domingo, 12 de fevereiro de 2017

O AUTOMÓVEL I

6.26.9.2 - O automóvel I - Panhard & Levassor, Os primeiros automóveis no Porto, Ford na Rampa da Corticeira, Primeira Carta de Condução no Porto


Guiado pelo Conde de Avilez - 1895


O Panhard & Levassor no Museu dos Transportes do Porto

O primeiro carro que entrou e circulou em Portugal foi um Panhard & Levassor comprado pelo conde de Avilez que depois de uma viagem a Paris, ficou entusiasmado com este novo meio de transporte e encomendou um exemplar á Casa Panhard & Levassor.
Várias peripécias marcaram a sua entrada em Portugal. Na Alfândega não sabiam qual a designação a atribuir ao objecto, se uma alfaia agrícola ou uma "locomobile" (máquina movida a vapor). Acabou por se optar pela última designação. Numa viagem de Lisboa para o Sul atropelou um burro. Foi este o primeiro acidente automóvel da nossa história. Atingia a espantosa velocidade de 20 km/h. Actualmente está no Museu dos Transportes do Porto, na Alfândega.


O Panhard & Levassor exposto nas corridas de Fórmula 1 de 1958

O primeiro carro em Portugal – Hermano Saraiva

Um conde, um carro e um burro – Hermano Saraiva

Os primeiros automóveis em Portugal - RTP


In O Tripeiro – Volume 2

Várias são as memórias sobre o primeiro automóvel no Porto. Além destes dois testemunhos, já lemos algures que o Pagnard & Levassor a que nos referimos acima foi vendido para o Porto, mas como não nos recordamos da data e do comprador, pode não ter sido o primeiro.


Alberto Henrique Andresen recorda em O Tripeiro Série V, Ano V, a inauguração no Porto do automóvel Decauville, em Maio de 1897, importado por seu pai, que tinha o mesmo nome. Diz aquele que foi o segundo automóvel a entrar em Portugal. O motor era um monocilindro de 3 cavalos, pesava 180 quilos e tinha 2 velocidades para a frente. Foi fabricado pela Benz.
O Decauville foi desencaixotado e experimentado num campo de ténis da Rua do Barão de Nova Sintra. Depois de um pequeno acidente e já habituado a manobrá-lo passeava pela cidade. Não tinha votante, usando uma barra horizontal com um manípulo vertical que o condutor fazia girar. Era muito incómodo o calor que saía do motor e atingia o assento.
Combinado que foi um passeio matutino a Vizela, acompanhado de três triciclistas, verificou-se, em Ermezinde, que o carro vertia gasolina. De imediato se bateu a uma porta pedindo uma rolha que resolvesse o problema. Entre gargalhadas o condutor contou ao seu acompanhante: “Calcule que de entrada fui encarado como um foragido do Conde Ferreira. Se lhe parece, às sete da manhã e com esta vestimenta, entrar numa casa estranha a reclamar com insistência por uma rolha!” Mas depois de muitas peripécias, uma das quais foi um dos triciclistas cair ao Rio Vizela, lá chegaram, finalmente. A foto acima mostra a saída destes “turistas” para o passeio. 
Este carro foi vendido pelo Sr. Andresen ao Sr. António da Silva Cunha, fundador de Camisaria Confiança, em Agosto de 1900. Esta informação foi tirada de O Tripeiro Volume 6, Série 3, de Abril de 1927; trata-se de um testemunho do comprador do carro ao Sr. Silva Cunha e morador em Amarante.


Panhard & Levassor na Circunvalação - foto Aurélio Paz dos Reis - 1900

“ O primeiro automóvel registado com a chapa nº. 1 no Porto, no Governo Civil e não em qualquer conservatória, pertenceu ao Dr. Afonso Pinto Coelho Soares de Moura Quintela, de Lousada, e foi adquirido em 1902. 
Os dez primeiros registados na competente Conservatória do Porto – 
1 Charron, 1 Bertiet, 1 Martini, 1 Leon Peugeot, 2 Minerva, 1 George Roi, 2 Daimler e 1 Mercedes – todos importados de 1 a 10/8/1911, foram registados em nome de Luis da Silveira e Castro, de Tongues, Vila do Conde, Albano de Melo Ribeiro Pinto, de Águeda, Joaquim António Lopes, do Porto, que mais tarde o passou para Augusto Pinto da Rocha, Monteiro e Dantas, de Monção, João Cândido de Almeida, do Porto, Sebastião M. Neves da Cruz, do Pinheiro da Bemposta que o transferiu para António Lourenço da Cunha, de Matosinhos, Alfredo da Cunha (Rasa), de Gaia, João Abrantes, do Porto, Domingos Fernandes da Silva, da Vila da Feira, e D. Júlia Cândida de Armada Alegria, de Oliveira de Azeméis, que viria também a transferi-lo para Pedro de Freitas, desta cidade. 
Claro que já rodavam no Porto muitos carros desde há muitos anos, mas não sei como era, até àquele ano de 1911 feito o registo da sua propriedade e que, segundo alguns teriam sido Alberto Anderson, Manuel Pinto da Fonseca e Visconde Pereira Machado, nos fins do século passado ou nos princípios do corrente os percursores do automobilismo na Capital do Norte”. In O Tripeiro, Série VI, Ano V


Ford subindo a rampa da Corticeira em 32 segundos – foto Aurélio Paz dos Reis - 1905


Mapa com as novas estradas do Distrito do Porto – 1885


Será um Bispo ou Cardeal?



O Infante D. Afonso (1865-1920), Duque do Porto, era o segundo filho do rei D. Luis I e da rainha D. Maria Pia e irmão mais novo do rei D. Carlos. Reza a crónica anedótica que era conhecido como «O Arreda». Amante de carros e de velocidade, corria pelas ruas da cidade no seu automóvel aos gritos «Arreda, Arreda!» para que as pessoas saíssem da frente, o que lhe valeu o cognome. Foi responsável pela organização das primeiras corridas de carros em Portugal.


D. Carlos - 1906


Príncipe D. Luis Filipe com o Conde de Asseca – Gouveia – Junho de 1907


A primeira carta de condução passada no Porto pela Circunscrição do Norte foi ao Dr. Mateus da Graça Oliveira Monteiro. 


Fez uma audaciosa viagem de automóvel de Paris ao Porto, tendo saído em 11/7/1914 e chegado em 17/7/1914, percorrendo cerca de 3.000 Kms. por péssimas e perigosas estradas.


Auto-agência do Bolhão – Daimler aí construído


Automóvel da família Aguiar – Gondomar – 1920 – a guiar mesmo só ia o “chauffeur


Manuel Meneres em Ford T no Palácio de Cristal – Revista Auto Hoje

2 comentários:

  1. Olá
    Grandes máquinas.....
    Cumprs
    Augusto

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  2. Grandes e bonitas! Uma das revoluções do século passado.
    Cumprimentos
    Rui Cunha

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