indispensáveis: ter sido aprendiz, ter executado uma obra-prima como demonstração da sua destreza na arte, e ser uma pessoa de grandes qualidades morais. 
Era necessário que a aprendizagem tivesse sido feita na mesma cidade onde o oficial pretendia estabelecer o seu negócio. Durava 3 a 4 anos, e ia precedida de um contrato que definia os deveres e obrigações, tanto do aprendiz como do mestre. 
Terminada a aprendizagem, concedia-se ao aspirante, o privilégio de se preparar para mestre, executando uma obra que demonstrasse as suas aptidões.
Esta prova realizava-se na presença dos inspectores do ofício – o delegado e mais 6 mestres -, que vigiavam o aprendiz enquanto executava o seu trabalho. 
Se um oficial sapateiro não encontrava ocupação no seu ofício estava proibido de se dedicar a outro trabalho. 
Em Portugal, desde as primeiras alusões remontando aos tempos medievais, o ofício de sapateiro aparece sempre mencionado junto dos curtidores ou da arte de courama. 
Foram os mouros que introduziram na Península esses ofícios e a primeira notícia que conhecemos é de 1253 – Lei de Almotaçoria”. In http://museuvc.ctcp.pt/


S. José – o carpinteiro mais conhecido da História


Ferramentas medievais de carpintaria, cerca de 1465


Reconstrução da Igreja de S. José dos Carpinteiros, Lisboa, após o terramoto de 1755 



Marceneiro - 1568


Marceneiro


Ferreiro medieval




O ferreiro - vídeo

Forja de carvão


Tanoeiros


Foto Emílio Biel


1909




Ferramentas de tanoeiro

A antiga arte dos tanoeiros 

Como se lê em O Porto na época dos Almadas “Segundo a Relação das Fábricas em 1788, existiam na cidade 22, entre as quais de “atanados, sola e mais curtumes”; as de botões de casquinha; velas de cera; chitas e chapéus finos”. 

Geraldo J. A. Coelho Dias, OSB da F. de Letras do Porto, afirma que:
“Mesteirais chamavam-se, na Idade Média, os homens adstritos a um mester, ofício mecânico ou industrial: albardeiros, alfaiates, caldeireiros, carpinteiros, cordoeiros, ferreiros, ourives, sapateiros, tanoeiros e até almocreves e barbeiros. A multiplicação dos mesteirais derivava da importância da cidade ou vila e da capacidade de produção e venda dos mesteirais. Em geral, arruavam-se, isto é, agrupavam-se por rua afim de melhor se ajudarem, defenderem e atraírem clientes.” 

Os santos protectores dos principais mesteres eram: “ Ourives (Santo Elói), Ferreiros e Serralheiros (Nossa Senhora da Silva), Folha de Flandres e Caldeireiros (S. Vicente e Senhora da Saúde), Latoeiros e Chapa (S. Gonçalo na Sé), Botoeiros (Santa Ana), Pedreiros e Taipeiros (Santa Luzia), Carpinteiros, Ensambladores, Tamanqueiros e Torneiros (S. José e S. Brás no Convento de S. Francisco), Pintores e Douradores (S. Lucas), Torcedores de retrós (Nossa Senhora da Conceição), Cerigueiros (Nossa Senhora da Batalha), Tanoeiros (Santo António), Pasteleiros (Nossa Senhora do Desterro), Sapateiros e Surradores, que, depois, anexou os soqueiros e tamanqueiros (S. Crispim e Crispiniano) “

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