quarta-feira, 13 de julho de 2016

EMPRESA FABRIL DO NORTE - FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS DA AREOSA

6.20 – Empresa Fabril do Norte






Chegou a ter 3.000 trabalhadores. Era uma das melhores empresas de linhas de coser do país. Aqui nos seus tempos áureos.

“Em tempos passados, a rede nacional de caminho de ferro escolheu Senhora da Hora, Matosinhos, para instalar um dos nós essenciais das ligações ferroviárias entre o Porto e o Norte do País, contribuindo deste modo para a fixação de diversas empresas.
Foi em torno desta centralidade que, num país ainda regido pela monarquia, foi inaugurada em 1905, a Efanor-Empresa Fabril do Norte, pelo empresário Delfim Pereira da Costa, tendo sido a primeira fábrica em Portugal a produzir carrinhos de linha, razão pela qual lhe chamavam ” a fábrica dos carrinhos”. Mais tarde, esta Empresa foi adquirida por Manuel Pinto de Azevedo, grande industrial e empresário que nela introduziu toda uma série de inovações sociais.
Apesar dos baixos salários praticados, uma regra disciplinar muito apertada e um modelo de produção assente na mão-de-obra intensiva, coisa muito normal nos tempos de governação de Salazar, esta grande estrutura foi uma das mais importantes unidades industriais do Grande Porto, inclusivé de todo o Norte de Portugal que, nos tempos da maior produção, chegou a empregar cerca de 3000 trabalhadores, tendo sido considerada a maior empregadora do Norte de Portugal.
A nível social esta empresa prestava assistência médica e medicamentosa aos seus trabalhadores, mesmo antes do Estado assumir esse compromisso. Possuía igualmente uma creche e jardim infância para cerca de 140 crianças, refeitórios e uma enorme cantina.
É de realçar que a grandeza esta unidade fabril permitiu criar uma corporação privativa de bombeiros e de iniciar em 5/10/1944, a construção de pequenas habitações económicas para os seus trabalhadores. Para fomentar a sua manutenção a Empresa criou concursos anuais para “a casa mais florida”. Este Bairro Operário situava-se na avenida principal em frente das instalações fabris (Av. Fabril do Norte), mas infelizmente foi demolido em 1995/1996.
A empresa registou apenas a sua primeira greve em 1958, não por razões laborais, mas em solidariedade contra a prisão pela PIDE do médico da empresa, Manuel Teixeira Ruela, conhecido como «médico dos pobres».
Apesar desta unidade ter encerrado a sua actividade em 1994, continua a ser um símbolo da freguesia da Senhora da Hora, dado ter revolucionado completamente a sua paisagem e a forma de vida dos seus habitantes.
Foi totalmente demolida em 2007 e nos seus terrenos foi construída uma grande urbanização de condomínios habitacionais bem como um Colégio/Jardim de infância. 


Antiga tinturaria

Apenas ficou de pé um pequeno edifício e respectiva chaminé industrial, destinando à construção de um pólo museológico para preservação da memória industrial desta grande unidade, será uma extensão da Fundação Serralves.



Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=JwPZC7HRYdA

No entanto, a memória viva desta grande unidade continua bem presente para quem visita o Centro Comercial Norte Shopping, onde os visitantes podem apreciar algumas das máquinas que fizeram parte da Empresa Fabril do Norte”. In blogue Caça Devolutos









Foto de Ruin’Arte

Fotógrafos invadem a Efanor destruída 

100 anos da Efanor – Público - 2007 

“02/05/2007 - Sonae investe 170 milhões na reconversão da Efanor 
A portuguesa Sonae vai realizar um investimento global na ordem dos 170 milhões de euros num projecto urbanístico na Senhora da Hora, em Matosinhos. Trata-se do empreendimento Quinta das Sedas, que resulta do projecto de reconversão da antiga unidade fabril da Efanor, que irá dar lugar a um luxuoso condomínio residencial, com extensas zonas verdes. 
Com uma área de intervenção de 210.000 m², este projecto prevê a construção de um complexo residencial de luxo para mais de duas mil pessoas. O seu desenvolvimento será cumprido em seis fases distintas, durante um período de nove anos. Neste momento, vigora a fase de certificação de qualidade ambiental. As fases seguintes referem-se à construção dos restantes cinco blocos habitacionais, com um total de 700 apartamentos, cuja conclusão está prevista para o final de 2013. Nessa fase serão também edificados dois equipamentos hoteleiros e um edifício de escritórios. Os projectos dos dois primeiros edifícios ficam a cargo do arquitecto português Alcino Soutinho. O projecto de arquitectura do parque e do jardim público é da responsabilidade de João Nunes. A promoção fica ao cargo da Sonae Praedium, promotora imobiliária do grupo de Paulo Azevedo. O empreendimento Efanor – Quinta das Sedas será certificado ambientalmente e ocupará uma área de cerca de 12 hectares, estando prevista a consagração de 50.000 m² para zonas verdes e a criação de um lago biológico. Em termos ambientais, a grande aposta deste complexo reside na utilização de painéis fotovoltáicos, visando assim garantir as necessidades energéticas das zonas verdes, com 450 árvores novas e 20.000 pés de bambu. Recorde-se que a Efanor foi a fábrica têxtil onde o fundador da Sonae, Belmiro de Azevedo, começou a trabalhar pela primeira vez. Com este projecto, o empresário pretende preservar a memória histórica da antiga fábrica, construindo no local um parque de lazer energético e sustentável em termos ambientais e albergar uma extensão do Museu de Serralves”. 


Fábrica de Fiação e Tecidos de Salgueiros



Fábrica de lanifícios de Lordelo e vista aérea - chamada a fábrica dos cobertores

O Porto foi, durante muito tempo da sua história, a cidade mais comercial do país. Porém não podemos desprezar a sua grande importância industrial, sobretudo a partir do séc. XIX. 
Em 1877 havia na cidade 404 fábricas. Destacam-se: 10 de cerveja, 22 de chapéus, 4 de tabaco, 11 de curtumes, 11 pichelarias, 17 tinturarias, 24 serralharias, mais de 100 de fiação e tecidos de seda e algodão, 28 de galões e passamanarias, 46 padarias, 11 refinarias de açúcar e muitas outras de outras especialidades. Poder-se-á dizer que o Porto não só se autoabastecia como exportava muitos dos artefactos aqui produzidos. As zonas mais industriais eram as ribeirinhas e as do Porto Centro e Nascente. 
Hoje é uma cidade de serviços e muito pouco industrializada. Por uma questão de preço dos terrenos, custo da mão-de-obra e fácil ligação rodo-ferroviária as indústrias começaram a deslocar-se para o Minho, à altura unicamente dedicada à agricultura. 


6.21 – Fábrica de Fiação e Tecidos da Areosa







Cardas


Fiação


Tinturaria


Caldeira


Bombeiros privados de várias empresas têxteis, entre elas a Areosa

Fábrica de Fiação e Tecidos da Areosa – foi fundada em 1907 por Pantaleão Dias e comprada em 1920 por Manuel Pinto de Azevedo, proprietário do jornal O Primeiro de Janeiro e da EFANOR. Uma das maiores empresas do país. Tinha uma política social muito avançada no tempo, com creches, refeitórios e casas para trabalhadores necessitados, alugadas a preços simbólicos. 

Cinemateca - 1934 - extraordinário documentário

2 comentários:

  1. As minhas vivas felicitações por tão bem elaborada crónica !

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    1. Muito obrigado. Fazemos os possíveis por agradar aos nossos leitores apaixonados pelo Porto.

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